Be your everything (BlackWater)
42 Quarenta e dois
Notas iniciais
Jacob.
Caminhei direto para uma armadilha sem me dar conta até ser tarde demais.
A semana tinha sido calma, depois do almoço na casa de Rachel, Leah havia voltado a se aproximar, mesmo que fossem em doses homeopáticas eu estava feliz, a presença dela, fosse física ou por telefone ajudava a me manter no eixo sem enlouquecer. Além disso, Rachel e Paul estavam empenhados em ser nosso suporte, eles pareciam ter montado uma força tarefa. Paul me ajudava com a matilha e também mantinha meu pai ocupado, levando ele pra cima e pra baixo na Reserva. Rachel mantinha seus olhos atentos em mim, mas também fazia umas visitinhas na casa dos Clearwater sempre que Leah não aparecia, o que era bom, já que Leah não era próxima das outras garotas da tribo a não ser Claire.
Eu estava na oficina cuidando dos reparos de um carro quando o telefone tocou dentro de casa e como Billy estava passando o dia com Rachel precisei correr para atendê-lo. Era Charlie.
-Alo?
-Jake? Oi garoto, é o Charlie. -cumprimentou.
-Oi Charlie. Meu pai não está em casa, está com a Rachel, posso te passar o número da casa dela. -falei.
-Não precisa, só ligando pra avisar que umas coisas que eu havia encomendado pra ele chegaram, estão aqui em casa, porém não vou conseguir levar aí hoje. -explicou.
-Bom, estou livre agora, posso ir pegar. -falei.
-Eu estou indo pra delegacia, mas você sabe onde fica a chave. -respondeu.
-Ok. -concordei.
-Beleza, até mais garoto.
-Tchau, Charlie.
Coloquei o telefone de volta ao gancho e fui até a oficina fechar tudo. Peguei o carro do meu pai e dirigi até a casa de Charlie.
Estacionei na garagem dos Swan e fui até a entrada, onde peguei a chave em baixo de um vaso. A casa estava escura e silenciosa.
-Esse lugar tá fedendo. -reclamei. O cheiro de vampiro impregnado na casa estava fazendo meu nariz arder.
Fui até a cozinha, onde Charlie disse que tinha deixado as duas caixas de Billy, às encontrei em cima da mesa. Empilhei as caixas e estava pronto pra sair quando ouvi um barulho no andar de cima.
-Oi ? -gritei para o vazio, sem resposta.
Soltei as caixas e fui até o corredor quando outro barulho chamou minha atenção. Encarei as escadas nas sombras e subi. A porta do banheiro no segundo andar estava aberta, assim como a porta do quarto de Charlie, apenas o de Bella estava fechado. Me movi em direção a porta fechada, quando fui atacado por trás. Instintivamente me virei no momento exato e agarrei meu adversário, o prendendo na parede.
-Selvagem, gostei.
Encarei Renesmee, que sorria descaradamente mostrando as presas.
-O que tá fazendo aqui? -questionei irritado.
-Ora, é a casa do meu avô, na qual eu tenho livre acesso. -respondeu, piscando os olhos, fingindo inocência.
-Você sabe que a pergunta não foi essa. -retruquei, o meu autocontrole aos poucos estava escorregando por entre meus dedos.
-Não sei você, mas eu aproveito uma oportunidade quando vejo uma. -falou debochada.
Nos encaramos.
-Você pretende me soltar em algum momento? Não que eu esteja reclamando. -provocou.
As palavras de Renesmee foram como choque, a adrenalina rapidamente dominando minhas veias. Meu corpo se deu conta do contato dos meus dedos em sua pele, nem tão quente e nem tão gelada, perigosamente agradável…
-Jacob? -chamou, me trazendo de volta a realidade. Eu estava encarando minhas mãos ao redor de seus braços, que eu ainda prendia na parede. A olhei, meu cérebro começando a derreter.
-Você não sentiu meu cheiro ou percebeu minha presença antes de eu me aproximar. -apontou.
-Você me atacou. -acusei. -Eu estava prendendo a respiração e não estava com os sentidos aguçados, porque esse lugar fede. -respondi, ela abriu um sorriso ainda maior.
-Meus pais e tia Alice estão reformando o quarto de minha mãe pra mim, já que eu sempre venho pra cá. -explicou.
-Aqui já era o point dos vampiros antes mesmo de você chegar. -resmunguei, ela riu.
-Vocês lobos também não ficam muito atrás, sei que você era bastante presente quando minha mãe morava aqui e Seth ainda vem bastante pra cá, com Sue. -falou. Então se aproximou o rosto a centímetros do meu. -Na minha opinião, acho que você poderia frequentar mais esse lugar, seu cheiro seria perfeito aqui.
Meu cérebro ficou de joelhos. Minha boca atacou a de Renesmee que respondeu avidamente. Senti suas mãos em minhas costas e depois explorando meu cabelo. Sua pele era macia, mas não tanto. Seu cheiro, sua pele, suas presas, nada daquilo me incomodou, o imprinting parecia ignorar cada traço dela que pudesse me causar desconforto.
Ergui Renesmee em meu colo, meu corpo pressionando o dela contra a parede e ela prontamente se entregou aos meus comandos. Eu queria explorar cada pedacinho dela, mas lá no fundo, uma luzinha começou a acender, me dizendo que havia algo errado. Renesmee se movia conforme a dança, sem apresentar qualquer resistência, sem tentar roubar o controle. Então a imagem de Leah surgiu em minha cabeça, me lembrando de como ela me desafiava em todos os momentos, inclusive na cama.
Meu corpo duelou consigo mesmo. Mas a imagem de Leah começou a crescer dentro de mim, fazendo a corda que apertava meu coração começasse a afrouxar. Renesmee podia ter o DNA que se combinaria perfeitamente com o meu, fazendo com que tivéssemos lobos mais fortes, mas meus instintos não iam se dar por satisfeitos quando já haviam experimentado o paraíso e ele se chamava Leah Clearwater.
Imediatamente me afastei de Renesmee, como se tivesse levado um choque. Acabei sendo um pouco rude ao me afastar abruptamente, mas ela tinha suas habilidades vampíricas, que não a deixaram cair no chão. Ela me encarou, os olhos em chamas.
-O que está fazendo? -reclamou.
-Isso foi um erro, me desculpe. -falei, sincero.
-Isso é por causa da outrazinha lá? Ainda não terminou com ela? -debochou.
-Não terminei e nem pretendo terminar. -respondi. Renesmee inflou as narinas, irritada.
-Já cansei desse joguinho, Jacob. Você é meu e não pode fugir, eu sei de tudo sobre o imprinting. -sei vangloriou.
-Ai que você se engana, você acha que sabe tudo, mas não sabe que eu acabei de vencer as correntes. O imprinting não tem mais nenhum efeito sobre mim. -falei. -Espero que você seja feliz, Renesmee, que encontre alguém verdadeiramente.
Lhe dei as costas e me encaminhei para a escada.
-Jacob! -gritou estridente.
-Espero que você tenha aproveitado, porque isso nunca mais vai acontecer. -apunhalei, lhe dando as costas e descendo as escadas.
-Quero ver você explicar pra Leah o que acabou de acontecer e ela ainda querer alguma coisa com você. Quando ela te rejeitar, estarei te esperando de braços abertos. -declarou.
Senti Renesmee deixando a casa. Voltei a cozinha e peguei as caixas, tranquei a casa e coloquei a chave novamente em seu lugar. Entrei no carro e arranquei da garagem, me distanciando rapidamente daquela casa.
Quando já estava perto da Reserva, mandei uma mensagem pra Charlie, avisando que já havia pego as caixas. Larguei o celular e voltei a me concentrar na estrada. Passei pela minha casa e continuei seguindo, até parar na porta dos Clearwater.
Encarei a porta, começando a pensar que não havia sido uma boa ideia, considerando de onde eu estava vindo. Infelizmente, não tive tempo de voltar atrás, porque no minuto que eu recuei, a porta se abriu e Leah me encarou.
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