Notas iniciais
Demorei, eu sei, tia Bou passou por problemas técnicos nas ultimas semanas e ainda estou tentando normalizar as coisas, então peço que me perdoem e me deem mais uma oportunidade.
As outras fics serão att, por hora, só att essa, então perdoem-me os que seguem as outras fics.
Enfim, agradeço pela paciência ♥

Acordar cedo, ir para o trabalho, resolver relatórios, voltar para casa, dormir antes da meia noite. Algumas pessoas odeiam cair na rotina; Neliel não se via inclusa nesse grupo — mesmo que a rotina seja algo cansativo e por vezes irritante. Seus dias se resumiam em atividades tão casuais que por muitas vezes a jovem as fazia automaticamente. De segunda até quinta ela ia ao trabalho de escritório; sexta e final de semana trabalhava no prostíbulo, contudo existiam ocasiões – raras, mas existentes – em que Grimmjow a isentava desse trabalho.

Era uma manhã de quinta. Segundo a rotina, passava da hora de ir ao trabalho, porem aquele dia em particular não estava incluso nesse fardo diário. Era feriado e Neliel o aproveitava simploriamente, jogada ao sofá, vendo televisão. A principio pensou em sair, refrescar a mente vendo lugares novos, contudo o dia anterior tinha drenado toda sua energia. O controle do televisor jazia em suas mãos e o fino dedo indicador pressionava o botão fazendo os canais mudarem em um ritmo descompassado mais rápido. As esmeraldas poucos se importavam com o que viam na tela.

Depois de mais alguns canais aleatórios, Neliel bufou e desligou o televisor; sentou-se ao sofá. A sala da jovem era simples, mas bem formosa. Alem do televisor bem posicionado, haviam dois sofás – um maior, aonde a jovem se encontrava, e outro de dois lugares, encontrado ao lado do anterior – e uma mesa de centro, de madeira envernizada e centro de vidro. Sobre a superfície cristalina havia um copo de café com o líquido pela metade. A jovem acolheu o copo em uma das mãos e sorveu todo o líquido, ignorando o fato de estar um tanto frio.

A jovem estava pouco apresentável; seus cabelos estavam bagunçados, algumas mechas caiam-lhe sobre o rosto, olheiras profundas marcavam abaixo das esmeraldas, que pouco brilhavam. Afagou os cabelos e deixou o olhar pairar sobre o nada; sem sua fiel rotina, não tinha a menor idéia do que poderia fazer. Caminhou vagarosamente até a cozinha. Colocou o copo sujo na pia e deslizou o olhar para a janela que dava para o quintal do vizinho. Uma jovem menina, com seus cinco anos, corria atrás do cachorro, ambos pareciam tão felizes. Um sorriso bobo moldurou os lábios rosados. Ambos – criança e cão – estavam felizes e não precisavam de um motivo em particular para isso; a jovem os invejou.

Lembranças correram a menta de Neliel. Dias simples em que sorrisos se encontravam facilmente no rosto da jovem, hoje tão pouco sorri em seu trabalho, melhor, em sua vagarosa rotina. Quando foi que seu humor ficou tão fúnebre? O rosto de Grimmjow lhe tomou os pensamentos, há sim, fora naquele dia que as coisas tomaram um rumo obscuro. O demônio lhe deu a oportunidade de viver, mas agora se sentia tão morta quanto se tivesse realmente dado seu ultimo suspiro naquele maldito dia. Aquela lembrança ainda a assombrava, contudo não se lembrava nitidamente daquele que a feriu. Olhou para o relógio na parede, o tempo voou naquela brincadeirinha de trocar canais; já passavam das dez.

Balançou a cabeça, tentando afastar todo o mau humor e cansaço, naquele instante, decidiu não desperdiçar aquele valioso dia de descanso. Um dia só dela, sem Gin, sem Grimmjow, sem relatórios ou malditos excitados a procura de prazer, não! Aquele dia seria apenas dela. A passos largos subiu as escadas e foi para o quarto. Parou na frente do guarda-roupas e arremessou inúmeras peças aleatórias sobre a cama, escolheu uma e caminhou até o banheiro.

Faltava meia hora para o meio dia quando Neliel enfim acabou de se arrumar. Trajava um tênis, calça jeans simples com alguns detalhes nos bolsos de trás e uma blusa verde de alças. Estava prestes a sair de casa quando olhou para a tela do celular; pensou por alguns segundos e depois arremessou o mesmo na direção do sofá:

=Não quero ser incomodada por ninguém – sussurrou pra si mesma.

Saiu a passos calmos e vagarosos, não tinha rumo nem pretensão, só queria fugir daquilo tudo e, por pelo menos aquele dia, descansar verdadeiramente. Parou no ponto de ônibus e pegou a primeira condução que passara, sem nem se importar com o destino, só queria ir o mais longe que pudesse.

////////

O sol deixava seus últimos raios pairarem pelo céu enquanto a escuridão os engolia. O tempo esta começando a mudar e brisas gélidas começavam a se fazer presente. Tomado por descontentamento, Grimmjow esmurrava a porta de madeira a frente. Precisava falar com Neliel, a principio não era nada de importante, mas depois de ter mais de quinze ligações ignoradas, foi tomado pela raiva e, quando se deu conta, já estava à frente da casa dela, distribuindo socos violentos à porta. Gritou o nome dela uma, duas vezes, ninguém respondeu. Tomado por fúria Grimmjow nem se quer pensou duas vezes antes de empurrar bruscamente a porta com um dos pés, escancarando a mesma. Pouco se importou se alguém o tinha visto – o que parecia meio improvável, já que ninguém se encontrava na rua – ou nos danos que causou quebrando o trinco e rachando a madeira da singela porta de madeira.

Adentrou a casa aos berros:

-Neliel se você estiver brincando comigo, eu juro que vai se arrepender

A passos apresados foi direto para o quarto dela, mas tudo que encontrou foi uma pilha de roupas jogadas sobre a cama. Ele se aproximou das peças de roupa e passou um olhar rápido pela bagunça. Retornou ao primeiro andar, retirou o celular do bolso e ligou para a jovem. Foi só nesse momento que ele percebeu o aparelho de Neliel jogado sobre um dos sofás da sala. Grimmjow o pegou:

-Maldita – proferiu entre dentes.

Parou a porta da casa dela, colocou os dois aparelhos no bolso e se deu ao “cuidado” de fechar a porta recém arrombada. Deu algumas passadas e parou no meio da rua, fitando o céu. Seu olhar tomou um tom obscuro e seu sorriso fora compatível:

-Vai ser divertido caça — lá pela cidade.

//////

Longe dali, a jovem Neliel passava um dia que superava as expectativas. No ponto do ônibus que pegara tinha seu ponto final em uma cidade vizinha que pouco conhecia; pra ser mais preciso, logo a frente de um shopping. O shopping era gigantesco, a sua frente, um estacionamento tão grande quanto o próprio centro de compras. Exatamente no meio do estacionamento, havia uma ruazinha para os pedestres chegarem ao portão principal do shopping. Enquanto Neliel caminhava pela ruela enquanto o olhar se matinha perdido na paisagem à volta. Aos lados da ruazinha, algumas arvores de porte médio se faziam presentes; em seus galhos, algumas fitas vermelhas e corações se faziam presente. Era uma decoração simples, mas que fez Neliel lembrar que o dia dos namorados estava chegando.

O estacionamento estava deveras cheio, contudo algumas vagas ainda estavam por serem preenchidas. Ao chegar à porta do mesmo, pode notar mais alguns corações na fachada e na própria porta de vidro automática. Adentrou ao shopping e as esmeraldas brilharam ao notar a grandeza do mesmo.

Logo após passar pelo portão principal notou que estava na praça principal do shopping. Era simplesmente enorme. No centro da mesma havia um chafariz. Neliel se encaminhou a mesma e notou o quanto era linda. O chafariz é de água límpida e no centro do mesmo, uma linda escultura de uma dama estava presente. A dama estava com uma expressão serena e nas mãos da mesma, um jarro de pedra inclinado deixava a água retornar ao chafariz, em um clico quase imperceptível.

Os olhos da jovem deslizaram da estatua para seu redor. A praça dava saída a três enormes corredores abarrotados de lojas e pessoas. Mal sabia pra onde seguir. Subiu o olhar ao teto e fora só ali que percebeu o detalhe do mesmo; em alguns lugares, o concreto fora substituído por placas de vidro que deixavam alguns raios de sol ultrapassarem. A jovem deve de admitir; quem desenhou o lugar tem um bom gosto indiscutível e uma queda por extravagância.

Depois de mais alguns segundos a admirar o local, decidiu tomar um dos corredores e seguir. Andava ao meio da multidão passando o olhar por seus rostos; tantos que nunca conhecera e a maioria sorrindo. O lugar era tão calmo e alegre, contrastando com os lugares que teve de freqüentar diariamente. Passava por lojas e parou a frente de uma. Um manequim chamou sua atenção. Na vitrine a vestir o manequim, uma jaqueta que Neliel julgou ser perfeita; couro negro, com alguns detalhes na manga e alguns pelos artificiais em volta do capuz. Parecia tão perfeita, as esmeraldas fitaram a jaqueta com um brilho vigoroso, mas o mesmo se desfez quando vira o preço; mais caro do que poderia pagar. Suspirou e estava prestes a voltar a andar sem rumo, quando o manequim ao lado lhe pareceu interessante. Trajando roupas masculinas, uma jaqueta de couro simples, calças jeans com alguns detalhes e correntes e uma blusa azul marinho profundo. Por alguns segundos aquelas roupas lembraram um alguém; Grimmjow. Teve de admitir, aquelas roupas ficariam perfeitas nele. Quando Neliel percebeu que estava a pensar nele, balançou a cabeça e voltou a caminhar bufando.

Aquele dia seria dela! Portanto se proibiu de pensar em Grimmjow ou em qualquer outro problema que a persegue diariamente. Não! Aquele dia era dela! E se resumiu no shopping.

Andou pelos corredores; experimentou algumas roupas e, mesmo com os elogios constantes e vazios das vendedoras, não levou nenhuma; comprou alguns doces e chocolates; comeu pipoca; andou por mais alguns corredores, indo até o segundo andar do mesmo; entrou em um salão de jogos; se empanturrou de hambúrguer e frituras na praça de alimentação; se perdeu mais vezes do que pode contar e, por fim, achou o chafariz que havia visto logo na entrada. Parou em frente ao mesmo enquanto acabava de beber seu refrigerante. Olhou para a parte de vidro e pode notar que já não haviam raios de sol no céu. Não tinha relógio nem celular, parou próximo a uma senhora, perguntando que horas eram:

-Dez pras oito, querida – respondeu educadamente.

Neliel deu uma ultima olhadela na estatua, a bela dama parecia tão serena. Sorveu o ultimo gole que jazia na lata e a jogou no lixo. Não podia mentir, tivera um dia perfeito. Um dia alegre depois de tantos mergulhados em angústia. Perguntou-se se os dias voltariam a ser simples como antes... Antes do seu ultimo dia de vida. O pior de tudo, pensou, é que nem me lembro exatamente do que aconteceu naquele maldito dia. Recusava-se a pensar a respeito, contudo a curiosidade sempre trazia aquele assunto à tona. Voltou ao ponto de ônibus. Embora não soubesse onde exatamente estava, tudo que precisava era pegar o mesmo ônibus que viera, só que no sentido oposto. E foi o que ela fez. Depois de um tempo a esperá-lo, pegou a mesma condução.

Dizem que a volta sempre é mais curta que a ida; esse ditado nunca fora menos convincente. O transito se estendia a frente do ônibus e por um bom tempo, o ônibus ficou parado no mar de carros. Sem perceber, Neliel encostou a cabeça no vidro do ônibus e acabou dormindo.

Acordou com um solavanco forte, que fizera a cabeça ir de encontro ao vidro. Com a visão turva e maldizeres deixando os lábios, a jovem acordou. Acolheu o local machucado com uma das mãos, enquanto forçava o olhar a paisagem a fora. Piscou algumas vezes e pode notar o local em que se encontrava; nunca viu tão passagem a frente. Levantou bruscamente e passou o olhar pelo ônibus; o veiculo não tinha nem a metade das pessoas que tivera antes. Perguntou ao motorista onde estavam e pode constatar sua maior suspeita tornar-se realidade; havia a muito passado do ponto em que devia soltar.

Desceu no ponto mais próximo e levou a mão ao bolso, a procura do dinheiro que sobrara. Tudo que tinha que fazer era pegar o mesmo ônibus voltando, certo? Mas como fazê-lo sem dinheiro. O coração da jovem se encheu de aflição, estava perdida e sem dinheiro, e o lugar em que se encontrava era no mínimo cenário de seus piores pesadelos. Passou um olhar critico a volta. A rua era escura, algumas das lâmpadas da rua estavam queimadas e as casas que a rodeavam, pareciam abandonadas, esquecidas, ou as duas coisas.

Passou a andar pela rua, na direção oposta da que o ônibus viera. Dava passos largos e rápidos, na rua, nenhuma alma viva se fazia presente. O coração passou a bater cada vez mais rápido e seu passos aumentaram o ritmo. Notou um homem virar a rua e começar a caminhar em sua direção. Podia ser coincidência, mas dada a situação atual, decidiu não arriscar. Apertou o passo e entrou na primeira rua entre eles, uma rua inclinada, que dava pra uma leve descida. Pode ver que o homem seguiu o caminho, sem segui-la. Suspirou aliviada, o homem só estava de passagem.

Uma lembrança turva lhe tomou os pensamentos, parou os passos e tentou se concentrar nela; mas fora inútil. Estava tão destruída quando um farol alto acendeu atrás de si e um carro passou a vir em sua direção. Aquilo não poderia ser coincidência. Passou a correr e entrou em uma ruela que havia. Corria o máximo que as pernas lhe permitiam e não ousava olhar para trás e, quando o fez, se arrependeu, um homem desceu do carro e passou a correr atrás dela. A ruela dava pra apenas uma saída para esquerda, ela tomou a mesma, mas parou ao notar que o mesmo carro que a perseguia parou a sua frente. Deu alguns passos para trás, mas sentiu o homem que a perseguia se aproximar. Subitamente ele a agarrou, pressionando-a em um abraço forçado:

-Vai a algum lugar? – sussurrou em seu ouvido.

-Quer uma carona? – o comparsa perguntou depois de abrir a porta do veiculo.

Neliel se debatia, mas não tinha força suficiente pra fugir; a ultima corrida que dera, tomou-lhe o fôlego. Encheu os pulmões para gritar, porem sentiu a mão do outro lhe tomar os lábios com violência.

-Seja boazinha e talvez não doa – disse depois de passar a língua pelo pescoço alvo da jovem.

O homem passou a encaminhá-la na direção do carro. Neliel tentava resistir, contudo faltavam forças em suas pernas. Fechou os olhos e passou a rezar. Não sabia a quem exatamente direcionava suas preces, afinal, por que os deuses salvariam uma alma condenada e profana como a dela? O desespero lhe tomava, mas lágrima alguma deixava os olhos. Acabou pensando em seu único salvador; Grimmjow. Clamou silenciosamente por ele, como julgou nunca ter feito e como nunca devia fazer. Subitamente, sentiu o homem solta-la bruscamente. Neliel foi de joelhos ao chão e, por alguns segundos se negou a abrir os olhos:

-Então vocês acham que podem se divertir com ela? – a voz rouca e familiar vez as esmeraldas enfim se abrirem. Virou o rosto e pode ver Grimmjow

O demônio segurava o rapaz pelo pescoço, sua força era tanta que o rapaz fora erguido do chão. O outro saiu do carro armado e apontou o revolver na direção do moreno:

-Solta ele!

Embora mandasse com um grito e estivesse com o dedo no gatilho, o homem parecia tremer. O rapaz erguido perdia as forças, tal como o ar. Seus últimos suspiros se faziam presente:

-Mandei soltar! – reforçou a ordem.

-Vamos acabar com isso – murmurou Grimmjow.

Com uma velocidade tão grande quanto a que tomou anterior mente, o demônio soltou o rapaz sem vida ao chão e parou a frente do armado, tomando-lhe a arma. Neliel fitou o cadáver ao chão, seu pescoço tinha a marca dos dedos de Grimmjow. Um barulho a vez voltar o olhar para frente e ficou surpresa ao ver o rapaz, antes armado, agora jogado ao chão, com um filete de sangue lhe correndo o lábio inferior e um roxo tingindo um dos olhos:

-Toma – Grimmjow jogou a arma para Neliel, que pegou a mesmo a pouco dela cair no chão.

As esmeraldas fitaram o revolver, indecisas e confusas:

-O que quer que eu faça? – questionou.

-Mate-o.

O rapaz passou a suplica-lhe misericórdia e Neliel ficou estática. Ele queria seu mal, isso era obvio, mas matá-lo? Ao ver a hesitação da jovem, Grimmjow caminhou até ela, como um felino se aproximando da presa:

-O que esta esperando? – o olhar de Neliel se voltou à direção de Grimmjow – Ele iria te matar, então por que ainda hesita?

Ela ainda se mantinha hesitante, o rapaz ao chão suplicava, implorava pela vida. O demônio de olhos azuis parou ao lado de Neliel e passou a sussurrar em seu ouvido:

-Ele a mataria. Tem uma alma tão podre que me pergunto que tipo de atrocidades faria a você antes de enviá-la ao mundo dos mortos – um arrepio gélido percorreu seu corpo – Ele é um maldito, um desgraçado que iria te estuprar e já fez isso a outras garotas. Ele não merece misericórdia, tão pouco o direito de viver. Mande-o para o inferno. – a voz dele começou a pesar nos pensamentos da jovem, que aos poucos virava o revolver na direção do infeliz suplicante – Faça aquilo que devia ter feito no dia que me chamou

Uma névoa de lembranças e sentimentos tomou seus pensamentos. Um sorriso sádico, uma estocada gélida, uma dor incomparável. O que devia ter feito, disse ele, o que devo fazer, perguntou a si mesma. Acordou com um estalo, uma fumaça tênue saindo do cano do revolver e um corpo com sangue a brotar da cabeça no chão.

Notas finais
Vi que alguns favoritaram mas não comentaram e.e
não façam isso com a Tia Bou, não vire um leitor fantasma, isso me magoa 3
comentem ♥