Beating Heart.
29 Scared of Lonely
Notas iniciais
Arrependimento traz uma mistura grande de sentimentos. Principalmente, porque cada situação gera um tipo de arrependimento diferente. Triste, pesar, compunção... Até mesmo a morte. Arrependimento para alguns é fácil de resolver, de se desculpar e voltar atrás, mas para outros, o arrependimento consome a ponto de enlouquecer e se entristecer. Esse era o caso de Charlie.
A garota chorava desde o momento em que Liah tinha deixado sua casa. O arrepentimento lhe consumia como um monstro descontrolado. O pesar da culpa lhe fazia querer gritar. Seu coração apertava lhe fazendo perder o ar. Charlotte estava encolhida em sua cama, enquanto sua mãe lhe abraçava, tentando controlar e confortar o corpo da filha que tremia sem parar.
Seus olhos já estavam vermelhos e estufados. Suas bochechas rosadas, e, sua cabeça doía. Era uma dor insuportável, fazendo até mesmo seus olhos doerem. Charlie estava com medo. Apavorada. A mesma sabia que tinha grandes chances de perder Beth, até porque, ela conhecia sua namorada há anos e sabia o quanto a garota se afastaria dela. O quanto Beth, apesar de amorosa, também era uma garota difícil, como Quinn naquela idade. Charlie tinha medo da reação da namorada e se arrependia por não ter se afastado de Liah enquanto teve tempo. Enquanto Beth lhe alertava... Céus, enquanto sua própria mãe lhe tentava abrir os olhos para que tomasse cuidado com Liah. Se Charlie tivesse ouvido sua namorada, nada disso teria acontecido. Se Charlie tivesse realmente enxergado quem era a verdadeira Liah, nada daquilo teria acontecido.
Liah era exatamente como o irmão. Impulsiva. Possessiva e não se importava com ninguém além de si mesma. Não se importou com o fato de Charlie estar comprometida e claramente tinha ido até lá para tê-la, assim como Lucas levou Beth naquela noite para convencê-la em ser dele. Os dois eram exatamente iguais, mas ao contrário de Beth, Charlie foi impulsionada pelo momento, sentindo pena por Liah. Sendo cegada pelo sofrimento da amiga e a beijando. Como ela pôde ser tão cega? Como Charlie pôde ser tão impulsiva? Claro que o sofrimento de Liah partiu seu coração. Charlie, a única amiga que passou todos os momentos de luto ao lado de Liah, novamente se compadecida ao ver sua “amiga” sofrendo. Aquilo partiu seu coração, mas ao mesmo tempo a fez acordar no momento em que agiu percebendo o quanto Liah estava sendo egoísta. Claro que Charlie agiu por vontade própria, mas Liah todo esse tempo veio apenas agindo com segundas intenções, esperando o momento em que pudesse pular na frente de Beth, e sabendo o ponto fraco de Charlie, usou exatamente aquilo que faria a garota enfraquecer. Mas como Charlie pôde fazer isso com Beth? Como ela explicaria isso para sua namorada que tanto lhe avisou para tomar cuidado? Charlie certamente não teria uma explicação, mas não podia culpar apenas Liah, ela era culpada e rezava para que Beth pudesse perdoá-la.
Xxxx
– Já está mais calma? – Anna perguntava carinhosa, depositando um beijo na cabeça da filha.
– Ela vai me odiar, mãe. Beth vai me odiar. – Charlie já não tremia mais e parecia estar mais calma.
– Filha...
– Mãe, ela me avisou tantas vezes. Sei que ela ficava magoada comigo quando ainda me via conversando com a Liah e não acreditava nela, mas eu nunca via Liah da mesma forma que Beth. Sempre achei que era coisa da cabeça dela, achava que Liah ainda continuava vulnerável por causa do irmão e que eu só a ajudava. Eu fui burra, burra! – A garota se sentava na cama, batendo a mão com força em sua testa. – Devia ter ouvido Beth... Devia ter te ouvido. Por que fui tão cega, mãe? Por que? – Agora Charlie voltava a chorar, abraçando suas pernas.
– Filha, acredito que essa garota realmente tenha sido sua amiga, mas acredito também que ela não a via só como uma amiga. Sempre achei essa garota estranha, e tinha certeza que ela confundia tudo o que você fazia por ela. Você vai precisar conversar muito com Beth, meu amor. Não estou dizendo que Beth vá te odiar, ou terminar, mas ela vai ficar magoada e isso é inevitável. Tudo o que você vai precisar fazer é conversar com ela, mostrar que a ama muito e o porque fez o que fez. – Anna acariciava as costas da filha e Charlie soluçava, olhando entristecida para sua mãe.
– Esse é o problema, mamãe... E-eu não sei porque fiz isso. – E novamente, Charlie caia nos braços da mãe, voltando a chorar.
– É claro que sabe, e tenho certeza que no momento em que ver Beth, vai descobrir o porque agiu tão impulsiva com Liah. – Logo que Anna terminou de falar, o celular de Charlie vibrava na cama, mostrando que uma mensagem tinha chegado. A mãe de Charlie pegou o celular e respirou fundo. – É da Beth... E-ela está vindo para cá. – Charlie levantou com os olhos arregalados, como uma garotinha perdida pedindo por ajuda.
– Oh céus... Não. Não... – Charlie levantava da cama, começando a andar rapidamente de um lado para o outro.
– Charlotte! – Anna se levantou, se colocando na frente da filha a fazendo olhá-la. – Respira, meu amor. Sei que é difícil, mas quanto antes você resolver isso, melhor.
– Mãe...
– Me escuta. – Anna encostava sua testa na da filha, falando carinhosa. – Toma um banho, lava o rosto e tenta se acalmar. Vai dar tudo certo. Você ama a Beth, filha, e sei que ela sabe disso também. Se acalma. Vou pegar um copo d’água para você. – Anna depositava um beijo na testa da filha e Charlie assentia, respirando fundo, sabendo que em poucos minutos, seu maior medo poderia acontecer.
Xxxx
Após tomar um relaxante banho quente, Charlie estava sentada em sua cama, esperando por Beth. Ela podia ouvir a voz da garota conversando com seus pais no andar de baixo e sentia como se fosse vomitar.
Durante o banho, pensou em várias coisas para falar com sua namorada e todas se encaixavam perfeitamente em sua cabeça. Ela contaria que Liah foi até lá, que se declarou e quando soube que Charlie não correspondia, entrou em desespero, chorou, ficou vulnerável e por impulso, Charlotte a beijou. Bom, pelo menos isso soava fácil em sua cabeça, mas Charlie sabia que nada seria fácil. Nada aconteceria como nos contos de fadas onde Beth a perdoaria, e ambas passariam o restante da noite juntas. Não. Beth irá se magoar e Charlie sabia que tinha grandes chances de a mesma terminar o namoro naquela noite.
Seu estomago revirava e apesar de já não estar mais chorando, seus olhos ainda estavam vermelhos e suas mãos suavam frias. Sua perna balançava nervosa sem parar e sua respiração falhava todas as vezes que engolia o choro. Charlie não estava preparada para ver sua namorada, mas antes que pudesse reagir ou continuar enlouquecendo com seu pensamento, a porta de seu quarto se abriu.
– Amor! – Beth estava alegre e sorridente, se sentando ao lado de sua namorada e depositando um beijo em sua bochecha, enquanto Charlie estava de cabeça baixa. – Tenho uma novidade para te contar e você vai morrer de felicidade assim como eu. – A loira falava rindo, mas Charlie continuava em silêncio, fechando seus olhos por alguns segundos e conhecendo sua namorada, Beth sabia que a mesma não estava bem. – Hey... – Beth falava suavemente, pousando sua mão sobre a de Charlie. – Boo, o que foi? Você não está curiosa para saber a novidade? – Beth perguntava, e Charlie sabia que precisava agir. Sabia que precisava arrancar de uma vez esse band-aid que a prendia.
Levantando sua cabeça lentamente, Charlie se virou na direção da namorada, encontrando os olhos felizes da mesma que ao ver Charlie, tornavam-se preocupados.
– Beth... – Sua voz era como um sussurro.
– Amor, o que aconteceu? Seus olhos estão vermelhos. Você estava chorando... – Beth falava preocupada, pousando sua mão no rosto de Charlie. – O que houve?
De repente, toda a conversa que elaborou em sua cabeça durante o banho desaparecia, fazendo Charlie voltar a chorar, apertando a mão de Beth, sentindo como se aquele toque, fosse o último entre elas.
– Charlie, você está me assustando... O que aconteceu? – Beth sentia seu coração acelerado com medo do que estava acontecendo com sua namorada. E foi então que toda sua felicidade e preocupação desapareciam naquele momento. No momento em que Charlie resolveu falar.
– Liah me beijou. – Seu coração parou, assim como sua respiração. Seu corpo gelava por completo, e seus olhos paravam olhando para Charlie. Não, Beth ouviu errado. Não pode ser. Beth está em um terrível pesadelo no qual Charlie a deixa por outra garota e em breve ela irá acordar em sua cama, recebendo uma romântica e adorável mensagem de sua namorada lhe desejando bom dia e dizendo o quanto a amava. Ela está sonhando. – E... – Charlie chorava sem parar, olhando para Beth. – Me perdoa, Beth... Me perdoa. E-eu... Eu a beijei de volta. – As palavras de Charlie pareciam saltar sem moderação. Não era isso que ela falaria para sua namorada, pelo menos não seria dessa forma que ela começaria o assunto. Céus, Charlie não conseguia controlar a dor que sentia com medo de perder Beth. A dor era insuportável e a vontade de gritar era imensa.
E eu a beijei de volta.
E eu a beijei de volta.
E eu a beijei de volta.
A voz de Charlie repetia e repetia na cabeça de Beth como um disco arranhado. Beth não conseguia se mexer. Todo seu corpo parecia ter paralisado e tudo o que a garota fazia era piscar lentamente como se estivesse dopada. Seu coração parecia ter sido esmagado. Seu estômago revirou como se estivesse em uma enorme montanha-russa sem fim. Suas mãos ficavam geladas, e seus olhos começavam a lagrimejar. Ela se sentia como se estivesse sido atropelada, já que todo seu corpo adormecia. Céus, ela ia desmaiar. Não, Charlie não faria isso com ela. A sua Charlie jamais a trairia dessa forma. Não, não, isso sem dúvidas era só um pesadelo. Tinha que ser um pesadelo.
Ao ver que Beth continuava em silêncio, Charlie se desesperava ainda mais, se virando para sua namorada, sem soltar sua mão.
– E-ela me mandou uma mensagem essa tarde... – Charlie finalmente conseguia colocar para fora tudo o que tinha para falar. – Achei que estava acontecendo alguma coisa, mas quando ela chegou aqui, começou a dizer que estava sofrendo e que não aguentava mais evitar o que sentia, foi quando ela disse que gostava de mim. – A morena pausava, esperando uma reação de Beth, mas a loira continuava paralisada a olhando. – Liah disse que gostava de mim, mas fui sincera e disse a ela que era apaixonada por você, Beth. Que meu coração era seu, e quando falei isso, Liah começou a chorar... E-ela estava vulnerável, e-eu nunca a vi daquela forma antes e quando me aproximei para confortá-la... – Charlie pausava, soluçando durante seu choro. – Ela me beijou, bee, mas eu fui tão idiota, me perdoa, Beth... Me perdoa. Ela me beijou e quando não correspondi, Liah começou a chorar ainda mais e quando me aproximei dela, podia ver o quanto ela estava mal. Sua alma parecia apagada... E. – Charlie abaixava a cabeça. – E foi quando eu a beijei. Beth, e-eu sei que não tenho desculpa para minha atitude, mas fui completamente impulsiva após olhar nos olhos dela e ver o quanto ela estava perdida com tudo aquilo. Ela estava tão acabada que sequer a vi daquela forma quando Lucas morreu. – Charlie olhava para Beth novamente, levando a mão da mesma para seus lábios. – Você me conhece. Sabe que eu jamais te trairia, Beth. Me perdoa, porque eu devia ter te ouvido desde o começo, mas sempre achei que ela estava sofrendo pelo irmão e que estava sozinha. Me perdoa, Beth. Eu te amo tanto, tanto. Disse a ela que não podemos mais ser amigas e pedi que ela nunca mais me procurasse. Beth, eu – Antes que Charlie pudesse continuar falando, a mão de Beth acertou sua bochecha, lhe dando um tapa no rosto, a fazendo virar, assustada com a situação.
Beth estava com ódio. Com ódio de Liah. Com ódio de Charlie. Como aquela garota pôde fazer isso? Já não foi o bastante do irmão dela ter quase a matado? Beth sentia ódio por Liah ter causado tanta dor e estragado seu relacionamento. Beth estava magoada. Ela estava chateada com Charlie. Seu coração se partia em dois após ouvir a confissão da namorada. A namorada que tanto ama. Sua Charlie que tanto amava desde a primeira vez em que a viu. Céus, por que tudo de ruim acontece na sua vida? Já não bastava o trauma que tratava por sua mãe Quinn ter se esquecido dela, agora Beth passava por mais um sofrimento. Sua namorada tinha realmente beijado outra garota. Beth agia com raiva por Charlie ter lhe magoado. Por saber que o amor da sua vida tinha lhe magoado. Por ver que seu namoro tinha se abalado. Beth começava a chorar sabendo que talvez estivesse perdendo Charlie. Ugh! Ela estava furiosa. Furiosa por ter se magoado com a garota por quem era apaixonada. Céus, por que é tão difícil quando isso acontece? Agindo magoada e furiosa, Beth acertou pela primeira vez o rosto de sua namorada, sentindo seu coração pesar de arrependimento, mas ao mesmo tempo, sua cabeça gritava por tudo o que tinha acabado de ouvir.
– Beth...? – Charlie fazia um bico adorável ao continuar chorando, e sem dizer nada, Beth começava a estapeá-la, por todos cantos. – Beth, para... Beth! – Charlie tentava segurá-la, mas Beth batia em seu rosto, em seu peito, em seu braço com força a fazendo chorar ainda mais.
– Eu odeio você. Eu odeio você. – Beth gritava, pela primeira vez dizendo algo e suas palavras fazia Charlie chorar ainda mais.
– Beth, para! Me desculpa... – Charlie finalmente segurava nos pulsos de sua namorada, a fazendo parar de batê-la, e Beth com seu corpo mole, chorava arrependida novamente por ter batido tantas vezes em Charlie. A mesma se aproximou e agora ambas soluçavam, chorando. – Me perdoa... – Charlotte sussurrava, e Beth chorava, sentindo raiva por Liah ter conseguido magoá-la. Por ter conseguido estragar seu namoro.
– Charlie... – Beth falava entre o choro, suavemente, sem acreditar no que tinha feito. A garota tinha acabado de estapear sua namorada. Como ela teve coragem?
Arrependida, confusa e furiosa, Beth aproximou seus lábios aos de Charlie a deixando confusa pela reação, e logo atracava os lábios da namorada, começando a beijá-la, feroz, deixando que sua fúria transparecesse naquele beijo.
– Beth... – Charlie se afastava, e Beth se levantava a olhando, furiosa, lhe assustando novamente.
– Como você pôde fazer isso? Como? – Beth gritava, chorava e soluçava ao mesmo tempo e Charlie podia ver o quanto a mesma estava machucada. – Eu te avisei, Charlie. Te avisei que aquela garota estava gostando de você, mas claro que você não acreditou em mim, porque eu estava apenas agindo como uma namorada ciumenta. – Beth jogava os braços para cima, e Charlie se levantava, tentando se aproximar, mas Beth a empurrou. – Não! Não encosta em mim, eu estou tão furiosa, Charlotte, que você não faz ideia o quanto estou te odiando nesse exato momento. – Beth passava as mãos por suas bochechas. – No momento em que comecei a namorar com você, me afastei do Lucas, porque sabia que ele gostava de mim e que isso te magoaria, mas claro que você não pôde fazer o mesmo por mim, não é? Céus... Ela conseguiu. Ela conseguiu o que Lucas mais queria. – Beth pressionava a palma de sua mão em sua testa, fechando seus olhos, fazendo o coração de Charlie saltar pela boca ao ouvir sua última frase.
– Beth, me escuta... Eu. –
– Não! Não quero ouvir sua voz. – Beth colocava as duas mãos no ouvido, fechando seus olhos. – Não consigo sequer olhar para você. – A reação de Beth fazia com que Charlie quisesse morrer por tudo que tinha feito com sua namorada.
A mesma se aproximou novamente, segurando no braço de Beth, na tentativa de tirar as mãos da mesma do ouvido para que pudesse ouvi-la.
– Eu te amo... – Charlie sussurrava, chorando e Beth soluçava, de olhos fechados. – Não fala assim, Liah não conseguiu o que Lucas queria, porque eu sou apaixonada por você, e ainda sou sua namorada, Beth. Eu só quero você, não existe nenhuma outra pessoa pra mim, só você. Só você. – A morena sabia que era arriscado, mas depositava um beijo na ponta do nariz de Beth, fazendo-a virar o rosto, tentando escapar, mas mesmo furiosa, seu amor por Charlie gritava em seu peito desesperado para sair. Sair e ser mais forte do que sua cabeça e fazê-la se esquecer de tudo aquilo e perdoar Charlie. Beth balançava a cabeça negativamente e ao ver que não tinha forças para escapar da namorada a deixava beijá-la, lhe dando vários selinhos apaixonados e suaves em seus lábios, mas aquilo só piorava. A mistura de sentimentos e ações de ambas apenas as magoava ainda mais.
– Eu te amo, Charlie... – Beth chorava, e ao soltar suas mãos de Charlie, abriu seus olhos, deixando seus lábios próximos ao da mesma e ambas podiam sentir o salgado das lágrimas que caiam por suas bochechas. – Você não faz ideia do quanto me magoou... Charlie... – Beth a chamava como se estivesse pedindo por ajuda, até porque nem ela sabia extamente o que fazer. Beth sentia que precisava se afastar. Ela estava odiando Charlie naquele momento e não queria sequer vê-la, mas ao mesmo tempo, sentia como se quisesse abraçá-la, com medo de que Liah fosse roubá-la. Céus, estava tudo tão confuso que Beth chorava por tantos motivos, mas apesar de tudo, de uma coisa ela tinha certeza: Charlie a magoou. – Quero ir embora. – Beth começava a se afastar, empurrando Charlie sem força alguma, e a mesma a segurava.
– Não, bee... Não faz isso, por favor... – Charlie praticamente implorava, e Beth balançava sua cabeça, tentando se afastar.
– Para de falar, para de falar. – Beth se soltava de Charlie, passando uma de suas mãos no cabelo, segurando suas mechas entre os dedos, olhando perdida para o quarto. – Não quero mais ouvir sua voz. Não quero mais olhar pra você...
– Não, não fala isso... Beth, você não está falando sério... – Charlie se desesperava, tentando se aproximar, mas Beth não a deixava segurá-la.
– E-eu estou com medo, porque desde quando eramos crianças o meu maior medo era de te perder, porque você era minha melhor amiga. Você sempre foi minha melhor amiga, e quando percebi que te amava, tive medo de te deixar entrar, porque eu sabia que se algo acontecesse entre nós, provavelmente eu te perderia e corria o risco não só de perder minha namorada, mas também minha melhor amiga.
– Beth...
– É um pesadelo, Charlie, e estou perdida dentro dele e preciso de você para me segurar, mas... – Beth soluçava, sentindo seu coração doer. – Mas como você pode me segurar se foi você quem me fez ficar perdida? Ah, Charlie... – Beth parecia realmente perdida, e Charlie queria abraçá-la, mas estava com medo da reação da namorada. – Estou com tanta, mas tanta raiva...
Beth parecia estar em um enorme conflito, mas ela não podia deixar seu coração vencer naquele momento. Não, ela não podia. Beth precisava ser madura e tomar a decisão certa. Ela precisava se curar de toda aquela magoa e sabia que junto de Charlie naquele momento, não a faria melhorar, até porque, sempre que olhava para sua namorada, se lembrava de tudo que tinha acontecido. Beth realmente precisava ficar sozinha. A mesma estava muito magoada e por mais que seu coração estivesse despedaçado, Beth se sentia exausta e queria sua casa. Sua cama. Queria Quinn e Santana.
– Beth...
– Eu... – Beth olhava em volta do quarto, perdida, respirando fundo, segurando seu choro. – Preciso ficar sozinha...
– Olha... –
– Não. – Beth novamente interrompia Charlie, cansada de ouvir a voz que agora lhe machucava. – Preciso ir embora, Charlie, e, por favor, não me liga, não me manda mensagem, não me procura, me deixa sozinha....
– Beth, não... Não faz isso. – Charlie chorava desesperada, com medo de tudo aquilo ser o fim de seu namoro.
– Olhar para você me faz imaginar vocês duas se beijando. Ouvir sua voz me deixa furiosa, e o seu perfume... Céus, Charlie, me deixa perdida. Por favor, não me procura. Acho que... – Beth pausava, e Charlie colocava a mão no peito, como se estivesse segurando seu coração que doía tanto. – E-eu não quero te ver, okay? Pelo menos não agora... – A garota respirava fundo, passando as mãos por sua bochecha. – E-eu preciso ir.
– Beth... – Charlie gritava, desesperada, fazendo a loira parar de costas para a mesma. – Sei que não tem explicação pra tudo que aconteceu, mas eu te amo. Eu te amo muito, e eu jamais te trairia e. –
– Ironico, porque foi exatamente isso que você fez. – Beth respondia, a interrompendo.
– Eu sei...
– Isso não é só pelo nosso namoro, Charlie, mas você é minha melhor amiga, sabia o quanto eu confiava em você, e mesmo assim deixou que tudo isso acontecesse. – Beth falava firme, parando de chorar. – E-eu não só estou magoada como também decepcionada. Não consigo pensar direito e preciso realmente ir embora. – Antes que Charlie pudesse dizer qualquer outra coisa, Beth abriu a porta rapidamente, saindo do quarto e logo que se viu sozinha, Charlie se sentou próxima a sua cama, deitando sua cabeça no colchão enquanto chorava sem parar.
– Ela me odeia... – Charlie sussurrava consigo mesma, sentindo seu coração apertar a fazendo se encolher ainda mais, com as palavras de Beth repetindo sem para em sua cabeça. – Ela me odeia. – Repetiu novamente antes de se entregar a dor que sentia, chorando.
Xxxx
Assim que saiu às pressas da casa de Charlie, Beth ignorou seus tios que a chamavam e com a ajuda de sua bengala – que quase não precisava mais -, Beth saiu rapidamente andando pela calçada, sem saber exatamente para onde estava indo. A garota engolia seu choro, por todo caminho, até encontrar um banco, onde se sentou, abaixando sua cabeça, chorando em silêncio por alguns segundos, antes de se levantar, secar seu rosto e sair a procurar de um taxi que a levasse para casa.
Durante todo o caminho Beth se sentia como se ainda fosse desmaiar. Aquilo tudo ainda não parecia real e o silêncio preocupava até mesmo o taxista que a levava para casa. A garota parecia perdida em seus próprios pensamentos nos quais a fazia querer fugir. Desaparecer e esquecer que tudo aquilo tinha acontecido.
Ao chegar em casa, Beth pagou o taxista, e andava desligada até o deck. Ela se sentia sozinha e precisava que alguém a segurasse, precisava que alguém a pegasse antes que caísse. Beth estava tão perdida que sequer perceber que tinha parado em frente a porta de sua casa. A garota rodou a maçaneta, com seus olhos avermelhados e inchados, deixando a porta bater, encontrando suas mães rindo juntas sentadas no sofá, e assim que viram o estado da filha, Santana e Quinn correram em sua direção.
– Filha, o que aconteceu? – Quinn perguntava preocupada, ao ver o olhar apagado e vazio da filha.
– Mijá? – Santana a chamava, confusa, assustada, com o modo como sua filha estava a sua frente.
Sem dizer nada, Beth abaixou a cabeça começando a chorar e soluçar, abraçando Quinn com força, escondendo seu rosto sobre o pescoço da mesma.
– Céus, mijá, o que aconteceu? – Santana acariciava as costas da filha. – Você foi assaltada? – A latina perguntava, e Beth apenas balançava a cabeça dizendo que não. – Alguém te machucou? – Novamente, Beth balançava a cabeça, e Quinn e Santana se olhavam, sem entender o que estava acontecendo.
– Shh... Little one, está tudo bem... Está tudo bem. – Quinn falava carinhosa no ouvido da filha, lhe abraçando, tentando acalmá-la.
Sem dizer nada, Santana segurou na cintura de Quinn, levando suas duas garotas para o sofá, e as sentando, enquanto Beth continuava grudada na mãe, sentando entre elas, com a cabeça no peito de Quinn. Era doloroso para suas mães a vê-la chorando daquela forma. Ambas estavam desesperadas por não saber o que fazer.
– Mijá, você quer contar o que aconteceu? – Santana falava carinhosa, segurando na mão da filha.
Será que Beth realmente queria falar o que aconteceu? Falar aquilo em voz alta fazia parecer muito real. A machucava ainda mais e fazia seu coração explodir. Novamente suas mãos começavam a ficar geladas, seu estômago revirava e Beth apenas se virou, olhando para Santana, perdida.
– Charlie... – Beth sussurrava.
– O que tem a Charlie, filha? – Quinn perguntava, passando a mão no cabelo de Beth.
– Ela... – Beth soluçava, fazendo bico. – Mamí, ela beijou outra garota. – Beth fechava seus olhos e apesar de querem saber o que realmente tinha acontecido, Quinn e Santana podiam ver o estado que a filha estava e optaram por esperar. Beth estava magoada, Charlie tinha beijado Liah e aquilo a machucou. Tudo o que ela precisava naquele momento era das suas mães.
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