Notas iniciais
Oieeee, aproveitei esse fim de semana para atualizar duas fanfics. Espero que vocês gostem no novo capítulo. Como sempre, um pouco de drama, porque sou apaixonada em drama, mas prometo que nos próximos capítulos tudo vai começar a melhorar! Pinky promise. xxxxx

Beth estava a caminho de sua casa, sentada no banco da frente do carro de Santana. Ela estava ansiosa e feliz ao mesmo tempo. Beth se sentia livre por finalmente estar fora daquele hospital e feliz por estar com sua família. Na sua casa. A garota não sabia como seria daqui para frente, mas tentava confiar nas suas mães e pensar que com a fisioterapia começando em breve, Beth ficaria boa logo e faria o possível para se dar bem com todos.

Beth sabia que sua mãe Quinn a encontraria em casa junto de sua irmã e seus tios. Ela não sabia quem estaria lá além deles, mas tinha certeza que sua abuela não a deixaria chegar em casa sem ser bem recebida.

Não demorou para que Santana estacionasse seu carro na garagem, sorrindo animada para Beth antes de descer do carro e ir ajuda-la.

– Certo, bee. Vou só pegar sua cadeira, está bem? – Santana ia para a porta molas, pegando a cadeira de rodas de Beth e a abrindo próximo a porta da frente onde a mesma estava.

– Isso é tão frustrante, Ma. – Beth falava suavemente, enquanto Santana a pegava no colo e a sentava em sua cadeira. – Ter que depender sempre de alguém para poder sair ou entrar no carro.

– Eu sei, mijá... – Santana depositava um beijo na cabeça da filha. – Mas isso vai acabar em breve, e logo você vai estar andando novamente. – A latina sorria, fechando a porta do carro e levando Beth para dentro de casa.

– Bem-vinda, bee! – Olivia e Alejandro gritavam empolgados, pulando ao ver Beth entrando em casa com ajuda de Santana.

– Wow... – Beth começava a rir ao ver que toda sua família estava na sala a sua espera. Tinha uma grande faixa com tinta rosa escrito “Bem vinda de volta, Beth.” E alguns balões jogados no sofá.

– Você voltou! – Olivia foi a primeira a se sentar no colo de Beth, passando seus braços em volta do pescoço da mesma e lhe abraçando forte.

– Voltei, Liv. É muito bom estar em casa. – Beth sorria suavemente.

– Estamos muito felizes que você finalmente voltou. – Maribel falava carinhosa, e Beth apenas sorria para sua avó, e seus olhos passavam por cada um naquela sala. Seu tio Adam e sua tia Alyssa. Alejandro que se aproximava depositando um beijo na sua mão. Sua mãe Quinn que ao se aproximar, depositou vários beijos pelo seu rosto, a fazendo rir. E agora, pela primeira vez desde que chegou, Beth reparava a pessoa parada no começo da escada, a olhando sorrindo apaixonada.

– Charlie? – Beth sussurrava, virando sua cadeira para ficar de frente para sua namorada.

Charlie sentia seu peito acelerado enquanto se aproximava de Beth. A mesma podia notar o sorriso suave nos lábios da loira e estendeu sua mão, segurando na da mesma.

– Você finalmente saiu daquele lugar. – Charlie franzia seu nariz, fazendo careta.

– Finalmente. – Beth sorria, entrelaçando seus dedos aos de Charlie. – A senhorita não deveria estar na aula, Charlotte Ray? – Beth semicerrava os olhos, fazendo Charlie rir.

– Deveria, mas a minha namorada que estou morrendo de saudades acabou de sair do hospital e eu não aguentaria ficar naquele colégio sabendo que ela estava livre daquele lugar. – Charlie respondia carinhosa, sem tirar seus olhos de sua namorada.

Beth sentia as borboletas em sua barriga batendo asas sem parar. Seu sorriso era impossível de controlar e ela não podia negar o quão apaixonada era por Charlie.

– Vem aqui. – Beth sussurrava, mordendo o canto de seus lábios e puxando suavemente a mão de Charlie, fazendo-a se abaixar, pousando a mão em seu rosto e seus lábios se encontravam iniciando um beijo delicado e apaixonado, que não durou por muito tempo já que Santana limpava sua garganta, fazendo-as se separarem. – Boba. E eu também senti sua falta. – Beth sussurrava contra os lábios de Charlie, depositando um selinho demorado no mesmo, antes de se afastarem e ficarem apenas de mãos dadas.

– Fico muito feliz que estamos todos felizes... Agora, mami... – Santana se virava para Maribel. – Fiquei sabendo que você fez um bolo delicioso!

– Bolo de chocolate, mama! – Olivia falava empolgada e Quinn revirava os olhos.

– Elas ficam parecidas a cada dia. – Quinn comentava e Adam começava a rir.

– Pois é, mas eu vejo muito de você na Olivia, Quinn. – Adam comentava. – Ela é irritante às vezes. – O irmão de Santana brincava.

– Hey! – Olivia e Quinn falavam juntas, fazendo os outros rirem.

Xxxx

Após comerem o bolo que Maribel preparou, Beth estava na sala próximo ao sofá, com Charlie sentada logo ao seu lado, com Louise e Thomas ao lado da mesma.

– Tem muita gente querendo de te ver, Beth. – Thomas falava suavemente, fazendo Beth sorrir.

– As meninas do time de corrida estão ansiosas. Bethany, Amy, Mia. – Louise comentava. – Elas queriam vir com a gente.

– Provavelmente quando você voltar para a escola na segunda-feira vai ser bem recebida. – Thomas sorria.

– Sem contar que no grupo do glee estão todos animados para a sua volta. – Charlie falava carinhosa, acariciando a mão de sua namorada. – Estão todos esperando por você, gatinha. Até as garotas da aula de dança. – Beth sorria sentindo seu peito apertar.

Ela não sabia como seria recebida quando chegasse ao colégio na cadeira de rodas, mas depois de ouvir o que seus amigos falavam, Beth se sentia aliviada em saber que teria o apoio de seus outros amigos.

– Pelo menos terei o glee para me ocupar, já que não vou poder mais correr. – Beth comentava.

– Por enquanto. – Charlie e Thomas falavam juntos.

– Logo você vai voltar a correr comigo. – Charlie falava, depositando um beijo contra a mão de Beth.

– Sabe, só porque você está na cadeira de rodas, não significa que você precisa se afastar do seu time, Beth. – Thomas falava concentrado, fazendo Beth revirar os olhos.

– Sério? E como você acha que vou conseguir ajuda-las, Thomas?

– Você é ótima no que faz, Beth. Nós sabemos o quanto você tem sua rotina para se preparar para cada corrida. Talvez para alguns seja simples só correr, mas nós sabemos o quanto você leva isso a sério. – Thomas falava suavemente, deixando as três garotas confusas. – Você pode ajudar as outras garotas, Beth. Dando dicas e as incentivando. Talvez você possa até participar do treino sendo a co-coach com seu treinador. – Thomas falava orgulhoso pela ideia que teve e Beth franzia o cenho.

Talvez não fosse uma má ideia. Dessa forma, Beth continuaria próximo do seu time e quando voltasse não perderia nada. Mas também não era difícil ignorar o fato de que Beth se sentia incapaz de fazer o que fosse. Esse maldito sentimento de que Beth estava 100% incapaz a fazia se sentir como se não pudesse fazer absolutamente nada.

– Talvez seja uma ótima ideia, bee. – Charlie falava, animada.

– Você sem dúvidas ajudaria muito. – Louise incentivava e Beth pressionava seus lábios.

– E-eu vou pensar. – A garota respondia suavemente. Antes de tomar qualquer decisão, Beth precisava aceitar suas condições.

Xxxx

O relógio marcava exatamente nove horas da noite e Beth agora estava sentada em sua cama sozinha, enquanto Charlie preparava um lanche para as duas. A garota tinha uma confortável cama king-size, com suas roupas todas no guarda-roupa de hospedes. Alguns de seus ursos estavam arrumados na pequena prateleira próxima a televisão e sua ovelha estava sem colo.

Beth não podia negar que tudo aquilo foi um esforço que suas mães e seus tios fizeram para deixa-la confortável. No banheiro do quarto, tinha uma cadeira de rodas própria para tomar banho e Beth pode notar algumas modificações temporárias que Santana tinha feito. Como um apoio próximo ao toalete para facilitar seus movimentos ao sair da cadeira.

Era difícil aceitar tamanha mudança em sua vida e Beth sentia seu coração pesado sobre seu estômago. Era como se tudo dentro dela estivesse despedaçando e parecia que todas às vezes, em que tentava enfrentar tudo sendo positiva, algo sempre a puxava para baixo, a fazendo querer desistir e largar tudo para trás.

Beth se sentia sozinha e o vazio em seu peito fazia seus olhos encherem de lágrimas. Ela estava inválida. Isso era o que se passava em sua cabeça a cada dois segundos.

A garota podia ouvir a conversa de sua família vindo em direção à cozinha e se perguntava como seria daqui para frente. Esse vazio era tão grande que Beth sentia como se sua vida tivesse acabado. Era como se tudo não valesse mais a pena. O vazio a fazia querer dormir e não acordar nunca mais.

Enquanto estava perdida em seu pensamento, Beth sequer percebeu que Charlie entrava novamente no quarto com uma bandeja com dois sanduiches de queijo e dois copos de suco de laranja. A garota colocou a bandeja em cima da cama e se sentou ao lado de sua namorada.

– Preparei dois sanduiches deliciosos com queijo branco e cheddar. Seus favoritos. – Charlie sorria, mas Beth apenas olhou para os lanches, balançando sua cabeça.

– Eu não sei se estou com fome. – Beth sussurrava, fazendo Charlie olhá-la confusa.

– Mas bee, você me disse há minutos atrás que queria comer alguma coisa. – Charlie arqueava sua sobrancelha e ao encontrar os olhos de Beth, podia notar que algo estava diferente. – Gatinha, você precisa comer. Desde a hora em que chegou só comeu aquele pequeno pedaço de bolo da abuelita.

– Eu me sinto vazia, Charlie. – Beth encostava sua cabeça na cabeceira, começando a chorar em silêncio. – Me sinto sozinha. Tudo o que eu tinha parece ter sido arrancado de mim, sem sobrar nada. – Charlotte no mesmo instante, passou seu braço em volta de Beth, trazendo o corpo da mesma para perto do seu, deixando que a cabeça de sua namorada deitasse sobre seu peito.

– Você não está sozinha, Beth. – Charlie sussurrava. – Você tem a mim. Suas mães. Gatinha, você tem tanta gente ao seu lado que chega a ser irônico você se sentir tão sozinha.

– Sei que tenho todos vocês, Charlie, mas não é essa a questão. – Beth soluçava. – Eu não me sinto bem. Eu quero sumir todas as vezes que fico sozinha. Quero desaparecer ou dormir para nunca mais acordar. Nada disso faz sentido pra mim. Eu dependo de todo mundo. Isso é frustrante e eu. –

– Beth! – Charlie a interrompia, sentindo seu coração apertar por ver sua namorada falando daquela forma. – Não fala assim! Não fala desse jeito. Se o problema é você ficar sozinha, eu peço para minha mãe me deixar morar aqui. Te faço companhia 24 horas por dia, porque faço qualquer coisa para te deixar bem. Qualquer coisa, Beth. – Charlie apertava seus braços em volta de Beth, depositando um beijo contra sua bochecha. – Eu te amo, não fala assim.

– É tão difícil. – Beth falava baixo, pousando suas mãos sobre os braços de Charlie e a abraçando.

– Não se preocupe. Vou cuidar de você, gatinha. – Charlie depositava outro beijo em Beth.

Ver Beth daquela forma assustava Charlotte mais do que ela esperava. A garota sabia que Beth teria problemas com sua situação, mas nunca imaginou que começaria assim. Se assustando com a forma como Beth estava falando em querer desaparecer. Seu coração apertava e Charlie esperava que com o decorrer dos dias, pudesse ajudar sua namorada a se recuperar.

Algumas horas se passaram e agora quem estava fazendo companhia para Beth era Quinn. Charlie precisou ir para casa, mas fez o possível para ficar até tarde com sua namorada e ao sair, conversou com Santana explicando tudo o que Beth tinha lhe dito ao se sentir sozinha.

Quinn ajudava sua filha a vestir o pijama, quando Maribel entrou no quarto, trazendo uma xícara com chocolate quente.

– Trouxe um delicioso chocolate quente para te ajudar a dormir. – Maribel sorria, colocando a xícara no criado ao lado da cama.

– Gracias, abuela. – Beth falava suavemente, amarrando seu cabelo em um rabo de cavalo.

– Filha, Charlie me contou que você não quis jantar. – Quinn ajeitava o edredom, cobrindo as pernas de Beth, enquanto a mesma apenas a olhava. – Você precisa comer alguma coisa, Beth.

– Amanhã. – Beth sussurrava. – Amanhã tomo um delicioso e reforçado café da manhã, está bem? – A garota rebatia, fazendo Quinn arquear sua sobrancelha.

– Você precisa de mais alguma coisa? – Maribel perguntava carinhosa.

– Mmmm, andar talvez? – Beth falava sem pensar. – Mas oh, não, espera... Isso eu não posso. – A garota pressionava seus lábios e antes que Maribel pudesse responder, Quinn se intrometeu.

– Bom, a não ser que você queira levar um tapa na boca por responder sua abuela, eu sugiro que você fique quieta. – Quinn falava autoritária e no mesmo instante, Beth sentiu seu estômago revirar ao perceber o modo como falou com Maribel.

– Me desculpe, abuela. – Beth respondia suavemente.

– Controle-se. – Maribel falava. – Sei que sua situação não é fácil, mi amor, mas você precisa se controlar e começar a pensar antes de falar.

– Eu sei. Me desculpe. – Beth passava a mão por seus olhos, se segurando para não chorar. – Será que vocês podem me deixar sozinha? – A garota pedia educadamente. – Estou exausta e quero dormir.

– Claro, mi amor. – Maribel sorriu suavemente, depositando um beijo contra a cabeça de Beth antes de deixa-la sozinha com Quinn.

– Olha, eu sei que não está nada fácil para você, mas não é a primeira vez que isso acontece, Elizabeth. – Quinn falava suavemente, porém autoritária ao se aproximar da filha. – Você realmente precisa medir suas palavras antes de falar.

– Eu sei. – Beth sussurrou, começando a deitar em sua cama. – Prometo que vou tomar cuidado.

– Ótimo. – Quinn se aproximou depositando um beijo na testa da filha. – Se precisar de alguma coisa, é só nos chamar. Dorme bem. Te amo, little one. – Beth apenas sorriu e assim que seguia Quinn com seus olhos percebendo que a mesma saia de seu quarto, Beth sentiu como se seu coração tivesse sido arrancado de seu peito. A sensação era horrível e sem pensar, chamou Quinn de volta.

– Mãe? Mamãe Q? – Beth se virava para a porta e não demorou para que Quinn estivesse dentro de seu quarto novamente.

– O que houve, filha?

– Mãe, e-eu sei que não sou mais uma criança, mas será que... – Beth mordia o canto de seus lábios. – E-eu não quero ficar sozinha. Você pode cantar pra mim? – A garota desviava seu olhar e Quinn sorria carinhosa, começando a tirar seus sapatos e se aproximando da cama de Beth. – Será que você pode pegar a Lucy pra mim? – Beth perguntava e antes de se deitar ao lado da filha, Quinn tirava a ovelha da prateleira e a levava para a cama entregando para Beth.

Quinn se deitou ao lado de Beth, ficando frente a frente com a garota. A mesma segurava Lucy contra seu peito e sorria carinhosa para sua mãe. Fabray passava seus dedos carinhosamente pelo cabelo loiro de sua filha e enquanto olhava nos olhos da mesma, podia notar o quão parecidas eram. A cor dos olhos. O cabelo. O desenho do rosto e das bochechas. Tudo em Beth lembrava Quinn. Talvez até mesmo a personalidade, mas Beth tinha uma grande parte de Santana nisso.

Seus dedos deslizavam pela bochecha da sua filha, quando começava a cantar suavemente uma das músicas que Beth sempre adorou quando criança. Elizabeth Mitchell – Little Jane. A garota fechou seus olhos, ouvindo a voz suave de sua mãe, enquanto tentava relaxar e finalmente cair no sono.

Quinn olhava atentamente para Beth enquanto cantava e podia notar o quão frágil sua filha estava. Era difícil para ela e Santana, já que ambas pareciam estar sem saber o que fazer para não deixarem que Beth entrasse em depressão, até porque, depois de Charlie ter contado o que Beth falou, a preocupação de Santana e Quinn com Beth aumentava ainda mais. Elas não sabiam se deveriam deixar a garota sozinha por muito tempo e se preocupavam com o que poderia acontecer com o decorrer dos dias.

Xxxx

Duas semanas depois.

Exatamente duas semanas tinha se passado desde quando Beth voltou para casa e as coisas pareciam ficar dava vez piores.

Adam junto de Alyssa e Alejandro precisou voltar para L.A, mas Maribel fez questão de ficar para ajudar sua neta no que fosse preciso. Ela ainda passaria mais uma semana na casa de sua filha e não podia negar que também sofria por ver o quanto todas elas se esforçavam para manterem Beth bem.

No dia em que voltou para o colégio, Beth foi bem recebida por todos os seus colegas. As garotas do seu time de corrida ficaram animadas por sua volta e fizeram uma pequena surpresa para ela, que a deixou feliz naquele dia. O clube do coral não foi diferente, preparando uma festa com a sua volta e todos a ajudaram para onde ela ia. Charlotte não desgrudava de sua namorada, e nem Louise e Thomas. Um deles sempre a fazia companhia com medo de deixa-la sozinha.

Mas com o decorrer do tempo, Beth ainda não tinha decidido sobre a ideia de Thomas e se afastou do time de corrida, apenas conversando com suas amigas, mas não se interessava por nada que acontecia no time. No clube do coral, Beth apenas comparecia e sequer cantava como antigamente. A garota apenas marcava sua presença e mesmo com a insistência de Charlotte para que ela cantasse, Beth não sentia vontade alguma para isso.

Seu relacionamento com Charlotte parecia cada vez mais difícil. Beth se sentia irritada praticamente todos os dias e descontava sempre em sua namorada ou nas suas mães e irmã. A garota parecia se sentir pior a cada dia e tudo parecia estar desmoronando. No dia dos namorados Charlotte insistiu que fossem jantar juntas, mas Beth não via um motivo sequer para comemorar aquela data e acabaram ficando em casa discutindo mais uma vez.

Beth tinha perdido a vontade de comer, de cantar, de pintar e até mesmo de levantar pelas manhãs para ir ao colégio. Ela queria sempre ficar sozinha e era exatamente por isso que muitas vezes afastava Charlie que fazia o possível para ajuda-la.

Sua fisioterapia era o único lugar onde Beth não se sentia tão depressiva. Sempre quando estava lá e fazia seus exercícios, podia sentir como se fosse voltar a andar a qualquer momento. Ela podia sentir o quanto era puxado e o quanto seu fisioterapeuta era exigente ao movimentar seus pés e suas pernas. Ela ainda não podia fazer isso sozinha, então muitas vezes, era ele quem a aquecia. Suas sessões de fisioterapia era o único lugar onde Beth conseguia evitar seu estresse, mas sempre que voltava a se sentar em sua cadeira de rodas, toda sua tristeza voltava como se nunca tivesse ido embora.

A convivência em sua casa estava estressante. Beth mal tolerava sua irmã e sempre discutia por qualquer coisa que Olivia fazia. Santana e Quinn estavam visivelmente exaustas e não sabiam mais como agir ou o que fazer para ajudar Beth. Ambas davam tudo de si, mas nada parecia o suficiente para evitar que Beth se sentisse depressiva. A frustração de Quinn e Santana era tanta que muitas vezes acabavam brigando entre si, mas logo faziam as pazes ao perceberem o motivo real de toda a discussão.

Olivia muitas vezes não sabia o que fazer e sempre quando Beth não estava bem, a pequena pedia que suas mães a deixasse brincar na casa de Bella ou passear com Rachel e Valerie, e Santana concordava, porque sabia que nem mesmo para sua caçula as coisas estavam fáceis.

Era fim de semana e Quinn junto de Santana estava deitada na cama, abraçadas de olhos fechados apenas aproveitando a companhia uma da outra. Fazia dias que ambas não sabiam o que era aproveitar o silêncio. Olivia estava em seu quarto vendo desenho e Beth estava em seu quarto desenhando em um de seus cadernos que Santana lhe deu, já que a mesma não podia descer as escadas para o estúdio onde sempre ia.

– Me sinto exausta. – Quinn murmurava, escondendo seu rosto no pescoço de Santana. – O que está acontecendo, San? Nossa filha está tão diferente. As duas estão.

– Também me sinto exausta, Q. – Santana depositava um beijo contra a cabeça da loira. – Não vejo a hora de levarmos Beth para a próxima consulta com a doutora Gutierrez e ela nos dar uma solução para como cuidarmos da nossa filha. Parece que tudo que fazemos é errado. Estou cansada dessa atitude mal criada dela. – A latina falava suavemente. – Eu só estou com medo de Beth estar em depressão, Q. – Santana comentava e no mesmo instante Quinn levantou sua cabeça, encontrando o olhar de sua esposa. – Lembra que a doutora Gutierrez nos disse que Beth poderia sofrer algumas mudanças? – A latina perguntava e Quinn assentia suavemente. – Ela disse que Beth poderia entrar em depressão, e estou com medo de que isso esteja acontecendo, Quinn. – Os olhos da latina começavam a se encher de lágrimas e Quinn podia sentir seu estômago revirando. – Ela não conversa mais com a gente como antes. Trata a Olivia mal. Você reparou o modo como ela é fria quando Charlotte está aqui? – Santana se ajeitava na cama, e Quinn ficava em silêncio, sentindo as lágrimas escorreram por sua bochecha. – Ela sequer sai do quarto, Q. Sei também que ela não está mais interessada em participar do clube do coral. Charlotte me contou que ela não canta e a fica lá apenas ouvindo os outros cantarem. Isso não é normal, amor.

– Será que deveríamos passa-la em um psicólogo? – Quinn perguntava suavemente. – San, eu não quero que nossa filha entre em depressão. Isso seria horrível. Já é péssimo não poder ajuda-la.

– Eu não sei, amor, talvez seja melhor. – Santana encolhia seus ombros. – Sinceramente, não sei mais o que fazer para ajuda-la. Nós fazemos de tudo e ela continua se fechando e se isolando.

– Talvez fosse bom conversarmos com ela? – Quinn deitava novamente sua cabeça no peito de Santana, passando a mão sobre seu rosto.

– Talvez. – Santana respondia e antes que pudessem dizer algo, a porta do quarto se abriu e Olivia se aproximava da cama, segurando seu coelho de orelhas cumpridas. – Hey mijá... – Santana sorria, enquanto a pequena subia na cama, se deitando nas costas de Quinn, com sua bochecha colada ao da mãe.

– Mmm, sinto que alguém está carente essa noite. – Quinn brincava e Olivia ria baixo.

– Estou entediada, mamãe Q. – Olivia respondia, deitando seu coelho na frente de Quinn, no peito da latina.

– E o que você gostaria de fazer, senhorita Lopez? – Santana perguntava formalmente, fazendo a pequena rir. Naquele momento, a risada de Olivia fez suas mães se lembrarem do quanto sentiam falta daquele som. Fazia dias que nenhuma delas relaxavam e riam juntas daquela forma com a caçula, já que estavam sempre preocupadas em ajudar Beth.

– Mama, você fala engraçado. – Olivia se jogava de cima de Quinn, se deitando agora em cima de seu coelho no peito de Santana. – Queria chamar Beth para brincar, mas acho que ela vai brigar comigo. – A pequena falava suavemente. – Ela anda muito brava.

– Ela só está cansada, mijá. Talvez seja melhor se você brincasse comigo e com a mamãe Q. O que acha? – Santana tentava animar sua filha, que no mesmo instante levantou a cabeça com seus olhinhos brilhando.

– Vamos jogar go fishing. – Olivia falava animada. – Vou buscar o meu jogo. – A pequena se levantou correndo indo para o seu quarto sem esperar a resposta de suas mães. Não demorou para que ela voltasse com seu jogo em mãos, encontrando Quinn e Santana sentadas na cama esperando por ela.

– Que demora. – Quinn brincava. – Eu e mamãe Tana já estávamos indo dormir.

– Não! – A pequena subia rapidamente na cama, se sentando entre suas mães e espalhando seu jogo sobre a cama. – Vamos jogas e a mamãe Q começa. – Olivia arrumava seu jogo e pela primeira vez Quinn e Santana podiam notar que Olivia estava mesmo se divertindo.

Enquanto as três brincavam no andar de cima, Beth já estava entediada de desenhar e jogava seu caderno, furiosa para o outro lado de seu quarto. A garota sentia como se quisesse gritar de raiva por estar naquela cadeira. Nada parecia fazer sentido e Beth não sabia mais o que fazer para se sentir bem. Seu coração estava vazio e apertado. Seu estômago revirava e sem que pudesse controlar, seus olhos começavam a se encher de lágrimas. Ela estava frustrada porque sabia o modo como estava tratando suas mães. Sabia o quanto estava afastando Charlie e isso era o que mais lhe dava medo.

Por mais que precisasse de Charlotte, ao mesmo tempo, Beth não queria que sua namorada fosse alvo de seus momentos de raiva. A garota estava com tanta raiva de sua situação que descontava sempre na pessoa errada. Tudo estava sempre dando errado e nada do que acontecia parecia lhe fazer feliz. Argh! O que está acontecendo comigo? Beth pensava, levando suas mãos para o seu rosto, sentindo suas bochechas molhadas.

Com muita dificuldade, Beth se movimentava na cama, apoiando seus braços sobre a mesma e se aproximando de sua cadeira de rodas travada ao lado de sua cama. Ela estava aprendendo a se locomover sozinha nessas situações e por mais que fosse difícil no começo, Beth estava levando jeito para pelo menos conseguir sair da cama.

Assim que se sentou na cadeira, destravou as rodas e começou a rodá-las saindo de seu quarto. Ela não tinha muitas opções de lugares para ir e passou primeiramente pela cozinha esperando que sua abuela estivesse lá, mas se lembrou de que a mesma tinha saído para fazer compras e continuou indo até a sala e sem perceber, já estava a frente da porta onde dava no estúdio que tanto amava.

Beth ficou encarando a porta por alguns segundos, pensando no quanto desejaria se trancar naquele lugar por algumas horas e pintar. Desenhar e pintar esquecendo tudo o que acontecia no mundo lá fora ou que sequer estava em uma cadeira de rodas. Seu coração apertava ao se lembrar de que não iria poder descer até lá por um bom tempo. Ela não sabia quanto tempo estava encarando aquela porta, mas saiu de seu transe assim que ouviu a risada de Olivia pelos corredores do andar de cima, a mesma rolou sua cadeira para a ponta da escada e pode ver sua irmã passando com duas cartas na mão e suas mães correndo atrás da mesma e assim que Quinn a pegou começou a mordê-la enquanto Santana tirava as cartas de sua mão.

– Sua ladrazinha. – Santana brincava, e Olivia continuava rindo. – Eu sabia que ela estava roubando, Q.

– Não estava! – Olivia respondia entre risadas. – Eu só não quero que a mamãe Tana ganhe. – A pequena estava no colo de Quinn, enquanto as três riam.

Beth observava tudo e por alguma razão ouvir a risada de Olivia a fazia bem e ao mesmo tempo lhe fazia mal. A garota sabia o quão má estava sendo com sua irmã e se sentia com ciúmes ao vê-las brincando daquela forma. Beth sentia falta daqueles momentos em que ela e Olivia apenas deitavam com suas mães na cama e conversavam e riam sobre assuntos aleatórios. A garota sabia que não poderia subir até lá e ajudar sua irmã, porque se tudo estivesse bem, ela sem dúvidas estaria fazendo isso. Seria ela e Olivia contra Quinn e Santana, e seria ela rindo lá cima junto de sua irmã, enquanto Santana provavelmente lhe faria cócegas até ela ameaçar a fazer xixi no carpete de sua mãe Quinn.

Sem ser percebida Beth voltou para seu quarto e assim que fechou a porta, dava seu primeiro soluço em meio ao seu choro. A garota começava a chorar sem parar se sentindo ainda mais vazia. Ela queria desaparecer, porque sabia que tudo isso era culpa dela. Beth só estava se sentindo assim porque isolou todos que estão tentando lhe ajudar. Suas mães poderiam estar com ela agora, se ela não tivesse pedido para ficar sozinha e não ser incomodada. Mesmo sem poder andar, Beth poderia estar brincando e rindo com suas mães e sua irmã se não fosse tão teimosa. Mas todo esse vazio era mais forte do que ela. Tudo o que sentia a fazia querer ficar sozinha e ela não aguentava mais sofrer dessa forma. Ela nunca se sentiu tão deprimida e estava assustada.

Beth se aproximou de seu celular ligando para a pessoa que mais precisava naquele momento. Ela sabia que ambas tinham brigado naquela manhã, mas Beth precisava de Charlotte. A garota estava com medo de perder sua namorada, porque sabia que Charlotte estava começando a lhe evitar, mas quem pode culpa-la? Isso tudo era culpa de Beth. Foi ela mesma quem fez sua namorada se afastar.

O telefone tocou por alguns minutos e do outro lado, Charlotte estava deitada em sua cama com Louise e Liah ao seu lado. A garota encarava seu celular sem saber se deveria atender ou não. Apesar de amar Beth, Charlotte não podia negar que estava machucada e se sentindo um lixo por tudo o que Beth vem feito com ela. A morena não fazia nada além de ajudar Beth. Charlotte só queria fazê-la se sentir bem, mas tudo o que Beth vem fazendo é afastá-la e discutir por coisas fúteis. Charlotte sabia que Beth ainda não gostava de Liah, mas com o decorrer do tempo, Liah e Charlie tinham se tornado grandes amigas. Assim como Louise que aprendeu a gostar da garota.

Charlie e Beth tinham discutido pela manhã e por mais forte que a garota fosse, Charlotte chegou chorando em sua casa e após dormir a tarde toda, ligou para Louise e Liah para que ambas fossem até sua casa. Ela precisava de suas duas amigas e já não sabia mais o que fazer para agradar Beth. Era tão frustrante que Charlie se sentia a pior namorada do mundo.

– Atende, Charlie. – Liah falava suavemente, quando o telefone de Charlie continuava tocando. – Se ela está ligando, é porque precisa de você. – Liah sorria e Charlotte olhou para Louise antes de atender.

– Alô? – Charlotte falava suavemente.

Charlie? – A voz de choro de Beth, fazia o coração de Charlotte apertar.

– Bee, o que houve? – Charlie perguntava, preocupada.

Eu não sei mais o que fazer. Eu não aguento mais. – Beth falava soluçando, e Charlie sentia seu coração apertando assustada.

– Bee, se acalma. Não fala assim, está bem? Se acalma, gatinha. – Charlotte se levantava de sua cama, começando a andar de um lado para o outro a procura de seu all star.

E-eu preciso de você. Eu quero minha mãe Santana e minha mãe Quinn de volta. Eu quero minha irmã de volta. – Beth chorava desesperada, fazendo Charlie calçar seus sapatos rapidamente. – Eu quero você de volta. Me perdoa, Charlie. Me perdoa por tudo o que ando fazendo. E-eu preciso de você.

– Shh, gatinha, se acalma. – Charlotte saia rapidamente de seu quarto a procura de suas chaves do carro. – Estou indo até aí. Tente se acalmar. Chego em alguns minutos.

Não me deixa, Charlie. Por favor. – O modo como Beth falava, fazia Charlotte querer abraça-la e nunca mais soltá-la.

– Gatinha, olha só, tenta se acalmar, está bem? Eu já estou saindo daqui. Te amo, Beth. Eu te amo muito. – Charlotte falava carinhosa.

Eu também te amo, Charlie. – E assim Charlie desligou seu celular, encontrando Liah e Louise logo a sua frente com olhar de preocupadas.

– O que houve? – Louise perguntava.

– Eu não sei, mas ela me pareceu muito nervosa. – Charlotte ajeitava seu cabelo, pegando seu celular e sua bolsa. – É melhor eu ir até lá e ver o que está acontecendo.

– Charlie, seja lá o que estiver acontecendo, vocês precisam conversar e Beth precisa saber como você está se sentindo. – Louise falava suavemente. – Converse com ela, está bem?

– Eu realmente quero conversar com a Beth, mas primeiro preciso saber o que está acontecendo, Lou. Ela parecia bem chateada no telefone. – Charlie sorria suavemente. – Preciso ir. Falo com vocês depois. – Charlie saiu rapidamente de sua casa para encontrar Beth.

Mesmo com tudo acontecendo. Mesmo com Beth lhe afastando o tempo todo, Charlie era apaixonada por aquela garota e a conhecia muito bem. Sabia o quanto Beth estava chateada por apenas ouvir seu tom de voz ao telefone, e por mais que estivesse machucada com a forma como estava sendo tratada, Charlotte não podia abandoná-la naquele momento e precisava vê-la. Mesmo que corresse o risco de ser afastada novamente.

Enquanto esperava por Charlotte, Beth estava deitada em sua cama novamente, abraçando forte sua ovelha Lulu. A garota chorava desesperada sentindo como se seu peito fosse explodir a qualquer momento. Não demorou para que a mesma ouvisse a porta de sua casa se abrindo e em seguida a porta de seu quarto se abriu e Beth se sentou rapidamente, encontrando Charlotte parada encostada na porta.

Beth continuava chorando e assim que Charlie a viu abraçada com Lulu, a mesma deixou sua bolsa e seu celular no criado mudo, se aproximando da cama e passando seus braços em volta de sua namorada.

– Charlie. – Beth sussurrava com seu rosto escondido no pescoço da mesma.

– Shh, está tudo bem. Tenta se acalmar, bee. – Charlotte falava carinhosa, passando sua mão sobre o cabelo de Beth, mas a mesma se afastou encontrando os olhos de Charlotte.

– Charlie, m-me desculpe. Me perdoa por tudo o que fiz com você. Por ter te afastado. Por ter brigado com você por coisas desnecessárias e. –

– Gatinha...

– Não, Charlie, me deixa terminar. – Beth soluçava, e o coração de Charlie se partia em mil pedaços ao ver sua namorada tão magoada daquela forma. – E-eu não sei mais o que fazer. Eu preciso de você. Me desculpa por ter te afastado dessa forma. Me perdoa.

– Beth...- Charlie não sabia se aquele era o momento exato para conversarem, mas talvez já que Beth estava se desculpando e era sincero, talvez fosse uma boa hora para colocar para fora tudo o que Charlie também estava sentindo. – Eu te amo muito, mas não está sendo fácil. Você me trata como se eu fosse um nada. Eu tento fazer as coisas para te agradar e tudo o que venho recebendo são patadas e discussões na qual sequer sei do porque estamos tendo. – Charlie falava suavemente e Beth apenas a ouvia. – Sei que não está sendo fácil, mas você precisa entender que eu só quero o seu bem. Já te falei mil vezes que faria qualquer coisa para te fazer feliz, Beth, não tem o porque você me maltratar dessa forma.

– Charlie, eu estou com medo. – Beth encaixava seu dedo na gola da blusa de Charlie, puxando a mesma para perto de si, e encostando sua testa ao da mesma. – Eu não sei o que está acontecendo comigo, mas eu estou com medo, porque eu nunca me senti tão vazia e sozinha dessa forma. Não tenho vontade de sair da cama. Só queria desaparecer, e todos os dias fico irritada por não poder fazer as coisas que sempre fiz. Não posso ir até meu estúdio para pintar. O dia dos namorados passou e sequer fizemos alguma coisa, porque sou idiota e egoísta o suficiente para pensar só em mim. – Beth soluçava, enquanto as lágrimas escorriam rapidamente por suas bochechas. – Me desculpa, Charlie. Eu nunca quis fazer você se sentir assim. Eu te amo tanto, e preciso de você comigo. Eu sinto como se estivesse te perdendo. Perdendo minhas mães e minha irmã, por mais ridículo que isso seja, mas eu sei que também estou afastando elas e eu sinto tanta falta das minhas mães, Charlie. Eu não sei o que fazer, porque por mais que eu tente ficar bem eu não consigo. – Beth sussurrava suas últimas palavras sendo interrompida por seu choro que parecia nunca acabar.

Charlotte sabia que estava difícil para Beth, mas nunca imaginou que estava grave. Ela ficava ainda mais preocupada e pensava que talvez, Beth precisaria de ajuda de um profissional.

– Eu não vou a lugar algum, amor, mas você precisa me prometer que vai parar de me afastar, Beth. De afastar as pessoas que realmente te amam. – Charlie depositava um beijo na ponta do nariz de sua namorada, levando suas mãos para as bochechas da mesma e secando suas lágrimas. – Nós todas te amamos e vamos estar aqui, mas amor, olha pra mim. – Charlotte levantava o rosto de Beth, fazendo-a olhar em seus olhos. – Não acho que isso que você está sentindo seja normal. Talvez você esteja precisando de alguma ajuda profissional.

– Como assim? – Beth perguntava suavemente.

– Olha, primeiro, o que acha de você conversa com suas mães e Olivia? Dizer como está se sentindo. Você sempre as teve para conversar sobre tudo e acho que seria uma ótima ideia se você as contasse como está e aí falamos sobre essa pequena ajuda profissional que estou sugerindo. – Charlie sorria suavemente, e Beth assentia.

– Está bem. – Beth respondia carinhosa. – Você tem razão. Sempre tive a liberdade de conversar com as minhas mães sobre tudo, posso contar como estou me sentindo agora.

– Isso. E sei que vai ficar tudo bem assim que você as explicar o que está acontecendo.

– E-eu as vi brincando com a Olivia alguns minutos atrás e... – Beth falava manhosa, desviando seu olhar de Charlie.

– E o que, amor?

– E fique com ciúmes? – Beth franzia seu nariz, fazendo Charlie rir baixo.

– Você o que?

– Charlie! Não é para você rir. – Beth cruzava os braços, ficando emburrada.

– Aww, gatinha. – Charlie sorria, se ajoelhando na cama e apoiando cada uma de suas mãos ao lado de Beth e se aproximando, depositando um selinho em seus lábios. – Linda. É normal estar com ciúmes. Você sente falta delas e provavelmente deve estar se sentindo de lado.

– Mhm, mas isso tudo é culpa minha. – Beth entortava sua boca. – Quero conversa com elas.

– Agora? – Charlie perguntava.

– Isso. Será que enquanto converso com elas, você poderia ficar aqui comigo?

– Amor, eu adoraria, mas acho que isso teria que ser uma conversa só entre vocês.

– Mas amor... – Beth falava manhosa, fazendo Charlie sorrir lhe dando outro selinho.

– Isso é somente entre vocês, gatinha. É um assunto de família.

– Mas você é da família.

– Você sabe o que quero dizer.

– Sei. – Beth fazia um bico suave. – Charlie, nós vamos ficar bem, certo? Eu e você? – Beth perguntava apreensiva.

– Claro, gatinha. Nós vamos ficar bem. – Charlie se aproximou dando uma mordida suave contra o lábio inferior de Beth. – Eu te amo. – A morena sussurrava, fazendo Beth sorrir.

– Eu também te amo. – Beth pousou uma de suas mãos na nuca de Charlie, fazendo seus lábios se conectar iniciando um beijo apaixonado. Charlotte inclinava sua cabeça para o lado oposto de Beth, deixando que sua língua encontrasse a da mesma, começando a massagear uma sobre a outra carinhosamente, fazendo Beth soltar um gemido entre seus lábios.

Charlie pousava uma de suas mãos na cintura de sua namorada, acariciando a mesma suavemente, deixando que sua mão encaixasse por dentro da blusinha da mesma, acariciando a pele macia de Beth, deixando seus dedos subirem dedilhando pela barriga da mesma e ambas pareciam se perder em seu próprio mundinho.

– Estou interrompendo alguma coisa? – A voz de Santana ecoava no quarto, fazendo as duas adolescentes pularem susto e se separarem rapidamente.

– Hey, tia San. – Charlie sorria, cumprimentando Santana.

– Oi Charlie, não sabia que você estava aqui. – Santana encostava na porta, e ao olhar para Beth, percebia o quão inchados e vermelhos os olhos da garota estava. – Bee, o que aconteceu? – A latina se aproximava da cama, olhando preocupada para sua filha.

– Mmm... Bom, já está na minha hora. Preciso ir. – Charlie sorria para Santana, e se virava para Beth, depositando um selinho demorado em seus lábios. – Vai ficar tudo bem. Me liga se precisar de alguma coisa. – Charlie sussurrava, depositando outro selinho em Beth. – Te amo.

– Obrigada. – Beth sorria suavemente. – Também te amo. – Beth acenava carinhosa, e Santana continuava parada próximo a cama de sua filha, revirando os olhos, brincando ao ver o quão melosa as duas adolescente eram.

– Tchau tia San. – Charlie acenava para Santana e logo desaparecia do quarto de Beth, deixando mãe e filha a sós.

– O que aconteceu, mijá? – Santana se sentava na cama ao lado de Beth.

– Mami, será que podemos conversar? – Beth perguntava.

– Claro, bee.

– Será que você pode chamar a mamãe Quinn e a Olivia? Eu gostaria de conversar com todas vocês. – Beth sorria timidamente e Santana assentiu se levantando para chamar sua esposa e sua filha caçula.

Beth brincava com uma das orelhas de sua ovelha enquanto Quinn entrava no quarto junto com Santana e Olivia logo atrás escondida se sentando no colo de Santana e deitando sua cabeça no peito da mesma.

– O que houve, filha? – Quinn perguntava apreensiva, percebendo que Beth esteve chorando. Ela, Santana e Olivia estavam sentadas no pé da cama, ficando de frente para Beth.

– E-eu quero...- Beth começava a falar, mas seu choro ficava engasgado em sua garganta.

– Bee, está tudo bem. – Santana falava suavemente e Beth respirava fundo.

– Eu quero me desculpar. – Beth falava suavemente. – Com vocês três pela forma como venho agindo essas últimas semanas. – A garota engolia seu choro, mas as lágrimas se formavam novamente em seus olhos. – Sei que não está sendo fácil para mim, mas também não está sendo nada fácil para vocês terem que me ver assim. Sei também o quanto todas vocês estão se esforçando para me ajudar e tudo o que tenho feito e afastá-las. – Beth começava a chorar em silencio e não só ela, mas suas mães também já estavam chorando. – Eu sinto falta de vocês. Eu sinto falta da mamãe Q me ajudando a arrumar meu cabelo de manhã e me colocando para dormir mesmo eu já sendo velha o suficiente para fazer isso sozinha. – A garota ria suavemente. – Eu sinto falta da mama me fazendo rir nas piores horas. – Beth virava para Santana e Quinn ria baixo.

– Ah sim, ela tem esse dom mesmo. – Quinn arqueava sua sobrancelha e Santana dava de ombros, fazendo Beth rir.

– Eu sinto falta de vocês. E principalmente da minha melhor amiga... – Beth pausava por alguns segundos olhando em direção a Olivia que continuava com sua cabeça deitada no peito de Santana sem olhar para sua irmã.

– Sua melhor amiga? – Santana perguntava, olhando para Olivia.

– Mhm, ela costuma sempre me fazer companhia dormindo comigo algumas vezes. Geralmente ela me faz rir muito e sempre alegra meu dia. – Beth falava carinhosa e agora Olivia olhava sua irmã pelo canto de seus olhos. – Sinto falta quando ela pinta comigo. Quando ela brincar comigo. E o que mais sinto falta, é dos abraços e dos beijos que ela sempre costuma me dar.

– Mmmm, soube que esses abraços e beijos são os melhores. – Quinn falava sorrindo.

– E realmente são. Ela me conhece tão bem que quando eu estava no hospital, foi ela quem se lembrou de me levar a Lulu, porque ela sabia que minha ovelha me faria bem. – Agora Olivia virava sua cabeça olhando para Beth que sorria e chorava ao mesmo tempo. – Ela tem um cheirinho tão gostoso de uva. – Beth olhava nos olhos de Olivia que agora abria um sorriso de leve.

– Eu não tenho cheiro de uva. – Olivia respondia fazendo as três rirem

– Tem sim, e é o meu cheirinho favorito. – Beth respondia e abria seus braços chamando por sua irmã que rapidamente se levantou abraçando Beth com força. – Eu te amo, Liv. Me desculpa por ter sido uma irmã chata todos esses dias. Você me avisou tantas vezes e mesmo assim continuei sendo chata com você. Me perdoa, está bem?

– Eu te amo, bee, e te perdoou. – Olivia respondia carinhosa, depositando um beijo na bochecha de Beth e se sentando em seu colo.

– Eu me sinto sozinha. – Beth começava a falar suavemente. – Eu sinto como se todos os dias quando acordo, meu coração é arrancando e me deixa no vazio. Eu não sei o que está acontecendo comigo, mas eu estou com medo. – Beth chorava em silêncio novamente. – Eu estou com medo, porque não quero afastar nenhuma de vocês, mas é o que mais ando fazendo. Eu preciso de vocês, mas não sei o que fazer. Me sinto perdida todos os dias. É como se essa minha vida não me pertencesse, mama. – Beth falava olhando para Santana e depois para Quinn. – Mãe, nem vontade de pintar mais eu tenho. Isso é tão frustrante. Parece que minha vida acabou e que. –

– E que você está vivendo a maior perda que já teve em toda sua vida. – Santana a interrompia, e Beth assentiu.

– É como se não existisse uma razão que me faça levantar todas as manhãs. – Beth encolhia seus ombros. – Não sei o que está acontecendo comigo.

Santana e Quinn se olharam por alguns segundos, antes de voltarem sua atenção para Beth. Ambas sabiam exatamente o que estava acontecendo, mas temiam que estivessem certas. Santana não conseguia esquecer as palavras da médica e se perguntava como tudo isso poderia estar acontecendo tão rápido. Apesar de estarem exaustas, Quinn e Santana não deixaria de ajudar Beth um segundo sequer. Ambas podiam sentir a dor e o quão difícil estava sendo para Beth e sentiam como se fossem explodir com o coração apertando daquela maneira. Nenhuma mãe se agrada ao ver o filho sofrendo daquela forma e Santana e Quinn sem dúvidas procuraria a ajuda que fosse preciso para trazer a antiga Beth de volta.

– Não se preocupe, meu amor. – Quinn falava carinhosa, se aproximando de Beth e se sentando ao lado da mesma. – Nós vamos te ajudar, está bem? E é claro que te perdoamos. Você só precisa prometer que vai se esforçar para melhorar.

– Obrigada, mãe. E Charlie falou a mesma coisa. – A garota ria suavemente. – Eu prometo que vou me esforçar.

– Mijá, tudo que fizemos até agora foi pensando no seu bem. – Santana falava suavemente. – Nunca tivemos intenção algum em te prejudicar ou te magoar. Isso que você está sentindo, talvez seja necessária procurarmos uma ajuda profissional, porque não é normal, bee. Se nós não estamos conseguindo te fazer se sentir bem, então isso não é normal. – A latina se aproximava, se sentando um pouco mais perto de sua filha. – Nós somos uma família. Somos suas mães e somos loucas por você e sua irmã. É claro que te perdoamos, mi amor. Você e sua irmã são nossas vidas. Eu e sua mãe só somos 100% completas tendo vocês. – Santana segurava na mão de suas duas filhas, sorrindo para ambas. – Somos uma família e vamos fazer de tudo para sempre ajudarmos umas as outras. Nós vamos te ajudar a melhorar, bee. Eu prometo. – Santana se aproximou depositando um beijo suave na testa de Beth e em seguida de Olivia.

Após ter conversado com suas mães, Beth se sentia mais aliviada e estava decidida que se esforçaria para melhorar e não afastar mais ninguém da sua vida. Ela estava apreensiva e com medo se realmente iria conseguia, mas depois de ouvir as palavras de Santana, ela sabia que podia confiar em suas mães e que agora ela já não tinha mais o porque se sentir tão sozinha. Beth iria melhorar emocionalmente e fisicamente.

Notas finais
E então, gostaram? Espero que sim! Esses últimos capítulos quis focar bastante em como Beth passaria por toda essa mudança, mas agora prometo que as coisas vão melhorar para as Lopezes. Review? x