Beating Heart.

16 It's tearing my heart open


Notas iniciais
Oieeeeee, feriado de carnaval e olha eu aqui!! Como não fui viajar e não gosto da folia repetitiva da minha cidade, resolvi ficar em casa e atualizar, porque sou uma pessoa legal! Espero que vocês gostem do capítulo. Aproveitem xxxx

Depois de ter chorado por horas no braço de sua mãe, Beth e Olivia estavam dormindo abraçadas, enquanto Santana e Quinn estavam sentadas no sofá no quarto da garota.

– Eu estou com medo. – Quinn falava suavemente, com sua cabeça deitada no ombro de Santana.

– E-eu também, Quinn... – Santana respondia, sentindo seu coração apertado. – Ela está passando por tanta coisa. – A latina levava uma de suas mãos até sua testa massageando suavemente.

– San... – Quinn podia sentir no tom de voz de sua esposa o quão frustrada a mesma estava. Era difícil tentar ficar bem com toda essa situação, mas Quinn sabia que estava ainda mais difícil para sua esposa que sempre tenta proteger todos a sua volta, inclusive sua família. – Amor, eu sei que você quer sempre cuidar de todas nós, mas você sabe que somos um time, não sabe? – Fabray se sentando, podendo encarar sua esposa. – Nós somos um time, San, e eu não quero que você pense que precisa cuidar de todas nós, porque eu também posso cuidar de todas vocês. Nós duas podemos cuidar juntas das nossas filhas e protegê-las. – Quinn falava carinhosa e Santana sem dizer nada apenas assentiu, respirando fundo.

– Nós vamos ter que mudá-la para o quarto de hospedes, Q. – Santana sussurrava, sem tirar os olhos de Beth e Olivia. – Não sei se ela vai querer todas as coisas dela lá, mas não tem condições dela subir as escadas e não vamos poder ajudá-la o tempo todo, Quinn, e. –

– Santana! – Quinn pousava suas mãos no rosto da latina, fazendo-a olhá-la. – Nós vamos fazer o possível para ela se sentir confortável quando voltar para casa, amor. Nós vamos mudá-la para o quarto no andar debaixo e podemos trazer o que ela quiser do quarto dela. – Santana olhava para os olhos de Quinn assentindo novamente. Estava difícil se acalmar com tudo que acontecia e Santana parecia estar no seu limite por tentar ser forte por todos. – Nós vamos revolver isso assim que sua mãe chegar, está bem? Eu também estou preocupar com tudo isso, mas precisamos pensar em uma coisa de cada vez.

– Eu sei. É só que... – Santana respirava fundo, pousando uma de suas mãos sobre a de Quinn e fechando seus olhos por alguns segundos. – Eu queria poder fazer mais coisas pela Beth, mas ao mesmo tempo eu ando tão exausta e... – O choro que Santana parecia segurar por horas saia sem ela perceber, fazendo as lágrimas escorrerem por suas bochechas. – Me sinto uma péssima mãe por estar tão cansada ao invés de continuar em pé pela minha filha, Q. – Quinn passou seus braços em volta de sua esposa, trazendo o corpo da mesma para perto do seu, lhe abraçando forte, enquanto a mesma deitava à cabeça em seu peito chorando em silêncio.

– Shhh... Não fala assim. – Quinn respirava fundo, sentindo seus olhos encherem de lágrimas ao ver Santana daquela forma. – Amor, você não está sendo uma péssima mãe por estar exausta. Você ficou ao lado de Beth o tempo todo. San, você está tentando ser forte por nós três e ainda por si mesma, é claro que você ficaria exausta. Eu sei que você quer cuidar de todas nós, mas eu também quero cuidar de você... – Quinn sussurrava, deslizando seus dedos pelo braço da latina. – Não precisa ser forte o tempo todo, amor. Me deixa cuidar de você também. – A loira depositou um beijo contra a cabeça de sua esposa, fechando seus olhos, enquanto ouvia os soluços baixos e exaustos da mesma em seus braços. Seu coração partia em mil pedaços ao ver Santana tão frágil e vulnerável daquela forma.

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Após se recompor de seu segundo desabafo nos braços de sua esposa, Santana estava com Olivia em seu colo, enquanto Quinn ajuda Beth a tomar seu banho pela primeira vez usando uma cadeira de rodas apropriada para a ocasião.

– Vai ser sempre assim agora. – Beth sussurrava olhando para suas pernas enquanto Quinn a ajudava lavar o cabelo. – Eu vou sempre precisar de ajuda. – A garota fechava seus olhos, se recusando a chorar novamente.

– Filha... – Quinn ligava o chuveiro, tirando o shampoo do cabelo de Beth. – Eu sei que é complicado, mas nós vamos te ajudar, está bem? – A loira se mantinha forte e Beth apenas ficou em silêncio sentindo seu corpo gritando de raiva por tudo que acontecia.

Depois que acordo de seu cochilo, Beth se sentia ainda mais vazia. Era como se o único degrau que a segurava tinha desaparecido no momento em que soube da morte de Lucas. Ela se sentia tão vazia que nem sua irmã foi capaz de lhe animar. Beth se sentia como se quisesse desaparecer. Como se quisesse sumir de todos. Sua raiva era tanta que mal estava com paciência em receber ajuda de sua mãe enquanto tomava banho.

Seu coração estava partido em mil pedaços e Beth queria chorar todas as vezes que se lembrava de Lucas. Ela não sentia raiva do garoto em si, mas sim por ele ter sido tão irresponsável a ponto de dirigir bêbado ou drogado, seja lá como ele estava. Beth sempre quis ser amiga dele e nunca imaginou que o mesmo fosse capaz de algo assim. Ela se sentia tão mal com essa situação que era como se Beth tivesse perdido uma grande parte lhe pertencia. Uma parte da sua felicidade talvez. Claro, porque apesar de tudo, Lucas a fazia sorrir. A fez sorrir muitas vezes e apesar de muitos provavelmente sentirem raiva do garoto, o mesmo era carinhoso e Beth desejava vê-lo. Beth queria que ele soubesse que o perdoava e que ele poderia viver em paz.

Como ele vai viver em paz achando que eu o odeio? Beth pensava, enquanto agora Quinn secava seu cabelo, terminando seu banho.

Beth estava perdida em seus pensamentos, sofrendo por saber que o garoto morreu sem sequer saber que a mesma o perdoava. Isso era tão frustrante que seu peito doía e seu corpo gritava em silêncio enquanto ela se mantinha na cadeira como uma boneca e sua mãe a vestia.

A garota queria poder ver Lucas pela última vez e colocar para fora tudo que estava sentindo. Após vesti-la com seu pijama, Quinn colocava Beth de volta em sua outra cadeira, levando a mesma para fora do banheiro, encontrando Santana e Olivia brincando com Lucy.

– Mama... – Beth falava suavemente e Santana a olhava. – Você acha que... Mmm... Que Lucas pode nos ver ou nos ouvir? – A garota perguntava, fazendo a latina olhar para Quinn e em seguida para Beth.

– Sim, mijá... Eu acredito que sim. – Santana respondia suavemente. – Até hoje converso com meu pai achando que ele está me ouvindo. – A latina sorria carinhosa e Beth ficava em silêncio novamente, mordendo o canto de seus lábios.

– Quando a abuela vai chegar? – Liv perguntava.

– Ela vai demorar um pouquinho, mijá. – Santana respondia. – Eles vão chegar só à noite.

– Eu quero ir ao enterro. – Beth falava firme, fazendo Santana e Quinn olhá-la.

– O que? – Quinn perguntava.

– Eu quero ir ao velório e no enterro do Lucas. – Beth repetia e Quinn olhava para Santana.

– Mijá... Não acho que seja uma boa ideia. – Santana falava suavemente.

– Mas eu quero ir. – Beth falava firme novamente e agora Santana olhava para Quinn pedindo ajuda.

– Filha, não acho que sua médica vai deixá-la sair daqui agora. Você precisa... –

– Não. – Beth a interrompia. – Eu quero ir. Eu preciso ir, por favor, me deixem ir. – A garota começava a se desesperar e suas mães se olharam novamente. – Por favor... – Beth sussurrava.

– Mijá... Você tem certeza? Eu realmente não acho que seja uma boa ideia. Você não está bem emocionalmente para isso e. –

– Mama, por favor, eu preciso ir. Eu preciso. – Beth respirava fundo, deixando suas mães em silêncio e ambas se falavam apenas com o olhar, até Quinn responder.

– Vamos ver o que sua médica vai dizer, está bem? – Quinn ajudou Beth a se deitar novamente na cama e apertou a campainha que chamava uma das enfermeiras.

– Nós vamos todas? – Olivia perguntava.

– Você não precisa ir se não quiser, bunny. – Santana falava carinhosa com sua caçula. – Você pode ficar com a vovó Judy ou com a tia Rach. –

– Eu quero ir. – Olivia sorria, olhando para Beth. – Quero ir com a bee. – A pequena se levantou do colo de sua mãe, segurando Lucy pelas orelhas e subindo novamente na cama da irmã. – Eu vou ficar com você. – Liv segurava na mão de Beth, colocando Lulu na barriga da irmã.

– Obrigada, Liv. – Beth sorriu suavemente.

Não demorou para a enfermeira entrar no quarto e Quinn contar o que estava acontecendo e pediu para que a mesma se informasse com a médica de Beth se poderiam sair para o enterro do garoto.

Beth estava ansiosa para ir e enquanto esperava pela volta da enfermeira, a mesma mandava uma mensagem para Charlotte avisando o que faria. Até porque, com autorização da médica ou não, Beth iria para o enterro de Lucas.

– Bom senhora Lopez. – A enfermeira voltava com um prontuário em mãos, falando com Quinn e Santana. – Nós falamos com a doutora Gutierrez e ela as liberou por algumas horas. Isso é contra as normas do hospital, mas nós vamos liberá-la. – Beth abria um enorme sorriso, mandando uma nova mensagem para Charlie lhe encontrar onde seria a cerimônia de Lucas.

– Ótimo! Obrigada. – Beth respondia e Quinn assinava um dos papéis que a enfermeira lhe passava.

– Por favor, voltem antes da meia noite. – A enfermeira lhes informou sorrindo para Beth.

– Isso! Charlotte disse que os pais do Lucas vão fazer a cerimônia e o enterro direto no cemitério. – Beth informava suas mães. – Ela vai nos encontrar lá.

– Está bem. – Quinn respondia. – San, você quer ir para casa e trazer nossas roupas? Eu espero aqui com a Beth, e você vai com Liv.

– Claro. – Santana respondia. – Vai ser bom irmos, assim podemos conversar com os pais dele.

– Pensei o mesmo. – Quinn sorriu cansada, enquanto Santana se aproximava, depositando um beijo contra sua testa e em seguida contra seus lábios.

– Vou trazer as roupas de vocês. – Santana comentava.

– Não precisa trazer um sapato. Usarei esse mesmo. – Quinn mostrava seu scarpin de bico redondo preto e Santana assentia.

– Vamos Liv. – A pequena depositou um beijo na bochecha de Beth e correu para a porta, saindo de mãos dadas com Santana.

A vontade repentina de Beth preocupava suas mães mais do que a mesma imaginava. Santana sentia como se fosse explodir com medo de que Beth tivesse outro ataque de choro e ficasse pior do que já estava. Quinn se preocupava com o depois de Beth. Como sua filha ficaria depois que passasse por tudo isso. Ambas estavam com medo de que ir ao enterro fosse deixar Beth ainda mais destruída do que já aparentava estar.

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Enquanto Quinn era a nova companhia de Beth, a mesma mandava mensagens para seus amigos lhe avisando para onde iriam e o quanto estava preocupada com a filha. Rachel, Kurt e Brittany logo responderam avisando que não poderiam ir, mas que estariam no hospital quando Beth voltasse.

Quinn se sentia aliviada com seus amigos ao seu lado e sabia que apesar de também estar sendo forte por sua filha e sua família, a loira tinha seus amigos e sua mãe para se apoiar e deixar que os mesmos também pudessem cuidar delas. Afinal, seus amigos também a faz se sentir segurar. Não tanto como Santana, mas Quinn sempre se sente confortável quando um deles está por perto.

– Brittany, Kurt e Rachel vão estar aqui quando voltarmos.. – Quinn comentava com Beth. – Seu tio Puck disse que não vai te deixar sozinha. – A loira sorriu e Beth apenas assentiu. A garota não estava com clima para conversar e continuava com raiva do mundo por tudo que estava acontecendo em sua vida e isso incluía perder a paciência facilmente com suas mães e provavelmente com todos que se aproximassem.

A cabeça de Beth girava com mil coisas e uma delas era onde sua namorada estava. A garota sabia que Charlie estava lhe escondendo algo e desde a hora em que foi embora do hospital, as duas só se falaram há minutos atrás. Charlie não ligou para Beth ou sequer mandou alguma mensagem deixando a garota ainda mais desconfiada.

Beth conhecia tão bem sua namorada que pelo o olhar. Sabia quando a mesma estava mentindo. Charlie sempre tinha a mania de evitar contato visual e mordia por dentro de sua bochecha quando mentia, e foi exatamente isso que a mesma fez após a misteriosa ligação que recebeu naquela manhã e aquilo era uma das mil coisas que deixava Beth ainda mais irritada. A garota queria a companhia de sua namorada. Beth precisava de Charlotte e a mesma simplesmente sumiu por horas sem dar notícias deixando Beth sozinha. Aquilo era tão frustrante que a loira mordia sem parar o canto de seus lábios.

Sem saber exatamente quantos minutos ou horas tinham se passado, mas logo Santana e Olivia entravam pelo quarto de Beth. Ambas estavam usando um vestido preto. Santana usava um vestido justo ao seu corpo, com as mangas cumpridas e um scarpin preto, enquanto a pequena Olivia usava um vestido de saia rodada, com um laço na cintura e sua sapatilha preta e branca, com o cabelo amarrado em um perfeito rabo de cavalo.

– Chegamos! – Liv entrava sorrindo, correndo para a cama de Beth.

– Hey... – Santana se aproximava de Quinn, depositando um selinho nos lábios da mesma e lhe entregando a bolsa de roupas. – Eu não sabia quais dos vestidos pretos você queria, então trouxe aquele de manga... Que tem um cinto na cintura.

– Está ótimo, amor. Obrigada. Você pode ajudar Beth a se trocar enquanto me arrumo? – Quinn perguntava e Santana assentiu.

– Claro. – A latina se aproximou da cama de Beth, tirando o vestido da mesma de dentro da bolsa e o estendendo no sofá.

– Qual vestido você trouxe? – Beth perguntava, fazendo Santana franzia a sobrancelha.

– O único vestido preto que você tem. – A latina respondia e Beth olhava para o sofá se deparando com seu vestido preto de regata grossa com a saia na altura de sua coxa.

– E os sapatos? – A garota perguntava novamente.

– Trouxe sua sapatilha preta. – A latina respondia, começando a tirar a roupa de sua filha. – Trouxe sua maleta de maquiagem também. – Santana se aproximava do sofá, pegando o vestido e voltando para perto de Beth.

– Obrigada. – A garota respondia suavemente, ajudando sua mãe a lhe vestir.

Não demorou para que as quatro Lopezes estivessem prontas para sair. Beth e Quinn já tinham passado uma leve maquiagem e a garota estava com seu longo cabelo loiro solto, deixando-o cair sobre seus ombros. Santana lhe ajudou a se sentar na cadeira de rodas e Beth sentia seu estomago revirar por sair pela primeira vez do hospital sentada naquilo.

Era desconfortável receber ajuda para entrar no carro e a vontade de chorar estava cada vez mais difícil de segurar. Beth olhava furiosa para suas pernas e a garota não tinha humor algum para conversar ou prestar atenção no que sua irmã ou suas mães falavam. Sua cabeça estava a mil por hora e ela só queria desaparecer.

Logo que chegaram ao cemitério, Santana estacionou seu carro e enquanto Quinn pegava a cadeira de rodas, Beth sentia como se fosse explodir. Pessoas do colégio estariam ali e descobririam que ela estava na cadeira de rodas. Que agora ela era uma inválida e olharia para ela como todos os outros. Com pena.

A garota saiu de seu transe assim que sentiu os braços de sua mãe a tirando do carro e a sentando na cadeira de rodas. Beth respirou fundo, olhando para todas aquelas pessoas sentadas na cerimônia de Lucas. Todos vão olhar para mim. Todos vão descobrir que agora eu sou uma inválida. Beth pensava desesperada começando a se arrepender furiosamente por estar ali, mas antes que pudesse pedir para ir embora, Beth avistava Charlie andando em sua direção com um leve sorriso no rosto.

– Hey... – Charlie se aproximou depositando um selinho em seus lábios e cumprimentando suas tias e Olivia. – Acabei de chegar. – A garota falava suavemente e apesar de estar furiosa com sua namorada, Beth começava a se sentir melhor com Charlotte ao seu lado.

– Podemos ir, filha? – Quinn perguntava e Beth assentiu.

Santana empurrava Beth suavemente, enquanto Quinn e Olivia andavam ao seu lado e Charlotte do outro lado de Santana. Todos estavam sentados em cadeiras de madeira organizadas a frente onde o caixão de Lucas estava fechado. Os pais do garoto estavam sentados na primeira fila, acompanhados de Liah e um casal de idosos que Beth imaginou serem os avós do garoto. Logo atrás Beth podia reconhecer alguns garotos do time de futebol, alguns amigos do colégio que a olhavam assustados e alguns confusos.

Algumas garotas líderes de torcida e até mesmo do seu time de atletas estavam por lá. Lucas era do time de futebol e aparentemente muito popular. E por último, o glee clube, junto com Sr. Schue também estava lá formado do outro lado, na mesma direção do padre que falava algumas palavras.

As Lopezes se sentaram quase ao fundo e Beth se perguntava por que Liah estava sentada ao lado dos pais de Lucas. A garota estava tão confusa que aquele velório sequer parecia fazer algum sentindo para ela. As palavras ditas na cerimônia foi algo vago no qual Beth não prestou nenhuma atenção. Ela apenas se concentrava no caixão que conseguia avistar e no quanto queria dizer algumas palavras para Lucas.

Seu coração apertava e assim que a cerimônia se encerrou seu choro saia silenciosamente, assim como os de Charlotte e Liah.

O caixão começava a baixar lentamente e um por um da família e amigos de Lucas se aproximavam jogando uma rosa vermelha no mesmo, e o clube do coral começava a cantar em homenagem ao garoto. A música era Viva Voice de The Rocketboys e Beth podia sentir o quanto aquela música a tocava. A garota segurava uma rosa vermelha e Santana foi quem se levantou para leva-la até Lucas.

Enquanto se aproximava, podia sentir que todos a olhavam e assim que passou pelos pais de Lucas, pode perceber o quão surpresa a mãe do garoto ficava enquanto parava em frente onde Lucas estava. Beth ficou parada ali por alguns segundos, fechando seus olhos começando a chorar novamente deixando que sua rosa caísse de sua mão e assim como todas as outras, caísse sobre a tampa de madeira que continuava descendo. Sua respiração naquele momento parou e a garota olhou para Santana e a mesma puxou sua cadeira para trás, voltando para o lugar onde estavam.

Beth continuava chorando sem parar e Charlotte passou seus braços em volta do ombro de sua namorada, depositando um beijo contra a bochecha da mesma, enquanto as duas choravam. Beth chorava por Lucas e Charlie por sua amiga que sofria pela perda de seu irmão.

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Após a cerimônia, os garotos do coral e de seu time de corrida se aproximaram de Beth desejando que ela se recuperasse logo para voltar ao colégio. Todos foram muito simpáticos e demonstraram realmente se preocupar com a garota, deixando não só Beth, mas também suas mães aliviadas por saber que sua filha seria bem recebida quando voltasse.

Thomas e Louise também estavam lá e ao se aproximarem de Beth, a garota voltou a chorar no braço de seus dois melhores amigos.

– É tão bom te ver acordada, Beth. – Louise passava a mão no rosto, limpando suas lágrimas.

– É bom ver vocês também. – A garota respondia sorrindo suavemente. Apesar de estar sem paciente para algumas pessoas, Beth se sentia bem ao lado de Louise e Thomas.

– Nós íamos direto para o hospital depois que saíssemos daqui. – Thomas comentava.

– Bom, vocês podem ir ainda se quiserem... Vou ficar lá por mais um tempo. – Beth respirava fundo.

– Mijá, você provavelmente vai sair do hospital essa semana. – Santana participava da conversa, olhando para Thomas e Louise. – E vocês podem ir vê-la quando quiserem.

– Obrigada, Santana. – Louise respondia.

– Beth? – A voz da mãe de Lucas fazia todos saírem de seu transe. Beth tinha pedido que esperassem todos saírem, porque ela precisava de um momento a sós com Lucas, e suas mães concordaram na intenção de também falarem com os pais do garoto. – Oh Beth... – Senhora McHale se aproximava com seu marido e Liah logo ao seu lado.

– Me desculpe, senhora McHale. – Beth voltava a chorar e logo a mãe de Lucas lhe abraçava com força. – Me desculpe. E-eu não queria que isso tivesse acontecido. Me desculpe.

– Shh, querida. – A mãe de Lucas falava suavemente. – Nada disso é culpa sua. Nada disso, Beth.

– Eu sinto muito. – Beth fazia um bico adorável enquanto chorava, deitando sua cabeça contra o ombro da mãe do garoto.

– Senhora McHale? – Quinn falava suavemente, com os olhos cheios de lágrimas.

– Oh, senhora Lopez, por favor, me chame de Carmen. – A mãe do garoto saia do abraço de Beth, olhando para Quinn e Santana, enquanto os amigos de Beth se colocavam atrás de sua cadeira, junto de Charlie.

– Certo. Carmen. – Quinn repetia. – Nós queríamos dizer que sentimos muito pela sua perda. – Quinn falava carinhosa.

– Lucas foi até o hospital. – Santana falava suavemente enquanto segurava na mão de Olivia. – Ele estava nervoso e nós tentamos fazê-lo ficar e esperar por vocês, mas ele saiu correndo e antes que pudéssemos ir atrás dele, Lucas desapareceu para fora do hospital. – A latina respirava fundo, tentando segurar seu choro. – Desculpa, Carmen. Ele foi até lá nos pedir perdão e... Nós dissemos que com o tempo isso aconteceria, mas que ele precisaria ser paciente, e de repente... – Santana respirava fundo e Quinn entrelaçava seus dedos ao de sua esposa. – Ele simplesmente sumiu. Eu sinto muito.

– Obrigado. – O pai de Lucas respondia. – Obrigado por ter sido sincera com ele, Santana. Sei que o que ele fez machucou muito sua família e peço desculpas por isso, mas agradeço por terem sido sinceras e tentado ajudá-lo.

– Nós sentimos muito. – Quinn repetia e enquanto se abraçavam, Liah se aproximou de Charlie e Beth, olhando para a loira.

– Obrigada por ter vindo. – Liah falava suavemente com Beth. – Meu irmão realmente gostava de você.

– Seu irmão? – Beth perguntava confusa franzindo o cenho.

– Lucas era meu irmão. – Liah respondia olhando para Charlotte, Louise e Thomas – É uma história complicada, mas ele era meu irmão e meu melhor amigo. Ele realmente gostava de você, Beth, e apesar de tudo, Lucas estava disposto a ser seu amigo. – Liah passava a mão no rosto, limpando mais uma lágrima que escorria e Beth apenas assentiu. – Eu sinto muito... Quero dizer, Charlie me contou o que aconteceu e se você precisar de alguma coisa... – Liah falava novamente deixando Beth confusa. Charlie o que? A garota pensava olhando para sua namorada que mordia o canto de sua bochecha.

– Charlie? – Beth perguntava.

– Mhm... – Liah respondia virando-se para Charlie. – Obrigada por ter me ajudado. – A garota falava suavemente, fazendo Beth olhar confusa para as duas, arqueando sua sobrancelha como sua mãe Santana. – Minha mãe vai te agradecer pelo resto da vida por ter me feito companhia. – Liah sorria suavemente e Charlie ficava em silêncio por alguns segundos sem olhar para sua namorada, enquanto Louise e Thomas olhavam para Beth.

– I-imagina. É para isso que serve as amigas. – Charlie respirava fundo. – E... Mm... Se você precisar de alguma coisa...

– Eu sei. – Liah a interrompia e para piorar a situação, a garota se aproximou lhe dando um abraço surpresa com força. – Obrigada, Charlie.

– Imagina. – Charlie respondia e podia sentir o olhar de Beth queimando em sua direção.

– Obrigada, Quinn, Santana. – Carmen falava suavemente. – Obrigada por tudo e por se disponibilizarem dessa forma por nós.

– Imagina, Carmen. – Quinn respondia.

– Nós precisamos ir. – O pai de Lucas comentava, pousando sua mão sobre o ombro de Carmen e de Liah. – Obrigado novamente. Foi muito bom tê-las aqui.

– Até mais. – Santana respondia e todos se despediam, deixando apenas as sozinhas.

– Beth... – Charlotte falava, mas Beth apenas a olhou.

– Não.

– Beth, me escuta... – Charlotte falava novamente e Quinn e Santana olhava sem entender para as duas a sua frente.

– Não, Charlotte. Eu... Argh! Eu não quero ouvir. Você mentiu pra mim, Charlotte. Você disse que era sua mãe quem estava te ligando e era a Liah. Você me deixou sozinha por causa da Liah. – Beth falava irritada e parecia descontar sua frustração em sua namorada.

– Eu sou a única amiga que ela tem no colégio, Elizabeth. – Apesar de estar com medo e odiar brigar com Beth, Charlotte não podia deixar que sua namorada falasse como se ela tivesse feito algo errado. – Ela precisava de uma amiga e eu fui até lá. Céus, o irmão dela acabou de morrer.

– E sua namorada acabou de descobrir que está inválida. – Beth praticamente gritava, fazendo todos a sua volta paralisarem junto com Charlie. — Eu precisei de você a tarde toda, Charlotte. Parece que tudo vai explodir a qualquer momento e eu não aguento mais. Eu precisei de você, porque apesar de ter minhas mães comigo, é com você que me sinto segura, Charlotte, mas claro, você foi socorrer sua amiguinha e ainda mentiu pra mim e não me mando sequer uma mensagem dizendo onde estava ou se iria voltar. – Beth alterava sua voz sentindo como se seu coração fosse explodir a qualquer momento. Ela estava tão confusa e com tanto medo de seu namoro acabar por sua situação que aquilo lhe assustava. Charlie a trocou por Liah e aquilo a deixava apavorada.

– Beth... – Charlie falava suavemente, sem saber o que fazer.

– Eu preciso ficar sozinha. – Beth olhava para suas mães. – E-eu quero ficar sozinha com Lucas.

– Claro mijá. – Santana soltou da mão de Quinn e Olivia, começando a levar Beth para frente de onde Lucas estava.

– Eu estraguei tudo. – Charlie sussurrava ao lado de Quinn.

– Não estragou, meu amor. Beth só está com raiva por tudo que está acontecendo e ficou chateada por você ter mentido. – Quinn falava suavemente.

– Ela vai entender quando descobrir o porquê você ter escondido isso dela. – Louise falava suavemente.

– Eu fui idiota. Não devia ter mentido pra ela.

– Vou conversar com ela mais tarde, está bem? Até porque, se você contasse o motivo por estar indo ver Liah, teria que contar sobre Lucas, e pedimos para você manter segredo. – Quinn se aproximava de Charlie, depositando um beijo na testa da mesma. – Ela vai ficar bem.

– Obrigada, tia Q.

Enquanto Santana levava Beth até Lucas, a garota brincava com o anel em seu dedo, nervosa e ansiosa. Beth se sentia estúpida pelo o que estava fazendo, mas sabia que precisava colocar um ponto final em tudo isso ou então ela carregaria esse sentimento para sempre. O sentimento de culpa e de que Lucas não estaria em paz enquanto ela não dissesse o que precisava.

– Você quer que eu fique aqui? – Santana perguntava, parando a cadeira em frente ao nome de Lucas, subindo as travas das rodas.

– Não. – Beth respondia suavemente. – E-eu quero ficar sozinha, por favor. – A garota recebia um beijo na cabeça de sua mãe e esperou alguns segundos até que estivesse sozinha.

Beth olhou para o grande mármore a sua frente onde o nome de Lucas estava escrito com letras grandes e logo abaixo uma frase “Amado Filho e um maravilhoso irmão.” A garota fechava seus olhos por alguns segundos, com seu coração acelerado, sentindo as lágrimas escorrerem sem parar por suas bochechas. Beth respirou fundo, antes de começar a falar suavemente.

– É estranho estar aqui falando sozinha... – Beth sussurrava, abrindo os olhos e olhando para o nome de Lucas. – Mas minha mãe Santana disse que você me ouviria e bom, se ela disse eu acredito. – A garota sorriu, ficando em silêncio novamente. – Você é um idiota, sabia? – Beth voltava a falar. – Como pôde ser tão idiota, Lucas? Você saiu ileso do nosso acidente. Teve sorte em sair sem nenhum ferimento e fez uma burrada em sair dirigindo bêbado ou drogado... – A garota falava irritada sem parar de chorar. – Como você pôde Lucas? – Beth soltava seu primeiro soluço, passando a mão sobre suas bochechas. – Minhas mães disseram que você foi até o hospital pedindo perdão pelo o que tinha acontecido e você devia ter esperado. Devia ter esperando eu acordar para conversarmos e ao invés de se matar, Lucas. – Beth falava com tanta emoção em suas palavras que precisava parar algumas vezes sendo interrompida por seus próprios soluços. – Você provavelmente não sabe, mas quando acordei eu não podia sentir minhas pernas... Descobri que vou precisar da cadeira de rodas por um tempo. Foi isso o que você fez comigo, Lucas. Ao invés de conversarmos, você preferiu ser um idiota e nos fazer sofrer um acidente. – Beth passava suas mãos por suas bochechas furiosa. – E sabe o que é disso tudo? Eu não consigo sentir raiva de você por isso, mas sim por você ter sido tão irresponsável para dirigir bêbado e sofrer outro acidente. É por causa disso... – Beth apontava para o grande mármore a sua frente. – Que eu estou com raiva. Porque você se matou, Lucas. Você se matou. – Beth pausava. — Você foi em busca de perdão da minha família no hospital e quero que você saiba que... Que e-eu te perdoou, Lucas. – Beth soluçava forte dessa vez, sentindo seu peito doendo. – Eu te perdoou e se você tivesse esperado saberia disso, mas espero que você esteja me ouvindo agora, porque eu realmente te perdoou e quero que você possa viver em paz. – Beth agora começava a se acalmar. – E-eu espero que os anjos estejam cuidando de você. Eu gosto muito de você, Lucas. – A garota ficou em silêncio por mais alguns segundos, antes de se virar avistando Santana a poucos centímetros de distância esperando por ela. – Mama? – Beth a chamou e Santana se aproximou.

– Está pronta? – Santana perguntava, passando suas mãos pelas bochechas de sua filha, depositando um beijo em sua testa.

– Mama, você acha que ele me ouviu? – Beth perguntava suavemente.

– Claro, bee. – A latina respondia, sentindo seus olhos encherem de lágrimas. – E eu tenho certeza que ele está em paz agora sabendo que tem o seu perdão.

– Ele tem, mama. – Beth fazia novamente um bico adorável, abraçando Santana. – Ele tem. – Apesar da dor, Beth agora se sentia um tanto aliviada por ter desabafado com Lucas. Ela acreditava que o garoto realmente tinha lhe ouvido e isso era o suficiente para que esse peso saísse de suas costas e ela pudesse deixá-lo descansar em paz.

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Ao voltarem para o hospital, Quinn ajudou Beth trocar de roupa, e recebeu mais algumas visitas de Brittany, Lily, Rachel e Puck. A garota se sentia melhor com sua tia Brittany fazendo piadas o tempo todo, e Puck também a fazia sorrir. Os quatro a fizeram se esquecer por alguns minutos tudo que estava acontecendo em sua vida.

Rachel lhe contou o quanto Valerie estava ansiosa para vê-la e Beth sugeriu que sua tia trouxesse a pequena quando ela apenas estivesse em casa alegando que hospital não era lugar para crianças. Desde quando seu abuelo morreu, Beth passou a odiar hospitais e não via a hora de finalmente ir para casa.

– Ugh! Eu não vejo a hora de ir para casa. – Beth respirava fundo, falando com seu tio Puck.

– Relaxa, monkey face, ouvi dizer que amanhã você vai embora. – Puck respondia, fazendo os olhos de Beth brilharem.

– Sério? – A garota perguntava, fazendo todos rirem.

– Talvez... – Quinn respondia. – Foi o que a enfermeira me disse quando voltamos para o hospital. Amanhã cedo doutora Gutierrez vem lhe ver e aí ficaremos sabendo se você vai mesmo ou não.

– Quero ir para casa. Quero minha cama, meu quarto, minhas coisas, a comida da mami...

– Hey! – Quinn a interrompia. – E a minha comida? – A artista brincava, fazendo Beth sorrir.

– A sua também, mãe. – A garota bufava, se sentindo impaciente naquele lugar.

– Se acalme, B-LO, logo você vai embora. – Brittany falava animada.

– San, que horas sua mãe chega? – Lily perguntava, fazendo Santana olhar para o relógio.

– Eles vão chegar daqui duas horas. – A latina respondia.

– Se precisar de ajuda para buscá-lo, sabe que temos o motorista da rádio e posso mandá-lo. – Lily comentava, fazendo Santana olhar pensativa para a mesma.

– LilyBird, você é um gênio. Vai ser ótimo se você mandar Martin ir buscá-los. Argh! Devia ter pensado nisso antes. – Santana sorria.

– Claro, San, eu vou só avisá-los. – Lily se levantou, pegando seu celular e saindo do quarto.

Os minutos se passaram e logo todos precisavam ir embora. Quinn sugeriu que Santana fosse para casa e pudesse descansar, mas a latina achou melhor esperar por sua mãe para que pudessem ir todos para casa.

Olivia que dormiu no horário inteiro da visita, agora acordava coçando seus olhinhos e se lembrando de que estava no hospital junto de suas mães e sua irmã.

– Hey munchkin. – Santana que estava sentada ao lado da filha, passava suas mãos pelos cabelos da mesma.

– Mami, eu estou com fome. – A pequena se sentava, olhando para sua mãe.

– E o que você quer comer?

– Vocês deveriam levá-la para casa. – Beth falava interrompendo sua irmã. – Olivia já está aqui há horas e hospital não é lugar para criança.

– Mas eu quero ficar com você, bee. – Olivia falava confusa, sem entender do porque sua irmã de repente queria que ela fosse embora.

– Mas você precisa ir para casa, Olivia. Já está tarde. – Beth respondia e o tom de sua voz era frio.

– Bom, isso não cabe a você decidir. – Santana se levantava, percebendo o modo como sua filha mais velha falava com sua caçula, e não estava gostando da grosseria repentina de Beth.

– Mmm... Acho que cabe a mim decidir quem eu quero receber nas minhas visitas ou não. – Beth rebatia rapidamente. Santana apenas arqueava sua sobrancelha, encontrando os olhos da garota e no mesmo instante, Beth se arrependeu do modo como tinha falado.

– Se é assim, por favor, me avise quem a senhorita gostaria de receber para eu não deixar qualquer um entrar. – Santana falava ironicamente e Beth sentia seu estomago revirar ao ver o olhar machucado de sua mãe. Beth sabia o quanto Santana e Quinn odiavam quando ela brigava com Olivia.

– Elizabeth! – Quinn se intrometia não aceitando o modo como Beth estava agindo. – Eu entendo que não está fácil, mas você precisa parar de tratar mal as pessoas. Isso não te da o direito.

– Ah... – Beth soltava uma risada suave. – Eu estou maltratando as pessoas? Eu só quero que vocês levem Olivia para casa.

– Você não quer a minha companhia? – Olivia perguntava com a voz suave, fazendo suas mães olharem para ela e em seguida para Beth, esperando a resposta que a garota daria.

– Só quero que você vá para casa descansar. Não precisa ficar aqui comigo o tempo todo, Olivia. – Beth respondia e Quinn podia ver nos olhos de sua caçula o quão confusa ela estava.

– Tá bom. – A pequena respondia, segurando na mão de Santana. – Mama, vamos para casa? Beth não quer mais a minha companhia. – A pequena falava suavemente e Santana semicerrava os olhos olhando para Beth.

– Olivia... Não é isso. – A garota tentava se explicar, mas a pequena puxava sua mãe para fora do quarto sem olhar para sua irmã, deixando apenas Quinn e Beth sozinhas.

– Não acredito no que você acabou de fazer. – Quinn falava brava, se colocando de frente para Beth. – Ela é uma criança, Elizabeth. Ela é sua irmã e ficou preocupada com você a madrugada inteira enquanto ficou com sua tia Frannie. – Quinn falava frustrada e Beth apenas a olhava em silêncio, sentindo seu peito apertando de remorso. – Foi ideia da Olivia de trazermos a Lulu, porque ela achou que sua ovelha cuidaria de você.

– Mãe... – Beth sussurrava, mas Quinn continuou.

– Ela te ama, Beth. Olivia é louca por você, e é assim que você a trata? Aliás, você não tem o direito de tratar ninguém dessa forma. – Quinn alterava sua voz e Beth abaixava sua cabeça, brincando com seu anel. – Entendo perfeitamente o quanto não deve estar fácil para você essa... –

– Não. – Beth interrompia sua mãe, e ao levantar a cabeça, Quinn podia ver os olhos de sua filha cheios de lágrimas. – Não! Não diz que você entende, porque ninguém entende. – Beth alterava sua voz e Quinn apenas a olhava. – Ninguém entende o quanto é frustrante saber que agora vou ter que viver em uma cadeira de rodas. Depende dos outros. Deixar de correr ou dançar, porque minhas pernas não se movimentam mais. Então, não, mãe. Não diz que você entende, porque ninguém entende o que eu estou passando nessa droga de cama de hospital. – Beth soltava seu primeiro soluço e antes de Quinn abrir sua boca, a garota continuou. – Me desculpe, está bem? Me desculpe por ter tratado Olivia daquela forma, mas é exatamente por isso que eu não quero que ela me veja mais. Você tem razão, mãe. Ela me vê como a melhor irmã do mundo. Ela me vê sendo a irmã mais divertida e já me disse tantas vezes que quer ser igual a mim quando crescer. – Beth sorria e Quinn ainda ficava em silêncio. – Ela tem orgulho de mim, sabia? E é exatamente por isso que eu não quero que ela me veja assim... Fraca. Sendo tão fraca. Não podendo sequer poder vestir uma calça sozinha. – Beth fechava seus olhos, colocando suas mãos em seu rosto. – Eu não aguento mais. – A garota começava a soluçar e antes que dissesse mais alguma coisa, os braços de Quinn passavam em volta dela, lhe abraçando com força.

Xxxx

Santana estava sentada em volta de uma das mesas na cafeteria do hospital, enquanto Olivia comia seu bolinho em silêncio. A latina podia ver nos olhos de sua caçula que a mesma estava magoada com o que tinha acontecido e por mais que entendesse o quanto Beth estava sofrendo, não admitia que a mesma tratasse alguém daquela forma.

– O que quer fazer depois, mijá? – Santana perguntava na tentativa de animar sua caçula.

– Quero ir para casa. – Olivia respondia sem tirar o olhar de seu bolinho.

– Você tem certeza? A abuela e tio Adam vão chegar daqui a pouco.

– Mhm, tenho certeza. – Olivia dava a última mordida em seu bolinho, apoiando suas mãos na mesa, brincando com o guardanapo.

– Mijá, olha pra mim. – Santana se aproximava, sentindo seu peito apertando por ver sua pequena tão triste. — Tenho certeza que Beth não disse aquilo por querer. — Olivia fazia um bico suave, entrelaçando seus dedinhos. – Ela só está triste por tudo que está acontecendo e não quis dizer aquelas coisas. Foi de boca pra fora. – A latina passava sua mão no cabelo da pequena, colocando uma mecha para trás da orelha da mesma.

– E-eu quero ir embora. – Olivia falava novamente e Santana respirou fundo, assentindo.

– Está bem. Vamos nos despedir da mamãe Q. – Santana se levantou, jogando o copo de suco de Olivia no lixo, segurando na mão da pequena e enquanto se aproximavam do elevador, Santana podia sentir o quão nervosa sua caçula estava.

Olivia apertava com força a mão de sua mãe, com medo de que Beth fosse expulsá-la do quarto novamente. A pequena não entendia do porque sua irmã tinha feito aquilo e estava com medo de que a mesma fosse ficar brava ao vê-la de novo.

Assim que se aproximaram, Olivia parou de andar encarando a porta do quarto de Beth e em seguida olhou para duas cadeiras encostadas na parede à frente da porta. A pequena soltou a mão de sua mãe e se sentou em uma das cadeiras, cruzando seus pés e apoiando seus braços no braço da cadeira.

– Eu vou esperar aqui. – Olivia falava suavemente e Santana ficou em silêncio por alguns segundos apenas examinando sua filha.

– Tudo bem, mijá. A mamãe já volta. Não sai daqui, está bem? – Santana falava firme e Olivia assentiu.

A latina observou sua pequena por mais alguns segundos antes de entrar no quarto, encontrando Beth e Quinn abraçadas sentadas na cama. Ambas olharam em sua direção e procuravam por Olivia.

– Amor, cadê a Olivia? – Quinn perguntava confusa e Santana ia direto para o sofá pegando sua bolsa.

– Ela preferiu esperar lá fora. – A latina falava calmamente, podendo ver Beth pelo canto de seus olhos.

– Na cafeteria? – Quinn perguntava assustada.

– Claro que não, amor, ela está sentada do lado de fora. – Santana respondia suavemente, fazendo Quinn relaxar. — Ela quer ir embora e vou levá-la. Quando minha mãe chegar me liga. Se Olivia estiver melhor nos voltaremos. – A latina se aproximou de sua esposa depositando um selinho em seus lábios.

Enquanto suas mães conversavam, Beth olhava sem parar em direção a porta preocupada com sua irmã. A garota podia sentir o tom de decepção na voz de Santana e se sentia péssima por ter tratado mal sua irmã. Seus olhos encherem de lágrimas novamente e ao sentir os lábios de Santana contra sua testa, a garota saiu de seu transe, segurando na mão da latina.

– Espera. – Beth sussurrava. – E-eu quero falar com ela. – A garota olhava para sua mãe, podendo notar o olhar indeciso da mesma. – Por favor, mama. E-eu preciso falar com ela.

– Ela está muito chateada e triste com o que aconteceu, bee.

– Prometo que só quero me desculpar. Por favor. – Santana olhou cuidadosamente nos olhos de sua filha e assim como os de Quinn, a latina conseguia ler sua adolescente o suficiente para reconhecer que a mesma estava sendo sincera.

– Vou conversar com ela primeiro. – Santana soltava da mão de Beth, depositando um beijo na testa da mesma antes de sair do quarto e encontrar Olivia balançando suas perninhas esperando por sua mãe.

– Podemos ir? – A pequena pulou da cadeira assim que viu Santana.

– Mijá, antes de irmos... – Santana falava carinhosa, se abaixando para ficar na altura dos olhos de Olivia. – Sua irmã quer falar com você. – Olivia ficou paralisada, olhando para sua mãe. Ela não sabia o que Beth queria, mas estava com medo de descobrir.

– E-ela vai brigar comigo de novo? – Olivia perguntava confusa.

– Não. Claro que não, peanut. – Santana franzia o nariz, deslizando suas mãos sobre os braços da pequena. – Ela só quer conversar. Prometo que se ela brigar com você, a mamãe briga com ela. – A latina fazia cara de brava e Olivia sorriu suavemente assentindo.

– Tudo bem, mama. – Olivia respirou fundo, segurando na mão de Santana e agora as duas entravam no quarto de Beth. Assim que a pequena viu sua irmã, a mesma se escondeu atrás de Santana, fazendo Quinn sorriu suavemente.

– Vem, pookie. – Quinn estendia sua mão, mas Olivia continuou atrás de Santana.

– Liv. – Beth falava suavemente, olhando para sua irmã. – Você pode sentar aqui se quiser. – A garota apontava para o espaço vazio na cama ao seu lado. – Eu e a Lulu queremos muito falar com você.

– A Lulu não fala. – Olivia respondia com seu rosto escondido em Santana.

– Bom, comigo ela fala e nós duas temos algo muito importante para te falar. – Beth segurava sua ovelha em cima de sua barriga.

– Tudo bem, mijá. É a Beth, ela não vai te machucar. – Santana passava a mão no cabelo de Olivia e a pequena ficou parada por alguns segundos, antes de se aproximar da cama de sua irmã e subir os pequenos degraus se sentando ao lado de Beth, ficando de frente para a mesma.

– Mami, mãe, vocês podem, por favor, nos deixar a sós? – Beth falava com suas mães e as mesmas a olharam preocupadas.

– Claro. Se precisar estaremos lá fora. – Quinn entrelaçava seus dedos aos de Santana e ambas saíam juntas do quarto, deixando suas filhas a sós.

– Hey... – Beth começava a falar, assim que a porta do quarto de fechou. – Olivia... – A pequena olhava ansiosa para suas mãos, ouvindo sua irmã falar. – Me desculpe por ter falado aquelas coisas. Eu não queria que tudo isso soasse errado, sabe? – A garota falava carinhosa enquanto a pequena ouvia em silêncio. – Me desculpe, Liv. Eu fui uma idiota. Estou tão frustrada e machucada emocionalmente com tudo que anda acontecendo que sequer pensei que poderia te machucar também. – A loira sentia o choro novamente engasgado em sua garganta. – Não é desculpa pelo o que eu fiz, e não devia ter descontado em você, então me desculpa. – Beth sentia sua primeira lágrima escorrer por sua bochecha e Olivia levantou sua cabeça, encontrando o olhar de sua irmã. – A verdade é que eu não queria que você me visse assim. – Olivia agora estava confusa e franzia seu cenho esperando que sua irmã continuasse. – Não quero que me veja fraca e inválida dessa forma, Liv. Você sempre me viu como uma pessoa forte e parece que estou te decepcionando por estar dessa forma. Por estar nessa situação. De repente precisando de ajuda até para vestir uma calça. – Beth soluçava baixo e Olivia se aproximava, passando seus dedinhos pelas bochechas da irmã. – Você é ótima, Liv. Uma irmã carinhosa, preocupada, e eu não devia ter feito aquilo. Me perdoa por estar tão fraca e por não poder ser a irmã forte que você sempre teve. – Beth encontrava os olhos escuros de sua irmã e para sua surpresa, recebeu um beijo molhado em sua bochecha que a fez sorrir.

– Eu nunca vou te achar fraca, sua bobinha. – Olivia sorria, ficando a poucos centímetros de distancia de Beth. – Você é a minha irmã e eu nunca te acharia fraca. Você é a melhor irmã do mundo, bee, e é a pessoa mais corajosa que eu conheço. – Liv se ajeitava na cama, deitando-se ao lado de Beth no travesseiro, ficando com seu rosto na altura ao de sua irmã. – Você, mamãe Tana e a mamãe Q vão sempre ser as pessoas mais fortes que eu conheço. Quero ser igual a vocês quando eu crescer. – A pequena comentava, fazendo sua irmã rir suavemente. – Mamãe me explicou o que aconteceu e disse que vamos precisar tem muita paciência, mas eu sei que você vai voltar a andar, Beth. Eu prometo que vou te ajudar, porque sou sua irmã e você é minha melhor amiga. – Liv segurava na mão de Beth. – Eu tenho a Bella como minha melhor amiga, mas você vai ser sempre minha melhor, melhor amiga e a melhor irmã do mundo. Eu te amo e você não está sendo fraca. Está sendo muito forte. – Olivia virou seu rostinho, depositando um beijo demorado na bochecha de sua irmã que estava chorando sem parar com as palavras inocentes e sinceras da caçula.

– Posso saber quando foi que a senhorita se tornou tão esperta? – Beth brincava, fazendo Olivia rir.

– Eu sempre fui esperta, bobinha. – Olivia falava orgulhosa, fazendo Beth revirar os olhos do quão parecida Olivia era com Santana.

– Eu te amo, Liv. Obrigada por entender e me desculpa. Prometo que vou tomar cuidado com o que falo e se eu estiver muito chata, você precisa me falar, está bem? – Beth brincava com os dedinhos de sua irmã.

– Você é chata todos os dias... – Olivia brincava começando a rir.

– Hey! Eu sou uma ótima irmã. – Beth levava uma de suas mãos para a lateral da barriga da pequena fazendo cócegas na mesma.

– Ah! Beth... – Olivia ria, se mexendo sem parar na cama. – Você é uma ótima irmã. – A pequena gritava e Beth começava a rir parando as cócegas.

– Isso mesmo. Você está bem treinada.

– Boba... – Olivia se aproximava, deitando sua cabeça no ombro de Beth. – Quando você voltar a andar promete que vamos brincar de correr e tomar sorvete no Central Park? – A pequena perguntava carinhosa e Beth sorriu suavemente com o modo confiante que sua irmã falava.

– Claro, shorty. Assim que eu voltar andar, vou te levar para corrermos juntas no parque. – Beth respondeu carinhosa, depositando um beijo contra a cabeça de sua irmã.

Beth sabia que não podia deixar que toda sua frustração prejudicasse as pessoas que ela tanto amava, mas muitas vezes parecia inevitável. Machuca sua irmã foi uma das piores coisas que ela já fez desde quando acordou e Beth se sentia péssima por isso e se sentia ainda mais assustada por saber que situações como essas poderiam acontecer daqui para frente com mais frequência. Não só com sua irmã, mas também com suas mães e provavelmente Charlotte. Se Beth estava com medo de perder sua namorada, agora ela estava com medo de que todos fossem desistir dela.

Notas finais
E então, gostaram? Bom, no próximo capítulo mais coisas vão ser faladas como a fisioterapia da Beth e a coisa vai ficar mais tensa. Ah gente, eu amo drama :(( hahaha. Esse capítulo saiu um pouco da minha linha de pensamento, mas fiquei feliz com o resultado e no próximo capítulo as coisas vão começar a ter mais ação com Beth saindo do hospital. Bom, é isso. Review? xxxxx