Beast And The Harlot
11 Renascer
Notas iniciais
Morte, um processo natural da vida que pode ser desencadeado por inúmeros fatores. Alguns morrem de causas naturais, outros são assassinados, outros perecem após um acidente e ainda há aqueles que se suicidam. Alguns acreditam que o suicídio é a salvação para uma vida atormentada, outros acreditam que aqueles que optam por isso perecem no inferno; talvez seja por isso. O vento gélido e forte parecia puxá-la para o abismo vazio. Pensou inúmeras vezes a respeito, mas ali, naquele momento, já não via motivos para resistir, ou hesitar.
As mechas verdes dançavam freneticamente a cada rajada de vento; o abismo parecia chamá-la
As they search for blood
All eyes descend on one
Honest man in chains
But that don’t matter anyway
My judgement day
Enquanto eles procuram por sangue
Todos os olhos descem sobre alguém
Homem honesto em correntes
Mas isso não importa mesmo
Meu dia do julgamento
O sacrifício. Só através dele poderia vê-lo novamente. Ela seria o sacrifício. Fora o que Ulquiora dissera. Sempre achou que havia morrido naquela noite, mas aquele pensamento nunca se mostrou tão errado; ela não havia, de fato, morrido, por que Grimmjow há salvou; Isso, em parte era verdade, contudo ainda sim ele há havia condenado. Fechou os olhos por alguns instantes.
–Morrer?! – exclamou a ruiva. Ainda podia ouvir nitidamente sua voz carregada de surpresa e levemente desesperada.
–Sim, se suicidar. Já ouviu falar que os suicidas tem lugares marcados no inferno? – respondeu o moreno.
–Já – não era uma pessoa religiosa, contudo sua família o era e por vezes escutou historias bíblicas em formas de contos que sua mãe contava quando a colocava para dormir.
–Assim que morrer, nos encontraremos. Se tiver sorte, Aizen-sama te aceitará como um demônio, caso contrario, pagara por seu suicídio em anos no inferno.
Não era certo de que daria certo, havia riscos. Riscos mais dolorosos que imaginei. Se aquilo desse errado, ficaria sabe-se lá quantos anos no inferno. Seria muito mais fácil seguir em frente e esquecer-se dele; se pudesse fazê-lo. Arriscado ou não, tinha de fazer. Lembrou-se de aceitar logo a principio, um sim firme que deixou os outros dois surpresos. Sim, hei de fazê-lo.
My flesh will feed the demon
No trial, no case for reason
I’ve been chosen to pay with my life
Mad men define what mad is
Turning witches and saints to ashes
Rising masses, marching to find heretic... heretic blood
Minha carne vai alimentar o demônio agora
Sem julgamento, sem caso para a razão
Eu fui escolhido para pagar com a minha vida
Homens loucos definem o que é louco
Transformando bruxas e santos em cinzas
Aumentando as massas, marchando para encontrar sangue herege
Heretic
E deu um passo ao nada. A escuridão a engoliu de imediato. As esmeraldas estavam fechadas, não viu o chão se aproximar, tão pouco o sentiu. A ultima sensação que a acolheu foi o frio, os ventos fortes a moldarem seu corpo naquele rápido instante. Uma sensação que lhe fora tirada de uma única vez. E então parou de sentir qualquer coisa.
////
I am your pride
Agent of wealth
Bearer of needs
(And you know it's right)
I am your war
Arming the strong
Aiding the weak
Eu sou o seu orgulho
Agente da riqueza
Portador de necessidades
(E você sabe que é certo)
Eu sou sua guerra
Armando os fortes
Ajudando os fracos
Abriu os olhos lentamente. Tinha a mente embaraçada, pouco se lembrava do que havia acontecido antes. O chão abaixo de si fervia. Levantou-se bruscamente quando, em um súbito momento, lembrou-se de tudo. Estava em um enorme salão, paredes e chão estavam tingidos de um rubro forte. O teto do salão formava uma cúpula oval adornada por vidros, através deles a escuridão escondia quaisquer coisas que podiam estar lá. Nas paredes, velas enormes de cera vermelha queimavam com chamas amareladas que vez ou outra pareciam se tingir de negro, deixando o salão às escuras por alguns mínimos instantes.
Em um dos cantos do salão havia alguns degraus de pedra que levavam a um cadeirão de pedra negra. Na outra extremidade oposta, um lago de águas negras se encontrava. Nel se aproximou do mesmo, com curiosidade. Abaixou-se perto e inclinou-se minimamente. Era estranho ver um lago dentro de um salão. O negro da água se assemelhava a um espelho, podia-se ver nitidamente seu reflexo. Inclinou a mão e ameaçou tocar a superfície.
–Eu não faria isso se eu fosse você – uma voz a fez tremer
Virou-se a direção da voz, o negrume tomou conta da sala por meio segundo e quando o luz se fez presente novamente, lá estava ele, um homem alto, de cabelos castanhos e olhar penetrante sentado no cadeirão outrora vazio. Nel não o conhecia, nem se quer de vista. Levantou-se, saindo de perto do lago.
–Neliel, não é? – havia algo naquele olhar que a incomodava, embora não soubesse dizer o motivo.
Limitou-se a concordar com um aceno. Ulquiorra havia me dito que iria me encontrar, passou um olhar rápido pelo salão. Não tinha idéia do que fazer, tão pouco do que falar. Antes que pudesse fazer alguma besteira, o portão principal — o único do salão – se abriu de súbito e dele passam Ulquiorra e a ruiva. Não pode evitar um sorriso.
O moreno se aproximou dos degraus de pedra e fez uma longa reverencia, ao passo que a ruiva correu até a amiga, a abraçando alegremente:
–Fora dela que lhe falei, Aizen-sama
Os castanhos voltaram-se a jovem, contudo por apenas um breve momento.
–Fiquei com medo que algo desse errado – sussurrou Inoue
–O pior ainda está por vir, não é? – por mais medo que pudesse ter, as esmeraldas não foram desviadas do homem em nenhum segundo; não queria parecer fraca.
–Se suicidou jogando-se de uma ponte... Por quais motivos o fez? – indagou, a voz era branda, mesmo assim Nel sentia-se intimidada.
–Era a única maneira de conseguir o que eu quero – lutava contra o medo. Havia chegado muito longe, não queria perder, acima de tudo, agora.
–E o que você almeja?
Por alguns instantes, apenas o crepitar das chamas foi se ouvido. Neliel respirou fundo:
–Quero Grimmjow de volta
Inoue não retirava os olhos da amiga, um misto de admiração e receio a tomava. Não podia negar o quanto à amiga fora corajosa, contudo uma parte de si temia por ela. E se ele não a quisesse? Tanto o homem a quem chamam de Aizen, quanto ele... Sim, e se Grimmjow a rejeitar? Tudo o que ela fez seria inútil? Sentiu seu coração apertar; talvez estivesse com mais medo que Neliel, ou talvez a amiga conseguisse esconder tal sentimento perfeitamente bem; fosse como fosse, não sabia dizer.
–Grimmjow está alem do seu alcance – fez uma breve pausa, Nel sentia que seu coração havia parado de bater nesse exato momento; ou talvez já o tivesse feito há muito. – Creio que deverá desistir disso e-
–Não vou – os olhos de Ulquiorra se viram para a jovem. Não tinha em mente interrompê-lo, contudo quando se deu conta, já havia feito; então tinha de continuar – Eu não vou desistir. Agora que estou aqui, irei até o final – tremia por dentro, mas fazia o máximo para não demonstrar.
–E até que ponto você iria? – sorriu minimamente
–Até onde for preciso
Aizen colocou um dos cotovelos sobre o braço do cadeirão, apoiando o rosto sobre o punho:
–Grimmjow atingiu seu limite. Fez muitas coisas erradas e intolerantes até mesmo para um demônio. Ele trabalha pra mim e, como não seguiu minhas ordens, esta sendo punido. Não posso deixá-lo a sua própria mercê novamente, não depois de ter se mostrado imaturo e volátil. — Aquilo realmente parecia usual dele, fazer besteiras. – Contudo, poderia deixá-lo aos cuidados de outro demônio.
–Pode deixar aos meus cuidados – decidiu de imediato, mesmo não tento pensado muito a respeito; já não tinha o luxo de pensar nas coisas, não agora.
–Mas não é um de nós, então como planeja ser a tutora dele? – deu uma pausa, Nel não sabia como rebater aquilo; era uma verdade óbvia, porem Aizen não parecia disposto a esperar uma resposta; para a sorte dela. – Você deu sua vida pra estar aqui, pra mim pouco importa os motivos que a levaram a querer salvar aquele infeliz, contudo se esta tão disposta a fazê-lo. Tire a roupa
Por um instante achou ter entendido errado, porem logo notou que havia entendido perfeitamente bem; Inoue estava corada e com os olhos arregalados. Depois de tanto tempo se despindo a desconhecidos; já não sentia vergonha disso. Retirou a roupa. Inoue parecia indignada com a situação, ao passo que os outros dois se mostravam indiferentes.
–É um caminho sem volta – o homem, cujo nome era Aizen, fez um gesto à direção do lago
I am your wrath
I am your guilt
I am your lust
(And you know it’s right)
I am your law
I am your scar
I am your trust
Know me by name
Shepherd of Fire
Eu sou a sua ira
Eu sou a sua culpa
Eu sou a sua luxúria
(E você sabe que é certo)
Eu sou a sua lei
Eu sou a sua cicatriz
Eu sou a sua confiança
Me conhecem pelo nome
Pastor de fogo
Shepherd Of Fire
Meu caminho se tornou uma única direção desde aquele dia. Caminhou para o lago, sem olhar para trás, nua. Não sentia frio ou calor, não sentia medo nem quaisquer sentimentos que pudessem pará-la. Colocou o primeiro pé no lago. O imenso espelho negro se mexeu, a água estava apática. Aos poucos foi afundando a cada passo que dava. Caminhou até que sentiu seu corpo ceder involuntariamente e fora imergiu na escuridão. Tentou voltar à luz, mas a escuridão a segurava. Rebateu-se em desespero; e a superfície se manteve imaculada.
Inoue deu um passo hesitante, mas antes que pudesse prosseguir, Ulquiorra a segurou pelo braço. A ruiva o olhou com uma suplica silenciosa estampada ao olhar, mas de nada adiantou, mesmo se ele quisesse retirar aquela angustia dela; e ele queria, mas não podia.
Se remexeu freneticamente até que parou. Aos poucos a escuridão a libertava e então ergue-se. Seus olhos tomaram um tom escuro, seu áurea estava nitidamente diferente, mas a principal diferença estava em sua cabeça; um crânio com enormes chifres se fazia presente. Ulquiorra soltou a ruiva e essa imediatamente pegou as roupas da amiga e correu até ela. Mesmo molhada, a jovem se vestiu. Sentia-se estranhamente bem. Isso foi... Fácil.
–A partir de agora, trabalha pra mim – Aizen se levantou, sentiu sua energia, uma densa e maçante energia negra; arrepiou-se – Se falhar comigo ou se deixar Grimmjow falar, pagará muito caro por isso
Fez uma reverencia. É fácil se entregar ao pecado, difícil é agüentar as conseqüências.
–Sim senhor.
–Ulquiorra, leve-a até Grimmjow. – a enorme porta rangeu e abriu-se novamente. E fora só então que notou o que realmente havia se tornado.
Passaram pelo portão, a escuridão nunca lhe pareceu tão acolhedora. E podia ver. Demônios e condenados em prisões, em tortura, em desespero. Queria desviar o olhar, mas a dor alheia já não parecia tão insuportável. Podia sentir a energia, o medo, o caos. Sorriu. Agora tinha certeza; sua alma estava corrompida. Olhou para Inoue, não sentia energia alguma vinda dela, apenas um agradável cheiro de medo. Lançou um olhar a Ulquiorra e podia notar sua energia negra e densa a sua volta; sentiu seu sofrimento, dor, mas não o via nitidamente, mesmo com os olhos de um demônio.
Depois de andar mais algum tempo, chegaram à cela dele. Grimmjow estava preço a grilhões enormes e estes o mantinham preso a parede. Sangue corria de seu corpo e não se atreveu a contar quantos cortes ele tinha; mesmo que tentasse não conseguiria. Seu joelho esquerdo estava claramente esfolado ao passo que podia-se ver claramente parte dos ossos de seu pé direito. Seu braço parecia estar quebrado também e quando levantou seu olhar, apenas um dos olhos se mantinha em bom estado; o outro sangrava exponencialmente.
–O que você...? – tentou falar, mas um homem de negro o golpeou na barriga, fazendo sangue jorrar de seus lábios
–Não tem permissão de falar. – rugiu o homem
Estava a adorar o desespero alheio, mas o desespero dele não. Quando deu por si, já tinha o pescoço do homem em suas mãos. Fora consumida pelo ódio mais rápido do que pode perceber e só o soltou quando sentiu Inoue puxando, inutilmente, seu braço.
–Deve controlar isso, ou terá problemas – Ulquiorra percebeu seu claro descontrole.
O moreno foi até o homem que parecia morto, pegou as chaves e libertou Grimmjow. O demônio foi ao chão e rugiu de dor. Uma poça de sangue o acolhia e a parede atrás de si estava tão suja quanto o chão.
–O que esta fazendo aqui? – forçou-se a falar
–Te salvando – abaixou-se na frente dele. Sentia pena, mas também sentiu raiva; embora não soubesse dizer o porquê. Sentiu uma doce ironia. Tomou o queixo dele em sua mão, forçando-o a olhá-la. – Você esta bem acabado em? Mas eu posso te salvar... – ele pareceu sentir a ironia; sorriu – Mas só o farei se você pedir.
–Me tira logo daqui – apertou seu queixo, fazendo-o dar um gemido de dor
–Direito...
–Por... Por favor
/////
Nua, olhando da janela, com a lua a banhá-la. Gozo descia de sua intimidade e estava levemente suada. Passou as unhas pelo vidro
–Vejo uma – as esmeraldas fitavam uma jovem, sentia a luxuria emanando dela – Não é tão bonita, mas vai servir
Ele se aproximou, encostando seu corpo no dela; podia sentir sua ereção.
–Disse que me daria folga hoje – sussurrou em seu ouvido; sempre querendo fugir do trabalho.
–Não, disse que pensaria – tomou sua cintura em ambas as mãos e a pressionou fazendo seu membro ereto tocar-lhe as nádegas.
Mordeu seu pescoço, havia acabado de tomá-la, mas não fora o suficiente para apaziguá-lo. A pressionou contra a superfície gelada do vidro da janela e a penetrou de uma vez, como ele gostava. Ela podia estar satisfeita, mas ele não. Se movimentou rapidamente, pra frente e pra tras ao passo que ela rebolava o quanto podia. Uma tênue chuva caia e escorria pelo vidro embaçado pela respiração dela.
Estavam viciados um no outro, mas de longe admitiam “amar”; contudo, depois de tantos sacrifícios, palavras não fariam diferença. Não demoraria muito até que gozasse novamente, passou a estimulá-la com a mão enquanto penetrava mais rápido; e gozou. Mal se desfez no interior dela, e ela o empurrou:
–Agora, ao trabalho! – ordenou, mesmo que ofegante
–Sua puta – retrucou com um meio sorriso
–Sim, uma puta e sua besta
Ele se vestiu e foi até sua presa. Ainda condenava almas no final das contas, mas ela deu a volta por cima. Ironia, não? As esmeraldas fitavam a chuva, tantas ironias que mal saberia dizer a mais inesperada; mas aquela poderia ser a mais satisfatória. Agora ela vivia na cidade do pecado, e sua alma era negra como a dele, contudo, nunca se sentiu tão feliz. Desde de que se condenou, passou a lembrar do “dia de sua morte” como o “dia em que renasceu”.
Fale com o autor