Beating Heart.
1 Lego House
Notas iniciais
- Elizabeth! – Santana aparecia na porta de sua filha pela terceira vez naquela manhã chamando-a para ir à escola. Todas as manhãs eram a mesma coisa. Beth rolava na cama com preguiça de acordar e sempre dava trabalho para suas mães.
- Argh! – Beth resmungou, cobrindo sua cabeça.
- Levanta, Elizabeth, você ainda precisa descer e tomar seu café. – Santana falava passando novamente pela porta do quarto de sua filha adolescente.
Na semana passada, Beth tinha completado dezesseis anos. Quinn e Santana não podiam estar mais orgulhosas da filha que tem. Elizabeth tinha o jeito de Quinn. Era doce, simpática, sociável e amorosa, mas também, tinha o gênio de Santana. Beth podia ser um amor, mas era teimosa e apesar de ser simpática, acredite, não queira mexer com sua família ou com seus amigos, porque a garota sabia se defender e muitas vezes falava mais do que devia, exatamente como sua mãe Santana.
- Beth? – Uma voz baixa soava no quarto silencioso de Beth e a mesma sabia exatamente quem estava ali. – Bee? — Uma pequena mão tocava seu ombro, chacoalhando ela devagar.
- Olivia! – Beth gritou tirando o edredom se seu rosto, assustando sua irmã que deu um pulo para trás. – O que foi? O que você quer? – A loira encarava a mini cópia de sua mãe Santana que a olhava timidamente.
Olivia que estava para completar nove anos, era uma mini cópia de sua mãe Santana. Assim como Beth, Olivia era carinhosa com suas mães e sua irmã mais velha. A pequena adorava beijos e abraços, adorava as noites em que sua irmã era sua babá, enquanto suas mães saíam para algum encontro. Olivia gostava de fazer tudo o que Beth fazia. Adorava pintar, dançar, mas era um pouco mais tímida do que Beth quando tinha sua idade. Olivia já estava na sua segunda semana de aula em sua escola nova e até então, não tinha feito nenhuma amizade por ser tímida demais.
- Você não vai tomar café? – Olivia perguntava enquanto olhava para suas mãos. – A mamãe Q fez panquecas, igual a gente gosta! – A pequena sorria olhando adoravelmente para sua irmã, que não conseguia ficar brava com a mesma por muito tempo já que Beth tinha um grande amor por sua irmã caçula e a tratava com muito carinho. Foram raras às vezes em que as duas realmente brigaram.
- Estou com cólica ‘Liv. – Beth se encolhia fazendo cara de dor.
- Elizabeth! – Santana aparecia novamente na porta do quarto de sua filha para fazê-la levantar.
- Mama, Beth está com cólica. – Olivia virava-se para olhar sua mãe. – Olha, ela não está bem. – A pequena apontou para Beth e Santana se aproximou para saber se suas duas filhas estavam mesmo falando a verdade.
- Bee, você está mesmo com cólica? – A latina perguntou suavemente. Santana sabia o quanto Beth ficava mal todas as vezes que estava com cólica. A garota mal conseguia sair da cama.
- Mama, está doendo muito. – Beth respirava fundo, passando a mão em sua barriga.
- Você já tomou o remédio? – A latina perguntou se sentando na beira da cama ao lado de sua filha.
- Não, mama. – Beth sussurrou e Santana se levantou indo até a penteadeira de sua filha, abrindo a primeira gaveta, pegando o remédio e se virando para Olivia.
– Mijá, vá até a cozinha e peça para a mamãe Q te dar um copo com água, está bem? Toma cuidado na hora de subir. – Olivia assentiu saindo correndo do quarto, já pronta para ir à escola.
- Mama, eu posso ficar em casa? Por favor? – A loira perguntou olhando para sua mãe. Beth estava realmente com cólicas e ir para escola daquele jeito estava fora de cogitação. A mesma participava do time de corrida e seria muito difícil se exercitar sentindo tamanha dor.
- Eu vou conversar com sua mãe e veremos. – Santana respondeu sorrindo e logo Olivia apareceu na porta segurando uma pequena garrafinha de água.
- Aqui Beth, toma o remédio e você vai ficar melhor. – Olivia entregou a garrafa para sua irmã enquanto a mesma pegava o remédio da mão de sua mãe e o tomava.
- Obrigada, ‘Liv. – Beth sorriu, entregando a garrafa de volta para sua mãe.
- Bom, eu vou descer e avisar para sua mãe que você não vai à escola hoje. – Santana se levantava saindo do quarto. – E você Olivia, venha tomar seu café, porque você vai comigo hoje. – A pequena olhou para sua irmã sorrindo suavemente, enquanto saia do quarto, deixando Beth sozinha.
- Amor? – Santana aparecia na cozinha colocando a garrafa de água no balcão, enquanto Quinn estava colocando as panquecas no prato para Olivia.
- Beth está bem? – Quinn perguntou preocupada.
- Ela está com cólica, mamãe, muita cólica. – Olivia respondeu, se sentando enquanto pegava seu garfo para comer sua panqueca.
- Mmm então isso significa que senhorita Elizabeth não vai à escola hoje? – A loira perguntou sorrindo suavemente, se aproximando de sua esposa, depositando um selinho em seus lábios.
- Amor, você sabe como ela fica péssima com cólica, acho melhor deixarmos ela em casa. – A latina se sentava ao lado de Olivia.
- Está bem, mas só hoje, amanhã ela vai pra aula. – Quinn falava, enquanto se juntava a mesa com suas duas latinas. – Olivia, sua bolsa já está arrumada? – A loira perguntou a sua filha caçula que sempre deixava para arrumar suas coisas na hora de sair.
- Sim mamãe, já está tudo pronto. Arrumei tudo antes de dormir. – Olivia respondia sem tirar os olhos de sua panqueca.
- Ótimo, bear, hoje você vai com a mama, está bem? A mamãe precisa ir mais tarde para a galeria. – Desde quando Quinn abriu sua própria galeria em Nova York, não demorou muito para que ela ficasse conhecida. Suas obras e pinturas chamavam atenção de todos que entraram e era difícil algum cliente sair sem levar nada. Quinn adorava pintar e desde quando recuperou sua memória por completo, a mesma voltou a fazer esculturas maravilhosas, que eram compradas por senhoras que se encantavam por cada detalhe, mas não eram só as obras de Quinn que faziam sucesso. Fabray tinha alguns quadros de Beth expostos e tinha orgulho em dizer que foram feitos por sua filha na qual fez cursos de artes por anos se aperfeiçoando por querer ser tão boa quanto sua mãe Quinn.
- Mhm, tudo bem, mamãe Q. – Olivia bebia seu suco de laranja com cuidado sem deixar cair sobre sua roupa. – Terminei! – A pequena falou empolgada.
- Ótimo, mijá, agora vá escovar os dentes e pegar sua bolsa porque nós já vamos. – Santana sorriu e Olivia saiu correndo desaparecendo da cozinha.
- Eu me preocupo com a Olivia, amor. – Quinn falava suavemente, olhando para sua esposa. – Eu entendo o quanto ela é tímida, mas você já reparou que quando ela chega da escola nunca comenta sobre ter brincado com alguém ou ter feito um desenho com algum amiguinho? – A loira respirava fundo, entortando sua boca suavemente como sempre fez. – Beth quando era mais nova sempre chegava contando mil coisas que fez com seus amigos, e Olivia já está na escola nova há duas semanas e não vejo ela empolgada com nada.
- Amor, ela precisa se acostumar. Nós a mudamos de escola e a tiramos dos amigos que ela tinha por lá, que, aliás, você lembra o quanto ela demorou em fazer amizade na outra escola. – Santana tentava confortar sua esposa.
Olivia realmente era difícil em fazer amizades. Na sua antiga escola, a pequena demorou uma semana para falar com uma de suas primeiras amiguinhas. Foi difícil para suas mães a mudarem de escola, mas foi preciso, já que na sua antiga escola, as vagas tinham acabado e foi preciso trocá-la para uma escola próxima a rádio de Santana.
- Algumas vezes ela aparenta ser tão frágil. Ela é tão delicada que tenho medo de alguma coisa acontecer com ela. – Quinn respirava fundo. – Beth sempre foi espoleta, fazia amizade fácil, porque brincava com todo mundo, já Olivia é diferente, ela está sempre na dela.
- Amor, Olivia tem o tempo dela, tenho certeza que ela vai se dar muito bem na nova escola. – A latina segurava a mão de Quinn sorrindo suavemente.
- Pronto, mama! – Olivia aparecia na cozinha, trazendo sua mochila de rodinhas. – Podemos ir.
- A mamãe não ganha nenhum beijo? – Quinn fazia um bico suave, enquanto Olivia ria baixinho, correndo e pulando no colo de sua mãe. – Argh como eu amo esse abraço de urso da minha pequena. – A loira sorria, distribuindo beijos pelo rosto de Olivia.
- Eu também amo os seus abraços, mamãe Q. – Olivia apertava seus braços em volta do pescoço de Quinn.
- Agora vamos. – Santana se levantava, depositando um selinho demorado nos lábios de Quinn, indo até a sala para pegar sua bolsa, enquanto Olivia se despedia de Quinn e as duas saiam de casa, indo para o carro.
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- Mijá, você já fez algum amiguinho na escola nova? – Enquanto Santana levava Olivia para escola, a latina resolveu tentar descobrir se estava tudo bem com a pequena para deixar Quinn despreocupada.
- Nenhum. – Olivia falava indiferente, dando de ombros.
- E por que não, mi amor? – Santana a olhava pelo retrovisor e percebia que a mesma olhava para fora, franzido seu cenho.
- Ninguém gosta de mim, mama. – Olivia falou baixinho e foi quase impossível para Santana ouvir, mas ao entender o que a pequena tinha dito, seu coração apertou. Ela odiava ver Olivia tão frágil. Era como se a mesma ainda fosse um bebê e ela precisasse protegê-la.
- Mijá, é impossível alguém não gostar de você. – Santana falava sorrindo tentando animar sua filha. – Você já tentou pelo menos dizer oi? – A latina perguntou e pode ver sua filha balançando a cabeça negativamente. – Bom, então tente começar dizendo “oi”, tenho certeza que vão amar te conhecer, mijá, porque você é uma garotinha muito adorável. – Olivia sorriu sem dizer nada olhando para o espelho retrovisor entrando o olhar de sua mãe.
Apesar de Olivia ser tímida, ela era muito educada e quem conversava com ela, podia ver o quão adorável a pequena era. Santana não entendia o porque de sua filha ser tão tímida, e sabia que isso era comum, mas não gostava de ver Olivia sem amigo nenhum.
- Pronto meu amor, chegamos. – Santana estacionava seu carro em frente ao colégio, saindo do carro e abrindo a porta para sua filha. – Cadê meu beijo e meu abraço? – A latina perguntou, fazendo Olivia pular em seu colo lhe abraçando forte. – Te amo muito, mijá, vai ficar tudo bem. Tudo o que você precisa fazer é dizer “oi”.
- Está bem, mama. Farei isso. – Olivia saiu do abraço de Santana, pegando sua bolsa, depositando um beijo na bochecha da latina. – Te amo, mama. – A pequena acenou, entrando na escola, levando consigo sua mochila.
Santana esperava realmente que Olivia deixasse essa timidez de lado e finalmente chegasse do colégio contando que fez alguma amizade. A latina sabe a necessidade de ter amizade nessa idade e queria isso para sua pequena Olivia.
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- Ok meu amor, eu já vou. – Quinn passava pela porta do quarto de Beth, enquanto a mesma estava deitada de barriga para baixo, com seu coberto esquentando seu corpo. – Você tem certeza que vai ficar bem?
- Tenho mãe, você pode ir, qualquer coisa eu ligo. – Beth falava sufocada com o rosto no travesseiro, fazendo sua mãe rir.
- Filha, você é tão dramática. – Quinn se aproximava depositando um beijo no topo da cabeça de Beth. – Te amo.
- Também te amo. – Beth murmurou acenando, virando sua cabeça para olhar sua mãe e reparando no quanto Quinn estava linda, usando uma calça jeans skinny, com um casaco vinho por cima e um salto alto preto. Apesar dos anos terem passado Quinn e Santana parecia não envelhecer. As duas continuavam tendo um corpo perfeito, no quão deixavam muitos dos amigos de Beth de queixo caído. A garota sentia orgulho por ter mães tão lindas e ainda mais orgulho por se parecer com uma delas e agradecia mentalmente por seu gene ser ótimo, já que com ajuda da dança e do time de corrida, Beth tinha um abdômen perfeito.
- Promete que me liga se passar mal? – Quinn perguntou novamente olhando para sua filha.
- Eu prometo. – Beth sorriu suavemente admirando sua mãe. – Você está linda, mãe. – A garota falou suavemente.
- Obrigada, meu amor. – Quinn adorava o relacionamento que ela e Santana tinham com suas filhas. As duas garotas confiavam em suas mães e as tinham como melhores amigas. Sempre quando Beth ou Olivia ficam magoadas com algo, elas correm para suas duas mães ou até mesmo para uma só, mas nunca deixam de pedir ajuda.
- Mãe, espera! – Beth gritou Quinn a fazendo voltar. – Quando vou ganhar meu carro? – A garota perguntou abrindo um grande sorriso, mas Quinn apenas arqueou sua sobrancelha.
- Sério, Elizabeth? – Quinn perguntava séria.
Beth já tinha completado seus dezesseis anos e tudo o que queria era finalmente ter seu carro. A mesma já tinha sua carteira de motorista, mas lhe faltava o carro. Santana e Quinn tinham dito que conversariam sobre isso, mas o aniversário de Beth já tinha passado e até agora, a mesma não fazia ideia se realmente teria o seu sonhado carro.
- Mãe, Louise e Charlotte já ganharam os delas, por que eu não tenho o meu ainda? – Beth fazia um bico suave que Quinn escolheu ignorar.
- Eu não vou conversar com você sobre isso agora. – A loira respirava fundo. – Aliás nós já conversamos sobre isso e já te falei que eu e sua mama estamos pensando. Agora eu realmente preciso ir. – Quinn mandou um beijo para Beth, saindo do quarto deixando a garota sozinha e frustrada por ter que esperar tanto.
Enquanto Beth arrumava uma posição confortável para aliviar sua dor, seu iphone que estava sobre o seu criado-mudo apitou avisando que tinha chegado mensagem. Assim que a mesma viu o nome na tela, seu maior sorriso se abriu automaticamente.
CharlieBoo: Colégio?
Charlie perguntava, já que tinha chegado ao colégio e não encontrado Beth no lugar onde as duas costumavam se encontrar.
BethBee: Cólica :(
A garota respondeu, sem perceber que seu sorriso ainda estava estampado em seu rosto.
CharlieBoo: Awwwn, sério? :( Quando eu sair daqui vou direto aí. Chocolate e filme?
Beth sorriu. Charlotte a conhecia tão bem que sabia o que ela estava pensando antes de falar.
BethBee: Por favor!
CharlieBoo: Haha, te vejo depois x
Beth leu a última mensagem de Charlotte e colocou seu celular ao lado de seu travesseiro. As duas desde pequenas se tornaram inseparáveis. Era incrível como uma conhecia a outra a ponto de saber exatamente o que a outra pensava antes de falar.
Apesar de serem melhores amigas, Charlotte e Beth eram diferentes. Charlotte não media palavras e muitas vezes, Quinn brincava perguntando se a mesma não era filha da Santana ao invés de Anna. Charlie assim como Beth, tinha um corpo ótimo com a ajuda das aulas de dança e do time de corrida. As duas eram inseparáveis e dificilmente era possível vê-las separadas em alguma aula ou atividade escolar.
Uns achavam que Beth e Charlotte estavam namorando, mas Beth deixava claro que eram apenas amigas. Mas não só elas cresceram juntas, como também Thomas e Louise as acompanharam. Os dois que hoje tinham um relacionamento eram grandes amigos das duas e as ouviam desabafar o tempo todo. Até porque, Beth e Charlotte podiam ser amigas, mas tinham muita coisa na qual eram diferentes, e eram essas pequenas coisas que as faziam brigar e discutir por besteira.
Muitas vezes Santana e Quinn as ouviam discutir no quarto de Beth e Santana sempre dizia que elas estavam cegas e precisavam acordar. Quinn sabia o significado disso, mas preferia não dar mais ideias para sua esposa, porque sabia que Santana não ia sossegar enquanto não mostrasse que estava certa.
Era difícil não suspeitar que as duas tivessem um relacionamento. Os ciúmes que uma sentia pela outra era grande, mas Beth sabia que o amor que sentia por Charlotte era de amizade e nada mais.
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Olivia estava em mais uma aula de artes, sentada em sua carteira ao lado de uma garotinha de cabelos vermelhos que parecia concentrada em seu desenho, enquanto Olivia apenas tentava fazer o contorno de uma flor, exatamente como sua irmã Beth lhe ensinou. O desenho estava ficando ótimo, já que a pequena tinha o costume de desenhar flores enquanto ficava no estúdio com sua mãe ou sua irmã.
- Wow. – A garotinha ruiva falava ao lado de Olivia, fazendo a pequena virar-se para olha-la. – Onde você aprendeu a fazer essa flor? – Olivia ficou surpresa em ver que alguém estava falando com ela e ficou alguns minutos em silêncio olhando para a coleguinha ao seu lado. – Mmm, você fala? – A garota perguntou e Olivia apenas assentiu.
- F-foi minha irmã quem me ensinou a desenhar. – Olivia falou suavemente, voltando para seu desenho.
- Está muito lindo! – A ruivinha aproximava seu corpo perto de Olivia tentando ver o desenho de perto e depois voltou a se concentrar no seu próprio desenho.
Sem dizer mais nada, as duas continuaram sua pintura e em seguida o sinal bateu indicando ser a hora do intervalo. A garota ruiva rapidamente se levantou abrindo sua mesa, pegando sua bolsa com seu lanche, enquanto Olivia sem pressa guardava seus lápis cuidadosamente, abrindo sua mesa e pegando sua bolsa da cinderela com seu lanche, se levantando para sair da sala.
A pequena assim que chegou ao pátio do colégio, viu todas as crianças sentadas. Alguns na fila para comprar lanche e outros já sentados para comer. Olivia ficou parada por alguns segundos, procurando aonde iria se sentar avistando um lugar vazio e enquanto caminhava para se sentar, Olivia passou perto da garotinha ruiva que estava ao seu lado na aula, com mais uma amiguinha loira. A pequena as olhou por alguns segundos e a voz de sua mãe apareceu em sua cabeça. É só dizer oi. Olivia pensou respirando fundo, se aproximando da garotinha ruiva, ficando em pé ao seu lado.
- Oi. – Olivia falou timidamente e as duas garotas a olharam.
- Oi! – A ruiva falava sorrindo. – Você é a garota da flor.
- Oi. – A outra garotinha loira sorria.
Olivia por um momento ficou em silêncio sem saber o que dizer. Ela olhou para as duas garotas que se olharam e a loira resolveu quebrar o silêncio.
- Você quer sentar aqui? – A garotinha perguntou e Olivia assentiu.
- Você pode sentar do meu lado. – A ruiva batia a mão no banco, sobre o lugar vago ao seu lado e Olivia rapidamente se sentou, colocando sua bolsa na mesa, passando a mão no seu cabelo o colocando para trás. – Sua bolsa é linda. Eu adoro a cinderela. – A ruivinha sorria.
- Eu também. – Olivia falava timidamente. – Foi minha mamãe quem me deu.
- Qual o seu nome? – A loira perguntou.
- Olivia. – A pequena respondeu sorrindo pela primeira vez começando a se sentir confortável, abrindo sua bolsa.
- O meu é Isabella, mas gosto que me chamem de Bella. – A loira sorria, mordendo sua maçã.
- E o meu é Chloe. – A ruiva se apresentava olhando para a comida que Olivia tirava de sua bolsa.
- O que você gosta de fazer? – Bella perguntava curiosa.
- Mmm, eu gosto de cantar e pintar. – Olivia sorria comendo sua maçã.
- Você desenha muito bem. Bella, você tem que ver a flor linda que a ‘Liv desenhou. – Olivia olhou para Chloe e sorriu ao ouvir sua nova amiguinha lhe chamando de ‘Liv. Só sua família a chamava assim.
- Minha irmã e minha mamãe me ensinam a desenhar. – Liv contava empolgada, se sentindo ainda mais confortável com Chloe e Bella
- Eu não tenho irmãos. – Bella comentava.
- Eu tenho, mas ele é um bebê ainda. – Chloe dava de ombros.
- A minha irmã é velha, ela tem dezesseis anos. Beth pinta e canta muito bem. – A pequena falava orgulhosa de sua irmã mais velha. – Ela canta pra eu dormir quando cuida de mim pras mamães saírem. – Assim que Olivia falou “mamães” suas duas amiguinhas a olharam.
- Mamães? – Bella riu. – Você tem mais de uma mamãe? – A garotinha perguntou arqueando suas sobrancelhas.
- Mhm, eu tenho duas. – Olivia mostrava dois dedinhos.
- Como? – Chloe franzia o cenho. – Eu só tenho uma mamãe e um papai.
- Eu também. – Bella olhava confusa para Olivia.
- Eu tenho a mamãe Quinn e a mamãe Santana. – Olivia falava sorrindo. – São duas.
- E o seu papai? – Chloe perguntava ainda tentando entender.
- Não sei. – Olivia deu de ombros. Santana e Quinn nunca falaram diretamente sobre o pai de Olivia, e a pequena não fazia ideia de quem poderia ser. Tudo o que ela sabia é que era especial porque tinha duas mamães. – Mas mamãe Tana sempre disse que eu e Beth somos especiais porque temos duas mamães.
- Deve ser legal ter duas mamães. – Chloe olhava para seu bolo enquanto falava.
- Mhm, é bem legal. – Olivia falava empolgada, começando a contar tudo o que ela faz com suas mães. Os passeios no parque, às tardes de pintura com Quinn, as brincadeiras com Santana. Tudo era mais divertido quando se tinha duas mães e a pequena mostrava o porquê era tão especial.
Enquanto as três conversavam, o sinal tocou novamente e tiveram que voltar para a sala. Chloe se sentou ao lado de Olivia enquanto Bella se sentou atrás. As três riam e pintava enquanto as duas garotinhas, pediam ajuda para Liv com seus novos desenhos. Olivia estava feliz por finalmente ter feito amiguinhas e tudo o que ela precisou fazer foi ter dito um simples “oi” exatamente como sua mãe Tana lhe falou.
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No momento em que Santana parou seu carro em frente do colégio de Olivia, as crianças já estavam saindo. A pequena saia ao lado de suas novas amiguinhas e assim que viu sua mãe, se despediu das duas, correndo em direção a Santana, pulando no colo da mesma.
- Wow, alguém está muito animada hoje. – Santana sorria, depositando um beijo na bochecha de Olivia.
- Mama, adivinha? – A pequena perguntava empolgada. – Eu fiz duas amigas hoje e tudo o que eu fiz foi dizer oi. – Olivia sorria animada. Um sorriso tão grande que Santana nunca tinha visto antes.
- Awn mi amor, estou muito feliz em saber disso! – Santana apertava as bochechas da filha, abrindo a porta do carro para que a mesma entrasse.
- Uma loira e a outra é ruiva. – Olivia contava empolgada. – Isabella, mas ela gosta que a chamem de Bella e a outra é a Chloe.
- Ruiva e loira huh? – Santana olhava sua filha pelo espelho retrovisor e podia ver que a mesma estava feliz.
- Sim, mama e elas amaram meu desenho de hoje. – A pequena sorriu e começou a contar tudo o que fez essa manhã na escola com suas novas amigas. Santana se sentia aliviada por ouvir Olivia finalmente contando algo bom de sua escola. Ver sua filha tão triste pela manhã fez seu coração apertar e ela odiava ver suas filhas naquele estado.
Assim que Santana chegou em casa, Beth tinha tomado banho e ainda estava na cama. A latina subiu as escadas indo até o quarto de sua filha mais velha, encontrando a mesma ainda de pijamas.
- Bee, você ainda tá aí? – A latina abria a janela do quarto da filha.
- Mama, não, deixa fechada. – Beth resmungava colocando o edredom na cabeça. – Estava ótimo ficar no escuro a tarde toda.
- Beth tá fedendo. – Olivia aparecia ao lado da cama da irmã, começando a rir.
- Fedendo tá você, midget, que acabou de chegar do colégio. – Beth rebatia. – Eu acabei de tomar banho e caso você ainda não tenha percebido, todo o meu quarto está cheirando ao meu delicioso sabonete de pêssego.
Santana olhou para Olivia e as duas começavam a rir fazendo careta, mas não podiam negar que o quarto de Beth estava realmente muito cheiroso. O fato de Olivia ter dito que estava fedendo, era porque a pequena nunca gostou do cheiro do sabonete de sua irmã.
Antes que uma das duas resolvesse continuar brincando com Beth, a campainha tocou e Olivia saiu correndo descendo as escadas, indo em direção à porta e a abrindo.
- Hey, short stuff. – Charlotte sorria, dando um beijo na bochecha de Liv, passando pela pequena, carregando uma sacola com chocolate. – Pelo o que eu sei você não pode atender a porta sozinha.
- Não pode e a próxima vez que ela fizer isso, vai levar umas boas palmadas. – Santana olhava séria para Olivia, arqueando sua sobrancelha e a pequena rapidamente abaixou a cabeça com medo de fazer contato visual com sua mãe.
- Oi tia San. – Charlie sorria se aproximando de Santana.
- Oi Charlie, tudo bem? — A latina perguntou depositando um beijo na bochecha da garota.
- Tudo ótimo. Soube que a bee está com cólicas e trouxe algumas coisas para ajudar. – A morena sorria educada.
- Ela está na caverna. – A latina apontou para a escada e Charlie riu baixo, subindo as escadas rapidamente.
Assim que chegou ao quarto de Beth, percebeu que a mesma estava com a cabeça coberta. Charlotte sorriu, entrando devagar no quarto, colocando sua sacola de chocolates no criado mudo ao lado da cama e pulando em cima de sua amiga, se sentando em cima da bunda da loira.
- Outch! – Beth gritou de susto e de dor, tirando seu edredom do rosto, pronta para xingar a pessoa que estava pulando em cima dela, mas logo que viu Charlotte a mesma respirou fundo, revirando os olhos.
- Oi bee. – Charlie franziu seu nariz, rindo da cara brava de Beth, se aproximando e depositando um beijo demorado na bochecha da amiga. – Está melhor? – A morena perguntou, tirando o cabelo loiro de Beth do rosto da mesma, sem se afastar, falando carinhosamente.
- Um pouco. – Beth sorria, falando com a voz manhosa.
Charlotte sorriu suavemente, depositando outro beijo na bochecha de Beth. A morena amava tanto sua amiga que às vezes se assustava com a intensidade desse sentimento. Muitas vezes se perguntava se realmente era só amizade. O fato é que ela não sabia ao certo. Tudo o que ela sabia era que amava Beth e faria qualquer coisa por sua melhor amiga. Adorava o jeito delicado e as manhas que a loira fazia todas as vezes que sentia cólica ou se machucava.
- Você vai melhorar, adivinha o que eu trouxe? – Charlotte sussurrou no ouvido de Beth, estendendo sua mão e pegando um chocolate da sacola. – Chocolate, Queen bee. – A morena brincou e Beth tirou a barra de chocolate da mão de Charlie, virando seu corpo, enquanto sua amiga deitava do seu lado.
- Como foi no colégio? – Beth perguntou enquanto esperava Charlie se ajeitar ao seu lado, para que a mesma pudesse deitar sua cabeça no peito da morena e comer seu chocolate.
- A mesma coisa de sempre. – Charlie revirou os olhos. – Aulas chatas, Thomas e Louise se amando e brigando. Depois fomos treinar e adivinha? Sue estava atrás de você.
- Pra que? – Beth franziu o cenho, sem parar de comer.
- Ela cismou que quer você no time de líderes de torcida
- Argh, será que ela não cansa? Eu não quero participar disso. – Beth dava de ombros.
- E meu irmão está insistindo pra gente se inscrever no glee club. – Charlotte começava a passar seus dedos no cabelo de Beth, tentando não se perder no perfume da mesma.
- Mmm, minha mãe me perguntou essa semana se eu entraria para o glee, mas disse que ainda estava em dúvidas.
- Eu acho que deveríamos entrar. – Charlie comentava. – Nós gostamos de cantar e pra ser sincera, o glee manda muito bem. Deveríamos tentar. – Beth ficou em silêncio por alguns segundos, saboreando seu chocolate enquanto pensava no que Charlie tinha acabado de falar.
- Pensarei sobre isso. – A loira respondeu, dando sua última mordida. – Agora eu preciso da minha melhor amiga, porque eu estou. –
- Manhosa. – Charlotte interrompeu depositando um beijo na cabeça de Beth. – Espera, vamos colocar um filme primeiro. – Charlie se levantou da cama, indo até a prateleira onde Beth tinha seus Blu-Rays ao lado de seus livros, escolhendo um.
- Fábrica de chocolate! – Beth gritou, fazendo Charlotte rir.
- Beth, nós já vimos esse filme mil vezes.
- Mas eu gosto. – A loira falava suave, fazendo um bico no qual Charlotte nunca resistia.
- Argh! Está bem, vamos assistir pela milésima vez. – A morena tirou o filme da prateleira, colocando dentro do aparelho, enquanto Beth ajeitava tudo pelo controle remoto e Charlotte voltava para se deitar ao lado de sua amiga.
Beth deitou sua cabeça em seu travesseiro, enquanto Charlie deitava ao seu lado, passando seu braço na cintura da amiga, colocando seu corpo embaixo do edredom, enquanto suavemente encaixava seu corpo ao de Beth, sentindo o perfume da mesma.
Enquanto Beth assistia ao filme, Charlotte não conseguia se concentrar estando tão perto de sua amiga daquela forma. A loira já estava com sua mão por cima da de Charlie e seus dedos acariciavam a mão da mesma suavemente, fazendo a morena respirar fundo sem entender o real motivo por estar se sentindo daquela forma e preferiu ignorar fechando seus olhos, escondendo seu rosto entre o cabelo de Beth.
Depois de um tempo assistindo o filme, Beth podia ouvir a respiração fraca de Charlie em sua nuca, ela sabia que sua amiga tinha dormido e sorria consigo mesma, se virando lentamente, deixando seu rosto de frente para Charlie, sem deixar que o braço da mesma, saísse de sua cintura.
Beth sorria passando seus dedos sobre a testa de Charlotte, colocando o cabelo da mesma para trás da orelha, enquanto reparava no quão linda a morena era. Charlotte sempre foi linda quando criança com seu cabelo preto, com o decorrer dos anos, a mesma foi ficando ainda mais linda. Beth tinha um carinho enorme por sua amiga e assim como Charlotte, faria qualquer coisa por ela, mas ao contrário de Charlie, Beth nunca pensou em sua amiga de outra forma. Até mesmo quando as pessoas perguntam ou comentam que as duas namoram Beth sempre diz que não, que as duas são apenas melhores amigas. A loira obviamente já teve suas dúvidas sobre sua sexualidade, mas nunca se imaginou com nenhuma garota, nem mesmo Charlotte. O fato de ter duas mães a fazia ignorar qualquer ideia ou suspeita de sua sexualidade, porque sempre achou clichê. Ah só porque tenho duas mães isso me faz uma lésbica? Claro que não. A loira pensava e apesar das dúvidas, ainda não se sentia preparada ou com 100% de certeza do que realmente era ou o que queria. Ela queria descobrir sozinha e não ser apenas um reflexo de suas mães.
A loira se aproximou do rosto de Charlotte, enquanto a ponta de seu dedo deslizava pelo contorno do rosto da mesma suavemente. Beth podia sentir a respiração de sua amiga contra seu rosto, depositando um beijo na ponta do nariz da mesma e fechando seus olhos, com a mão pousada suavemente sobre a bochecha de Charlie.
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