Beating Heart.
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Notas iniciais
I'll show you what it feels like
Now I'm on the outside
We did everything right
Now I'm on the outside
I'll show you what it feels like
Now I'm on the outside
We did everything right
Now I'm on the outside.
A música tocava na sala de Jessica. A casa de uma das amigas de Jay. Uma casa que era a mais divertida que Beth já tinha visto. A casa era próxima a praia, fazendo com que a família de Jessica tivesse o “quintal” as areias daquela pequena praia onde em volta existia uma espécie de condomínio.
Em todo, tinham oito pessoas na casa, dez, com os pais da garota que não faziam questão de participar da “pequena” festa que a filha dava e se isolavam no quarto no segundo andar, deixando a piscina e a parte térrea para que os adolescentes se divertissem. Além da casa, algo que surpreendeu Beth ainda mais foi o fato de os pais de Jessica não se importaram com a ideia de que a filha de dezoito anos trazia bebidas alcoólicas oferendo para seus amigos “maiores de idade”. Talvez, Jessica fosse a única que pudesse realmente beber naquele lugar. Beth imaginava que mesmo se tivesse dezoito anos, suas mães jamais a deixaria sequer tomar um gole de vinho.
A garota já estava em sua segunda long neck, sentada na areia, enquanto Jay, Will e Cruz, davam cambalhotas e pulavam na areia, fazendo um tipo de acrobacia de artes maciais. Beth estava sentada com Jessica, Kyra e Lindsay, conversando e rindo sem parar.
— Na boa, Jay é um gatinho, não entendo como vocês ainda não ficaram. – Kyra, uma garota de cabelos vermelhos tingidos, terminava sua quarta long neck, apoiando suas mãos para trás e deitando sua cabeça. – Se eu não estivesse com Will, provavelmente escolheria Jay.
— Até parece, Kyra! – Lindsay ria. – Todas nós sabemos que Jay é seletivo, não fazemos o tipo dele. – Lindsay, uma garota de cabelos pretos e olhos esverdeados tragava seu cigarro.
— O modo como vocês falam parece até que Jay é um garoto chato. – Jessica balançava a cabeça negativamente, olhando para Beth. – Jay é um ótimo garoto, sempre foi um grande amigo, aliás, sempre foi meu melhor amigo e apesar de ele realmente ser seletivo, Jay prefere escolher e ficar com a garota certa do que pegar todas que vê pela frente. Você faz o tipo dele, mas a sua historia com sua namorada, acredito que ele te respeita.
— Sim, Jay me respeita e muitas vezes me aconselha em falar com Charlie. – Beth assentia, mexendo seus pés suavemente sobre a areia. – Mas eu e Jay... Nós somos apenas amigos. Amo minha namorada.
— Beth, eu também amo Will, mas você já viu o Jay? – Kyra falava novamente, e recebia uma cotovelada de Lindsay, fazendo Beth rir.
— Kyra, Jay realmente é lindo, carinhoso, amoroso, mas não o vejo dessa forma. – Beth virava sua atenção para Jay e ela não sabia ao certo se era o efeito da bebida ou se as garotas estavam começando a lhe influenciar, mas no momento em que seus olhos se encontraram, Beth o olhava atenta, e com o sorriso que Jay mandava em sua direção a fazia sorrir de volta, admirando o quão bonito o garoto realmente era. Claro que Beth já tinha reparado na beleza do garoto, mas naquele momento, Beth parecia reparar muito mais do que a beleza.
— Tenho certeza que se você der espaço, Jay fica com você. – Kyra falava novamente, e ainda em silêncio, a cabeça de Beth começava a rodar a fazendo imaginar coisas que nunca tinha imaginado desde o momento em que colocou seus olhos naquele garoto. Beth observava os lábios de Jay e imaginava como seria beijá-los. Será que era doce? Macio? O de Lucas era tão... Diferente. Os de Charlie eram doces, macios, delicados... Mas o de Jay? Beth se pegava imaginando como seriam e ao perceber o que acontecia em sua cabeça, a garota desviava seu olhar rapidamente, voltando sua atenção para as três garotas que a olhavam sorrindo.
— O que?
— Você estava secando o Jay. – Lindsay tragava novamente seu cigarro, começando a rir ao ver que as bochechas de Beth ficavam vermelhas. – Tudo bem, garota, não se preocupe, todas nós já imaginamos como deve ser os beijos de Jay, ou até mesmo como ele é na cama.
— E-eu... Não. – Beth balançava a cabeça, dando um gole maior em sua cerveja. – Eu não estava pensando sobre isso...
— Relaxa, Beth. Não vamos contar a ninguém. – Kyra brincava.
— Parem de pegar no pé dela. – Jessica repreendia suas amigas. – Olha, se divertir enquanto está “separada” – Jessica usava seus dedos fazendo aspas. – Não faz mal a ninguém, o que faz mal, é se divertir enquanto pensamos no “ex”. Se você ainda pensa na sua namorada, aconselho não fazer nada com Jay. Ele é um ótimo garoto e tenho certeza que não gostaria de ser usado, assim como acredito que você não gostaria de usá-lo. Até porque, depois você vai voltar para Nova York, para perto da sua namorada e Jay ficará aqui sozinho em L.A, e acredite, quando ele gosta de alguém, ele se entrega de uma forma intensa. Não faça nada que vá se arrepender depois, ou que estrague sua amizade com Jay ou seu relacionamento em Nova York. – Jessica falava simpática e Beth sorria, percebendo que Jessica era a única com cabeça entre as três amigas.
— Obrigada, Jess. Não faria nada que magoasse o Jay, e ele me conhece o suficiente para saber que ainda penso muito em Charlie. Nós dois nunca aconteceríamos. Ainda tenho muito tempo para ficar aqui e não quero passar só na companhia das minhas mães ou das crianças. – Beth brincava, terminando sua cerveja.
— Oh, nos conte, como é ter duas mães.
— Kyra! – Lindsay e Jessica gritavam juntas, chamando atenção da amiga, fazendo Beth rir.
Xxxx
— Qual é a sua com a Beth? – Will perguntava, longe das garotas, enquanto entrava com Jay para a cozinha a procura de mais cervejas.
— Cara, na real? Ela é linda, engraçada. A inocência dela é como de nenhuma outra, mas não teria chances. Beth ama outra garota em Nova York e por mais que eu queria muito beijá-la, preciso respeitar isso. – Jay falava suavemente, tirando as cervejas do freezer. – Não quero que ela se arrependa depois, ou que esse ato prejudique o namoro dela. Beth está bem confusa com tudo que aconteceu entre elas e não é certo me aproveitar disso.
— Cara! É por isso que as garotas são loucas por você. – Will falava brincando. – Você é certinho demais, puta que pariu.
— Só me preocupo com elas. – Jay dava de ombros. – Beth sem dúvidas seria a garota perfeita pra mim, sabe? Ela é tudo o que eu procuro nas que encontro pelo caminho, mas ela também é uma garota indisponível, então, melhor eu ignorar minhas vontades e manter nossa amizade. Beth demonstra confiar bastante em mim e ainda temos muitos dias para passar juntos. Não quero estragar essa ligação que criamos.
— Entendo. Só acho que eu não perderia a oportunidade de beijá-la se pudesse. Entendo sua preocupação, mas Jay, a garota é linda, você já viu os olhos dela? – Will brincava novamente e Jay ria alto. – Sei lá cara, já vi muitos livros e filmes com romances de verão.
— Espera, você disse livros? Desde quando você lê? – Jay fingia estar em choque, e Will revirava os olhos. – Os livros e filmes com romances de verão sempre acaba com um machucado, Will, e não quero me machucar ou machuca-la. Beth ainda ama Charlie e tenho certeza que as duas ainda vão voltar. Antes mesmo de Beth voltar para L.A ambas já vão estar bem novamente e Jay aqui... Continuará apenas na friendzone o que acho ótimo, já que Beth é uma garota incrível e ter uma amiga como ela vale muito.
— Bro, você realmente é um cara maravilhoso. – Wil passava um de seus braços em volta do ombro de Jay, brincando com seu amigo. – As garotas tem razão.
— Ok, vamos parar com esse bromance, e vamos voltar logo com as cervejas delas, porque a noite ainda não acabou.
Xxxx
— Opa! – Jessica ria, se segurando em Beth assim que levantaram, e ambas nitidamente bêbadas.
— Jess! – Beth agarrava no braço da garota, começando a rir. Seu longo cabelo loiro estava preso em um bagunçado coque e seu rímel sujou abaixo dos seus olhos, já que enquanto ria demais, lágrimas escorriam por seu rosto o manchando. Porém, não o suficiente para deixá-la desarrumada.
— Vocês duas estão ótimas. – Will brincava, enquanto Kyra estava sentada em suas pernas, deitada com a cabeça no peito do namorado.
— William... Não fale nada. Eu e Beth estamos muito boas. Acho que devíamos dançar! Vamos dançar! – Jessica puxava Cruz pelo braço, o fazendo rir, enquanto Will empurrava Jay para se levantar e dançar com Beth.
— Jaaaaaaay! – Beth estendia sua mão para o garoto, que começava a rir, puxando Beth para perto dele.
Crashing, hit a wall
Right now I need a miracle
Hurry up now, I need a miracle
Stranded, reaching out
I call your name but you're not around
I say your name but you're not around
A música começava a tocar e Jessica passava seus braços em volta do pescoço de Cruz, enquanto o mesmo segurava em sua cintura e os dois dançavam no ritmo da música. Beth segurava outra long neck em mãos e no momento em que a música começou, seus olhos encontraram os de Jay e o sorriso do mesmo a fazia morder suavemente o canto de seu lábio inferior se aproximando e levando uma de suas mãos para a nuca do rapaz, enquanto Jay segurava em sua cintura a fazendo dançar.
I need you, I need you, I need you right now
Yeah, I need you right now
So don't let me, don't let me, don't let me down
I think I'm losing my mind now
It's in my head, darling I hope
That you'd be here
when I need you the most
So don't let me, don't let me, don't let me down
Don't let me down
Beth não agia mais consciente e sim inconsciente. Seu corpo se aproximava de Jay, e enquanto dançava continuava olhando para o mesmo, aproximando seu rosto e no mesmo instante, o garoto sentia seu coração acelerando. Jay não queria fazer nada que Beth se arrependesse no dia seguinte. O garoto sabia que a loira estava bêbada e provavelmente não estava agindo com a cabeça e sim com o momento. Sentindo a respiração quente de Beth contra sua bochecha, por impulso, Jay fechava seus olhos, passando seu braço pela cintura de Beth, trazendo o corpo da mesma contra o dele, passando a ponta do seu nariz sobre a bochecha de Beth lentamente.
Jessica e Cruz já estavam aos beijos e conforme a música corria, Beth sentia seu coração acelerando com a vontade que sentia naquele momento. Talvez a conversa que teve com as garotas fez despertar algo ignorado em seu corpo. A vontade de beijar Jay crescia ainda mais naquele momento graças ao clima que estavam. A garota fazia o possível para não deixar a bebida agir e antes que pudesse tomar qualquer atitude, o grito de Will, como “torcida”, fez Jay rapidamente se afastar, rindo sem graça, e indo em direção ao amigo, levando Cruz junto a ele.
Assim que Jay se afastou, Beth ficou parada na areia. Como um clique as coisas pareciam cair rapidamente sobre sua cabeça lhe fazendo ver o que estava para acontecer se Will não tivesse interrompido. Céus, eu iria beijá-lo. Beth pensou sentindo seu estômago revirar. Pensar em beijar outra pessoa que não fosse Charlie a fazia passar mal. Pensar em beijar Jay e estragar a amizade que tinha naquele verão lhe fazia querer chorar. Mas não pelo simples fato de imaginar seu verão sem Jay, mas sim porque Beth sabia que tinha vontade de beijá-lo. Como ela pode fazer isso com Charlie? Beth, se divertir enquanto está “solteira” não faz mal a ninguém. A voz de Jessica soava em sua cabeça, mas mesmo que Beth quisesse se divertir, não seria certo fazer isso com Charlie, seria? Ou até com Jay? Usá-lo como um estepe não seria certo. Jay que estava desde o começo sendo um grande amigo e lhe respeitando... Isso definitivamente não estava certo. Beth precisava ficar sóbria o mais rápido possível antes que agisse por impulso. Antes que deixasse sua vontade falar mais alto.
— Jay? – A garota virava para o amigo. – Será que podemos ir embora? Minhas mães pediram que não voltássemos tarde, e... – Beth tirava o celular do bolso, olhando as horas. – Já é uma da manhã.
— Awww, Beth, mas estou adorando sua companhia. – Lindsay se levantava, abraçando a garota a fazendo rir.
— Também estou adorando a companhia de todos vocês. Podemos nos encontrar mais vezes. Ainda tenho muitos dias para passar em L.A – Beth abraçava Lindsay e a mesma assentia.
— Nós precisamos ir. Não quero Santana me matando. – Jay brincava, se levantando e bebendo água. – Preciso te deixar em casa sã e salva... Sã, não está, mas pelo menos a salvo. – O garoto brincava novamente e Beth o empurrava.
— Vamos logo, Jason! – Beth semicerrava os olhos, entregando sua long neck para Lindsay e junto de Jay, começava a se despedir dos amigos do garoto prometendo que ainda sairiam muito nesse verão e tomariam muito sol juntos.
Assim que entraram no carro, Beth colocou o cinto de segurança, sorrindo em direção a casa e virando-se para Jay.
— Obrigada pelo convite. Seus amigos são divertidos e adorei a Kyra, ela é totalmente sem filtro. – Beth ria suavemente, e Jay dava partida no carro.
— Eles são ótimos. Apesar de parecerem um pouco má influência, não são, e são os amigos mais divertidos e parceiros que já tive até hoje.
— Ugh! Acho que bebi demais, Jay. ‘To ficando com sono. – Beth respirava fundo, fechando seus olhos, virando a cabeça para o lado da janela.
— Dorme. Quando chegarmos, te acordo. – Jay sorria, e logo Beth cochilava no banco.
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No caminho todo para a casa de Maribel, Jay sabia que se não tivesse se distanciado de Beth enquanto dançavam, podia ter cometido um erro em beijá-la. Estava difícil se controlar naquela noite e assim como Beth, Jay também não queria que as coisas mudassem entre eles. Ele não queria perder a amizade da garota. Jay não era do tipo que ficava com todas, mas sim, do tipo que ficava apenas com a garota que namoraria e sem dúvidas, Beth não era a garota com quem ele namoraria. Jay respeitava Beth mais do que ninguém e mesmo querendo beijá-la desde o momento em que a viu, faz questão de mostrar que estava ao seu lado e aconselhava a fazer a coisa certa: conversar com Charlie.
Ao estacionar o carro em frente a casa Jay o desligou e acordou Beth suavemente, que resmungava o fazendo rir.
— Beth, nós chegamos. Vamos, vou te ajudar a entrar em casa. – Jay soltava seu cinto e o de Beth, saindo e dando a volta no carro na intenção de literalmente carregar a garota para dentro de casa. – Lopez, você está pesada. – Jay brincava, carregando-a no estilo noiva em direção ao deck.
— Está me chamando de gorda, Jay? – Beth murmurava, ainda de olhos fechados, fazendo o garoto rir.
— Jamais. – O mesmo abriu a porta lentamente e a fechando sem que a deixasse bater. A sala estava escura, e somente a luz do abajur iluminava a direção das escadas. – Beth?
— Mmm?
— Acende a lanterna do celular ou então vamos cair no caminho para seu quarto. – Jay sussurrava, e sonolenta, Beth colocava a mão no bolso, tirando o celular e acendendo a lanterna do mesmo iluminando o caminho. – Obrigado.
— Consigo andar, sabia? – Beth sussurrava, enquanto Jay se aproximava do quarto da garota.
— Oh é mesmo? Então por que não fez questão de andar quando chegamos? – O garoto abria a porta do quarto, e Beth estendia a mão para acender a luz e Jay a colocava no chão.
— Porque é mais confortável subir com você me carregando. – Beth brincava, começando a tirar seu sapato. – Acho que preciso de um banho antes de dormir. – A garota falava mole, sorrindo ainda com o efeito do álcool.
— Você acha? Está toda suja de areia, Lopez.
— Suja e com sono... Céus... Está tudo rodando... Minha cama? Ela está aqui mesmo? – Beth semicerrava os olhos, parada em frente a sua cama e apontando para a mesma, fazendo Jay rir.
— Sim, ela está aí mesmo. Na sua frente.
— Se eu me jogar, não vou cair no chão, Jason?
— Não, Elizabeth, mas sugiro que não se jogue, vai piorar sua situação.
— Mas, Jaaay... – Beth virava para seu amigo, fazendo um bico adorável. – Preciso ir tomar banho.
— Vai, Beth... – Jay ria, do modo confuso que Beth agia. – Ou você dorme, ou toma banho.
— Preciso tomar banho. Não posso dormir suja. Ew... Ew.
— Então toma banho.
— Mas Jay...
— O que?
— Não quero lavar o cabelo. – Beth fazia bico novamente, respirando fundo.
— Então não lave Beth.
— Mas tá com areia.
— Beth... Pelo amor de Deus. – Jay ria ainda mais, se segurando para não gargalhar. – Decidi de uma vez o que você vai fazer. Já estou indo embora.
— Não, Jay! Não vai embora.
— Adoraria ficar, Beth, mas preciso ir para casa. – Jay sorria, se aproximando de Beth. – Lopez, vai tomar banho, ficar sóbria e dormir. Amanhã você estará de ressaca. – O mesmo pousava as mãos no ombro da garota e os olhos de Beth pousavam sobre os lábios de Jay, ficando em silêncio.
— Se eu disser que tenho vontade de te beijar, você ficaria chateado comigo? – Beth sussurrava, pegando Jay de surpresa.
— Beth... –
— Você não tem vontade? – A garota continuava encarando os lábios de Jay.
— Do que?
— De me beijar? – Seus olhos agora encontravam o do garoto e o mesmo ficava em silêncio por alguns segundos, antes de assentir suavemente.
— Muita... Mas não podemos fazer isso. – Jay sorria carinhoso, colocando uma mecha loira atrás da orelha de Beth.
— Eu sei... – Beth se aproximava, fazendo o estômago de Jay revirar. – Mas... Jay... – Beth encarava novamente os lábios do garoto, levando uma de suas mãos para a nuca do rapaz.
— Beth... – Jay sussurrava de volta, mas antes que pudesse dizer algo, Beth estava na ponta dos pés, e seus lábios delicadamente tocavam os seus o fazendo fechar os olhos automaticamente.
Mesmo sabendo que Beth agia por impulso e no efeito do álcool, Jay não podia resisti-la. O mesmo pousou uma de suas mãos no rosto da garota, iniciando um beijo suave e carinhoso, sentindo o gosto de cerveja de Beth, mas isso não o impedia de beijá-la. A língua da mesma pedia permissão para entrar em sua boca e sem hesitar, ambos massageavam suas línguas suavemente uma sobre a outra, sentindo o calor do momento subindo pelo corpo deles, fazendo Jay abraçar a cintura de Beth, trazendo o quadril da mesma para próximo do seu. O efeito que o beijo lhe causava, logo fazia Jay demonstrar o quanto estava gostando já que seu corpo não se controlava e respondia por si só. Beth era uma garota atraente e tudo em sua personalidade o fazia querê-la ainda mais. Jay sabia que isso estaria longe de acontecer, mas o beijo em que dividiam naquele momento o fazia aproveitar cada momento. O medo de talvez estragar a amizade desaparecia enquanto ambos se perdiam no beijo delicioso que dividiam.
Beth não pensava em nada além do quanto àqueles lábios juntos aos seus eram macios e gostosos. O sabor de menta do chiclete de Jay fazia uma mistura diferente, porém gostosa com o da cerveja que ambos beberem. Beth massageava a nuca do rapaz e mesmo sabendo que talvez não se lembrasse de nada daquele momento — já que tinha bebido muito -, Beth não conseguiu controlar sua vontade e nem mesmo o medo de perder a amizade de Jay a fez parar.
Charlie. Eu amo a Charlie e sinto falta dela. Como um clique, a voz de Beth soava na cabeça de Jay o lembrando de que a garota que lhe beijava naquele momento, amava outra garota. O mesmo rapidamente quebrou o beijo, com a respiração ofegante, encostando sua testa a de Beth. Sendo o sóbrio daquela noite, Jay não poderia ser irresponsável. Ele não poderia deixar seus desejos e emoções falarem mais alto. Ele precisava se controlar e cuidar de Beth. Jay sabia que isso era errado e não queria vê-la mais machucada.
— Beth... Nós não podemos... – Jay sussurrava, prendendo as mechas do cabelo de Beth contra seus dedos sem puxá-los. – Você ama a Charlie e não quero que isso atrapalhe o seu relacionamento com ela ou a nossa amizade. Nós não podemos.
— Charlie... – Beth sussurrava, ainda de olhos fechados e na ponta dos pés apoiada em Jay. – E-eu não sei o que vai acontecer com meu namoro. – A garota falava sussurrando, visivelmente triste. – Sinto tanta a falta dela, Jay.
— Eu sei... E é por isso que não podemos, okay? Me preocupo muito com você para deixar que faça essa burrada. – Jay encostava seus lábios na testa de Beth, e pode ouvi-la soltar um leve soluço, chorando baixo. – Você não pode estragar o relacionamento com a garota que ama, por culpa de uma diversão de verão.
— Você nunca seria uma diversão, Jay... – Beth levantava sua cabeça, passando as mãos por suas bochechas, encontrando os olhos do garoto. – Mesmo se eu não estivesse com a Charlie, você nunca seria só uma diversão de verão. Você é um garoto especial, Jay. Um garoto que muitas garotas procuram e dificilmente acham. Você merece ter a melhor garota do mundo.
— Só consegui encontrar uma até agora e ela não esta disponível. – O garoto sorria, passando seu nariz sobre o de Beth. – Mas sou cavaleiro e a respeito. Entendo que o coração dela já tem dono... Ou melhor, dona.
— Jay...
— Tudo bem, Beth... A minha sorte é que não me apaixonei por você ainda. Isso é só atração. Você é uma garota incrível. Linda, inteligente, engraçada. Me encanta com sua inocência e por mais que te veja como a garota dos meus sonhos, prefiro me manter seu amigo e estar ao seu lado te protegendo. Não quero te ver sofrendo. Te desejo o melhor, Beth e quero que você finalmente consiga se acertar com Charlie.
— Você vai encontrar a garota certa, Jay. Uma garota que vai fazer você se apaixonar e amá-la e respeitá-la. Essa garota será muito sortuda.
— Assim como Charlie é sortuda em ter você. – Beth sorria, passando seus braços em volta do pescoço do garoto e o abraçando com força. – Não se afasta de mim, está bem? Você é a parte mais divertida do meu verão e não quero passa-lo sem você. Ninguém me anima tanto quanto você.
— Não vou a lugar algum, Lopez. – Jay a abraçava forte pela cintura, escondendo seu rosto por alguns segundos contra seu pescoço sentindo o perfume gostoso da mesma. – Amanhã estarei de volta com tylenol e água gelada pela manhã. Você vai precisar. – O garoto brincava, e Beth assentia se afastando.
— Obrigada pela noite, Jay. Me diverti bastante. Se cuida, okay? Vai com cuidado e amanhã nos falamos. – Beth acariciava o rosto do garoto, depositando um beijo na bochecha do mesmo.
— Boa noite, Beth. E vai logo tomar banho... – Jay segurava em seus ombros a virando na direção do banheiro a fazendo rir. – Vá logo antes que você durma suja. Preciso ir. Boa noite, Lopez. Até amanhã. Espero que você acorde com muita ressaca. – O garoto ria, e Beth o empurrava para fora do banheiro.
— Adeus, Jason! – Beth brincava, fazendo o garoto rir enquanto a deixava sozinha.
Beth não tinha certeza do que realmente tinha acontecido, mas esperava fortemente que amanhã quando a realidade batesse não entrasse em pânico e piorasse sua situação com Charlie. Até porque, Charlie era a pessoa mais importante da sua vida e depois daquele beijo com Jay, a saudades de sua namorada apertava ainda mais em seu peito. Beth daria um jeito de engolir sua teimosia e finalmente falaria com sua namorada para finalmente começarem a se entender.
Xxxx
Sentindo como se sua cabeça fosse explodir, Beth abria os olhos lentamente, grunhido de dor, virando seu rosto contra o travesseiro e resmungando com a forte ressaca que sentia. Jay estava certo, Beth acordaria péssima e precisava urgente de um tylenol. Virando-se para o criado mudo, um sorriso aparecia em seus lábios ao encontrar uma pílula e um copo grande de água fria. A garota – com dificuldade, se levantou, apoiando apenas um de seus cotovelos, alcançando o remédio e ao colocar na boca, virava todo o copo com água fria, matando a sede que sentia naquela manhã.
A garota não fazia ideia que horas era, mas sabia que precisaria levantar e tomar um banho para melhorar. Deitando por mais alguns minutos, a memória da noite passada surgia em sua cabeça e por mais que Beth quisesse sentir remorso, tudo o que sentia era vontade de estar nos braços de Charlie. Vontade de beijá-la, de abraçá-la, de mostrar a ela o quanto a amava e o quanto estava disposta a consertar tudo o que estava de errado no relacionamento. Talvez o beijo de Jay tenha feito Beth enxergar a situação de Charlie com Liah. A garota não sabia ao certo o que tinha acontecido, mas Beth sem dúvidas não deixaria aquela garota ou qualquer outra pessoa estragar o que tinha de mais importante em sua vida.
Com muito esforço, Beth se levantou da cama com as luzes apagadas e apenas a claridade através das cortinas iluminava seu quarto. A garota tomaria um banho e em seguida, conversaria com sua mãe. Beth precisava conversar com alguém e Quinn naquele momento seria mais compreensiva e calma do que Santana.
Não demorou para que Beth estivesse novamente de pijama, com sua higiene feita, e o banho tomado. A garota já começava a se sentir um pouco melhor e com preguiça de ir procurar por Quinn, Beth pegava o celular do criado mudo, abrindo o nome de sua mãe e lhe mandando uma mensagem pedindo que a mesma fosse até seu quarto.
Enquanto esperava por sua mãe, Beth abria o instagram de Charlie, sorrindo com as fotos novas que nele tinha. Fotos de Charlie com o primo de dois anos mostrando a língua. Charlie com os avós e todos os primos, e claro, um vídeo de Charlie fazendo palhaçadas com seu irmão Caleb e dois de seus tios. Beth estava tão distraída que sequer ouviu a porta de seu quarto se abrindo.
— Uma mensagem? Sério, Beth? – Quinn entrava rindo, deixando a porta atrás de si entre aberta, se aproximando da cama.
— Mãe! – Beth rapidamente bloqueava o celular, e abria seus braços chamando por Quinn.
— Bom dia, dorminhoca. – Quinn ria da reação da filha, lhe abraçando, e deitando ao seu lado. – Já está quase na hora do almoço, filha. Você já deveria ter levantado.
— Eu sei, mas estou com preguiça... – Beth se encolhia nos braços de Quinn, encostando a cabeça em seu ombro. – Mãe?
— Mmm?
— Bebi ontem a noite.
— Elizabeth! – Quinn arqueava uma de suas sobrancelhas e antes que a mesma pudesse chamar atenção da filha, Beth continuou.
— Não precisa brigar comigo, porque essa foi a última vez. Mas não foi por isso que te chamei aqui.
— Você sabe que se Santana descobrir isso, você ficará meses de castigo não sabe?
— Sei, e é por isso que estou sendo sincera com você, mãe, e não escondendo o fato de eu estar de ressaca.
— Certo, depois tomaremos providencias quanto a isso. – Quinn não tinha gostado de saber que sua adolescente estava de ressaca e mesmo não sendo tão rígida como Santana, sem dúvidas tomaria uma providência. Não deixaria essa situação passar como se nada tivesse acontecido. – Por que pediu que eu visse até aqui?
— Mãe, eu e Jay nos beijamos. – Beth agora afastava o rosto da mãe, encontrando os olhos confusos da mesma.
— Oh... – Quinn fazia um bico suave, fazendo Beth rir. – O que foi?
— Mãe, sempre faço isso quando não sei o que dizer.
— Na verdade, filha, tenho o que dizer, mas prefiro ouvir o que você tem a me dizer primeiro. – Quinn sorria.
— Não sei se foi o momento. Se foi por eu não estar sóbria... – Quinn arqueava novamente sua sobrancelha. – Mas toda vez que eu o olhava, sentia uma vontade de beijá-lo. Claro que pensei em Charlie, mas era como se eu precisasse daquilo. Precisasse pra cair na real e perceber que esse drama entre eu e Charlotte já está indo longe demais, mãe. Sinto muita falta dela. Não estava usando Jay como um estepe, e ele foi um cavaleiro comigo ontem a noite. Ele entendia tudo o que estava acontecendo e foi ele quem me fez parar. Acho que talvez tenha confundido a amizade com essa vontade... E-eu não sei o que aconteceu, mas por outro lado, me sinto uma hipócrita por ter tratado Charlie daquela forma e ontem, ter beijado outra pessoa. – Quinn podia notar o quanto sua filha estava confusa e logo a interrompia.
— Beth... Eu e sua mãe já passamos muitas horas conversando sobre isso. – O tom de voz de Quinn era sério, porem carinhoso. – Nós como mães, nos preocupamos com você. Ver você e Olivia sofrerem nos faz sofrer. Já fomos adolescentes, já fui traída. Meu noivado com Sam terminou, porque ele me traiu. Sua mãe já se decepcionou muito com uma namorada que teve no colégio, mas todas essas situações foram diferentes uma da outra. Sam me traía há muito tempo, provavelmente desde quando namorávamos, e quando o vi com Kitty, percebi o quanto estava sendo feita de boba por todos aqueles anos perdidos ao lado de uma pessoa que nunca me amou de verdade, que só queria era ter um lugar na empresa do meu pai. Ele me traiu não só com outra mulher, como também me fez acreditar que estava apaixonado por mim. Ele me usou muito tempo e sequer teve um pingo de preocupação enquanto estava com Kitty em seu escritório, sabendo que não só eu entrava lá, mas também meu pai e a secretária dele que era uma das minhas amigas. – Apesar de Beth saber do que tinha acontecido, a mesma não sabia dos detalhes e se sentia mal por sua mãe ter sido feito de boba por tanto tempo. – Traição é algo que eu jamais perdoei ou perdoaria. Isso é falta de consideração com a pessoa que está sempre do seu lado lhe dando o melhor e até mesmo desistindo de suas próprias decisões pelo bem do seu parceiro. Essa traição, eu não o perdoei naquele tempo, mas depois que encontrei Santana, aprendi que eu precisava perdoá-lo, ou então, isso me faria mal e o fato de perdoá-lo não significa que teria qualquer relação que fosse com Sam, apenas o perdoei para me livrar do peso que sentia por ter tanto ódio por Sam e Kitty. – Beth entrelaçava sua mão a de Quinn, acariciando. – Já Santana, a decepção que teve, foi que a garota que ela namorava não estava tão apaixonada por sua mamí como sua mamí estava por ela. A garota apenas a traiu não sendo sincera, e ao invés de contar a verdade para a Santana, ela apenas a ignorava no colégio a fazendo achar que tinha feito algo errado e quando sua mamí descobriu o que estava acontecendo se sentiu traída. Se sentiu como se não fosse boa o suficiente para aquela garota e mesmo gostando muito dela, Santana se afastou. Essa garota também machucou muito sua mamí, filha, e mesmo a perdoando, Santana não tinha motivos algum para estar ao lado dela novamente ou sequer serem amigas.
— Nossa mãe, isso deve ter sido muito sofrido pra mamí... E pra você, claro. Descobrir que seu noivo estava te traindo com sua melhor amiga... – Beth sussurrava e Quinn apenas assentia continuando.
— Foi realmente muito difícil, mas a sua situação, filha, é diferente. Não estou dizendo que Charlie agiu certo, mas você sequer a deu uma chance para se explicar. Conhecendo Charlotte como eu conheço, ela jamais faria qualquer coisa para te magoar propositalmente. Só de falar o seu nome os olhinhos dela já brilham, e acredito que o que ela sente por você é sincero e se ela teve a preocupação em te contar, é porque se preocupa com você... Se preocupa com o namoro de vocês. Alguma coisa deve ter acontecido naquele dia, filha, e você deveria dar uma chance para que ela realmente conversasse com você. Deixe ela se abrir e a escute. Dê oportunidade para ela falar, porque é o que vocês precisam nesse momento. O que aconteceu com Jay ontem a noite não foi algo bom, porém, lhe fez enxergar que talvez algo muito além de um simples erro tenha acontecido. Charlie não te traiu, Beth, aquilo não foi uma traição. Quando você cresce e passa por tudo o que já passei, entende o verdadeiro sentido da palavra “traição”, e acredite, mamãe sabe exatamente do que está falando. Não só fui traída por Sam, mas também por meu pai, não vamos esquecer isso. Pela pessoa que deveria me proteger e me acolher, foi o primeiro a me colocar para fora de casa na primeira oportunidade que teve.
— Acho que não dei muita oportunidade para que Charlie falasse e me explicasse. No momento em que ela me disse que beijou Liah, não conseguia ouvir mais nada, tudo o que pensava era no que aquilo tinha me magoado. O beijo com Jay me fez abrir os olhos sim, mas você é sempre a pessoa que me faz olhar além, mãe. Obrigada por sempre ser paciente e não me repreender quando procuro ajuda pelas minhas burradas. – Beth deitava novamente sua cabeça no ombro de Quinn. – Quero muito conversar com Charlie e ouvi-la, mas não sei por onde começar, mãe. Não sei se ligo, se mando uma mensagem, se escrevo uma carta. – Beth falava rindo. – Nos duas precisamos nos abrir uma com a outra e da mesma forma que ela se preocupou comigo ao contar sobre Liah, quero contar sobre o Jay. Não acho certo esconder isso dela e não quero que ela veja isso como se estivéssemos quites, porque não estamos. Eu a amo e vou sempre escolhe-la.
— As vezes você soa tão madura. – Quinn brincava, fazendo a filha rir. – Fico orgulhosa de você por ter decisões como essa. É sempre com os erros que aprendemos e acredito que o erro da noite passada tenha lhe ensinado alguma coisa. Não posso te impedir que erre, mas posso estar aqui para sempre te aconselhar e te levar para o caminho certo. Você está crescendo e eu e sua mamí vamos sempre estar aqui por você. A melhor maneira de dar o primeiro passo, é ligando para ela, está bem? Mensagem é muito vago, e mesmo que a deixe feliz em te ver dando sinal de vida, o melhor a fazer é ligar. Assim ouvindo uma a voz da outra pode trazer uma conversa que vocês não imaginariam que teriam. – Quinn depositava um beijo na cabeça da filha.
— Obrigada, mãe. Obrigada por tudo! Eu te amo muito, muito. – Beth a abraçava, depositando um beijo demorado na bochecha da mãe. – Vou fazer o que é certo e ligar para ela. Obrigada, obrigada.
— Também te amo muito, little one. Se você precisar de qualquer coisa, estarei lá embaixo. E ah, antes que me esqueça. – Quinn começava a se levantar, olhando com a sobrancelha arqueada. – Ainda tomarei uma decisão sobre sua saída de ontem à noite, mocinha.
— Mãe! – Beth estava pronta para protestar, mas Quinn a interrompia.
— Elizabeth, sem mas... Não te trouxemos aqui para que você bebesse, não vou falar com sua mamí agora, porque primeiro quero pensar no que farei quanto a isso. Estou decepcionada com sua atitude, mas vou te deixar descansar e conversar com Charlie. Depois subo para conversarmos.
— Sim, senhora. – Beth abaixava a cabeça e Quinn depositava um beijo entre os cabelos da filha antes de deixá-la sozinha.
Sem se preocupar com seu castigo – sabendo que os castigos de Quinn eram piores do que de Santana, Beth tirou o celular debaixo do travesseiro e olhando por alguns segundos para o nome de Charlie, a garota apertava para iniciar a ligação e mentalmente pedia que naquele momento as coisas finalmente começassem a se acertar.
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