Beating Heart.
8 I will become yours
Notas iniciais
Beth olhava para o relógio pendurado na frente da sala, esperando ansiosa para que o sinal batesse. Hoje seria a noite de seu primeiro encontro com Charlie e ela já tinha tudo planejado. Beth queria que Charlie tivesse o melhor primeiro encontro e estava com medo de que algo desse errado.
Não demorou para que o sinal batesse. A garota juntou suas coisas rapidamente, saindo às pressas de sua última aula, se despedindo de Louise para ir direto ao seu armário guardar seus livros. Logo que chegou ao mesmo, Beth abriu um sorriso enorme ao ver quem estava encostada no mesmo lhe esperando.
– Hey. – Charlie sussurrava, sorrindo enquanto Beth se aproximava segurando seus livros.
– Hey boo. – Beth respondia e ao se aproximar, nenhuma das duas sabia o que deveriam fazer, mas antes que a loira tivesse algum pensamento que lhe deixasse confusa, Charlie se aproximou depositando um beijo demorado em sua bochecha.
– E então, você vai me contar o que vamos fazer hoje ou não? – Charlie se encostava novamente no armário ao lado de Beth, enquanto a loira começava a guardar seus livros.
– Não Charlie, já te falei que é surpresa. – Beth sorria. – Apesar de eu ser péssima com surpresas, mas espero que você goste. – A loira fechou seu armário, segurando apenas sua bolsa, dois livros, celular e suas chaves do carro.
– Argh! Você sabe como eu sou com surpresas, bee. Fico ansiosa e aflita. – Charlie fazia um bico adorável quase irresistível, fazendo Beth se segurar para não beijá-la ali mesmo.
– Bom, trate de aprender a aguentar, porque você só vai saber hoje à noite. Agora preciso ir, porque tenho que buscar Olivia no colégio. – Sem pensar, Beth se aproximou depositando um selinho nos lábios de Charlie e logo respirou fundo se afastando.
– Te vejo mais tarde, dork. – Charlie brincava, franzindo seu nariz olhando Beth se afastar.
Xxxx
Beth estacionava seu carro em frente ao colégio de Olivia e não demorou para avistar sua irmã saindo de mãos dadas com um garoto que ela imaginou ser Brooklyn. Beth desceu do carro e notou o quanto Liv parecia séria ao conversar com o amiguinho, mas não demorou para que Liv avistasse sua irmã e a mesma se despediu de Brooklyn, correndo para pulando no colo da irmã que a pegou no colo no mesmo instante.
Olivia passou suas pernas em volta da cintura de Beth, seus braços em volta da nuca da mesma e escondeu seu rostinho no pescoço da irmã. Beth podia sentir o quão tensa a pequena estava e apenas a segurou firme em seus braços, passando a mão pelas costas da pequena.
Sem dizer nada, Beth colocou sua irmã sentada no banco de trás, fechando seu cinto e deixando a mochila da mesma ao seu lado. A loira depositou um beijo na testa da pequena e fechou a porta para que pudessem voltar pra casa e descobrir o que estava acontecendo com sua irmã.
O caminho até em casa foi silencioso. Olivia encarava as imagens que passava pela janela do carro, enquanto Beth olhava vez ou outra pelo retrovisor para observar sua irmã. A garota sabia que algo tinha acontecido, mas preferia esperar até a hora certa para descobrir.
Quando Beth estacionou seu carro na garagem, Olivia tirou seu cinto, pegando sua mochila, fechando a porta e esperando por sua irmã. A pequena segurou na mão de Beth com força enquanto as duas entravam em casa e encontravam Quinn subindo de seu estúdio.
– Oi meus amores. – Quinn se aproximava depositando um beijo na bochecha de Beth e em Olivia percebendo que a pequena se encolhia ao lado de sua irmã.
– Oi mãe, chegou cedo. – Beth sorria. – Achei que ficaria na galeria até mais tarde hoje.
– Sai para resolver alguns problemas essa tarde e acabei vindo direto para casa. – Quinn passava sua mão carinhosamente pelo cabelo de Olivia. – Como foi seu dia, pookie? – Fabray sorria para Liv, mas a pequena dava de ombros olhando para seus pés. – Hey, o que houve, meu amor? – Quinn olhava preocupada para Beth e se abaixava na altura de Olivia para olhar em seus olhos.
– Nada. – A pequena respondia suavemente, respirando fundo. – Eu vou para o meu quarto tomar banho. – Liv soltava a mão de Beth, mas antes, passou seus braços fortes em volta da nuca de Quinn. – Eu te amo, mamãe Q. – A pequena sussurrava.
– Eu também te amo, pookie. – Quinn correspondia o abraço, depositando um beijo na bochecha da filha.
Olivia soltou sua mãe, puxando sua bolsa enquanto subia as escadas para que pudesse tomar seu banho. Quinn e Beth observavam a pequena em silêncio e quando a mesma desapareceu pelo corredor, Fabray sentia seu coração apertando imaginando que algo tivesse acontecido com sua bebê.
– Beth, o que houve?
– Eu não sei, mãe. – Beth falava preocupada. – Ela está assim desde a hora em que a busquei na escola. – A loira temia que toda essa situação fosse culpa da mãe de Chloe e sentia a raiva começando a percorrer seu corpo. A garota sabia que se algo grave estivesse acontecendo com sua irmã, ela teria que contar para suas mães. – Mmm... mãe, acho que... Talvez, você e a mami deviam conversar com ela essa noite. – Quinn franziu a sobrancelha percebendo o tom de voz de sua filha.
– Little one, o que aconteceu?
– Só... Conversa com ela, está bem? Eu acho que tem algo acontecendo e não sei se posso resolver tudo sozinha. – Beth sorriu suavemente, depositando um beijo na bochecha de Quinn. – Ela vai se sentir mais segura com você e a ma. – Quinn assentiu, respirando fundo enquanto Beth agora desaparecia para seu quarto.
Quinn sabia que seus instintos maternos estavam certos e algo estava acontecendo com sua pequena Olivia. A loira sabia que precisava conversar com Santana para que pudessem resolver juntas o problema da pequena.
Xxxx
O relógio marcava 6h30 da noite, e Beth estava pronta para buscar Charlie. Ambas tinham decidido que o encontro seria por conta da loira e que a mesma quem buscaria sua amiga. A garota usava um top branco de alça, com uma saia rosa bebê de cintura alta deixando um pouco de sua barriga a mostra. A saia tinha o cumprimento até meta de suas coxas e colocou um casaco cumprido preto de cetim com flores da mesma cor de rosa de sua saia. Calçou uma bota sem salto de cano curto preto e optou em deixar seu cumprido cabelo loiro solto, jogando-o apenas para o lado como sempre gostou. Passou uma maquiagem leve, realçando seus olhos castanho-esverdeados como os de sua mãe Quinn e um batom Pink claro, já que nunca foi fã de batons escuros. Não era difícil perceber que Beth tinha puxado o estilo de Quinn não dispensava qualquer saia ou vestido.
A garota se olhava no espelho pela última vez, pegando seu celular, mandando uma mensagem para Charlie, avisando que estava saindo de casa. Beth pegou sua bolsa com as chaves de seu carro, saindo do quarto.
Beth estava tão nervosa, que mal conseguia parar de tremer. Seu coração estava acelerado e parecia que a mesma sairia com uma pessoa desconhecida pela primeira vez e não com sua melhor amiga. Antes de descer as escadas, Beth resolver dar uma última olhada em sua irmã, entrando no quarto da pequena para se despedir.
– Hey Liv. – Beth se aproximava de sua irmã que estava deitada assistindo desenho, abraçada com seu coelho de pelúcia. – Eu já estou indo sair com a Charlie. Você vai ficar bem com as mamães?
– Mhm. – Liv respondia sorrindo suavemente. – Mamãe Q falou que vamos tomar sorvete hoje depois do jantar e deitar abraçadas a noite toda. – A pequena demonstrava empolgação pela primeira vez desde que chegou do colégio.
– Exatamente do jeito que você gosta. – Beth se aproximou depositando um beijo na testa de Olivia. – Nos vemos mais tarde está bem?
– Está bem. Tchau bee. – Olivia acenava e Beth mandava seu último beijo antes de sair do quarto.
Quando desceu as escadas foi para cozinha se despedir de suas mães, mas ao entrar fechou seus olhos rapidamente virando de costas.
– Ah meu Deus! – Beth chamava atenção de suas mães. – Vocês duas não podem ficar sozinhas por um minuto.
Santana estava sentada na cadeira, enquanto Quinn sentava em seu colo de frente para a latina que estava com suas mãos sobre a coxa da mesma, deslizando seus dedos por baixo do vestido de sua esposa.
– Não temos culpa se você resolve aparece sempre na hora em que estamos nos beijando. – Santana respondia, fazendo Quinn rir.
– Ew... Ew. Não posso viver com essa imagem na minha cabeça. Mãe, você quer, por favor, sair do colo da mama para que eu possa me despedir de vocês? – Beth continuava de olhos fechados e Quinn depositava um selinho nos lábios de Santana, se levantando, ajeitando seu vestido.
– Pronto, little one. Você já pode olhar. – Fabray voltava para frente do balcão onde preparava a salada do jantar.
– Obrigada. – Beth se virava sorrindo. Ela adorava provocar suas mães todas as vezes que as encontravam se beijando. – Já estou indo. Não sei que horas eu volto então...
– As onze. – Santana a interrompia. – Quero você em casa às onze horas. Apesar de ser sexta-feira, entendo que é uma noite especial, mas nada de ficar na rua até tarde. Não confio em pessoas estranhas. – Beth esperava que talvez suas mães fossem deixá-la ficar até tarde. A garota nunca passou das onze horas fora de casa e imaginou que por ser um dia especial, suas mães abririam uma exceção, mas claro que Santana não deixaria. A latina sempre foi protetora e cuidadosa com suas filhas e se preocupava o suficiente para mantê-las embaixo de suas asas.
– Mama... Por favor. Meia noite e não se fala mais nisso. – Beth tentou ao fazer sua carinha de cachorrinho, mas Santana a ignorou.
– Não, bee. Tenho certeza que até onze horas você terá tempo o suficiente para fazer tudo o que planejou para essa noite. – Beth fazia um bico adorável, enquanto se aproximava de Quinn, passando seus braços em volta da cintura da mãe por trás e deitando sua cabeça contra as costas da mesma.
– Está bem, mama. – Beth falava manhosa e Quinn se virava depositando um beijo no topo da cabeça da filha.
– Divirta-se, meu amor e espero que dê tudo certo.
– Obrigada, mãe. – Beth sorria depositando um beijo na bochecha de Quinn e se aproximando de Santana. – Tchau mama.
– Tchau, mijá, divirta-se, mas não muito, porque não quero minha filha fazendo nada no banco de trás de um carro e. –
– Mama! – Beth fechava seus olhos sentindo suas bochechas pegando fogo ao ficarem vermelhas.
– Estou brincando, mijá. – Santana falava rindo. – Nós confiamos em você e espero que dê tudo certo. Aproveita. – A latina depositava um beijo na testa de Beth que sorria, enquanto agora respirava fundo torcendo mentalmente para que sua noite fosse mesmo especial.
Xxxx
Enquanto dirigia até a casa de Charlie, Beth sorria feito boba empolgada com seu primeiro encontro com sua não–oficial namorada. Ela pretendia oficializar tudo essa noite e apesar de seus planos não serem dos maiores, a garota esperava que essa noite fosse especial para Charlie.
Beth estacionou seu carro na frente da casa da amiga, descendo do mesmo e antes de chegar até a porta a mesma se abriu parecendo uma sorridente Charlotte que se despedia de seus pais, fechando a porta e se aproximando de Beth, agindo literalmente como uma boba adolescente apaixonada.
– Hey. – Charlie sussurrava, depositando um beijo na bochecha de Beth.
– Hey Charlie. Você está linda. – Charlie sorria olhando para seus pés. A morena assim como Beth, estava com seu cabelo solto do cumprimento um pouco a baixo de seus ombros. A garota usava uma calça jeans escura, onde a boca skinny era dobrada deixando metade de sua canela à mostra, com uma bota marrom também sem salto, com uma blusinha branca regata e por cima uma jaqueta verde escuro manga 3/4.
– Não mais do que você. – Charlie falava carinhosamente e Beth sentia suas bochechas vermelhas.
– Obrigada. Vamos? – Beth se aproximou de seu carro, abrindo a porta do passageiro, sorrindo para Charlie.
– Mmm... Que gentlewoman. – A morena brincou entrando no carro e Beth fechou a porta indo para o lado do motorista.
– Mmm... Você sabe que não sou a pessoa mais romântica do mundo, mas... – Beth pausava, fechando a porta de seu carro e colocando seu cinto, virando-se para olhar Charlie. – Essa noite é nosso primeiro encontro... Quero dizer, um primeiro encontro oficial e fiz questão de preparar tudo. – A loira sorria suavemente. – E-eu realmente espero que você goste. – Sem dizer nada, Charlie se aproximou depositando um selinho demorado nos lábios da loira.
– Você é tão fofa e linda, bee. – A morena sussurrava. – Só o fato de sair com você já faz dessa noite algo especial. – Charlie depositou outro selinho em Beth fazendo a loira sorrir.
Sem dizer nada, Beth deu partida em seu carro dirigindo para o primeiro lugar onde com ajuda de Quinn, tinha feito reserva para duas pessoas em um dos restaurantes favoritos de suas mães.
Xxxx
– Bee, como você conseguiu reservas para esse restaurante? – Charlie perguntava, enquanto as duas se sentavam em uma das mesas reservadas.
– Bom, vamos dizer que o sobrenome Fabray-Lopez tem grandes influências por aqui. – Beth brincou. – E apesar desse restaurante não ser um dos mais modernos de Nova York e um dos preferidos das minhas mães e tem deliciosas massas. Os seus favoritos. – A loira sorria suavemente quando um dos garçons se aproximou lhes entregando o menu.
Não era a primeira vez de Beth naquele restaurante e a loira sabia exatamente o que pediria. Charlie olhou algumas das opções até encontrar um de seus favoritos. O garçom voltou para anotar o pedido das duas antes de deixá-las sozinhas novamente.
A conversa entre elas fluíam naturalmente. Não só pelo simples fato de serem amigas há anos, mas o clima e o tom de voz de ambas eram diferentes. O momento era diferente e nenhuma das duas se sentia nervosa com medo de que fizesse ou dissesse algo que estragasse a noite.
As duas riam o tempo todo de algo que Charlie contava de seu pai e Beth contava sobre Puck. A loira não tinha pai, mas Puck, Brian e Alex eram os tios que ela tinha um carinho enorme e que os viam como uma figura masculina em sua vida. Afinal, toda garota precisa de um pai ou tio para protegê-la e mesmo tendo os três, Puck sempre foi o mais próximo no qual ela sempre foi mais apegada.
Logo o garçom voltou com seus pedidos e ambas começaram a comer em silêncio confortável antes de Charlie voltar a falar.
– Como está a Olivia? – A morena perguntava suavemente comendo um capeletti recheado.
– Argh! – Beth revirava os olhos ao se lembrar do problema de Olivia. – Eu juro que as vezes tenho vontade de bater na mãe da Chloe. Uma das amigas da Liv. Essa mulher está causando na vida da minha irmã. Olivia anda bastante confusa com algumas coisas e agora parece estar com medo de aparecer no colégio com uma de nossas mães.
– Sério?
– Sim. Parece que Olivia está com medo de a mãe da Chloe não deixar a garota ser mais sua amiguinha porque ela tem duas mães.
– Pelo o que você já tinha me falado, eu acho que a Olivia só está com medo mesmo de perder a amizade da Chloe, bee. Ela sempre demorou para fazer amizades e quando consegue, aparece alguém com uma mãe homofóbica. Ela só está com medo e tenho certeza que não é vergonha da tia Quinn ou da tia San. É nítido ver o quanto ela ama vocês três e o quanto ela é louca por vocês.
– Eu sei. Só me preocupo com ela, Charlie. – Beth respirava fundo. – Ela parece uma bonequinha, não parece? – A loira ria suavemente. – Ela tem aqueles olhos grandes de boneca, aquele jeitinho adorável. Não estou dizendo isso só porque ela é minha irmã, mas Olivia é uma garotinha muito esperta e sabe quando algo está errado.
– Bom, ela me lembra de alguém nessa idade. – Charlie brincou fazendo Beth sorrir. – Não se preocupe, ela vai ficar bem, afinal, ela tem você, tia Q, tia San, eu, tio Puck... Ela tem tanta gente para protegê-la que ela vai ficar bem.
Beth adorava ver o modo carinhoso em que Charlie falava de sua irmã. A garota se sentia tão atraída por sua amiga naquele momento que precisava se segurar em sua cadeira para não beijá-la. Seu coração batia acelerado e as borboletas em sua barriga batiam asas sem parar lhe fazendo sorrir feito boba.
Apesar de Beth ter reservado um restaurante para que elas pudessem jantar. As horas em que passaram juntas naquele momento foi confortável. Elas não agiam como duas adultas, mas sim, fazia jus à idade que tinham, riam e brincavam sem se preocupar com o que as pessoas ao lado diriam ou o modo como às olhariam. Elas estavam se divertindo e aproveitando cada segundo a companhia uma da outra.
Charlie nunca teve um encontro antes. Apesar de já ter ficado com alguns garotos, nenhum deles foi cavaleiro ao ponto de levá-la para um jantar ou uma simples sorveteria. Todos se aproximavam dela por interesse querendo algo que ela nunca imaginou que faria com nenhum deles e nunca se sentiu especial em momento algum. Mas essa noite, Beth a fazia se sentir diferente mostrando o quanto ela era especial e o quanto ela merecia cada detalhe daquela noite.
Logo que saíram do restaurante, Beth entrelaçou seus dedos aos de Charlie e ambas começaram a caminhar em direção ao central Park. A noite estava linda e a loira queria pela primeira vez estar no seu lugar favorito com sua garota favorita. Beth comprou dois copos de chocolate quente para elas e enquanto andavam pelo park continuavam conversando e rindo sem parar sobre coisas do glee club e do time de corrida até Charlie lembrar sobre outro assunto que no mesmo instante começava lhe deixar preocupada.
– Bee, posso perguntar uma coisa? – Charlie acariciava a mão de Beth com seu polegar enquanto caminhavam.
– Mhm... – Beth tomava um gole de seu chocolate e Charlie respirava fundo.
– Mmm... Você já... Já conversou com o Lucas? – Charlie perguntava tímida e pode sentir os dedos de Beth apertando sua mão suavemente.
– Conversei com ele ontem antes da aula começar e... Mm... Ele pareceu ficar numa boa quando disse que não queria nada sério. – Beth falava suavemente olhando para Charlie.
– Não confio nele. – Charlotte fazia careta, franzindo o cenho. – O jeito como ele pra você... Argh! – A morena entortava a boca fazendo Beth rir, se colocando na frente de Charlie.
– Hey. – Beth se aproximava, depositando um selinho nos lábios de Charlie. – Não importa o modo como ele olha pra mim, porque eu nunca olho para ele da mesma forma. – Beth brincou. – Eu só tenho olhos para uma única pessoa. – A loira encostou sua testa sobre a de Charlie e a mesma sorria suavemente.
– Mmmm e posso saber quem é essa pessoa? – Charlie perguntava olhando nos olhos de Beth.
– Uma garota aí por quem me apaixonei. – Beth dava de ombros franzindo o nariz.
– Dork! – Charlie ria baixo. – Mas eu adoro ouvir você dizendo essas coisas. – A morena depositou dois selinhos seguidos em Beth e logo voltaram a andar e conversar.
Charlie não sabia a real conversa em que Beth teve com Lucas, mas nunca foi com a cara do garoto e apesar de saber que Beth é apaixonada por ela, não podia deixar também de sentir medo de que Lucas pudesse tentar tirar a loira da sua vida. O ciúmes falava tão alto que Charlie só conseguia pensar nas coisas negativas em que Lucas poderia fazer contra elas.
Xxxx
As duas estavam novamente dentro do carro enquanto Beth dirigia para outro lugar onde levaria Charlie. A loira imaginou talvez que as duas pudessem ir ao cinema, mas achava muito clichê e simples para o primeiro encontro e teve outra ideia.
– Para onde estamos indo agora? – Charlie perguntava ansiosa mordendo o canto de seus lábios.
– Céus, minha mãe Tana sempre brincou dizendo que minha mãe Q era muito curiosa e você está igual. – Beth ria baixo sem tirar sua atenção da estrada. – Eu já falei que não vou contar até chegarmos lá, Charlotte Ray. – A loira brincou e pode ver pelo canto de seus olhos a morena fazendo careta.
– Ew... Não me chame pelo segundo nome. – A morena fazia um bico adorável virando sua atenção para estrada. – Sério tá demorando muito pra chegar.
– Bom, então trate de ter paciência e esperar pela minha surpresa. – A loira sorriu suavemente e continuou dirigindo.
Diferente do que Charlie reclamava, não demorou para que Beth virasse seu carro na direção do grande planetário de Nova York. A loira estacionou seu carro e ambas desceram juntas.
– Bee? – Charlie fechava a porta encontrando Beth logo ao seu lado.
– Já que a noite anda sem estrelas, imaginei que talvez, pudéssemos ter nosso próprio céu estrelado... Algo particular. – Beth falava suavemente, entrelaçando seus dedos aos de Charlotte levando-a para dentro.
– Eu não sabia que você era tão romântica Elizabeth Lopez. – Charlotte brincou enquanto as duas iam direto para uma das últimas portas do enorme planetário e ao entrarem, para surpresa de Charlie o local estava vazio. As paredes, teto e o chão estavam cheios de estrelas como um verdadeiro céu estrelado de uma noite de verão. A morena olhava para Beth com seus olhos brilhando. Charlotte sempre foi fã de estrelas e só esteve naquele lugar uma única vez quando era pequena. – Bee... Isso é tão lindo. – Charlotte sussurrava olhando para cima, enquanto Beth a levava para o centro da sala.
– E tudo isso só pra mim e pra você. – Beth depositou um beijo na bochecha de Charlie. – Não são só minhas mães que tem contatos, sabe? Eu também tenho alguns. – A loira falava orgulhosa de si.
– Eu adorei. – Charlie sussurrava sorrindo para Beth. Sem dizer nada a loira andava em direção a um pequeno degrau no canto da sala, trazendo Charlie junto consigo, soltando sua mão e pegando um violão que estava apoiado na parede.
– Eu tenho mais uma coisinha pra você essa noite. – Beth mordia seu lábio inferior, colocando a alça do violão sobre o seu ombro, enquanto Charlie a olhava apaixonada. Ela adorava ouvir Beth cantar e se sentia hipnotizada pela voz da mesma.
A loira sorria carinhosa para Charlie, respirando fundo começando a tocar suas primeiras notas no violão.
Let the bough break, let it come down crashing
Let the sun fade out to a dark sky
I can't say I'd even notice it was absent
Cause I could live by the light in your eyes
Charlie não conseguia conter o sorriso que aparecia em seus lábios. Seus olhos encontravam os de Beth e as duas pareciam se perder uma nos olhos da outra enquanto Charlie ouvia a letra da música com atenção.
I'll unfold before you
Would have strung together
The very first words
Of a lifelong love letter
Tell the world that we finally got it all right
I choose you
I will become yours and you will become mine
I choose you
I choose you
Beth se aproximava de Charlie sem parar de cantar enquanto sorria durante a música. A letra era calma e era nítido perceber o tom apaixonado, carinhoso e amoroso de Beth em suas palavras. O coração de ambas batia tão forte que se Beth não estivesse cantando naquele momento seria possível ouvi-los.
There was a time when I would have believed them
If they told me that you could not come true
Just love's illusion
But then you found me and everything changed
And I believe in something again
My whole heart
Will be yours forever
This is a beautiful start
To a lifelong love letter
Tell the world that we finally got it all right
I choose you
I will become yours and you will become mine
I choose you
I choose you
Beth agora olhava intensamente nos olhos de Charlie fazendo a morena prender sua respiração, sentindo as borboletas em sua barriga voarem sem parar.
We are not perfect
We'll learn from our mistakes
And as long as it takes
I will prove my love to you
I am not scared of the elements
I am underprepared, but I am willing
And even better
I get to be the other half of you
Charlie sorriu com as palavras que Beth cantava e seus olhos enchiam de lágrimas por finalmente estar dando um passo tão grande como esse com o amor da sua vida.
Tell the world that we finally got it all right
I choose you
I will become yours and you will become mine
I choose you
I choose you
Quando Beth terminou de cantar, os lábios de Charlotte encontram os dela, iniciando um beijo suave, calmo e apaixonado que logo foi interrompido pela loira que sorria feito boba, passando sua mão no rosto de sua amiga e olhando em seus olhos.
– Eu já disse isso antes, mas me desculpa pelo modo como agir nesses últimos dias. Não queria que as coisas tivessem chegado naquele ponto. Você sempre foi minha melhor amiga e nunca tive dúvidas do quanto podia confiar em você, Charlie. – Beth falava suavemente. – Me desculpe por ter usado Lucas naquele dia pra te causar ciúmes. Eu estava tão furiosa por tudo que estava acontecendo e pelo o que eu estava sentindo que mal conseguia colocar minha cabeça no lugar pra finalmente entender que toda aquela raiva e ciúmes eram porque eu estava apaixonada por você. – A loira encostava sua testa na de Charlie, recebendo um beijo no nariz da mesma. – Você é incrível e merece muito mais do que uma simples cantada barata ou uma primeira vez com qualquer um. Charlotte, você é a pessoa mais especial que eu já conheci e apesar de eu ter demorado para perceber isso, eu te amo e quero que nosso relacionamento vá muito além do que nossa grande amizade. – Charlie sorria fechando seus olhos sabendo exatamente o que Beth estava querendo dizer. A morena esperou muito por isso e suas borboletas continuavam histéricas em sua barriga. – Charlotte Ray... Eu amo seu segundo nome. – A loira sussurrou fazendo Charlie rir revirando os olhos. – Você aceita ser oficialmente minha namorada?
– Sim. – Sem pensar duas vezes Charlie respondeu sorrindo, depositando vários selinhos em Beth. – Sim. Sim. Sim... – A morena sussurrou fazendo Beth rir baixo.
Beth tirou o violão de seu ombro, deitando-o no chão, sentindo seu coração acelerado de felicidade por finalmente estar com Charlie e rapidamente passou seus braços em volta da nuca da mesma atracando seus lábios aos de – agora – sua namorada iniciando novamente mais um beijo apaixonado e lento, aproveitando cada segundo daquele momento.
Xxxx
As duas estavam deitadas no chão olhando para o teto observando as estrelas pela última vez. Beth estava com sua cabeça deitada no peito de Charlie, enquanto a mesma passava seus dedos sobre o cabelo loiro de sua namorada.
– Eu não acredito que já está na hora de irmos. – Charlie resmungava. – A hora passou muito rápido e eu ainda quero mais da minha Beth bear. – A morena brincou passando seu braço em volta da cintura de Beth e lhe abraçando forte fazendo a loira rir com o apelido.
– Ah, então agora eu sou um urso? – Beth levantava sua cabeça, apoiando sua mão no rosto de Charlie, aproximando seus lábios, colocando uma de suas pernas entre as da morena. – Mas devo confessor que também não quero ficar longe de você agora.
– Eu também não... Muffin. – Charlie sussurrou contra os lábios de Beth fazendo a loira rir.
– Ah não. Muffin? Sério? – Beth brincava. – Céus, depois eu quem sou a dork. – A loira levou seus dedos para a nuca de Charlie, mordendo suavemente o lábio inferior da mesma, fazendo-a suspirar.
– Esse mínimos detalhes me deixam ainda mais louca por você. – Charlie sussurrava, deslizando sua mão da cintura de Beth para a lateral de sua barriga a mostra entre o top e sua saia. – É até injusto você ser linda o tempo todo. – A morena pressionou sua coxa contra o centro de Beth fazendo-a contrair sua barriga automaticamente se afastando.
– Charlie... – Beth sussurrava envergonhada com o contato, até porque, nenhum menino no qual ela já ficou a tocou em outro lugar que não fosse seus braços, seu rosto ou sua cintura e por mais que tenha sido algo simples, Beth não sabia o que fazer ou o que dizer para mostrar que ela não estava pronta para nenhum tipo de contato além dos que já está acostumada.
– Hey. – Charlie colocava a mão no queixo de Beth, fazendo-a olhar em seus olhos. – Me desculpe, não quis ultrapassar o limite, mas não precisa ter vergonha de mim, bee. Você sabe que pode conversar comigo sobre o que for e o que sentir a vontade. Não vou te julgar e muito menos ficar brava, está bem? – A morena sorriu depositando um selinho nos lábios de Beth. – Eu te amo, me desculpe. – Charlie falava com tanto amor em sem tom de voz que Beth sorriu sentindo-se mais a vontade e relaxando nos braços de sua namorada.
– Eu só não esperava. – A loira sussurrou. – Eu te amo e sei que um dia nossa hora vai chegar, mas eu preciso me sentir pronta e segura comigo mesma.
– Eu entendo e te espero quanto tempo precisar. Eu te amo e só de poder te abraçar, te beijar e estar com você é o suficiente pra mim. Não podemos nos apressar em nada, até porque, entramos em um relacionamento hoje e acho justo aproveitarmos isso todos os dias. – A morena passou seu braço em volta da cintura de Beth, trazendo o corpo da mesma próximo ao dela, deixando agora suas coxas encostadas uma sobre a outra.
– Eu também te amo. – Beth sussurrava, pousando sua mão no rosto de Charlotte, roçando seu nariz ao da mesma. – Levanta! Nós precisamos ir antes que minha Ma resolva me ligar. – A loira depositava um selinho demorado em Charlie que fazia um bico adorável por não querer ir embora.
– Mas bee... – Charlie resmungava e Beth se levantava pegando seu violão do chão esperando sua namorada também levantar.
– Charlotte Ray, levanta ou vou embora e te deixo aí sozinha. – Beth tentava falar sério e logo Charlie levantou, abraçando sua namorada por trás, depositando beijos na bochecha da mesma.
– Oh, você não faria isso. – Beth encolhia seu ombro começando a rir.
– Não duvide. – A loira brincou, recebendo um leve tapa na bunda antes de saírem de mãos dadas para finalmente irem embora.
Xxxx
Beth estacionava seu carro em frente à casa de Charlotte, tirando seu cinto, se virando para olhar sua namorada.
– Você precisa mesmo ir embora? – Charlotte perguntava, encostando a cabeça no banco.
– Mhm, infelizmente sim, mas nós podemos nos ver amanhã. – Beth levava sua mão para segurar a de Charlie. – O que acha de passarmos o dia assistindo filme, comendo pipoca e...-
– Recebendo abraços e beijos da minha namorada. – Charlotte a interrompeu aproximando seu rosto ao da mesma continuando sua última fala. – Porque não me canso dos seus lábios e muito menos dos seus abraços.
– Sério? Porque eu tenho certeza que no momento em que deitarmos, você vai ser a quem vai me abraçar e me deixar encolhida nos seus braços. – Beth falava próximo aos lábios de Charlotte. – E também não me canso dos seus lábios, amor. – A loira sussurrou sua última palavra fazendo Charlie respirar fundo.
– Gostei disso... – A morena pousava sua mão no rosto de Beth, trazendo-a para mais perto. – Amor. – Charlie sussurrou sorrindo, encostando seus lábios aos de sua namorada iniciando um beijo suave.
Beth levou sua mão para a nuca de Charlotte, deixando algumas mechas do cabelo da mesma entre seus dedos, enquanto aumentava a intensidade do beijo suavemente. A mão de Charlie acariciava a nuca de Beth carinhosamente e sua língua massageava de um jeito delicioso sobre a da loira, fazendo-a suspirar durante o beijo. Antes que as coisas ficassem ainda mais quentes, Beth mordia o lábio inferior de sua namorada, mantendo seus olhos fechados encostando sua testa ao da mesma, trazendo seu polegar e passando maliciosamente no contorno dos lábios de Charlie.
– Nos vemos amanhã. – Beth sussurrava. – É melhor você ir antes que sua mãe ou a minha resolva nos atrapalhar. – A loira sorriu depositando outro selinho demorado em sua namorada.
– Argh! — Charlie resmungava fazendo Beth rir.
– Talvez amanhã você possa dormir em casa? Tenho certeza que tia Anna e minhas mães não vão se importar nem um pouco. – A loira sugeria e podia ver os olhos de Charlie brilharem com sua ideia.
– Eu vou adorar. Então amanhã nos vemos e passo o restante do fim de semana com você. – Charlie depositava seu último beijo em sua namorada antes de abrir a porta do carro. – Antes que eu me esqueça. Obrigada por essa noite, bee. Foi incrível e eu realmente amei tudo o que você preparou. Adorei a música que você cantou e... Céus eu adoro tudo o que vem de você. Obrigada. – A morena sorria suavemente depositando um beijo na bochecha de Beth.
– Fico feliz que tenha gostado, porque você merece isso e muito mais, boo. Eu te amo. Agora vai logo. Quando chegar em casa te mando mensagem. – Beth começava empurrar Charlie de seu carro fazendo a morena rir.
– Te amo! – Charlie gritou fechando a porta mandando vários beijos do lado de fora para Beth que correspondia rindo antes de dar partida de seu carro e ir embora.
Finalmente o relacionamento das duas agora era oficial. Beth e Charlotte agora eram namoradas e estavam felizes juntas e faria o que fosse possível para que desse certo. Ambas eram orgulhosas, mas Beth estava determinada em deixar suas paredes caírem e se abrir para Charlotte, até porque, ela não queria que suas dúvidas e medos atrapalhassem o que ambas estavam começando e prometeu que agora seria diferente. Charlotte finalmente era sua namorada e naquela noite ela se sentia a garota mais feliz do mundo.
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