Notas iniciais
Atrasadíssimo, eu sei. Estou em uma semana conturbada, cheia de trabalhos, projetos, provas e o pouco tempo que tenho tem se destinado a um pequeno bloqueio mental - proveniente do cansaço e tudo mais. Mas lembrem-se que não largarei as fics então fiquem tranquilos, é só mais um problema técnico mesmo x.x outra coisa... deixa pras notas finais

A chuva caia sobre seu corpo; sentia-se pesada. As gotas caiam com violência, parecia uma chuva ácida. Algumas lagrimas caiam das esmeraldas, mas elas se misturaram com a chuva e já não sabia distinguir qual era o que. Olhou para o céu, e fechou os olhos, por que chorava tanto? Nem mesmo ela sabia ao certo, afinal, enfim conseguiu o que queria.

Mas no final das contas, por que se sentia tão vazia?

Fora tão repentino que uma parte de si ainda não acreditava que aquilo realmente acontecerá. Deixou-se pensar por um longo tempo e foi invadida pelas memórias do ocorrido.

Era pra ser um dia normal, apenas era. Fora para o trabalho e na saída, como tantos outros dias, ele estava a sua espera. Uma semana se completaria desde que ela recordou do dia de sua morte. Não foram para casa de metro, como usualmente, foram andando, um caminho longo. O silencio se mostrou presente em boa parte do percurso. O céu parecia carregado, tal como o clima entre ambos. Ele tinha algo a dizer, contudo não sabia como fazê-lo; ela sabia que algo estava por vir. A cada passo, cada segundo que se sucedia, se tornava mais sufocante que o anterior. Faltavam poucas quadras para enfim chegarem, quando tudo aquilo se tornou sufocante de mais; ela parou:

–Você, o que quer dizer a mim? – ele parou um pouco adiante. Lançou um olhar de canto a ela, gélido talvez.

O vento se pronunciou e por um momento, Neliel pensou que apenas ele tomaria a palavra, contudo Grimmjow decidiu falar:

–Esta livre – duas palavras que almejava desde o inicio, mas ao ouvi-lás, nunca se sentiu tão incompleta.

As primeiras gotas de chuva os acolheram, tão frias como as palavras, o olhar... tudo. Grimmjow a encarou nos olhos, a primeira vez naquele dia. Os azuis pareciam estranhos, não, no mínimo curiosos, ao menos do ponto de vista da menor. Ele tem algo mais pra me dizer, ela teve certeza. Contudo apenas silencio, mais gotas caiam, com mais intensidade, mais força:

–Pensei que... Isso iria demorar mais... – Tanto a dizer, mas fora apenas isso que Nel conseguiu proferir.

Ele sorriu, o primeiro sorriso da noite; mas de longe um sorriso feliz:

–Pensei que você quisesse isso. Ser livre

Uma lágrima caiu sem permissão, rolando livre pelo rosto levemente úmido pelas gotas que já eram muitas. Tristeza, esse era o sentimento, mas o motivo era desconhecido a ela.

–Eu... – Não sei o que dizer.

Desde que morreu, ela sonhou com aquele dia. Havia decidido que sairia, que comemoraria. Havia fantasiado cada segundo daquele simples momento de felicidade, então por que diabos não conseguia se sentir feliz? Nem no mínimo aliviada! Rolou o olhar para o chão, queria palavras, mas do que elas adiantariam se nem se quer entendia o que estava sentindo?

–Não esperava essa reação – por um instante, aquilo pareceu soar de maneira engraçada.

–Nem eu – sorriu amargamente, mas pra si do que para ele.

A chuva deixou ambos encharcados em poucos minutos, e não parava. As esmeraldas lacrimejaram e ela não tinha se quer coragem de levantar o olhar, de fitá-lo. Ele murmurou algo e, quando ela levantou o olhar, Grimmjow já estava ao seu lado. Ele colocou a mão sobre a cabeça da jovem:

–Seja feliz – seu tom, sua atitude, ela jamais esperou aquilo dele. Ficou paralisada.

E então ele passou, passos vagarosos que se foram perdendo no som da chuva. Desde então ela ficou parada, perdida em pensamentos que se tornavam mais confusos a cada segundo. Queria ser livre, mas uma parte de si não queria se separar dele. Sim, dele, aquele que fora o maldito que a condenou. O demônio que condenou sua vida ao inferno, seria natural se ela o odiasse, contudo àquela altura já não tinha se quer certeza se algum dia realmente o odiou.

Seu corpo estava gelado e sentia frio; não se importava à final. O caminho até sua casa pareceu maior do que as duas quadras que caminhou. Chegou a casa e ficou um longo tempo parada, encostada na madeira da porta fechada atrás de si. As lagrimas não cessaram mesmo ali e agora, sob seu teto, tinha certeza que estava realmente chorando. Aquilo parecia o fim, mais do que no dia em que sua vida realmente tinha acabado.

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–Nel-chan – chamou pela milésima vez.

Fora só então que se deu conta que estava divagando em seus pensamentos. As esmeraldas foram comprimidas, em uma tentativa fútil de se manter alerta ao que acontecia a sua volta:

–Desculpe – sorriu levemente. Apenas um sorriso vazio, era apenas isso que conseguia reproduzir desde Grimmjow fora embora.

–Deixa pra lá – a ruiva deu um sorri como resposta.

A amiga tinha sido compreensiva como sempre, contudo aquela situação estava começando a irritar a própria Neliel. Já havia se passado pouco mais de oito meses, contudo para a jovem, aquilo ainda parecia recente de mais. Tinha as lembranças de cada segundo, cada gesto, cada palavra que, embora tivessem sido poucas, a marcaram profundamente.

Por vezes sonhou com aquele momento e, em todos os sonhos conseguia correr atrás dele, conseguia dizer o que sentia. Mas foram apenas sonhos. Durante aquele tempo, mal saiu, na verdade, só havia saído para o casamento de Ichigo e, este fora um dos poucos bons momentos que tivera desde então. As palavras do ruivo também a marcaram.

“Se se sente assim, é por que gosta dele” uma parte de si concordou, mas a outra ainda se sentia meio hesitante em acreditar naquilo, mesmo que pudesse parecer óbvio. “Vá atrás dele antes que se arrependa” e lembrou-se de dizer que já não havia mais tempo. Ele sorriu “quem sabe ainda há”. Talvez pudesse, mas mesmo que fosse verdade, o que ela faria?

–Se esta se sentindo mal, fale que eu direi ao chefe – a ruiva colocou a mão sobre a testa da amiga, quase que de maneira infantil – Não esta com febre

–Eu estou bem – tentou parecer firme, apenas tentou.

–Nel... – Inoue se abaixou ao lado da amiga, tomou as mãos da jovem nas suas, as acolhendo

–Estou bem é serio – forçou-se a dar o melhor de seus sorrisos; inútil.

A jovem ruiva suspirou, passou o olhar por qualquer ponto aleatório no chão e, por fim, voltou o olhar as esmeraldas:

–Eu o vi ontem – desviou o olhar novamente – Ele estava estranho... Quieto. Foi a primeira vez que o vi depois que se separaram. – Neliel nunca perguntou para a ruiva se ela o tinha visto, não queria que a jovem se sentisse encarregada de vigiá-lo ou nada do tipo. – Eu tentei perguntar para o Ulquiorra, mas ele não me respondeu – os olhos que outrora mostravam alegria, agora estavam tomados por culpa – Desculpe.

–Não precisa se desculpar. Esta tudo bem – se sentiu um pouco feliz por ao menos ter tido uma noticia dele, por mais efêmera e fútil que pudesse parecer.

Antes que a ruiva pudesse retomar a palavra, o chefe de Neliel apareceu, fazendo-a se levantar e voltar para sua sala imediatamente. Depois disso, cada uma ficou em seu escritório, mas Nel não parava de pensar no que havia acabado de escutar. De certa forma eles estavam tão próximos... “Talvez ainda há... Mas você só ira saber disso se tentar” podia ouvir a voz de Ichigo e, pela primeira vez desde o ocorrido, teve certeza de algo.

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Inoue já estava sob o guarda chuva, esperando seu ônibus quando a jovem gritou seu nome. A ruiva olhou para trás, deixou seu ônibus passar e esperou pela amiga. Neliel correu pela chuva, sem se importar no fato de estar sem guarda chuva.

–Eu sei que não devia te pedir isso – Começou logo, sem rodeios, já havia hesitado por muito tempo – Mas eu tenho que falar com o Ulquiorra!

Surpresa tomou o olhar da ruiva, mas também podia-se notar alegria:

–Eu o chamarei

Enquanto a ruiva mexia no celular, Neliel permanecia na chuva. Sorriu enquanto as gotas lhe acolhiam. Uma doce ironia talvez. Contudo as gotas nunca lhe pareceram mais agradáveis como naquele momento. Tinha realmente se decido, só rezava com todas as forças para que ainda houvesse tempo.

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–Você perdeu o juízo? – uma pergunta ríspida proferida com indiferença. Ulquiorra permanecia sentado com o olhar inexpressivo voltado as pérolas esperançosas

–Talvez – sorriu; já não tenho juízo desde que dormi com aquele desgraçado,mas esse era um fato que não precisava de exposição.

Um meio suspiro escapou dos lábios de Ulquiorra. Era um pedido insano e o moreno com certeza o negaria, se não fosse por certa ruiva:

–Por favor Ulquiorra-kun, só você pode ajudá-la. – Inoue parecia uma criança implorando por um brinquedo e talvez pudesse se passar por uma, se seu corpo não a denunciasse.

–Já falei pra não usar pronomes como se eu fosse um humano, mulher – continuava indiferente, ou ao menos tentou, contudo Nel pode ver qualquer coisa de diferente no olhar dele depois do pedido da ruiva. –Se é isso que você quer – olhou em minha direção

Inoue estava pronta para dar pulos histéricos de alegria, mas o moreno prosseguiu.

–Mas é um caminho sem volta – um toque obscuro tomou sua voz outrora imparcial.

–Eu sei disso – sorriu confiante. A jovem estava decidida e não recuaria, fosse o que fosse que tivesse que fazer.

–Ótimo, então – ele se levantou – Você terá que morrer

Notas finais
~~~~~Mural da Tia Bou~~~~~ Nesse momento de projetos, manutenção e atraso, acabei por chegar a uma conclusão (que pode ser boa ou ruim) é meio repentino, mas o próximo cap. será o último. Já comecei a fazê-lo, o que é atípico da minha parte, que faço os cap. uma hora antes de postar ou perto disso -q Pretendo postá-lo na semana que vem. E a respeito de fics de Bleach, como realmente não consegui encaixar um UlquiHime mais profundo nessa fic -até por que nunca estivera em meus planos- tenho em mente um UlquiHime, mas ainda é só projeto Agradeço aos que me perdoaram pelo atraso e mais ainda aos que acompanham e comentam a fic. Comentem, ficarei imensamente feliz