Beast
9 Aquela noite - Erwin
*Notas aqui por que o nyah! fica cortando.*
Oi gente ~! *surgindo dos mortos*
Realmente me perdoem pela demora, espero que não tenha ficado muito bravas comigo, mas é que é final de semestre (ou seja, trabalho, seminário e prova toda semana), eu estudo dois turnose nem sei mais o que é dormir, então fiquei com medo de estragar o capítulo por estar muito cansada.
Mas em compensação... Escrevi esse com 11.068 palavras (se meu tempo der, sempre vou fazer desse tamanho), só que uma amiga minha lê pelo cel e me disse que não consegue ler capítulos muito grandes por que o celular não carrega a página toda, por isso dividi em três, cada um narrado principalmente por um dos nossos lindos ♥
Espero sinceramente que gostem, e muito obrigada MESMO a todos que acompanham! KISSUS :3
– Aquela Noite (Erwin)– — — -
O Comandante ouviu três batidas na porta, e pelo horário, logo soube que não seria outra pessoa.
– Pode entrar, Eren. — Falou tirando os papéis de cima da mesa e jogando de qualquer jeitona gaveta, depois arrumaria aquilo, no momento, não queria nada atrapalhando sua conversa com o garoto.
Logo que o menor entrou, os olhos cor de céu se fixaram na sua figura, absorvendo cada mínima característica que podia, como os cabelos molhados do banho, as gotas de água que desciam pelo pescoço, contornando as marcas arroxeadas que o Heichou havia deixado mais cedo, os passos calculadamente tranquilos, o modo como seus olhos brilhavam de forma hipnótica á luz dos candelabros...
– Erwin-san... Eu quero negociar. – Falou em um tom frio, porém seguro, parando de frente a mesa onde o homem loiro trabalhava.
– Pois bem... – O sorriso do comandante parecia possuir mil significados. – Venha aqui, Eren, e diga-me mais sobre isso. – Falou puxando uma cadeira para o seu lado, e logo Eren deu a volta na mesa, encarando o maior de frente.
– Você está escondendo informações importantes do Heichou... E eu quero saber o motivo. – Ditou sem desviar os orbes que tinham a cor de uma floresta extremamente verde que parecia queimar quando refletiam a chama das velas.
O sorriso de Erwin se alargou minimamente ao observar a segurança do rapaz.
Por um segundo, viu ali a imagem da Hanji depois que perdeu a família. Quando decidiu que queria estar na frente de batalha.
Assim como ela naquela noite, Eren também tinha abandonado por completo um sentimento puramente instintivo, mas que manteve a espécie humana viva até agora... O medo por si mesmo.
Não que o garoto alguma vez tivesse tido algum senso de autopreservação especialmente notável, mas dessa vez era diferente. Não agia com o intuito de derrotar alguma coisa... Se dedicava a manter. Ultrapassaria qualquer limite para proteger seu superior.
Era fato que, a cada dia que passava, o Jaeger lembrava cada vez menos aquele garoto ingênuo e idealista de antes. Havia sentido na pele o horror provocado pelo lado mais asqueroso do ser humano, havia absorvido mais do que deveria daquele horror, e agora, parecia estar aprendendo a usá-lo a seu favor.
Eren estava se tornando um garoto malvado. E Erwin não conseguia distinguir se essa era uma coisa boa ou ruim.
“ Por enquanto, vou me contentar em pensar que me parece bastante sexy.”
– Você sabe que eu posso simplesmente te obrigar a falar, não sabe? – Desafiou apoiando um cotovelo na mesa, observando a reação do garoto a sua frente.
– Na verdade, o senhor não pode me obrigar a nada. – Respondeu direto, surpreendendo verdadeiramente o Comandante. Não era a toa que Erwin precisava confiar no acaso quando se tratava de traçar algum plano onde o garoto estivesse incluído, afinal, Eren parecia possuir o dom da imprevisibilidade.
– Não posso?
– O que você poderia fazer? Me torturar? Já me acostumei com isso. Ameaçar a Mikasa? Duvido que o senhor tocasse um dedo no soldado que, sozinho, vale por cem. O Armin? Também duvido muito, a Tropa precisa dele. – Os olhos do Jaeger estavam perigosamente escuros, e se mantinham fixos nos azuis que só transmitiam tranquilidade.
– Eu poderia ameaçar te devolver para a PM. – Afirmou sério, vendo um calafrio percorrer o corpo do garoto que, mesmo assim, se manteve impassível. – Ou... Posso penalizar Levi pela sua insubordinação.
Os olhos cor de esmeralda escureceram por completo ao ouvir a última parte. Suas íris pareciam feitas de aço verde, e absorviam qualquer ponto de luz próximo. O que o Comandante via nos olhos do menor era a mais densa, selvagem e irrefreável ira.
O que lhe lembrava a fúria gélida de um certo par do olhos cinzentos quando os encontrou pela primeira vez e praticamente arrastou o seu dono para a Tropa de Exploração.
– Mas o Heichou não tem nada a ver com isso! A culpa é minha. – Se exaltou, quase levantando da cadeira.
Podia parecer maldoso, mas Erwin realmente se divertia provocando diferentes reações no Jaeger. Simplesmente achava a coisa mais adorável que já havia visto quando o garoto estava no seu estado mais revoltado de ser (claro, que quando estava consciente e não precisava ser amarrado), ou quando estava assustado, e principalmente quando sorria, ou olhava distraidamente para céu...
– Então preferiria voltar para a PM a ver o Levi recebendo uma punição? – O tom do loiro era levemente malicioso, mas o garoto não percebeu, estava imerso em seus próprios pensamentos e um pouco em choque pela forma como aquela resposta chegou tão rápida, sendo transmitida do seu coração para sua mente.
Apenas de observar o modo como o menor corou intensamente e de uma hora para hora ficou completamente desconcertado, Erwin já tinha aquela questão mais do que respondida.
– Eren, você não... – Ia explicar que só extava se divertindo as custas do menor quando este o interrompeu bruscamente.
– Tentaram matar vocês dois! – Seu tom era desesperado. De certa forma, o garoto tentava trazer á tona a gravidade da situação.
– Eu sei di...
– O primeiro alvo foi o Heichou. – Falou em um tom quase desvairado. – Ele teria levado um tiro no meio da testa, e logo em seguida seria o senhor! E como isso aconteceu? Por que simplesmente não sabiam que estavam sendo atacados! – Fechava as mãos em punhos, se controlando para não explodir.
Só, e somente ele, sabia do pavor que sentiu quando viu os homens da Polícia Militar escondidos na floresta apontando armas para o Comandante e o Heichou. O homem que tinha Levi na mira disparou primeiro, e Eren, por sorte, pode deter o tiro a tempo usando sua forma de titã.
Seu sangue havia congelado por um segundo.
Enquanto esteve preso, viu todas as pessoas importantes para si morrendo diante de seus olhos, e mesmo que fossem alucinações e boatos, sua dor foi bem real. Por isso, agora que tinha todas elas vivas e bem, faria de tudo para protegê-las.
– Eren, eu só estava...
– Tem ideia do quão vulnerável você o deixa dessa forma?! Eu tenho certeza que o Heichou pode tomar conta de si mesmo, não estou contestando isso, mas é idiotice esconder algo tão importante, como o perigo que ele corre até mesmo andando por ai, já que a PM agora está invadindo o território da Tropa e...
Foi interrompido por um par de braços fortes e firmes que o puxaram bruscamente para um abraço aconchegante, mas também sufocante. Era uma forma eficiente de fazê-lo se acalmar e calar a boca ao mesmo tempo. Havia aprendido bem com a Hanji como uma dose de calor humano podia ser eficiente para os nervos exaltados do Jaeger.
– Eren... Não posso te responder, se você não me deixa falar. – Falou calmamente, sentindo como o peito do garoto subia e descia rapidamente. Havia ficado realmente nervoso.
– Erwin-san... – Iria recomeçar a falar, mas o maior o apertou com mais força, indicando que ficasse quieto.
– Me ouça. Eu nunca, entendeu? Nunca... Jamais te mandaria de volta para a Polícia Militar. Pelo que depender de mim, você nunca mais vai precisar olhar para nenhum daqueles... – Respirou fundo, procurando se acalmar, afinal, também havia lido aqueles diários, e nada em toda a sua experiência de vida havia o preparado para tanta crueldade. – Enfim, e eu também não vou punir ninguém, até por que você não precisa me desobedecer e nem negociar nada. – Continuou, acarinhando os cabelos castanhos sem nem se dar conta do que fazia.
– Mas eu...
– Eren, se quer saber o motivo, só precisa perguntar. Eu não vou te negar uma resposta, ainda mais quando eu sei que você só está preocupado com o seu Heichou. – Mesmo na penumbra, pode ver claramente o rosto do menor corar intensamente com a palavra “seu”.
– O-obrigado. – Falou timidamente, talvez finalmente se dando conta que ainda estava preso naquele abraço, e que não tinha tanta vontade assim de sair. – Er... Eu posso saber agora, então? – Indagou um tanto sem graça, mas terrivelmente curioso ainda, o que o loiro achava incrivelmente adorável. Não se surpreendia como Levi havia caído de quatro pelo garoto, era perfeitamente justificável.
– Eren... Já pensou que talvez o alvo seja você? – Falou virando o rosto do menor na sua direção, encarado sua expressão totalmente pasma.
– Uh?
– Pense bem, se matassem o Levi, garantiriam que você não teria controle de si mesmo, e arrumariam uma forma de te sedar e te levar, e me matando, poderiam fazer isso sem nenhum empecilho e ainda desestabilizar a Tropa. – Explicou arrumando melhor o menino em seu colo e afrouxando um pouco o abraço, deixando o menor mais a vontade, mas este parecia pensativo demais para buscar sair dali.
Ou talvez apenas se sentisse mais confortável na presença do Comandante do que admitia para si mesmo.
– Mas... E como isso tem a ver com o Heichou? – Indagou com o indicador tocando o lábio inferior em uma pose inconscientemente tentadora.
“ Esse garoto...”
Fazia realmente muito tempo que Erwin não se interessava por ninguém... Além de Levi. E agora, estar com Eren lhe fazia sentir uma confusão de coisas que o assustavam e encantavam ao mesmo tempo. E estava decidido a não lutar contra elas.
– Acha mesmo que Levi se manteria quieto sabendo disso? – Comentou com um sorriso de canto. – Vou te dizer uma coisa que talvez você não saiba sobre ele, mas logo vai aprender. – Começou a falar em um tom sussurrado ao perceber que Eren se aproximava mais para ouvir. – Levi é um homem que tem o perfeito controle das suas ações, mas isso não quer dizer que ele não tenha sentimentos. E aquele lá quando se irrita... Não é que ele perca o controle, é só que ele perde totalmente a vontade de se controlar. Me entende?
– E... Você não quer que ele faça nada que esteja fora do seu planejamento. – Concluiu Eren em um tom gélido, os orbes verdes fuzilando os azulados.
– Eu preciso que ele não faça. – Suspirou profundamente. – Confie em mim Eren, eu me preocupo com ele tanto quanto você. – Fez um cafuné caloroso nos cabelos rebeldes do garoto que tinha as bochechas novamente rosadas. – Prometo cuidar dele, dou minha palavra. Está bem assim?
– V-Vou confiar no senhor. – Respondeu o menor ainda um pouco emburrado, mas visivelmente mais aliviado.
– Seu Comandante não vai te decepcionar. – O mais velho usou um de seus clássicos sorrisos sedutores que diluiam qualquer mal humor (e salvavam sua vida algumas vezes), se distraindo em afastar algumas mechas de cabelo dos olhos no menino.
– Erwin-san... O que foi isso? – Eren indagou inocentemente, tocando a ponta do dedo delicadamente no lábio do maior, contornando brevemente os lábios bem desenhados, parando na falha quase imperceptível, que era um pequeno corte.
O toque suave e cuidadoso era algo totalmente diferente do que Erwin já tinha sentido na sua pele. E aquilo mexeu com o seu interior de forma inédita. O loiro já tinha tido alguns relacionamentos, não muitos, já que sua dedicação era inteiramente para a Tropa, só tinha se envolvido com algumas mulheres – coisa de uma ou duas noites no máximo– e com Levi, com quem estava há anos.
Não que não fosse carinhoso com Levi, mas era que o menor odiava esse tipo de coisa. Não gostava de sutilezas, era do seu próprio temperamento. Não reclamava de alguns beijos sonolentos depois de uma noitada de sexo violento e selvagem, mas se sentia sufocado com mimos, abraços e coisas do gênero. E mesmo sendo um amante apaixonado e apaixonante, não era dado a momentos que julgava muito “melosos”.
Já Eren... Podia ser um garoto brusco e impulsivo, agressivo e até mesmo depressivo ultimamente, mas se olhasse atentamente no fundo daqueles olhos verdes, podia ver o quanto ele se sentia distante de todos, insensível a realidade em que vivia, preso em um pesadelo gélido e cruel dentro da própria mente, e como um toque gentil podia aquecê-lo pelo menos um pouco.
– Isso foi... – Começou meio abobalhado, mas logo se recuperando. – Fui pego desprevenido. – Suspirou. – Por alguém tão pequeno que eu nunca imaginei que fosse alcançar meu rosto. – Desabafou, sentindo o garoto tremer em seu colo tentando segurar o riso... O que não durou muito.
Não conseguiu acompanhar a risada do menor até por que a visão daquele sorriso que nunca havia visto fora um baque realmente forte para o Comandante.
Tinha visto um sorriso parecido quando o viu depois do julgamento, logo quando aceitou na Tropa de Exploração. Um sorriso contido, mas luminoso. Depois dai, havia visto alguns sorrisos confiantes que ele direcionava a Armin, para encorajar o loirinho, os sorrisos falsos, desde que voltou da prisão, e os insanos, que se desenhavam em seu rosto quando perdia o controle de si mesmo, e fazia o maior temer o que se passava na cabeça do garoto naquele momento. Mas aquele riso de agora era...
“ Simplesmente encantador.”
– Ele sabe voar, só... Assim para... — Ainda ria com gosto, provavelmente imaginando Levi subindo em algum móvel para discutir com Erwin, o que na sua visão, era uma cena bastante cômica.
Eren bem que gostaria de entender como tudo parecia tão insignificante quando estava na presença, ou até mesmo só pensava, no Heichou. Era como se quando pensasse nele, tudo fosse embora para um lugar escuro da sua mente, e apenas aquele homem de tempestuosos olhos cor de chuva ocupasse sua mente.
O Comandante se encontrava tão entretido com aquela cena tão bela quanto rara que quase teve um sobressalto quando a porta se abriu com um estrondo, dando espaço para um Levi irritado que trazia uma Mikasa amarrada com o próprio cachecol e com uma aura demoníaca.
Por mais que a situação fosse perfeita para terminar em desastre, o clima pesado nem mesmo chegou e se instalar na sala, já que ambos refrearam o que quer que iam dizer ao se deparar com o sorriso, que — infelizmente — logo foi desfeito, do garoto.
Erwin até teria rido da cara de taxo dos dois se não soubesse que deveria ter feito uma igual instantes atrás.
– Eren, o que faz aqui? Eu tinha deixado você na biblioteca. — Levi indagou, se recuperando rapidamente da surpresa como sempre, já Mikasa ainda encarava fixamente o irmão com as bochechas bem vermelhas.
– Eu tinha que dar meu relatório. — Justificou o garoto, naquele tom desprovido de emoções que fez todos na sala sentirem ainda mais falta daquele sorriso ingênuo e puramente divertido que tinham acabado de presenciar.
– Desse jeito? — Apontou para o fato dele e do loiro estarem próximos demais. Afinal, o Comandante ainda tinha os braços em volta do garoto que parecia traquilo em seu colo.
– Eu pensei que ele fosse ter outra crise. Algum problema Levi? — Indagou Erwin provocando o menor, se afastando vagarosamente do garoto.
– Absolutamente nenhum. — Deu de ombros de má vontade. — Eu encontrei essa daqui espiando a sua sala. — Deu um empurrão na garota, fazendo Mikasa dar um passo a frente.
– Eu ouvi a voz do Eren e queria saber se ele estava aqui, só isso. — Justificou a garota finalmente se recompondo. — Esse chibi ai que...
– Conversaremos logo logo, sim Mikasa? — Interrompeu a fala da asiática antes que uma discurssão se iniciasse.
– Eren, já está tarde. — Levi fez um breve aceno de cabeça para o garoto.
– Isso eu percebi. — Respondeu mirando o relógio.
– Então mexa-se idiota! — Virou de costas esperando que o garoto o acompanhasse, mas...
– Não tenho vontade... — O tom de voz monótono, quase entediado, fez o sangue do soldado ferver.
– Quer perder todos os dentes? — Seu tom de voz era cortante, e o olhar mortífero.
– Nem ouse. — Mikasa parecia a ponto de voar no pescoço do homem.
– Vão nascer de novo. — Eren deu de ombros, os olhos fixos no mais baixo, como se... Estivesse assistindo a algo muito interessante.
" Impressão minha, ou eu não sou o único que se diverte com o Levi irritado?" Erwin tinha um sorriso malicioso no rosto. As coisas ficavam mais interessantes a cada dia.
– Não seja imprudente Eren... — O loiro sussurrou, trocando um olhar cúmplice com o garoto.
– Já vou indo... Mas antes, Erwin-san, já leu os registros sobre os primeiros testes com titãs, na parte dos fundos da biblioteca? — Os orbes verdes tinham um brilho astuto.
– Claro que ele já leu pirralho. — Levi quase resmungou, sem paciência. — Vamos logo, ou vou ter que te arrastar?
– São interessantes? — O Comandante indagou, ficando de pé em frente ao garoto.
– Muito. O senhor vai gostar. — Respondeu em um tom sugestivo antes de sair, se despedindo rapidamente de Mikasa antes de seguir Levi até a porta.
– Boa noite Eren... — Falou fixando os olhos no garoto, e depois voltando-os para o homem de olhar impassível. — Boa noite, Levi. — Falou em um tom mais macio.
Haviam trabalhado juntos durante o incidente com a PM, mas isso não significava que o mais baixo ainda não estivesse bravo consigo. Erwin sabia o quanto o Heichou detestava ficar de fora quando se tratavam de informações importantes, e dessa vez havia o agravante de serem referentes ao garoto que era sua responsabilidade ( era muito além disso, mas vamos deixar tais comentários para outra hora).
– Boa noite Erwin. — A voz rouca do moreno pegou o loiro de surpresa.
Os olhos cor de céu encontraram os cor de chuva que estava incrivelmente... Calmos.
Olhou dele para o garoto e logo entendeu o motivo.
– Ah, Eren, antes que eu me esqueça... Obrigado. — Falou para o mais novo que o fitou com uma interrogação no olhar.
– Uh? Pelo quê? — Deitou levemente a cabeça para a esquerda, parecendo um bichinho.
– Um dia você vai perceber. — Suspirou de leve, observando os dois sairem pela porta.
" Sabe Eren, sempre pensei que nunca seria capaz de lidar com o gênio forte do Levi, então nunca tentei fazê-lo se acalmar realmente... Mas seu sorriso fez em segundos o que eu não consegui em anos." Sorriu de canto, lembrando de não pensar nada em voz alta, já que tinha companhia na sala.
Olhou para a oriental que se desamarrava cuidadosamente do cachecol para não danificá-lo e parecia presa em seus próprios pensamentos.
– Quer ajuda? — Se ofereceu, mas ela acenou negativamente com a cabeça, logo terminando de se desamarrar e pondo o cachecol de volta no pescoço.
– Eu realmente não estava espiando o senhor, Comandante. Só ouvi a voz do Eren. — Ela justificou antes que o maior perguntasse algo. — O chib... O Heichou que é ciumento. Só não sei se é com o senhor, ou com o Eren. — Concluiu quase fazendo o loiro se engasgar.
– Como?
– Eu já vi vocês dois se pegando várias vezes. — Ela deu de ombros, andando até onde o maior estava, podendo assim baixar o tom de voz. — Ás vezes eu ia visitar o Eren no porão, sempre que eu sabia que ele estava tendo pesadelos, e eu via vocês dois na biblioteca, no corredor, no jardim... Nunca comentei nada por que não era da minha conta.
Podia não demonstrar, mas... Erwin estava pasmo. Pasmo como raríssimas vezes ficava... Realmente havia subestimado — e muito! — a capacidade de percepção da Ackerman.
– Realmente me pegou de surpresa, devo admitir. — Falou se sentando em uma das cadeiras em frente a sua mesa e indicando a outra para a garota sentar ao seu lado. Pelo visto, não seria uma conversa entre o Comandante e um de seus melhores soldados, seria entre Erwin e Mikasa, simplesmente.
– Ninguém é perfeito. — A oriental deu de ombros, se sentando. — Eu não pretendia ter essaconversa com o senhor agora, mas já que o anã... Digo, o Heichou praticamente me arrastou até aqui, acho que seria o momento apropriado para lhe perguntar uma coisa. — A garota falava com os olhos de um negro profundo e intimidador fixados nos azuis cor de céu.
Erwin vasculhou a propria mente, procurando as palavras perfeitas, afinal, já esperava qual seria a pergunta da Ackerman. Só de contemplar aqueles olhos escuros, podia enxergar a razão para não querê-la como inimiga. Sabia que ela era perfeitamente capaz de arrancar os olhos de um homem com a mesma serenidade que atirava pedrinhas em um lago se a questão envolvesse Eren.
O Comandante jamais poderia tê-la como inimiga, não quando precisava de toda aquela força a seu favor.
– Fique á vontade Mikasa, o que quer saber? — Relaxou na cadeira, mostrando que não tinha nada a temer diante da expressão desconfiada dela.
– Quais são as suas intenções com meu irmão? — Indagou seriamente, e Erwin teve que morder a língua para não rir da situação. Sentia-se um jovem pedindo a mão da amada em casamento para o pai bravo dela.
– Não penso em machucá-lo de forma alguma, se é o que quer saber. — Respondeu encarando-a, como sempre fazia quado queria mostrar que estava sendo sincero.
– Mas não vai tirá-lo do Heichou. — Concluiu mal humorada.
Erwin suspirou, se levantando e se aproximando da garota.
– Mikasa... Eu o machucaria se fizesse isso. — Falou docemente, observando-a fechar as mãos em punhos.
– Mas você não o quer? — Indagou. — Eu sei que sim, dá pra ver o modo como olha pra ele e...
– E o modo como eu sou mais do que apaixonado pelo Levi também, isso você sabe. Não há nenhuma competição pelo Eren aqui Mikasa, não pretendo separar o seu irmão do Levi de forma alguma. — "Não com o trabalho infernal que deu pra juntar os dois!" — E eu sei que você já deve ter percebido, que não é de hoje que...
– O Eren gosta dele. Eu sei. Nem ele sabe, mas todo mundo já notou. — Suspirou parecendo cansada.
– Posso te perguntar uma coisa agora? — Voltou a se sentar, observando-a atentamente.
– Sim senhor.
– Por que odeia tanto o Levi? — Perguntou vendo a garota suspirar longamente mais uma vez.
– Não o odeio, exatamente... Eu realmente quero matá-lo, fatiá-lo e dar o corpo para os cães, mas não é ódio. — Parecia pensativa.
" Imagina se fosse!" Erwin se perguntava o que a Ackerman classificava como ódio então.
– Se fosse antes, é claro que eu ficaria brava com o Eren por correr atrás do cara que trata ele que nem cachorro, mas agora... — Ela abaixou a cabeça, deixando os fios escuros cobrirem seu rosto, e assim o Comandante não pôde ver sua expressão. — Agora eu só tenho medo. Medo de que ele se machuque e não volte mais. Meu Eren quase não voltou da prisão, não quero... Não posso correr o risco de perdê-lo, e eu sei que aquele anão que se acha muito superior para mostrar um pingo de sentimento pelo Eren vai machucá-lo, e vai machucá-lo feio. — Ela respirou fundo algumas vezes, levantando o olhar para o loiro. Os olhos negros queimando nos azuis. — Por isso vim falar com o senhor, eu sei que o Eren escuta você, e sei que o senhor gosta dele pelo menos o suficiente para cuidar para que ele...
– Mikasa. — Interrompeu-a, apoiando a mão no seu ombro. — Eu vou ficar de olho nele sim, e prometo cuidar do seu irmão, não só por que eu devo, mas por que quero. Só que eu preciso que você faça uma coisa.
– O quê?
– Dê um voto de confiança para o Levi. — Ditou mirando o olhar surpreso da garota. — Não vai se arrepender, te garanto.
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