Beast

11 Aquela noite - Levi


Eren tinha adormecido como uma pedra, mas Levi parecia ter perdido completamente a capacidade de relaxar em cima de uma cama. Estava sentando na pequena mesinha que havia no quarto, passando o dedo distraidamente pela chama da vela e observando fixamente o garoto que dormia.

" Esse moleque faz de propósito... " Resmungou mentalmente.

Eren parecia especialmente calorento esta noite. Tinha dormido sem camisa, e quando o moreno tentou cobri-lo com o cobertor quando já estava dormindo, o garoto fez o favor de se remexer completamente, virando de bruços e jogando o cobertor para baixo de si enquanto abraçava o travesseiro como se este fosse uma pessoa.

A luz da lua entrava pela janela aberta — realmente estava calor — e iluminava a pele bronzeada das costas do garoto, contornando os músculos delgados e definidos, deixando a visão ainda mais tentadora. Uma das pernas estava flexionada, também abraçando o travesseiro, fazendo a calça branca ficar ainda mais colada ao corpo, marcando as coxas convidativas e aquele traseiro farto e empinado...

– Putamerda... — Grunhiu servindo-se de um copo de água da jarra que sempre ficava no quarto e indo para a janela, indo olhar o céu, sim... O céu era um lugar seguro de se ficar olhando e não fazer nenhuma besteira...

Lembrou-se de quando voltaram da floresta... O garoto parecia realmente feliz, talvez pela primeira vez desde que tinha voltado (já fazia quanto? Pouco mais de um mês que saiu da prisão...), não era aquela felicidade espalhafatosa de antes, era apenas que... Seus olhos brilhavam quando cruzavam com os olhos de Levi, e o Heichou se perguntava que coisa era essa que parecia fazer sua pulsação dobrar de ritmo sem que nem ao menos se tocassem.

Já Erwin... Era uma questão complicada. Aquele homem conseguia deixá-lo puto da vida, excitado e confuso ao mesmo tempo, mas dessa vez... Era um sentimento estranho, no início ficou realmente irritado com os olhares de "eu já sabia" que ele ficou mandando para ele e Eren durante todo o caminho de volta, depois, quando entraram no prédio e ignorou completamente o "até logo" do loiro percebeu que... Sentia falta daquele desgraçado. E quando entrou na sala dele e o viu com aqueles olhos azuis ternos olhando para Eren que sorria, e sorria de verdade, percebeu que era aquilo que queria.

Queria voltar de missão e encontrar aquela cena pelo resto da sua vida, mesmo se vencessem a batalha contra os titãs enquanto ainda estivessem vivos e pudessem ter uma vida normal. Queria viajar, ver tudo o que as muralhas os impediam de ver ao lado daqueles dois... Ao lado do homem que mantinham seus pés no chão e do garoto que fazia exatamente o contrário.

Se fosse assim, não precisava de mais nada.

Saiu de seus devaneios quando ouviu alguns murmúrios estranhos vindos de trás de si. Virou-se, percebendo que Eren se remexia na cama, suando e grunhindo vez ou outra, parecendo realmente perturbado.

– Oe, Eren. — Tocou em seu ombro, balançando-o um pouco, mas o garoto se encolheu assustado.

Trincou o maxilar, fechando as mãos em punhos enquanto engolia a raiva com muito custo.

Mataria pessoalmente cada um dos miseráveis que tocaram no garoto.

Iria voltar a chamá-lo, mas o mais novo acordou de repente com um grito agonizante, se levantando da cama em um salto, parando no chão do outro lado que Levi estava.

– Eren? — Avançou um passo quando percebeu uma fina coluna de vapor.

Deu a volta na cama e deu de cara com o garoto encolhido no chão, respirando pesadamente, soltando lufadas de vapor pela boca, e arranhando os próprios braços como se quisesse arrancar a própria pele. Suas bochechas estavam marcadas por finas linhas úmidas e seu corpo tremia violentamente.

– E-Eu não... Não... — Sua voz era trêmula e vazia.

– Eren? — Tornou a chamar, dando a volta lentamente em torno da cama, tentando não ser muito brusco para não assustá-lo mais do que já parecia.

Ergueu uma mão hesitante, tentando tocá-lo, mas teve o punho golpeado com um tapa realmente forte.

– FIQUE LONGE DE MIM! — Eren parecia estar a um passo de perder o controle.

Como um animal acuado, o garoto se encolheu no canto da parede abraçando os próprios joelhos. Seus olhos brilhavam como duas pequenas lanternas naquela parte escura do quarto, tinham aquele brilho doentio de quem não tinha mais uma linha de raciocínio intacta.

E como raríssimas — raríssimas mesmo– vezes na sua vida, Levi não sabia o que fazer.

Se aproximou sorrateiramente, percebendo que a respiração do mais novo começava a desacelerar, mas em compensação, ficava mais pesada, como se ele tivesse saído de um ataque de raiva e agora estivesse sentindo dor. E muita dor.

– N-não me toque... Eu... Estou sujo e... — Murmurava confusamente, seus olhos desfocados e sem vida não pareciam ver nada além de escuridão.

Levi apenas suspirou pesadamente, tocando gentilmente os fios castanhos por um breve momento, aproveitando para sentir um pouco da sua temperatura corporal, que estava altíssima! Não era á toa que mesmo numa noite quente o menino soltava nuvens de vapor quando falava.

– Acredite Eren, se você estivesse tão sujo quanto diz, eu perceberia. — Achou que deveria responder, mas duvidava muito que o outro estivesse entendendo algo. — Vamos pirralho, sou eu aqui, acorde! — Balançou um de seus ombros, tentando tirá-lo daquele torpor, mas a reação do garoto o pegou de surpresa.

Em um rompante de força, Eren o agarrou pela camisa, prensando-o contra a parede com uma pressão capaz de deixar até mesmo o soldado mais forte da humanidade sem fôlego. Mesmo pego desprevenido, Levi logo reagiu com uma joelhada forte na costela do mais novo, que mesmo assim não deu nenhum sinal de que iria soltar.

" Puta que o pariu! "

Continuou golpeando sem parar até ouviu um estalo agonizante e algo cedendo debaixo no seu joelho, o maior o soltou no mesmo instante, urrando de dor e acertando um soco impressionantemente forte contra a parede de pedra maciça do castelo, quebrando todos os ossos da mão, e ainda, por mais impossível que pareça, causando um certo dano a parede.

Eren se ajoelhou no chão, amparando a costela quebrada com um dos braços e rosnando como uma verdadeira fera. Vapor escapava abundantemente pela pele morena e Levi sabia que era uma questão de tempo até ser atacado novamente, então agiu rápido: Prendeu o braço que tinha o pulso inteiro nas costas do garoto, encostando seu corpo contra a parede a sua frente, e puxou seus cabelos com a mão livre, os olhos do menino tinham um brilho que nunca havia visto antes. Um brilho cruel.

– Maldito... Não importa o quanto aquele idiota goste de você, não vai me impedir de terminar o que eu comecei miserável, ninguém vai! — Falava com tanto ódio que seus ombros tremiam com a voz que mais parecia um rosnado animalesco.

– Do que diabos você está falando? — Indagou o Heichou realmente pasmo dessa vez, aquele moleque tinha perdido o juízo.

Antes que Eren, ou seja lá que entidade demoníaca que tivesse assumido o corpo dele naquele momento, respondesse, a porta de abriu num estrondo ensurdecedor, dando espaço para que duas mulheres, completamente insanas na opinião de Levi, entrassem no cômodo.

– EREN! — Mikasa empalideceu de repente vendo o estado do garoto e correu na direção de ambos com um olhar mortal, sendo impedida a muito custo por Hanji, que tinha notado algo de estranho naquela situação.

– Heichou... Me solta... Por favor... — O mais novo gemeu baixinho antes de começar a... Chorar?

Agora Levi estava realmente assustado. O que diabos era aquilo? Ele estava fingindo ou...?

– MALDITO! EU VOU TE ESQUARTEJAR! NÃO VÊ QUE ESTÁ MACHUCANDO ELE SEU MANÍACO?! — A Ackerman se encontrava totalmente fora de si, e vendo que Eren parecia ter parado de reagir, começou a soltá-lo lentamente, atento a qualquer ataque surpresa. Não iria mais insistir no assunto, não era o momento.

Se afastou alguns passos do garoto sem proferir nenhuma palavra, ainda processando o que tinha acabado de presenciar, e logo Hanji também soltou Mikasa que correu diretamente na direção do irmão que praticamente se aninhou nos braços da oriental, como se fosse um bichinho assustado.

Lançou um olhar para a mulher de cabelos castanhos, mas ao invés de entendimento, encontrou um misto de compreensão e... Acusação? Irritação?

– Hanji... — " Você não vai ficar do lado do moleque mesmo assim, vai?"

Levi sabia que ela tinha percebido a atmosfera estranha, era com certeza a pessoa mais perceptiva que conhecia, e também uma das que mais conheciam Eren e notaram a diferença na sua forma de agir, que era praticamente oposta a atual.

– O que foi que você fez, Levi? — Ela indagou com um tom de voz duro, um que raramente usava.

– Eu não acredito que estou ouvindo isso... — Suspirou irritado, lançando um olhar para o pirralho que tremia no colo de Mikasa, sendo calmamente consolado pela morena. Desde quando Eren tinha se tornando um filho da puta manipulador daquele nível?

– Se for pra você dar uma surra no Eren toda vez que ele acordar assustado com alguma lembrança, eu te juro como faço o Erwin manter vocês dois separados. — Os olhos castanhos fuzilavam os cor de chuva que tinham o tom de nuvens carregadas para uma tempestade realmente duradoura.

– Você tá cagando pelo cérebro e raciocinando com o cú agora, quatro olhos? — Respondeu mais irritado a cada segundo, a cientista apenas se virou e foi ver como o mais novo estava, se impressionando com os ferimentos do garoto. Não teve coragem de dizer mais nada ao amigo, sabia que por mais violento que Levi fosse, jamais faria algo sem motivo.

Naquela noite, Hanji e Mikasa fizeram questão de dormir ao lado do garoto como se o mais velho fosse simplesmente sufocá-lo enquanto dormia. O moreno estava realmente irado, e o modo como o garoto ficava tremendo inocentemente nos braços da Ackerman (sim, como se tudo já não estivesse estranho o suficiente, dessa vez era Eren a abraçar Mikasa) só o fazia realmente ficar com vontade de matá-lo, mas o faria com bastante sofrimento.

Optou por não dormir, primeiramente por que jamais dormiria no mesmo quarto que a quatro olhos maluca, e em segundo por que tinha certeza que a Ackerman tentaria matá-lo durante o sono (inclusive, ela só realmente não atacou o Heichou por Eren a estar segurando). Aproveitou que já estava sem sono de qualquer forma e ficou na janela, observando a lua crescente e pensando nos últimos acontecimentos...

Não era nenhum matemático ou físico, mas lhe perturbava terrivelmente quando as coisas não seguiam alguma lógica preestabelecida, e aquela situação parecia completamente insana... Ou quem sabe, fosse realmente isso — insana, sem sentido, por esse motivo não conseguia encontrar uma explicação plausível. Tch, quanto mais pensava, mais irritado ficava. Aquele pirralho só poderia estar perdendo a noção do perigo...

Ouviu uma movimentação no quarto virando o olhar rapidamente, vendo a Hanji ainda dormindo esparramada no colchão no chão e o garoto quase de pé, saindo do abraço sufocante da Ackerman que estava na cama consigo, e colocando cuidadosamente um travesseiro no seu lugar, para não acordá-la. Se afastou silenciosamente de onde as duas estavam, indo até a janela sob o olhar atento de Levi.

– Aconteceu alguma coisa, Heichou? — Indagou com um ar confuso, as sobrancelhas mais franzidas que o normal.

" Como assim 'aconteceu alguma coisa' pirralho de merda!"

A resposta do mais velho foi um belo soco, ou melhor, um quase soco, já que parou a centímetros do garoto quando este simplesmente se encolheu, preparando-se para receber o golpe, sem intenção de revidar.

Em seus olhos não havia aquele desejo de matar, ou aquele brilho cruel, neles havia apenas uma centelha do brilho que eles tinham no passado — uma centelha que parecia um pouco mais forte desde a última vez que a tinha reparado, era pouco, mas era alguma coisa — e aquele tom denso e exótico de verde que parecia misturar mil coisas, mil sentimentos pintados de verde naquele olhar.

– Você se lembra de alguma coisa? — Perguntou respirando muito, tentando dissipar um pouco da raiva e afastando a mão do rosto do garoto.

– Não muito... Quer dizer, não do que aconteceu de verdade. — Respondeu ainda meio receoso de se aproximar, até que o Heichou se afastou, lhe dando um pouco de espaço para também de encostar no parapeito de janela.

– "De verdade"? — Questionou desviando o olhar para a noite lá fora, abaixando a guarda e dando ao outro segurança para vir ao seu lado.

– Sim... Eu... Er... — Começou a falar, se atrapalhando por completo, não sabia como dizer aquilo, nunca sequer tinha colocado aqueles sentimentos em voz alta.

– Garoto, não precisa enfartar. — Comentou Levi se sentando no parapeito da janela. Não queria pressionar o garoto, mas o próprio se sentia... Apreensivo quanto a resposta de Eren.

– Heichou, você disse que se eu perdesse o controle... Me mataria. — Disse desviando o olhar, mas... Não parecia incomodado com a ideia, muito pelo contrário.

– Correção: Se eu não pudesse controlá-lo. — Seu tom era autoritário, e um tanto terno ao mesmo tempo. Nem mesmo o próprio soldado imaginava que essas duas coisas poderiam estar juntas em alguma fala. — E ainda estamos os dois aqui... E você ainda me pertence. — Concluiu passando um dedo por dentro da coleira metálica que o garoto usava, apreciando seu rosto corado.

– S-S-Sim, é... — O pobre do menino parecia ter perdido o dom da fala por um segundo. — É que... Entenda, se eu tiver que morrer, eu realmente desejo que seja pelas suas mãos, mas... E se isso só piorasse o problema? — Seu tom de voz era inseguro, como se não tivesse certeza se deveria contar ou não.

– Explique-se.

– Eu já morri, quer dizer, quase morri quando estava preso. — Confessou abaixando a cabeça, e por isso não pode ver o olhar surpreso, por não ter visto aquela informação nos diários, e logo em seguida irado. Mataria o maldito que fez isso. Não, afogaria-o em água fervente. — E quando eu acordei... Heichou, por favor, eu juro que não estou louco...

– Calma garoto, você nunca foi normal mesmo. Um pouco mais de insanidade não vai fazer diferença... — Comentou o mais velho com um ar irônico.

– Muito encorajador senhor. — Resmungou o menino com uma expressão azeda.

– Continue o que estava a dizer. — Os olhos cinzas miraram os verdes diretamente e se fixaram ali, queria ver cada nuance de brilho nas suas íris enquanto falava.

– Antes eu pensava que era só minha raiva mesmo... — Abaixou os olhos, encolhendo os ombros. — Mas eu não acho que eu faria essas coisas, e mesmo assim... Não tinha outra explicação. Só que... Acho que a minha raiva tem falado comigo ultimamente.

– Como é? — Se não conhecesse o pirralho, diria que era uma piada.

– Não seria melhor eu voltar para o porão? Eu não quero machucar ninguém mais do que já faço. Eu sei que sou um monstro e...

Lá estava, aquela ponta de tristeza que apagava quase que por completo os olhos vibrantes. E Levi a odiava completamente. Não entendia o que diabos era aquilo, mas ver o garoto mal o machucava.

Sem aviso prévio, apenas calou seus lábios com o indicador, passando as pernas em volta da cintura do maior, gostando de sentir seu corpo anormalmente quente entre suas coxas.

– Você. Não sabe. De nada. — Sussurrou antes de prendê-lo num beijo, que até tinha a pretensão de ser carinhoso, gentil quem sabe, mas não demorou para que Levi já percorresse suas mãos pelo peito desnudo do garoto que segurava-o fortemente pelo quadril.

Eram como fogo e pólvora, só precisavam de uma faísca.

– Heichou... — Simplesmente adorava ouvir a voz do garoto naquele tom inebriado, meio fora do ar. Adorava deixá-lo assim, e só imaginar que se com alguns simples beijos já era desse jeito, imagina...

– Vamos falar sobre isso amanhã. — Ditou mordendo o lábio do maior devagarzinho, apreciando seu gosto.

– Tecnicamente, já é "amanhã". — Respondeu Eren desejando não sair mais daquele abraço, roçando os lábios deliciosamente nos macios do seu superior.

– Só será amanhã quando eu decidir que é. — Retrucou arrancando um meio sorriso do adolescente, que logo foi puxado para outro beijo de tirar o fôlego.

Mesmo com o seu temperamento violento, Levi não era bruto com Eren quando o tocava. Seu toque era forte, firme, seguro e dominador, mas ao mesmo tempo intenso e apaixonado, o que tirava completamente o garoto dos eixos.

As mãos do Heichou desciam pela nuca do garoto, percorrendo suas costas, sentido cada curva dos músculos rígidos sob a pele morena que sempre tinha uma temperatura suavemente maior. Depois passavam pela cintura do mais novo, pouco acima de onde suas pernas o prendiam a si, subindo pelo peitoral, sentindo o coração acelerado, e então descendo até aquele abdômen que tinha vontade de morder inteiro, arrancando vários arrepios de um Eren completamente hipnotizado pelo homem de olhos cor de chuva.

– Hora de dormir pirralho. — " Sim, antes que seja a minha vez de perder o controle aqui..."

– Hm... — Murmurou com o rosto afundado no pescoço do soldado.

– Você vem pra minha cama. — Falou observando Mikasa praticamente estrangular o travesseiro que Eren tinha colocado em seu lugar com os braços e pernas.

E mesmo que não fosse assim, iria chamá-lo do mesmo jeito.

– Eu posso...? — Indagou idiotamente observando o homem começar a arrumar os lençóis.

– Não sou eu que estou chamando? Onde esqueceu seu cérebro? — Resmungou se sentando, esperando o garoto para deitar.

– — — — -

Erwin esperava encontrar muita coisa naquele quarto naquela manhã, mas isso definitivamente superou suas expectativas.

A primeira cama estava vazia, e pela cascata de lençóis, seu ocupante havia caído do outro lado da cama, e chegando lá... Deu de cara com a sua Tenente esparramada em um colchão com Mikasa em cima dela junto com um monte de lençóis bagunçados. Nenhuma dava sinais de que fosse acordar nesse século.

Na outra cama estavam Levi e Eren, e Erwin desejou alguma forma de imortalizar aquela cena em algum retrato ou numa tela.

Levi estava deitado com uma das mãos atrás da própria cabeça, e a outra nos fios rebeldes e castanhos do mais novo, sua expressão estava totalmente relaxada e se observasse bem, realmente bem, poderia notar um sorrisinho discreto brincando com os lábios finos. Eren parecia ter sido derrubado por cima do outro e dormido daquele jeito mesmo, estava deitado entre as pernas do Heichou, com a cabeça em seu peito e os braços parcialmente em volta do menor.

– Eu sei que está aí, Erwin. — A voz levemente sonolenta, mas nem por isso menos autoritária, do moreno preencheu o cômodo.

– Me pergunto se dorme de olhos abertos. — Resmungou o loiro sentando perto da cabeceira da cama e acariciando os fios negros como ônix.

– Só com os ouvidos. — Abriu um dos olhos, parecia com preguiça de acordar por completo.

Passou mais um tempo observando a cena e sorrindo involuntariamente, fazia tempo que não sentia aquela sensação tão acolhedora de que as coisas finalmente estavam se encaixando como deveriam.

– E não é que o garoto te amoleceu mesmo, heim Levi? — Sussurrou divertido, afinal, se tinha uma coisa que o moreno não suportava era excesso de contato (que não fosse sexo, muito sexo, ou pós sexo), mas parecia perfeitamente à vontade como o mais novo em cima de si.

– Vai se foder. — Respondeu, por mais incrível que pareça, bem humorado.

– Você gosta mais disso do que eu... — Devolveu deixando um beijo carinhoso no topo da sua cabeça.

– Estou te devendo um chute nessa cara de pau. — Resmungou deixando seus lábios a disposição para um beijo leve.

– Eu amo você. — Era fascinante como o Comandante Smith se rendia diante daqueles olhos.

– Eu sei, e você é um romântico a moda antiga, não tome como elogio, é uma maneira educada de dizer "meloso", que não se cansa de repetir. — Sussurrou com um falso aborrecimento, mas ainda assim suas bochechas denunciavam a verdade, fazendo Erwin se controlar para não rir alto.

– E você é um desgraçado. — Devolveu com um risinho, se impressionava em como duas personalidades tão marcantes conseguiam conviver pacificamente juntas.

– Faço o que posso... — O menor teria dado de ombros se não tivesse o garoto ressonando tranquilamente em cima de si. — Ah, Erwin, temos um assunto sério a tratar.

– Que seria...? — O loiro indagou já temendo a resposta. Levi era outra pessoa que nunca dava para prever o que ele estava pensando.

– Lembra que nos diários não dizia nada sobre o sétimo dia de prisão do garoto? — Seu olhar endureceu de repente, e uma estranha vontade de ter os dois braços em volta do garoto, de tê-lo mais perto, acabou tomando conta de si.

– Lembro. — Smith respondeu sério.

– Talvez eu possa te dar uma ideia do que aconteceu.

Notas finais
Então, o que acharam? Teorias? Se teve alguma coisa que não deu pra entender, pode perguntar (embora eu ache que os próximos caps vão deixar mais claro). Fiquei tão feliz que meu vicio.... Digo, o Nyah! voltou! Caso a imagem que eu coloquei no cap não tenha carregado, era essa: https://scontent-a-gru.xx.fbcdn.net/hphotos-frc3/t1.0-9/p180x540/10406385_447492202021193_3396444623067814751_n.jpg MUITÍSSIMO obrigada a todos que acompanham 3 Kissus~