Beast

12 Afogamento.


Notas iniciais
Hoy hooy, Tsuki falando :3 Como vão? (eu de bom humor, puta milagre esse...) Queria agradecer mais uma vez a todas que comentaram, sério, quando o desânimo bate eu vou ler os comentários de vocês (que eu ainda vou terminar de responder, podem deixar) e sempre me sinto melhor (e mais inspirada, dei uma boa adiantada na fic até). Muito obrigada, de coração! Espero sinceramente que gostem do cap, eu me diverti horrores escrevendo ele, ainda mais o final.

O sol estava infernal.

Tinham passado o dia todo ali, só entrando no castelo na hora do almoço, e depois saindo, agora acompanhados por Sasha, que tinha sido pega outra vez roubando comida, e por Armin que estava indo apenas pela companhia dos amigos.

Acontece que Eren e Mikasa estavam, como dizer.... De castigo pelo péssimo comportamento dos últimos dias. Eren pelos surtos constantes (mesmo que não fossem bem culpa dele, mas não podia ferir gravemente um companheiro e atacar várias vezes o próprio Heichou e sair impune), e Mikasa por ter ameaçado jogar "o chibi" pela janela e ter tentado atacá-lo logo quando acordou e o viu agarrando seu irmão.

E agora, como punição eles tinham que limpar todo o quintal da parte de trás do castelo, cortar as árvores caídas para lenha, e aparar o capim que já estava ficando realmente alto. Aquela área iria se tornar um novo pátio para treinamentos. Cortar as árvores foi até simples para os dois, mas o capim... Este parecia se multiplicar por toda a superfície terrestre, e aquele calor maldito realmente não ajudava.

– Mikasa, vem cá. — Chamou Eren, tirando a camisa e a amarrando na cabeça da asiática, de forma a proteger seu rosto, já levemente avermelhado, do sol.

– Mas assim você que vai ficar queimado. — Argumentou a morena, mas sem conseguir disfarçar o alívio de finalmente ter o rosto na sombra.

– Você é quase tão branca quanto o Armin, iria ficar parecendo um frango assado. Eu me viro melhor que você nesse aspecto. — Respondeu já pegando a foice para continuar cortando o capim.

– Frango assado... — Murmurou Sasha deitada em algum lugar remoto no meio de todo aquele capim. Havia desistido e se deitado ali mesmo. — Eu comia frango assado antes da Muralha Maria cair... — Resmungou e foi possível ouvir seu estômago concordar.

– Sasha é melhor você sair daí, vai que aparece algum bicho no meio desse matagal. Uma cobra, ou uma aranha peçonhenta... — Alertou Armin, sentado na sombra ao lado de Jean, que finalmente podia sair da enfermaria, mas ainda de cadeira de rodas, para não piorar os ferimentos.

– Bem que podia aparecer um pombo, dava pra assar ele perfeitamente nesse sol. — Reclamou se levantando com muito sacrifício.

– Eren, tem certeza que você não vai precisar da sua... — Mikasa ia voltar a argumentar quando foi calada por um capim cutucando deu nariz.

– Tenho certeza absoluta. A não ser que queria que eu tire minha calça e coloque no lugar da camisa. — Respondeu brincalhão, levando uma chuva de capim na cabeça por Sasha.

– Eren Idiota! Não se pode tratar as mulheres com essa grosseria! — Ralhou metendo-lhe o dedo na cara. -­ Imagina se futuramente vocês se casam e ela se vinga te deixando sem comida?

Mikasa escondeu o rosto com a mão e Eren apenas deitou a cabeça de lado, desentendido.

– Casar com a Mikasa? — Indagou tentando entender por que Jean tinha começado a rir tão escandalosamente.

– Sim, vocês formam um belo casal. — Explicou simplesmente.

– Sabe nada inocente... — Murmurou Mikasa e agora Armin também não conseguia controlar o riso.

– Se Mikasa fosse Mikael, quem sabe, não é Jaeger? — Insinuou Jean, com um sorriso malicioso.

– Eu devo terminar de quebrar seus ossos, Kirchtein? — Devolveu com um olhar fulminante.

– Eu me casaria com o Eren, mas... Ia ficar faltando uma coisa. — Começou Mikasa, e o brilho astuto nos olhos negros avisava que aquilo não iria terminar bem.

– O quê? — Indagou a garota de cabelos castanhos, verificando Eren de cima a baixo, procurando que faltava.

– Peitos. — Respondeu a morena apalpando o peitoral do irmão adotivo, que corou intensamente até as orelhas.

– COMO É QUE É? — Se pudesse, Eren teria cavado um buraco no chão e se enfiado dentro.

– Eu gosto muito do que tenho aqui, mas acho que ele ficaria melhor com peitos. Bem... Shemale, sabe? — Continuou a asiática, se divertindo com a cara assombrada do garoto.

– Enlouqueceu?!!! — Deu uns dois passos para longe dela, só para garantir.

– Ai, você seria minha noiva... — Falou Mikasa, puxando-o pela cintura.

– Sai de mim!!! Me solta! — Começou a andar para trás, se esquivando dos braços da irmã.

– E eu seria seu marido... — Mikasa parecia realmente assustadora dizendo essas coisas com aquele brilho maníaco no olhar.

– Nem no inferno! — Já estava quase correndo.

– Vem cá Eren... A noite vai ser quente. — Começou a correr atrás do garoto que parecia desesperado.

Armin, Jean e Sasha mal de aguentavam de tanto rir. Era realmente raro Mikasa demonstrar algum senso de humor, mas quando o fazia...

– O dia já está quente o suficiente! Sai daqui! — Corria quase tropeçando nos montes de capim cortado.

Mikasa acelerou de repente quando viu que ele corria em direção ao castelo, se jogando sobre as costas largas do irmão e derrubando os dois no chão.

– Mikasa, eu tô falando sério, sai! — Avisou Eren e dessa vez não parecia estar brincando.

– Você não vai me atacar. — Afirmou séria, virando-o de frente para si. — Vai estar ocupado com outra coisa... — Sorriu de lado. Um sorriso divertido que ela raramente exibia, e que mesmo nunca tendo dito em palavras, Eren o adorava.

– Mas o que merda você vai... Não! Nem pense! MIKAA HAHAHAHHAAHAHAHAHA — Sem ter chance de reagir, foi impiedosamente atacado pelas mãos pequenas da oriental lhe fazendo cócegas na barriga.

Fazia tempo que não agiam daquela forma.

Quando a Muralha caiu, tiveram que crescer rápido demais. Tinham que cuidar um do outro, e de Armin que logo perdeu o avô, e em um cenário completamente caótico. Não tinham tempo, segurança e nem liberdade para serem crianças naquelas condições, e com o tempo, foram deixando de sentir falta disso.

Mas naquela brincadeira aparentemente estúpida onde os dois riam juntos, os corações machucados e as mentes caóticas de Eren e Mikasa se sentiam perfeitamente em paz.

Os dois faziam uma bagunça. Eren havia começado a atacar a irmã também que agora tentava prender os pulsos dele e ambos rolavam no chão, alternando quem estava por cima, se engalfinhando em uma luta amigável, as roupas cheias de terra vermelha e os cabelos inteiramente emaranhados com capim.

E foi nessa situação que alguém os pegou bem no flagra.

– Imagino como vocês pretendem terminar tudo nesse ritmo. — Erwin comentou com um sorriso divertido, mas isso não impediu "as crianças" de tomarem um belo susto.

– Erwin-san! — Eren soou assustado, se soltando da irmã e puxando-a para se levantar junto consigo.

– Só estávamos dando uma pausa senhor. — A morena logo voltou a sua seriedade normal.

– Não precisam se explicar. Sinceramente achei esse castigo um tanto exagerado, as árvores ainda é algo possível, mas capinar toda a área... — Falou olhando a grande quantidade de capim que já havia sido cortada, e quantidade maior ainda não havia sido. — Porém, não tiro a razão dele, vocês dois são bem impulsivos. Ou melhor, três. — Adicionou lembrando de Sasha.

– Pensei que fosse brigar com a gente. — Eren murmurou confuso.

– Se eu iria, seu sorriso me fez esquecer. — Falou calmamente, os orbes cor de céu perfurando as esmeraldas que procuravam entender aquela frase.

" Porra Eren! O cara te come com os olhos, passa uma cantada dessa, e você ainda não enxerga que... Ah, esquece." Mikasa não sabia se ria ou se ficava brava com a tapadisse alheia.

– Pensei que estivesse ocupado, Comandante. — A morena resolveu interromper o momento "babando no garoto suado e sem camisa" do maior.

– Não estou. — Suspirou profundamente, caminhando junto com os dois até mais próximo dos demais. — Já temos provisões mais do que suficientes, iria falar com Levi sobre o treinamento de vocês, mas ele está enfiado no laboratório da Hanji o dia inteiro testando uma arma, não tenho nenhuma excursão para organizar...

– Nenhuma excursão? — Indagou Eren parando subitamente.

Erwin parou também, mirando o olhar dos dois firmemente.

– Nossa próxima missão será aqui dentro.

– Como assim? — A morena não via muito sentido nisso.

– Logo será explicado com mais detalhes. Por enquanto, vim aqui ficar de castigo com vocês. — Desviou do assunto de forma bem humorada passando uma das mãos no cabelo do garoto, tirando um pouco de capim.

– Uh? Sério? Por quê? — Eren indagou surpreso.

– Qual o problema em ajudar vocês? Bem melhor que ficar mofando inutilmente naquela cadeira, e é uma ótima forma de desestressar. — Respondeu alongando os braços, e só agora o menor percebeu que ele estava sem a jaqueta do uniforme. E que ele ficava bem melhor assim...

" Mas que porra?! " Eren se estapeou mentalmente, tropeçando numa pedra no meio do caminho e aproveitando para xingar todos os palavrões conhecidos — ou não — pela humanidade.

– E outra, vocês estão cortando do jeito errado, por isso há tantas falhas e está tão devagar. — Continuou o Comandante cumprimentando Sasha e os demais com um aceno de cabeça cordial.

– O Comandante entende de jardinagem... — Comentou admirada Sasha, que tinha acabado de passar a foice para o homem e observava como o método que ele aplicava para cortar era infinitamente mais rápido e eficiente do que o que estavam usando até agora.

– Nem tanto, só peguei esse mesmo castigo quando era novato. — Respondeu mostrando a Eren como segurar o feixe de capim, posicionando sua mão em cima da do garoto enquanto isso.

Enquanto isso, Mikasa tinha ido até a árvore onde Jean e Armin estavam para beber um pouco de água e refrescar o rosto, o dia estava quente como o inferno.

– Sabe Mikasa, quem olha jura que você é doidinha pelo retardado do Jaeger... Mas não parece nenhum pouco incomodada de ver o Comandante dando em cima dele na cara dura. Só os dois tapados ali que que não estão notando. — Comentou olhando de canto para a asiática que molhava o rosto, quase tomando um banho com o cantil. No passado até acharia aquela cena bem sexy, mas agora só tinha olhos para um certo loiro de astutos olhos azuis.

– Não estou. Na verdade adoraria ver os dois juntos. — Respondeu balançando o cabelo para secar mais rápido.

– Nem se engane Jean, no passado ela pensava que eu e o Eren teríamos alguma coisa. — Comentou Armin rindo, lembrando-se das indiretas nada discretas que a morena dava para os dois durante o treinamento de cadetes quando descobriu que dormiam lado a lado no dormitório.

– Você parece ter uma queda por cabelos loiros e olhos azuis. — Comentou Kirshtein distraidamente. — O que me lembra daquela sua inimizade suspeita com a Annie... Então se aquelas brigas que vocês tinham não eram pelo idiota, não me diga que... — Foi interrompido bruscamente pela mão da oriental na gola da sua camisa, puxando-o com força, fazendo todos os seus ferimentos doerem.

– Se, de acordo com o que você diz, eu tinha algo com ela, e ainda assim a derrubei de cima da muralha... Imagina o que eu não faria com você. — Murmurou com um olhar intenso, segurando toda a sua raiva dentro dos olhos negros, soltando o maior e voltando para o campo logo em seguida.

– Fez merda Jean. — Comentou Armin vendo a amiga sair pisando forte, sabia que era melhor não ir atrás dela naquele momento.

– Eu te juro que eu não sabia que elas... De verdade... — O de olhos cor de chocolate ainda se encontrava perplexo, já que pelo visto, o que houve entre as duas não foi nada insignificante. Muito pelo contrário.

– Ninguém sabia. Eu mesmo só descobri por que peguei no flagra e o Eren por que a Annie contou. — Respondeu lembrando daqueles dias onde todos podiam estar juntos sem maiores preocupações do que passar nos testes.

– Vocês três eram bem próximos dela, deve ter sido doloroso... — Falou acariciando os fios loiros, descendo depois para a nuca do menor.

– E foi. O Eren ainda não acredita, que dizer, ele acha que ela teve algum motivo realmente forte para fazer o que fez. Eu sinceramente prefiro me ater ao fatos, e não ao que está por trás deles, já a Mikasa... Bem, se eu fosse a Annie, nunca mais ia querer sair daquele cristal. — Suspirou pesadamente, se inclinando na direção do carinho do namorado.

– Vou pedir desculpas a ela mais tarde. — Falou tanto para si mesmo quanto para o pequeno a seu lado, estava se sentindo culpado agora.

– Faça isso... Mas quando ela parar de pensar em diversas maneiras de te matar. — Retrucou o loirinho se levantando do chão para alcançar o rosto o outro, beijando-lhe carinhosamente os lábios. — Ainda quero você inteiro. — Concluiu com um sorrisinho de canto.

Enquanto isso, Mikasa descia a pequena colina a passos furiosos, passando diretamente por Sasha, que ainda estava impressionada em como estava cortando mais rápido e terminaria a tempo para o jantar, e indo até Eren que conversava distraidamente com o Comandante.

– Eren, eu vou pro meu quarto, se o anão vier encher o saco por que eu fui embora manda ele ir se foder. — Despejou tudo de uma vez, virando-se para ir embora quando foi detida pelo garoto

– Espera, aconteceu alguma coisa? — Puxou-a de volta pelo braço.

– Coisa de mulher Eren.. — Respondeu curta e grossa. Não que tivesse algum problema em conversar com ele, na verdade, adoraria desabafar um pouco para uma das únicas pessoas em quem confiava o suficiente para isso, só que mais tarde.

– Tem certeza que não quer que eu vá com você? — Os orbes verdes eram duas poças de preocupação. Era raro ver a morena assim, só lembrava de te-la visto com aquele olhar uma vez, quando teve um sonho com os pais e depois quando a A...

"Puta que o pariu..."

– Não Eren, não quero. Lembra da última de vez em que você cruzou a linha do "coisas de mulher"? Acabou com você correndo e chorando comigo nos braços gritando que eu estava sangrando. — Falou direta, fazendo Erwin, que ouvia discretamente a conversa, se segurar (e muito) para não rir depois dessa.

– Eu não sabia que meninas faziam essas coisas... — Respondeu um pouco culpado.

– E fazem mais várias coisas bem piores... — Adicionou com um tom de voz sombrio, fazendo o garoto engolir em seco involuntariamente.

– Er... — Tentou argumentar, mas era complicado.

– Preciso lembrar também de quando meus peitos aumentaram e você tentou colocar gelo pensando que era algum inchaço? Quase peguei uma gripe... — Continuou sem dó nem piedade.

– Ok, ok, já entendi... — Se rendeu. Sabia que se existia alguém mais teimoso que ele próprio na face da terra, esse alguém era Mikasa. — Mas qualquer coisa... Ah, você sabe. — Adicionou olhando de canto para a irmã, ainda estava preocupado.

– Sei, eu te chamo. Ai você surta junto comigo e depois o Armin vem acalmar a gente. — Alfinetou, rindo internamente do olhar "magoado" que o outro lhe lançou. Só mesmo Eren para melhorar seu humor daquela forma.

O garoto apenas observou a irmã se afastar tentando não se lembrar do que viu e ouviu enquanto esteve preso. Confiava na força da irmã, física e emocional, por isso nunca teve muito medo de que ela se arriscasse. Não achava possível nada que fosse páreo para Mikasa... Isso até tê-la perdido.

" Não foi real... Não foi real... "

Fechou os olhos respirando fundo e voltando ao que fazia.

" Não seja estúpido, Mikasa não é de porcelana... E outra, ela me levanta com um braço só, tenho até pena do coitado que tomar um soco bem dado dela..."

– Eren? — A voz do Comandante soou um pouco mais próxima do seu ouvido.

– Uh? — Murmurou confuso, voltando sua atenção para o maior.

– Não ouviu nada do que eu disse, não é? — Falou com um sorriso de canto.

– Perdão senhor. — Respondeu sem graça.

– Relaxe Eren, ela está segura no castelo, eu mesmo montei um esquema de vigilância com mais turnos e cobrindo uma área maior. Se alguém não autorizado se aproximar outra vez, os sentinelas estão autorizados a atacar, e outra... — Levou uma mão até a cabeça do garoto, bagunçando os cabelos já bagunçados. — Não sou nenhum "senhor", o Pixis é que é. — Acrescentou bem humorado, arrancando um risinho de canto do menor.

– Está bem humorado hoje. — Comentou o menor, as esmeraldas sondando as safiras tão pacificamente azuis.

– Graças a você. Era o que eu estava falando enquanto você encarava a Mikasa fixamente... Está ficando tão super protetor quanto ela. — Acrescentou só para deixar o outro desconcertado, mas não pareceu efetivo.

– Tenho meus motivos... — Suspirou profundamente. — Mas o que eu fiz, afinal?

– As fichas. Os detalhes... Não tem ideia de quantas informações eu consegui graças a isso. Consegui avançar incontáveis passos em comparação a antes. — Explicou com aquela empolgação e o brilho determinado nos orbes cor de céu que sempre se via quando falava sobre algum planejamento que tinha em mente, principalmente quando era um dos grandes.

Na noite passada, quando retornou da floresta junto a Levi e o Heichou foi tomar seu longo e demorado banho, Eren "escapou" para a biblioteca, onde fez uma ficha com todos os detalhes que lembrava da aparência, personalidade, posição no regimento, tom de voz, família, função, proximidade do diabo (Nile), e vários outras características aleatórias que lhe vinham á memória, fazendo também a ficha de outros com quem conviveu, depois uma do próprio Nile e por fim, fez uma teia ligando todos.

Após terminar, escondeu as anotações no fundo da biblioteca, entre os relatórios que descreviam os primeiro experimentos com titãs. Não foi a toa que havia lembrando a Erwin da "leitura interessante" que podia encontrar naquela região...

Bem, esperava ajudar, mas não esperava que fosse tanto. Se bem que, para o seu Comandante, meia palavra bastava. Se impressionava com a capacidade dedutiva de Erwin, sem falar era um estrategista impressionante, que conseguia simplesmente tirar leite de pedra em algumas ocasiões como se fosse simples.

– Se eu puder ajudar em mais alguma coisa... — Falou sentindo um sentimento bom dentro de si que estranhou de imediato por que... Não se sentia bem pela possibilidade de vingança, mas sim por fazer o outro feliz. Gostava de humor do Comandante, apenas isso.

"Eu devia parar de pensar e cortar capim." Decidiu-se quando percebeu o rumo estranho que seus pensamentos tomavam.

Porém, mal tomou a decisão e foi surpreendido por um beijo cálido na testa.

Seu rosto estava quente. Muito quente. E formigando.

– Obrigado Eren. Realmente... Obrigado. — A sinceridade na sua voz só fez o estado do garoto piorar.

"Porra é essa? Será que eu estou passando mal do calor?"

– De n-n-nada. — Respondeu acanhado, se afastando rapidamente e começando a cortar o capim com o máximo de concentração no que fazia.

Erwin também voltou ao que fazia, mas sem tirar os olhos do garoto. Tinha achado aquela atitude tão adorável. Sentia vontade de mordê-lo por completo... E depois sentir cada centímetro daquela pele bronzeada com a língua, e se deliciar com aqueles lábios cheios...

" Estou te invejando Levi..." Pensou com um breve gemido de reclamação que infelizmente foi ouvido pelo outro.

– Se machucou Erwin-san? — Indagou o menor, procurando algum corte ou hematoma com os olhos.

– Bati o cabo da foice do osso da mão. Nada demais. — Respondeu rápido, mentindo como quem respirava.

– Ah, cuidado. — Advertiu com um olhar que era um misto de seriedade com preocupação, que fez o maior pensar seriamente em agarrá-lo dessa vez.

O dono dos olhos safiras nem se dava o trabalho de censurar seus próprios pensamentos, já estava habituado com eles desde a vez em que pode finalmente cumprimentar o dono daqueles olhos simplesmente impressionantes sem nenhuma grade entre eles. Havia amado aquele sorriso e desejado os lábios que o contornavam (Levi então, já estava de olho no corpo todo nessa época...).

O que o Comandante tentava conter, era o sentimento que tomava cada vez mais espaço dentro do seu coração. Quando o percebeu pela primeira vez, interpretou que era pelo fato do garoto ser nada menos que a última esperança que tinha para vencer aquela luta contra os titãs que parecia interminável... Quando voltaram da missão fracassada, não pensava em outra coisa que não fosse um bom plano para que não perdessem a custódia do garoto, mas claro, se o perdessem, seus planos iriam por água abaixo, não é?

Oh, doces ilusões que a parte racional da nossa mente insiste em criar...

Quando o viu lutar contra a Titã Fêmea, se encantou pelo caos, pela destruição que aquelas mãos causavam... Não, mentira, se encantou pela intensidade daqueles olhos, que não diminuía nem um milésimo mesmo quando estava na sua forma humana. E quando esteve preso... Céus, chegou a ter pesadelos preocupado com o que podia acontecer com o garoto (com razão).

E quando ele voltou... Quando viu aquele olhar onde o brilho parecia ter se esgotado... Só desejou, desejou de toda a mente e coração, ser capaz de trazê-los de volta ao que eram. Prometeu a si mesmo que moveria o céu para fazê-lo se preciso.

Se surpreendeu com tal pensamento, e, claro, sua mente logo levantou outra hipótese... Talvez estivesse realmente apegado ao garoto, mas sentimentalmente envolvido pelas semelhanças do que tinha acontecido a ele com o que houve com Mary, com quem foi casado.

Essa ilusão, porém, não durou muito.

A cada dia que passava, Eren fazia-o ver como tinha acabado daquela forma. A forma como lutava a cada segundo para de manter firme e forte, a forma como se preocupava com os outros a sua volta (mesmo que tentasse não demonstrar), a personalidade fascinante, que misturava um lado doce com um temperamento violento e explosivo, o modo como sorria e ficavam covinhas nas suas bochechas, o jeito como inclinava a cabeça para o lado esquerdo com cara de "não entendi", a maneira como corava até a raiz do cabelo, e até mesmo o seu olhar desolado que pedia um abraço sem nem mesmo perceber.

Havia se apaixonado pelo olhar direto e penetrante, que possuiam aquele tom exótico e hipnotizante de verde que era fruto de uma mistura de várias matizes de cor, pelo calor da sua pele, pelo modo como cabia perfeitamente em seu colo em um abraço acolhedor, pela voz forte que era agradável aos seus ouvidos em qualquer tom que fosse...

Em resumo, estava fodido.

Não tinha por onde escapar agora.

" Levi, pode tentar me matar se quiser, mas vai ter que aprender a dividir."

. . . . . .

Havia acabado realmente mais cedo do que o previsto, e antes do pôr-do-sol o quintal já estava perfeitamente limpo e capinado. Mikasa não retornou, Sasha desapareceu assim que ouviu a palavra "acabamos" (provavelmente foi atrás de mais comida fora de hora), Armin logo escapou também, dizendo que levaria Jean para a enfermaria, mas com pensamentos um tanto mais... Elaborados... E que envolviam um quarto e não a enfermaria...

No fim, restaram apenas Erwin e Eren, e como ambos queriam aproveitar um pouco mais de ar puro, acabaram descendo até o lago que ficava a alguns poucos quilômetros do castelo.

O Sol ainda estava alto no céu, alguns pássaros migratórios faziam algazarra, a brisa corria suavemente e o som das pequenas ondulações na água se quebrando na margem era tudo o que se podia ouvir... Até que passos apressados atravessaram aquela melodia e terminaram com o som de um corpo caindo dentro da água.

O Comandante olhou para trás vendo uma pilha desarrumada de botas, as cintas e parte das roupas embaixo de uma árvore próxima. Não tirava a razão do garoto, estava realmente quente.

– Eren, só avisando que há muitas pedras ai onde você está, cuidado. A Hanji já ficou presa uma vez. — Alertou se sentando relaxadamente embaixo da sombra, observando o garoto de onde estava.

Ele estava de pé, com a água pelo meio das coxas, e de costas para o mais velho, andando calmamente até a parte mais profunda do lago. Usava apenas a calça branca do fardamento, que ficava praticamente transparente, dando um contorno quase pecaminoso àquelas nádegas bem desenhadas... Isso sem contar as gotas de água que escorriam pela pele morena de suas costas, descendo lentamente pelo seu corpo...

– Não está com calor, Erwin-san? — Indagou lembrando-se da presença do Comandante ali. Quando viu a água, com o calor e a sede que sentia, parecia que tudo tinha sumido da sua frente e só existia ele e aquele lago ali.

Os olhos verdes clareavam a ponto de quase parecerem azuis turquesa quando refletiam toda a luz daquele belo lugar. Seus olhos podiam muito bem substituir toda a paisagem se pintados num quadro naquele momento.

– Estou bem. — Respondeu simplesmente, constatando que estava muitíssimo bem acomodado observando dali.

Aquele lago lhe trazia tantas lembranças... De quando era mais jovem e todos ainda tinham tempo de comemorar suas vitórias, de quando ele e um certo moreno baixinho ainda estavam se conhecendo e tinha o hábito de se esconder na floresta para espiar Levi nadando completamente nu naquelas águas...

"Que lago abençoado... Bendito seja." Exclamou mentalmente, fitando aquele olhos, normalmente tão densos, mas que agora pareciam translúcidos enquanto contemplavam o grande rochedo que havia do outro lado, e depois a floresta fechada que parecia viva quando ventava.

Era surpreendente como algum tempo com o garoto lhe trazia boas lembranças, com o deixava... Em paz. Coisa rara para quem já viu tantos morrerem tendo ciência de que os havia enviado para a morte certa. Não se arrependia do que tinha feito até agora, mas não podia negar que ás vezes os fantasmas dos familiares daqueles homens lhe perturbavam à noite.

Fechou os olhos com suspiro calmo, sentindo a brisa calma que soprava naquele momento.

Entendia como o garoto havia amolecido Levi tão facilmente, Eren parecia ter uma luz, uma luz forte e vívida, que afastava qualquer demônio da sua mente, e te fazia sentir como se suas cicatrizes nunca tivessem sido feitas, e mesmo ferido, o garoto tinha esse dom. Não era a toa também que a Ackerman não conseguia suportar a ideia de perdê-lo.

"Oh, Eren, você possui uma legião de viciados a sua volta."

Erwin estava quase cochilando naquela sombra, quando ouviu um som estranho e um grito incrivelmente breve, como se tivesse sido interrompido de forma brusca.

Abriu os olhos rapidamente, vendo a superfície calma e pacífica do lago.

– Eren? — Chamou na esperança de ouvir alguma resposta, mas sabia que não ouviria, não o tinha ouvido sair de dentro da água.

Seu coração acelerou. Já tinha visto aquele filme antes... Alguém bem desastrado entrando sozinho e empolgado na água... Se perguntava se Eren não seria filho biológico de Hanji.

Sem pensar nem meia vez, correu para a água, indo direto para a região que julgava funda o suficiente para encobrir alguém por completo. Não conseguia ver nenhuma movimentação na superfície da água, então teria que procurar mergulhando.

E nada nesse mundo poderia descrever a sensação de impotência que abateu sobre si quando não o encontrou.

Respirou fundo, clareando sua mente, em busca de alguma ideia... Até que algo lhe veio rapidamente a cabeça.

Nadou rápido e desesperado até a margem onde se encontrava a floresta, alcançando um dos vários cipós que caiam sobre a água calma e azul escuro, puxando alguns e amarrando vários juntos, formando uma corda realmente longa. Logo em seguida arrancou um galho que lhe parecia resistente o suficiente e amarrou em uma das pontas.

Só esperava que desse certo... Não, definitivamente daria certo.

Voltou a área por onde Eren provavelmente havia afundado, enterrando o galho no chão pedregoso do lago e disparou nadando com a outra ponta da sua corda improvisada, contornando a extensa área por onde o garoto podia estar até esticar a corda, e só aí mergulhou, nadando até a margem esperando que algo puxasse a sua "rede", o que não demorou muito.

Nadou o mais rápido que podia até o ponto onde o cipó não havia avançado... E foi quase um alívio encontrar o garoto ali. Quase alívio, já que Eren já parecia ter desmaiado a essa altura.

Voltou a superfície buscando mais ar, e logo que desceu buscou os lábios do garoto, passando-lhe todo o ar que tinha aspirado, sentido seu peito inflar bem de leve, e algumas poucas bolhas lhe escaparem em seguida. Havia engolido muita água. Repetiu o procedimento mais algumas vezes antes de descer tateando sua perna até o ponto onde havia ficado preso.

Uma pedra enorme havia virado por cima do pé do garoto, mas pela pouca visibilidade e também pela pressa, não pode ver se havia quebrado ou não. Retirou a pedra com muito custo, não se demorando em voltar a superfície, uma vez que também já estava sem fôlego.

Logo que chegou à margem, forçou o peito do menor, se assustando com a quantidade de água que saiu, e depois o virou de barriga pra cima, puxando o ar e tocando seus lábios mais uma vez para lhe passar oxigênio.

– Vamos lá Eren... Você não nadou tão longe para morrer literalmente na praia. — Estava nervoso, como raras vezes ficava. Ver aqueles olhos fechados e os lábios azulados o deixava assim.

Repetiu o procedimento mais uma vez.

Sem resposta.

Mais várias vezes... Até que fossem os seus pulmões a estarem ardendo.

Nenhuma resposta.

– Por favor... — Murmurou ofegante, encostando sua testa a do mais novo, restaurando seus pulmões para uma nova sessão.

" Não estou disposto a desistir de você Eren, de jeito nenhum."

. . . . . . . . . . .

Estava afundando...

Não na água, mas dentro da própria mente.

Os tentáculos escuros tomavam cada pedaço da parte consciente e desesperada da sua mente, eram frios, gélidos, mas ao mesmo tempo eram um anestésico para aquela dor... Afinal, por que não podia simplesmente morrer? Solucionaria os problemas de muitas pessoas com quem se importava. Simplesmente desaparecer, deixar aquela dor ir embora...

Os braços que lutavam desistiram.

As pernas que se debatiam relaxaram.

Os orbes verdes brilhantes se fechavam pouco a pouco.

Sentiu aquela sensação da água o envolvendo ir embora, mas agora já era tarde... Já havia se entregado a algo muito mais profundo que um lago e mais agonizante do que um afogamento.

Era bom e ruim ao mesmo tempo.

Por um lado, não doia. Seu peito podia finalmente relaxar, podia respirar sem ser sufocado pela própria dor, seu coração podia bater sem que fosse esmagado, as feridas da sua alma paravam de sangrar uma a uma, e assim, todas as suas memórias se iam... Todas as memórias daquela semana maldita, de tudo o que passou naquela masmorra... Simplesmente iam embora.

Era fácil.

Mas... Ficava um vazio cada vez maior, um vazio que o oprimia e libertava em igual proporção.

As memórias do sorriso luminoso de sua mãe iam embora... As memórias do abraço quente e acolhedor de seu pai... Os raros e belos sorrisos de Mikasa, e a confiança que ela possuia em si... As tardes que passava ao lado de Armin, e seus olhos brilhantes e curiosos... O calor de quando todos os seus companheiros do 104º Esquadrão de Cadetes estavam juntos na mesa do refeitório revivendo memórias, quando Ymir assediava Christa, que ficava da cor de um tomate e quando Jean lembrava do apelido de "Garota Batata" da Sasha... Os abraços super apertados e das brincadeiras idiotas, mas divertidas, da Tenente Hanji...

Iam-se também as memórias dos olhos meigos e do jeito maternal e cativante de Petra, do modo sério de Gunter, do jeito calmo e sereno e Eld, até mesmo da personalidade irritante, mas bem intencionada e dedicada, de Aruo... Esvaiam-se as memórias do quanto lhe doeu a traição de Annie, e também as suas lágrimas quando a viu "viva" pela última vez... Mas também das tardes em que treinavam juntos, dos seus conselhos, das conversas curtas, mas significativas...

Perdiam-se as memórias dos calmantes e acolhedores abraços do Comandante Erwin, e daquele olhar compreensivo para quem podia confessar tudo... As memórias dos deliciosos e quentes beijos do Levi Heichou, dos momentos em que apenas estavam confortáveis na companhia um do outro e de como nunca viu um dia de chuva tão lindo como o que via naqueles olhos...

Sentiu algo quente sobre seus lábios, e uma sensação estranha lhe descendo a garganta... Como um último beijo da vida antes de entregá-lo a morte...

" NÃO!"

Puxou o ar por conta própria dessa vez, sentindo uma queimação terrível, como se respirasse ácido puro, mas resistiu.

Agarrou-se firmemente àquela dor, abraçou-a, envolveu-a com a própria aura.

Não podia simplesmente deixa-la ir embora... Ela fazia parte de si afinal.

Reviveu brevemente todas as suas memórias mais uma vez, mas dessa vez sentindo-as voltando para si. Cada uma delas, das mais felizes, as mais terrivelmente dolorosas... Essas em especial. Permitiu que voltasse para si e o rasgassem por inteiro, que esmagassem seu coração várias e várias vezes, que o cortassem, que o torturassem... Acolheu aquela dor junto ao peito, decidindo suportá-la como deveria.

" Como pude esquecer... Que sempre tive um motivo para suportá-la acima de tudo?"

Seu peito inflou, e logo começou a tossir compulsivamente, colocando uma assustadora quantidade de água para fora das suas vias respiratórias.

" Eu não vou morrer... Se eu morrer, eu vou perder tudo pelo que sempre lutei."

Continuou tossindo até que finalmente o ar entrasse mais facilmente, mesmo ainda sendo doloroso.

" Eu VOU continuar, nem que isso me destrua, mas eu VOU."

Abriu os olhos encontrando um céu lindamente azul... Na verdade dois. Dois céus límpidos aprisionados nos olhos do Comandante Erwin.

– Eren?

" Eu vou continuar lutando... Até o fim."

– Estou aqui Erwin-san. -Respondeu ofegante, num fio de voz, percebendo o quanto seus olhos estavam próximos.

– Céus! — Exclamou o Comandante finalmente respirando aliviado, abraçando o garoto de repente. — Por um momento pensei que não fosse voltar.

– Eu também pensei. — Respondeu devolvendo o abraço, pela primeira vez, se permitindo embrenhar as mãos por aqueles fios loiros e macios, sentindo seu corpo se moldar ao corpo quente do maior, respirando mais calmamente agora que sentia a morte cada vez mais longe, como se a aura acolhedora daquele homem espantasse sua frieza.

Passaram algum tempo assim, até que ambos parassem de tremer. E não era de frio.

– Você está bem? Se machucou? Seu pé estava bem preso quando te achei. — Indagou Erwin, esquadrinhando cada centímetro do outro com o olhar.

– Não precisa se preocupar, se não estiver, logo vou ficar. — Respondeu não querendo incomodar o loiro com besteiras, afinal, podia se curar não é mesmo?

– Eu não penso assim. — O Comandante respondeu fitando-o com um olhar afiado.

Eren apenas o encarou interrogativamente.

– Sim, de fato o seu processo de cicatrização é assustadoramente rápido, mas isso não quer dizer que você não sinta dor. — Falou afastando uns fios do cabelo castanho. — E eu não quero que você sofra. — Concluiu com um olhar terno, achando adorável a forma como de doentiamente pálido, Eren passou para intensamente corado.

– Por que? — Indagou com a voz insegura. — Não sou mais do que uma besta... — Foi interrompido pelo olhar firme e sério daquelas duas safiras.

– O que você chama de bestialidade, nós chamamos de milagre Eren. — Falou o maior, tocando o rosto do menino. — Se o Titã Encouraçado aparecesse aqui, você seria o único que teria alguma chance de detê-lo. E além disso... Você não é apenas um Titã, você é um soldado com uma determinação dificilmente encontrada por aí. — Sorriu de canto, deixando o menor completamente desconcertado. — Eu ouvi dos seus amigos que por causa das suas palavras na cerimônia de formatura de vocês, foi que que tivemos tantos cadetes na Tropa de Exploração esse ano mesmo depois do que houve em Trost.

– Erwin-san...

– E se quer um motivo pelo qual eu não quero que sofra... Não só por que é meu companheiro de batalha, mas também por que já sofreu muito mais do que deveria. Se concentre em ficar bem agora, sim? — Falou apoiando melhor o garoto em seu colo, de forma que respirasse mais facilmente.

– Eu... Eu não... — O mais novo estava confuso, não esperava ouvir tanto... Ou melhor, não esperava que aquelas palavras fossem o aquecer tanto.

– Se apoie em mim Eren, me diga o que dói, me deixe ajudar. É tudo o que quero que faça e sei que Levi, Hanji, Armin, Mikasa e todos os seus amigos se sentem do mesmo modo. — Seu tom de voz era calmo, mas isso não tirava o peso de suas palavras, e não diminuía o peso que Eren sentiu sendo tirado das suas costas.

Não era como se o peso que sentia antes tivesse ido embora. Não, de modo algum. Era só que... Ter alguém com quem contar, tornava mais fácil respirar naquele mundo que vinha o machucando tanto.

O silêncio reinou entre os dois por alguns momentos... Não precisavam de palavras, os batimentos cardíacos cansados e descompassados já diziam o bastante.

Erwin observou o brilho do pôr-do-sol naquelas orbes vibrantes, se encantando com a visão por vários instantes, até que a voz do menor se fez presente.

– M-Meus pulmões ardem... — Murmurou apoiando a cabeça no peito do Comandante. — E acho que vai demorar um pouco para eu conseguir andar direito. — Completou olhando para o estado deplorável do seu pé, definitivamente tinha quebrado alguma coisa.

– Tudo bem, eu te levo. — Respondeu o loiro se levantando com o garoto em seus braços, sorrindo ternamente quando sentiu ele deitar a cabeça na curva do seu pescoço, relaxando.

. . . . . . .

– MAS SERÁ QUE VOCÊ DOIS TEM MERDA NA CABEÇA?! — Levi gritou em alto e bom som, fazendo Erwin associá-lo a uma dona de casa surtada, pouco depois que atravessaram a porta da cozinha, lugar por onde poderiam entrar sem atravessar o hall e o refeitório.

Ok, vamos voltar alguns minutinhos atrás.

O pé de Eren já estava visivelmente melhor, mas Erwin insistiu em trazê-lo até o castelo com a desculpa de evitar mais acidentes que o mais novo não teve como contestar.

Já estava escuro, e o calor escaldante do dia deu lugar a uma noite fria e bem ventilada, para desespero dos dois que estavam completamente ensopados. Erwin tremia um pouco, já Eren batia os dentes, se encolhendo nos braços do maior, o que o loiro achava adorável como quase tudo que o garoto fazia durante todo o caminho.

Quando avistaram as janelas da cozinha, onde havia calor, lareira, fogão e comida quente, foi como se estivessem de frente aos portões do paraíso. Mas depois de reparar um pouco melhor no que havia em frente, perceberam que o próprio Cébero guardava aqueles portões.

Ou melhor, não era um simples cão demônio de três cabeças. Era um Levi de extremo mau humor.

Extremo.

Mau.

Humor.

– Erwin-san... Vamos entrar pelo fundos? Eu quero ver o sol nascer amanhã. — Murmurou Eren segurando os ombros largos do maior, tentando fazê-lo mudar de direção.

– Relaxe, ele não vai bater em você. — Respondeu o loiro em um tom calmante.

– Não, ele vai bater em nós dois! Erwin-san, ele esta pegando uma coisa ali no escuro... — Alertou o garoto assustado.

– Ele não é louco de jogar uma... — Calou a boca de desviando rapidamente de uma panela de ferro que veio voando na direção da sua cabeça. — Enlouqueceu Levi?! — Exclamou sentindo um frio na barriga. Teria sido nocauteado se aquilo tivesse acertado.

– Eu... Enlouqueci? — Eren não sabia sabia se tinha mais medo de quando o Heichou falava com raiva, ou quando falava calmamente daquela maneira. Nas duas era possível sentir a intenção assassina emanado da sua voz. — Erwin seu puto, eu passei o maldito dia enfiado no laboratório com aquela louca, revisando a porra de um projeto que você fez o favor de inventar, e quando saio escuto que você sumiu, levando o pirralho, e olha a maldita hora e o maldito estado em que você me aparece seu desgraçado!!

– O Mike não te avisou? Eu meio que... Tirei uma folga hoje. — Explicou calmamente, e Eren só imaginava que Erwin era incrivelmente forte numa luta para nem se abalar com a aura demoníaca do Heichou.

– O Mike tá muito ocupado trepando com o Nanaba, pelo visto está todo mundo muito ocupado hoje! — Ironizou Levi se controlando para não enfiar a mão na cara do loiro. — E você pirralho? Terminou o castigo por acaso? O que estava fazend...

– Terminei. — Interrompeu Eren.

– Hoje? — Desconfiou, lançando um olhar incisivo para o garoto.

– Sim. O... — Recebeu uma cutucada e um olhar de alerta do Comandante e logo editou o que ia dizer. — O sol ajudou bastante, estava todo mundo desesperado pra terminar. — Concluiu rapidamente.

– E como foram ficar ensopados e imundos desse jeito? — Cruzou os braços franzindo ainda mais as sobrancelhas, seus olhos cinzentos pareciam aço derretido.

– No lago. — Erwin respondeu rapidamente, avançando em direção a porta.

– Não olha, a gente caiu no poço... — Resmungou Eren, não vendo razão pra tanto estresse.

– Disse alguma coisa, pirralho? — O moreno indagou em um tom ameçador.

– Ele só reclamou do frio Levi, estamos congelando aqui. — Falou Erwin tentando abrir o trinco com o pé, mas o Heichou abriu a porta pra eles, entrando os três na cozinha onde apenas Hanji preparava um café.

– Boa noite pess... Nossa... Conheço gente que morreria por uma foto de vocês dois assim. — Adicionou brincalhona, reparando no quanto a roupa molhada marcava quase que pecaminosamente o corpo dos dois.

– Eu sei de alguém que vai morrer se não ficar calada... — Retrucou Levi esquentando alguma coisa no fogão. — Eren, seu pé está vaporizando, que merda foi essa? — Perguntou fitando o menor que se sentava na pequena mesa do lugar ao lado de Erwin enquanto Hanji havia ido buscar algumas toalhas.

– Tropecei. — Respondeu no automático.

– E eu nasci ontem pirralho. — Devolveu pegando uma faca e atirando na mesa, de forma que ela ficou enterrada na madeira, a poucos centímetros do garoto. — Vou te dar uma segunda chance.

– Ai se não for a resposta que você quer, vai fazer o quê? Jogar um machado agora? — Irritou-se Eren. Não via realmente um motivo para tanta raiva. Não foi o próprio Heichou que o havia colocado em um castigo que provavelmente tomaria o dia todo? O que era isso agora? Não haviam voltado tão tarde.

– Vou me certificar que o machado acerte. — Devolveu o moreno em um tom homicida.

– Vai em frente. — Devolveu o garoto sem desviar o olhar.

"Quem diabos estava assustado segundos atrás?" Erwin levantou uma sobrancelha, Eren parecia mudar de personalidade quando se irritava.

– Chega, vocês dois! — Erwin e Hanji falaram quase ao mesmo tempo, fazendo os dois suspirarem e desviarem o olhar.

– Céus! Parecem crianças! — Exclamou a Tenente trazendo as toalhas, e logo começando a enxugar o cabelo de um Eren amuado. — Relevem, ele está assim desde depois do almoço, foi um dia realmente complicado, até eu me estressei, mas no fim deu tudo certo. — Sorriu vitoriosa para o Comandante, e Levi apenas revirou os olhos, servindo duas tigelas de sopa quente para Erwin e Eren.

O loiro sorriu discretamente para o menor. Por mais irritadiço e mal humorado que fosse, Levi se importava, de coração, e pela cara de bobo apaixonado do Eren, ele não era o único a perceber esse lado mais suave e sempre tão bem escondido do baixinho endemoniado.

– Então, de quem foi a ideia genial de pular no lago e voltar mais parecendo cães de rua molhados? Tenha vergonha na cara Erwin, você é o Comandante. — Ralhou o Heichou sentando-se na mesa também, lançando o olhar feio para a Hanji que sorria estranhamente.

– A culpa foi minha Heichou, eu me afoguei meio que sem querer... E o Erwin-san me salvou. — Eren se pronunciou e Levi quase se engasgou com o café que tomava.

– Erwin, você deixou essa coisa que não consegue andar e assobiar ao mesmo tempo sem levar um tombo entrar só no lago? — A aura negra do menor ficou mais densa.

– Deixei, e se você visse o que eu vi, também teria deixado. — Sorriu de canto desconcertando o moreno e ouvindo a risada quase histérica de Hanji.

– Mas a culpa foi minha! Eu que saí correndo, tava um calor dos infernos. — Justificou o garoto, sendo puxado pela Tenente para um abraço apertado.

– Tão fofo meu filhoteeeee! — Exclamou quase sufocando o menino que não reclamou, até gostava desse carinho meio atrapalhado da mulher.

E foi assim, que chegamos ao momento inicial:

– MAS SERÁ QUE VOCÊ DOIS TEM MERDA NA CABEÇA?! — Levi gritou em alto e bom som, fazendo Erwin associá-lo a uma dona de casa surtada e se controlar para não rir.

– Levi tem razão, eu mesma quase morri lá. — Ralhou a castanha, se pondo ao lado do melhor amigo. — Como está se sentindo Eren? — Indagou preocupada, acariciando o rosto do garoto.

– Ah, já estou bem agora. — Respondeu com um brilho novo no olhar, que fez a Tenente se derreter por completo, mas não amoleceu.

– Nem pense em voltar lá sozinho, me ouviu? Você escapou dessa vez, mas isso não garante a próxima. — Falou séria e Eren confirmou obedientemente com a cabeça.

– E lembre-se que se você morrer, eu te trago de volta e te mato pirralho. — Resmungou o Heichou fuzilando-o com o olhar. — E mais responsabilidade Erwin, não pense que vou agradecê-lo quando foi sua ideia que o colocou nessa situação, sem contar que se colocou em risco também. — Concluiu tomando um gole de seu café, parecendo mais calmo, e estranhando o silêncio.

Olhou pra frente encontrando três pares de olhos o encarando fixamente.

– Que é? — Indagou mal humorado.

– Levi-chan é tão fofo preocupado... — Hanji murmurou com um sorriso besta e o ar dentro da cozinha ficou mais pesado.

– Repita isso quatro-olhos de merda e eu juro que... — Quase rosnou agarrando a faca que estava cravada na mesa.

– Levi-chan? Levi-chan vamos com calma... — Murmurou se afastando cuidadosamente.

– Eu vou te degolar filha de uma... — Levi saiu atrás da mulher com fogo nos olhos.

– Socoooorrooo! Tem um anão querendo me matar! Chibi assassino! — Ria enquanto subia as escadas rapidamente, adorava irritar o outro.

Enquanto isso Erwin e Eren ficavam na cozinha encarando a porta por onde os dois sairam correndo instantes atrás.

– Me pergunto se pavio curto tem algo a ver com a altura... — Comentou Eren voltando a comer sua sopa, fazendo o Comandante rir.

– Ótima teoria. — O loiro concordou com um meio sorriso, lembrando-se do caos que era a Tropa quando entrou, e de como agora, parecia mais uma grande e atrapalhada família do que qualquer outra coisa.

. . . . . . . . . . .

Já era bem tarde da noite e Eren não sabia por que diabos ainda estava andando por ai.

Havia perdido o sono, se levantou e não viu o Heichou ao seu lado, e então lembrou-se de Mikasa e resolveu ir atrás dela.

Pois é, já estava virando rotina ele o Heichou dormirem na mesma cama.

Mas fazer o quê se ambos se sentiam melhor assim?

No meio do caminho, lembrou-se que Mikasa dormia no dormitório das meninas. MeninaS. Não podia simplesmente entrar lá no meio da noite. Sem falar que corria o risco de tomar um surra da Ymir.

Respirou profundamente, andando sem rumo pelos corredores escuros e sombrios.

Gostava daquilo, combinava com o estado atual da sua mente, e era um bom cenário para pensar nas coisas.

Lembrou-se do afogamento, de como tinha desejado viver tão intensamente. Pensava que esse lado seu havia morrido.

Há muito que você ainda não sabe de si mesmo...

Ouviu aquela voz de novo na sua cabeça, mas resolveu ignorar. Sempre que a escutava, dava merda. Já estava se habituando, desde aquele último dia preso, sentia que havia algo se escondendo naquela parte escura da sua mente... Aquela parte que sempre deixava bem distante da sua consciência, mas que parecia estar aprendendo a fazer o mesmo com ele.

Ouviu uns barulhos estranhos... Parecia vir de um corredor próximo.

" Será que alguém está passando mal ou algo assim?" Indagou para si mesmo, acelerado os passos, ouvindo o que parecia uma respiração descompassada cada vez mais próximo.

Parou de andar um segundo, ouvindo mais de uma voz. E pareciam bem familiares.

Seus passos diminuiram a velocidade, avançado lenta e tão silenciosamente quanto um gato. Seu corpo se colou a parede, misturando-se com as sombras do lugar, e assim caminhava sentindo a própria respiração sendo refletida pela parede fria... Até que chegou a entrada daquele corredor. Um som mais alto se fez presente e logo reconheceu aquela voz rouca e arrastada.

Era o Heichou.

Se posicionou de modo a não ser visto, e espiou brevemente pelo canto da parede, mal acreditando no que via.

Naquele corredor, havia uma mesa, e Levi estava sentado nela, a camisa totalmente desabotoada, mostrando a pele pálida e arrepiada, com algumas marcas vermelhas principalmente na zona dos mamilos, os músculos fortes e definidos se contraindo e relaxando a cada respiração errante. Seu rosto se encontrava um tanto corado e sua respiração ofegante.

E no meio das suas pernas, com as mãos apertando aquelas coxas fartas, estava Erwin Smith.

Notas finais
Pois é... Podem ter certeza que as coisas vão esquentar no próximo cap... Aí vai uma prévia do que vem por aí: "Os olhos verdes não sabiam se focavam nas mãos do Heichou, que percorriam as costas fortes e viris, para depois subirem pelo abdômen rígido, ou nas mãos enormes do Comandante que deslizavam por baixo das coxas deliciosas do moreno, subindo e invadindo a sua calça... "Ok, já chega!" - - - - Enquanto isso, Eren ouvia os passos se afastarem e o seu corpo voltando gradativamente ao seu controle. Moveu primeiro as pontas dos dedos, depois as mãos e pés, até que conseguiu se mover totalmente e se sentou na banheira, sentindo o corpo tremer e uma sensação de relaxamento que nunca havia provado. Relaxamento que logo deu lugar a um sentimento estranho que apertava ainda mais seu coração. - O que foi que eu fiz...? - - - - Então, o que acharam? Espero realmente que tenham gostado e queria muito saber a opinião de vocês. MUITO obrigada mais uma vez a quem continua acompanhando :3 Até o próximo o/ Kissus