Notas iniciais
olha a tia ae.
pra falar a verdade, to tão viajada nas dorgas que não sei se atrasei ou não x.x
leiam as notas finais

Sentia seu corpo pesado e gélido. Uma dor correu pelo seu corpo quando sentiu algo tocar-lhe o abdômen. Gritou sem voz, chorou sem lágrimas. Cai ao chão, enxergou de olhos fechados. Estava vendo a si mesma? Parada, Neliel assistia a si mesma no chão, via sua própria dor, e a sentia mais forte do que nunca.

Se não pode ser minha, não vai ser de mais ninguém! Proferiu uma voz ríspida desprovida de misericórdia. Uma pessoa, um homem, estava de pé à frente dela, suas mãos sujas com o sangue dela. Neliel não conseguia ver seu rosto, estava de costas, mas havia qualquer coisa naquela voz que a fazia ter lembranças há muito perdidas.

O homem deu passos hesitantes para longe do corpo, para longe dela. Neliel correu até ele, queria vê-lo, por mais que por dentro estivesse com medo, precisava vê-lo! Puxou o homem pelo braço, fazendo o se virar, mas nada de familiar ou humano havia em seu rosto. Não havia pele ou músculos, apenas ossos naquele rosto. Buracos fundos marcavam onde deveriam estar seus olhos e, dali um liquido rubro jorrou. Sua boca abriu e fechou mais nada proferiu, apenas liberou um grito ensurdecedor. Neliel o soltou e deu alguns passos vacilantes para trás, foi ai que sentiu dois braços contornarem seu corpo em um abraço não autorizado.

–Você é minha agora – a voz era de Grimmjow, mas não pode ver seu rosto.

O grito se intensificou e por mim seus olhos abriram. Neliel puxou todo o oxigênio de uma única vez e por alguns segundos sentiu que não podia respirar. Estava temendo e nervosa, se sentou na cama; já não estava sonhando. Alisou os cabelos e tentou se acalmar. As perolas fitaram o celular, faltava pouco para o despertador tocar, contudo já não tinha vontade ou até mesmo coragem para voltar pra cama. Levantou e foi se arrumar.

===

Alongou-se pesadamente enquanto a amiga corria de um lado para o outro juntando os papeis. Não notou quando foi que o expediente acabou, mas lá estava ela, pronta para ir pra casa. O dia fora deveras agradável – se se atrevesse a esquecer do pesadelo. Neliel estava encostada na porta da sala da amiga, esperando-a. A ruiva nem se quer tinha terminado de realizar as tarefas:

–Tem certeza de que não quer minha ajuda? – indagou à bela.

–Não eu to quase acabando – disse com um sorriso, mas esse mesmo morreu ao abrir a gaveta superior. A mesma estava abarrotada de papeis aleatórios e alguns deles deveriam ser arrumados. – Bem, uma ajuda seria boa – completou se dando por vencida.

Neliel sorriu e foi ajudar à amiga. Fazia pouco mais de duas semanas desde que Inoue passou a se mostrar mais que uma colega de trabalho. Desde que fora condenada a uma vida semelhante à de Neliel. Desde então, elas passaram a ficar mais próximas e a conversar mais, contudo Neliel pouco sabia do segundo trabalho da ruiva; a mesma havia lhe dito que não trabalharia na casa noturna de Hallibel, mas era comum encontrá-la perambulando nos corredores de lá. Neliel deveria perguntar, mas não se atreveu. Fosse como fosse, ela estava “salva”.

Saíram do prédio conversando e rindo de coisas aleatórias quando viram Grimmjow parado na frente do mesmo. Era quarta feira, não seria dia de trabalho para a jovem, que estranhou a presença do rapaz:

–Você vai com ele? – perguntou a ruiva.

O desconforto de Inoue era nítido, ela realmente não se sentia bem na presença do rapaz:

–Vou ver o que ele quer – disse em tom cansado – Mas não precisa me esperar

A jovem assentiu, e segui seu caminho. Neliel deu alguns passos vagarosos até o demônio; nem tinha a menor presa em atendê-lo:

–O que quer? – curta e grosa.

O típico sorriso malicioso dele se fez presente:

–Só queria te ver – disse ele simples.

Uma resposta simples, mas suficiente para fazer a jovem bufar e sair a passos largos o deixando para trás. Enquanto Neliel caminhava, sentia seu corpo pesado e uma leve dor de cabeça a incomodou. Há muito não tinha uma boa noite de sono; constantes pesadelos a assombravam e a insônia vinha visitá-la sempre que os pesadelos se ausentavam. Não basta pesadelos, par completar ainda tenho que aturá-lo, pensou a jovem, ele não tem mais o que fazer? Bicuda, olhou para trás. Ele a seguia alguns passos depois, tão despreocupado e irritante.

A passos largos e irritados a jovem foi para a estação do metro. Quem sabe se em me enfiar no meio da multidão ele me perde e eu fico livre. Apresando os passos, a jovem passou por um mar de pessoas, procurando entre elas o anonimato. A estação sempre fervia de pessoas nesse horário e isso nunca fora tão conveniente. Enquanto estava entre tantas pessoas, perdeu Grimmjow de vista; suspirou. O metro estava pra chegar, andava para a direção da plataforma. Ficou pouco tempo esperando.

Quando o metro chegou agradeceu silenciosamente. As portas do mesmo se abriram e uma habitual confusão se fez presente. Pessoas saiam ao passo que outras lutavam para entrar. No meio disso, Neliel deu um encontrão violento em uma pessoa, mas logo notou que este tentou segurá-la, contudo o que veio a seguir fora muito rápido. A mão que pousou em seu braço só permaneceu ali por poucos segundos. Grimmjow apareceu – sabe lá deus de onde – e guiou Neliel para dentro do metro, libertando-a do estranha mão que a segurava.

Quando Neliel se viu dentro do metro, lançou um olhar carrancudo para Grimmjow, este atrás dela:

–Qual o seu problema? – novamente um bico se formou nos lábios rosados.

O rapaz a principio não pareceu ouvi-la; tinha um olhar fixo e levemente sombrio na direção de fora do metro. Fitava algo, mas Neliel não viu o que:

–Aconteceu alguma coisa? – algo naquele olhar a deixava no mínimo incomodada.

–Devia prestar mais atenção – seu olhar ainda estava fixo.

Neliel não entendeu o motivo, mas fora ai que percebeu que o maior tinha ambas as mãos sobre sua cintura. Deu um leve tapa nas duas e se afastou o máximo que o vagão lotado permitiu. A viagem foi estranhamente silenciosa. De alguma forma, Neliel esperava que o maior implicasse com ela ou, no mínimo, a provocasse com palavras maliciosas, mas o mesmo se manteve calado o tempo todo. As esmeraldas fitavam-no detalhadamente, a procura de respostas, mas nada naquela expressão inédita pode saciar sua curiosidade. Quando enfim os olhos azuis se voltaram para ela, a jovem sentiu suas bochechas corarem levemente; há quanto tempo estava a fitá-lo?

–Ei, não vai descer? – fora só então que percebeu que havia chegado à estação em que deveria soltar.

O caminho pela rua fora tão silencioso quanto no metro. Aquilo a incomodava, mas não se atrevia a puxar um assunto. Na porta de casa, a jovem pousou a chave na fechadura e foi só então que decidiu se pronunciar:

–Vai dizer o que quer ou não? – apesar das palavras meio ríspidas seu tom foi brando

–Hallibel disse que eu to dando muito prejuízo pra ela – deu de ombros – então vou passar uns dias aqui.

As esmeraldas se estreitaram enquanto analisavam o criticamente. Não era de hoje que ele bebia e se divertia com algumas garotas da boate, mas agora que parou para analisar, nunca o viu pagando por nada disso, tão pouco se quer falando do assunto. Apenas murmurava um coloca na minha conta que era um simples “pago depois” que nunca chegava.

–Por que não disse antes? – indagou. O rapaz apenas se limitou a dar de ombros enquanto olhava o céu. A jovem suspirou – Contanto que se comporte, por mim esta bem.

Não estava, mas de certo modo ela não conseguiu dizer não. Desde que passou a conversar com Inoue, passou a considerar outro tipo de opinião a respeito dos demônios. A ruiva sempre dizia que Ulquiorra era seu salvador, mesmo que ela ficasse presa a ele pelo resto da vida.

–Ele pode ter me salvo na esperança de ter algo em troca, mas isso não muda o fato dele ter me salvado. Se não fosse por ele, eu estaria morta, então acho que a partir de agora, minha vida pertence a ele – ela disse uma vez.

Neliel não concordava totalmente com aquilo, mas tinha que admitir que, de certa forma, aquela troca parecia justa.

–Vai dormir na sala – ela disse apontando pro sofá – E se tentar alguma gracinha-

–Não vou tentar – ele se jogou no sofá, pegando o controle da televisão – a menos que você queira, é claro – sorriu maliciosamente.

Neliel apenas lançou um olhar critico a ele e subiu para o quarto.

===

Caindo sem nunca alcançar o chão, mais uma vez Neliel se via morrer, mas desta vez, via a si mesma cair sem parar num mar de sangue. Não conseguia gritar, tão pouco se mexer, apenas assistia sua própria queda. Quando o oxigênio chegou ao fim, seu corpo alcançou o fundo, e ela estava ele. O homem sem rosto, assassino sem arma. Não se lembrou de quando saiu do mar sangrento, mas lá estava ela, de novo na cena de sua morte. Desta vez de frete para o assassino. Atrás dele aparece Grimmjow. O assassino passou a caminhar na direção de Neliel, enquanto Grimmjow caminhava na direção do corpo caído ao chão.

Daquilo ela lembrava. Se lembrava do que Grimmjow dissera naquele dia, da oportunidade de poder viver, disso ela se lembrava. O assassino parou a poucos centímetros dela e estendeu sua mão sangrenta e ossuda na direção do rosto de Neliel. Quando jovem tentou recuar, sentiu a escuridão envolvê-la. Uma dor insuportável se fez presente na barriga e pode ver sangue jogar sabe lá de onde. Caiu de joelhos, suplicando pelo fim do pesadelo. Mas tudo que veio foi apenas dor. O assassino se abaixou, tomou o pescoço da jovem em ambas as mãos e apertou com demasiada força. Implore por sua vida, vadia! Gritou a caveira manchada de sangue.

Neliel acordou aos berros. Se sentou na cama, sentindo o rosto queimar e o coração dar marteladas dolorosas:

–Eu não deveria ter implorado por minha vida – disse para o nada. Não percebeu quando a primeira lagrima caiu, mas quando notou que estava chorando, já tinha o rosto completamente úmido.

–Não há mal nenhum em querer viver – a jovem não notou Grimmjow até ele se pronunciar.

O rapaz estava de pé, próximo a cama:

–E o que eu ganhei depois disso? – a voz da jovem saiu tremula – Apenas dor e tortura, nada mais – limpou as lágrimas com as costas da mão.

O maior se sentou na ponta da cama, de costas para a jovem:

–Eu deveria ter morrido – a jovem acolheu as pernas dobradas e afundou o rosto nos joelhos – Mas acabei implorando a vida a você.

–E se arrepende disso?

–Todos os dias... – a reposta saiu tão espontânea que Neliel só percebeu depois pronunciá-las.

–Não devia – A jovem levantou o rosto para fitá-lo. O maior estava de costas, por tanto Nel não pode ver sua expressão, mas julgava ser a das mais seria possível, isso a julgar pelo tom da voz – O inferno esta trasbordando de pessoas que queriam uma segunda chance

As esmeraldas fitaram os lençóis bagunçados que a rodeavam:

–Você acha que eu iria pro inferno?

–Quem sabe – o maior deu de ombros

O silencio tomou conta do cômodo. Neliel apenas se atinha a pensar naquelas palavras. Se estivesse no inferno, com certeza sofreria muito mais do que agora. Mas fosse assim ou não, ela não estava no inferno e no momento o sofrimento que a incomodava era o atual e não o de uma suposta suposição.

–Do que adianta uma segunda chance se mal posso fazer o que quero? – um leve suspiro saiu dos lábios da jovem – Se voltei, foi para servi-lo, não para viver por conta própria – disse num tom triste que carregava um toque tênue de raiva.

–Você terá sua vida – ele se virou, sentando de lado, fitando a jovem. –Mas primeiro tem que pagar sua divida comigo.

Já fazia um tempo que trabalhava para o demônio, mas aquela fora a primeira vez que ele tocou naquele assunto: liberdade. Uma parte de Neliel tinha quase certeza de que trabalharia para ele pelo resto da vida, mas ainda tinha esperanças de seguir seu caminho; esperança essa que aumentou naquele instante.

–Vai mesmo me libertar? – o tom da jovem era esperançoso, mas ainda carregava certa tristeza.

O rapaz se inclinou, deixando os rostos mais próximo:

–Se cumprir sua parte no acordo, eu cumpro a minha – as esmeraldas estavam fixas nos olhos do demônio; que estavam particularmente tentadores.

Grimmjow se aproximou mais, a ponto da jovem sentir sua respiração acariciar sua pele. Neliel tinha quase certeza de que ele a beijaria, mas não esquivou, não fugiu, de certa forma, não queria. Contudo o rapaz não o vez, o alvo dele era a orelha e não os lábios da jovem. Tocou levemente os lábios na fina pele a orelha:

–Mas lembre-se Nel, se não cumprir sua parte do acordo, eu terei que te punir – um tom malicioso tomou a voz rouca dele.

Um arrepio involuntário correu o corpo da jovem. Pensou em recuar, mas já era tarde. A mão do rapaz pousou no queixo da moça, fazendo uma leve preção, impedindo uma futura fuga. Grimmjow recuou um pouco, apenas o suficiente para fitar o rosto da jovem; pensava que poderia ver medo, mas Neliel se mantinha firme. Neliel analisava o rosto do carrasco, nunca tão próximo como agora, ao menos ela tinha que admitir para si mesma; ele era lindo.

Um leve sorriso se formou nos lábios dele. A íris tomava um tom mais profundo de azul e uma áurea pairou pesadamente sobre o rapaz. Uma espécie de mascara partida se formou próximo aos lábios do rapaz; Neliel nunca havia visto o rapaz assumir aquela forma. Neliel ficou inquieta, mas se recusou a demonstrar seu desconforto:

–Como vou saber se vai cumprir sua parte do acordo? – disse em tom desafiador.

O sorriso se tornou mais malicioso:

–Você não tem escolha, ou confia em mim – Grimmjow retirou a mão do queixo da menor e se levantou – Ou se entrega a mim. A escolha é sua.


Notas finais
~~ MURAL DE RECADOS DA TIA BOU ~~
Well, vamos aos recados
1 as reviews serão respondidas depois
2 não tenho ideia de quantos cap ainda virão para completar essa fic
3 quem acompanha a fic "the two slides of the mirror", eu postarei o cap. dela até o final da semana
4 MUITO obrigado aos que acompanham a fic, pelo número de leitores, acredito que são poucos fantasmas. Mas aos fantasmas que ainda existem, comentem, façam a autora feliz e ganhem cap mais doces -q xD
enfim, espero vocês no próximo meus amores ♥ OBS: dei uma leve mudada no título, coisa minima