Beating Heart.
23 Happy Birthday, Mommy!
Notas iniciais
Beth estava sentada em sua cama apenas esperando por sua namorada que entrava aflita em sua casa.
Após receber a mensagem de Beth, Charlotte sentia como se fosse desmaiar. Era difícil interpretar o humor de sua namorada com aquela simples mensagem dizendo que precisavam conversar. Uma mensagem, com duas simples palavras, sem dúvida não era algo bom. Mil coisas passavam por sua cabeça e Charlie sentia seu estômago revirar ao pensar que talvez, seu namoro poderia estar acabando. Ela não sabia o que tinha acontecido de errado, mas mesmo tentando ser positiva e não pensar no pior, estava difícil, já que Beth lhe deixou literalmente no escuro.
Suas mãos suavam frias e estava ansiosa para acabar logo com esse mistério. Logo que entrou no quarto de Beth, encontrou a mesma sentada na cama, com as mãos apoiadas em um de seus travesseiros em seu colo, e assim que seus olhos se encontraram, uma onda de tranquilidade passava pelo corpo de Charlotte.
O mesmo olhar apaixonado que Beth costumava lhe olhar ainda estava lá. Nada tinha mudando e por alguns minutos aquilo lhe aliviada.
– Hey, bee. – Charlie fechava a porta atrás de si, colocando sua bolsa na poltrona no canto do quarto, e tirando seus sapatos antes de se aproximar de sua namorada na cama, lhe dando um selinho e se sentando ao seu lado.
– Hey... – Beth falava suavemente, sorrindo carinhosa e assim que Charlie se sentou ao seu lado, sua mão automaticamente foi de encontro ao de sua namorada e seus dedos se entrelaçavam.
Novamente, com esse gesto, Charlie sentia seu corpo relaxando um pouco mais. Ela não sabia direito se isso era um bom sinal ou não, mas o sorriso e o toque de Beth sempre tiveram o poder de lhe acalmar, seja qual situação estivesse.
– Como foi sua sessão hoje? – Charlie perguntava, encostando sua cabeça na cabeceira da cama, lhe olhando.
– Foi boa. – Beth acariciava a mão de Charlie com seu polegar. – Tive muito o que colocar para fora, e foi bem intensa.
– Mas você está bem? – Charlie perguntava, preocupada.
– Mhm, está tudo bem. – Beth sorria, respirando fundo. – Sabe, essa consulta de hoje, me ajudou a ver muitas coisas na qual estava difícil ver. – A loira falava suavemente, mas Charlie sentia seu estômago revirar ainda mais.
– É mesmo? – Charlie tentava manter a calma. – E te ajudou no que, gatinha? – A morena perguntava, olhando para suas mãos entrelaçadas.
– Me ajudou não só no meu luto reprimido pelo Lucas, mas também me ajudou a ver nosso relacionamento de outra forma. – Beth respirava fundo, e agora seus olhos encontravam os de Charlie. Ela sabia que precisava parar de excluir sua namorada das coisas boas que andam acontecendo nos últimos meses. Ela precisava parar de se fechar e deixar que Charlie fizesse parte de sua vida 100%, ou então, correria o risco de perdê-la. – Eu te amo, Charlie e primeiro quero começar me desculpando por estar te empurrando dessa forma. – A loira começava a falar suavemente, e Charlie apenas a olhava, sem perceber que estava segurando sua respiração. –Não vou mentir, eu vejo nosso futuro, juntas, boo. Vejo você do meu lado para o resto da vida. Vejo nossa vida com muito amor e romance exatamente como as das minhas mães. Vejo nós duas construindo uma família juntas, por mais que isso seja assustador. – Beth ria suavemente, sem parar de acariciar a mão de Charlie. – Eu sou apaixonada por você e sim, sou ciumenta e morro de medo de te perder, então... Por te amar dessa forma, sei que preciso ser sincera e deixar você participar de todos os momentos da minha vida. – Beth sorria e Charlie fazia o mesmo, mas antes que a morena pudesse abrir a boca, Beth se aproximou lhe dando um selinho demorado, fazendo seu corpo finalmente relaxar por completo. – Eu preciso te contar algumas coisas. – A loira falava contra os lábios de Charlie antes de começar finalmente a desabafar, deixando que sua namorada participasse por completo de sua vida.
Xxxx
– Então... Você está podendo andar? – Charlie perguntava com a voz baixa, tentando entender o que estava acontecendo com Beth.
Algumas horas tinham se passado e Beth finalmente falou tudo o que precisava. Começou sobre o seu luto com Lucas e sobre suas últimas sessões na terapia. Contou também sobre a carta daquela manhã e do quanto aquilo foi intenso e como Beth precisou de Charlie em cada momento que lia aquela carta. Contou também sobre o alivio que sentiu após ter se libertado de seu luto e que sabia o quanto precisava daquilo.
Charlotte sabia que Beth estava passando por algo, mas nunca imaginou que fosse tão intenso. Ainda de mãos dadas, vez ou outra Charlie acariciava a mão da namorada e apenas a ouvia, sabendo que tudo o que Beth precisava era desabafar. Foi difícil escutar todo o sofrimento interno de sua namorada, mas Charlotte a consolava com gestos carinhosos. Ambas choraram juntas e sorriram juntas.
Em seguida, Beth lhe contou sobre o que sua terapeuta tinha lhe dito sobre parar de excluir Charlie dos acontecimentos recentes e agora a morena apenas a olhava, sentindo seu peito apertar, porque sabia que isso realmente estava acontecendo. Apesar de não dizer nada, Charlie se sentia fora e perdida no relacionamento com Beth. Ela sabia que tinha algo por trás do estado fechado da namorada, e sabia também que o fato de ter ciúmes de Liah, não era o suficiente para Beth se fechar tanto. A morena se sentia aliviada em saber que as coisas estavam realmente progredindo e que Beth reconhecia que suas paredes estavam levantadas.
Sabia que seu namoro não estava abalado por culpa de Liah ou por qualquer outra coisa. Que agora, Beth finalmente estava se abrindo e que as coisas ficariam bem e naquele momento, a loira agora acabava de contar sobre o seu maior segredo. O progresso de sua fisioterapia.
Charlotte ouvia surpresa o fato de que Beth finalmente estava conseguindo se colocar de pé sozinha e que o progresso estava mais avançado do que ela imaginava. A garota estava com o olhar fixado em suas mãos enquanto ouvia atenta cada palavra de sua namorada. As palavras de desculpas por ter guardado essa novidade por tanto tempo. As palavras de alegria por finalmente estar sentindo as pernas e podendo se colocar de pé. Céus, Charlie não sabia o que sentia naquele momento. Ela estava confusa por não entender como Beth podia guardar um segredo como esses. Charlie não estava com raiva, pelo contrário, ela sequer conseguir sentir raiva de sua namorada naquele momento, mas sem dúvidas Charlotte estava magoada por não ter feito parte de cada momento em que Beth se recuperava.
– Sim... Digo, não andando sozinha, mas consigo ficar em pé e mexer minhas pernas. – Beth com muita dificuldade mexia sua perna suavemente, e podia ver o quão magoada sua namorada estava. A loira levou a mão de Charlie para seus lábios e novamente seus olhos enchiam de lágrimas. – Eu sei que você deve estar chateada comigo por não ter te contado, mas Charlie, e-eu só queria que isso fosse uma surpresa. Queria que você tivesse uma surpresa no momento em que me visse andando em sua direção. – A voz de Beth era fraca e a loira respirava fundo. – Eu estava com medo de não conseguir voltar a andar e você me trocar por uma garota que não fosse inválida. Não queria te magoar se eu nunca mais saísse dessa cadeira. Faz ideia do quanto é difícil pra mim ver a forma como você e minhas mães me olham? Como todos vocês me olham? – Charlie agora olhava para Beth, encontrando os olhos da mesma. – Sei que sentem pena de mim, Charlie. Consigo ver o olhar machucado de vocês quando olham pra mim. Quero poder te deixar orgulhosa ao ver que realmente lutei para me recuperar. Quero poder ver a felicidade no seus olhos ao olhar pra mim e ver que finalmente estou de pé. – Beth soltava seu primeiro soluço, enquanto as lágrimas escorriam por suas bochechas. – Eu te amo tanto, Charlotte, e quero te deixar orgulhosa em ser minha namorada. Me perdoa por ter escondido isso de você. Me perdoa por ter te magoada esse tempo todo. Não foi minha intenção e quero que a partir de hoje, você possa me acompanhar nas minhas sessões de fisioterapia. – Beth mordia o canto de seus lábios, nervosa. – E-eu entendo se não quiser, mas tudo o que fiz, foi para te fazer uma grande surpresa em me ver andando, peço desculpas por ter sido cega e te machucado no caminho, porque nunca foi minha intenção. Preciso de você, Charlie. Eu te amo. – Beth passava uma das mãos sobre a sua bochecha, sentindo seu coração acelerado ao ver Charlie em silêncio.
A morena fechava seus olhos por alguns segundos, respirando fundo. Toda sua magoa de minutos atrás, parecia se acalmar. Ela entendia o porque Beth ter feito o que fez e podia sentir seu coração se acalmando. Charlie é apaixonada por Beth.
– E-eu entendo o porque de ter feito o que fez. – Charlie falava suavemente. – Mas não vou mentir e dizer que não me chateou. Foi difícil me sentir sendo afastada de você. Era como se você não me quisesse mais por perto, Beth. Nem sequer conversávamos direito sobre o que acontecia com você e isso me magoava. No começo achei que fosse tudo por causa da Liah, mas depois ficava confusa, porque tinha dias em que você estava normal e outros não. – Charlie passava a mão no rosto de Beth, secando as lágrimas que escorria. – Eu também te amo, bee, e agradeço por estar finalmente se abrindo comigo. Você é uma idiota em achar que eu te deixaria se você não voltasse a andar. O meu amor por você é real, Beth, e é muito forte. Eu também vejo o meu futuro com você e existem coisas na vida que não podemos adivinhar ou lutar contra, e seu acidente foi uma fatalidade na qual me deixou ainda mais apegada em você. Me deixou ainda mais apaixonada e querendo estar ao seu lado, mas não por sentir pena, mas para abrir seus olhos e te mostrar que nenhum obstáculo vai me fazer te amar menos ou querer te trocar, até porque, você não é um objeto para ser trocado, você é uma garota que tem meu coração nas mãos. Faz ideia do quanto isso é grande? – Charlie sorria, e agora, encostava sua testa na de Beth. – Fico feliz que agora você finalmente me contou tudo e que me quer por perto. Acredite, não via a hora de esse dia chegar. Pode ter certeza que vou estar com você sempre que precisar, gatinha. Nas sessões de fisioterapia, nos exercícios que ela te passar em casa. Vou estar aqui. Para de ser boba, está bem? Não troco minha bee por ninguém. – Charlie sorria e depositava um selinho nos lábios de Beth, podendo sentir a mesma relaxando.
– Desculpa, desculpa. – Beth sussurrava contra os lábios de Charlie. – Obrigada por ser a namorada mais incrível do mundo e por me perdoar. Prometo que a partir de hoje, vou te contar tudo. Queria que fosse surpresa, mas ao mesmo tempo, queria te fazer feliz e acabei não conseguindo os dois. – A garota sorria suavemente, pousando sua mão no rosto de Charlie. – Quero você perto de mim. – Beth depositava outro selinho em Charlie, sentindo seu coração acelerado.
– Você é uma boba, porque eu vou estar sempre perto de você. – Charlie sussurrava e sem dizer nada, seus lábios se aproximavam de Beth iniciando um beijo suave, porém intenso no qual falam mais do que mil palavras.
A mão de Charlie deslizava pela lateral do corpo de Beth, segurando firme na cintura da mesma e lentamente, seu corpo deitava para cima do de Beth, enquanto o beijo se intensificava a cada segundo.
Beth tinha suas duas mãos nas costas da morena, e tudo o que sentia naquele momento era o quanto amava Charlie. Apesar de terem acabado de sair de um conflito, ambas não podiam negar o quanto eram apaixonadas uma pela outra. Beth se sentia aliviada por finalmente colocar tudo para fora e faria o impossível para sempre fazer Charlie feliz, e com gestos como aquele, demonstraria o quanto sentia por tê-la feito sofrer.
– Eu te amo. – Beth sussurrava durante o beijo, deslizando seus dedos pelas costas de Charlie.
– Eu também te amo, minha bee. – Charlie abria seus olhos por alguns segundos, sorrindo contra os lábios de Beth. As duas se olharam carinhosamente e Charlie deixava uma de suas pernas entre as de Beth, subindo lentamente sem tirar os olhos da mesma. O que sentiam uma pela outra naquele momento era inexplicável. O sentimento era forte demais para demonstrar com palavras e tudo o que queriam, era sentir uma a outra. Elas precisavam uma da outra. – Você é tão linda, Beth. – Charlotte sussurrava.
– E você é a garota com quem quero passar o resto da minha vida. – Beth fechou seus olhos novamente e seus lábios estavam se atracando com os de Charlie iniciando um beijo que agora se intensificava ainda mais.
Suas mãos apertavam com força as costas de Charlie, trazendo a mesma para mais junto de seu corpo, deixando que seus seios se encontrassem. O calor que sentiam naquele momento, as faziam querer ainda mais uma da outra.
Charlotte apertava com força a cintura de Beth e no momento em que sua coxa foi de encontro ao centro da mesma, a loira soltou um gemido baixo entre os lábios de Charlie a fazendo sorrir.
– Então você pode me sentir? – Charlie sussurrava entre o beijo, pressionando ainda mais sua coxa contra o centro de Beth.
– Eu sabia... – Beth falava ofegante. – Que você ia a-adorar saber disso... – Charlie soltava uma risada baixa, voltando a beijá-la e Beth movimentava seu quadril, pressionando contra a coxa de Charlie, sentindo seu corpo inteiro se arrepiando.
A mão de Charlie subia pela lateral do corpo de Beth, por baixo da blusa da mesma, acariciando a pele macia e quente sobre seus dedos, carinhosa, começando a movimentar sua coxa entre as pernas de Beth, deixando que seu quadril também tivesse contato com a perna da loira.
Beth soltava um gemido entre o beijo, e sua mão deslizava das costas de Charlotte, para a lateral do corpo da mesma até alcançar um de seus seios, começando a massageá-lo por cima da blusinha e do sutiã, enquanto seu quadril – com um pouco de dificuldade, se movimentava contra o corpo de Charlie.
Claro que Charlie e Beth já tiveram muitas sessões de make-out quando começaram a namorar, mas nenhuma se comparava com aquilo que acontecia naquele momento. Era algo intenso no qual demonstravam a cada segundo o quanto se amavam e o quanto Beth estava arrependida pelo o que tinha feito. E Charlotte feliz por saber que finalmente sua namorada estava voltando a andar e que participaria de sua recuperação.
Os gemidos suaves que saiam da boca de Charlotte deixavam Beth ainda mais excitada. O calor que subia entre suas pernas estava difícil de controlar e o ritmo ficava mais intenso. Sua mão massageava o seio de Charlotte carinhosamente, passando seu polegar pelo mamilo da mesma podendo senti-lo hereto pelo sutiã.
A mão que passava pela barriga de Beth agora estava no rosto da mesma, deslizando até seu cabelo, onde algumas mechas loiras ficavam entre os dedos de Charlie que sem parar, roçava seu quadril contra o de sua namorada, sentindo seu centro começando a pulsar em sua calcinha molhada e desejando ainda mais sua namorada.
– Mmmm... – Beth gemia, deslizando sua outra mão para a bunda de Charlotte, apertando com força, pressionando ainda mais contra o seu quadril. – N-não para, Charlie. – A garota sussurrava, capturando os lábios de Charlotte ferozmente, sentindo seu corpo em ecstase, ela sabia que estava quase lá, e imaginava que o que sentiria em breve seria o seu primeiro e tão famoso “orgasmo”. Beth sempre imaginou que sentir orgasmo fosse algo totalmente diferente daquilo, mas assim que seu centro começou a pulsar e seu corpo ficou tenso, seus dedos apertaram com força a bunda de Charlie, pressionando seu quadril contra a perna da mesma e soltando um gemido baixo e ofegante contra os lábios da mesma. Era uma sensação gostosa e prazerosa a fazendo relaxar logo em seguida.
Charlie sentia seu corpo tenso e apesar de já ter tido sua primeira vez, nada se comparava com o que seu corpo sentia naquele momento, com sua namorada. A garota que ela tanto amava. Roçando seu quadril rapidamente contra o de Beth, não demorou para que a mesma também atingisse seu orgasmo, pressionando com força seu centro contra a perna da loira e em seguida, começando a relaxar, com sua respiração ofegante, mordendo o lábio inferior de Beth.
– Eu prometo... – Charlie falava, sussurrando. – Que nossa primeira vez será melhor. – A morena sorria, e Beth soltava uma risada baixa, depositando um selinho em Charlie.
– Eu sei que vai. – Beth sussurrava. – Esse sem dúvidas foi nosso primeiro e oficial make-out. – A loira brincava, recebendo vários selinhos de Charlotte que continuava na mesma posição.
– Está ficando sério. – A morena brincava. – Eu te amo, Elizabeth.
– Eu te amo, Charlotte. – Beth passava seus braços em volta do pescoço de Charlie, lhe abraçando. – Quero ter você sempre comigo.
– Eu vou estar sempre com você. – Charlie falava carinhosa. – Vou te ajudar nos seus exercícios e logo você vai andar e correndo pra mim novamente. – A morena brincava, fazendo Beth rir.
– Eu correria para você mesmo estando nessa cadeira de rodas, boba. – Beth depositava um selinho em Charlie. – Obrigada por tudo.
– Eu e você, ok? Vou te ajudar a passar por tudo isso. – Charlie, franzia o nariz.
– Eu te amo. – Beth sussurrava e novamente, seus lábios estavam contra os de Charlie, beijando-a suavemente e diferente de horas atrás, Beth se sentia mais feliz e livre de toda a angustia que sentia por estar tão distante de sua namorada.
Xxxx
Um mês depois.
– Amor, para de me chutar. – Charlotte resmungava entredentes na piscina, enquanto segurava na mão de Beth em mais uma sessão de fisioterapia naquela manhã.
Depois da conversa que tiveram há um mês atrás, como prometido, Beth não escondia mais as novidades de sua recuperação de Charlotte, e a morena sempre se oferecia para ir nas sessões de fisioterapia para ajudá-la. Santana e Quinn ainda não sabiam do avanço de Beth, mas Erin já tinham lhe contado que a garota estava progredindo e que logo estaria andando sem ajuda de nenhuma cadeira, mas o que elas não sabiam era que Beth já não estava mais precisando de sua cadeira de rodas.
Com a ajuda de Erin, Beth agora tinha uma bengala de ferro prata, onde usava para apoiar enquanto finalmente andava sozinha. Suas pernas não a deixavam correr ou voltar a dançar, mas estavam boas o suficiente para deixá-la andar. Beth conseguia dar seus lentos passos e seu progresso era surpreendente. Erin estava realizada com o avança da garota e sentia orgulho em vê-la tão determinada e se livrando daquela terrível cadeira. Em breve, Beth também estaria livre daquela bengala que usava como apoio.
Beth segurava na barra dentro da piscina, enquanto chutava para trás e mutias vezes, acertava Charlotte de proposito que estava logo atrás dela. A garota estava feliz. Seu plano em surpreender suas mães no aniversário de Quinn daria certo. No dia seguinte aconteceria um churrasco de comemoração com a família e Beth iria poder colocar seu plano em prática dando o maior presente de aniversário que Quinn já recebeu. Ver sua filha voltando a andar.
– Amor, eu não estou te chutando... – Beth respondia, rindo.
– Você faz de próposito, né? Jogando água na minha cara, Beth! – Charlotte fechava os olhos, saindo de trás de Beth e ficando ao seu lado.
– Isso é bom, boo... – Beth batia seus pés mais algumas vezes. – Mostra que estou conseguindo bater os pés.
– E andar. – Charlie sorria. – Estou tão feliz que você está andando, bee. Suas mães vão enfartar de felicidade quando verem você andando amanhã. – Charlie falava animada, fazendo Beth sorrir.
– Nem me fale! Não vejo a hora de mostrar a elas. – Beth se concentrava no seu exercício, olhando para Charlie.
– Vai dar tudo certo. – Charlie se aproximava depositando um selinho nos lábios de Beth. – Agora vamos! Chuta essa água, Elizabeth! – A morena gritava, imitando um general, fazendo Beth rir. Era sempre divertido quando Charlie a acompanhava.
Xxxx
– Mamãe, quando a mama vai chegar? – Olivia perguntava, enquanto esperava usando seu biquíni roxo, onde a calcinha era azul bebê, com flores brancas. Era a semana onde o verão finalmente tinha começado e a pequena estava ansiosa para dar o seu primeiro pulo na piscina.
– Pookie, a mamãe já deve estar chegando. – Quinn falava paciente, terminando de fazer a limonada da pequena. Era sua semana de folga da galeria e apesar de confiar em suas funcionárias, algumas vezes ligava para saber se estava tudo ok.
– Cheguei! – A porta da frente se abria e Santana anunciava sua chegada, sendo recebida com Olivia que pulava sem parar a sua frente.
– Mama! Mama, vamos para piscina! Vamos para piscina, por favor? – Olivia fazia um enorme bico, fazendo Santana rir.
– Wow, alguém está mesmo muito empolgada para nadar. – Santana se aproximava de Quinn, depositando um selinho em sua esposa.
– Ela está usando esse biquíni desde a hora em que você saiu. – Quinn ria, colocando limonada em um copo para Olivia.
– Sim, porque a mama prometeu que entraríamos na piscina hoje. – Olivia cruzava os braços, olhando para Quinn. – Mama, coloque seu biquíni, nós temos que entrar na piscina!
– Oh céus, vou me trocar antes que minha mãe me coloque de castigo. – Santana revirava os olhos, dando um tapa na bunda de Olivia ao passar pela mesma e ir para seu quarto.
– Mamãe, você também deveria entrar. – Olivia pegava o copo de suco da mão de Quinn, dando seu primeiro gole.
– Eu adoraria, meu amor, mas preciso ir até a Hayley. – Mesmo depois de anos, Quinn e Santana ainda eram clientes fieis da doceria de Hayley que agora, era a dona.
– Você vai trazer chocolate? – Os olhos de Olivia brilhavam.
– Vou pensar. – Quinn colocava o restante da limonada na geladeira.
– Por favor, mamãe! Adoro os chocolates da Hayley. – A pequena terminava seu suco, colocando o corpo na pia.
– Se preocupe apenas em se divertir com a mamãe Tana, está bem? Mais tarde vamos sair para jantar.
– Mmmm, podemos ir comer pizza?
– Não. – A voz de Santana fazia a pequena se virar rapidamente, encontrando sua mãe em um biquíni preto, fazendo a boca de Quinn encher de água ao ver o quão sexy sua esposa estava. – Você sabe que pizza só no fim de semana, mijá. Vamos comer massa talvez. – A latina amarrava seu cabelo em um rabo de cavalo, e percebia que Quinn estava paralisada lhe olhando. – Viu algo que gostou, Fabray? – Santana perguntava, sorrindo maliciosa.
– Oh, acredite, tem muita coisa aí que eu gostei. – Quinn comentava e seus olhos subiam e desciam pelo corpo da latina.
– Mas mama, estamos de férias, podemos comer pizza. – Olivia as tirava de seu transe, fazendo Quinn desviar seu olhar para a pequena a sua frente.
– Mmm, ótima observação, mas não, pizza hoje não, mijá. – A latina falava firme, e estendia sua mão. – Vem, vamos para piscina.
– Finalmente! – Olivia falava empolgada, segurando na mão de Santana.
– Bom, vou deixar vocês se divertindo e vou até a Hayley. Nos vemos depois. – A loira se aproximou de Santana depositando um selinho demorado em seus lábios, e em seguida um beijo na bochecha de Olivia. – Amo vocês, tchau!
– Tchau, também te amamos! – Santana respondia, e Olivia fazia o mesmo.
– Nossa primeira bomba na piscina, mama! – Olivia comentava, fazendo Santana rir.
– Nossa primeira, peanut... Vamos juntas ou você quer que eu vá primeiro? – Santana perguntava carinhosa.
– Não, quero que pule comigo. – A pequena sorria, e agora as duas estavam paradas na beira da piscina ainda de mãos dadas.
– Está bem, então você conta. No três, pulamos. – Santana sorria, e Olivia segurava firme em sua mão.
– Um... – A pequena começava a contar, rindo ansiosa, fazendo sua mãe rir. – Dois... Três. – Gritando empolgada, mãe e filha corriam em direção a piscina e pulavam juntas na água gelada naquela primeira semana de verão. Era como uma tradição. Todo primeiro dia de verão ou toda semana, Santana pulava com Beth e Olivia na piscina, mas como a loira não estava podendo, a latina apenas fazia seu ritual com sua caçula que estava mais do que empolgada para aquele momento.
– Isso foi tão legal! – Olivia tinha suas mãos apoiadas no ombro de Santana, falando empolgada. – É uma pena a bee não poder pular também, mama.
– Não se preocupe, meu amor, em breve ela vai estar pulando com a gente também. – Santana tirava o cabelo de Olivia dos olhos. – O que acha de apostarmos uma corrida, huh?
– Vamos! Eu sempre ganho de você, mama. – A pequena soltava dos ombros de Santana, nadando até a beira da piscina e se segurando, esperando por Santana.
– Ah, isso é o que nos vamos ver. – Santana semicerrava os olhos e se posicionava. Sem dúvidas aquele verão tinha começado muito bem para as quatro Lopezes.
Xxxx
– Beth, estou muito orgulhosa de você. – Erin falava, após mais uma sessão ter terminado.
– Obrigada, Erin, não faz ideia do quanto é bom estar andando apenas com isso. – Beth mostrava seu apoio, fazendo Charlie sorrir.
– Em breve nem desse apoio você vai estar precisando. – Charlie sorria, depositando um beijo na bochecha de Beth.
– Não mesmo.
– E você realmente conseguiu esconder isso das suas mães. – Erin comentava. – Acredite, não está fácil esconder isso delas, Beth. Suas mães querem saber do seu avanço e como médica e profissional, preciso contar tudo a elas.
– Eu sei, e agradeço muito por não contar os detalhes e apenas dizer que estou progredindo. No fundo elas sabem que estou andando, mas acho que também devem saber que ainda não estou pronta para contar a elas.
– Elas são inteligentes e te conhecem como ninguém. – Charlie comentava.
– Mhm, elas sabem que algo está acontecendo.
– Elas vão ficar felizes. – Erin sorria. – Céus, eu estou feliz, Beth, e você sequer é minha filha. – As três começavam a rir, e Beth abraçava sua fisioterapeuta.
– Obrigada, Erin. Obrigada por ser paciente e sempre me ajudar. Você é uma grande amiga. – A garota falava suavemente.
– Awww, Beth, você é uma das minhas melhores pacientes, e fico muito feliz em poder acompanhar seu avanço. Sei que ainda temos muitas sessões pela frente, mas a forma como você progrediu foi incrível e tenho certeza que se continuar com essa força de vontade, logo vai estar andando sem apoio algum.
– Obrigada, Erin! – Beth a abraçava com mais força. – Não vejo a hora de poder voltar para as minhas aulas de dança e para o meu time de atletismo.
– E eu não vejo a hora de você se livrar daquela cadeira. – Charlotte fazia careta.
– Odeio aquela cadeira, mas depois de amanhã estarei livre! – Beth saia de seu abraço com Erin.
– Não se esqueça de trazê-la para cá, está bem? Vamos doá-la para o hospital. – Erin a lembrava pela milésima vez.
– Pode deixar que trarei. – Beth agora pegava sua bolsa, colocando em seu ombro. – Bom, nós precisamos ir. Ainda vamos sair para jantar essa noite e preciso descansar antes, porque essas sessões na piscina me deixam exausta.
– Isso, e combinei com meu pai que iriamos ver o jogo essa noite. – Charlie falava, empolgada.
– Jogo de que? – Erin perguntava.
– Basquete. Eu e meu pai somos fãs. – A morena respondia, segurando na mão de Beth. – Até a próxima, Erin.
– Tchau, Erin! – Beth começava a andar suavemente, apoiando em sua bengala, acompanhando Charlie.
– Tchau, meninas, tenham uma ótima noite. Até mais. – Erin se despedia.
– Não faz ideia do quanto fico feliz todas as vezes que te vejo andando. – Charlie comentava. Claro que Beth não andava rápido como de costume, mas seus passos eram o suficiente para a mesma conseguir andar por um shopping, sozinha se quisesse.
– Estou tão ansiosa para minhas mães finalmente me verem andando. – Beth sorria, enquanto se aproximavam do carro de Charlie.
– Com certeza vão chorar de alegria, vão querer te abraça e todas essas coisas de pais. – Charlie fazia careta, fazendo Beth rir.
– Oh, por favor, você adora quando seus pais fazem isso com você. Principalmente seu pai que adora te mimar, Charlie.
– O que posso fazer se sou a garotinha do papai? – Charlie encolhia os ombros, fazendo Beth rir.
– E você adora ser a garotinha do papai. – Beth abria a porta do carro, e Charlie dava a volta, indo para o lado do motorista e fazendo o mesmo.
– Adoro, mas isso é segredo! – A morena brincava, falando sério.
– Claro que é. – Beth assentia. – Vamos logo, porque estou doida para deitar na minha cama e dormir. Ainda tenho muita coisa para preparar para o aniversário da minha mãe amanhã.
– Não se preocupe, mi lady, te levarei para os seus aposentos. – Charlie brincava, usando um sotaque britânico, fazendo Beth gargalhar. Sem dúvidas suas sessões de fisioterapia ficavam mais divertidas com sua namorada.
Xxxx
– Mamãe trouxe chocolate! – Olivia saia correndo da cozinha para sala, após abrir uma das sacolas em cima da mesa, ainda usando seu biquíni, enrolada em seu roupão da minnie.
– Trouxe, mas você só vai poder comê-los depois que chegarmos do restaurante. – Quinn comentava, enquanto estava descansando em um dos sofás.
– Mas mamãe, eu quero um só, por favor. – A pequena subia em cima de Quinn, sentando na cintura da mesma e deitando sua cabeça em seu peito.
– Mmmm... Está bem, mas tome um banho primeiro, pookie. – Quinn falava carinhosa, passando os dedos no cabelo escuro e molhado da filha. – Me lembro de ter ouvindo a mamãe Tana te chamando para tomar banho duas vezes, e você sabe o que acontece se ela chamar pela terceira vez. – A loira arqueava suas sobrancelhas e rapidamente Olivia arregalava os olhos, com medo de levar palmadas, saiu de cima de Quinn, subindo as escadas correndo atrás de Santana. – Nunca falha! – Quinn sorria satisfeita.
Apesar de estar feliz por estar aproveitando seu tempo com sua família, naquele momento, Quinn sentia como se algo estivesse faltando. Seu aniversário seria amanhã e mesmo não tendo problemas com isso, Fabray sentia um leve vazio e preocupação com Beth. Ela queria tanto que sua adolescente voltasse a se abrir como antigamente. Queria que Beth deixasse que suas mães participassem das coisas que aconteciam com ela. Queria ter novamente a garota em seus braços por horas enquanto desabafa, ou enquanto procura por um conselho de Quinn ou Santana. Fabray sabia que nesses últimos meses algo estava acontecendo e sentia falta dos momentos que tinha com sua little one.
Sem conseguir realmente descansar, Quinn se levantou do sofá e foi direto para o quarto de Beth abrindo a porta suavemente, sorrindo ao ver loira de cabelos cumpridos deitada de bruços na cama. Fabray entrou no quarto, fechando a porta suavemente atrás de si e sem fazer barulho, se aproximou da cama, levantando o lençol e se deitando ao lado da filha, ficando de frente para a mesma admirando aquele rosto que se parecia tanto com o seu.
Seus dedos delicadamente passavam pelo cabelo de Beth, tirando de seu rosto e no mesmo instante, a garota se mexia se aproximando de Quinn e como uma criança, se encolhia contra o corpo da mãe, deitando a cabeça no peito da mesma, e lhe abraçando. O sorriso nos lábios de Quinn era impossível de esconder, e tendo sua filha em seus braços fazia todo o sentimento de vazio sumir. Quinn sentia falta de Beth. Sentia falta da antiga Beth e mesmo sabendo que algo estava acontecendo, Fabray conhecia sua filha como a palma de sua mão e sabia que a mesma precisava de tempo e logo contaria tudo àquilo que estava guardando dentro de si.
Xxxx
– Você acha que a mamãe vai gostar? – Olivia perguntava, enquanto enfeitava uma das panquecas com gotas de chocolate.
Era oito horas da manhã e Olivia e Beth preparavam um delicioso café da manhã de aniversário para Quinn. Beth estava nervosa e ansiosa por aquele dia e apesar de estar andando, ainda continuava em sua cadeira de rodas, até porque, sua intenção era andar apenas quando a festa começasse.
– Claro que vai, Liv. Elas adoram tudo que a gente faz. – Beth respondia rindo, levando os pratos para a mesa, em seu colo.
– É verdade. Lembra quando a mama comeu aquele bolo horrível que a gente fez? – Olivia falava rindo. – Ela disse que adorou, mas tava ruim, eca!
– Ficou horrível, porque esquecemos o mais importante... O fermento e, aquela porcaria não cresceu. – Beth revirava os olhos, sorrindo. Terminando de arrumar a mesa.
O café da manhã estava perfeito. Beth tinha feito bacon –o favorito de Quinn. Com ajuda de Olivia fez panquecas com gotas de chocolate e outras com blueberries. Tinham também torradas francesas, geleia de morango, cream cheese, café puro –o favorito de Santana, e suco de laranja.
A mesa estava organizada e bem arrumada. Apesar de ser redonda –e grande, Beth conseguiu organizar tudo no centro, deixando os pratos a frente das cadeiras. O presente que com a ajuda de Charlie, Beth saiu com Olivia para comprar, estava no balcão no centro da cozinha, embrulhados com lindos papéis coloridos.
– Pronto, Liv, acho que já está tudo arrumado. Você precisa agora ir lá em cima e acordá-las. – Beth sorria suavemente, e Olivia mordia o canto de sua boca, descendo do banco onde estava e colocando seu prato na mesa.
– Mas... Beth, você deveria ir também. Nós sempre vamos juntas. – A pequena comentava, e Beth apenas sorria.
– Eu sei, Liv, mas esse ano, vai precisar ser apenas você, está bem? Eu não posso subir até lá. – Pelo menos, não agora. Pensou Beth, se aproximando da irmã e depositando um beijo em sua bochecha. – Vá até lá, e acorde a mamãe Quinn por mim.
– Está bem, vou pular em cima delas! – A pequena falava animada e rapidamente subia as escadas na direção do quarto de suas mães
– Mmmmm... Santana! – Quinn soltava um gemido entre os lábios da latina, que estavam atracados com os dela, e sua perna entre as dela.
– Feliz aniversário, mi amor... Por mais que... – Santana falava entre o beijo, com seu corpo em cima do de Quinn, e seu cotovelo apoiado um de cada lado da cabeça de sua esposa, a latina iniciava a entrega dos presentes para a aniversariante. – Eu queira ficar aqui a tarde toda... – A latina depositava um selinho, passando a ponta dos seus dedos sobre a testa de Quinn. – Acredito que daqui há alguns minutos alguém vai. –
– Mamãe Q! – A voz de Olivia interrompia as duas, fazendo Santana revirar os olhos.
– Interromper nós duas. – Santana sussurrava, saindo de cima de Quinn, que ria, sendo recebia por um impacto em sua barriga e dois braços que passavam em volta dela.
– Feliz aniversário, mamãe Q! – Olivia apertava Quinn com força, com sua cabeça deitada no peito da mesma.
– Awwww, obrigada, pookie. – A loira sorria, correspondendo ao abraço.
– Eu te amo muito, mamãe. – A pequena levantava seu rostinho depositando um selinho rápido nos lábios de Quinn. – Você precisa levantar, eu e Beth temos uma surpresa lá embaixo.
– Eu também te amo, pookie! Oh, é mesmo? E que surpresa é essa?
– Não posso contar, senão não será mais uma surpresa. – Olivia apoiava sua testa ao de sua mãe, pousando suas mãozinhas na bochecha da mesma e apertando. – Você precisa descer logo, porque a Beth está lá embaixo e ela não pode subir, mamãe. – Apesar das mãos que lhe apertava, Quinn fazia um bico suave, dando um beijo na ponta do nariz da caçula.
– Nós já vamos descer, meu amor.
– Bom, pelo visto hoje não vou ganhar nenhum beijo de bom dia. – Santana murmurava, fazendo Olivia soltar de Quinn e estendendo seu braço alcançando o pescoço da latina e lhe abraçando.
– Mama, Buenos dias! – A pequena falava entredentes, pressionando sua bochecha contra a da latina. – A nossa surpresa para a mamãe Q, você também vai adorar! Agora, vamos, vamos. Beth está esperando. – A pequena dava um selinho na latina, pulando da cama e esperando que suas mães se levantassem.
– Meu Deus, estamos indo! – Santana revirava os olhos, tirando o lençol de cima dela e junto com Quinn, levantavam da cama, trocando de roupa antes de descer.
– Elas estão vindo! – Olivia gritava do corredor, descendo as escadas, enquanto suas mães a seguiam.
– Essa garota deve ter tomado café ou então comeu muito açúcar. – Santana comentava, fazendo Quinn rir.
– Ela está empolgada, porque hoje é meu aniversário, amor.
Santana revirava os olhos e as duas desciam as escadas e ao se aproximarem a entrada da cozinha, seus olhos se arregalaram com a surpresa linda que suas filhas fizeram. Beth estava parada próxima à mesa com seu presente no colo e Olivia ao lado também segurando seu presente. Um sorriso no rosto de Quinn foi o suficiente para as garotas saberem que acertaram na surpresa e que a mesma tinha gostado.
– Feliz aniversário, mamãe Q! – Beth falava animada, se aproximando de Quinn e abraçando sua cintura. A loira se colocou na altura da filha e deixou que a mesma lhe abraçasse sem dificuldades.
– Awww, little one, obrigada! – Quinn sorria, recebendo um beijo na bochecha de Beth.
– Aqui, o seu presente, mãe, espero que goste. – A garota se afastava entregando seu pequeno embrulho para Quinn.
– Eu também tenho presentes. – Olivia cantarolava, fazendo Santana rir. A pequena se aproximou entregando seu embrulho que era menor do de sua irmã.
– Beth, você deixou sua irmã comer açúcar? Ou talvez cheirar açúcar? – Santana perguntava, fazendo a garota rir.
– Juro que não, mami, ela está animada.
– Oh, nós sabemos disso. – Quinn comentava.
– Vamos sentar, porque está tudo quente e não vamos deixar o ar condicionado esfriar a comida. – Beth comentava, indo se sentar com sua cadeira em seu lugar, enquanto as outras faziam o mesmo.
– Wow, bee, vocês capricharam, tudo parece estar uma delicia. – Santana sorria, pegando sua xícara e colocando café.
– Sim, little one, vocês capricharam, obrigada.
– Imagina, mãe. – Beth sorria. – Vocês fazem tanto por nós que isso aqui não chega nem aos pés do quanto somos agradecidas.
– Mhm... Vocês são as melhores, das melhores e melhores mamães do mundo todo. – Olivia juntava suas mãos, fazendo sua irmã e mães rirem.
– Obrigada, meus amores, somos muito orgulhosas de termos filhas tão maravilhosa como vocês.
– Sim, vocês são as melhores, e melhores das melhores filhas do mundo todo! – Santana imitava Olivia, e todos riam novamente.
– Nós somos. – A pequena concordava.
– Oh céus, sempre soube que ela era convencida. – Quinn revirava os olhos, olhando para Santana.
– Abra os presentes, mamãe. – Olivia tomava seu suco, e seus olhos brilhavam a espera de Quinn ver finalmente o que ela tinha comprado.
– Oh, claro, vou abrir. – A loira colocava o de Beth em cima da mesa e abria primeiro o de sua caçula. Assim que tirou o embrulhou, o sorriso em seus lábios era inevitável. Um lindo colar dourador com pingente com duas meninas com detalhes prateado. Era um colar adorável, no qual Quinn sem dúvidas usaria. – Awwww, pookie! – Quinn olhava carinhosa para sua caçula. – A mamãe amou, é lindo. Obrigada, filha.
– E cadê eu nesse colar? – Santana perguntava, franzindo o cenho.
– Mami, esse colar tem só eu e a Beth, as filhas da mamãe, você não é filha da mamãe. – Olivia explicava.
– Ah, poxa. – Santana fazia bico, e Olivia começava a rir.
– Mami é tão ciumenta.
– Todos vocês são. – Quinn apontava para as três que no mesmo instante, faziam a mesma cara. Franzinham o cenho e, um bico suave aparecia no lábio das três.
– Abre o meu, mãe. – Beth pedia, sorrindo sem parar. Sua caixa era grande, e Quinn não fazia ideia do que poderia ser.
A loira pegou a caixa, colocando a sua frente na mesa e assim que tirou o embrulho, seus olhos arregalaram. Era uma câmera polaroid antiga de 1974 branca. Quinn como uma ótima artista, adorava artes, pinturas e fotografia. Ela adorava tirar fotos e adora máquinas antigas como coleção. Inclusive, um dos enfeites em sua galeria era uma coleção de máquinas fotográficas antigas e fotos –não a venda, que estavam expostas na parede tiradas com aquelas máquinas.
– Filha, como você conseguiu encontrar essa câmera? – Quinn falava suavemente, tirando a máquina da caixa.
– Gostou? Tem uma loja de eletrônicos e coisas vintages no centro da cidade. Foi difícil encontrar um presente, mas quando vi essa máquina, tive certeza que você ia gostar. – Beth sorria.
– Eu amei, little one. Muito obrigada, sem dúvidas essa ficará aqui em casa. – Quinn pousava sua mão sobre a de Beth, agradecendo com o gesto.
– Oh, ela funciona de verdade, mãe. Você pode tirar várias fotos com ela.
– Com certeza vou usá-la essa tarde. – Quinn comentava.
– Falando nisso, Puck, Brian e Alex vão chegar cedo, porque vão ajudar na churrasqueira. – Santana, comentava.
– Ótimo, Brittany, Lily e Anna vão estar aqui mais cedo também, porque querem me ajudar com os preparativos.
– Então isso significa que Charlotte vai estar aqui mais cedo também? – Beth sorria, enquanto todas começavam a comer.
– E vamos poder entrar na piscina antes dos convidados chegarem? – Olivia perguntava animada.
– Sim, meus amores, Charlie vai estar aqui e Liv pode entrar na piscina. – Santana sorria. – Agora que vocês estão de férias, prevejo Olivia virando um peixinho e não saindo daquela piscina.
– Eu amo a piscina, mami.
– Nós sabemos. – Beth comentava. – Vai ser uma ótima tarde. – A garota sorria, mais para si mesma do que para suas mães. Ela estava tão ansiosa para sua surpresa que mal conseguia comer. Ela sabia que tudo daria certo e não via a hora de ver a felicidade nos olhos de suas mães quando a vissem andando.
Xxxx
O relógio marcava quase uma hora da tarde e Olivia continuava na piscina, agora acompanhada de Henry e Valerie. As três brincavam sem parar e Olviia tinha um cuidado especial com a pequena Valerie que usava duas boias nos braços e uma na cintura. Os três não saiam da água e o dia estava lindo, ensolarado e ótimo para um delicioso momento entre amigos e família.
Puck, Brian, Alex e Caleb ajudavam na churrasqueira enquanto bebiam. Brittany, Frannie, Rachel e Lily ajudavam Quinn e Santana na cozinha a terminar de preparar os acompanhamentos das carnes. Tinham três tipos diferentes de saladas e Brittany tinha feito um delicioso creme de abobora que tinha aprendido com a avó de Lily.
Charlie e Beth tinham acabado outra sessão de make-out no quarto da garota. Após a primeira vez em que tiveram um intenso make-out, as coisas começavam a avançar. A única parte em que usavam roupas era embaixo, e muitas vezes, terminavam sem a blusinha, apenas de sutiã e shorts. Nenhuma delas tocava o centro da outra, mas já massageram uma o seio da outra por baixo do sutiã. Sem dúvidas estava difícil controlar, mas Beth ainda não estava pronta e queria que sua primeira vez fosse especial.
As duas estavam ofegantes após atingirem seus orgamos ao roçarem o quadril uma na outra e agora Beth se levantava, tirando seu sutiã, e colocando seu cabelo para frente, enquanto Charlotte estava sentada na cama. Ela estava pronta para tomar banho e finalmente se preparar para sua surpresa.
Estava quase tudo pronto e só faltava Quinn e Santana subirem para se arrumar. Seria uma tarde de churrasco na piscina, e nem todas usam biquíni por baixo da roupa. Somente Brittany e Rachel, e claro, os rapazes que sem dúvidas cairiam na piscina.
Assim que terminaram de arrumar a mesa de madeira no lado de fora, Quinn e Santana subiram para tomar um rápido banho juntas e claro que Santana não perderia a chances de fazer sexo no chuveiro com sua esposa aniversariante. O presente a latina deixaria para dar apenas no final da noite quando estivessem a sós.
Ao sair do banho, Quinn optou em usar um vestido branco, de alça fina, cumprido até os pés, com flores vermelhas na barra do mesmo, e uma rasteirinha bege. O vestido era trançado nas costas deixando-a a mostra, com o cabelo solto.
Já Santana usava um short de setim florido azul, com uma blusinha de alça –fina, branca e um colar cumprido prateado. Calçava uma sandália baixa preta e fazia um rabo de cavalo, com um leve topete. Colocaram seus óculos de sol na cabeça e desceram juntas para finalmente começarem a festa, encontrando não só os amigos de sempre, como também algumas funcionárias –e amigas, de Quinn da galeria e Hayley, que sempre fazia questão de visita-las. Até mesmo Tina, que Quinn não via há anos, apareceu com Mike fazendo-lhe uma ótima surpresa.
– Você está pronta? – Charlie perguntava, após esperar por Beth se arrumar. A mesma já estava pronta fazia horas e usava uma blusinha regata listrada, com um pequeno decote no peito, um shorts jeans rasgado e seu all star branco. Seu cabelo cumprido e escuro estava solto, jogado para lado e seus óculos de sol na cabeça.
Beth saia do banheiro com um vestido bege, que aparentava uma longa camiseta, no qual Santana nunca entendeu. Calçava seu all star vermelho e seu cabelo loiro também jogado para o lado, apenas arrumado com o passar dos seus dedos. Ela andava suavemente apoiada em sua bengala e não conseguia conter as borboletas que voava sem parar em sua barriga.
– S-sim, estou pronta. – Beth respondia, sorrindo. – Você vai à frente, está bem? Quero que filme a reação delas. – A loira soltava uma leve risada.
– Ok, gatinha... Você vai surpreender a todos. Vou ficar perto da sua avó, caso ela desmaie. – Charlie brincava, pegando seu celular e Beth se aproximava lhe dando um selinho.
– Certo. Estão todos lá no jardim. Vamos, você sai primeiro e depois eu. – Beth segurava na mão de Charlotte, a procura de um conforto, já que mal conseguia conter sua ansiedade.
– Sério, gatinha, isso vai ser o melhor presente pra tia Q. – A morena entrelaçava seus dedos aos de Beth e agora saiam de dentro do quarto e caminhavam suavemente até a porta na sala onde dava para o fundo da casa.
– Ótimo, as duas estão juntas conversando com a Tina. – Beth comentava, olhando pela porta de vidro. – Vai você e filma tudo, porque quero rir da cara delas depois. – A garota brincava, rindo, e recebia um selinho demorado de sua namorada.
– Te amo, e ah! To ansiosa, deixa eu ir lá. – Charlie saia animada, abrindo e fechando a porta. A mesma se sentou perto de suas tias, preparando seu celular e logo a porta de vidro abriu Beth movimentou sua bengala para frente, dando seu primeiro passo.
Assim que apareceu no jardim, a mesma respirou fundo e seus olhos passavam por todos os convidados, mas ninguém parecia vê-la. A mesma sorriu consigo mesma, dando mais alguns passos para frente, até que percebia que um silêncio de repente pairava naquele momento. Beth não precisava ser adivinha para saber que estavam olhando surpresas para ela. A mesma deu mais alguns passos e com um sorriso nos lábios, chamava atenção de suas mães.
– Mãe! – Beth chamava e no momento em que Quinn e Santana – automaticamente, viraram na direção da voz de Beth, seus olhos se arregalaram.
Foi então que tudo literalmente parou. Quinn e Santana paralisaram. O silêncio no local parecia que estavam em outro lugar e tudo o que podiam se ouvir era o coração das mães de Beth acelerados –ou talvez, paralisados. A respiração de ambas ficou presa em seus peitos e no mesmo instante, os olhos de Quinn e Santana enchiam de lágrimas ao verem Beth em pé. Céus, Beth estava em pé, e andando. Todas suas preces foram ouvidas e finalmente, sua bebê estava voltando a andar e sequer precisava daquela cadeira de rodas. Beth tinha um sorriso no rosto, mas seus olhos também estavam cheios de lágrimas e escorriam por sua bochecha. Ela estava tão feliz por aquele dia finalmente ter chegado. Finalmente ela não via mais a tristeza nos olhos de suas mães quando as mesmas a olhavam. Agora era subsituido por um olhar de surpresa, mas que a cima de tudo, mostrava o quão felizes estavam.
Beth voltava a andar um pouco mais na direção delas e antes que pudesse se aproximar, foi surpreendida com os braços de suas mães em volta dela, lhe abraçando com força e as três choravam sem parar.
– Oh céus, Beth... – Quinn falava sorrindo e chorando a mesmo tempo, se afastando da filha para olhá-la.
– Você está andando, bee! – Santana sorria, passando as mãos em sua bochecha e secando suas lágrimas.
– Estou... Finalmente eu consegui voltar a andar. – Beth falava animada e, suas mães que estavam emocionadas e sem palavras, se aproximaram novamente, depositando beijos sem parar em suas bochechas, a fazendo rir.
– Eu sabia que Erin era uma ótima profissional. – Santana brincava, e Quinn colocava a mão na boca ainda em choque.
– Há quanto tempo você está andando, Beth? – A loira perguntava.
– Já faz alguns meses que comecei a sentir minhas pernas e com a ajuda de Erin e da Charlie... – Beth apontava para sua namorada, que estava com o celular filmando e acenava. – Consegui me movimentar sozinha. E-eu queria me recuperar pelo menos o suficiente para poder lhe fazer essa surpresa de aniversário, mãe. Na verdade, a surpresa seria para vocês duas, mas queria aproveitar o aniversário da mamãe. – Beth sorria. – Não consigo correr ainda, ou andar sem a ajuda disso... – A garota levantava a bengala em sua mão direita. – Mas consigo andar bem o suficiente para passearmos no centro park ou subir as escadas para voltar ao meu quarto. – A garota ria baixo, e suas mães continuavam chorando e sorrido ao mesmo tempo. – Desculpem por não ter contado nada e ter feito Erin omitiar o meu progresso, mas eu realmente queria que isso fosse uma surpresa. – Quinn balançava a cabeça e novamente seus braços estavam em volta de Beth, lhe abraçando com força.
– Apesar de ter nos deixado aflitas por não ter notícias da sua recuperação, acredite, little one, sua surpresa foi maravilhosa. – Quinn comentava, dando um beijo na cabeça da filha. Ela não conseguia explicar a alegria que sentia de finalmente ver sua little one andando. Era algo no qual ela nunca imaginou que passaria.
– Desculpa, mãe, mas eu prometo que foi só dessa vez. A partir de hoje vocês vão saber de tudo. – Beth respondia, e Santana estava ao seu lado, depositando um beijo contra sua cabeça.
– Céus, mijá... Ficamos tão preocupadas e com medo de você não estar progredindo. Dios mio, estamos tão felizes com essa surpresa que não sei sequer o que dizer. – Santana ria.
– Lo siento, mama... Mas como eu disse, prometo que vocês vão ficar sabendo de tudo. O segredo fazia parte do meu plano. – Beth comentava e Quinn se afastava, olhando novamente para sua filha em pé.
– Eu sabia de tudo isso. – Olivia aparecia do lado de Beth, encostando sua cabeça na cintura da irmã, fazendo as três rirem.
– Ah é mesmo? Então você foi cumplice? – Santana semicerrava os olhos, pegando sua filha no colo, sem se importar se a mesma estava molhada da piscina ou não.
– Claro, mama. Melhores amigas guardam segredos uma da outra. – A pequena assentia, passando suas pernas em volta da cintura da mãe.
– Você é ótima em guardar segredo, pookie. – Quinn passava a mão no rosto, secando suas lágrimas e depositando um beijo em Olivia.
– Você não faz ideia do quanto estamos felizes em ver que você finalmente está se recuperando, bee. – Santana virava-se para sua adolescente. – É uma felicidade sem explicação. Nós estamos muito orgulhosas pelo seu esforço, por todp o seu impenho e principalmente por a cima de tudo, não desistir. Nós te amamos muito e estamos muito felizes. Sério, essa foi a melhor surpresa do mundo. – A latina sorria, e Beth não consiga controlar o choro.
– Gracias, mama. Foi difícil esconder isso de vocês, acredite, mas eu sabia que ia valer a pena. Agora sem dúvidas preciso do apoio de vocês, porque ter forças, sozinha não é fácil. – A loira brincava, e novamente, recebia um abraço aperto e vários beijos de suas mães e de uma molhada Olivia.
– Oh céus, me deixe ver minha neta andar. – A voz de animação e felicidade de Judy, tirava as Lopezes de sua bolha, fazendo-as se afastar de Beth, para que os outros pudessem vê-la.
Quinn e Santana olhavam com orgulho e felicidade ao ver que Beth finalmente tinha se livrado daquela cadeira de rodas. O alivio que sentiam em seu peito era inexplicável. A felicidade que sentiam como mães pela recuperação da filha era impossível descrever com palavras. Elas estavam tão felizes que não sabiam ao certo se choravam ou se sorriam e não conseguiam se afastar da garota que mexia suas pernas para todos aqueles que se aproximavam para lhe dar os parabéns pela recuperação.
Ver o olhar de felicidade de suas mães ao vê-la andando foi tudo o que Beth mais esperava. Ela sabia que agora, todo o olhar de desespero e tristeza em suas mães sumiria e agora seria substituído por felicidades todas as vezes que a vissem andando. Beth estava tão feliz que sequer conseguia conter o sorriso e adorava ver que não só alegrou suas mães, como também sua avó e seus tios. Sem dúvida ela mandaria aquele vídeo para sua abuela e também a surpreenderia. As coisas estavam melhorando para Beth e ela esperava que continuasse assim.
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