Leah.

O cheiro foi a primeira coisa a me atingir, meu nariz crispou com a ardência e eu torci meu rosto.

-Então? -desafiei, cruzando os braços.

Jacob continuava parado feito um dois de paus na minha varanda.

-Leah… eu…

Jacob coçou a cabeça, atordoado. Então respirou fundo e quando abriu os olhos veio num rompante em minha direção, querendo abraçar meu corpo. Meu joelho foi a única parte com que ele teve contato, quando eu chutei suas bolas. Jacob caiu no chão, ganindo e eu recuei.

-Nem pense em chegar perto de mim com esse cheiro de merda. -ameacei.

-Péssima ideia. -gemeu em posição fetal.

-Você é, no mínimo, muito burro de ter vindo até aqui com esse cheiro. Que foi? Seu bichinho mandou você vir chutar minha bunda? -provoquei raivosa. Ele fez uma careta.

-Não, pelo contrário. Eu chutei a bunda do bichinho e vim pegar a sua, mas admito que me precipitei. -retrucou.

Me recostei no batente da porta esperando Jacob começar a fazer sentido. Levou alguns minutos, mas ele se recuperou da minha joelhada e se levantou.

-Merda, eu sei que foi idiota, mas eu só queria vir até você e contar que te escolhi! -falou por fim. Ergui as sobrancelhas.

-Isso foi antes ou depois de vocês se pegarem?

Jacob levou as mãos ao rosto, frustrado.

-Por que você não vai tomar uns vinte banhos e depois volta aqui e conversa de maneira decente comigo? -resmunguei. Ele ergueu os olhos, seu olhar fixo no meu.

-Eu te escolhi, Leah. Pode não ter sido na melhor das situações, mas eu finalmente fiz. -falou sério.

-Tenho certeza que não foi na melhor situação, então na boa, vai tomar um banho, antes que eu arraste sua cara no asfalto e tente tirar esse cheiro eu mesma, eu tenho amor ao meu nariz. -respondi ríspida.

-Tudo bem, eu vou, mas saiba que eu vou voltar. -falou com firmeza. Encarei Jacob, o desafiando silenciosamente. Ele sustentou meu olhar por um momento, então desceu as escadas e entrou no carro.

Não esperei que saísse, simplesmente virei as costas e entrei em casa, batendo a porta.

….

Jacob.

Eu sou um imbecil. Que ideia de merda ter ido atrás de Leah daquele jeito, eu realmente estava cavando minha própria cova, estava me entregando de bandeja pra que ela fizesse o que quisesse comigo e nem seria de um jeito bom.

Já tem pelo menos meia hora que estou no chuveiro esfregando cada canto da minha pele, cada vez mais avermelhada, mas não tenho certeza de que me livrei por completo do cheiro de Renesmee e eu definitivamente não quero correr o risco de irritar Leah ainda mais. Esfrego mais um pouco e resolvo desligar o chuveiro, enrolo uma toalha em minha cintura e vou até a sala.

-Paul, preciso que me faça um favor. -falo, encarando meu cunhado esparramado no sofá.

-Eu não vou ajudar a te secar, cara. -fala sem me olhar. Reviro os olhos.

-Para de ser idiota, só preciso e que você venha me cheirar, mas tem que ser de perto, com o olfato de lobo…

-Mas que diabos é isso? Eu não vou cheirar você! -explode, se levantando do sofá.

-Para de ser fresco e me ajuda! -mando.

-Nem fodendo, Jacob, nem que você use o comando de alfa, não sou um cachorro. -recusa desesperado.

-Vai ser rápido, é só uma cheiradinha. -insisto, me aproximando, enquanto Paul recua.

-Sai fora, Jacob! -exclama ele, reviro os olhos.

-Não seja maricas, Paul. -reclamo.

-Rache, querida, seu irmão está me assediando! -berra Paul, já encostado na parede.

-Deixa de ser dramático, Paul, é só uma ajudinha…

-O que está acontecendo? -pergunta minha irmã, surgindo na sala. Ela cruza os braços e nos encara, esperando uma explicação. Paul aponta o dedo para mim, suspiro.

-Só pedi pra ele usar o olfato de lobo e dar uma cheiradinha em mim. -falo calmamente. Paul joga os braços pro ar.

-E ele fala como se não fosse nada demais. -resmunga.

-E porque você precisa disso, Jacob? -questiona Rachel.

-Argh, é porque eu fiz uma grande besteira mais cedo e estou tentando manter minha cabeça grudada em meu corpo. -respondo. Minha irmã ergue a sobrancelha, desconfiada.

-É Leah ou a sanguessuga mirim que quer a sua morte? -pergunta Paul, dou de ombros.

-Nesse momento, acho que as duas. -falo e ambos me encaram.

-Jacob, quer, por favor, se explicar? De um modo que faça sentido, porque não estou entendendo seus enigmas. -pede minha irmã.

-Charlie ligou de manhã pedindo pra que eu fosse buscar umas caixas de Billy que haviam chegado, terminei meu trabalho e fui até a casa dele. A casa estava vazia, ou ao menos era pra estar, Charlie me avisou que estaria na delegacia, mas que eu podia ir até lá e usar a chave reserva. Quando eu estava pegando as caixas, Renesmee apareceu. Eu cai na armadilha dela. -conto desanimado. -Acontece que eu não fui muito bom em me manter afastado dela e a gente se beijou… Sei que não foi meu melhor momento, mas foi durante o beijo que eu percebi que eu realmente gosto da Leah, foi quando eu consegui me afastar de Renesmee e finalmente por um basta nisso.

-Ok, mas onde entra a parte da Leah querer te matar? Renesmee foi atrás dela e contou? -pergunta Rachel. Faço uma careta.

-Bom… eu tinha tomado minha decisão, finalmente, mas acho que eu não estava com minhas faculdades mentais em pleno funcionamento, porque eu resolvi ir atrás de Leah…

-Puta que pariu! Como você pode ser tão idiota, Jacob? -grita Paul.

-Que? -pergunta Rachel, sem entender.

-O tonto do seu irmão, foi até a Leah logo depois de ter se pegado com a sanguessuguinha. -responde Paul. -Ele estava com o cheiro dela! -completa ele, ao ver que Rachel ainda não havia entendido.

-Oh! -exclama ela, então me encara. -Porra, Jacob, não dá nem pra te defender. Que merda você fez, me admira muito você ainda estar de pé.

-Ok ok, eu já sei que fui burro, não preciso de vocês tripudiando. -reclamo.

-Agora eu entendi… quer saber se ainda está com o cheiro da sanguessuguinha antes de tentar falar com a Leah novamente. -fala Paul, assinto.

-E ela vai querer falar com você? -questiona Rachel.

-Ela me disse pra procurá-la mais tarde, antes de me expulsar da casa dela. -comento.

-Meu Deus, Jacob, que problemão você arrumou. -choraminga minha irmã.

-Ela sabe que vocês se pegaram? -Paul enfia o dedo na ferida, bufo.

-Eu não falei, mas…

-Não precisou, o cheiro e aposto que a sua cara entregaram tudo. -completa Paul por mim, assinto.

-Como você pôde, Jacob? -grita minha irmã, irritada. -Já não basta toda a situação, você ainda foi esfregar na cara da Leah que precisou ter um gostinho pra se decidir? Se eu fosse ela, iria te chutar daqui até a lua.

-Bom, ela ameaçou esfregar minha cara no asfalto. -lembro. -Ah, ela também deu uma joelhada nas minhas bolas. -acrescento.

-Achei foi pouco. -despreza minha irmã. -Sinceramente, não sei como você vai fazer pra consertar isso. Eu sou sua irmã e não sei como te perdoar por essa atitude tão falha, quem dirá a Leah.

-Rache, não estou dizendo que foi certo ou que eu concordo, mas o Jacob lutou contra o imprinting! Ninguém nunca fez isso, não sei nem como ele conseguiu resistir por tanto tempo e ainda vencer. -argumenta Paul.

-Paul Lahote, não ouse defender o indefensável. Jacob errou feio, independente do imprinting ou não, ele tinha um compromisso com outra pessoa! -rebate minha irmã.

-Rachel tem razão. O que fiz, hoje e antes, com toda essa confusão é imperdoável. Não importa que eu não tenha realmente feito de propósito, não vai apagar a mágoa e toda dor que venho infringindo a Leah. -falo sério. Paul assente e se aproxima, então, me pegando de surpresa, ele dá uma grande fungada próximo do meu pescoço.

-Acho que você já tirou todo o cheiro e não, eu não vou cheirar nenhum outro lugar. -fala ele, me fazendo rir.

-Certo, obrigado. -respondo. -Vou me vestir…

Começo a andar pra fora da sala, cabisbaixo.

-Jacob. -chama minha irmã, me fazendo parar e olhar em sua direção. -Não acho que as coisas vão ser simples de resolver, mas, se for possível, lute, por você, por Leah, pelo amor de vocês, porque eu vi como vocês se olham, vi como vocês se encaixam… então, só faça valer a pena.

Assinto. Engulo o choro e caminho até meu quarto, finalmente me vestido e indo encontrar Leah.