Beating Heart.

15 It won't be the same


Notas iniciais
Oieeeee gente linda!!! Desculpe a demora para atualizar, mas aqui está o novo capítulo. Notas importantes no final. Enjoy xxxxx

Quinn e Santana estavam de mãos dadas na sala de espera enquanto Beth fazia seu último exame. A latina passava a mão em seu cabelo nervosa. As duas não acreditavam que isso pudesse estar acontecendo. Ficaram tão felizes quando Beth acordou que sequer imaginou que algo nesse porte aconteceria.

Quinn chorava em silêncio com sua cabeça deitada no ombro de Santana, esperando que tudo desse certo. Ela não entendia nada sobre esse assunto, mas começava a rezar para que sua filha não tivesse nada grave. A loira apertava firme a mão de sua esposa e ambas podiam sentir o quão assustada estavam e tentavam uma confortar a outra. Claro que Santana se mostrava a mais forte, dizendo carinhosamente para sua esposa que tudo ficaria bem sem sequer saber o que acontecia.

Santana não só estava preocupada com a saúde da filha como também a reação da mesma quando soubesse de Lucas. A latina sabia que precisava contar para Beth e que precisava também conversar com os pais do garoto. Ela se sentia na obrigação de vê-los. O fato de ter sido a última a ver Lucas lhe incomodava. Santana não sabia a dor que os pais de Lucas estavam sentindo, mas apesar da raiva que sentiu do garoto, não podia negar que se sentia péssima com a notícia e nunca desejou que algo assim acontecesse.

Alguns minutos se passaram e finalmente Dra Gutierrez saia da sala de exames, sorrindo para as mães de Beth.

– Todos os exames necessários já foram feito e vamos levá-la novamente para o quarto. – A médica explicava. – Os exames ficarão prontos em menos de uma hora.

– Vai demorar tanto assim? – Santana perguntava e Quinn acariciou sua mão tentando acalmá-la.

– Não se preocupe, sra. Lopez, os exames logo ficarão prontos. A enfermeira vai acompanhá-las de volta para o quarto. – E assim a médica saiu deixando Quinn e Santana aflitas sem nenhuma resposta.

O caminho de volta para o quarto foi silencioso. Beth parecia paralisada sem emoção alguma deixando suas mães ainda mais preocupadas. A garota apenas olhava para seus dedos, brincando com um de seus anéis. Suas mães queriam dizer alguma coisa, mas nenhuma das duas sabia o que fazer para tirar a filha daquele humor.

– Pronto Elizabeth. Se precisar de qualquer coisa é só me chamar. – A enfermeira ajeitava Beth em sua cama, deixando a bolsa de remédio ao seu lado.

– Obrigada. – Quinn respondeu, sorrindo simpática esperando que a enfermeira saísse. – Little one? – A loira se aproximava da cama da filha suavemente, passando seu dedo para a testa de Beth e tirando o cabelo da mesma de seus olhos. – Filha?

Sem dizer nada, Beth apenas respirou fundo, levantando sua cabeça para encontrar os olhos da mãe. A garota a olhava com frieza e ao mesmo tempo, Quinn podia ver naqueles olhos tão parecidos com os seus o quão assustados estavam e era difícil ver que como mãe, Quinn não podia fazer nada para ajudar sua filha a se livrar de todo aquele medo.

Santana respirava fundo vendo de longe a interação de Beth com Quinn. Ela nunca imaginou que passaria por um sofrimento assim novamente e apesar de ser difícil, Santana queria tirar tudo àquilo de Beth e Quinn, e carregar sozinha todo aquele peso. A latina podia ver o quanto sua filha não parecia à mesma e sabia que precisava fazer alguma coisa.

– Hey bee... – Santana se aproximava se colocando atrás de Quinn, passando uma de suas mãos pela cintura de sua esposa e a outra apoiando sobre a de Beth. – Adivinha quem está vindo para Nova York? – A latina sorriu e Beth apenas a olhou. – A abuela, com tio Adam, Alyssa e o seu fã número um, Alejandro. – Quinn percebia o que Santana estava fazendo e abria um sorriso carinhoso, olhando para sua filha.

– Bom, você é apaixonada pelo Henry e pelo Alejandro. Imagina esses dois aqui te bajulando? – Quinn acariciava o braço de Beth.

– Sem contar na Valerie. Sério, não sei como você consegue conquistar todas essas crianças, bee. Seus primos são loucos por você. – Santana brincava, mas Beth continuava fria. Apenas as olhando. – Provavelmente é o seu charme. Você é uma Lopez. Nós Lopezes temos um grande charme no qual ninguém resiste. – A latina brincou e Quinn soltou uma suave risada, sem tirar os olhos da filha.

– Como está o Lucas? – Beth olhava de Santana para Quinn, percebendo que o sorriso das duas desaparecia. – Como ele está? – A garota perguntava novamente.

– Beth, por que você não descansa? Sua cabeça melhorou? – Santana acariciava a mão da filha, tentando mudar de assunto. Ela sabia que aquele não era o momento para falarem de Lucas, e antes que Beth pudesse questioná-la, a porta do quarto se abriu e Dra Gutierrez aparecia com uma pasta na mão.

– Bom, estou com seus exames, Elizabeth. – A Dra sorria, abrindo a pasta e olhando para as três Lopezes que a olhavam assustadas e com medo.

– E então, o que aconteceu? Por qual motivo eu não consigo sentir as minhas pernas? – Beth perguntava furiosa e Quinn colocou sua mão no ombro da mesma para lhe acalmar. – E, por favor, fale na minha língua para que eu possa entender!

– Elizabeth! – Santana repreendia a filha. – Eu sei que você está assustada, mas todas nós estamos. Não tem necessidade de ser grossa. – A latina falava séria e Beth respirou fundo, fechando seus olhos por alguns segundos.

– Me desculpe, doutora Gutierrez. – A garota falava mais calma. – Por favor, o que aconteceu?

– Bom, como eu ia dizendo. Você sofreu uma fratura espinhal. – A médica falava calmamente, e enquanto ouvia, Beth podia sentir seu peito doendo. O medo percorria todo seu corpo e ela não sabia se chorava ou se gritava. – Não foi grave. É algo reversível, porém, seu cérebro acredita que essa fratura é forte demais para você se mover da cintura para baixo, que no caso, foi onde ocorreu sua fratura. Do quadril para baixo.

– O que? – Beth perguntava confusa. – Eu não estou entendendo nada.

– Doutora, por favor, a senhora pode explicar direito? – Quinn perguntava confusa. – Então isso tudo é psicológico?

– Sim e não. – A médica respondia. – Seu cérebro está vendo essa fratura como uma ameaça para o seu corpo, Elizabeth. A sua fratura é reversível, porém precisamos mostrar para o seu cérebro que tudo vai ficar bem. Ele precisa reconhecer que isso não vai mudar em nada.

– E como faço isso? – Beth perguntava impaciente.

– Com exercícios. Fisioterapia.

– Certo, e essa fratura, ela não é grave? Beth realmente vai voltar a andar? – Santana perguntava calmamente.

– Não, não é grave, porém Elizabeth, devo lhe alertar que em situações assim não são fáceis. O seu cérebro vai querer impedir que seus músculos se movam e pode demorar um tempo para você voltar a andar sem precisar de apoios. – A doutora respondia.

– Ah, ótimo! – Beth sorria irônica. – Ótimo. Perfeito. Adorei a notícia, doutora Gutierrez. Muito obrigada. – Beth levantou seus dois polegares ironicamente.

– Elizabeth! – Santana sabia que sua filha estava com medo e sofrendo, mas não precisava agir daquela forma. – Eu sei que isso tudo não é fácil, mas você ouviu a médica, bee, você vai voltar a andar.

– Sim, meu amor. Você vai ter um acompanhamento de um ótimo fisioterapeuta e logo vai voltar a andar. – Quinn sorria tentando conter as lágrimas que insistiam em cair. Ver Beth tão machucada não estava sendo fácil.

– Mas não vou poder andar por sabe Deus quanto tempo. Não vou poder mais correr ou competir no colégio. Argh! – Beth batia suas duas mãos na cama, querendo gritar de raiva. – Que droga! – A garota levou uma de suas mãos sobre seus olhos, começando a chorar.

– Sei que não vai ser fácil no começo, querida, mas você vai conseguir. Vamos ajudar com sua lesão e seguindo uma boa alimentação e fazendo os exercícios você vai ficar boa. – A médica falava suavemente.

– Bee, é difícil, eu sei mijá... – Santana falava suavemente, pousando sua mão na coxa de Beth. – Mas nós vamos te ajudar, está bem? Eu e sua mãe vamos estar com você. Suas avós, seus tios... Você tem todos nós para te ajudar, bee. Você não vai ficar sozinha. – Assim como Quinn, Santana se mantinha forte para não chorar. – Se eu pudesse mi amor, eu trocava de lugar com você. É horrível te ver assim, bee. Você precisa ser forte, porque vamos estar do seu lado.

– Bom, mas você não pode. – Beth falava irritada, com as lágrimas escorrendo sobre suas bochechas. – Nenhuma de vocês pode trocar de lugar comigo. Eu quero ficar sozinha. – A garota mordia sua bochecha.

– Filha...

– Eu quero ficar sozinha. Por favor, me deixem sozinha. – Beth começava a soluçar e agora Quinn começava a chorar se virando para Santana. A latina passou seus braços em volta de sua esposa, olhando fixamente para sua filha.

– Está bem. Se precisar de nós estaremos lá fora. – Santana respondia suavemente, começando a sair do quarto junto de Quinn e a médica.

Assim que a porta se fechou, Beth começava a soluçar sem parar. Seu choro saia como se estivesse preso em sua garganta por dias. Seu coração estava doendo e ela sentia uma angustia gigantesca. Um vazio como se alguém tivesse lhe abandonado. Beth se sentia sozinha mesmo sabendo que suas mães estariam com ela. A garota fechava seus olhos começando a tossir sem parar engasgando com seu próprio choro. Sua garganta parecia estar se fechando e no mesmo instante, Beth não acreditava que aquilo estava acontecendo. Primeiro sua mãe perdeu a memória e agora isso? Céus, ela imaginava o quanto seria difícil para suas mães terem que lhe ajudar o tempo todo, mas o que começava a lhe preocupar ainda mais, era Charlie.

Beth sabia que muitos casais se separavam quando isso acontecia e imaginava o quanto seria difícil para Charlotte conviver com uma namorada na cadeira de rodas. Por mais que fosse reversível. Beth não sabia quanto tempo ficaria com aquela lesão e sabia que os riscos de seu namoro acabar por causa disso era grande. O dia dos namorados está chegando e tudo o que ela planejou para sua noite com Charlie não aconteceria. Isso tudo era dolorido e as lágrimas de Beth pareciam não ter fim, mesmo porque, ela sentia como se tudo fosse seu fim.

– E como vocês não detectaram essa lesão antes? – Santana perguntava irritada para a médica do lado de fora do quarto de Beth.

– Me desculpe, senhora Lopez, provavelmente foi um grande erro dos enfermeiros.

– Sem dúvidas.

– San... – Quinn que estava em silêncio, apoiava seu queixo contra o ombro de Santana, depositando um beijo sobre a bochecha da mesma. – Se acalma. Não adianta nada ficarmos nervosas agora. Nós precisamos ser fortes e ajudar Beth.

– Ela vai ficar bem. Sei que é complicada essa situação para uma garota da idade dela, mas ela vai ficar bem. – A doutora falava suavemente. – Mas devo avisá-las que não será fácil. Pessoas com lesões assim tem a tendência de se excluírem. Acharem que estão sendo um incomodou para todos a sua volta. Alguns se sentem até como se alguém muito próximo estivesse morrido. – A médica falava e Quinn começava a chorar novamente. – Vocês precisam ser pacientes com ela. Beth vai precisar se adaptar com uma nova vida por enquanto e creio que vão ter dias ruins, bons e dias piores no qual vai ser muito difícil lidar com ela, mas com o decorrer das sessões de fisioterapia ela vai melhorar.

– Ótimo. – Santana respirava fundo. – Eu não acredito que isso está acontecendo. – A latina virava-se para Quinn, deixando seus lábios contra a testa da loira. – Nós vamos ajudá-la. Vamos fazer o possível para ela se sentir bem.

– Façam isso. Mostrem a ela que vocês vão ajudá-la e que em momento algum ela está incomodando. – A médica sorria. – Eu preciso checar meus outros pacientes, mas volto mais tarde para vê-la novamente. Qualquer dúvida é só mandar me chamar.

– Obrigada. – Santana respondia e assim que a médica a deixou a sós Quinn começava a chorar contra o ombro da latina. – Shh, amor, vai ficar tudo bem. – Santana fechava seus olhos, sentindo uma lágrima escorrer pelos seus olhos.

– Ela está sofrendo, San. – Quinn soluçava. – Eu via nos olhos da nossa filha o quanto ela está sofrendo com tudo isso. Não vai ser nada fácil e eu estou com medo. E... E se ela entrar em depressão por causa disso, Santana?

– Hey, hey... – Santana se virava para Quinn, pousando suas mãos carinhosamente sobre o rosto de sua esposa. – Amor, ela não vai entrar em depressão, está bem? Nós vamos ajudá-la. Vamos deixá-la o mais confortável possível. Ela sabe que nós a amamos e que faríamos qualquer coisa por ela, mi amor. Ela vai ficar bem. – Santana passava seus braços em volta de Quinn, na tentativa de confortá-la. – Nós precisamos avisar que Beth acordou. – A latina sussurrava sentindo seu peito apertar ao pensar em sua filha.

Xxxx

Já fazia uma hora em que Santana e Quinn deixaram Beth sozinha e ambas estavam na sala de espera com todos seus amigos e Judy. Frannie ainda estava com Olivia e seu filho Henry, porque a pequena não queria voltar para o hospital naquele momento.

– Oh Céus... – Assim como todos os outros, Judy começava a chorar ao saber do estado de Beth.

– E ela vai andar de novo, não vai? – Puck perguntava confuso.

– Vai, mas ela precisa de muita fisioterapia e tem grandes chances de passar um bom tempo ainda na cadeira de rodas. – Santana explicar suavemente.

– Vamos estar todos aqui para ajudá-la, Sanny. – Brittany falava carinhosa.

– Claro, Sanny, no que você precisar. – Lily sorria, segurando na mão de Brittany.

– Obrigada.

– E... Ela já sabe do Lucas? – Rachel perguntava suavemente.

– Ainda não. Céus, quando ela descobrir vai ser ainda mais difícil. – Santana passava a mão por seu cabelo.

– Você precisa contar, Santana. – Kurt comentava. – Se ela descobrir isso por outra pessoa vai ser pior.

– É melhor ela descobrir por vocês, que são as mães. – Blaine concordava.

– Não sei se estou preparada para ver minha filha sofrendo mais do que já está. – Quinn sussurrava, com sua cabeça deitada no peito de sua mãe.

– Shh, vai ficar tudo bem. – Judy depositava um beijo na cabeça da filha.

– Alguém já avisou para Anna? – Puck perguntava. – Charlotte já está sabendo disso?

– Ainda não. Liguei para Anna algumas horas antes de vocês chegarem e ela me falou que conversaria com Charlotte. – Santana comentava. – Charlie está arrasada com a morte do Lucas. Parece que aquela amiga delas, Liah, está péssima e Charlotte foi vê-la pela manhã. – Sem dizer nada, eles apenas assentiram.

– San, e a Olivia? – Rachel perguntava preocupada. – Alguém já conversou com ela?

– Eu estou indo buscá-la na casa da minha irmã e conversarei com ela. – Quinn respondia, levantando sua cabeça do ombro de Judy e secando seu rosto.

– Bom, nós adoraríamos visitar Beth, mas acredito que ela ainda queira ficar sozinha? – Kurt comentava.

– Talvez amanhã? – Quinn sorria suavemente. – É melhor deixar apenas que eu e San lidamos com ela. Amanhã acredito que ela vá estar melhor e aí vai ser ótima a visita de vocês.

– Claro, Q. – Rachel respondia e agora Judy se levantava.

– Então vou levar Quinn para casa e buscar Olivia. – Judy colocava sua bolsa em seu braço, se aproximando de Santana que se colocava em pé. – Assim que sua mãe chegar, me avise, está bem? Sei que vai lhe fazer muito bem. – A mãe de Quinn depositou um beijo na bochecha da latina lhe confortando.

– Obrigada, Judy.

– Amor... – Quinn se aproximava de Santana, passando seus braços em volta da cintura da mesma.

– Descansa, mi amor. – Santana passava um de seus braços em volta do pescoço de Quinn, enquanto sua outra mão acariciava suas costas. – Leva Olivia para casa, tome um banho para descansar e coma, está bem? Não fique se comer, Quinn.

– Mhm... Farei isso. – Quinn depositou um selinho demorado nos lábios de Santana, antes de se afastar. – Te amo.

– Eu também te amo. – A latina sorria e logo Quinn saia com sua mãe para buscar Olivia.

– San, nós precisamos ir. – Kurt se levantava segurando na mão de Blaine. – A revista deve estar uma loucura, mas se precisar de qualquer coisa é só nos ligar.

– Obrigada. – A latina sorria, abraçando seus dois amigos.

– Ela vai ficar bem. – Blaine sorria carinhoso e após se despedirem dos outros, ele e Kurt foram embora.

– Boss* — Lily se levantava, fazendo Santana rir baixo. – Não precisa se preocupar com a rádio agora. Eu vou até lá e junto com Tyler vamos dar um jeito, está bem? Sou a melhor, porque aprendi com a melhor. – Lily revirava os olhos, depositando um beijo na bochecha da latina.

– Muito, muito obrigada, LilyBird. – Santana sorria. – Talvez amanhã eu passe por lá. Preciso assinar alguns papéis de mais um merchandising para a nossa rádio.

– Claro, mas não precisa ficar preocupada, porque eu cuido de tudo. – Lily sorriu. – Se precisar de qualquer coisa me liga.

– Está bem, obrigada. – A latina piscou para Lily, que voltou para perto de Brittany se despedindo de sua – agora – esposa dançarina.

– Te vejo mais tarde. – Lily sussurrou, depositando um selinho em Brittany.

– Depois daqui, vou direto para o estúdio, está bem? Só preciso conversar com a Sanny. – A dançarina falava suavemente.

– Claro, até mais tarde então. – Lily se despediu de todos antes de deixá-los sozinhos.

Agora apenas estavam Rachel, Puck e Brittany. Santana estava sentada olhando fixamente para suas mãos, sem perceber que seus três melhores amigos a olhavam.

– Santana? – Rachel chamava sua atenção.

– Você sabe que não precisa usar toda essa armadura com a gente, Sanny. – Brittany arqueava suas sobrancelhas e Santana estava confusa.

– Mmmm... Não sei do que vocês estão falando. – A latina respondia.

– Oh, qual é Santana. – Puck se levantava, se sentando ao lado da latina e passando seus braços em volta de seus ombros. – Isso precisa sair. – O rapaz falava suavemente, olhando nos olhos de Santana.

– San, somos nós... Se lembra de que fomos nós três quem estivemos com você quando soube da Quinn? – Rachel estendia sua mão segurando na da latina. – Estivemos com você a cada passo em que você dava para conquistar Quinn novamente. Nós te conhecemos muito bem e sabemos que você está querendo ser forte por Quinn, Beth e Olivia que mal está pensando em você. – Santana olhava para os olhos de Rachel, sabendo agora exatamente o que eles falavam. A latina respirou fundo, sentindo o choro engasgado em sua garganta.

– Nós te amamos, Sanny. Nós estivemos com você naquela época difícil e vamos continuar juntos para sempre. – Brittany sorria suavemente. – Você não precisa ser forte o tempo todo, Santana. Quinn sabe o quanto você as ama e o quanto você faria qualquer coisa para protegê-las, mas ela sabe também o quanto seu coração é enorme e que todo mundo tem o seu momento de fraqueza. – A dançarina falava carinhosa e antes que alguém pudesse dizer qualquer coisa, Santana levou uma de suas mãos para seu rosto, começando a chorar em silêncio, até o momento em que seu primeiro soluço saiu.

Puck a abraçou fortemente, deixando que sua amiga chorasse em seu peito. Santana precisava daquilo. Era nítido ver que aquele choro era algo que estava preso por muito tempo. A latina chorava pela sua filha. Por ver o medo estampado nos olhos da mesma. Santana chorava por estar assustada com o que aconteceria com sua bebê. Ela se sentia fraca e a dor era insuportável como se seu coração estivesse sendo arrancado de seu peito.

Xxxx

– Mamãe Q! – Olivia se levantou rapidamente do sofá assim que viu Quinn entrando pela porta de Frannie. Quinn pegou sua pequena no colo, deixando que a mesma lhe abraçasse com força.

– Hey pookie. – Quinn sussurrava contra o cabelo da filha, se segurando para não chorar. – A mamãe veio te buscar, está bem?

– Para onde nós vamos? – Olivia apoiava suas mãos nos ombros de Quinn, podendo olhá-la. – Mamãe, e-eu não quero ir para o hospital.

– Não meu amor, nós não vamos para o hospital. Vou te levar para casa. – Quinn sorriu e entrava na casa, avistando seu sobrinho Henry. – Hey monkey face. – A loira brincava, fazendo-o rir.

– Oi tia Quinnie. – O garoto era uma copia de Frannie, com aqueles cabelos loiros e seu sorriso simpático. – Mamãe me falou que a Beth está doente. Ela vai ficar bem? – Henry era um grande fã de sua prima Beth e adorava passar o dia com ela e Olivia.

– Claro. Ela vai ficar bem e logo você, Olivia e Valerie vão poder visitá-la. – Quinn sorriu e o garoto pulou levantando seus braços.

– Hey Q. – Frannie aparecia na porta da sala, correndo para abraçar sua irmã. – Santana me contou. – A irmã de Quinn sussurrava em seu ouvido e a mesma se segurava para não chorar na frente de sua filha.

– Estou me sentindo péssima, Frann. – Quinn ajeitava Olivia em seu colo, saindo do abraço de sua irmã.

– Quinn, ela vai ficar bem. Todas vocês vão. Estou aqui para ajudá-las no que for preciso.

– Obrigada. E obrigada por ter ficado com a Liv. Eu vim buscá-la e vamos para casa.

– Claro, sem problemas. Adoro a companhia dela. – Frann depositava um beijo na bochecha de sua sobrinha.

– Liv, dê tchau para Henry, a vovó e a tia Frann, porque nós já vamos. – Quinn colocou Olivia no chão e esperou que a pequena fosse se despedir de todos. – A mamãe comentou que ela não estava querendo ir para o hospital. Olivia comentou alguma coisa com você? – Quinn perguntava para sua irmã.

– Ela parece bem assustada, Quinn, e quando fui dormir eu a ouvi chamando pela Beth várias vezes e pedindo para a irmã não se esquecer dela. – Frann pressionava seus lábios e Quinn sentia seu peito explodir.

– Eu sabia que contar meu acidente para Olivia não era uma boa ideia. – As lágrimas de Quinn começavam a escorrer por suas bochechas. – Obrigada, Frann. Vou conversar com ela.

– Tchau tia, Frances. – Olivia abraçava a cintura de sua tia. – Obrigada por ter me deixado dormir aqui.

– Awn, imagina, meu amor. Fica bem. – Frannie depositou um beijo na cabeça de Olivia e a pequena segurou na mão de Quinn. – Se precisar de qualquer coisa é só me ligar. – Frannie abraçou novamente sua irmã se despedindo.

– Obrigada. – Quinn despediu de sua mãe e sobrinho antes de finalmente ir embora para sua casa com Olivia.

Xxxx

– Tia San? – Charlotte aparecia no hospital, minutos depois que Santana tinha se acalmado nos braços de Puck. A latina chorou sem parar e se sentia aliviada depois do seu “desabafo”.

– Charlie. – Santana se levantou, passando seus braços em volta da garota.

– Tia, é verdade? – A garota começava a chorar, apertando seus braços em volta de Santana. – E-ela realmente não vai poder andar?

– Infelizmente. Mas hey... – Santana se afastava, colocando suas mãos sobre o rosto da garota. – A médica disse que ela vai ficar bem. Vai precisar usar cadeira de rodas por um tempo, mas com ótimas sessões de fisioterapia, ela vai voltar a andar. Só precisamos ser pacientes e ajudá-la. – A latina sorriu suavemente e Charlie apenas assentiu.

– Será que eu posso vê-la?

– Claro, mas Charlie. Ela não sabe sobre o Lucas, está bem? Eu e Quinn ainda não conversamos com ela sobre isso.

– Mhm... Pode deixar, não vou falar nada. – Charlie sorriu.

– Pode ir. – Santana a soltou e Charlie rapidamente fazia seu caminho até o elevador para finalmente ver sua namorada.

Charlie não sabia como Beth estava e sentia como se fosse desmaiar a qualquer momento. Ela sabia que não ia ser fácil, até porque, ela sabe o quanto Beth tem a personalidade difícil e se fecha sempre que está mal. Charlie esperava que sua namorada não a excluísse da sua vida e que a deixasse lhe ajudar. Ela estava com medo de que isso afetasse o seu relacionamento com Beth e podia sentir o medo gritando em seu peito. Charlotte tinha acabado de voltar da casa de Liah e estava arrasada com a morte de Lucas. Ela nunca desejou isso para o garoto e tudo ficou pior depois que descobriu que o mesmo era irmã de uma de suas amigas. Ela sabia que não podia contar isso para Beth e prometeu que deixaria isso para sua tia Santana.

Logo Charlotte estava à frente da porta de Beth. Seu coração estava acelerado e era como se ela fosse vomitar a qualquer momento. Ela nunca sentiu tanto medo em sua vida. Medo de perder o amor da sua vida, justo agora que tinha acabado de ganhá-la.

A garota respirou fundo, levando sua mão até a maçaneta e abrindo a porta lentamente, avistando a cama de Beth logo à frente. Sem dizer nada, Charlotte entrou no quarto, fechando a porta atrás de si e assim que seus olhos encontraram os de Beth, a loira começou a chorar novamente entre soluços e Charlotte correu para a cama de sua namorada, se deitando ao seu lado para lhe abraçar.

– Shh, bee... – Charlotte falava carinhosa, se segurando para não chorar. – Vai ficar tudo bem, gatinha. Vai ficar tudo bem. – A morena abraçava sua namorada com força, e Beth deitava sua cabeça contra o peito da mesma.

– E-eu não vou poder andar, Charlotte. – Beth soluçava.

– Nós vamos passar por isso juntas, gatinha. – Charlotte depositava um beijo contra a cabeça de Beth. – Você se lembra da história que tia San sempre conta quando fala do acidente da tia Q? Não importa o que aconteça, eu vou estar sempre do seu lado. Te ajudando a cada passo que você der. Não vou te abandonar, Beth. Eu te amo. – Charlie se afastava, encontrando os olhos de Beth. – Eu te amo, e eu não vou a lugar algum. Assim como tia San nunca desistiu da tia Quinn, eu também não vou desistir de nós e vou te ajudar. Você não está sozinha. – A morena deslizou seu polegar pela bochecha de Beth, depositando um selinho demorado em seus lábios.

– Eu estou com medo, Charlie. E se eu nunca mais voltar a andar? Você não pode namorar uma garota como eu. Sou vou te causar problemas e logo você vai cansar, porque vou te incomodar e. –

– Beth! – Charlotte a interrompia. – Não. Não fala isso. Você vai voltar a andar e prometo que vou estar com você. Não vou te abandonar, Beth. Não vou.

– Você promete? – Beth perguntava fazendo um bico adorável.

– Prometo. Eu e você contra tudo isso. – Charlie aproximou seus lábios aos de Beth e agora iniciava um beijo suave e apaixonado, tentando não só acalmar seu coração, como também o de Beth.

– Eu te amo. – Beth sussurrava contra os lábios de Charlie.

– Eu também te amo... Gatinha. – A morena sorriu e pode sentir Beth sorrindo durante o beijo. – Vai dar tudo certo. Louise e Thomas comentaram que iam vir te visitar também. – Charlie se afastava e agora se ajeitava na cama, deitando ao lado de Beth, passando seu braço em volta do ombro da mesma, lhe abraçando.

– Adoraria vê-los. – A garota pausava, sorrindo suavemente. — Você viu se minhas mães estão por aí? – Beth perguntava suavemente, brincando com os dedos de Charlie.

– Mmm... A tia Santana estava na lanchonete com tio Puck, tia Rachel e tia Brittany, mas não vi a tia Quinn. – A morena acariciava o cabelo de Beth.

– Mmm...

– Por que? Você quer vê-las?

– Sim. Não... Não sei. – Beth entortava sua boca suavemente. – Eu meio que as expulsei do meu quarto hoje cedo.

– Beth...

– Fui grossa com elas. Estou me sentindo mal pelo o que fiz, mas estava difícil ver nos olhos delas o quanto tudo isso também as machucava, sabe? Ao mesmo tempo em que eu precisava delas, eu não as queria aqui. – Beth pausava e seus olhos voltavam a se encher de lágrimas. – Eu queria você.

– Olha, eu sei que não é fácil, gatinha, mas suas mães te amam muito e isso foi um choque para todos nós. – Charlie falava carinhosa. – Elas te olhavam não com dó, mas desejando que você não estivesse passando por isso. Tenho certeza que se elas pudessem tomariam o seu lugar e te tirariam de tudo o que você está passando. – Charlotte depositava um beijo contra a cabeça de Beth e agora a mesma começava a chorar novamente.

– Obrigada, Charlotte, agora eu me sinto péssima. – Beth falava irritada, revirando os olhos.

Charlotte sentia seu corpo ficar tenso com o modo como Beth falava. Ela achou que talvez estivesse ajudando, mas foi surpreendida com a grosseria da sua namorada.

– Desculpa... E-eu só achei que estava ajudando. – Charlotte falava calmamente e Beth respirava fundo, fechando seus olhos.

– Não. Me desculpa, boo. – Beth falava carinhosa. – É que eu estou confusa e com medo, mas feliz por você estar aqui.

– Eu estou aqui e não vou a lugar algum. – Charlotte depositava um beijo na cabeça de Beth e a garota apenas assentiu. Ela não sabia se o que Charlotte prometia realmente iria acontecer, mas esperava que nada disso atrapalhasse seu namoro.

Xxxx

Quinn abria a porta de seu carro, deixando que sua caçula descesse. A loira estava exausta e apesar de querer ficar ao lado de Beth, estava sendo difícil respeitar o desejo da mesma em querer ficar sozinha.

– Ok, meu amor, tome um banho que a mamãe vai fazer panquecas. – Quinn abria a porta de sua casa e Olivia subiu correndo para seu quarto. Ela sabia que precisava esfriar a cabeça e que Olivia também precisava dela.

Sua cabeça não estava nas panquecas em que faziam, pelo contrário, Quinn não conseguia parar de pensar em Beth e se preocupava com a saúde da filha. Não só com a lesão, mas com tudo o que aconteceria a partir do momento em que a mesma voltasse para casa. Claro que não seria fácil. Quinn e Santana teriam que arrumar o quarto de hospedes no andar de baixo para que a filha pudesse ficar. Beth teria que se acostumar com o fato de que iria precisar de bastante ajuda e que sua rotina mudaria.

Quinn sentia seu peito acelerado por apenas imaginar o quanto sua filha sofreria. Beth nunca esperou que ninguém lhe ajudasse e de repente, tudo vira de ponta de cabeça. Não é fácil para uma mãe ver sua filha daquela forma, e enquanto pensava em Beth, sua cabeça girava em Lucas. Imaginar o quanto aquele garoto estava perturbado quando chegou ao hospital, se culpando por tudo o que tinha acontecido lhe deixava ainda mais arrasada. Mesmo não tendo tempo para processar tudo o que acontecia, Quinn sentia pelos pais de Lucas. O medo de perder Beth quando recebeu a ligação foi inexplicável. Uma dor que palavras não eram suficientes para descrever, e Quinn não conseguia imaginar a dor que os pais de Lucas estavam sentindo. Santana tinha razão, elas precisavam vê-los e lhes darem o apoio necessário.

Não só tudo isso passava por sua cabeça, como também o fato de Olivia não estar querendo ir para o hospital. Quinn estava preocupada com a pequena e depois do que soube de Frannie, sabia que precisava conversar com Olivia e entender o que estava acontecendo com sua caçula.

Enquanto terminava de preparar o café, Olivia apareceu na cozinha, com seu cabelo amarrado em um rabo de cavalo bagunçado, com um shorts jeans azul claro e uma blusinha de manga cumprida preta da hello kitty.

– Mmmm... Que cheiro gostoso, mamãe Q. – Olivia se aproximava de Quinn, olhando as panquecas em cima do balcão ao lado do fogão. – Você colocou blues ou chocolates?

– Chocolates, porque sei o quanto essas Lopezes adoram um chocolate. – Quinn brincava, passando seu dedo na ponta do nariz da pequena. – Agora vá se sentar, que vou te ajudar. – Olivia se sentou na cadeira, enquanto sua mãe separava as panquecas em seu prato e um copo de suco de laranja a sua frente. – Liv, a mamãe vai tomar banho e você fica aqui, está bem? Não mexa em nada na cozinha.

– Está bem, mamãe. – Liv sorriu, começando a comer sua primeira panqueca e Quinn finalmente subiu para tentar relaxar ao tomar seu banho.

Não demorou para Quinn terminar seu banho, até porque, ela precisava apenas lavar seu corpo na intenção de relaxar. Assim que terminou de se aprontar, desceu as escadas, encontrando sua caçula sentada no sofá assistindo desenho.

– Hey, pookie. – Quinn se aproximou, se sentando ao lado da filha. — Meu amor, nós precisamos conversar. – A loira falava carinhosa e Olivia tirou sua atenção da TV, olhando para sua mãe.

– O que foi, mamãe?

– Filha, você está bem? – Quinn perguntava. – Sobre tudo isso que aconteceu com a Beth. Quero saber o que você acha de tudo isso e como você está se sentindo. – Olivia mordia o canto de suas bochechas, ficando em silêncio antes de responder.

– Mm... E-eu não sei, mamãe. – A pequena encolhia seus ombros. – E-eu fiquei com medo.

– Medo?

– Mhm... Medo quando vi a Beth no hospital. – Olivia agora olhava para suas mãozinhas.

– Por que, meu amor?

– Porque quando você ficou no hospital, a mamãe Tana contou que quando você acordou não se lembrava de mais ninguém e eu fiquei com medo de quando a Beth acordasse ela fosse se esquecer de mim. – A voz de Olivia era como um sussurro e Quinn podia perceber que a mesma estava preocupada. – Não quero que ela me esqueça, mamãe Q.

– Liv, sua irmã jamais se esqueceria de você. – Quinn passava seu braço por trás da pequena, lhe abraçando. – E sabe como sei disso? – A loira pergunta e sentia Olivia balançando a cabeça contra seu peito. – Porque quando Beth acordou hoje, perguntaram para se ela tinha algum irmão ou irmã e ela respondeu que sim e que o nome da irmã dela era Olivia Fabray-Lopez. – Quinn sorria suavemente e Olivia se afastou olhando sorridente para sua mãe.

– Jura? Ela sabe quem eu sou? – A pequena tinha um sorriso tão grande que sua felicidade era contagiosa.

– Juro. Ela se lembra de todas nós, Liv. Beth acordou e tenho certeza que ela ficaria muito feliz em te ver. – Quinn franzia seu nariz.

– Eu também quero vê-la, mamãe Q. – Olivia praticamente pulava no sofá de felicidade. Apesar de querer levar a filha, Quinn sabia que precisava contar sobre a lesão de Beth e esperava que Olivia entendesse.

– Nós vamos, mas preciso te contar mais uma coisinha. – Quinn agora puxava Olivia para seu colo, e a pequena a olhava curiosa. – Liv, Beth sofreu um acidente de carro. Outro motorista bateu muito forte no lado onde ela estava e infelizmente causou algumas lesões na bee. – A loira respirava fundo, tentando manter-se forte.

– Que lesões, mamãe? – Olivia inclinava sua cabeça.

– Ela sofreu uma lesão nas costas, pookie. Uma lesão bem aqui. – Quinn colocava sua mão suavemente sobre a espinha de Olivia, próximo ao seu quadril. – E essa lesão não permitiu que Beth... – Quinn respirava fundo, era difícil falar desse assunto. Ainda mais para sua caçula que idolatra a irmã. – Não permiti que sua irmã ande. – A loira passava a mão pelo cabelo de Olivia que agora a olhava de olhos arregalados.

– E-ela não pode andar? Como? Mamãe Q. Beth adora correr, ela não vai poder correr mais? – Olivia começava a entrar em desespero e Quinn acariciava suas costas tentando acalmá-la.

– Sim, meu amor, ela não pode andar, mas isso é provisório. Ela vai fazer muitas sessões de fisioterapia, onde vai exercitar muito os músculos e logo vai poder andar de novo e correr. – Quinn tentava soar positivo, mas Olivia podia sentir seu coraçãozinho apertando por sua irmã.

– Mas mamãe... E agora?

– Agora, nós vamos ajudá-la. Vamos ajudá-la a passar por tudo isso e vamos estar juntas. Eu, você, Beth e a mamãe Tana. – Quinn sorriu. – Tenho certeza que se ficarmos juntas ela vai ficar bem logo. – Quinn olhava para Olivia, enquanto a pequena respirava fundo, parecendo perdida em seus pensamentos. Ela não entendia como isso tudo acontecia, mas se sua mãe está dizendo que ficando junto de Beth tudo vai ficar bem, então, ela vai fazer o possível para ajudar sua irmã.

– Eu vou ajudar a bee. – Olivia sorria suavemente.

– Isso, e tenho certeza que ela vai amar ter você por perto. – Quinn depositava um beijo na bochecha da filha, se sentindo aliviada por Olivia ter recebido bem a notícia. – Então o que acha de irmos para lá agora?

– Está bem, mas mamãe Q. O que acha de levarmos a Lucy pra Beth? Ela sempre se sente melhor com a Lulu por perto. – Olivia coçou seu narizinho e Quinn lhe abraçou com força, depositando beijos em sua bochecha.

– Você sabe o quanto eu e sua mamãe Tana temos sortes por ter uma filha tão esperta e especial como você? – Liv ria baixo. – Achei uma ótima ideia, meu amor. Vamos subir. Vou arrumar seu cabelo e levamos a Lulu para o hospital. Te amo, Liv.

– Eu também te amo, mamãe Q. – Olivia abraçou sua mãe, logo saindo do colo da mesma. – Agora vamos, porque a Beth está nos esperando. – Quinn se levantou e enquanto subia para arrumar Olivia, esperava de coração que Beth estivesse melhor e disposta para ver a irmã.

Xxxx

Charlotte passava a mão no cabelo de sua namorada, enquanto a mesma parecia estar dormindo. Beth estava em silêncio e confortável nos braços de Charlie. Ela se sentia segura ali e não queria que sua namorada fosse embora. A loira sabia que uma hora precisaria falar com suas mães, mas depois do seu pequeno ataque estava com medo de encará-las. O silêncio entre elas estava confortável, até o momento em que o celular de Charlie as fez sair cada uma de seu transe.

– É melhor eu atender. – Charlie saia da cama, tirando seu celular do bolso, imaginado que talvez fosse sua mãe. Mas logo que viu quem estava ligando, Charlotte respirou fundo, se afastando de Beth. – Alô? – A garota falava suavemente e Beth a olhava curiosa. – Mhm... Eu entendo. Estou com a Beth. Ela está bem. – Charlie olhava para sua namorada, sorrindo, enquanto continuava sussurrando ao telefone. – Claro. – Charlotte sentia seu peito apertando com a voz triste do outro lado da linha e sabia que não podia comentar com Beth ou então sua namorada surtaria. – Você quer que eu vá até aí? – Claro que isso não era algo que Charlie queria. Afinal, ela queria continuar com sua namorada, mas seu coração apertava com o choro que ouvia ao telefone. – Imagina. Daqui a alguns minutos apareço aí. Ok. Beijos. – Charlotte desligou seu telefone, o colocando de volta em seu bolso da calça e se aproximando de Beth.

– Nossa que suspense. – Beth arqueava suas sobrancelhas. Ela nunca viu Charlie agindo daquela forma, mas conhecia bem aquele olhar. Ela estava lhe escondendo algo.

– Pois é... Mmm... E-era a minha mãe. – Charlie sorria, odiando o que fazia, mas sabia que era preciso. – Olha, eu preciso ir está bem? Você vai ficar bem?

– Sua mãe? – Beth fazia um bico suave. – Claro.

– Eu volto mais tarde para te fazer companhia. – Charlie se aproximou depositando vários selinhos nos lábios de Beth.

– Está bem. Eu vou adorar. – Mesmo sem saber o que estava acontecendo, Beth nunca resistia aos lábios de sua namorada. – Charlie... Se você encontrar minhas mães aí fora... Pode... Você pode avisar que quero vê-las? – Beth falava sem jeito, mas logo Charlie sorriu.

– Claro. Eu aviso. Te amo. – A garota depositou mais um selinho em Beth, se afastando.

– Eu também te amo. – Beth sorriu suavemente, acenando para sua namorada enquanto a mesma desaparecia para fora do quarto.

Assim que Charlotte saiu, Beth respirou fundo por saber que sua namorada lhe escondia algo. Talvez o modo como a mesma falou ao telefone fosse suspeito, até porque, Charlie nunca hesitou em falar com Anna na frente de Beth e também, a garota evitou em olhar nos olhos de Beth. Um dos motivos pelo qual ela sabia que alguma coisa não estava certa. Beth conhecia sua namorada como a palma de sua mão e sabia quando algo estava errado.

Enquanto Beth tentava imaginar o que estava acontecendo com sua namorada, tentou por alguns segundos impedir os pensamentos negativos e pensar em suas mães. Ela estava aflita e chateada consigo mesma por ter sido grossa com as duas pessoas que a ama incondicionalmente. Beth estava se sentindo uma idiota por ter expulsando suas mães do quarto e enquanto se perdia em seus pensamentos, começava a cantar baixo para si mesma tentando relaxar. Já estava difícil com a notícia de que passaria meses na cadeira de rodas e apesar de estar sentindo um grande vazio em seu peito, sabia que precisava se controlar, até porque, suas mães seriam as únicas que ela poderia confiar. Seriam as únicas que teriam paciência com ela e nunca a deixaria. Por mais que confiasse em Charlotte, a sensação que sentia era como se a garota fosse lhe deixar a qualquer momento. Claro, quem continuaria namorando uma garota na cadeira de rodas? Beth estragou até mesmo os planos do dia dos namorados e acredite, a culpa que sentia era enorme. Era como se tudo estivesse desabando e Beth não tivesse opções para se segurar além das proteções que teria dentro de casa. Sua família sempre será sua fortaleza e Beth sentia como se todos fossem lhe abandonar.

Sua cabeça e seu peito estavam tão aflitos e angustiados que Beth sequer percebeu que suas mães entravam no quarto, minutos depois acompanhadas de uma apreensiva Olivia segurando Lulu contra seu peito.

– Hey... – Santana sorria falando suavemente, chamando atenção de Beth.

– Oi little one. – Quinn se aproximava com Olivia segurando sua mão. – Olha, quem estava ansiosa para ver a irmã. – Beth pela primeira vez percebia que Olivia estava no quarto e assim que a viu com sua preciosa Lulu, a garota abriu seus braços chamando sua irmã, que correu subindo na cama e lhe abraçando forte.

– Você vai ficar bem, bee. – Olivia sussurrava, passando sua mãozinha contra o cabelo da irmã e Beth agora começava a chorar. – Shh... Não chora, bee. Olha eu trouxe a Lulu para te animar. – Liv afastava da irmã, lhe mostrando sua ovelha.

– Obrigada, Liv. – Beth sorria, depositando um beijo na testa da pequena e pegando a Lulu.

– Como você está se sentindo? – Quinn se aproximava da cama, junto de Santana.

– Mama... Mamãe Q. – Beth as olhava soluçando. – Me desculpem por ter sido grossa com vocês. E-eu realmente não tive a intenção. – Olivia deitou sua cabeça no peito de Beth, tentando confortá-la, enquanto suas mães se aproximavam, depositando um beijo em sua testa.

– Está tudo bem, meu amor. Nós entendemos e sei que não está sendo fácil. – Santana respondia carinhosa, se segurando para não chorar.

– Eu sinto como se tudo estivesse desabando... É como se eu não tivesse mais nada, mami. – Beth soluçava e Quinn se sentou ao lado de suas filhas, lhes abraçando.

– Eu sei que é difícil, filha. Nós estamos aqui e não vamos a lugar algum. – Quinn fechava seus olhos por alguns segundos, segurando seu choro.

– Nós vamos passar por isso. Nós quatro. Juntas. – Santana e Quinn estavam com os corações apertados ao ver Beth sofrendo daquela forma e sabiam que precisavam mostrar para a garota que não importa o que aconteça, as Lopezes sempre estarão juntas.

– Tem muita gente querendo te visitar. – Quinn sorria, se afastando de suas filhas para poder olhá-las.

– Isso é verdade. Tio Puck, tia Rachel. Tia Brittany e a Lily... – Santana sentava no pé da cama.

– E se eu não me engano... Parece que tem alguns Lopezes chegando. – Quinn fazia franzia o cenho e logo Olivia e Beth arregalaram os olhos, praticamente pulando na cama.

Beth pela primeira vez se animava ao ouvir que sua abuela estava vindo. Ela já tinha recebido essa notícia hoje cedo, mas estava tão aflita que mal conseguiu prestar atenção ou se animar. – Abuela está vindo, mesmo?

– E o tio Adam? – As duas olhavam de Quinn para Santana ansiosas.

– Todos eles. – Santana começava a rir ao ver a cara das filhas. – Tia Alyssa e Alejandro também.

– Isso é tão legal! – Olivia comemorava.

– Sim, e tudo indica que eles ficarão com a gente por um tempo. – Quinn sorria ao ver a animação das suas filhas.

– Vai ser ótimo. Estou morrendo de saudades deles. – Beth sussurrava, olhando para sua irmã. – Olivia finalmente vai matar saudades do tio Adam e do seu parceiro de encrenca, Alejandro.

– Ele faz muita bagunça. – Olivia virava para olhar sua irmã. – Não é culpa minha.

– Mhm... Claro que não. – Santana falava sarcástica.

– E vocês já contaram para eles que estou sem andar? – Beth perguntava e no mesmo instante, o sorriso de suas mães desapareceu. – Não vou poder levá-los mais ao central park. Ou correr com Alejandro e Olivia brincando... Vai ser um tédio. Não sei porque se incomodam tanto em querer visitar uma pessoa que sequer pode levantar para abraçá-los e-

– Elizabeth! – Quinn interrompia sua filha, percebendo que conforme falava, a mesma demonstrava o quanto estava machucada e seu tom de voz mostrava irritação ao falar do assunto. – Não fala assim.

– Nós já entendemos o quanto é difícil, Elizabeth, mas sua abuela e seus tios te amam muito para não se importarem. – Santana falava autoritária e logo Beth percebeu o que tinha feito.

– Desculpa. – A garota sussurrava, engolindo seu choro. – Tudo fica pior quando penso em tudo que não vou poder fazer.

– Eu sei, mijá, mas nós vamos estar aqui... – Santana tentava consolar a filha e enquanto a mesma ouvia sua mãe falando, algo passou por sua cabeça. Seu acidente. Beth não tinha ouvido falar de Lucas ou do motorista que os acertou. Por alguma razão seu coração começava a se apertar e era como se alguém estivesse em sua mente lhe fazendo se lembrar de tudo o que aconteceu.

– Mami... – Beth sussurrava, olhando para Lulu, começando a brincar com as orelhas de sua ovelha, com medo do que iria perguntar.

– O que foi, mijá? – Santana apoiava sua mão sobre a perna da filha, mesmo sabendo que a mesma não sentiria, era um gesto de carinho no qual sempre esteve acostuma. Era um gesto que demonstrava preocupação.

– Mama... Eu... O que aconteceu com o motorista que nos acertou? – Beth perguntava e Quinn respirava fundo, olhando confusa para sua filha.

– Por que essa curiosidade repentina? – A loira perguntava, olhando agora para sua esposa.

– Porque desde quando acordei nenhuma de vocês me deram notícias sobre o motorista do outro carro ou do Lucas. Eu gostaria de saber como eles estão. – Beth podia perceber o modo como suas mães se olhavam e sabia que algo estava errado. Era o mesmo olhar de Charlotte. As três estavam lhe escondendo algo.

– O motorista... – Quinn sussurrava, tentando manter a calma. – Filha, o motorista ele passa bem. O que parece, ele foi salvo pelo airbag e apenas torceu o pulso. – A loira sorria, deslizando seus dedos sobre o cabelo de Beth e a garota apenas assentiu, olhando para sua irmã que estava em seu colo.

– Certo. Isso é bom. – A garota sussurrava, mais para si mesma do que para suas mães. – E o Lucas? Como ele está? – Assim que Beth perguntou sobre Lucas, pode perceber suas mães ficando mais tensas do que já estavam. Quinn se aproximou da cama, pegando Olivia no colo e se sentando ao lado de Beth, com a pequena no colo. Santana deu a volta se colocando do outro lado de sua adolescente e também se sentando na cama, e agora as três a olhavam cuidadosamente. – Ooookay... – Beth franzia o cenho, sem entender o que estava acontecendo. – Vocês podem, por favor, me dizerem o que está acontecendo?

– Bee... – Santana pousava sua mão por cima da de Beth, começando a acariciá-la carinhosamente. – Quando soubemos do seu acidente e chegamos aqui no hospital, ele estava bem. – A latina sorria e Beth não conseguia relaxar. O tom de voz de sua mãe não era nada agradável. – Ele estava apenas com alguns arranhões na testa, mas estava bem. Tive uma pequena conversa com ele e apenas disse que não o queria mais perto de você. – Óbvio que Santana pulou a parte em que ficou com raiva, mas Beth conseguia imaginar a “conversa” que sua mãe teve com o garoto.

– Certo... – Beth olhava para suas mães.

– Ele foi liberado rápido, mas nessa madrugada ele voltou para o hospital. – Santana respirava fundo, olhando para Quinn.

– Ele não estava bem, filha. – Quinn continuava. – Ele estava estranho.

– Lucas estava bêbado.

– Bêbado? – Beth arregalava os olhos. – Mãe, como os pais dele o deixou sair bêbado?

– Eu não sei bee, mas depois descobrimos que ele roubou o carro do pai. – Santana continuava. – Ele chegou aqui pedindo desculpas e dizendo que não queria que nada disso tivesse acontecido. Que o pai dele, parece que o tinha tirado do time de futebol e ele sabia que a culpa disso tudo era dele.

– Nós conversamos com Lucas, little one, e falamos para ele não se sentir culpado. Ele pediu desculpas e nós fomos sinceras dizendo que não íamos conseguir desculpá-lo do dia para noite, mas que o tempo com certeza nos ajudaria e conseguiríamos desculpá-lo. – Quinn segurava Olivia, enquanto olhava atenta para Beth.

– Percebi o quanto ele estava bêbado, mijá, e pedi que ele se sentasse, tomasse um café e esperasse, porque eu ligaria para os pais dele, mas... Ele saiu correndo sem sequer deixar que os seguíssemos. – Santana agora respirava fundo, segurando firme na mão da filha.

– C-como isso foi acontecer? – Beth perguntava incrédula com a notícia, sem saber do que ainda estava por vir. – Céus, ele deve ter piorado tudo com os pais quando chegou em casa. – Santana e Quinn se olharam

– Bee... – Santana sussurrava. – E-ele não chegou em casa. – A latina falava cuidadosamente e Beth franzia o cenho.

– Como não? Para onde ele... – Antes mesmo de terminar sua frase, Beth paralisou. Não. Não, não, não. A garota sentia uma grande pontada em seu peito por ter realizado o que sua mãe queria dizer.

Sem dizer nada, Beth respirou fundo, olhando para sua ovelha, enquanto suas mães a olhavam preocupadas. A garota não tinha reação alguma e isso era o que as deixavam ainda mais aflitas. Beth ficou em silêncio por alguns segundos e soltava suas mãos da de Santana, começando a se sentir sufocada.

– Bee...

– Filha... – Quinn e Santana sussurravam olhando para a garota.

– Não. – Beth falava tão baixo que ouviram suas palavras como um suspiro. – Não. Não. Como ele pode ser tão idiota? – A garota continuava sussurrando e era como se a mesma estivesse conversando com sua ovelha e não com suas mães. – Ele estava bem.

– Beth... – Quinn se aproximava, com medo de tocar em sua filha, e pensando na mesma coisa, Santana se ajeitava na cama, começando a se deitar ao lado de Beth, passando seu braço por trás da mesma, e assim que a puxou, o primeiro soluço da garota saia fazendo suas mães também começarem a chorar com a dor da filha.

– Me desculpe, mijá... – Santana sussurrava. – Eu tentei impedi-lo, mas ele correu e não tive como segurá-lo. – A latina chorava em silêncio enquanto os soluços de Beth aumentavam.

Seu coração estava pressionado e era como se alguém estivesse pisando em seu peito lhe impedindo de respirar. Sua cabeça começava a girar e tudo o que pensava era em Lucas. Ela sentia um carinho pelo garoto e nunca quis que nada de ruim. Pelo contrário, Beth esperava que Lucas estivesse bem e com saúde.

A garota pousou sua mão sobre o braço de Santana, apertando com força contra a pele de sua mãe, escondendo seu rosto contra o peito da latina e deixando que seu choro saísse. Que toda sua dor saísse naquele momento. Ela chorava e gritava de raiva por tudo que estava acontecendo em sua vida. Ela precisava de suas mães. Ela precisava apenas delas e de mais ninguém. Agora Beth finalmente sentia como se seu mundo tivesse desabado por completo.

Notas finais
O que acharam? Espero que tenham gostado. :D Um aviso importante, não sou especialista em casos como lesão espinhal. Pesquisei para ter uma ideia do assunto e uma lida aqui e outra lá, consegui criar algo mais "verdadeiro" para a lesão da Beth. Fratura espinhal realmente ocorre em acidentes de carro e causam paralisia do local da lesão para baixo. No caso o da Beth foi no quadril lhe impedindo de sentir as pernas. Essa lesão causa um dano emocional gigantesco, como se a pessoa estivesse de um luto muito profundo. Então, só para vocês terem uma ideia de como essa lesão pode trazer graves riscos emocionais. Fiz a pesquisa bem por cima e não entrei muito em detalhe na hora de escrever, mas quis mostrar o que aconteceria com ela a partir de agora. Espero que tenha sido o suficiente para todos entenderem. Me desculpem se ficou vago, mas qualquer dúvida é só perguntar. Geeente, minhas férias acabaram, então isso indica que demorarei para atualizar. Não mais atualizações todos os dias :(. Estou fazendo o que posso para não deixá-los esperando, mas nem sempre consigo adiantar. Espero que entendam. Para saber do andamento das atualizações e notícias do porque da minha demora, fucem meu Twitter (link no perfil), ou perguntem na ask.fm (link no perfil). Saudades férias :( Review? xxxxx