Notas iniciais
Oiiiiiiii gente, capítulo novo e espero que gostem!!!!

Sentada em uma das cadeiras almofadadas de sua avó no deck da casa, sua mão batia contra as cordas de seu violão e sua voz murmurava consigo mesma a letra da música escrita no papel a sua frente. Com a vista maravilhosa que tinha naquela manhã, onde a sua frente tudo era verde, colorido com as flores e sorria ao ver seu tio cuidando do cavalo que tomava sol. A casa de sua avó sempre lhe trouxe grandes lembranças e inspirações para escrever suas músicas, poesias e até mesmo gravar seus vídeos engraçados para o instagram. Porém, naquela manhã, tudo o que a mesma pensava era no quanto sentia falta de sua namorada. No quanto gostaria de tê-la ao seu lado. A cada dia que passava a saudades apertava. No começo estava mais difícil, pois seu coração machucava e tudo o que queria era chorar, porém, ao chegar finalmente naquela fazenda onde tudo lhe trazia paz e conforto, Charlotte foi melhorando e aprendendo que Beth apenas precisava de um tempo. Aprendendo que precisava esperar mesmo que a saudade a fizesse querer ligar para ouvir sua voz, ou a fazendo querer desesperadamente estar em Los Angeles e não no “fim do mundo”.

Atenta na melodia que criava, Charlie sorria ao concluir uma música nova. A mesma estava dias trabalhando naquela letra e finalmente a finalizava esperando ansiosamente para poder mostrar aquela para quem escreveu aquela canção.

— Hey... – A voz de sua prima a tirava de seu transe, sorrindo para Lisa e seu pequeno filho de um ano e meio, Harry.

— Oh, hey... Bom dia, Harry.

— Não, não... – O pequeno balançava a cabeça, caminhando a frente de sua mãe e apoiando suas mãos sobre a mesa a frente de Charlie.

— Não o que, garoto? Só estou te dando bom dia. – Charlie ria, tirando a letra de sua música da frente do pequeno antes que o mesmo estragasse.

— E então, conseguiu terminar sua música? – Lisa perguntava, apoiando os pés na mesma mesa que seu filho agora brincava com a formiga que andava sobre.

— Consegui sim, e não vejo a hora de poder cantar para ela.

— Tenho certeza que Beth vai adorar, Charlie.

— Espero que sim. Sinto falta de poder falar com ela. Já se passaram dias e até hoje ela sequer mandou uma mensagem. – Charlie respirava fundo, pressionando seus lábios.

— Dê tempo a ela, está bem? Logo ela vai entender tudo o que aconteceu e vai te procurar.

— Só é frustrante, entende? Preciso me manter ocupada ou então minha cabeça vai explodir. Queria ao menos saber como ela está.

— Talvez ela te responda com uma mensagem? – Lisa sugeria. – Acredito que a raiva tenha passado e Beth não te ignoraria, Char.

— Será?

— Mhm... Você deveria tentar.

— É, talvez mais tarde... – Charlie sorria para sua prima e não podia negar que a ideia de Lisa a atiçava e fazia seus dedos coçarem para falar com Beth.

— Miga... – Harry mostrava seu dedinho para a mãe, enquanto a pequena formiga andava sobre seus dedinhos gordinhos, o fazendo rir.

— A formiga, ela vai andar por todo seu braço se você deixar, Harry... – Lisa sorria ao ver o filho encantado com a formiga que passeava por sua mão.

— Char, miga... – Harry abria a palma de sua mão, com a formiga passando por seu pulso. – Tira, tira!

— Ela está te explorando, buddy. – Charlie falava rindo, tirando a formiga do braço do seu primo caçula e a colocando no braço de sua poltrona. – Agora ela vai voltar para a mamãe e o papai dela.

— Mamãe? – Harry apontava para Lisa que assentia rapidamente o pegando no colo.

— Achei que Caleb traria a namorada dele. – Lisa comentava, mordendo as bochechas de Harry.

— Oh, ela virá, mas só chegará no fim de semana. Estamos todos ansiosos para conhecê-la. Ele ainda não a levou em casa, mas parece ser sério.

— Awww fico feliz por ele. Espero que essa garota o trate bem. Não estou no humor para expulsar outra vaca da vida dele. – Lisa revirava os olhos se lembrando da última garota mau educada que estava afim do irmão mais velho de Charlotte.

— Oh, não se preocupe, essa parece ser legal só pelo modo que ele fala dela.

— E aposto que sua mãe está morrendo de ciúmes.

— Oh, acredite, minha mãe está com muito ci.- Charlie falava rindo quando foi interrompida com seu celular tocando. A mesma o pegou rapidamente, pois desde quando chegou na casa de sua avó ninguém tinha lhe telefonado, sentindo talvez que fosse Beth, a garota rapidamente tirou o celular da mesa e ao ver o nome de sua namorada, sentia seu coração disparando sem acreditar que Beth realmente estava lhe telefonando.

— O que? Vai ficar só olhando? Atende logo esse telefone, Charlotte! – Lisa a tirava de seu transe, a fazendo rapidamente deslizar seu dedo sobre seu block screen, se levantando rapidamente da poltrona e enquanto caminhava para seu quarto, apoiava o celular contra sua orelha, suspirando antes de finalmente ter voz para sussurrar.

— Alô?

Xxxxx

Charlie estava sentada em sua cama e podia ouvir a respiração de Beth do outro lado da linha. A mesma não sabia o porque sua namorada não lhe respondia, mas só por estar recebendo uma ligação da loira já era o suficiente.

— Bee? Está aí?

Desculpa... — A voz de Beth finalmente soava do outro lado da linha a fazendo fechar seus olhos. – É que sinto falta da sua voz e te ouvir falar me fez paralisar. – E um sorriso bobo e apaixonado aparecia nos lábios de Charlie a fazendo se segurar para não gritar de empolgação.

— Também sinto falta da sua voz. – Charlie sussurrava, encostando a cabeceira de sua cama. – Como você está?

Bem. Um pouco cansada, mas bem, e você? Aproveitando bastante com seus tios? Sei o quanto eles são engraçados. – Beth perguntava soltando uma leve risada e Charlie agradecia mentalmente por uma conversar fluir naturalmente entre elas. A mesma sempre achou que seria estranho quando conversassem novamente.

— Oh, você nem imagina o quanto. E meu tio Elias pergunta de você o tempo todo, bee.

Mmm... Minha abuela também pergunta de você todos os dias. Já estou quase pedindo que ela mesma te ligue para saber como você está. — Novamente Beth ria, fazendo Charlie rir sabendo o quanto Maribel era engraçada e adorável.

— Aw, mande um beijo para a abuelita. Sinto falta dela também.

A primeira coisa que ela me perguntou quando cheguei foi: “Cadê a Charlotte, Elizabeth?”- Beth imitava a voz da avó, fazendo Charlie rir ainda mais.

— Yep, abuelita me ama. – Charlie brincava, enrolando uma mecha de seu cabelo caído no ombro entre seus dedos.

Sem dúvidas. — Beth comentava e por alguns segundos ficavam em silêncio novamente, como se estivessem perdidas em suas próprias cabeças. – E como estão seus avós?

— Mmm? Oh, está bem. Minha avó animada como sempre e meu avô sempre disposto madrugando junto com as galinhas. Algumas vezes fico na dúvida se quem canta é o galo ou meu avô quando o sol se põe. – Charlie brincava e agora era Beth quem gargalhava. – Minha avó também perguntou de você e está querendo sua visita.

Mande um abraço para a vovó. Ela é incrível e sinto falta dos bolos de laranja que ela faz.

Ugh! Nem me fale. Já comi tantos bolos de laranja esses dias que não aguento mais. – Charlie fechava os olhos, sentindo seu estômago embrulhar.

Quer trocar? Não aguento mais comer biscoitos. Olivia pede todos os dias que minha abuela faça biscoitos.

— Os biscoitos da abuela são ótimos. Adorava comer com leite antes de dormir.

Mmm... Estava pensando em qual presente te levar de L.A e acabei de decidir que serão os biscoitos da abuela. — Charlie ria novamente, arqueando uma de suas sobrancelhas ao perceber o que Beth tinha acabado de lhe dizer.

— Mmm então você estava pensando em me trazer um presente? – A morena perguntava, e Beth ficava em silêncio por alguns segundos, pensando exatamente no que tinha dito.

Talvez... — Beth sussurrava, fazendo Charlie sorrir, mordendo o canto de seus lábios.

— Sinto sua falta. – Charlie sussurrava e podia ouvir Beth suspirar do outro lado.

Eu também sinto sua falta... Muito. Eu... –

Eu te amo. – A morena sussurrava novamente, e Beth sentia como se fosse chorar. Seu peito apertava.

Charlie?

Sim?

­— Nos precisamos conversar... E-eu... Preciso te contar uma coisa importante. ­– Reconhecendo o tom de voz de sua namorada, o peito de Charlie apertava angustiado com medo do que ouvir a seguir. – Não sei se é uma boa ideia te contar pelo telefone, talvez por facetime? E-eu... –

— Pode ser por aqui. – Charlie a interrompia, ansiosa e aflita sentindo seu estomago revirar, querendo de uma vez que Beth dissesse o que tinha para dizer e acabasse de uma vez com a angustia que sentia naquele momento.

Você tem certeza? Não, e-eu vou te ligar no facetime. Só um minuto.

­- Beth...- A linha desligava e Charlie sentia como se fosse chorar, mas antes que isso acontecesse, seu facetime começava a tocar e ao atender, não conseguia conter o sorriso ao ver os olhos avelãs e aquela garota linda a sua frente. Beth estava com o cabelo amarrado em um coque bagunçado, ainda de pijamas e sentada em sua cama. – Hey.

Hey, Char... Ugh! Como é bom te ver. Mesmo sendo por uma tela. – Beth sorria, sentindo uma grande vontade de abraçar aquela garota do outro lado.

— Até com cara de sono você é linda. – Charlie brincava, fazendo Beth rir. – E então, o que você tem pra me contar? – A morena perguntava e Beth mordia o canto de seus lábios, nervosa, sem saber por onde começar. – Beth, você sabe que pode me falar o que for.

Ontem a noite... – Beth começava, desviando seu olhar para seu colo, antes de volta-lo para o celular. ­– Jay, o irmão da tia Aly, você se lembra dele... Enfim, desde quando cheguei aqui ele vem sendo um grande amigo. Inclusive ele sabe o que aconteceu entre nós e vive pegando no meu pé para eu te ligar... — Charlie sorria suavemente, assentindo. – Bom, ontem a noite nos saímos com alguns dos amigos dele e nos bebemos. Eu sei, é uma surpresa que eu bebi, mas tudo me faz lembrar você aqui, Charlie. Tudo me faz ter saudades de você, e ugh! Odeio ser orgulhosa e achar que não tenho que me lembrar de você, e... Ele está sendo tão legal me ajudando, e ontem ele me ajudou e me surpreendeu. ­— Charlie estava confusa sem saber exatamente onde aquela conversar chegaria. — Ele sempre diz que não quer me ver sofrer e não quer que eu faça nenhuma burrada, e... Ontem a noite, quando ele me trouxe de volta... — Beth pausava, mordendo sua bochecha. – Nós... Nós nos beijamos, na verdade eu o beijei... — Foi então que o estômago de Charlie revirou a fazendo sentir o choro entalar rapidamente em sua garganta. Seu coração apertava com tanta força que a dor a fazia perder o ar. Céus, Beth tinha beijado um garoto e ela sequer estava perto para lutar pela garota que amava. Seus olhos começavam a se encher de lágrimas.

— Oh...

Mas Charlie, ele sequer me beijou de volta e... Ugh, céus isso soa tão patético, mas não quero que pense que isso foi para nos deixar quites, porque céus, Charlotte eu ando tão confusa... — A voz de Beth falhava e Charlie podia ver que a mesma começava a chorar. – O que fiz ontem a noite foi um erro e Jay foi um grande amigo em me parar e me fazer enxergar a idiotice que eu estava fazendo. Meu coração sempre foi seu. Eu sempre fui sua, e beijá-lo foi um erro. Um escape daquilo que eu não consigo aceitar. Aceitar que você beijou Liah e aquilo me magoava. Aceitar que fui uma idiota em ter te deixado ir. Sou uma idiota, porque eu estou morrendo de saudades sua e queria que você estivesse aqui e não Jay ou qualquer outra pessoa, mas você. Isso tudo foi tão hipócrita da minha parte e você tem todo direito de ficar irritada comigo e brigar comigo. Me desculpa por te fazer passar por isso, me desculpa, Charlie. – Beth soluçava suavemente, e suas lágrimas escorriam sem parar por suas bochechas. – Isso tudo me fez ver o quanto fui irracional com você. O quanto fui uma idiota em agir daquela forma sem pensar. Não te dei sequer uma chance para se explicar e apenas te ataquei, depois vim para L.A sem ao menos tentar resolver as coisas entre nós. Me desculpe por tudo que fiz. Eu te amo tanto, Charlie. O medo de te perder foi maior do que eu, e agi impulsivamente. Você merecia uma explicação, merecia ser ouvida. – Beth passava a mão sobre seu rosto, e Charlie apenas a ouvia chorando em silêncio. – Queria poder ter a chance de falar isso a sua frente e não via celular, mas não posso esperar o verão inteiro para resolver tudo isso. Preciso que seja agora ou então não vou sossegar.

Charlie não sabia o que dizer ou que fazer naquele momento. Beth tinha beijado outra pessoa: um garoto. A morena sabia que não devia sentir como se realmente estivesse quites, mas em sua cabeça, parecia que era exatamente o que acontecia. Porém, em seu coração, Charlotte sabia que Beth estava sendo sincera e que da mesma forma que Charlie errou, Beth cometia o mesmo erro o reconhecendo. Claro que Charlie não se sentia feliz ou aliviada, e sua vontade era de apenas chorar com tudo que acontecia. Com o caminho que seu relacionamento saudável estava tomando. Já tinha sido difícil fazer Beth abrir os olhos e perceber que estava apaixonada, foi difícil quando Lucas apareceu e tudo piorou quando Liah se aproximou. Charlotte reconhecia que deu liberdade demais para a garota e nunca imaginou que aquilo aconteceria, mas Beth e Jay? Beth quis aquilo... Até porque, foi ela quem o beijou, mas Charlie também beijou Liah, será que aquela situação era tão diferente assim? Beth quis beijar Jay, e Charlie quis beijar Liah quando a viu chorando. Balançando a cabeça suavemente, Charlie sabia que a situação era diferente. Ambas cometerem erros por motivos diferentes. Charlie estava com dó de Liah e se sentia péssima com o que acontecia naquele dia, e Beth estava confusa e com raiva por ter sido machucada por Charlotte. Obviamente um erro não justifica o outro, porém, o erro de ambas poderia ser resolvido. Começando por terem reconhecido a burrada que fizeram e o próximo passo era consertarem tudo o que estava de errado naquele momento e isso partiria de Charlie.

Ela estava cansada dessa situação. Cansada de ficar longe de Beth. Cansada de tudo estar dando errado, e cansada de sofrer. Charlotte não queria mais ser ignorada e ficar apenas sentada esperando que Beth a procurasse. A morena daria o primeiro passo e faria o que fosse preciso para ter sua namorada de volta. Charlie estava magoada com o que tinha acontecido com Beth, mas não seria hipócrita em gritar com a loira, não. Charlotte não iria deixar o medo falar mais alto e sim o amor que sentia por aquela garota a sua frente.

Por favor, diz alguma coisa. ­– Beth sussurrava, e Charlie limpava suas lágrimas, tentando se acalmar.

— Não sei o que dizer... – Charlie encolhia seus ombros, respirando fundo. – E-eu não aguento mais isso, Beth... Tudo isso! Você acha que eu também não estou sofrendo com o meu erro? Com a minha burrice de ter beijado Liah e ter magoado a pessoa mais importante pra mim? Acha que está sendo fácil aproveitar minhas férias sabendo que minha namorada sequer quer falar comigo? Não, Beth, nada disso está sendo fácil e eu estou tão, tão cansada dessa situação que estamos. Não aguento mais ficar longe de você e ver que você também está confusa. Não quero te perder, bee. Eu errei, está bem? Errei em ter deixado minhas emoções falarem mais alto e ter agido por pena, mas foi só isso, Beth, só isso. Nunca senti nada por Liah além de amizade, nós sempre fomos amigas e eu sequer sabia que ela sentia algo por mim. Foi um erro estúpido e quando a vi vulnerável, tudo o que pensei foi no quanto ela estava perdida e no quanto já tinha sofrido. Achei que aquilo a ajudaria de alguma forma, não fiz com nenhuma intenção em te machucar... – Charlie mantinha seu tom de voz, porém, era nítido ver que a mesma estava irritada com toda aquela situação. – Não tive intenção em dar esperanças a ela, pelo contrário, agi por apenas querer ajudá-la. Ela estava sozinha esse tempo todo, Beth e foi apenas isso. Não sei os seus motivos por ter beijado Jay, entendo que você estava confusa e está magoada comigo, e que provavelmente deve estar se divertido com ele, mas Beth, por favor, diz que é comigo que você quer ficar. Diz que é comigo que você quer continuar namorando e que me ama. Nós duas erramos e eu não aguento mais isso! Eu preciso de você. Eu estou morrendo de saudades e eu te amo, bee. Eu te amo... – Charlie sussurrava suas últimas palavras e ambas soluçavam juntas chorando através da tela do celular.

Me desculpa, Charlotte... Me perdoa por ter agido daquela forma, por ter sido tão estúpida e deixado tudo isso acontecer. Eu nunca quis que essa situação chegasse a esse ponto. O fato de ter beijado Jay não significa nada, porque eu amo você, Charlie, eu quero você e mais ninguém. Não é Jay ou qualquer outra pessoa daqui. O que fiz foi uma idiotice, porque além de ter usado um garoto extremamente amigo e legal, machuquei a nós duas, boo. Me perdoa por tudo isso. É tudo minha culpa, se eu tivesse me acalmado e deixado você se explicar, provavelmente você estaria aqui hoje ou eu aí com você. Já estou exausta dessa situação e deixando erro atrás de erro aparecer entre nosso relacionamento. Confio em você, Charlie. Confio no seu amor por mim, no seu respeito e na sua lealdade. Sei o quanto você é boa e vê o bom nas pessoas, deixei meu ciúmes nos atrapalhar e fiquei com medo de que ela te tirasse de mim. E-eu não sei o que é viver em um mundo que você não esteja, amor... – Beth sussurrava, encolhendo seus ombros, e Charlie sentia seu coração acelerar com a forma carinhosa que Beth a chamava. – Você é tudo pra mim e meu coração é seu e de mais ninguém. Estou cansada de ficar separada de você. Cansada de sofrer por ser tão teimosa e idiota... Eu sou louca por você, cookie. — Beth sorria, brincando, e Charlie fechava seus olhos por alguns segundos.

— Você é uma idiota. – Charlie sorria, chorando ao mesmo tempo. – Não quero mais passar por isso, Beth. Eu também confio em você, e no que sente por mim, então, por favor, será que podemos consertar isso tudo? Voltar ao que éramos antes? Eu sinto muito a sua falta e não aguento mais ficar nessa dúvida se ainda estamos juntas ou não, se você vai finalmente voltar pra mim ou não.

Vou sempre voltar pra você, Charlotte Ray. – Beth sorria, e o coração de Charlie saltava em seu peito pela primeira vez naquela manhã de felicidade. – Eu te amo, cookie, e o que eu mais quero é voltar a ter a namorada mais linda do mundo. ­— Beth se aproximava da tela, franzindo o nariz, fazendo Charlotte rir.

— Eu também te amo, gatinha, sei que vamos devagar, mas não vejo a hora de poder te abraçar. – Elas sabiam que agora precisariam ir devagar e não apresar nada, pois ambas queriam que tudo voltasse como era antes e que nenhuma das duas se machucassem e não cometessem mais nenhum erro.

Xxxx

Claro que não! Ew... — Beth fazia careta no celular, fazendo Charlie rir. – Não vou comer ostras... Isso é tão nojento, Charlotte. — As duas já estavam conversando fazia horas naquela manhã e após decidirem que dariam um passo de cada vez a conversa parecia fluir naturalmente entre elas.

— É gostoso, Beth. Você sequer precisa mastigar, é só colocar na boca e engolir.

Céus, mas que graça tem comer uma coisa que não pode mastigar? Que gosto tem isso afinal?

Ah, não sei, você coloca sal, ou qualquer outra coisa e come.

Isso é uma lesma, Charlotte. Uma lesma oceânica. ­– Charlotte ria da forma como sua namorada falava.

— É uma ostra, Elizabeth. Ostra oceânica.

Tanto faz... — Beth revirava os olhos, deitando a cabeça em seu travesseiro.

— Você deveria aproveitar que está no lugar mais lindo de L.A e pintar.

Huh? Oh, trouxe um dos meus cadernos de desenho... Minha mamí não quis deixar que trouxéssemos minhas telas e tintas. – Beth encolhia seus ombros. – Fico entediada nesse lugar sem você, Charlie...

— Mas você tem o Jay para te distrair. – Charlotte suava natural, e não falava aquilo por mal ou para provocar sua namorada.

Mmm... Imagino que depois do que aconteceu ontem ele não vai mais querer falar comigo... Ou que vá te fazer feliz saber que estou passeando com ele por aí.

— Beth, não vou mentir e dizer que fico confortável com essa situação, porque não fico, porém, não sou idiota e sei que ele é a única pessoa da sua idade que pode te fazer companhia. – A morena pausava, olhando para fora de sua janela, avistando seu primo correndo pela grama. – Eu te amo e confio no seu amor por mim, Beth... Acredito que você não quer estragar isso tanto quanto eu e que ele também é um garoto legal, você deveria tentar falar com ele.

É claro que eu te amo e quero consertar tudo entre nós, boo... Só não quero que você se magoe por causa disso. Jay é um cara muito legal e acho que vocês se dariam muito bem. Quando éramos crianças vocês já se davam bem e acho que quando conhecê-lo agora vai gostar dele. Obrigada por confiar em mim e por ser compreensiva. Ao contrário de mim que fui uma id. –

Está tudo bem. Somos diferentes, gatinha, e aprendemos uma com a outra. – Charlie sorria carinhosa e Beth assentia.

Queria muito que você estivesse aqui.

Também queria estar com você. Sinto falta até das suas piadas sem graça. – Charlie brincava, e Beth semicerrava os olhos, mostrando a língua e fazendo a morena rir. – Oh, sei de algumas coisas que você poderia fazer com essa língua, senhorita Elizabeth.

Oh... Como o que? — Beth arqueava uma de suas sobrancelhas, olhando para a tela do celular.

— Algo muito... Muito prazeroso. – Charlie passava sua língua pelo seus lábios inferior e Beth fechava os olhos, sentindo o calor que subia entre suas pernas.

Não, Charlotte! Não podemos pensar nisso ou falar disso. Concordamos em ir devagar, certo? Devagar, Charlotte Ray. Está proibido sexo ou até mesmo falar de sexo. — Beth cruzava suas pernas, e Charlie fazia um bico suave.

— Awww Beth, você não é nada legal. Sinto saudades de te tocar, sabia?

Chaaaaarlie... – Frustrada e carente, Beth deitava sua cabeça para trás, fazendo bico. – Céus, acho que estou deixando minha calcinha molhada só de pensar sobre isso... Podemos, por favor, focar em outra coisa?

— Ok. Senhorita-sem-graça. – Charlie franzia o cenho, e novamente ficavam em silêncio olhando uma para a outra.

Bee? – Uma voz diferente soava do celular de Beth a fazendo olhar em direção a porta.

Oh, hey Liv, o que foi? – Beth sorria para sua irmã.

— Minha short stuff, está aí? – Charlie falava sorrindo, sentindo seu peito apertar com saudades de Olivia.

Quem é? – Liv perguntava e Beth a chamava para se sentar ao seu lado, direcionando o celular para ela. – Charlie! – A pequena sorria, acenando em direção a morena.

— Oi, Liv, se divertindo? – Charlie mantinha o sorriso no rosto e Olivia tirava o celular da mão da irmã.

Sim, muito... Vamos para a praia daqui a pouco. Ainda bem que você apareceu. Beth anda muito chata e acho que ela está com saudades. — Liv fazia careta, fazendo Charlie rir.

Hey, eu não estou chata. ­— Beth se defendia, e Olivia revirava os olhos.

— Não se preocupe, Liv, acho que a partir de hoje ela vai melhorar.

Ótimo. Quando você vem pra cá ficar com a gente?

— Oh... Eu não sei... Acho que talvez eu não consiga ir, Livs... Beth e eu ainda precisamos conversar sobre isso. – Charlie conseguia ver Beth atrás da irmã, pensativa.

Oh, ok... ‘Tô com saudades, Charls, te amo.

— Eu também te amo, short... – Charlie mandava um beijo para Liv e a garota fazia o mesmo.

Agora vou descer... Beth, a mamí pediu que você se arrumasse, nós vamos almoçar em um restaurante mexicano. Beijos, Charls, te amo! – A pequena entregava o celular para a irmã, mandando outro beijo para Charlie.

— Também te amo, short... – Charlie falava alto, e a pequena sorria desaparecendo de frente do celular. – Então, você precisa mesmo ir?

Não queria, mas aparentemente sim. — As duas logo demonstravam o quanto estavam desapontadas por terem que finalmente desconectar a ligação. – Mmm, sobre você vir para L.A –

Podemos falar disso outra hora. – Charlie a interrompia sorrindo e Beth assentia.

Claro, okay... Preciso ir me trocar... Nos falamos por mensagens e te ligo mais tarde?

Mhm... Claro, bee.

Okay... – Beth respirava fundo, não querendo desligar a ligação. Ela estava com tantas saudades de sua namorada que passaria a dia inteiro falando com a mesma.

— Fiquei feliz por ter ligado. Por finalmente termos conversado, mesmo sendo por aqui.

Sei que por aqui não é o melhor lugar, mas você me conhece... Não sossegaria enquanto não pudesse te contar tudo que aconteceu e me explicar. Eu te amo tanto, tanto, tanto... Não se esqueça disso.

— Nunca me esqueço, gatinha. Nos falamos depois. Divirta-se e mande um beijo para suas mães, abuelita, tio Adam e enfim... Todo mundo!

Pode deixar. Provavelmente minhas mães ficaram muito felizes em saber que conversávamos.

— Oh, minha mãe também ficará muito feliz, e minha tia Lisa. – Charlie ria baixo.

Te amo. Preciso mesmo ir. Ugh! Não quero desligar... Céus.

Tá tudo bem, gatinha, vai lá. Só o fato de você ter ligado hoje já fez uma enorme diferente no meu dia, em tudo dentro de mim, acredite. Aproveita seu dia e antes de dormir te ligo, okay?

Okay. Te amo, cookie! — Beth ria, fazendo Charlie rir com o apelido bobo e adorável que ganhava da namorada dork.

— Você é tão dork...

Tanto faz, você me ama mesmo assim.

— Isso é verdade.

Ok, agora vou mesmo. Te amo, te amo, te amo. – Beth aproximava o rosto da câmera, mandando vários beijos para Charlie que correspondia, beijando seu celular.

— Te amo, te amo... Divirta-se.

Se cuida e ah, antes que me esqueça, tome cuidado ao andar na Beauty, okay?

— Pode deixar.

Até mais tarde. Beijos, cookie.

Beijos, gatinha. – E antes que hesitassem mais para desligar, Beth desconectou a ligação e Charlie sentia como se seu peito fosse explodir a qualquer momento.

Céus, Beth tinha finalmente deixado seu orgulho de lado e lhe procurado. Mesmo sabendo de tudo que tinha acontecido, nada desanimava Charlie em conseguir sua namorada de volta. Ela não deixaria os erros de ambas prejudicaram o que tinham. E mesmo distante Charlotte faria o que fosse possível para uma se sentir conectada a outra. Elas dariam um passo de cada vez e logo estariam juntas novamente.

Notas finais
E então, gostaram? Espero que sim! Em breve mais ações entre Quinn e Santana. :) Review? Obrigadaaaa. x