Be mine
19 Capítulo 19
9 de Fevereiro
Manhã de segunda-feira
– Bom dia, princesa. — ouvi uma voz ao meu lado e virei-me.
– Ah, oi, Ben. Tudo bem? — falei sorridente e continuei pegando meu material no armário.
– Como foi ontem? — ele perguntou se apoiando de costas no armário ao lado do meu.
– Ontem?
– Ressaca. — ele sorriu.
– Ah, ressaca. Foi péssima. A pior que eu já tive. Não devia ter bebido tanto. — suspirei.
– Eu tentei evitar, mas você ficou com raiva. — ele deu de ombros — Mas já tá melhor, né?
– Tô sim. — terminei de pegar o que precisava e fechei o armário — Dá pra me contar agora o que aconteceu lá?
Ele olhou pra mim e sorriu.
– Claro. Bem, até onde você lembra?
– Até o brinde.
– Sério? — ele perguntou boquiaberto — Nossa, então vamos sentar porque é muita coisa.
Arregalei os olhos.
– Fiz muita merda?
– Olha, pros meus padrões... fez não. Mas não sei o que você vai achar de suas ações. — ele riu um pouco — Bora pra sua sala.
Caminhamos pelo corredor até chegar nas escadas e então subimos. A minha sala de aula ainda estava vazia. Sentei em meu lugar habitual e Ben sentou à minha frente.
– Então, — ele sentou de lado — acho que a coisa mais interessante que aconteceu foi que você ficou com um cara.
Meu queixo foi até o chão.
– Fecha a boca senão entra mosca. — ele disse rindo e levantando meu queixo.
– Ai. Meu. Deus. Quem era ele? — perguntei nervosa — Era aluno daqui?
– Claro. Só tinha aluno lá. Olha, tenho certeza que você não sabe quem é porque ele é do quarto ano, mas o nome dele é Jayden. — ele disse indiferente.
– Jayden?! — arregalei os olhos mais ainda, se é que era possível — Jayden McKee?
– Aham. Como é que você sabe?
– Céus! Ele é primo da amiga do meu irmão. — falei — Eu soube da existência dele sábado a noite, quando estive com ela.
– Sério? Que coincidência. Bom, vocês dois estavam bêbados, mas o Jayden vive bêbado então não será surpresa alguma se ele lembrar de você.
Gelei. Ouvi Oliver dizer que ele é um babaca e agora escuto que é um bêbado?! Caramba, Ana!
– Ai Ben, por que você deixou? — apoiei meus braços na mesa e enterrei meu rosto neles — Minha vida social acabou. Vou ficar conhecida como a piranha do colégio.
Ben riu abertamente.
– Ana, francamente, com um monte de gente transando no andar de cima, você acha mesmo que as pessoas vão te considerar piranha por ter dado uns amassos no cara? Eles vão é te considerar puritana!
– Ah, então só ficamos mesmo né? Nada mais. — levantei meu rosto para olhá-lo.
– Não sei, né. Eu não tava lá. — ele disse e eu resolvi deixar pra lá. Acho que eu saberia se tivesse feito.
– O cara pelo menos é bonito?
– Sei lá, porra. Tenho cara de quem acha outro homem bonito? — ele perguntou indignado.
– Calma, só perguntei. Quê mais?
– Você começou a ficar com ele depois do terceiro coquetel e aí passou o resto do tempo com ele até que começou a se sentir mal e me procurou. — ele disse — Você disse que tava tonta e precisava deitar, então eu te levei pro andar de cima e te coloquei em uma cama. Depois de não muito tempo, seu irmão chegou furioso. Ele até me chamou de moleque inconsequente, mas eu não fiz nada com você, Ana. Eu juro!
– Eu acredito em você. — segurei no ombro dele — Obrigada. Não sei o que seria de mim agora se eu tivesse desmaiado no meio da pista e meu irmão tivesse me encontrado assim. Talvez eu não estaria aqui.
Ele riu um pouco.
– Ah, quê isso. Você é levezinha. Parece uma pena. Precisa comer mais.
Foi minha vez de rir.
– Tá bom. Esse foi um resumo sobre mim, né? Agora quero saber de você. Como foi a festa?
– Não aconteceu nada interessante comigo, mas com o Kasper... Acho que ele superou a Lily. Ele levou uma menina pro andar de cima. — ele disse orgulhoso do amigo.
– E daí? Você também e não aconteceu nada. — levantei uma sobrancelha.
– Foram circunstâncias diferentes, ok? — ele riu.
– Ok. Quem é Lily?
– A ex dele. Eles terminaram não tem muito tempo. Foi nas férias, na verdade. Não sei muito o que aconteceu, mas sei que ela nem olha na cara dele. — ele disse indiferente — O que importa é que o meu amigo tá seguindo em frente.
– Hm, que bom.
Ouvimos o sinal tocar e ele levantou num salto, assustando uns dois alunos que já estavam ali conosco.
– Caramba, não vi o tempo passar. — ele disse apressado — É química agora, sabe como é. Melhor eu ir andando. Ou melhor, correndo.
– Tudo bem. — sorri.
– Te vejo no almoço. — ele beijou minha testa e saiu correndo, desviando de alguns alunos que entravam. Ben parece o Rodrigo. Ah, que saudade dele.
O primeiro tempo era física. Tive duas aulas com ele semana passada e já percebi que ele é muito severo, como o professor de química. Que ótimo.
– Bom dia. — ele disse ao entrar na sala, fazendo todos se calarem. Alguns poucos responderam — Não vou corrigir a revisão hoje porque tenho que começar logo o assunto. As provas da fase final do campeonato serão em Setembro, portanto temos pouco tempo. Então, abram os livros na página catorze e destaquem uma folha porque já farão uma pequena atividade.
Na minha antiga escola, com certeza meus colegas teriam reclamado, mas aqui ninguém disse nada.
Tivemos uma aula bastante produtiva, na verdade. O conteúdo, embora um tanto extenso, não foi muito complicado de entender e a atividade só tinha cinco questões. Ele é severo, mas é justo.
Terminei minha atividade e me levantei, já pronta para entregá-la. Enquanto andava entre as fileiras, deixei que a folha caísse sem querer. Uma menina juntou-a para mim. Uma menina familiar.
– Acho que você devia revisar a questão quatro antes de entregar. — ela disse olhando o papel — O Sr. Richards é bem chato quando se trata de exercícios.
Estendeu a folha pra mim com um sorriso simples, porém simpático.
– Ah, obrigada. — respondi pegando o papel e já me direcionando de volta para minha carteira.
– Seu nome é Ana, certo? — ela perguntou antes de eu começar a andar.
– Sim. — respondi um pouco sem graça por não saber o dela — E você é a...?
– Daisy. É um prazer te conhecer. Sei que você veio de outro país, então qualquer dúvida em relação a alguma matéria, é só perguntar.
– Muito obrigada. O prazer é todo meu. — respondi contente ao saber daquilo e voltei para o meu lugar. Daisy... Esse nome não é estranho. Ah, claro! A amiga do Ben. Falando nisso, não vi Kasper hoje.
Daisy senta na segunda cadeira da fileira ao lado da minha, então não tive como conversar muito com ela. Fiquei no meu canto prestando atenção nas aulas até que senti minha barriga roncar. Olhei meu relógio e faltavam apenas quinze minutos para dar meio dia.
A aula de biologia estava bastante dinâmica quando o sinal tocou. Todos se levantaram e então o professor passou a tarefa pra casa. Outra de duas páginas.
Peguei meu celular e tirei foto do quadro, com preguiça demais pra anotar a tarefa. Saí da sala distraída olhando pro celular e uma pessoa pulou na minha frente, me assustando e me fazendo dar um grito curto, porém alto o suficiente para que os poucos alunos no corredor me olhassem. Ben começou a rir loucamente.
– Seu idiota. — eu disse inconformada e envergonhada. Ele riu ainda mais.
– Desculpa, Ana. Eu não pude me controlar. — ele disse ainda rindo um pouco.
– Seu idiota. — repeti no mesmo tom.
– Santini, Daniels, Hudson, tá tudo bem aqui? — o professor de biologia perguntou e só então percebi que Daisy estava conosco.
– Tá sim, professor. — ela disse — É só o Ben sendo o Ben.
– Daniels, espero que não tenhamos muitos problemas esse ano, ok? Você tem que me ajudar a te ajudar. — ele disse sério e Ben assentiu sério também — Bem, bom almoço pra vocês. — ele disse antes de nos deixar sozinhos.
– Nossa, não sabia que ele podia ser tão sério. — comentei — Você fez alguma coisa ano passado, Ben?
– Nada demais. — ele revirou os olhos.
– Nada demais? Você quase foi expulso. Foi por causa do professor Nelson que você conseguiu ficar. — Daisy disse indignada.
– Foi um acidente, Daisy. Quantas vezes vou ter que dizer? — ele disse chateado também.
– Acidente ou não, foi uma burrada e você tem que admitir.
– Tá bom, tá bom. Foi uma burrada. Contente?
– Não. Eu ficaria contente se você não tivesse feito o que fez.
– Foi um acidente! — ele levantou o tom de voz com raiva.
– Não importa! — Daisy levantou o tom de voz também — Se você não...
– Gente! — falei alto e os dois me olharam — Não sei o que aconteceu, mas o que tá feito, tá feito. Não dá mais pra mudar. Discutir é inútil.
Os dois se olharam e Ben suspirou.
– Vamos almoçar e esquecer esse assunto, ok? — ele disse olhando para Daisy, que não respondeu nada — Ok?!
– Ok! — ela falou — Vamos.
Segui os dois até o refeitório e lá vi Ryan sentado em uma mesa com outros alunos do quarto ano, imagino. Um deles ficou me olhando, mas ignorei.
– Acho que agora a impressão que você tem de mim é que eu sou a chata do grupo. — Daisy disse enquanto servíamos nossa bandeja.
– O quê? Claro que não. — falei sincera — Pelo pouco que vi do Ben, acredito no que você disse. Sobre a burrada e tal.
– Eu estudo com o Ben há muito tempo, sabe? Desde a quinta série. Ele é muito... inconsequente. A minha vida é limpar a bagunça dele.
– Hm... — eu não sabia o que pensar a respeito daquela informação.
– Ah, sei o que você tá pensando. — ela disse — Ele não é uma pessoa ruim, tá legal? Muito longe disso. Ele é um dos meus melhores amigos, senão O melhor.
– Não, não. Eu entendi. Eu tinha uma amiga meio louca. Ela também fazia umas merdas de vez em quando e eu que consertava tudo.
– Como assim "tinha"? Vocês não se falam mais? — ela perguntou em sua inocência.
– Ela... Ela morreu há dois meses. — falei pegando minha bandeja e saindo da cantina. Daisy veio logo atrás. Fomos para a mesa em que Ben já estava sentado sozinho e ficamos lá.
– Eu sinto muito, Ana. — ela disse com real preocupação em seu tom de voz e Ben nos olhou curioso.
– Tudo bem. — dei o assunto por encerrado e começamos a comer. Não deu muito tempo e Ryan sentou conosco. Ele sentou ao lado de Daisy, de frente para mim e Ben.
– E aí, povo? — ele disse sorrindo — Como vocês estão?
– Ótimos. — Daisy respondeu — Menos a Ana, que tá com o coração acelerado até agora.
Olhei para ela confusa e então entendi que ela estava falando do susto.
– Falando no coração acelerado da Ana... Ryan, cadê o Jayden? — Ben disse com uma cara de quem estava pra aprontar. Gelei na hora e pisei em seu pé embaixo da mesa, mas ele nem se mexeu.
– Tá lá na outra mesa, por quê?
– Nada não. — ele disse olhando pra mim e eu revirei os olhos.
– Não sabia que ele é amigo do Ryan. — falei baixinho só para Ben. Ryan e Daisy conversavam.
– Não sei se são amigos pra valer, mas são colegas. — ele disse indiferente — Quer ir conhecer seu namorado? Posso pedir pro Ryan te levar lá.
– O quê? Claro que não! E ele não é meu namorado. — senti meu rosto queimar e Ben riu.
– Tá bom.
– E o Kasper, cadê? — Ryan perguntou à Daisy.
– Não sei. Ele não veio hoje. — ela disse — Ei, Ana. Você vai fazer alguma atividade extraclasse?
– Atividade extraclasse? — perguntei.
– É. Os professores atribuem notas extras de acordo com o grupo que você participa, sem falar que eles são muito legais. Eu participo de quase todos os grupos de estudo, mas tem também outras atividades. Você gosta de música? O grupo daqui é muito bom.
– Pera. Deixa eu entender direito. É obrigatório?
– Não, mas é muito legal e ganha ponto. — Ryan disse — Eu participo do grupo de História. Gosto muito.
– Você gosta de música ou não? — Daisy insistiu.
– Hm, gosto. Mas não sei tocar nenhum instrumento e não canto bem. Talvez eu possa participar de algum grupo de estudo também. Gosto muito de química.
– Química? É a matéria que eu mais odeio. — Ben disse — Você gosta de esportes? Com o campeonato chegando... os times vão adorar um componente a mais.
– Até que gosto, mas gostar é diferente de saber fazer. — dei de ombros.
– Que tal... participar da torcida? — Ryan perguntou.
– Isso! Ótima ideia, Ryan. — Daisy disse empolgada — Você tem o físico que elas procuram. Não quer ser uma líder de torcida?
– Líder de torcida...? — fiquei pensativa. O que será que elas fazem ao longo do ano? Eu gosto de atividades físicas, mas sei lá...
– Sim, e eu conheço a capitã, você pode falar com ela no final da aula. — Daisy disse.
– Calma, calma. Eu não sei, tenho que pensar. O que as líderes de torcida fazem?
– Lideram a torcida? — Ben disse como se fosse óbvio.
– Claro, isso eu sei. Tô perguntando o que elas fazem durante o ano. Só ficam ensaiando pros jogos?
– Basicamente. — Daisy riu — Mas você mesma disse que gosta de esporte.
– Liderar torcida não é bem um esporte. — dei de ombros — Vou pensar a respeito. Talvez eu faça.
– Fala com a Maya. — Daisy disse — Ela é líder de torcida e pode te dizer mais a respeito. Nós podemos estar sendo injustos.
– Ok, vou falar com ela. — voltei minha atenção à comida.
– Mas é melhor você não demorar muito. As alunas daqui são loucas pra entrar na torcida desde o primeiro ano. — Ryan disse — E agora que elas podem...
– Como assim? As meninas do primeiro não podem? — perguntei.
– Não, é só a partir do terceiro. — Daisy explicou — Mais precisamente a partir dos dezesseis.
– Ah, ok. Vou falar com a Maya ainda...
– Oi, gente. — Maya me interrompeu e sentou sorridente ao lado de Ryan — Como vocês estão?
– Bem. — Daisy sorriu também — Ei, Maya. Você podia explicar pra Ana como é que funciona a torcida? Ela tá pensando em entrar.
– Não é bem assim... Eu tô cogitando a possib-
– Claro! — Maya sorriu mais ainda — Nós praticamos toda quarta-feira depois da aula. No início do ano nós vemos quando serão os jogos e nós começamos a preparar a coreografia, daí é só ensaiar. Funciona assim: toda quarta-feira depois da aula é prática, ou seja, atividade física pra nos mantermos saudáveis. Algumas meninas fazem corrida, outras fazem até yôga. Só depende de você. E toda sexta-feira depois da aula é ensaio pros jogos. É isso.
– Somente? — olhei pra ela — Parece bem legal.
– E é. Eu gosto bastante. — ela sorriu ainda mais — Agora, Ryan... Você pode vir aqui? — ela disse mais discretamente.
– Ir aonde? — ele perguntou perdido.
– Resolver aquela coisa. — ela acenou a cabeça e ele pareceu entender. Então os dois saíram dali e nos deixaram na mesa.
– Aposto que ela pediu pro Ryan levar ela na mesa do Jayden. — Daisy riu.
– Só não aposto com você porque sei está certa. — Ben riu também.
– O que é tão engraçado? — perguntei.
– Não é bem engraçado. É mais fofinho mesmo. A Maya é louca pelo Jayden desde o primeiro ano dela. O dia que eles ficarem vai ser o dia mais feliz da vida dela. — Daisy disse brincando e eu olhei sugestiva para Ben. Ele entendeu.
– Se ela souber, — ele disse baixo pra mim — é capaz de te matar.
Engoli em seco e olhei Daisy, que não prestava atenção em nós.
– Você precisa me mostrar quem é ele. — falei no mesmo volume.
– Eu vou, você só precisa...
– Gente. — Daisy interrompeu Ben, nos fazendo olhá-la — O Throbs tá vindo aqui.
– Hã? — Ben virou para trás e eu também. Lá vinha o garoto que eu havia visto conversando com León na festa da Maya. Alto, mas não bonito.
– Olá, Daniels. — ele disse ao chegar e se sentar ao lado de Ben, longe de mim — Quem é a sua nova namorada? Ela é muito bonita. Prazer, sou o Scott. — ele disse educado estendendo a mão. Não parecia ser quem todos diziam que ele era.
– Sou a Ana. — apertei a mão dele — É um prazer.
Daisy abriu a boca, mas não disse nada.
– Então, Daniels. Eu só vim aqui te falar pra você cuidar melhor do Kaspersky nas festas que vocês vão juntos. Ele... como eu posso dizer? Estava no lugar errado, na hora errada. Viu o que não devia e, bem, acho que foi por isso que ele não veio hoje. — Scott sorriu, mas nenhum pouco intimidador. Parecia um sorriso sincero — Cuide melhor do seu amigo.
– O que você fez com ele, Throbs? — Ben perguntou sem emoção, parecia cansado da conversa.
– Você vai ver. — Scott sorriu e se levantou — Novamente, foi um prazer, princesa. — ele disse pra mim e foi embora. Tudo que ele disse foi educado e calmo. Mesmo deixando a entender que havia feito algo com Kasper, ele parecia uma boa pessoa no seu tom de voz. Não parecia nenhum pouco com as descrições que haviam me dado.
– Nossa, aquele era o tão temido Scott Throbs? Ele parece tão inofensivo. — comentei.
– Ele tá drogado. — Ben disse de novo sem emoção.
– O quê?
– Ele fumou antes da aula. Ele sempre faz isso. Mas no final do dia, você vai ver. — Ben olhou pra mim e eu gelei com o pensamento.
– E o Kasper? Você não tá preocupado? — perguntei sem entender.
– O Kasper tá bem, falei com ele hoje durante a aula. Ele não veio porque acordou tarde e perdeu o ônibus. O Throbs tá drogado, Ana. — Ben deu de ombros.
– Céus. — olhei para Daisy, que nos observava em silêncio.
– Mudando de assunto... Você vai participar da torcida ou não? — ela perguntou insistente. Olhei para ela por uns segundos e depois para Ben. Os dois me olhavam e balançavam a cabeça positivamente para me encorajar. Não aguentei e ri um pouco.
– Olha... Acho que vai ser legal. Eu vou.
– Ótimo. — Daisy sorriu — Acho que você vai gostar.
– Eu também. — sorri satisfeita. Algo de interessante estava acontecendo comigo e isso era muito bom.
Assim que terminei de guardar meus livros no meu armário, senti meu celular vibrar. Josh tinha acabado de chegar e ele estava com pressa. Fechei o armário rapidamente e tranquei. Saí de lá andando rápido. Eu não queria aborrecer Josh depois do que havia aprontado naquela festa. Ele poderia desistir de mim e me mandar de volta pro Brasil.
Quando já estava chegando no portão de entrada, ouvi alguém me chamar. Era Ben.
– A Daisy mandou eu te entregar isso. — ele me entregou uma folha de papel. Nela estava escrito tudo que eu precisava saber a respeito das "cheers".
– Ah, obrigada. Te vejo amanhã. — sorri e ele acenou com a cabeça.
Fui correndo pro estacionamento e assim que entrei no carro, dei de cara com um Josh nervoso.
– Você demorou! — ele disse chateado.
– Eu vim assim que vi sua mensagem, calma. O que aconteceu? — perguntei preocupada.
Ele me olhou e então suspirou.
– Nada. Me desculpa. — ele deu partida no carro e manobrou pra fora do estacionamento.
O caminho inteiro nós fomos em silêncio. Toda vez que parávamos no sinal vermelho, ele pegava o celular e ficava trocando mensagens com alguém. Ele parecia chateado e eu sabia que não era comigo.
– Josh, — quebrei o silêncio quando estávamos quase chegando em casa — o que aconteceu? E não vem com essa de "nada" porque eu sou mulher e eu sei muito bem que um "nada" pode significar tudo.
Ele me olhou desconfiado.
– É só um problema da faculdade. Não se preocupa. — ele disse tentando parecer indiferente.
– Josh, você pode conversar comigo. — falei segurando o braço dele.
– É só um problema da faculdade, Ana. — ele repetiu, dessa vez olhando nos meus olhos.
– Ok. — soltei o braço dele e encostei a cabeça no vidro do carro. Se ele não quer conversar, tudo bem.
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