Beating Heart.
22 Let it out.
Notas iniciais
Quinn estava deitada de bruços pela manhã, com seu cabelo bagunçado e seus braços por baixo do travesseiro. O lençol cobriu seu corpo nu da cintura para baixo, deixando suas costas expostas. Após do dia estressante com seu pai, Santana deu a sua esposa uma ótima massagem relaxante que no mesmo instante a fez dormir como uma criança.
O relógio marcava nove horas da manhã e Santana estava com o cotovelo apoiado em seu travesseiro e com a cabeça deitada em sua mão, passando seus dedos suavemente e carinhosamente pela pele macia de sua esposa, descendo e subindo lentamente nas costas da mesma, enquanto mordia o canto de seus lábios.
Santana admirava o corpo de Quinn que continuava gostosa a cada dia. Seu corpo sequer parecia ter mudado durante sua gravidez. Mesmo Santana não sendo diferente, a latina sempre gostava de admirar o quão linda sua esposa era. A ponta de seus dedos passava pela nuca de Quinn, por cima da primeira tatuagem que fizeram juntas com a data de nascimento de Beth, seguindo pelos seus ombros, descendo para sua segunda tatuagem, na costela abaixo do seu seio esquerdo, onde traços de duas estrelas vazadas e grudadas estavam sobre sua pele. Era uma tatuagem delicada que deixava o corpo de Quinn ainda mais lindo. Suas estrelas representavam suas duas filhas, que desde quando nasceram, trouxeram brilho para sua vida.
Seus dedos continuavam deslizando pelas costas de sua esposa, até alcançar o lençol que cobriu sua bunda e suas coxas. A latina deixava seus dedos deslizaram para debaixo do lençol, levando seus lábios para um dos ombros de Quinn começando a depositar beijos suaves sobre a pele da mesma, deslizando seus lábios para o meio das costas de sua esposa, começando a deslizar carinhosamente sobre a pele quente abaixo dela.
Santana nunca foi capaz de resistir sua esposa. Aos seus olhos Quinn sempre será perfeita, e, a fazia se apaixonar cada dia mais. Era difícil não se apaixonar pelo modo como Quinn a desejava, e Santana fazia questão de mostrar todos os dias o quanto a amava.
Sua mão começava a deslizar pela lateral do corpo de Quinn, fazendo a loira se movimentar suavemente na cama. Seus olhos ainda fechados, Fabray soltava um suave gemido sonolenta, sem saber se estava mesmo sentindo os lábios de sua esposa em sua pele. A latina sorria sabendo que suas intenções em acordar Quinn daquela forma estavam funcionando.
Santana parecia saborear Quinn a cada beijo, em cada lugar que passava pelas costas de sua esposa. Suas mãos pousavam sobre o quadril da mesma, enquanto seus lábios subiam novamente fazendo o mesmo caminho.
– Mmmmm... – Quinn gemia, ainda de olhos fechados. – San...
Com um sorriso nos lábios, Santana levava uma de suas mãos para o cabelo de Quinn, tirando as mechas sobre seu rosto, depositando beijos carinhosos em sua orelha, seguida para sua bochecha.
– Bom dia, bê. – Santana falava suavemente, mordendo a orelha de Quinn, enquanto sua outra mão deslizava pela lateral do corpo da mesma.
– Mmmm, amor, isso é bom. – Quinn falava com sua voz rouca, ao acabar de acordar. A mesma mordia seu lábio inferior, sentindo seu corpo despertar se arrepiando com os lábios de Santana deslizando para o seu pescoço.
Usando apenas seu lingerie, Santana se colocava em cima de Quinn, passando suas pernas por cima da cintura da mesma, se sentando em sua bunda, enquanto começava a chupar o ponto no qual sabia que faria Quinn enlouquecer.
– Santana... – Quinn ofegava, sentindo um leve calor começando a subir por entre suas coxas. Ela sabia exatamente o que a latina estava fazendo, e sem dúvidas não a impediria.
Os dedos macios de Santana passavam pela lateral dos seios de Quinn, fazendo-a arquear seu corpo para cima lentamente, deixando que as mãos da latina deslizassem por sua barriga. Quinn não sabia quanto mais iria resistir a tudo aquilo, e enquanto sentia os lábios de sua esposa sobre seu pescoço, a loira começava a se virar, sem deixar Santana sair de sua posição.
Assim que seus olhos encontraram os marrons escuros de sua amada, Quinn podia sentir seu coração acelerado. Seu corpo se arrepiava com os toques da latina, fazendo-a deseja-la ainda mais.
Quinn levou suas mãos para as coxas de Santana, arranhando lentamente, e lábios carnudos e deliciosos atracavam seus lábios rosados em um beijo suave, onde a língua da latina pedia permissão para ir de encontro a de Quinn. Uma massageava deliciosamente sobre a outra, tendo uma leve batalha por dominação na qual Santana ganhou e Quinn – como sempre -, se rendeu aos deliciosos beijos de sua esposa deixando-a no controle.
– Eu sou apaixonada pelo o modo como você me acorda. – Quinn sussurrava contra os lábios de Santana, levando uma de suas mãos para a nuca da mesma, entrelaçando alguns de seus dedos contra as mechas escuras de sua esposa.
– E eu sou apaixonada por você. – Santana respondia, fazendo Quinn sorrir, mordendo o lábio inferior da mesma e prendendo entre seus demtes, antes de soltá-lo.
Sem dizer nada, Santana trazia uma de suas pernas para o centro exposto de Quinn, forçando sua coxa contra o núcleo da mesma, fazendo-a soltar uma respiração ofegante, contraindo sua barriga e apertando seus dedos contra a nuca da latina.
– Consigo sentir o quão molhada você já está, gatinha. – Santana sussurrava, passando a ponta da língua no contorno dos lábios de Quinn.
A loira apoiava seu pé na cama, deixando seu joelho dobrado, abrindo mais suas pernas para dar espaço a Santana. Ela sentia seu centro começando a pulsar de desejo por sua latina e pressionava-o contra a coxa da mesma, movimentando seu quadril lentamente.
– Mmmm... – Quinn soltava um leve gemido. – Eu quero você, Santana. – Seu corpo pedia por Santana, e Quinn sabia do que precisava.
Santana roçava sua coxa contra o centro de Quinn, fazendo-a soltar suaves gemidos, levando uma de suas mãos até as costas da latina, apertando seus dedos contra sua pele.
Os lábios de Santana começavam a deslizar para o pescoço de Quinn, passando sua língua suavemente pela pele macia da mesma, enquanto continuava seu caminho até um dos seios da mesma, passando a ponta da língua no mamilo já hereto a sua espera.
Quinn arqueou seu peito, sentindo um enorme frisson em seu corpo assim que os lábios de Santana abocanhavam seu mamilo, começando a chupá-lo e mordê-lo suavemente. Sua barriga se contraia e todo seu corpo se arrepiava a fazendo fechar seus olhos, começando a gemer de tesão por sua esposa. A artista pressionava seu centro com força contra a coxa da latina, ao mesmo tempo em que passava uma de suas pernas em volta da cintura da mesma, pressionando seu núcleo contra o de sua esposa, causando um gemido de ambas.
– Eu adoro te ver dessa forma, Q. – Santana sussurrava, levando seus lábios para o outro seio de sua esposa, dando a mesma atenção que dava no anterior. – Você é tão gostosa, amor.
– Oh céus, Santana... – Quinn pressionava seus dedos no cabelo da latina, dando uma leve puxada, inclinando sua cabeça para trás no travesseiro, enquanto todo seu centro pulsava ainda mais. – Ugh! Amor... E-eu preciso de você.
– Me fala o que você quer, Quinn. – Santana dava atenção para o mamilo da loira, olhando-a se contorcer de excitação embaixo de seu corpo. Apesar de não estar sendo tocada, a latina podia sentir seu próprio corpo respondendo a tudo aquilo que via. Ver Quinn daquela forma lhe excitava e Santana sentia sua calcinha molhada.
– Você. – Quinn gemia. – E-eu preciso de você... Lá embaixo, amor. – A loira mordia o canto de seus lábios, e seu quadril tremia desejando os dedos de Santana sobre seu centro.
Sem dizer nada, sua mão pousava sobre o centro de Quinn, fazendo a loira empinar seu quadril contra Santana, aumentando o volume de seu gemido como se estivessem sozinhas na própria casa.
Os dedos de Santana subiam e desciam acariciando o clitóris de Quinn, sentindo todo o suco de sua esposa sobre sua mão, a fazendo sorrir maliciosa, levando seus dedos para seus próprios lábios e os lambendo.
– Mmmmm... Você tem um gosto delicioso. – Santana comentava, levando seus lábios para próximos aos de Quinn e passando sua língua pelos lábios inferior da mesma.
– San! – Quinn grunhia ansiosa. – Amor, por favor... – A mesma implorava, e logo sentia a mão da latina novamente em seu centro. – Mmmm... Ah, Santana, pare de provocar! – A artista falava impaciente, fazendo Santana rir maliciosa, aproximando seus lábios nos ouvidos da loira.
– Eu vou estocar meus dedos com tanta força, que você vai gritar meu nome sem parar. – Santana usava sua voz sexy – de sexo, que Quinn reconhecia muito bem. Sem dúvidas ela teria o melhor sexo naquela manhã.
Antes que Quinn pudesse responder, dois dedos entravam dentro dela, fazendo-a soltar um suspiro ofegante, junto com um gemido, contraindo suas coxas. Santana mordia sua orelha, começando a movimentar seus dedos para dentro e fora da loira lentamente, enquanto seu polegar circulava o clitóris da mesma deliciosamente, podendo sentir o quão molhada sua esposa ficava com cada movimento.
– M-mais... – Quinn implorava.
– Não tão depressa, Q. – Santana descia seus lábios novamente para um dos seios de Quinn, aumentando o ritmo de suas estocar, adentrando mais um dedo, fazendo movimento circular por dentro da sua esposa onde atingia um ponto no qual Quinn revirou os olhos, inclinando novamente sua cabeça para trás, e seus dedos fechavam fortes – agora -, contra o braço da latina.
– Oh céus! Não para, San...Tana... Oh puta que pariu! – Quinn falava entre gemidos, sentindo seu corpo contraindo todo contra a cama, enquanto seus pés pressionavam fortes contra seu colchão e com sua outra mão, apertava o travesseiro abaixo de sua cabeça. – Mmmm... Ah. – A artista aumentava o volume de seus gemidos, mordendo com força seu lábio inferior.
Santana podia sentir que estava prestes a gozar apenas em ver sua esposa daquela forma. Aumentando ritmo e a força de suas estocas, gemia contra o seio de Quinn, olhando-a admirada e apaixonada com a maneira em que a artista estava excitada.
– Você está ficando apertadinha, amor... – Santana sussurrava, ao sentir as paredes de Quinn pulsando contra seus dedos.
– Santana! – Quinn gemia rouca. Ela estava com tão excitada que podia sentir seu corpo se contrair ainda mais e seu centro contraindo contra os dedos de Santana. A loira sabia que estava quase atingindo seu orgasmo e apesar de querer mais, não sabia quanto tempo aguentaria. – Isso! Mmmm... N-não para, San... E-eu estou quase lá, Oh! – Quinn atingia seu orgasmo, empinando seu quadril, enquanto todo seu corpo se estremecia com a deliciosa sensação que sentia.
Santana diminuiu suas estocas, esperando Quinn se acalmar de seu ápice para tirar seus dedos de dentro da mesma e levá-los até sua boca, para lamber todo o suco delicioso de sua esposa.
– Nunca me canso do seu gosto, gatinha. – Santana sussurrava, sedutora, levando seus lábios para os de Quinn, iniciando novamente outro beijo apaixonado, mas dessa vez, um pouco mais famintas uma pela outra.
Seu corpo todo estremeceu após atingir seu ápice. Santana sempre foi ótima naquilo que fazia, e, Quinn não podia negar que adorava sexo matinal. Especialmente quando sua esposa a fazia gozar daquela forma. Tão intensa.
Enquanto ainda tentava se acalmar, Quinn foi surpreendida com os dedos da latina novamente em seu centro. A mesma contraiu seu quadril contra a cama, mas o dedo massageando seu clitóris era difícil de resistir e Quinn já estava gemendo contra os lábios de Santana, deixando-a fazer sua mágica novamente.
– Posso sentir o quão quente você está. – Santana sussurrava contra os lábios de Quinn, sem parar de massagear o clitóris da mesma que tinha os gemidos altos abafados pelos lábios carnudos da latina.
Quinn movimentava seu quadril rapidamente, pedindo por mais e mais de sua esposa. Ela não conseguia se controlar e pela segunda vez naquela manhã, desejava sentir os dedos de Santana dentro dela. Passou seus dois braços por baixo dos de sua esposa, cravando com força suas unhas contra as costas da mesma a fazendo gemer contra seus lábios.
– San, por favor... – Quinn implorava novamente contra os lábios da latina, que antes de deixar a loira atingir novamente seu orgasmo, Santana deslizava seus dedos pelo clitóris da mesma, a fazendo grunhir de frustração pela falta dos movimentos
– Paciência, gatinha... – Santana sorria maliciosa, deixando seu quadril roçar sobre uma das pernas de Quinn. – Mmmm, Quinn! – A latina soltava um baixo gemido, ao encaixar dois dedos novamente dentro de sua esposa e senti-lá ainda mais apertada. – Ugh gatinha, adoro quando te sinto apertadinha em volta dos meus dedos, Q.
– Oh céus, Santana... – Quinn pousava seus lábios contra o ombro da latina, abafando seus gemidos que pareciam querer sair como gritos. – Ah! – A loira mordia a pele de Santana com força, fazendo-a gemer de dor, porém, uma dor na qual lhe dava ainda mais prazer naquilo que faziam. Santana podia sentir seu corpo atingindo seu ápice apenas por ouvir e ver as reações de Quinn. – E-eu estou quase lá. Oh puta que pariu, Santana! – A loira cravou suas unhas nas costas da latina, e após seu centro pulsar freneticamente em volta dos dedos de Santana, Quinn pela segunda vez naquela manhã atingia seu orgasmo, sentindo seu corpo estremecer ainda mais enquanto gozava novamente nos dedos da latina.
– Você precisa relaxar, mi amor. – Santana sussurrava contra o ouvido de Quinn. – Não quero que ninguém tire o que você tem mais lindo, Lucy Quinn. – A latina falava apaixonada e carinhosa, enquanto a loira se acalmava de seu segundo orgamos, esperando seu corpo parar de tremer. – Eu sou apaixonada por seu sorriso, e ninguém vai tirá-lo de você.
– Eu te amo tanto, San... – Quinn respirava ofegante, podendo sentir como se tivesse corrido uma maratona. – Meu sorriso é seu. – A loira depositava um selinho demorado nos lábios de Santana e sem se afastava, sussurrava novamente. – Eu sou sua. – Seus lábios se encontravam novamente, iniciando um beijo ainda mais apaixonado e dessa vez suas línguas entravam em uma perfeita sincronização, massageando uma sobre a outra carinhosamente, demonstrando em um simples gesto o quanto eram apaixonadas uma pela outra.
Sem dizer nada, Santana abria seus olhos, deslizando suas mãos pela lateral do corpo de Quinn, começando a descer seus lábios entre os seios da mesma lentamente, passando por seu definido abdômen, passando a língua em cada musculo delicado da mesma, fazendo-a se contrair por inteira contra o colchão, agarrando o lençol e o apertando entre seus dedos. Quinn sabia onde Santana estava indo, e não tinha certeza se aguentaria um terceiro orgasmo naquela manhã.
Se posicionando entre as pernas de Quinn, Santana passou seus braços por baixo da mesma, segurando com força na cintura da loira, e aproximando seu rosto do núcleo da mesma. Assim que Quinn sentiu a respiração quente de Santana contra seu centro, colocou sua mão contra o cabelo da mesma, segurando com força.
– San, amor... E-eu estou muito... Ah! – Quinn foi interrompida pela língua quente e molhada de sua esposa passando por seu clitóris. – Santana! Oh! – A loira gemia, sentindo seu clitóris pulsando. – Amor, e-eu estou muito s-sensível... Ow. – Quinn arqueava seu peito para cima do colchão, contraindo toda sua barriga enquanto Santana começava a chupá-la com força.
O líquido que molhava a parte interna de sua coxa era o efeito que Quinn estava lhe causando. Santana sentia sua calcinha molhada com todo seu suco e podia sentir o mesmo sobre sua virilha. Ela mesma gozaria em poucos segundos, talvez antes mesmo até de Quinn atingir seu terceiro orgasmo, mas naquele momento, sua atenção era para sua deliciosa esposa que se contraiar e pulsava por baixo dela. A latina queria deixa-la bem, e fazê-la esquecer de tudo o que lhe magoou no dia anterior. Santana não deixaria que Russel Fabray atrapalhasse novamente a vida de Quinn e mostraria para a mesma o quão amada era, e que não precisava de seu pai.
Quinn se contorcia quase chorando de tesão por estar sensível demais. Seu clitóris era chupado com força por sua esposa, e Fabray queria gritar, mas parecia que nada saia. Seus gemidos estavam presos em sua garganta e todo seu corpo começava a tremer incontrolável.
A latina encaixava sua língua dentro de sua esposa, estocando rapidamente, sentindo o gosto que tanto amou por toda sua boca. O suco de Quinn escorria por seu queixo e antes que pudesse se controlar. Atingia seu orgasmo, gemendo contra o centro de Quinn, sentindo seu centro se contraindo, fazendo-a pressionar-se contra a cama, mas sem deixar de dar prazer a sua esposa.
– Ah! Santana... E-eu não consigo! E-eu... Ah! – Quinn gritava e apertava sua mão no cabelo da latina, se segurando para não fechar suas pernas, já que pela terceira vez seguida atingia seu orgasmo, mas dessa vez, Quinn esguichava seu líquido contra a boca da latina que se afastou deixando que caísse sobre a cama, e logo passava a língua lambendo cada gota de Quinn. – Oh céus, Santana, por favor, amor, para... E-eu não... Mmmm, San! – A loira mordia seu lábio com força, e ao contrário das duas primeiras vezes, Quinn tremia ainda mais. Suas pernas estavam fracas e não paravam um minuto sequer de tremer. Sua barriga se contraia e era como se a loira fosse desmaiar de tesão.
– É tão excitante quando você esguicha, Q. – Santana falava suavemente, dando beijos suaves na barriga de Quinn, tentando acalmá-la. A mesma podia sentir o quanto sua esposa tremia.
– Eu não sinto minhas pernas... Ou todo meu corpo para ser mais precisa. – Quinn sussurrava de olhos fechados, soltando uma risada baixa. Ela se sentia exausta e não parecia conseguir controlar seu corpo para fazê-lo se acalmar.
– Eu te amo tanto, Lucy Q. – Santana apoiava suas mãos uma de cada lado da cabeça de Quinn, olhando-a apaixonada. – Eu não me canso de dizer isso ou de te mostrar o quanto eu sou louca por você. – A latina depositava um beijo carinhoso na ponta do nariz de Quinn, levando seus dedos para a testa suada da mesma e tirando as mechas de cabelo. – Você é tão linda, Q.
– Eu te amo, Tana. – Quinn respondia com a voz fraca e sonolenta. – Você sempre sabe exatamente como me deixar bem. – A loira sorria apaixonada, e passava a mão no queixo da latina. – Eu não acredito que esguichei em você, amor. – A loira ria baixo, fazendo Santana rir.
– Você quase acertou meu olho, bê. – Santana fechava um de seus olhos, fazendo Quinn rir ainda mais, dando um tapa em seu braço.
– Fica quieta, boba. – A loira balançava sua cabeça. – Eu te amo. – Quinn sussurrava, trazendo os lábios de Santana de encontro aos seus. – E me sinto exausta.
– Vem, vamos tomar um banho quente e enquanto você se troca, eu troco os lençóis e deixo você voltar a dormir. – Santana levantava da cama, passando seus braços em baixo do corpo de Quinn e a pegando no colo.
– Mhmmm... – Quinn murmurava, passando seus braços em volta do pescoço da latina e deitando sua cabeça no ombro da mesma. – Depois dos três maravilhosos orgasmos que recebi, preciso mesmo da minha esposa comigo. – A loira sussurrava, fazendo Santana sorrir.
Xxxx
– Mami! – Olivia entrava no quarto de suas mães, encontrando apenas Santana arrumando o novo e limpo lençol na cama. Para sua sorte, a mesma já estava vestida.
– Oi, mijá, bom dia! – Santana sorria, ao ver sua caçula de pijama e com um rabo de cavalo bagunçado.
– Bom dia, mami. – A pequena se aproximava da mãe, depositando um beijo em seus lábios e apoiando seu corpo sobre o de Santana, deitando a cabeça contra o quadril da mesma.
– Mmmm, alguém ainda não acordou 100% — A latina brincava, olhando para Olivia.
– Cadê a mamãe?
– Está tomando banho.
– Mami, hoje a Bella e o Brooklyn podem vir brincar comigo aqui? – A pequena coçava seu nariz, levantando a cabeça e olhando para sua mãe. Olivia passou seus braços pela cintura de Santana, deixando seu queixo contra a barriga da mesma.
– Mmm, por mim tudo bem, penaut. – A latina sorria. – Mas precisa ser de tarde, tudo bem? Talvez possamos busca-los depois do almoço, o que acha?
– Eba! Sim, sim, mami! – Olivia assentia freneticamente. – Te amo, mami, gracias. Vou ligar para a Bella e o Brooklyn. É triste a Chloe não poder vir também, a mamãe dela só a deixa brincar comigo quando estamos no colégio. – A pequena fazia uma carinha triste, e Santana passava a mão sobre os cabelos tão parecidos com os seus.
– Eu sei, mi amor, mas se um dia você quiser brincar com a Chloe, podemos marcar um encontro entre vocês para irem brincar no central park. O pai dela sem dúvidas a levaria.
– Sim, mami. Ótima ideia! Talvez podemos falar com o papai da Chloe no colégio. Ele quem sempre busca ela agora. – A pequena comentava.
– Falar com quem? Buscar quem? – Quinn saia do banheiro, usando seu roupão, enquanto secava seu cabelo.
– Bom dia, mamãe! – Olivia, sorria, se aproximando de Quinn e depositando um selinho nos lábios da mesma.
– Bom dia, pookie. – A loira falava carinhosa. – E então, o que vocês estão planejando?
– A mami falou que posso convidar o Brooklyn e a Bella para brincar aqui hoje. E aí falamos que podemos convidar a Chloe para irmos brincar no central park outro dia, porque a mamãe dela não deixa a vir aqui. – Olivia encolhia seus ombros se sentando na cama.
– Oh, bom, ia ser ótimo se eles viessem hoje à tarde, até porque, pretendo descansar mais um pouquinho agora. – Quinn semicerrava os olhos, rindo suavemente ao olhar para a latina. — E sem dúvidas podemos marcar um encontro para vocês brincarem com a Chloe, pookie.
– Obrigada, mamãe Q! – Olivia sorria, e de repente, franzia o cenho, semicerrando os olhos e ficando em pé na cama sem tirar os olhos de Quinn. – Mamãe, você caiu?
– Mmmm, não, meu amor. – Quinn respondia confusa.
– Tem uma mancha muito roxa no seu pescoço. – A pequena apontava em direção ao pescoço de Quinn, que arregalou os olhos se aproximando do espelho, encontrando uma grande marca roxa dos chupões que recebeu naquela manhã de sua esposa. A loira virou-se encontrando Santana rindo.
– Isso é tudo culpa sua. – Quinn jogava a toalha de sua mão na direção de Santana. – San! Como eu vou cobrir isto daqui? Ficou enorme, amor. – A loira usava sua voz manhosa, enquanto olhava novamente para o espelho.
– Oops.
– Mami te machucou? – Olivia perguntava confusa, arregalando os olhos.
– Não, mijá, eu e a mamãe Q estávamos brincando de fazer cócegas e aquilo aconteceu. – Santana explicava rindo, e foi o suficiente para Olivia se acalmar.
– Você me paga, Lopez. – A loira falava entre dentes, encontrando o olhar satisfeito de sua esposa pelo espelho.
Xxxx
Beth estava sentada em sua cama, olhando para o guarda-roupa a sua frente concentrada. Suas mãos apoiavam no colchão e a mesma respirava fundo, sentindo o chão frio sobre seus pés. Ela não sabia se estava tão pronta para andar sozinha, mas já podia sentir suas pernas, o que era um grande avanço. Sua fisioterapia estava lhe fazendo muito bem e Beth imaginou que talvez se esforçando um pouco mais começasse a andar logo.
A mesma estava decidida a andar até seu guarda-roupa. Estava cansada e frustrada de sua cadeira, e já fazia alguns minutos que estava ali, naquela posição encarando o móvel a sua frente. Beth respirou fundo, fechando seus olhos concentrando toda sua atenção para suas pernas e pés. Com a força nas mãos, a garota começava a se levantava lentamente, sentindo aos poucos o peso nos pés. Ela não sabia se aguentaria, mas tentaria mesmo assim, afinal, ela também é uma Lopez e não desiste fácil.
Contraindo toda sua força em seu abdômen, Beth olhava para seus pés, prendendo sua respiração. Ela precisava ficar em pé. Mesmo se não conseguisse andar, Beth precisa ficar sobre o peso dos pés, sozinha, sem nenhuma ajuda dos aparelhos ou barras que costuma usar com Erin.
Seus dedos apertavam com força sobre seu colchão e depois de parecer uma eternidade, seus olhos começavam a encher de lágrimas. Ela finalmente estava em pé. Beth conseguiu se colocar de pé sozinha. Sem ajuda de suas mães, de Charlie ou de Erin. Ela finalmente tinha conseguido. A força sobre suas pernas lhe mantiam equilibrada para não cair para os lados. Beth se concentrava no peso sobre seu quadril e respirava fundo, voltando a se concentrar para tentar dar seu primeiro passo.
O medo de cair e se machucar era grande, mas a garota sabia que não podia se sentir daquela forma ou então jamais conseguiria andar sozinha. Claro que Beth não levantaria seus pés para dar seu primeiro passo, ela simplesmente precisava arrastar sua perna para frente. Fechando seus olhos novamente, a garota sentia seu coração disparando. Suas mãos começavam a tremer e antes que pudesse dar seu primeiro passo, a porta de seu quarto se abriu.
– Bee! – A pequena Olivia entrava sorrindo, mas rapidamente paralisava ao ver sua irmã de pé. Uma olhava para a outra de olhos arregalados, e, assustadas. Liv por ver sua irmã finalmente se levantar daquela cadeira, e Beth assustada por ter sido tão descuidada e deixado que alguém a visse.
– Olivia? – Beth sussurrava, se sentando rapidamente na cama.
– V-você... – Olivia se aproximava devagar. – Beth, você estava andando? – A pequena perguntava e agora abria novamente um enorme sorriso, ficando feliz por sua irmã. – Beth, você ficou de pé. Você tava andando sozinha!
– Shhh... Olivia! – Beth puxou sua irmã pela camisa do pijama, a trazendo para perto e colocando a mão na boca da pequena. – Para de gritar, Liv. – A garota sussurrava. – Olha, o que você viu aqui, ninguém pode ficar sabendo, está bem? Pelo menos não agora. – Olivia tirava a mão da irmã de sua boca e a olhava, confusa.
– E por que não? Mamãe e Mami vão ficar muito felizes em saberem que você está andando.
– Eu sei disso, Liv, mas... – Beth respirava fundo, encontrando os olhos confusos da irmã. – Liv, sei o quanto você deve ter ficado feliz em me ver em pé, e também sei o quanto nossas mães ficariam felizes em saber que posso ficar em pé sozinha, mas não estou andando. O que você viu aqui foi uma tentativa. Minha fisioterapia anda me fazendo muito bem, mas por enquanto não consigo andar sozinha. Fui apenas tentar, porque estou cansada de depender sempre de alguém ou dessa cadeira estupida. – Beth pousava as mãos nos braços da irmã, acariciando. – Quero muito voltar a andar e preciso me esforçar sozinha. Posso fazer algumas coisas, mas são mínimas e por enquanto não quero que ninguém saiba, está bem? O aniversário da mamãe Q. está chegando e quero estar andando até lá para fazer uma surpresa para ela e a mami. Quero que seja surpresa, Liv. Quero que elas me vejam andando e não passando por etapas, porque tenho medo de fracassar e decepcioná-las. — Beth sorria suavemente. – Por favor, não conte nada a elas ou a ninguém, está bem? Isso precisa ser o nosso segredo, Liv.
A pequena olhava para sua irmã suavemente. Seus olhos já não estavam mais confusos e Olivia podia ver o quanto Beth estava sendo sincera. Apesar de não entender 100% do porque querer esconder aquilo, Liv tinha Beth como sua melhor amiga, e melhores amigas sempre guardam segredos juntas. Olivia faria isso por Beth. Faria isso por sua irmã e melhor amiga.
– Tudo bem, bee. – Olivia sorria passando seus braços em volta do pescoço de Beth e lhe abraçando com força. – Não vou contar para as mamães e nem para ninguém. Será nosso segredo. Meu e seu, de irmãs e melhores amigas, certo? – A pequena falava carinhosa, e Beth sorria, abraçando-a com força.
– Sim, Liv, de irmãs e melhores amigas.
– Espero que você melhore logo. Fiquei tão feliz em te ver em pé, porque daqui a pouco você vai andar e vamos poder sair juntas novamente. Sinto falta dos nossos passeios só de garotas. – Olivia fazia um bico adorável, deitando sua cabeça no ombro da irmã e sentando em seu colo.
– Aw, tiny... Eu também sinto muita falta das nossas tarde juntas. Prometo que assim que estiver andando e podendo dirigir, a primeira coisa que vamos fazer e irmos ao cinema, comer no mcdonald’s e tomar muito sorvete. – Beth apertava seus braços na cintura da irmã, a fazendo rir. – Obrigada por entender, Liv.
– Eu adoro McDonald’s. – Olivia levantava seu rosto, apoiando suas mãos nos ombros da irmã e a olhando animada. – Eu te amo, bee, prometo que vou sempre guardar seus segredos. – A pequena se aproximou, encostando a testa na de Beth e depositando um beijo na bochecha da mesma.
– Eu também te amo, tiny. No dia do aniversário da mamãe Q, vamos fazer a melhor surpresa do mundo! – Beth piscava e Olivia assentia frenética.
– Elas vão morrer do coração. – A pequena começava a rir, repetindo a frase que um dia ouviu sua tia Rachel falando para Brittany.
– Sem dúvidas! Bom, já que você está aqui, o que acha de me ajudar? – Beth perguntava e sem dizer nada, Olivia assentiu se aproximando do guarda-roupa da irmã e lhe ajudando a escolher uma roupa.
Naquela tarde, Beth teria mais uma sessão de terapia, mas antes, precisava fazer algo importante no qual sua terapeuta tinha lhe aconselhado. A garota teria que escrever sua carta para Lucas e por ter acordado cedo, Beth aproveitaria as horas que teria depois do café para se trancar em seu quarto e finalmente colocar para fora tudo aquilo que estava preso em seu peito.
Xxxx
– Mamãe, você vai ligar para o papai do Brooklyn agora? – Olivia perguntava pela segunda vez, enquanto terminava seu suco de laranja.
– Olivia! – Beth revirava os olhos. – Sério, você já perguntou isso mil vezes e a mãe disse que vai ligar quando terminar de tomar café. Ela já terminou?
– Não?
– Então espera! – Beth grunhia, fazendo Santana arquear sua sobrancelha ao ver o modo como a mesma falava com a caçula.
– Posso saber do porque a senhorita está tão irritada? – A latina perguntava.
– E-eu não estou irritada. – E Beth realmente não estava irritada, só estava nervosa e ansiosa para começar sua carta. Hoje seria um dia importante em sua terapia.
– Bom, então é melhor você se controlar. Isso não é jeito de falar com sua irmã. – Quinn falava suavemente e Beth assentia terminando suas torradas. — Pookie, vou ligar assim que terminamos, está bem? – Quinn virava-se para sua caçula.
– Está bem, mamãe Q. Desculpa, é que estou muito animada. Não vejo a hora do verão chegar e poder brincar na piscina! – A pequena se mexia animada em sua cadeira fazendo suas mães rirem. – Quero brincar com aquele enorme ganso que a mami comprou no ano passado!
– Até eu quero nadar com ele, mijá. – Santana comentava.
– Todas nós. Ele é enorme. – Quinn assentia.
– SIM! E vou poder chamar o Henry, a Valerie, o Brooklyn e a Bella para brincar.
– O verão começa no mês que vem, mijá. No primeiro dia de sol, vamos eu e você pularmos na piscina. – Santana franzia o cenho, e Olivia fazia o mesmo, imitando-a.
– Vai ser muito divertido, mama!
– Céus, toda vez que vejo Olivia pulando naquela piscina, sinto meu coração parando. – Quinn comentava, colocando a mão no peito.
– Mãe, não é como se ela fosse um bebê. Olivia já tem oito anos e sabe nadar. Ela não se afogaria.
– Eu sei, Beth, mas isso acontece até mesmo quando vejo você pulando naquela piscina. – Beth revirava os olhos, antes de responder Quinn.
– Certo. Okaaaaay... Vou fingir que acredito. – Beth dava um leve sorriso, tomando o último gole de seu chá.
– Beth... – Quinn não sabia o que estava acontecendo com sua adolescente, mas o tom de voz duvidoso da mesma, por alguma razão lhe incomodava.
– Tanto faz, mãe. Sei que sua preocupação comigo já não é tanta como antes. Hoje em dia ela vai toda para Olivia. O mesmo para a mami. – A adolescente falava rude, fazendo suas mães se olharem. – Já terminei meu café e vou estar no meu quarto até a hora da minha terapia. E ah, não quero ser incomodada. – No mesmo instante, Santana começava a rir. – Está rindo do que? – Beth perguntava irritada e suas mães a olhavam semicerrando os olhos.
– Hey! Não sei qual bicho te mordeu essa manhã, mas é melhor você começar a perder a atitude, Elizabeth, ou então eu mesma faço questão de te ajudar. – Santana falava autoritária e Beth sabia o que aquilo queria significava. Se ela não se comportasse, levaria doloridas palmadas na bunda. Apesar de já ter dezesseis anos, Beth sabia que Santana ainda lhe puniria por suas más criações.
– Desculpa, mami. – Beth falava suavemente, perdendo a atitude de minutos atrás. – E-eu só não estou me sentindo muito bem. Vou estar no meu quarto e agradeceria se vocês me deixassem ficar sozinha por algumas horas. Tenho algo para fazer que preciso levar para a terapia, então... Mmm, e-eu realmente preciso ficar sozinha. – Beth mordia o canto de sua bochecha e Quinn se levantava, levando seu prato para a pia.
– Tudo bem, little one. Vamos estar aqui caso precise de nós. – Quinn depositava um beijo em sua testa.
– Obrigada, mãe. – Beth sorria e voltava para seu quarto, fechando a porta atrás de si.
– Ok, minha monstrinha, vamos ligar para os pais dos seus amigos e marcamos uma hora para vocês brincarem. Talvez a mamãe Tana possa ir ao supermercado e comprar sorvete. – Quinn falava animada com Olivia, se colocando atrás de Santana e envolvendo seus braços em volta da mesma.
– Eba! Vamos ter muitos sorvetes de morango, chocolate... E ah, mami, o Brooklyn gosta muito de sorvete de morango, então precisa ter esse, tá bom? – A pequena falava seria, fazendo Santana rir ao ver a preocupação da mesma com o amigo.
– Ok, mijá, então teremos muito sorvete de morango para o Brooklyn! – A latina brincava, recebendo um leve tapa no ombro de Quinn. – Por que sinto que a preocupação dela com Brooklyn é maior do que com a Bella? – Santana sussurrava apenas para Quinn ouvir.
– Amor, não começa. Olivia só tem oito anos, talvez ela apenas queira agradar o amigo. – A loira encolhia seus ombros.
– Mhmm... Claro, até porque, Beth era exatamente assim quando o assunto era Charlie. – Santana agora mudava seu tom de voz, imitando Beth. – Mamãe Q, Charlie adora cookies com chocolate quente. Mamãe Tana, Charlie prefere meu pijama da hello Kitty. Charlie isso. Charlie aquilo, blá blá blá. – Santana revirava os olhos, e Quinn não conseguia parar de rir. – Tudo era Charlie, Charlie, Charlie... Vou ficar de olho bem aberto com a Olivia.
– Amor... – Quinn respirava fundo, controlando sua risada. – Como você é boba... Olivia não é como a Beth. Fica tranquila, nossa bebê não nos dará trabalho. – A loira depositava um beijo contra a cabeça da latina, se afastando. – Vem, pookie, vamos ligar para seus amigos. E você, Lopez, não se esqueça de que preciso muito descansar, porque alguém me deixou exausta essa manhã. – Quinn semicerrava os olhos. – A casa é toda sua.
Xxxx
Beth estava em sua cadeira, enquanto usava seus fones de ouvido escrevendo tudo aquilo que precisava para sua terapia naquela tarde. Ela não sabia se as músicas que ouvia estavam lhe ajudando a “desabafar”, mas tinha certeza que tudo aquilo preso em seu peito saia com facilidade e intensidade em casa palavra que usava contra aquele papel.
Ela sabia que precisava colocar tudo para fora, e não podia negar que estava com medo de sua sinceridade. Mesmo sabendo que Lucas não veria aquilo de verdade, Beth por alguma razão sentia como se não quisesse magoá-lo. Estava com medo como se fosse entristecê-lo de alguma forma.
Beth sentia seu coração acelerado e seu estômago embrulhava com o que sentia enquanto escrevia. A mão que segurava a caneta muitas vezes soava a fazendo parar e respirar fundo, antes de continuar.
Os fones a impediam de ouvir o que acontecia do lado de fora de seu quarto, a fazendo se concentrar apenas nas músicas que ouvia. E mesmo com medo da intensidade que colocava suas palavras, Beth temia ainda mais por precisar ler tudo em voz alta.
Enquanto se perdia em sua leitura, seu celular vibrava indicando que uma mensagem de Charlie tinha chegado. A loira passou o dedo na tela lendo rapidamente o que estava escrito, e em seguida, seu estômago pareceu revirar ainda mais ao ler que Charlie estava indo estudar novamente com a Liah.
Beth revirou os olhos, respondendo apenas com um “ok” simples. Ela não queria perder o foco e muito menos se irritar com Charlotte. Não depois da conversa que tiveram. A garota prometeu para si mesma que se esforçaria para não implicar mais e que confiaria em sua namorada. Ela só se preocupava com o que Liah achava de toda essa atenção que recebia de Charlie.
Depois de alguns minutos, quase uma hora, Beth tinha finalmente terminado sua carta. Com suas bochechas vermelhas e molhadas, tinha finalizado com palavras dóceis.
Apesar de ter muito que dizer, sua carta tinha o necessário. O suficiente para colocar tudo o que estava sentindo e o que pensava sobre Lucas.
A mesma dobrou o papel suavemente, colocando dentro de um envolope branco e deixando próximo a sua bolsa para não esquecer. Tirou seus fones de ouvido e foi até seu banheiro para finalmente poder tomar um banho quente e descansar a mente para se preparar para sua tarde na terapia.
Xxxx
– Mami, você já colocou os sorvetes na geladeira? – Olivia descia as escadas, após ouvir sua mãe chegar do supermercado com seus deliciosos sorvetes.
– Sim, senhorita. Estão todos na geladeira. – A latina respondia.
– A mamãe da Bella quem vai trazer o Brooklyn. Eles já devem estar chegando!
– Não se esquece, mijá. Vocês podem brincar no jardim e nos balanços, mas cuidado com a piscina, está bem? Nada de correr em volta dela. – Santana dava suas ordens pela terceira vez, com medo de que as crianças se aproximassem da piscina. – Brinquem perto dos balanços e na sua casinha verde. – Liv tinha uma enorme casa verde de boneca no jardim, onde podia brincar com seus amiguinhos da antiga escola. Puck e Adam construíram para ela logo quando a mesma começou a andar.
– Si, mami. – A pequena respondia com sotaque, fazendo a latina sorrir orgulhosa.
– A mamãe Quinn continua dormindo? – Santana perguntava.
– Mhm, ela está dormindo desde a hora em que você saiu. E Beth continua no quarto.
– E o que você estava fazendo?
– Estava no meu quarto assistindo bob esponja. – Olivia sorria.
– Ok, mijá, eu vou ver se sua irmã está pronta e antes de saírmos para a terapia, vou acordar a mamãe Q. para ficar com você e seus amiguinhos. Suba para seu quarto e ajeite a bagunça, está bem? – Santana depositou um beijo na testa da pequena antes da mesma subir correndo para seu quarto.
Assim que Santana entrou no quarto de Beth, encontrou a filha sentada na cama apenas de calcinha e sutiã, com seu cabelo loiro bagunçado, olhando para o celular e cantando com a música que tocava de seu Hi-Fi plugado de seu Ipod.
Beating my drum like, dum di di dey
I like the dirty rhythm you play
I wanna hear you calling my name
Like, hey mama, mama, hey mama, ma
Santana sorria encostada na porta, e logo começava a cantar com a filha, fazendo-a tirar a atenção do celular e olhar a voz que sempre amou de sua mami.
Banging the drum like, dum di di dey
I know you want it in the worst way
I wanna hear you calling my name
Like, hey mama, mama, hey mama, ma
A latina dançava em frente a cama, fazendo Beth rir ao ver sua mãe rebolando. Apesar de saber que Santana estava brincando, Beth sempre achou suas mães com uma ótima coordenação motora para dançar e admirava o quão suas vozes eram sexys e lindas ao mesmo tempo.
– Woohoo! – A garota brincava, dando um tapa na bunda da mãe. – Arrasou, mami.
Yes I'll do the cooking
Yes I'll do the cleaning
Plus I keep the na-na real sweet for your eating
Yes you be the boss, yes I be respecting
Whatever that you tell me cause it's game you be spitting
Best believe that, when you need that
I'll provide that, you will always have it
I'll be on deck, keep it in check
When you need that, I'ma let you have it
Santana continuava cantando, agora apontando para a filha, sem parar os movimentos que fazia com o quadril. Começando a rir com Beth, se jogando na cama ao lado da mesma.
– Hey mama! – Santana falava sexy, piscando para a filha, que soltava outra gargalhada.
– Céus, mami, você, a mãe e a tia Brittany deviam ser todas professoras de dança.
– Nah, eu ia fazer todos meus alunos se apaixonarem por mim. – Santana dava de ombros, falando convencida. – Agora posso saber por que a senhorita ainda está assim? Sua consulta é daqui meia hora, princesa.
– Nada convencida, senhora Lopez. – Beth revirava os olhos, rindo. – Ah, eu só estava fuçando uma pessoa no instagram, avisando Charlotte para vir comer pizza comigo essa noite. Essas coisas. – A garota dava de ombros.
– E quem falou que vamos comer pizza essa noite?
– Vocês¸ eu não sei, mas eu e minha namorada vamos. – Beth brincava, fazendo Santana semicerrar os olhos.
– Ah! É assim? Então considere uma garota sem sorvete. Vou dar todos para Olivia, porque ela é a filha que me ama mais. – Santana arqueava uma de suas sobrancelhas.
– Não, mama! Eu divido minha pizza com você. – Beth passava os braços em volta do ombro da mãe, lhe abraçando com força. – Não me deixa sem sorvete. Você sabe o quanto suas filhas são devoradoras de sorvete! – A garota falava entredentes, apertando Santana com força, fazendo a mesma rir.
– Não, já admitiu que não se importa comigo. – Santana tentava se soltar dos braços da filha, mas a mesma lhe apertava com força, deitando a cabeça em seu ombro.
– No mami, tú eres mi vida, y yo compartimos algo con usted. – Beth falava em espanhol, fazendo Santana olhá-la pelo canto dos olhos.
– Não vale, você sabe que não resisto quando você e a Liv falam desse jeito. – A latina revirava os olhos, e Beth começava a rir.
– Prometo que compro pizza para todas vocês, mas não me deixa sem o sorvete.
– Argh! Está bem, tanto faz! – A latina revirava os olhos novamente, dando um tapa de leve contra a coxa da filha, que sorria escondido por finalmente ter sentido.
– Eu te amo, mama.
– Eu também te amo, bee. Se arrume rápido, está bem? Nós precisamos ir. Você quer ajuda? – Santana perguntava ao se levantar da cama.
– SI, MAMA! – Beth falava empolgada, fazendo sua mãe rir. – Por favor, você pode pegar minha calça jeans com aquele rasgo no joelho que você odeia... – A garota pausava rindo ao ver sua mãe revirar os olhos. – E minha blusinha xadrez de manga ¾ que está na segunda gaveta. – Santana se aproximava do guarda-roupa da filha, tirando as roupas que a mesma lhe pediu.
– Não é que eu odeio essa sua calça, mijá. – Santana comentava. – É que ela é toda rasgada, não entendo sua obsessão por uma roupa dessas. Eu mesma poderia ter rasgado uma de suas calças. – A latina brincava, fazendo Beth rir.
– Mama, esse não é um rasgo qualquer. Foi feito com delicadeza.
– Tanto faz. Fique pronta logo, antes que eu te leve para terapia só de calcinha e sutiã. – A latina jogava a blusinha no rosto da filha que ria sem parar, enquanto saia do quarto.
– Gracias, mama! – Beth gritava, balançando a cabeça, e pegando seu celular pela última olhando seu facebook e como esperado, uma foto de Liah com Charlie na biblioteca com vários livros espalhados sobre a mesa. A legenda não dizia muito, mas mesmo sentindo as borboletas em seu estômago, Beth respirou fundo, bloqueando seu celular e terminando de se arrumar.
Xxxx
– Quinn? – Santana mordia a orelha de sua esposa, a chamando suavemente, enquanto tentava lhe acordar. – Lucy! – Com sua voz maliciosa, deslizava seus lábios pela bochecha da loira, depositando beijos suaves e delicados contra a pele macia da mesma.
– Mmm... Santana! – Quinn murmurava, colocando as mãos no ombro da latina, tentando lhe empurrar.
– Não, Lucy Quinn! – Santana começava a morder a bochecha de Quinn. – Acorda, mi amor, as crianças chegaram e preciso levar Beth para a terapia. – A latina tentava acordar sua esposa, mas Quinn parecia ter desmaiado ao invés de apenas dormir. Santana semicerrou os olhos, abrindo um sorriso malicioso. – Quinn, estou grávida!
– O que? – Quinn abria os olhos rapidamente, se sentando na cama, batendo sua testa na da latina.
– Outch! Quinn! – Santana saia de cima de sua esposa, passando a mão na testa. – Eu só estava brincando.
– Santana! – A loira falava brava, também com a mão sobre a cabeça. – Você me assustou.
– Se você tivesse acordado na primeira vez que te chamei isso não teria acontecido. Céus, Q.
– Amor, doeu. – Quinn falava suavemente, franzindo o cenho e formando um bico adorável.
– Desculpa, mi amor, mas você precisa levantar. Brooklyn e Bella já estão la embaixo no jardim brincando com a Liv, e preciso levar Beth para a terapia. – A latina falava carinhosa, se aproximando de sua esposa e depositando um beijo na testa da mesma.
– Está bem, já estou descendo. Só vou lavar o rosto e trocar de roupa. – Quinn respondia suavemente, recebendo um selinho demorado de sua esposa.
– Ok, amor, vou avisar para Liv que você já está descendo. Vou passar na rádio enquanto Beth estiver na terapia, vai precisar de alguma coisa?
– Oh, você pode dar uma passada na galeria? Estou esperando uns documentos chegarem e ficaram de chegar hoje. Você pode buscá-los? E ver se está tudo bem por lá?
– Sim, ma’am. – Santana assentia. – Te amo, mi amor.
– Gracias, mi amor. Eu também te amo. – Quinn sorria, acenando para sua esposa que desaparecia de seu quarto.
– Mijá! – Santana passava pela porta do jardim, gritando por Olivia.
– Aqui! – A pequena saia de dentro de sua casinha, com seus amigos logo atrás e uma bola de futebol em mãos.
– Mamãe Q já está descendo. Não joguem bola perto da piscina. Se alguma coisa acontecer enquanto a mamãe estiver dentro de casa, gritem por ela.
– Sim, mami. – Olivia sorria, e Santana se aproximava, depositando beijo na cabeça das três crianças, antes de voltar para dentro onde Beth a esperava.
– Quando crescer quero ser igual sua mami. – Bella comentava, ao ver Santana saindo. – Ela é muito legal e linda.
– E a Olivia parece com ela. – Brooklyn falava sorrindo. – O cabelo e a cor da pele. Eu acho muito bonito. A Olivia também é linda.
– Minha mama é muito linda mesmo. Obrigada Brooklyn. – Olivia sorria tímida para seu amigo, antes de se aproximar de Bella e segurar sua mão e começarem a correr do garotinho.
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– Está nervosa? – Santana quebrava o silêncio no carro, enquanto dirigia a caminho da terapeuta.
– Um pouco. – Beth respondia vagamente, segurando o envelope em suas mãos.
– Vai ficar tudo bem, bee.
– Obrigada, Ma’. – Beth sorria, olhando para Santana. – Acho que essa foi a tarefa mais difícil que ela me passou.
– Imagino, mijá. Quando seu abuelo faleceu, eu também senti que ainda tinha muita coisa para dizer a ele. Não escrevi uma carta como você, mas na semana em que fiquei lá, o visitei todos os dias e foi o suficiente para que eu pudesse desabafar e pedir desculpas por ter desaparecido daquela forma da vida deles. – Santana falava suavemente, sem tirar os olhos da estrada.
– Você sente muita falta dele?
– Todos os dias. Ele sempre foi meu melhor amigo. – Santana sorria, respirando fundo, e Beth sorria olhando para sua mãe.
– Dizem que a gente não se lembra de quando eramos crianças, mas por alguma razão, tenho algumas imagens dele comigo e quando ele aparece nos meus sonhos sempre é muito carinhoso e me trata muito bem.
– Oh, acredite, bee. Seu abuelo virou seu fã no instante em que botou os olhos em você. – Santana ria. – Foi amor à primeira vista.
– Fico feliz por isso. Queria me lembrar de detalhes, sabe, mami? Gostaria de ter algumas lembranças mais nítidas, mas apesar de tudo, sou feliz pelas que tenho. Abuelo vai ser sempre meu heroí e tenho Lulu como uma ótima lembrança dos dias que passamos com ele. Será que abuelo aprovaria Charlie?
– Eu e sua abuela ficaremos felizes quando quiser saber algo dele, mijá. – Santana sorria, olhando para sua filha. – Oh, sem dúvidas. Ele iria adorá-la tanto quanto sua abuela.
– E sem dúvidas ia amar Olivia de paixão, porque ela é amorosa com todo mundo. – Beth ria, fazendo Santana assentir.
– Verdade. Ele e Olivia seriam exatamente como era você e ele. Não pense que a senhorita também não grudou no seu abuelo, porque não saia de perto dele.
– Nos eramos um time, mama.
– Um time de terroristas. – Santana brincava. – Se ele não estivesse usando aquela cadeira de rodas, vocês teriam corrido e brincado pela casa toda. Nós costumávamos brincar de pique-esconde quando eu e Adam eramos pequenos. Ele sempre ia nos procurar.
– E você se escondia nos lugares mais impossíveis. – Beth ria. – Você desde pequena era um gênio, mami. Estou orgulhosa.
– Gracias, mijá. — Não demorou para que Santana estacionasse seu carro em uma das vagas no consultório. – Chegamos, mi amor.
Assim que Santana desceu do carro, Beth sentia seu estômago apertar. Ela estava ansiosa para mostrar a carta a sua terapeuta e sentia medo de não ter sido o suficiente, ou talvez, por ter sido sincera demais.
O caminho para dentro do consultório, Beth encarava a carta sem parar, e sentia como se precisasse de Charlie naquele momento. Tentou mandar algumas mensagens, mas não teve resposta alguma, o que lhe deixou ainda mais nervosa.
– Bee, você tem certeza que não quer que eu espere? – Santana perguntava, ao colocar a cadeira de Beth ao lado do sofá de espera.
– Não, Ma’, está tudo bem, eu vou ficar bem. – A garota sorria suavemente.
– Ok, mijá. Se precisar de qualquer coisa é só me ligar, está bem? – A latina comentava. – Vou estar na rádio e preciso ir à galeria que sua mãe pediu. Não quer mesmo que eu fiquei aqui esperando até você entrar?
– Mami... – Beth ria baixo. – Está tudo bem. Não precisa se preocupar comigo. Vou ficar bem e prometo que ligou se acontecer alguma coisa. Pode ir tranquila. Manda um beijo para Lily e para o Tyler.
– Ok mija, ok. – Santana respirava fundo, odiando a ideia de ter que deixar Beth sozinha. – Te amo, mijá.
– Eu também te amo, mami. Vai com cuidado.
– Sempre, mi amor. – Santana depositava um beijo em sua testa, antes de se afastar para ir embora.
Beth sequer teve tempo para relaxar, já que quando sua mãe desapareceu da sala de espera, sua terapeuta, Cassie a chamava para iniciarem a sessão.
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– E então, Beth, como foi sua semana? – Cassie perguntava, ajeitando seu bloco de anotações em seu colo.
– Tranquilo. Eu e Charlotte tivemos uma pequena discussão, mas estamos bem. E minha fisioterapia está sendo ótima. Consegui ficar em pé sozinha e quase andei se não fosse minha irmã me atrapalhar. – Beth revirava os olhos, fazendo sua terapeuta sorrir.
– Ok, vamos começar por partes. Por que você e sua namorada discutiram?
– O de sempre. Não acho que Liah...
– A irmã de Lucas? – Cassie a interrompia.
– Isso, a irmã de Lucas, seja sincera em relação a amizade que tem com a Charlie. Qualquer um com olhos pode ver o modo como ela olha para a minha namorada. Não é normal e isso me incomoda, porque Charlie não vê dessa forma. – Beth falava suavemente, sentada no sofá ao invés de sua cadeira. – No começo, achei que Liah apenas queria se enturmar, porque ela era sozinha, mas depois o modo como ela gruda na Charlie me incomoda. É difícil eu implicar com outras pessoas, isso só acontece quando sinto que algo está errado.
– Ah sim, o terceiro olho mexicano das Lopez. – Cassie comentava, fazendo Beth rir.
– Exatamente. Mas nos entendemos depois. Acho que Charlie reconheceu meu lado e sabe que não sou implicante dessa forma, mas ugh! Me incomoda o fato de que elas estão nesse exato momento estudando juntas na biblioteca da cidade.
– E por que te incomoda? Você acabou de dizer que Charlie entendeu seu lado, talvez ela só esteja lá estudando e nada mais.
– Talvez, mas Liah se aproveita de cada minuto que passa com Charlie. Não sei explicar exatamente o que sinto, mas não é normal. Charlotte pode ter quantas amigas quiser, inclusive, o instagram dela é popular no colégio, porque ela adora gravar vídeos bobos e cantando... – A garota ria, se lembrando do quão boba é sua namorada. – Muitas garotas a elogia e temos o nosso time de atletas e as garotas da aula de dança. Charlotte é mais amigável do que eu, às vezes, e é o que mais me encanta nela. Só que... Ugh! A Liah se aproveita da bondade da Charlie e só ela não vê isso. Ainda usa a desculpa de que o irmão morreu e ela tá sensível, e blá, blá, blá. – Beth revirava os olhos, e Cassie anotava algumas coisas em seu bloco.
– E você já tentou dar uma chance para ela se tornar sua amiga?
– Já. Fiz exatamente o que você sugeriu, mas não consigo. Não a vejo tão inocente como as outras pessoas vêem.
– Você precisa ser paciente, Beth, e confiar em Charlotte. Vocês já conversaram então o melhor a se fazer é esperar. As coisas podem mudar a partir de agora. Tenho certeza que Charlotte não faria nada para te magoar. Pelo o que você me fala, ela te ama muito.
– E eu sou paciente e confio nela, mas muitas vezes não consigo me controlar. – Beth respirava fundo, sorrindo. – Sim, e eu também a amo muito. Minha mami sempre disse que eu e Charlie nascemos uma para outra.
– E nasceram. Se vocês acreditam que foram feitas uma para a outra, ninguém terá a capacidade de se envolver entre vocês. – Cassie falava suavemente, e Beth ficava em silêncio por alguns segundos.
– É isso que acontece com as minhas mães. – A garota comentava. – Elas nasceram uma para a outra e ninguém separou. Nem mesmo quando passaram por aquela separação terrível na qual minha mãe perdeu a memória. Foi horrível e eu e a mami ficamos com muito medo dela nunca mais voltar.
– Entendo. E você ainda tem medo de isso ainda afetar vocês? Digo, sua família.
– Na verdade não. Quando eu era pequena fiz dois anos de terapia por causa disso. Logo depois que Olivia nasceu entrei em desespero achando que minha mami quem iria se esquecer de nós por estar simplesmente dando a luz. – A garota ria suavemente. – Tentaram me convencer que isso não aconteceria, mas eu não saia do lado dela por nada e sempre perguntava se ela sabia quem eu era. Por causa disso, fiz terapia por dois anos e hoje sou mais tranquila.
– E você tem medo de Charlie te esquecer? De repente estar muito ligada na amizade com a Liah e se esquecer de você de alguma forma?
– Mmmm... Talvez? – Beth entortava sua boca suavemente. – Tenho medo de Charlie trocar nossos planos, só porque Liah a chama para sair usando a mesma desculpa de sempre. Não tenho medo de ser esquecida, mas de ser trocada. – Cassie assentia, fazendo mais algumas anotações.
– Você a deixa participar das suas alegrias? Porque uma delas é o fato de você estar começando a andar novamente. Ela sabe disso?
– Mmm... Sabe um pouco. Charlie sabe que sinto minhas pernas e que elas se mexem sozinhas, mas não sabe que estou conseguindo andar.
– E por que não?
– Porque quero que seja surpresa. Quero surpreender todos no aniversário da minha mãe no mês que vem.
– Wow... Mês que vem? Você acha que vai estar andando até lá?
– Sim! Não sei se vou estar andando sem ajuda de apoios, mas só o fato de eu estar livre dessa cadeira de rodas já é o suficiente.
– Você já pensou que talvez, Charlie esteja se sentindo de lado? – Cassie perguntava, e Beth franzia o cenho.
– E por que ela estaria?
– Bom, você está guardando um grande segredo, Beth. Algo que sem dúvidas ela ficaria muito feliz por você e te ajudaria se fosse preciso. Você já comentou que tem uma piscina em casa. Talvez possa começar a fazer sua fisioterapia em casa com ajuda dela. Assim ela verá que você também vai precisar dela. Talvez ela esteja se sentindo de lado e procura ajudar quem precisa. – Cassie comentava, e Beth ficava em silêncio. – Guardar segredo por muito tempo não é uma boa coisa, Beth. Mesmo sendo algo bom. A pessoa se sente de lado e por ela ser sua namorada, talvez esteja se sentindo fora da sua vida. – A garota sentia seu estômago revirar. Ela nunca tinha pensado dessa forma, até porque, Charlotte nunca demonstrou sinais de que estava se sentindo de lado. Pelo contrário, ela sempre foi muito companheira e amiga.
– Então, você acha que eu deveria contar tudo á ela? – Beth perguntava com a voz baixa.
– É um ótimo começo.
– Talvez eu faça isso então.
– Ótimo, Beth! – Cassie anotava mais uma vez. — E então, você trouxe o que lhe pedi?
– Sim. – Beth olhava para o envelope em seu colo. – Está bem aqui.
– Ótimo. Eu quero que você leia em voz alta. Até porque, nós sabemos do porque estamos aqui. Com todas as sessões que já tivemos você demonstrou ter um sentimento preso por Lucas. Não sei se é raiva, ou ódio, mas é algo reprimido e eu pedi que você escrevesse para colocar para fora. – Beth assentia, sentindo suas mãos tremerem. – Isso pode ser um ponto final para aquilo que te pertuba. Quero que você abra essa carta e leia para mim, Beth.
– P-para você? Achei que eu teria que ler para o Lucas? – Beth franzia o cenho. – Imaginei que talvez, você ia querer que eu fosse até o cemitério.
– Não, querida. – Cassie falava suavemente. – Quero que você leia para mim, e que me imagine como o Lucas. – Beth arregalava os olhos. – Não precisa ter medo, Beth. Olhe para mim e imagine que sou o Lucas esperando o seu perdão, talvez? Ou esperando você me jogar coisas. Coloque para fora, porque eu sou o Lucas. – Cassie colocou seu bloco e caneta em cima da mesa de centro da sala, e se ajeitou em sua poltrona olhando para Beth.
A garota sentia suas mãos soarem. Seus olhos estavam fixos em Cassie e os fechou por alguns segundos, respirando fundo, tentando fazer o que lhe foi dito.
Beth abria os olhos, tirando a carta do envelope e a abrindo sobre seu colo. A mesma olhou novamente para Cassie e com sua voz suave, começava a ler.
– Lucas,
Sinceramente não sei como começar. Já faz um tempo que eu estou precisando lhe dizer algumas coisas, mas é difícil, porque tenho medo da forma como você reagiria.
Em toda minha vida, sempre achei que quando crescesse namoraria um garoto exatamente como você. Apesar de ter duas mães, quando estava no ensino fundamental, adorava assistir filmes no qual a garota popular saia com o jogador de futebol. Clichê, mas para uma garota de treze anos, não era.
Minha vida sempre foi uma confusão, porque eu tinha esse sentimento forte por Charlotte e odiava quando outros garotos se aproximavam dela. Minha mãe sempre disse que em breve eu descobriria o que aquilo tudo significava, mas nunca entendia o porquê, até hoje. Tudo mudou no momento em que percebi que meu coração e as borboletas na minha barriga batiam asas sem parar todas as vezes que ela estava perto de mim, ou quando segurava minha mão e principalmente quando dormíamos juntas, porque ela aconchegava para perto de mim e me abraçava. Me sentia segura todas as vezes em que dormíamos juntas. Charlie sempre foi mais forte do que eu. Ela sempre me protegia, e por um bom tempo fui cega em ver o que estava logo abaixo do meu nariz.
Foi muito difícil aceitar de que eu estava completamente apaixonada pela minha melhor amiga e foi no meio dessa confusão que você se aproximou.
Sempre fomos colegas de classe, mas foi incrível que você resolveu se aproximar exatamente naquele momento. Não vou mentir sempre te achei muito lindo e seu jeito carinhoso ajudou ainda mais. Quando nos aproximamos, tudo o que sentia por Charlie parecia se tornar mais simples quando estávamos juntos. Eu só a via como amiga e nada mais, porque você me fazia te admirar. Claro que meus sentimentos por Charlotte continuavam aqui, mas você deixa as coisas menos complicadas.
Seu jeito engraçado, carinhoso e protetor era encantador. Charlotte ainda passava toda a sensação de proteção, mas encontrei em você um grande amigo. Um amigo no qual tive sim desejos em beija e abraçar. Afinal, eu sou bissexual e sei que é possível se apaixonar pelos dois. Quero dizer, eu me apaixono pelo o que a pessoa realmente é e não pelo sexo. Você se aproximou aos pouco e se tornou um ótimo companheiro. As poucas vezes em que ficamos juntos foi divertido. Não sei se essa é uma palavra justa, mas realmente foi. Eu adorei me aproximar de você dessa forma, mas minha luta pelo o que sentia por Charlie continuava aqui. Eu a queria muito mais do que podia imaginar, e quando você se aproximou, não posso negar que também surgiu um grande conflito da minha mente e meu coração. Eu tinha medo de perdê-la ao ficar com ela e por alguma razão, descobrir que ela não sentia o mesmo. Charlotte sempre foi muito importante para mim e viver sem ela estava fora de cogitação.
Apesar de ter me deixado bem, e ter trago coisas boas, você também despertou algo dentro de mim por Charlie que parecia estar adormecido. Tudo piorou quando sua irmã apareceu. Odiava vê-las juntas e sentia um ciúmes descontrolado. Eu via tudo isso como se estivesse a perdendo, porque eu também podia sentir que ela estava inciumada com nós dois. Nós brigávamos sempre e acredite, eu escolheria Charlie a cima de qualquer um. Não por ser egoísta, mas porque eu a amo e sou completamente apaixonada por ela e me desculpe se te magoei, mas ela sempre foi o amor da minha vida.
Nunca quis te machucar quando fui sincera, Lucas. Você sempre me disse que seria meu amigo e acreditei em você. Eu acreditei e confiei em você. Quando escolhi Charlotte, não tive intenção de ferir seus sentimentos, nós estávamos nos conhecendo e imaginei que você entenderia.
Beth pausava, passando a mão sobre suas bochechas onde as lágrimas começavam a escorrer. Seu coração estava acelerado e enquanto lia, vez ou outra olhava para Cassie que tinha expressões de felicidade pelo o começo sensível da carta, mas logo se entritecia confusa com a declaração do amor de Beth por Charlotte. A terapeuta realmente estava sendo Lucas.
– Você prometeu que seriamos amigos e confiei em você. Confiei que você me entenderia e me apoiaria por estar amando minha melhor amiga.
Até porque, você demonstrou que estava do meu lado. Tentou se aproximar e eu lhe dei esse espaço e na noite em que apareceu na minha casa para saírmos como amigos, você estava tão sereno e simpático. Seus olhos brilhavam e me fazia ver o quão sincero estava sendo em querer manter amizade. Acredite, quando aceitei em sair com você naquela noite, nunca imaginei que se tornaria o pior pesadelo da minha vida.
O momento em que você criticou Charlotte me fez imaginar que talvez tudo era apenas por estar triste e machucado, porque a escolhi. Eu tentei reverter à situação para ficarmos bem, mas você não me deu abertura. De repente, a vontade de estar ao seu lado desapareceu como um toque de mágica. Tudo o que eu queria era ficar bem e voltar para casa, mas você tinha que estragar tudo não é?
Por que você acelerou daquela forma, Lucas? Você sabia o quanto tenho medo de andar em alta velocidade. Você sabia que eu estava com medo e assustada naquele momento, mas não se preocupou com nada daquilo, não é? Sua intenção era mesmo me assustar para que eu te escolhesse. Tenho a sensação de que você viu o farol vermelho e mesmo assim atravessou. Aquele carro veio na minha direção e sequer tive tempo de pensar. A dor que senti foi insuportável. Meu quadril doía, meus braços e minha cabeça e desmaiei, porque a dor foi demais.
Isso não me custou só a cadeira de rodas, mas todo o sofrimento que minhas mães passaram. Você não faz ideia do quanto é difícil vê-las sofrendo. Minha mãe Santana passou por tanta coisa nos últimos anos. A perda de memória da minha mãe Quinn, a morte do meu abuelo Alejandro. Ela pode parecer uma latina forte, Lucas, mas eu sei que por dentro ela sofre como todos nós. E minha mãe Quinn? Passou a vida vivendo em um inferno, sofrendo por querer ser quem é. Foi expulsa de casa quando jovem, porque seu pai não aceitou o simples fato dela estar lhe mostrando quem realmente era. Depois sofreu um terrível acidente que acredite ou não, a fez sofrer por estar perto de mim e nem ao menos se lembrar de quem eu era. Faz ideia do quanto isso é terrível? O quanto isso me machuca? E você as fez sofrer novamente. Fez minhas avós sofrerem. Minha irmã sofreu achando que eu jamais voltaria para ela. Eu tenho raiva de você por isso. Raiva por ter feito todas as pessoas que amo sofrer daquela forma.
Raiva por ter me feito passar pelo inferno que estou passando. Saber que não ia poder mais correr, dançar ou sequer andar por sua causa me fez querer desaparecer. Me senti pequena e não queria ninguém perto de mim, porque eu sabia que sofreriam. Meu mundo estava prestes a desabar. Dança é minha paixão, Lucas. E saber que tinha chances de eu sequer poder dançar, ou levar minha irmã para o parque, me fazia ter ódio. Ódio de ter acordado. Ver o cansaço e tristeza dos olhos das minhas mães e da minha irmã todos os dias, me fazia querer morrer. Se isolar e tudo porque você foi um ignorante que só pensou em você.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!A voz de Beth falhava muitas vezes por seus soluços, e Cassie continuava a olhando, mas seu olhar era sereno e calmo, mostrando que estava ouvindo cada palavra que saia da boca de sua paciente.
– E sabe o que me da mais raiva ainda? É saber do quão idiota você foi naquela noite. Como você pôde, Lucas? Beber e sair dirigindo depois de ter sobrevivido. Eu não vou mentir, apesar de estar com sentimento de luto quando acordei, teria ficado melhor ao saber que você tinha conseguido.
Mas não só por isso, mas porque nós precisávamos ter conversado. Eu precisava dizer que apesar de tudo, te perdoava, porque eu realmente te perdoo. Nós precisávamos conversar, porque sinto como se eu precisasse do seu pedido de desculpas. De ouvir o porquê você fez tudo aquilo. Queria que você visse o modo como me deixou. Posso parecer rancorosa e egoísta nesse momento, mas você me magoou. Você tirou o melhor de mim naquela noite e me fez querer morrer. Minhas mães não sabem disso, mas eu quis morrer ao estar viva e inválida. Sua atitude foi de um covarde. Uma criança que não sabe resolver os problemas da vida. Se você tinha algum problema, poderíamos resolver juntos, não ia negar minha amizade a você, Lucas. Se algo estava lhe incomodando, talvez eu poderia me afastar para te ajudar a seguir em frente, mas não precisava agir como um covarde. Como uma criança ao invés de ser homem.
Como disse para você no dia do seu enterro, eu te perdoei, mas para mim, você será sempre um fraco. Eu te perdoei e com muita dificuldade, aprendi a me recuperar de toda a raiva guardada e amargurada dentro de mim. Eu queria muito te odiar por ter me feito sofrer dessa forma, mas não consigo. Quero que você descanse em paz, sem ter alguém aqui na terra te odiando e desejando o mal para você, mas também quero que você me deixe em paz e pare de me pertubar nos meus sonhos. Nós nunca iriamos namorar, porque eu não amo você, Lucas. Eu não te amo e não quero estar ao seu lado. Tudo o que senti por você foi amizade, da mesma forma que sempre senti por Thomas. Você precisa entender que meu coração é apenas de uma pessoa e o nome dela é Charlotte. Não vou me desculpar por ter sido sincera, fiz o que era certo. Então, descanse em paz, porque você não faz e nunca fez parte da minha vida.
Beth.
A garota continuava segurando a carta em seu colo, e algumas gotas de suas lágrimas caíam sobre o papel. A mesma fechou seus olhos, soluçando enquanto seu choro saia como um segundo desabafo. Seu peito doía e sua respiração estava falha. Ela nunca imaginou que uma simples carta de desabafo lhe causaria tanto impacto.
Após alguns minutos, Cassie esperou que Beth estivesse mais tranquila e parasse de chorar para finalmente poder quebrar o silêncio.
– Beth... – Cassie falava suavemente, e a garota levantava a cabeça para olhá-la.
– E-eu não queria machucá-lo por ser sincera demais. Não queria que ele se sentisse odiado, mas... Mas, tudo dói. – Beth pousava a mão sobre seu peito, apertando a carta em seus dedos. – Tudo dói, e é tudo por causa dele. Foi ele quem me fez passar por tudo isso. Foi ele quem fez minhas mães sofrerem. Eu odeio vê-las sofrendo. Ainda é frustrante saber que elas me olham com tristeza. Que por elas tomariam meu lugar, e é tudo culpa dele. – A garota respirava fundo, passando as mãos sobre o rosto.
– Ele não se machucou com sua sinceridade, Beth. – Cassie tentava acalmá-la. – Tenho certeza que ele não se machucou com sua sinceridade. Lucas estava desesperado com tudo que tinha acontecido. Na cabeça dele, ele não devia ter sobrevivo depois de ter feito o que fez, mas eu acredito que com o perdão de suas mães, era o que ele precisava. Você disse que suas mães conversaram com ele naquela noite, não foi? – Beth assentia. – Então, querida, ele não morreu sem um perdão. Era tudo o que ele precisava. Do seu perdão e das suas mães. Elas o perdoaram, e sem dúvidas o fizeram se sentir melhor.
– Mas então porque ele morreu? – Beth perguntava confusa e com raiva. – Ele também precisava do meu perdão, Cassie.
– Já se perguntou se era realmente do seu perdão que ele precisava naquele momento?
– Como assim?
– Talvez ele estivesse mais assustado com suas mães. Porque ele prometeu para Santana que te traria de volta às 11 horas da noite, e te traria a salvo. Por ter agido daquela forma, quebrou a promessa que tinha feito a elas. Ele estava aflito e preocupado com o que suas mães pensariam dele. E naquela noite, tudo o que ele precisava era do perdão delas. Saber que mesmo depois de ter sido irresponsável, Lucas teria o perdão de Santana e Quinn. – Beth a olhava, confusa por alguns segundos, antes de finalmente entender o que Cassie estava dizendo. – Claro que ele também pediria por seu perdão, mas o que ele precisa mais era o de suas mães.
– E-ele voltou para o hospital naquela noite para falar com elas. – Beth sussurrava consigo mesma. – Claro, ele voltou lá para falar com as minhas mães e não comigo. Ele implorou pelo perdão delas e não o meu.
– Está vendo. Ele precisava do perdão delas, Beth. Era o que importava. Ele não planejou morrer naquela noite. Bebeu porque estava desnorteado e houve uma fatalidade. Não foi intencional e acredito que depois ele conversaria com você. No efeito do álcool, a pessoa não raciocina normalmente.
– E ele teve o perdão delas. Mesmo minha mami sendo teimosa, ela o perdoou e minha mãe Q também. Elas o perdoaram, Cassie.
– Está vendo? Ele não morreu sem o perdão que mais precisava. Acredito que o maior medo dele foi ser odiado por elas, mas mesmo não sendo um mar de rosas elas o perdoaram de alguma forma e foi o que ele precisava. – Cassie assentia, e Beth começava a se acalmar, porque tudo aquilo faz mais sentido do que ela imaginava. Lucas não queria morrer, ele não ia se matar e seu segundo acidente naquela noite foi uma fatalidade. Se ele se desculpou com suas mães, ele sem dúvidas iria se desculpar com ela depois.
A garota sentia seu peito se aliviando, e toda a raiva que sentia, parecia diminuir. O arrependimento das palavras em sua carta já não existia mais e ela repetia consigo mesma que o perdoava.
– E eu o perdoaria, Cassie. – Beth falava devagar. – E-eu realmente teria perdoado, mesmo não estando pronta para tê-lo como amigo naquele momento, eu o perdoaria, porque fui educada dessa forma. Devemos perdoar ou então, o raiva e o ódio nos consome e quem sofreria seria eu.
– Você está fazendo algo muito bom, Beth, e estou orgulhosa de você. As palavras em sua carta foram sinceras e apesar do medo de machucá-lo, ele pôde saber de verdade a forma como você está se sentindo.
– Sim. Sempre achei que escrever cartas ou falar com uma pedra no cemitério era bobeira, nunca imaginei que me ajudaria tanto. Não me sinto 100% melhor, mas sei que isso vai passar, porque já sinto meu peito mais leve a respeito dele. Lucas precisava do perdão das minhas mães e ele teve. Isso é o suficiente para me deixar melhor. Digo, é péssimo saber que a pessoa morreu sem perdão algum, sabe? Fico feliz por estar enxergando tudo isso de outra forma.
– Acredite, querida, você pode falar com ele sempre que precisar. Se isso é algo que lhe faz bem, converse. Fale. Visite-o. Seja lá o que achar mais confortável, faça. Lucas não morreu odiado, Beth, e por mais difícil que fosse, ele sabia disso. Você foi muito corajosa em colocar o que sentia para fora. Estou orgulhosa de você.
– Obrigada, Cassie. – Beth sorria, dobrando sua carta e a colocando novamente no envelope. – Obrigada por sempre me fazer sair daqui melhor.
– Coloque sempre na sua cabeça que vai ficar tudo bem. Você tem o meu telefone e pode me ligar quando precisar. – Cassie sorria, pegando novamente seu bloco de anotações.
– Obrigada.
– Nossa sessão já está acabando e vou te passar um exercício novamente para casa, está bem?
– Ugh! Isso parece um colégio. Cada dia tem um exercício novo para eu fazer. – A garota brincava, rindo.
– Pois é, mas dessa vez é sobre Charlotte. – Cassie fazia sua última anotação. – Primeiro quero que você seja sincera com ela. Não a deixe de fora das coisas boas que andam acontecendo com você. Entendo que está querendo fazer uma surpresa para suas mães, mas Charlie é sua namorada e melhor amiga, ela ficaria feliz em te ajudar e poderia ser um grande apoio. Assim você não precisa fazer tudo sozinha. Pode usá-la para suas sessões de exercícios em casa. Quero que seja sincera e diga a ela, está bem? Não quero lhe ver triste se aconteceu alguma coisa com vocês. É fácil de resolver algumas situações, Beth. Basta ser sincera.
– Mhm, está bem. Farei isso. Não quero que ela sinta como se estivesse sendo excluída de alguma coisa, porque ela não está. Conversarei com ela.
– Ótimo! E vou pedir para minha secretária lhe dar um caderno para você usar como diário. Quando se sentir triste, escreva. Quando estiver feliz, escreva. Se precisar fazer outra carta para Lucas, faça. Se não conseguir conversar com suas mães ou Charlie, ou com quem for, escreva. Sei que tem um ótimo relacionando com sua família, mas também sei que nessa idade é difícil dizer em voz alta o que sente. Então, será o seu diário.
– Tudo bem. Farei isso! – Beth sorria, olhando para seu celular. – Obrigada novamente, Cassie. Você é a melhor terapeuta que já tive.
– Oh, fico feliz em saber disso. – Cassie ria baixo, começando a guardar suas coisas. – Nosso tempo acabou, está bem? Quer ajuda para voltar a sua cadeira?
– Não, eu faço isso sozinha. – Beth se levantou do sofá, ficando firme nos pés e apenas se virou para sentar na cadeira que estava logo ao seu lado. – Fácil. – A garota brincava. – Nos vemos daqui dois dias, certo?
– Certo. Se precisar é só ligar.
– Obrigada. – Beth sorria, saindo da sala da terapeuta e enviando uma mensagem para Santana avisando que estava pronta, e outra para Charlie avisando que precisavam conversar.
Depois da luta interna que passou todos os dias, Beth não podia negar que saiu daquela sala outra pessoa. Suas palavras para Lucas foram sinceras e as palavras de Cassie lhe ajudaram a ver a situação de uma forma completamente diferente. Ela se sentia aliviada em saber que suas mães o perdoaram, claro, como ela pode deixar essa parte passar? Suas mães era o perdão que ele precisava e Lucas teve. Isso a confortava ainda mais. Agora seu segundo passo era conversar com Charlie e abandonar todo a magoa que estava presa dentro de si.
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