Notas iniciais
[LEIAM por favooor] Bem, mil perdões pela demora. Eu perdi dois caps e isso realmente me deixou mal, tinha colocado minha alma e meu coração no que estava escrevendo, e perdi tudo. Eu também tenho demorado pra responder os comentários de vocês e queria pedir desculpa por estar sendo uma falha como autora, mas não quero responder os comentários tão lindos e encorajadores de vocês quando me sinto tão mal. . Para não escrever um texto GIGAAANTE aqui, eu fiz um vídeo em agradecimento a todas vocês que me acompanham: https://www.youtube.com/watch?v=kEE3xZcueaE&list=UUdn77DQgozuDn2v6Cc0FA8Q (não reparem na minha cara de doente, acabei de melhorar de uma crise alérgica ç_ç) . Mudei a capa da fic, e agora nossos três gostosos estão nela e o Eren de coleira :3 . Me desculpe mais uma vez e espero que esse cap (mesmo sendo reescrito aos trancos e barrancos com várias crises por não conseguir terminar no meio) tenha ficado bom, me esforcei de verdade nisso! . Tenho mais coisas pra falar nas notas finais, então até lá o/

Eren não conseguia se mover... Nem mesmo piscar. Era como se estivesse hipnotizado.

Sentiu sua própria respiração se descompassar junto com a do Heichou.

Erwin atacava o pescoço do moreno como um leão devora um generoso pedaço de carne, e isso enquanto subia as mãos pelo corpo delicioso do menor que se arrepiava, entrelaçando os dedos nos fios loiros e fechando as pernas em volta da sua cintura.

Eren sentia sua própria boca encher de água.

– Se alguém nos... Pegar, eu te mato. — O Heichou mais ofegou do que falou enquanto sentia os lábios do maior descendo pelo seu abdômen.

– Não há vida nesse prédio as uma da manhã, Levi. — Respondeu o outro abrindo o botão da calça do amante com os dentes, aproveitando para beijar e mordiscar a região.

– Você disse isso da última vez e... Deu... No que deu. — Retrucou puxando os cabelos do maior com força, trazendo seu rosto até onde seus olhos alcançassem devidamente.

– Então você quer ir daqui para o meu quarto, no terceiro andar, nesse estado? — Apertou a ereção já evidente na calça branca, arrancando um gemido baixo e arrastado, em um timbre másculo e ao mesmo tempo rendido, do moreno, que fez um arrepio intenso correr por todo o corpo do adolescente.

Eren ofegou. Estava começando a se sentir... Assustadoramente... Quente.

– Maldito filho da mãe... — Rosnou Levi mordendo o lábio inferior, subindo as mãos pelo peito desnudo do Comandante, sentindo cada centímetro daquela pele quente que parecia chamar seus lábios, suas mãos...

Puxou Erwin pelos cabelos para um beijo selvagem, daqueles de tirar o fôlego até mesmo de quem assistia. Seus lábios se moviam em um ritmo envolvente, insinuante, excitante.

Eren sentia-se quente a ponto de suar enquanto assistia as mãos do Heichou descerem pelas costas do maior, deixando marcas vermelhas de arranhões por onde passavam, destacando o relevo delirante dos músculos definidos daquelas costas largas, descendo até o cos da calça, continuando seu trajeto por baixo do tecido...

Pararam o beijo por um momento, ofegantes, para logo voltarem ainda mais intensamente, com se tivessem uma verdadeira sede insaciável um do outro.

Ah, e além dos lábios tinham as mãos...

Os olhos verdes não sabiam se focavam nas mãos do Heichou, que percorriam as costas fortes e viris, para depois subirem pelo abdomem rígido, ou nas mãos enormes do Comandante que deslizavam por baixo das coxas deliciosas do moreno, subindo e invadindo a sua calça...

"Ok, já chega!"

Eren estava prestes a sair dali naquele segundo quando sentiu que estava sendo observado. Como se uma força invisível o puxasse, retrocedeu alguns passos, ainda firme na decisão de ir embora quando algo o capturou no último instante.

O brilho inebriado e ao mesmo tempo astuto daqueles olhos assustadoramente azuis.

"Eu... Realmente preciso ir"

Se virou andando apressadamente, fazendo o mínimo de barulho possível, para só quando estivesse longe o suficiente começasse a correr... E a correr desesperadamente.

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. . . . .
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Simplesmente não deu tempo de alcançarem a cama.

Os dois corpos se entrelaçavam no tapete do quarto do Comandante em uma dança intensa e erótica. A temperatura subia na medida em que os movimentos aceleravam, as mãos tocavam cada pedaço do corpo já tão conhecido de outras noites quentes como aquela, sabendo exatamente sobre cada ponto fraco, cada ponto que levaria o outro a loucura.

Erwin, sempre tão calmo e racional, se convertia em um animal insano quando estava dentro do menor, que soltava sua voz como nunca naqueles momentos. Gostava de ver a cara de tesão do loiro a cada gemido seu, como ele se rendia ao desejo sempre que chamava seu nome...

O loiro afundava os lábios no pescoço e ombros do parceiro enquanto aumentava o ritmo, sentindo Levi apertar as pernas em volta da sua cintura e empurrar seus ombros em um pedido para fica por cima que logo foi concedido. Não havia visão que se comparasse ao moreno mordendo o lábio e cavalgando com força em cima de si, arranhando suas coxas quando as usava como apoio.

Um gemido longo escapou pelos lábios do menor quando sentiu aquelas mãos fortes apertando a sua bunda com força enquanto era prensando contra a estante de livros próxima e o maior o invadia ainda mais rápido, derrubando alguns livros da prateleira.

Ambos estava especialmente intensos naquela noite, talvez ficar prestando atenção demais em um certo garoto estivesse elevando a libido dos dois a um nível quase assustador. Levi não sabia como se controlava em ver aquele ser dormindo ao seu lado toda noite com aquele traseiro empinado e Erwin.... Esse ainda não tinha se recuperado do que tinha visto no banheiro.

Havia ido na frente — por insistência do Heichou que não queria saber de ninguém mais afirmando que flagrou os dois além da Ackerman — e ouviu alguns sons... Suspeitos no banheiro, acabando por ver uma cena tão erótica que era capaz de deixá-lo duro pelo resto da noite. E era exatamente disso que Levi estava provando nesse momento.

Céus, os dois estavam tendo uma conversa séria e tensa, como acabaram desse jeito?

Levi ondulava seu corpo contra o peitoral forte do loiro, sentindo aquela respiração forte e quente no seu ouvido, fazendo-o estremecer. Seu corpo era prensado com força contra a estante, colando os corpos e massageando seu membro entre os abdômens. Até que uma estocada certeira fez sua visão perder o foco, e depois outra o fez arquear as costas enquanto gemia roucamente sentindo uma onda intensa de prazer percorrer o seu corpo, fazendo-o enterrar as unhas nas costas de Erwin que acabou indo junto devido das contrações do interior já apertado do moreno.

Passaram um tempo ofegantes, perdendo-se no olhar um do outro... Faziam aquilo há anos, mas sempre encontravam algo novo.

O loiro adoraria mencionar como o moreno ficava belo com aquela expressão acabada, porém satisfeita, o rosto e os lábios avermelhados e o olhar fosco... Mas sabia que apanharia se o fizesse.

– Erwin... Sobre o assunto que estávamos discutindo antes de... — Começou Levi deitando a testa no ombro do Comandante, deixando o corpo todo mole, sendo sustentado apenas pelos braços fortes a sua volta.

– Antes de você me pagar aquele boquete divino na biblioteca... — O loiro sorriu sacana.

– É, e você querer me comer no corredor parecendo um adolescente no cio. — Deu um tapa no peito do maior, mas não era como se seu corpo tivesse forças para causar algum dano a uma mosca naquele momento.

– Enfim, continue com o que ia dizer. — Falou Erwin acariciando distraidamente as costas suadas do parceiro.

– Eu admito, fugi do assunto. — Respirou fundo antes de continuar. — Se alguém vai fazer isso, vou ser eu. Ele é minha responsabilidade pra inicio de história, e...

– Você mataria a outra pessoa que fizesse isso, sendo ela a Hanji, o Mike ou eu, estou certo? — Subiu o carinho das costas para a nuca do menor.

– Não é apenas isso, é que ele não sabe que eu sei, então isso tornaria o impacto maior. — Desviou astutamente do assunto.

– Tem razão. — Concordou o loiro acariciando os fios negros.

– Será que dá pra me soltar agora? — Falou o moreno em seu tom neutro e autoritário, se levantando do colo do outro.

– Hmmm... Por que eu faria isso? — Murmurou o Comandante, abraçando a cintura do menor com mais força, recebendo outro tapa.

– Tch... Precisamos de um banho. Urgente. — Resmungou Levi fazendo Erwin rir de como não havia hora em que ele se esquecesse daquela mania.

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. . . . .

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Estava ofegante, mas não por causa da corrida.

Não sabia classificar o que tinha acabado de ver, não sabia como deveria se sentir, nem como reagir ou se deveria agir normalmente diante dos dois ou não, e outra...

"Tenho certeza que o Erwin-san me viu..."

– Droga.

Respirou profundamente se afundando na banheira de água extremamente gelada na qual tinha entrado de roupa e tudo. Já sentia os dedos enrugados e dormentes, mas ainda não se sentia preparado para sair dali. Não queria voltar a se sentir quente daquela maneira...

Ainda mergulhado na água fria, desceu uma mãos pelo próprio peito, por baixo da camisa encharcada, sentindo-se extremamente envergonhado por isso, mesmo estando sozinho, mas não tinha outro jeito... Aquilo simplesmente não queria baixar! E a sua mente que ficava reprisando tudo a cada segundo só piorava a situação.

Sentia seu corpo arrepiar com o próprio toque e teve que morder o lábio com força para que nenhum som saísse da sua boca quando finalmente segurou a ereção latejante.

" Céus! Eu deveria estar irritado e não... Assim!"

Sentia-se culpado, estava dividido entre a autodepreciação e a excitação naquele momento. Sentia-se sujo por se sentir daquela maneira.

" Talvez... Tudo o que Nile disse esteja certo, e eu... Realmente seja..."

Seus olhos lacrimejavam um pouco, mas seu corpo parecia indiferente a seu estado mental. A água estava fria como a morte, e mesmo assim seu corpo continuava quente... Sentia seu interior queimar e ferver como se sentisse falta de algo, algo que o preenchesse...

Talvez você seja realmente uma puta Jaeger...

Aquela voz dentro da sua cabeça, tão parecida com a sua, repetia quase as mesmas palavras de seus agressores durante sua prisão.

– Cale a boca!

Por quê? Não é o que você quer? Por que não admite de uma vez o que você pensou quando viu o Comandante tirando a calça do seu Heichou? Você queria estar ali não é?

– Vai pro inferno! Me deixa em paz!

Por que não um pouco mais de sinceridade? Ironizou.

– Eu não sou um...

"Um..." O quê? Vamos Eren, nem isso consegue dizer em voz alta?

O garoto já engolia os soluços com muito custo, sentindo as próprias lágrimas escorrendo pelo rosto e pingando na água. Segurou as bordas da banheira com as duas mãos, apertando com força, tentando se acalmar.

– Silêncio... Silêncio...

Tentava mentalizar qualquer coisa, qualquer coisa que tirasse sua atenção daquela... Conversa? E o fizesse focar em outra coisa... Qualquer coisa que fosse...

Ah, e o Comandante? Você quis ele também naquele momento...

"VAI PARA O INFERNO!"

Não... Você quis os dois... Ganancioso.

– Para com isso, por favor... — Eren se encolheu, abraçando as pernas junto ao peito, sentindo-se mais vulnerável do que nunca.

Não... Não paro. Você pode ter tudo o que você quer, será que não percebe? Lembra de quando matou os homens da PM na floresta?

"Eu só protegi o Heichou e o Erwin-san..."

Você os torturou, e adorou isso...

– Eu sei, mas...

Ainda queria poder acreditar que tinha alguma salvação.

" Eu não quero ser um monstro..."

Você já é!

Eren sufocou com o próprio choro por um momento. Talvez... Ele estivesse certo.

Por isso era um brinquedo na mão de todos.

Por que logo o Erwin-san e o Heichou haviam mentido para si daquela forma?

Lembra de como os matou? Eles eram tão fracos... Tão estupidamente fracos perto de você. E você gostou disso.

Deveria se sentir magoado com aquela traição — traição? Então teria alguma coisa com o Heichou? Que tipo de coisa seria essa? — Mas... Não conseguia. Na verdade, era como se quisesse ver aquilo...

" Que tipo de doente estou me tornando?"

Qual o problema em ser doente? Em ser um monstro? Por que não se sentir ainda mais sujo? No fundo, decair é uma sensação deliciosa, você só tem medo do que pode se tornar.

– Já disse pra se calar...

Matar não é errado, é apenas inconveniente para as demais pessoas. O que tem de errado em acabar com alguns animais como aqueles?

– N-Nada...

Isso vale para todo o resto... E dai em sofrer tudo o que passou na prisão mais uma vez, se você vai gostar de passar pelo mesmo sofrimento nas mãos daqueles dois?

– Eu não quero nada dessas coisas sujas.

Mas beijou o Levi como se não houvesse amanhã... Ah, você quer sim. Quase cantarolou no fundo da sua mente.

– É diferente.

Não. Você só está misturando tudo o que acredita e tudo o que ouviu dizer que é certo, desde quando você é assim?

– Eu não...

"Putamerda..."

Eu estou certo.

"Não! Espera!" Eren sentia seu corpo cada vez mais duro, mais difícil de mover ou controlar.

Vou te mostrar uma coisa.

Logo, o corpo tenso e encolhido relaxou. As lágrimas cessaram e seus membros param de tremer. Começou então a tirar a própria roupa, deixando os tecidos encharcados pelo chão mesmo.

Um barulho de passos se fez presente... Estavam cada vez mais próximos.

"Seja lá o que você for fazer, eu quero que pare." A voz de Eren soava séria e furiosa no fundo da sua própria cabeça.

– Não... Consigo parar... — Gemeu pecaminosamente. Os passos começaram a se aproximar mais rapidamente.

Eren só conseguia assistir a tudo mortificado de choque. Não acreditava no que estava acontecendo.

Lembre-se Eren... Sinta o toque do Heichou, o jeito firme como ele te segura, os lábios quentes no seu pescoço...

"P-Pare..."

Lembra de como ele chupa sua pele com força e você fica bem arrepiado, não só arrepiado obviamente.

– Anh... Nhmm... Heichou... — Gemia enquanto fazia movimentos de vai-e-vem no próprio membro, começando bem devagar, até alcançar uma velocidade média, deixando seu corpo já quente, ferver tortuosamente, puxando-o para um estado de transe.

Os passos pararam, alguém os observava. Podia sentir outra vez aqueles olhos azuis cravados em si.

Seu peito subia e descia pesadamente, e ondas mornas de prazer percorriam seu corpo partindo de seu baixo ventre. Era uma sensação nova e completamente diferente para si. Nunca havia feito isso, mas tinha alguma experiência tendo em vista aqueles sete dias em que esteve preso. Até sabia o que fazer, mas não que seria algo... Bom.

Ou melhor, algo muito bom.

Não estava mais lutando com um outro lado de si que parecia mais besta do que humano, estava imerso na fantasia que aquela voz, a sua própria voz, lhe narrava.

Isso Eren... Agora imagine que você pode tocar todo o corpo dele... Ai seus lábios vão descendo bem devagar, você sente aquele gosto que só ele tem, aquele cheiro que te deixa fora do ar, e aquele toque forte...

Os olhos verdes se moveram lentamente na direção do expectador. O verde queimando no azul, e um sorriso de canto se desenhou nos lábios tão avermelhados que chegava a ser um pecado.

Agora, lembre das mãos do Erwin-san... Você está na sua mente, pode pensar o que quiser. Lembra de como elas são grandes e ásperas, mas seu toque é gentil? Imagine-as te pegando com força agora, e subindo pelas suas pernas... Bem como viu no corredor.

Uma de suas pernas se apoiou na borda da banheira, levantando o quadril, e levou sua mão livre até o meio de suas pernas, deslizando vagarosamente até sua entrada, sentindo-a pulsar de vontade. Um gemido sôfrego escapou por seus lábios, arrepiando o dono dos orbes azuis que o assistia.

Imagine-o tocando suas costas com o próprio corpo, sinta tudo aquilo que você viu, colado em você, e sua boca no seu pescoço, enquanto o Heichou te beija com vontade.

Seu dedo médio começou a invadi-lo lentamente, causando calafrios na sua coluna. Seu quadril se movia quase que involuntariamente contra a mão que o tocava na frente, fazendo seu dedo entrar e sair algumas vezes. Era... Inebriante, mal conseguia respirar.

– Erwin-san... Por favor... — Gemeu agoniado, sentindo seu prazer cada vez mais próximo, contorcendo-se na banheira, mordendo os lábios, movendo mais rapidamente as mãos, os olhos verdes brilhando de excitação.

O loiro quase arfava atrás da porta. Tinha acabado de se satisfazer (por enquanto) com os lábios deliciosos e habilidosos de Levi, mas já se sentia completamente duro outra vez. Aquele espetáculo do Jaeger o tiraria o sono com toda a certeza, e depois de ouvir seu nome... Naquela voz...

Oh, só de imaginar que estava nas fantasias do garoto, e melhor, que ele e Levi estavam... Ah, como queria poder ler pensamentos naquele momento.
Sentia sua língua quase formigar quando via toda aquela pele exposta, os mamilos durinhos, o pescoço completamente a mostra... Céus! Estava quase acompanhando o garoto bem ali no meio do corredor!

– Awnn... M-Mais forte... — O dono dos orbes verdes já estava sem fôlego, e logo um gemido mais alto atravessou seus lábios, e o corpo do menor relaxou na banheira, ainda com a respiração irregular.

Erwin aproveitou o momento para ir embora antes que acabasse atacando o garoto que agora parecia bem vulnerável depois do orgasmo, ainda pensou se deveria se manifestar, afinal, sentiu aqueles olhos cravados em si durante todo o momento. Mas decidiu que seria sensato só voltar a falar com o menor quando pudesse se controlar o suficiente.

Enquanto isso, Eren ouvia os passos se afastarem e o seu corpo voltando gradativamente ao seu controle. Moveu primeiro as pontas dos dedos, depois as mãos e pés, até que conseguiu se mover totalmente e se sentou na banheira, sentindo o corpo tremer e uma sensação de relaxamento que nunca havia provado.

Relaxamento que logo deu lugar a um sentimento estranho que apertava ainda mais seu coração.

– O que foi que eu fiz...?

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.....

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Levi suspirou profundamente se sentando na janela aberta, deixando uma das pernas pender displicentemente para o lado de fora. Estava apreensivo, mas ao mesmo tempo sentia sua mente leve. Erwin que tinha esse dom de deixá-lo meio entorpecido com uma boa transa, porém nada que não passasse depois de uma noite de sono.

Coisa que pelo visto não iria ter porque o pirralho fez o favor de sumir.

– Tch. — Resmungou levando a xícara aos lábios.

Não fazia muito tempo que tinha chegado, então resolveu esperar um pouco. Talvez o pirralho só tivesse ido ao banheiro ou buscar água na cozinha... Vai saber. Não iria dar uma de desesperado, por mais que o moleque o desse preocupações o suficiente para tal.

Ok, talvez estivesse um pouco, realmente pouco, ansioso.

Havia decidido contar a Eren sobre o Erwin, na verdade, sempre teve isso em mente, nunca pensou em mentir para o mais novo, uma vez que não o perdoaria se fizesse isso consigo, mas queria um momento apropriado. E com o passar dos dias percebeu que esse momento não apareceria simplesmente e por isso, resolveu adiantar as coisas ele próprio.

Entretanto... Como tudo na sua vida parecia ter o dobro da complicação, uma questão preocupantemente urgente surgiu antes. Tinha um assunto realmente intrigante para tratar com o garoto, um que surgiu durante as conversas com Hanji no laboratório da Tenente e que tomou um rumo perturbador depois de discuti-lo com o Comandante.

"Prendeu o braço que tinha o pulso inteiro nas costas do garoto, encostando seu corpo contra a parede a sua frente, e puxou seus cabelos com a mão livre, os olhos do menino tinham um brilho que nunca havia visto antes. Um brilho cruel.

– Maldito... Não importa o quanto aquele idiota goste de você, não vai me impedir de terminar o que eu comecei miserável, ninguém vai! — Falava com tanto ódio que seus ombros tremiam com a voz que mais parecia um rosnado animalesco."

Antes pensava que o garoto apenas enlouquecia e saia destruindo tudo pela frente, só que pelo visto as coisas não eram bem assim. A tal raiva do garoto tinha consciência própria, e aparentemente nem o próprio Eren havia percebido isso.

Claro que já tinha desconfiado bem antes, ainda nos primeiros surtos. Ameaças como " Vou pintar as paredes com o seu sangue" jamais sairiam dos lábios do garoto que conhecia se não houvesse um motivo muito bom. Afinal, Eren era do tipo que falava e fazia– nem que morresse tentando, o que era bem (muito) provável, cumpriria com o que disse — logo, ele não faria esse tipo de ameaça para algum companheiro.

Pensou em falar com Erwin ou Hanji de imediato na primeira vez em que se deu conta disso, mas não o fez, guardou o assunto para si mesmo até ter absoluta certeza de que não estava apenas ficando paranoico, e quando ouviu aquela frase... Não era a primeira vez que o garoto falava claramente durante o surto, entretanto, era a primeira vez que demonstrava algum tipo de consciência com certa capacidade de planejamento independente.

" E eu iria impedi-lo do quê exatamente?"

Suspirou mais uma vez.

Pelo visto essa tal "consciência" tinha planos e nem o próprio garoto sabia disso.

" – Antes eu pensava que era só minha raiva mesmo... — Abaixou os olhos, encolhendo os ombros. — Mas eu não acho que eu faria essas coisas, e mesmo assim... Não tinha outra explicação. Só que... Acho que a minha raiva tem falado comigo ultimamente."

Talvez só agora ele estivesse começando a tomar consciência desse outro lado... Ou quem sabe, só estivesse começando a tomar coragem de falar sobre ele... Não fazia muita diferença no fim das contas. Desconfiava do que ele planejava, e preferia tomar uma decisão drástica do que correr o risco de perder o pirralho.

Já tinha deixado Erwin ciente da sua decisão, agora só precisava agir.

Não demorou muito e logo Eren apareceu a porta... Completamente ensopado e com um olhar um tanto vago.

Levi apenas arqueou uma sobrancelha, terminando o chá que bebia antes de se pronunciar, fazendo o mais novo dar um pulo onde estava. Pelo visto não esperava encontrar o Heichou ali.

– Por acaso és uma sereia agora, Jaeger? — Chamou-o pelo sobrenome, fazendo questão de fuzilar o maior com o olhar. Como alguém andava por aí naquele estado àquela hora?!

– S-S-S-S-Senhor eu... — Parecia que suas cordas vocais tinham dado um nó.

"O QUE EU FAÇO CASSETE?!!" Eren podia aparentar estar aéreo, mas interiormente estava á beira da histeria.

Havia visto o moreno em uma situação no mínimo comprometedora há algumas horas, ficado excitado com isso, batido uma "indiretamente" para um certo loiro com que também estava na situação comprometedora anterior e sabia que ele o tinha visto nas duas vezes. Isso tudo excluindo seus sentimentos confusos pelos dois e o seu nervosismo quando estava perto do soldado com quem tinha uma relação que não sabia como classificar.

Eram coisas demais para uma cabecinha já normalmente tempestuosa.

– Duas vezes que te encontro hoje e está molhado como um peixe. — Andou até o armário, retirando uma toalha e jogando-a no rosto do garoto que ainda estava imóvel. — Seque-se antes que pegue um resfriado. Se bem que dizem que idiotas não tem esse tipo de coisa*... — Parou percebendo que estava falando sozinho.

Eren parecia... Perdido em algum lugar bem longe dali, e aquilo o irritava. Ah, e irritava muito!

Se aproximou sorrateiramente do garoto, ficando um pouco na ponta dos pés para sussurrar em seu ouvido.

– Vai se secar... Ou quer que eu te seque? — Se controlou para não sorrir maldosamente quando viu o rosto do garoto ficar da cor de um tomate. Tentador.

Tomou a toalha que ainda estava jogada em cima do mais novo, se afastando um passo para trás e dando uma boa analisada, vendo por onde começar...

– N-N-Não pre... — O maior já estava fugindo para o pequeno lavabo que havia no quarto quando foi puxado de volta pelo cós da calça.

– Oh, mesmo? — Sussurrou contra o ouvido do garoto, colando seu corpo na pele gelada do maior que se arrepiou completamente. Estava na ponta dos pés para alcançá-lo devidamente, sua sorte era que Eren nunca percebia esse detalhe.

Tocou os lábios no pescoço do menino, mas não aprofundou o contato. Sentia-o incomodado com alguma coisa, e quando o percebeu hesitar outra vez quando tocou sua cintura por baixo da camisa molhada, parou seus avanços por ali mesmo.

– Eren, aconteceu alguma coisa que queira me contar? — Falou baixo, afinal ainda estava próximo do ouvido do rapaz.

– ... Não. Não aconteceu nada.

" O que faz ele pensar que me engana?" Levi apenas ergueu uma sobrancelha, apertando mais forte a cintura do garoto.

– Quando quiser me contar, eu vou ouvir. — Respondeu se afastando e voltando para perto da janela. — Mas agora... Eu tenho um assunto com você. — Se sentou novamente na janela, voltando o olhar para o céu.

– Agora? — O garoto estranhou. — Mas... Já vai amanhecer... — Comentou pegando uma muda de roupas secas.

– Agora mesmo. — Falou o moreno em um tom sério.

Podia parecer cruel, mas era vantajoso para si que Eren estivesse incomodado com alguma coisa. Quanto mais pensamentos na cabeça do garoto, mais fácil seria fazer a verdade sair.

E se fosse agora, poderia dar o dia de descanso para o mais novo.

" Não vai aparecer uma oportunidade melhor."

Suspirou pesadamente quando o viu sair lavabo secando o cabelo distraidamente, ato que dessa vez não escapou a percepção dos olhos cor de esmeralda.

– Onde estava que voltou tão tarde? — Indagou o moreno, curioso, enquanto o garoto calçava as botas.

– No banheiro. Onde mais eu ficaria molhado? — Respondeu Eren dando de ombros displicentemente. Levi odiava essa postura, mas apenas– unica e exclusivamente– hoje, daria uma colher de chá ao pirralho.

– Todo esse tempo? — Desceu da janela, pegando um embrulho de cor parda em cima da mesa e se aproximando do maior que desviava o olhar da sua direção.

– E você? Onde estava? — Devolveu Eren se levantando e ficando de frente com o Heichou.

"Tch, pirralho atrevido."

– Tomando um whisky com o diabo. — Respondeu ironicamente, passando pelo garoto e indo até a porta. — Convido você da próxima, já que tem tanto medo de dormir sozinho. — Provocou, sorrindo brevemente de lado quando ouviu um grunhido irritado atrás de si.

E por estar de costas também não percebeu o vermelho intenso que tomava o rosto do garoto até as orelhas.

.

.....

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Abriu a porta pesada daquele cômodo em específico no porão, o antigo quarto de Eren. Sem dizer uma palavra ou dirigir o olhar ao mais novo, Levi entrou deixando a porta aberta atrás de si, carregava um pacote embaixo do braço e o garoto se perguntava o que era tão importante que eles teriam que discutir ali.

O mais novo apenas observou o homem deixar o embrulho em cima da mesinha ao lado da cama e voltar para trancar a porta. O clique da fechadura ecoou por todo o cômodo iluminado por alguns castiçais que claramente não eram suficientes, quebrando o silêncio mórbido por um segundo agonizante.

Uma tensão era praticamente visível no ar.

Eren nunca tinha tido medo de verdade do Heichou e este nunca se sentiu verdadeiramente incomodado na presença do garoto, mas como diz o ditado, para tudo existe uma primeira vez.

– Eren, deite na cama. — Falou sério, desembrulhando o pacote sem deixar que o garoto visse o seu conteúdo.

– Por que? — Indagou confuso. Aquela voz no fundo da sua mente lhe alertava para fugir dali naquele exato momento, porém, o garoto não daria um passo. Ele confiava em Levi. Até o último segundo.

– Apenas faça o que eu estou mandando. — Suspirou pesadamente olhando o que tinha em mãos. Não queria fazer isso, não queria de jeito nenhum, mas sabia o quanto a vida era cruel nesse quesito... Não se pode vencer uma guerra sem sacrifícios.

E não se pode proteger nada sem derramar sangue.

O garoto fez o que lhe foi "pedido" sentindo seu coração acelerar. Estava assustado, o modo como Levi tinha evitado olhar para si desde que chegaram ali o perturbava profundamente.

– Heichou, que estamos fa... — Sua voz ficou presa na garganta quando sentiu algo frio e duro em um de seus pulsos. Levi havia o prendido com uma das correntes fixadas no chão, aliás, o próprio moreno havia as instalado ali recentemente. — Heichou? — Seu tom soou um tanto trêmulo, o que fez o soldado desviar o olhar.

– Me dê a sua outra mão. — Falou firme, preparando a outra corrente enquanto terminava de prender a coleira que o garoto usava em um gancho também no chão, impedindo-o de se levantar.

– Eu fiz alguma coisa errada? — Eren já tinha começado a tremer. Passou noites ali quando voltou da prisão, na época em que não conseguia dividir o quarto com Levi e escapava para dormir no porão, mas agora o lugar lhe parecia aterrorizante.

O metal frio contra a sua pele, a iluminação de velas, o fato de não saber se era noite ainda ou se já tinha amanhecido... Aquilo lhe trazia lembranças que, mesmo tendo aceitado que não conseguiria apagá-las por completo, não queria trazer a tona de forma alguma.

Sua respiração começou a desregular, suas mãos tremiam.

– Apenas me obedeça Eren. — Levi segurou o braço do garoto, não o forçava, apenas mantinha o contato com a sua pele que parecia estar sempre dois graus mais quente.

Sabia que tinha aquelas duas orbes cor de esmeralda fixas em si, mas não se atrevia a olhar. Havia um limite para o quanto um homem pode controlar a si mesmo, e o limite daquele soldado acabava exatamente onde o contato visual com aquele garoto começava.

Não teria coragem de continuar com aquilo se visse o medo que se apossava daqueles olhos como uma sombra rastejante.

– Por que não me responde? Por que eu estou sendo preso? — Insistiu o maior se controlando para se manter no lugar.

Confiava em Levi, e confiava cegamente. Mas naquele momento podia sentir que esse sentimento estava prestes a ser posto à prova.

– Por que eu não sei o que pode acontecer se você estiver solto. — Respondeu direto, causando um choque tão intenso no mais novo que conseguiu prender seu outro braço sem nenhuma resistência por parte do garoto. Eren demorou um tempo pra digerir, não as palavras, mas o significado delas.

Não perguntou mais nada, apenas observou Levi dar a volta e pegar novamente o embrulho que tinha deixado em cima da mesinha de cabeceira, retirando de lá alguns cadernos e depois voltando para onde o garoto estava, se sentando ao seu lado na cama e cruzando as pernas do seu modo característico.

Não precisou olhar para Eren para saber o quão chocada e magoada deveria estar a sua expressão.

– P-Por quê... Você tem isso...? — Sua voz soou tão baixa que por um momento pensou que o garoto estava falando consigo mesmo.

Naquele instante, Eren desejou profundamente ter a sua existência apagada, como uma mancha defeituosa na história.

– Eu tenho que te fazer duas perguntas Eren, o quanto isso vai durar só depende de você. Ou vocês. — Falou com um tom frio, abrindo um dos diários de Nile Dark.

– O quê...?

Ouviu um soluço baixo vindo do garoto, mas manteve a postura impassível, como se a dor que sabia estar infligindo não lhe atingisse.

– Vou começar pela que eu acho que você pode me responder. — Voltou o olhar para as palavras escritas na página bege, e depois para a parede atrás do garoto. De modo que parecesse estar olhando para ele, mas sem realmente vê-lo.

" Eu? Como assim eu? Só estamos nos dois aq... Não me diga que..."

Eren puxou uma das correntes com força, percebendo que não sairia dali facilmente mesmo com as pernas livres.

Sentia-se sufocado e não era devido a coleira ou o ambiente fechado. Sua própria mente parecia lhe esmagar, seu medo triturava a sua alma sem dó e a sua culpa mal lhe deixava forças para manter os olhos abertos.

– O que aconteceu no sétimo dia em que estava preso? — O tom frio com que a pergunta foi feita fez um calafrio correr pela sua espinha.

"Não... Se você souber disso também... Eu... "

– Não me lembro. — Mentiu sem hesitar. Mal podia pensar naquele dia e já sentia a ânsia de vômito lhe subir a garganta.

– Vou te dar mais uma chance de responder. — Seu tom autoritário nunca havia ferido o garoto tanto quanto agora.

Eren se encolheu na cama, evitando olhar para o homem ao seu lado o quanto pudesse.

– Eu... Não quero lembrar. — Murmurou fechando os olhos com força, imaginando-se em outro lugar que não fosse um subterrâneo e onde não estivesse preso...

– "Quarta feira, dezenove horas..." — Levi começou a ler em voz alta e um arrepio do mais puro e primitivo terror percorreu o corpo de Eren. — "Hoje, eu preparei uma surpresa para o meu adorável prisioneiro, tenho certeza de que ele vai desfrutar da experiência tanto quanto eu, e penso que será mais uma vez uma noite divertida. Pude vê-lo tremer quando abri a cela. Ah, tinha certeza que me esperava ansiosamente, duvido que meus soldados tenham sido suficientes para entretê-lo... "

– PARA COM ISSO! — Gritou sentindo a garganta arranhar, se desesperando ao tentar levar as mãos aos ouvidos e ser impedido pelas correntes.

– Vai me responder? — O moreno indagou em um tom frio como gelo.

– Não faz isso... Por favor.... — O garoto tremia se mexendo nervosamente em cima da cama, seus olhos já transbordando sua agonia.

– " Seu corpo reagiu ao meu de imediato, e mal posso esperar para ter a sua tutela permanente. Provei da sua pele o quanto pude, ouvindo seus gemidos contidos. Sei que ele gosta, mas não que admitir. Infantil, mas adorável. Pude vê-lo pensar em tentar alguma coisa realmente perigosa algumas vezes, mas eu só precisava lembrá-lo de seus amiguinhos lá fora para tê-lo mansinho no meu colo. O fiz cavalgar em cima de mim dessa vez..."

– JÁ CHEGAAA! PARA COM ISSO! PARA! — Eren mal suportava o fluxo de lembranças e sentimentos que lhe invadiam naquele momento. Contorcia-se na cama com se estivesse agonizando com algum veneno, seu corpo tremia de forma doentia e seus olhos estavam fixos em um mundo onde a dor era a única coisa que jamais lhe abandonava.

– Vai me responder?

O garoto engasgou com o próprio choro não acreditando no que estava acontecendo.

Sentia-se completamente sem chão.

A única coisa que o apoiava naquele segundo era aquele lado escuro da sua mente, aquele lado que geralmente mantinha afastado de seus pensamentos com medo de ferir alguém.

Não queria estar vivo naquele momento, então simplesmente observou passivamente sua mente se render pouco a pouco àquela sombra.

.

.....

.

Erwin ouvia a tudo do lado de fora. Seu olhar não estava nem próximo daquele azul intenso e impassível que o Comandante da Tropa ostentava, como se fosse uma fortaleza impenetrável.

Estava sozinho ali naquele corredor escuro, iluminado por apenas um singelo castiçal de quatro velas onde duas já estavam no fim. As chamas alaranjadas eram refletidas pelos olhos devastados, como os de um homem que teve sua alma arrancada a força do corpo.

Respirou fundo, escorregando pela parede até sentar no chão impecavelmente limpo (assim como todo o castelo, afinal, Levi morava lá). Ouvia os gritos desesperados de Eren e apenas pedia desculpas mentalmente. Sentia um nó na garganta, mas já estava habituado a ele há alguns anos.

Havia dito que o protegeria, e era isso que estava fazendo. Custe o que custar.

Erwin sabia mais do que ninguém que nada poderia ser conquistado sem sacrifícios, só que aplicar essa regra a Eren e Levi era algo extremamente doloroso para si. Havia jurado que jamais se apegaria a ninguém daquela forma depois depois de perder Mary, mas pelo visto aqueles dois não tinham sido avisados daquela promessa e invadiram o seu coração da mesma forma, sem lhe dar chance de defesa.

Suspirou pesadamente quando ouviu mais um grito agoniado. Uma das duas velas que estavam no final apagou de repente.

" Perdão Eren... Perdão Levi..."

Sabia o quanto envolver aqueles diários era doloroso para ambos, mas também sabia que não havia outra forma de fazer o garoto falar. E precisavam ter certeza de algumas coisas para saber até que ponto Eren estaria seguro naquele castelo. Não iria perder mais ninguém para aquele maldito...

Sua mão se fechou em um punho firme lembrando-se do seu passado.

De certa forma, a situação em que estava agora era sua culpa, e isso o matava por dentro. Um simples pensamento que destruía as suas entranhas como se tivesse ingerido mil agulhas afiadas.

Lembranças de um passado enterrado á sete palmos do chão tomavam a mente do loiro naquele instante. Lembrou-se da sua infância, de como se sentiu solitário quando seu pai desapareceu misteriosamente e os pilares que o mantiveram de pé foram seus dois melhores amigos que estavam ao seu lado desde sempre, Nile Dark e sua prima Mary Smith.

Era perturbador desenterrar aquela época tendo em vista a situação atual.
Erwin, Nile e Mary eram inseparáveis, assim como Eren, Armin e Mikasa o são hoje. Cresceram juntos, decidiram juntos seguir carreira militar e entraram para a Tropa de Exploração, onde salvaram a vida uns dos outros infinitas vezes.

Erwin e Nile eram incrivelmente diferentes em personalidade, mas por outro lado, tinham vários gostos em comum, e por uma cruel ironia do destino, acabaram por se apaixonar pela mesma mulher, Mary.

Se tornaram rivais no amor, só que em momento algum isso abalou amizade dos dois, até por que a mulher por quem estavam apaixonados tinha personalidade forte o bastante para conquistar ao invés de ser conquistada. E o escolhido fora Erwin, por quem ela tinha sentimentos desde muito antes deste perceber que sentia alguma coisa pela amiga.

Não demorou muito para que o noivado fosse anunciado, e por incrível que pareça, o maior apoio do casal era justamente Nile, que afirmava estar imensamente feliz pela felicidade das duas pessoas que mais amava no mundo. Inclusive o moreno já havia ajudado os dois várias vezes, evitando brigas e mal entendidos, tanto que se tornou a primeira opção para padrinho de casamento.

Erwin estava cego de felicidade. A data do casamento cada vez mais próxima, e nada no mundo lhe parecia mais brilhante que seu futuro ao lado da amada naquele momento. Mary concordava com seu modo de pensar e tinham os mesmos objetivos, e agora viveriam juntos como amigos, companheiros de batalha, e marido e esposa.

E por estar cego, não percebeu o golpe que se desenrolava diante de seus olhos.

Logo depois da cerimônia e da festa, quando iam partir para a noite de núpcias, Mary desapareceu.

A última pessoa com quem ela foi vista? Nile Dark.

Erwin não o acusou de imediato, mas para o loiro, o melhor amigo nunca, jamais, esteve longe de seu olhar desconfiado. Muito pelo contrário. Lembrava-se claramente de quando eram pequenos e o moreno tinha o passatempo de arrancar as penas da cauda dos passarinhos para que fossem pegos pelos gatos, ou de como matava os filhotinhos afogados quando encontrava alguma toca de coelho...

Só nunca imaginou que esse macabro desvio de personalidade fosse se aplicar também a humanos.

Não... Não era que não imaginava, era que simplesmente não queria ver.

Durante aqueles três dias, Erwin chegou à beira do precipício da loucura. Não dormia, apenas procurava incessantemente pela esposa. Havia revirado cada pequena parte daquela cidade, cada beco, cada celeiro, cada prédio... Tinha inclusive utilizado seus contatos com os agentes do submundo em busca de notícias, mas foi completamente inútil, era como se ela tivesse desaparecido no ar.

Até que no terceiro dia, Erwin estava se preparando para sair novamente de casa quando ouviu batidas na porta. Se apressou para atender acreditando ser a polícia com alguma notícia, porém... O que viu ali nunca mais saiu da sua mente.

Lá estava Mary, completamente nua e tremendo compulsivamente, roendo o que seriam as suas unhas -se elas não tivessem sido arrancadas- compulsivamente, grunhindo enquanto seus olhos azuis esverdeados olhavam para todas as direções, paranoicos. Seus longos cabelos castanhos haviam sido raspados e haviam várias feridas em sua cabeça, indicando que havia sido severamente golpeada.

Sua pele tinha uma aparência cinzenta e fantasmagórica de tão pálida, olheiras profundas se situavam embaixo dos olhos opacos por onde escorriam lágrimas silenciosas. Tinha o corpo cobertos de marcas, sendo hematomas, cortes, mordidas, queimaduras de cigarro e ferro de marcar gado... Suas orelhas tinham alguns pedaços faltando e seus lábios... Seus lábios pareciam ter sido costurados e abertos á força, rasgando a costura, pois estavam completamente destruídos.

Naquela noite, Erwin apenas a abraçou bem forte, pedindo para um vizinho ir chamar um médico. Jamais a soltaria outra vez.

Meses se passaram e Mary nunca mais foi a mesma. Não falava nada coerente, apenas murmúrios incompreensíveis ou pedidos de ajuda.

Erwin nunca pode provar quem havia feito isso a ela, mas sabia perfeitamente que monstro era capaz de fazer aquilo. E jurou esmagá-lo com as próprias mãos.

Se afastou do seu cargo de Tenente na Tropa de Exploração para cuidar da esposa, que ainda amava profundamente. Passava os dias ao lado dela, e por mais que o ferisse vê-la naquele estado, jamais a deixaria ao cuidados de outra pessoa. Não confiava em ninguém para isso.

Não havia uma única noite em que não acordasse com os gritos histéricos da mulher que também raramente dormia sem ser vítima de pesadelos que o loiro tinha uma boa ideia sobre o que eram. E quando acordada, sofria com uma intensa paranoia de perseguição e se assustava com qualquer movimento brusco.

Até que em uma noite trágica, em um descuido breve, quando Erwin a deixou no banheiro e foi tirar o jantar do fogão... Mary se matou, enterrando um pedaço de espelho na garganta.

Lembrar daquilo doía, sentia como se uma estaca tivesse sido enterrada em seu peito e fosse afundando cada vez mais, tornando impossível respirar.
Por isso que ver Eren saindo pelo menos parcialmente inteiro daquele lugar mexeu tanto consigo. Não sabia se seria capaz de suportar perder outra pessoa importante daquele modo. A única pessoa que sabia disso era Levi, mas tinha chorado como há anos não se lembrava como naquela noite.

Voltou o olhar para a outra vela que tinha acabado de apagar. O frio daquele corredor parecia atacar seu corpo como uma entidade maligna.

Havia jurado destruí-lo e nunca esteve tão perto do seu objetivo.

Nunca parou de lutar pela humanidade, desde criança continuou firme e ainda mais forte em seus ideais, mas engana-se quem pensa que essa é a única força que movia o Comandante.

Sempre em seus momentos mais difíceis, quando parecia que o ar a sua volta estava o sufocando, lembrava-se de que mesmo que não conseguisse completar seu objetivo de proteger a humanidade, tinha um monstro para destruir. Era algo que não fazia por ninguém, era a única coisa que se permitia fazer por si mesmo.

Nile havia se aliado a pessoas poderosas e formado uma verdadeira teia de aranha em torno do loiro, onde um passo em falso o faria perder alguém, a Tropa, ou o levaria para uma morte dolorosa na prisão. E por isso, havia passado anos tecendo calmamente o plano perfeito, uma armadilha sem falhas. Errar não era um opção.

Durante todos esse anos, além de lutar pelo bem maior, Erwin Smith vinha preparando cuidadosamente um prato deliciosamente frio e doce, a sua vingança.

Acordou de seus devaneios com a porta sendo aberta de repente, e um Levi um tanto amarrotado e visivelmente abalado saindo do cômodo atrás de si, que teve a porta rapidamente fechada.

Os dois trocaram um longo e significativo olhar até que o moreno jogou os cadernos que tinha em mãos no chão como se estivessem queimando sua pele.

– Não quero ver isso na minha frente outra vez. — Falou em um tom firme, mas seus olhos eram os de alguém que iria desabar no segundo seguinte.

Erwin não disse nada, apenas se levantou rapidamente de onde estava, abraçando o menor com toda a força, percebendo como Levi nunca pareceu tão pequeno em seus braços como agora.

.

.....

.

Eren havia passado um dia inteiro sem conseguir sair daquele local. Sua cabeça estava terrivelmente confusa a ponto de doer como se tivessem lhe enfiado um prego.

Quando finalmente saiu era de madrugada, mas não se importou, precisava andar, estava se sentindo terrivelmente claustrofóbico, porém... Tinha medo do que poderia encontrar pelos corredores, então avançou rapidamente se desviando de qualquer canto escuro e entrou no primeiro lugar que julgou seguro: A cozinha.

Suas mãos tremiam compulsivamente e seu olhar mirava várias direções, como se procurasse uma ameça... Que sabia que não existia. Mas isso não fazia seu medo ceder nenhum milímetro.

Serviu-se de um copo de água e se sentou na mesa, tentando parecer bem, mesmo sentindo tudo desmoronar por dentro. Sentia que tinha magoado o Heichou de certa forma, mas... Não podia evitar, havia ficado apavorado consigo mesmo.

– O q-que eu faço agora? — Resmungou limpando uma lágrima teimosa que descia por um de seus olhos, bebendo a água devagar.

– Eren?! O que faz aqui? — Uma voz feminina soou atrás de si, dando-lhe um belo susto que o fez se engasgar com a água que tomava e começar a tossir compulsivamente.

– S-S-Sasha?! O que você faz aqui? Ah, esquece, pergunta óbvia. — Resmungou observando a garota se sentar ao seu lado com meia dúzia de pães uma jarra de leite. Se levantou outra vez trazendo dois copos.

– Não vai me dedurar, né? — Indagou com um olhar pidão.

– Relaxe, quem faz esse tipo de merda é o Cara de Cavalo. — Respondeu dando de ombros. — E para todos os efeitos, eu nem estou nessa cozinha. — Adicionou terminando seu copo de água e se surpreendendo quando viu a garota empurrar um copo de leite da sua direção.

– Então um brinde a clandestinidade! — Exclamou tocando seu copo no que tinha entregado a Eren, bebendo um pouco e logo começando a atacar os pães.

Sorriu um pouco de lado, vendo a garota quase enfiar o pão goela abaixo como se não comesse há semanas.

– Me pergunto para onde tudo isso vai. — Comentou observando o porte magro e atlético da menina.

– E você, que brota quinze metros de corpo do nada! — Respondeu de boca cheia enquanto o garoto balançava a cabeça aprovando o argumento e finalmente começando a beber seu leite.

Se distraiu por alguns momentos, ouvindo os sons da noite, da Sasha mastigando, e apreciando a visão da lua que tinha da janela da cozinha. Sentia-se mais calmo agora.

– Eren... — Virou para dar atenção a garota quando teve um pão quase enfiado na boca. — Come. Você parece triste, na verdade, agora você sempre parece triste... Então, comer ajuda a lembrar de coisas boas! — Exclamou dando uma cotovelada amigável no garoto, encorajando-o a se juntar a comilança.

– Como assim? — Indagou fitando o pão a sua frente e depois a menina de cabelos castanhos avermelhados. Ainda não acreditava que a tinha visto oferecer comida a alguém.

– Sabe... Eu entrei no exécito fugida lá de casa, tive uma briga com meu pai. Eu não queria ir embora assim, mas... Eu era muito egoísta naquela altura. Depois que conheci todos vocês, e entrei para a Tropa, eu percebi que meu pai estava certo, e que eu fui bem idiota e agora me arrependo de não poder voltar lá e dizer isso pra ele. — Suspirou, melancólica por um segundo, para logo depois voltar a animação normal. — Mas quando eu como, me lembro de quando ele caçava e cozinhava pra mim, e como nos divertíamos conversando na mesa. — Falou olhando para a lua, que dava um brilho diferente a seus olhos castanhos. — Você perdeu a sua mãe, não foi? — Perguntou com um tom de voz suave.

Eren apenas afirmou com a cabeça.

– Pois bem, ela não te dizia coisas do tipo "ô menino, sai da rua e venha almoçar!", ou tipo "Come direito senão não vai crescer", e até "come as verduras pra ficar forte". — Falava imitando uma voz séria e carinhosa.

– Ela era exatamente assim. — Riu um pouco, lembrando-se da mulher que mais admirava na vida.

– Então, comida não te lembra dela? — Falou observando-o atentamente.

– E não é que lembra mesmo! — Sorriu mais um pouco. Não pensava na sua mãe sendo devorada, lembrava-se agora dos momentos que passavam juntos, de quando ajudava ela nas tarefas de casa, de quando cozinhavam juntos, andavam juntos pela cidade apenas por caminhar, quando ela lia histórias sobre heróis e dragões, e até mesmo da época em que Mikasa foi morar com eles e ela dormia no quarto dos dois, caso ela tivesse pesadelos...

– Viu só!

– Sasha, já comeu batata frita? Tipo, cortada em rodela e frita? — Perguntou de repente, se levantando da mesa e procurando uma frigideira.

– Não... É bom? Ah, você vai fazer?! — Se levantou também empolgada, pegando algumas batatas.

– É ótimo! Minha mãe me ensinou a fazê-las. — Respondeu ligando o fogão. — Mas temos que ser rápidos se não quisermos ser pegos. — Alertou com um projeto de sorriso travesso começando a descascar batatas também.

Não demorou muito, e logo os dois já tinham lavado e guardado as panelas usadas, e agora comiam batata frita com pão, ambos se deliciando com o sabor salgado e crocante das batatas.

– Eren! Definitivamente uma das melhores coisas que já provei! — Exclamou animada, dando pulinhos pela cozinha com a boca cheia de batatinhas. — Precisamos fazer isso mais vezes!

– Definitivamente. — Concordou sentindo uma nostalgia agradável, lembrando-se das vezes em que sua mãe fazia para si. — Temos uma coisa em comum Sasha... A paixão por batatas. — Provocou vendo a expressão chocada e logo depois divertida da garota ao perceber a menção ao seu primeiro dia no exército.

– Ah, é assim? Então temos outra coisa em comum. — Entrou no jogo, se sentando na mesa e pegando mais uma batata.

– O quê? — Indagou confuso.

– Estamos sempre sendo salvos pelas mulheres... Em especial a Mikasa. — Retrucou divertida, e ambos não puderam segurar o riso, até que Eren se engasgou com o pedaço de pão que mastigava e agora a castanha chorava de rir enquanto o garoto tossia desesperadamente.

– Pelo visto o dia começa animado aqui. — Uma voz imponente, mas com um tom divertido, soou atrás dos dois adolescentes, fazendo a Sasha se engasgar também com o susto.

– C-C-Comandante... — Murmurou Eren em meio a goles desesperados tentando desentalar o pão e batendo nas costas da menina que ainda tossia.

– Me pergunto se vocês dois não procuram castigo propositalmente. — Suspirou em um tom cansado, porém, o sorriso divertido traía o que deveria ser uma expressão séria.

– A gente... Cof... Perdeu o sono e estávamos bebendo leite. Afinal, estava sobrando, e leite estraga rápido, e ajuda a dormir e... — Sasha explicava ainda se recuperando.

– Vou fingir que não vi, afinal, eu também não deveria estar aqui nessa hora da madrugada. Mas... — Comentou servindo-se de um copo de água também e se apoiando na janela, observando o céu ainda escuro das quatro da manhã.

– Mas...? — Indagou Eren, curioso.

– Estava preocupado com você. — Os olhos azuis perfuravam-o no meio da penumbra do cômodo.

O menor ficou estático por alguns segundos, sentindo sua frequência cardíaca aumentar inexplicavelmente. Não sabia o que responder, ou se deveria responder, então apenas agradeceu quando Sasha interrompeu o momento batendo de leve no seu ombro.

– Ah, eu também estava, mas era só barriga vazia, Comandante! — Exclamou animada como sempre.

– Pensei que os dois só estivessem bebendo leite. — Erwin ergueu um sobrancelha astutamente, fazendo a garota se atrapalhar.

– M-Mas... Leite enche barriga! Não é Eren? — Pedia ajuda para o garoto com o olhar, e ele apenas confirmou com a cabeça, não parecendo muito convincente. — E dá sono também, né? Wuaaaah! Estou dormindo em pé já... Boa noite Comandante, boa noite Eren... E lembre-se, se ficar ruim de novo, não fique de barriga vazia! — Falou quase fugindo da cozinha, antes que dissesse mais alguma coisa que a entregasse para o Comandante Smith e acabasse outra vez de castigo.

– Barriga vazia? — O loiro indagou em um tom cômico, mas Eren permaneceu sério.

– Ela é do tipo de pessoa que pensa bem mais do que aparenta. Apenas isso. — Murmurou olhando pela janela.

– É uma pessoa singular, dá pra ver só de analisar as notas dela nas provas que vocês fizeram durante o treinamento de Cadetes. — Comentou concordando com o garoto, lavando seu copo e o guardando.

– Erwin-san... Posso te fazer uma pergunta pessoal? — Eren indagou em tom aparentemente desconfortável.

– Não estamos em missão e nem em campo Eren, pode me tratar apenas como um amigo. — Respondeu em um tom calmo.

Alguns instantes se passaram e quando o maior voltou a escutar a voz do garoto, quase teve um enfarte fulminante.

– Você e o Heichou tem algum fetiche com locais públicos? — Perguntou em um tom inocente que definitivamente não condizia com o conteúdo da frase.

– Como disse? — Retrucou sem conseguir conter o espanto.

Ok, sabia que Eren havia visto... Admitia que até achava excitante a possibilidade de estar sendo observado pelo menor naquele momento, mas jamais imaginaria que o garoto abordaria o assunto de forma tão direta.

– Eu perguntei se confiava no Heichou. Perdão, não quis ofender, eu só... — Os olhos intensos se abaixaram tristonhos.

Erwin apenas se aproximou lentamente do garoto, fitando fundo naquelas duas piscinas verdes, procurando qualquer sinal de que o que ouvira realmente...

– Eu que me desculpo, escutei errado sua pergunta. — Respondeu confuso, jurava que tinha ouvido aquilo realmente, mas achou melhor relevar e pensar com calma depois. — E sim, Eren, eu confio. Por que pergunta? — Falou acariciando os fios castanhos. Tinha adquirido essa mania.

– Nada em especial... — Murmurou apoiando a cabeça no ombro largo do outro apreciando a carícia. — Você tem um cheiro bom... — Sussurrou um tanto sonolento.

– Você acha? — Sorriu de canto, estranhando outra vez a fala do mais novo.

– Acho o quê? — Abriu os olhos, como se despertasse de um cochilo, lançando-lhe um olhar genuinamente confuso.

Suspirou pesadamente mais uma vez.

" Mas que diabos, e eu não tomei nada que a Hanji me ofereceu nesses últimos dias para estar tendo alucinações, e o Eren não é do tipo que disfarça suas reações tão facilmente. A não ser que..."

– Então, como foi a conversa com o Levi? — Mudou de assunto, continuando o carinho no cabelo do menor, se distraindo brevemente.

– Foi sexy. — Respondeu de repente, mas Erwin não demonstrou surpresa dessa vez.

– Perdão, poderia repetir? — Devolveu com um sorriso calmo no rosto.

– Não quero falar sobre isso. — Respondeu o garoto abaixando o rosto, visivelmente constrangido.

"Hm... É interessante como uma resposta não anula a outra. Tem alguma coisa nesse comportamento estranho... Não estou alucinando, tenho certeza disso. "

O loiro refletia rapidamente consigo mesmo, perguntava-se se o garoto não estaria brincando consigo ou agindo de acordo com algum jogo mental... Logo descartou a hipótese. Eren não faria algo desse tipo...

Mesmo assim, ninguém para Erwin estava fora de suspeita.

" Bem, na via das dúvidas, é melhor observar de perto."

– Eren... Eu sei que deve estar... Indisposto, mas poderia me ajudar com algumas dúvidas em relação as fichas? — Introduziu o assunto, vendo o garoto afirmar de imediato.

Subiram para o quarto do Comandante e lá passaram algum tempo fazendo algumas anotações e apontando algumas características peculiares nas fichas que Eren havia feito sobre os integrantes da PM com quem conviveu, e durante esse tempo, Erwin percebeu que as respostas "estranhas" continuavam, mas diminuíam de frequência na medida que o garoto ia se concentrando no que fazia.

Porém, o que realmente perturbou o Comandante foram os pensamentos que passavam pela sua cabeça a cada resposta. Vez ou outra a imagem de Eren se masturbando na banheira e gemendo manhosamente lhe vinha a cabeça, e como se isso não bastasse, haviam momentos em que o garoto resolvia ficar de pé para se alongar e depois acabava atrás do loiro, que ainda estava sentado, sua respiração na nuca do maior enquanto respondia a alguma pergunta com um tom de voz lento e profundo, quase tirando o dono das pacíficas orbes azuis do sério.

Depois de perceber o garoto bocejando algumas vezes, Erwin insistiu para que ele dormisse por lá mesmo. Estava começando a desconfiar que a conversa entre ele e Levi tinha enveredado por um caminho deveras perigoso, mas achou melhor esperar para confirmar isso depois, quando visse os dois juntos. Por hora, só queria pensar. E ter o garoto ali consigo o acalmava de certa forma.

" Acalmar não é bem a palavra..." Pensou passando a mão pela nunca, onde ainda podia sentir o calor causado pela respiração do menor. " Mas admito que concluir essa formação se torna bem mais agradável com essa visão" Sorriu de canto observando o outro que dormia como uma pedra, hora ou outra ronronando satisfeito durante o sono sem pesadelos.

Eren acordou algumas poucas horas depois, sentia-se cansado, mas sabia que não podia simplesmente passar o dia dormindo, ainda mais no quarto do Comandante. Passou a mão pelo pescoço, sentindo-se um tanto sufocado com o maldito objeto de metal que ainda estava ali e se permitiu xingar o Heichou baixinho por aquela maldita ideia. Estava se levantando quando parou abruptamente, tomando ciência do corpo enorme ao lado do seu na cama.

Observou o loiro por alguns segundos. Seus pés estavam ainda no chão, e os vários projetos entre seus braços, o que indicava que o maior havia dormido por acidente. Percebeu uma das mãos grandes mais perto de onde estava, como se ele tivesse caído no sono lhe fazendo cafuné. Sorriu sem perceber.

Não um sorriso por rir de algo engraçado, ou apenas por sorrir, mas sim... Um sorriso doce, um sorriso digno do garotinho que havia deixado de ser desde que viu sua mãe ser devorada. Uma pena que esse sorriso, tão raro, logo desapareceu.

Levantou com cuidado, dando a volta na cama e indo até o homem que respirava pesadamente. Tirou cuidadosamente suas botas, colocando seus pés em cima da cama, retirou os papéis que estavam em suas mãos e os depositou na mesa de cabeceira, tendo o cuidado de deixá-los exatamente na mesma ordem, e por fim, foi até o armário, pegando um cobertor e cobrindo o maior até a altura do peito.

Outro sorriso doce quis tomar os seus lábios, mas um pensamento amargo o sufocou.

– Espero que me perdoe, Erwin-san. — Sussurrou apagando o lampião que ficava ao lado da cama, se abaixando até que seu rosto e o do loiro estivessem bem próximos.

Hesitou por um segundo como se esperasse que os orbes azuis fossem se abrir a qualquer segundo.

" Eu realmente confio no senhor e no Heichou, mas existem coisas que eu devo fazer por mim mesmo. "

Depositou um beijo carinhoso na testa do Comandante e saiu sem olhar para trás.

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.....

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– — Quartel Genera da Policia Militar — 09:40 AM — -

– Os olhos dele não são dessa cor. — Murmurou Nile acomodado em sua poltrona acolchoada e comendo uma maçã.

Sua presença era necessária em uma reunião com os lordes de Sina ás nove, mas havia decidido ocupar a sua manhã com atividades mais agradáveis do que discutir e negociar com um monte de nobres gordos e egocêntricos. Sabia que se não estivesse lá, a reunião se tornaria um caos, e sorria só de imaginar.

– Ainda não são dessa cor, são mais escuros. — Mordeu a maçã novamente. — Não, mais densos... — Falava com o pintor que já estava há horas em seus aposentos, pintando um quadro daquele que era o seu principal desejo no momento.

Só estava esperando os recados começarem a aparecer ao final da manhã. Tinha certeza que absolutamente nada seria resolvido na reunião de hoje, e sabia como os lordes do interior das muralhas eram impacientes e não hesitavam em gastar dinheiro — ou favores — para ter seus desejos — em grande parte, ilícitos — imediatamente atendidos.

– Parecem crianças mimadas. — Resmungou com um risinho apreciando o quadro que tomava forma a sua frente. Ah, estava com saudades daquela visão.

– Disse algo senhor? — O pintor indagou atenciosamente, tinha medo daquele homem.

– Não, pode continuar. — Respondeu o Comandante da PM, voltando aos seus pensamentos.

Dessa vez, tinha recebido um pedido diretamente do Rei. E não se referia ao representante, mas sim ao verdadeiro Rei que movia a Policia Militar estrategicamente ao seu favor.

Seu pedido era um tanto... Peculiar, e relativamente complicado.

Entretanto... Não podia esquecer que o Rei lhe deveria um favor depois daquilo. E além do mais, era uma chance de ouro para torturar o pobre coraçãozinho de Erwin Smith, desestabilizar os soldadinhos da Tropa de Exploração, e ainda mais interessante, ter mais alguns momentos deliciosos com um belo par de olhos esmeralda.

– Senhor Comandante. — Um de seus Tenentes bateu á porta e entrou logo em seguida parecendo preocupado. — O grupo que o senhor enviou para QG da Tropa de Exploração... Segundo o Peter* que estava observando ao longe, eles foram mortos pelo titã Eren Jaeger. — Resumiu o relato, se impressionando com o modo como seu superior nem reagiu á noticia, como se já esperasse por isso.

– Muito obrigado Leon. Eu vou cuidar disso. — Terminou de comer a maçã, jogando-a no cesto próximo a escrivaninha e voltando a olhar para o quadro.

Se aproximou do pintor sujando os dedos de tinta vermelha e manchando a parte que ainda estava em branco da tela. Seu sorriso era repulsivo e assustador.

– Eren... Ele combina com vermelho, não é? Vermelho sangue. — Comentou vendo o pobre homem tremer a ponto de derrubar um dos pinceis no chão.

" Estou te esperando Eren, é apenas uma pequena questão de tempo..."

Notas finais
Hoy o/ Pois é, altas tretas para se resolverem por aí. No próximo cap será explicado o que foi esse surto do Eren com o Erwin, o que aconteceu durante o interrogatório do Levi, por que ele fez isso e... Bem, vai ter mais confusão. . * É sempre citado em mangás um ditado que diz que idiotas não pegam resfriado. * Peter e Leon aparecem no cap. 02 (são dois filhos da p***) * Quanto a época em que o Eren não conseguia dormir no quarto com o Levi, é citado no capítulo três (quando Erwin tranca os dois). . Espero que tenham visto o vídeo e desculpa se eu falei o nome de alguém errado Y_Y . Queria agradecer mais uma vez a Squirrel que recomendou. Sério, MUITO abrigada sua linda, sério mesmo, não imagina como fiquei feliz de ler. . Sobre os artigos que eu mencionei, vou deixar esses aqui pra quem se interessar, já que ele é bem simples e direto: http://www.psicologosp.com/2012/03/superando-traumas.html e http://www.psicosmica.com/2013/02/transtorno-dissociativo-de.html Se quiserem saber os outros que eu pesquisei podem perguntar. . Muito obrigada mais uma vez a todas vocês que me acompanham, de coração. . Até o próximo ~ Kissus