Notas iniciais
Oiiii pessoas lindas, primeiro quero me desculpar pela demora pra atualizar. Fiquei ocupadíssima em três sábados seguidos e muito cansada com os cursos que tive o dia inteiro, e acabei não tendo tempo nenhum pra escrever ou disposição, mas minhas férias estão chegando e ficarei mais livre para atualizar. Espero que gostem do capítulo, porque esse é um POV da Charlie. xxxx

Algumas horas antes.

Deitada em sua cama, Charlie trocava mensagens com Beth e Louise, enquanto descansava de uma manhã correndo pelo central park. O dia estava ensolarado e apesar do cansaço, tinha planos de passar algumas horas na piscina, já que não veria Beth tão cedo. Até porque, sua namorada estava passando a tarde no shopping com Quinn e Olivia.

– Filha? – A voz de Alex soava dentro do quarto da garota a fazendo olhar em direção a sua porta. – Estou indo buscar o almoço, sua mãe preguiçosa decidiu que hoje não vai fazer nada. – Alex revirava os olhos, fazendo sua filha rir.

– Ela sempre faz isso nos dias de folga. — Charlie deitava o celular em sua barriga, até porque, ela sabia o quanto seu pai odiava seu vicio com o celular.

– Nem me fale. E então, o que vai querer?

– Tacos? – Os olhos de Charlie brilhavam, fazendo seu pai rir.

– Não entendo sua obsessão por tacos, mas tudo bem. Sua mãe quer comida árabe. – Alex revirava os olhos novamente. – Bom, estou indo. Qualquer coisa é só ligar para o meu celular.

– Está bem, pai. E ah, traz sorvete? Por favor? – A garota fazia um bico suave.

– Okay... – Alex assentia e Charlie novamente ficava sozinha pegando seu celular, ficando surpresa ao ver uma mensagem de Liah.

Liah: Hey, será que posso ir até aí? Preciso conversar com você.

A morena franzia o cenho, preocupada sem saber exatamente o que estava acontecendo. Desde a morte de Lucas, Charlie sabia o quanto Liah estava vulnerável, e apesar do ciúmes de Beth, a morena não conseguia virar as costas para Liah. Era difícil vê-la sofrer com saudades do irmão e, mais difícil ainda, era vê-la perdida.

Charlie: Claro. Está tudo bem?

Liah: Mhm... Chego aí em alguns minutos, beijos.

Sem responder, Charlie apenas deu de ombros, se levantando e indo até a cozinha, encontrando sua mãe sentada no sofá, ao passar pela sala.

– Madre... – A garota brincava, se jogando ao lado de Anna.

– Mmm...

– O verão começou, mãe, o que vamos fazer? A vovó vem nos visitar? Vamos viajar? Que tal a Disney? – Charlie falava sem parar, fazendo Anna olhá-la.

– Okay, primeiro, não... Não vamos para disney, e segundo, não sei se sua avó vem. Ela não disse nada, talvez vamos para Wyoming visitar seus tios.

– Ah, adoro Wyoming! – Charlie se empolgava. – Adoro andar de cavalo por lá, é tudo tão tranquilo. Fugir um pouco dessa loucura de Nova York.

– Nem me fale. Não vejo a hora de sair um pouco desse lugar. – Anna tirava seus óculos, apoiando o livro em seu colo, dando atenção a sua filha. — E a senhorita? O que faz em casa? Achei que estaria com Beth.

– Ah não, Beth está com a tia Quinn fazendo compras.

– Isso explica o porque você está com essa cara de cão abandonado. – Anna brincava, fazendo Charlie rir.

– Não estou com cara nenhuma, mãe. Só estou entediada.

– Podia ter ido com seu pai comprar o almoço.

– Podia... Mas fiquei com preguiça. – A garota deitava a cabeça no encosto do sofá, esticando as pernas na mesa de centro.

– E o que vai fazer agora?

– Mmm... Liah está vindo aqui. – Charlie desviava o olhar de sua mãe, sabendo que a mesma, assim como Beth, desconfiava do que Liah sentia por sua filha.

– Posso dar minha opinião? – Anna falava suavemente, e Charlie assentia. – Como já disse antes, tome cuidado, está bem? Não deixe Liah confundir sua amizade com algo a mais, porque sei o quanto você sofreria se seu namoro fosse abalado por culpa dela.

– Eu sei... Faço o que posso, mãe, mas não consigo virar as costas para a Liah. É difícil, mas ela perdeu o irmão e... Não sei, parece que ela vive vulnerável, e Liah é sozinha e... Ugh! – Charlie fechava seus olhos, passando a mão sobre seu rosto. – Ao mesmo tempo em que quero me afastar, para não magoar a Beth, me sinto péssima por deixar Liah sozinha.

– Não estou dizendo para você deixar de falar com ela, Charlie... Só estou dizendo para você não deixar que ela confuda sua amizade com algo que não existe.

– Você acha que ela gosta de mim? – Charlie sabia que isso podia ser verdade. Até porque, Beth não ficaria com ciúmes se não tivesse algo errado. Liah sempre a tratou com muito carinho e apesar de muitas vezes não querer acreditar, tinha medo de que isso realmente estivesse acontecendo.

– Talvez, filha... – Anna encolhia os ombros, olhando preocupada para sua filha.

– Bom, de qualquer forma ela está vindo, porque disse que precisa conversar comigo. Talvez eu precise conversar com ela também.

– Isso, talvez seja melhor. – Anna sorria, pousando a mão sobre a da filha e antes que uma delas pudesse dizer algo, a campainha tocou fazendo Charlie se levantar para atender.

– Hey... – Charlie sorria, ao abrir a porta encontrando Liah.

– Hey... Tudo bem? – Liah se aproximava abraçando Charlie, que correspondia.

– Tudo sim, e você? Tem certeza que está tudo bem? – A morena fechava a porta atrás de si, assim que Liah entrou.

– Mhm, está sim...

– O-kay... Vamos conversar no meu quarto então. – Charlie falava confusa, sem saber exatamente o que estava acontecendo.

– Claro. Ótimo, e-eu preciso mesmo falar com você. – Liah desviava o olhar de Charlie e a morena apenas assentiu, indo em direção ao seu quarto, enquanto Liah cumprimentava Anna, antes de seguir a morena.

Assim que entraram juntas no quarto de Charlie, ambas foram direto sentar na cama, antes de fechar a porta para que tivessem um pouco mais de privacidade.

Charlotte sabia que precisava esclarecer muitas coisas com Liah, e deixar claro sobre suas intenções. Ela não queria que sua amizade fosse afetada, até porque, Charlie sabia o quanto Liah era sozinha. Era difícil admitir, mas Charlie sentia pena em vê-la assim. Liah sempre demonstrou ser vulnerável e mesmo não quero magoar Beth, a morena não conseguia colocar fim na amizade com Liah. Sempre tinha alguma desculpa para não se afastar da garota.

– Como foi seu dia? – Charlie tentava quebrar o silêncio, enquanto esticava suas pernas na cama.

– Confuso? – Liah franzia o cenho, encostando na cabeceira da cama. – Confesso que adoro as férias de verão, mas é a primeira vez que passo sem meu irmão... – Liah dava de ombros. – As vezes me esqueço de que não vamos mais passar o verão juntos e viajando para casa da minha avó. – Charlie sorria suavemente, acostumada com os desabafos da amiga.

– Mas pensa que ele está em um lugar muito melhor... Aproveitando ainda mais. – Charlie gesticulava. – Você tem muito o que aproveitar por aqui.

– É verdade. Estava pensando em passar alguns dias na casa da minha avó. As férias mal começaram e já me sinto deprimida. – Liah bufava.

– Não fica assim, Li. – Charlie pousava uma de suas mãos sobre a de Liah. – Talvez podemos fazer alguma coisa se quiser. Meus pais não programaram nada ainda e provavelmente passarei essa semana inteira sem nada para fazer. – Revirando os olhos, Charlie se perguntava se Beth também estava sem planos para essa semana.

– Eu ia adorar. – Liah sorria, virando-se para Charlie. – Aliás... Mmm... Tem uma coisa que... – Liah pausava, olhando para suas mãos. – É... E-eu queria conversar com você sobre uma coisa importante.

– E o que é? – Charlie arqueava suas sobrancelhas, curiosa.

Charlie observava enquanto Liah respirava fundo como se estivesse se preparando para falar. A garota parecia estar em um grande conflito consigo mesma antes de finalmente virar-se para Charlie e encontrando os olhos da mesma.

– Primeiramente... – A voz de Liah era suave, e suas palavras pareciam presas em sua garganta. – Me desculpe, está bem? Me desculpe, mas... E-eu não consigo mais manter isso aqui. – Sua mão tocava seu peito, na altura de seu coração. – Não aguento mais manter isso aqui dentro, Charlie, e... Céus, nunca imaginei que isso seria tão difícil, mas... – Liah fechava seus olhos e Charlie a observava sentindo seu coração disparar com medo do que estva por vir. – Me desculpe, Charlie... E-eu tentei evitar, mas é mais forte do que imaginei. – Liah abria seus olhos cheios de lágrimas. – Charlie, você sempre foi e está sendo uma ótima amiga. Ter você ao meu lado quando meu irmão faleceu era a única coisa que me fazia manter os pés no chão. No começo achei que estava confundindo toda essa atenção, até porque, nunca tinha recebido isso de ninguém, mas depois de alguns meses percebi que não era só por carência, e que isso é real. – Liah parecia querer chorar, mas sempre que seu choro ameaçava sair, a mesma engolia, fazendo sua voz sair cansada e falhada. Era nítido ver o quanto tudo aquilo a corroía e não tinha nada que Charlie pudesse fazer, até porque, a mesma estava paralisada. – E-eu... Charlie, eu estou completamente apaixonada por você. – E foi então que Charlie sentia como se fosse desmaiar. – Me desculpe, sei que você está com a Beth e que talvez não haja chance alguma para mim, mas não aguento mais... Isso doí e me corroi por dentro todas as vezes em que estamos juntas. Fiz o que pude para tentar evitar, mas não consegui. – Agora, Liah chorava suavemente, passando as mãos, furiosa por suas bochechas. – Sei que não tenho chance, mas ugh! Doí todas as vezes em que vejo vocês juntas, e é difícil não desejar que fosse eu no lugar dela, Charlie. Gosto da Beth, mas vamos ser sinceras, ela nunca foi com a minha cara e tenho certeza que desconfia de tudo o que sinto por você. É difícil me controlar quando tudo o que quero é poder te tocar como ela, poder te beijar como ela, poder ter você pra mim, como ela tem todos os dias. Sei que nada do que tenho pode ser comparado a Beth, mas eu sou louca por você e sim, eu estou apaixonada por você, Charlotte. – Liah parecia perder o fôlego ao terminar de falar, deixando que seu choro saísse em silêncio. Seus olhos continuavam focados em Charlie, mas ao perceber que a mesma não dizia nada, começava a entrar em desespero. – Diz alguma coisa.

– E-eu... – Charlie gaguejava sem saber exatamente o que dizer. Seu coração estava disparado e seu corpo parecia ter congelado. Talvez ela já imaginasse que isso estava acontecendo, mas nunca quis acreditar. Charlie sempre via Liah como uma amiga na qual precisava de ajuda, mas nunca quis que sua ajuda e sua amizade, fizesse Liah se apaixonada por ela, até porque, Charlie não corresponderia a esse sentimento. O amor da sua vida era Beth e ninguém mais. Mas Charlie tinha um bom coração e não queria magoar Liah, não queria que a garota sofresse mais do que já estava sofrendo. Era nítido ver em seus olhos o quanto aquilo a machucava. O quanto aquele sentimento a fazia sofrer, e mesmo não tendo nada o que fazer, Charlie arrumaria uma forma de confortá-la. – Li... – Charlie sussurrava, sentindo seu coração partir ao ver sua melhor amiga chorando a sua frente. – E-eu não sabia que você estava se sentindo dessa forma. Me desculpe, mas eu amo a Beth e... – Charlie pausava, e Liah soluçava, encolhendo seus joelhos sobre seu peito, abraçando suas pernas. – Li... Não faz assim... Eu. – Charlie pousava sua mão sobre o joelho de Liah, mas a mesma rapidamente pulou se afastando e se colocando de pé em frente a cama. Seus olhos demonstravam o quão machucada estava fazendo os olhos de Charlie encher de lágrimas por não saber o que fazer.

– Não... Não me toca. – Liah sussurrava. – Seu toque me machuca.

– Liah...

– Não. E-eu já entendi, Charlie. Eu sabia que seria uma perda de tempo me abrir para você, até porque, seu coração sempre foi da Beth e eu apenas apareci em uma péssima hora. – Liah falava furiosa. – Meu irmão sempre me incentivou a investir em você, mas hoje vejo que ele só queria que eu a tirasse do caminho dele, para que ele ficasse com a Beth. Ugh! E-eu sou uma idiota. Eu sou uma idiota. – Liah começava a dar tapas em sua testa, fazendo Charlie levantar rapidamente, segurando em seu pulso a fazendo olhá-la.

– Para! Liah, não, você não é idiota. – A morena falava suavemente, franzindo o cenho. – Não é culpa sua. Nada disso é culpa sua, a gente não manda no coração e muito menos por quem nos apaixonamos. Me desculpa se tudo isso te machuca, mas você precisa entender que vai ser sempre a Beth. Desde sempre foi a Beth. Você é uma ótima amiga e vou sempre estar do seu lado, mas como amiga e nada mais. Me desculpa se algum momento te dei esperanças e te fiz acreditar que aconteceria algo, talvez toda a atenção que te dei a deixou confusa e agora isso aconteceu. – Charlie falava carinhosa, e Liah não conseguia um segundo sequer desviar seu olhar dos de Charlie. – Eu gosto muito de você, okay? Assim como Louise, você se tornou uma grande amiga e é importante pra mim, mas com tudo isso acontecendo... Não quero te machucar mais do que já estou e talvez fosse melhor se nos af. – Antes que Charlie pudesse terminar de falar, o coração de Liah disparava como se fosse explodir em seu peito. Ouvir que nunca seria escolhida por Charlie a fazia querer gritar e bater na mesma de raiva, mas ouvir que precisaria se afastar, fazia seu estômago revirar e o medo de ficar longe de Charlie era maior do que imaginava. Agindo sem pensar, Liah se aproximou da morena, a interrompendo, pressionando seus lábios ao da mesma rapidamente e o mantendo ali.

Sem esperar por aquilo, Charlie estava com os olhos arregalados, ao sentir os lábios de Liah sobre os dela. Ela entrou em choque e não conseguia se afastar ou reagir. Aquilo era errado. Céus, ela estava deixando Liah agir por impulso. Ela estava deixando Liah lhe beijar e aquilo era errado. Por Deus, Charlie namorava Beth e beijar outra garota era traição. Suas mãos pareciam ter congelado e seus pés ficavam presos ao chão. Ela nunca tinha passado por situações assim e ao sentir o salgado das lágrimas de Liah, percebia que a mesma chorava ainda com os lábios pressionados aos seus.

– Eu te amo. – Liah sussurrou e ao ver que Charlie não reagia, pousou sua mão sobre a nuca da mesma, inclinando sua cabeça para o lado na tentativa de iniciar um beijo que fosse ser correspondido e ao ver que Charlie continuava paralisada, Liah se afastou se sentindo envergonhada, escondendo seu rosto em suas mãos chorando sem parar, soluçando. – Me desculpa. Me desculpa... – A mesma repetia sem parar, começando a se sentar no chão lentamente, se balançando para frente e para trás.

Após alguns segundos, paralisada, Charlie parecia acordar ao reconhecer o quanto Liah realmente estava sofrendo com tudo aquilo. A garota estava despedaçada e não tinha nada que Charlotte pudesse fazer para ajudá-la. Vê-la tão quebrada daquela forma, fazia seu coração apertar. Ela nunca imaginou que alguém sofreria daquela forma por sua causa e se sentia péssima por isso.

Se ajoelhando na frente de Liah, Charlie tirava as mãos da mesma de seu rosto, passando seu polegar lentamente sobre sua bochecha.

– Não queria te machucar, Liah. Você é minha melhor amiga e me sinto a pior pessoa do mundo por estar te causando tanta dor. – Charlie começava a chorar, abaixando sua cabeça. – Desculpa, Liah... – A morena levantou sua cabeça e novamente, encontrava o olhar machucado da amiga e pela primera vez foi difícil desviar. As duas se olhavam pela primeira vez intensamente, fazendo Charlie enxergar tudo aquilo que Liah sentia. O quão machucada e sofrendo a mesma estava com tudo aquilo. O quanto guardar esse segredo a fez se apagar e se fechar com medo de ser rejeitada e aquilo apertava seu coração por saber que tudo era por sua causa. Já Liah se machucava ainda mais ao perceber que nada aconteceria entre ela e Charlie. Se machucava ao enxergar que Charlie amava Beth e que sempre a escolheria. De que nunca teria a chance que sempre sonhou, e, os poucos segundos em que olhava nos olhos de Charlie, sabia que não conseguiria vê-la todos os dias sem poder tocá-la, abraçá-la ou sequer beijá-la. Talvez Charlie tenha razão, as duas precisariam se afastar. Precisariam de um tempo, mas como se afastar da única pessoa que te faz sorrir todos os dias? Como se afastar talvez do amor da sua vida? Liah não fazia ideia de como aguentaria ficar sem Charlie, mas ela não era burra, sabia que agora sua amizade não seria mais a mesma e Charlie provavelmente se afastaria. Céus, ela mesma afastou a garota que amava. Ugh! Seu coração gritava e sem pensar, agiu pela última vez. Se Liah fosse realmente deixa-la em paz, não iria embora sem ao menos fazer aquilo que sempre sonhou.

Levando sua mão até a nuca de Charlie, pela segunda vez, Liah aproximou faminta seus lábios da morena, sem sequer dar tempo para que Charlie pensasse no que estava acontecendo e para surpresa de ambas, a mesma correspondia ao beijo repentino que recebia, fechando seus olhos, enquanto sentia a mão de Liah segurando sua nuca, lhe mantendo no lugar, com suas línguas massageando uma sobre a outra suavemente, porém, Liah mostrava o quanto desejava aquilo. O quanto esperou por aquilo por muito tempo e que não se afastaria ante de provar os lábios da garota que amava.

Ela estava em choque. Claro que estava, ou então, não corresponderia ao beijo de outra garota. O beijo de uma garota que não fosse Beth. Beth, sua namorada. Charlotte não movia suas mãos, ou sequer respirava, tudo o que fazia era movimentar seus lábios no mesmo ritmo daquele que a beijava. Era macio, tinha gosto de morango e não eram tão gostosos como os de Beth... Oh, Beth. Ao sair de seu choque, Charlie rapidamente percebia o que estava acontecendo e se afastava, se levantando, com uma das mãos em seus lábios, virando as costas para Liah.

– Charlie... – Liah se levantava, sentindo o gosto dos lábios de Charlie, a fazendo querer mais.

– Você pode ir embora, por favor. – Charlie sussurrava, sem olhar para trás.

– Charlie... – Liah repetia, pousando uma de suas mãos sobre o ombro da garota, mas Charlie se afastou ainda sem olhá-la.

– Você... Por favor, me deixa sozinha. – Ainda com a voz suave, Charlie tentava manter o controle, mas a raiva que sentia de si mesma era incontrolável. – Isso não deveria ter acontecido. Você sabe que eu amo a Beth. Ela é minha namorada, Liah, e céus, quando ela descobrir que isso aconteceu vai ficar furiosa e magoada. – Charlie começava a falar, ainda de costas para Liah. – E-eu estou furiosa com você e, depois do que aconteceu, não acho que possamos continuar sendo amigas. Beth sempre teve ciúmes da nossa amizade, mas eu sempre fiz o possível para que ela entendesse que eramos apenas amigas, depois de tudo o que aconteceu aqui, ela sequer vai querer você por perto, aliás, não sei nem se ela vai me querer por perto. – A morena chorava, sentindo seu coração apertar. – Me desculpe, Liah, mas não podemos mais continuar com isso. Não posso mais ser sua amiga e é melhor nos afastarmos antes que alguém mais se machuque.

– Charlie...

– Não Liah, por favor. – Charlie falava irritada. – Isso não pode mais acontecer. Você não deveria ter feito isso, por favor, vai embora. – A voz da garota suavizava, fazendo Liah chorar ainda mais, se aproximando da cama e pegando sua bolsa.

– Me desculpa, e-eu não queria que acontecesse dessa forma. – Liah sussurrava ao se aproximava da porta do quarto, pegando na maçaneta e antes de sair, olhou para Charlie pela última vez, sabendo que não se aproximaria dela mais. Que ao sair por aquela porta, perderia Charlie. – Eu te amo, okay? – Liah repetiu pela última vez antes de sair como um furacão pela porta, saindo rapidamente daquela casa.

No momento em que se viu sozinha, Charlie rapidamente se deitou em sua cama, se encolhendo contra seu travesseiro começando a chorar sem parar. Seu coração estava doendo e ela sabia que tinha errado. Ela nunca devia ter correspondido aquele beijo e o seu maior medo era saber que Beth ficaria furiosa quando descobrisse. De que seu erro de minutos atrás colocaria em risco seu namoro e magoaria o amor da sua vida. Charlie sabia que precisaria contar a verdade para sua namorada ou então, não conseguiria sequer olhar para Beth.

Notas finais
O que acharam? Ah, vocês sabem o quanto adoro um drama, certo? hahaha x Review? Obg :) x