Notas iniciais
:p ah sei lá...só tem 3 pessoas acompanhando...

Pisei com meu pé direito no piso de madeira, fez barulho. Olhei em volta, era enorme e parecia uma casa antiga. Havia escadas dos dois lados da sala e uma lareira. Não agüentei comecei a correr sem me incomodar com a barulheira que fazia ao pisar nos pisos de madeira velha.

Subi a escada da esquerda sabendo que meu quarto seria o maior, o último do corredor. Mas então parei antes de abrir a porta, um arrepio correu meu corpo. Toquei a maçaneta que parecia estar congelada de tão fria e entrei.

As paredes eram todas em um amarelo claro. No meio do quarto havia uma grande cama, não uma qualquer, era daquelas que via nos filme de época, cuja a cama parecia uma cabana. Sempre quis ter uma daquelas, mas não sorri, porque ainda estava com medo, medo do desconhecido nesse quarto.

Bem do lado da porta havia uma penteadeira, parecia ser antiga como o resto dos móveis da casa, mais à frente na parede do lado um armário que ocupava metade da direita enquanto a parede da esquerda tinha a porta do banheiro. As mesinhas de cabeceiras combinavam com as paredes, amarela.

Era um quarto bonito mas não conseguia me concentrar,meu olhar sempre ia parar no grande armário. Meus pés foram naquela direção involuntariamente. Esquerda, direita, pausadamente. Minha respiração continuava, mas cada segundo mais rasa, como uma piscina esvaziando. Coloquei um dedo na argola para abri-lo...

– Filha tá com fome não? – Ouvi a voz alta de Ed atrás de mim. Meu corpo todo se contraiu então cai enquanto gritava de susto. Tive quase certeza de que mais um segundo com a boca aberta faria meu coração pular para fora pulsando tão rápido quanto um carro de corrida.

– Pai! – Gritei enquanto ele ria. – Puta que pariu... – Sussurrei.

– Hey mocinha! Olha os modos. – Ele apontou para mim rindo. – Vamos comer.

Me levantei e depois percebi o monte de caixas que tinha do lado esquerdo da cama e até dentro do banheiro. Olhei mais uma vez para o armário sentindo que alguém me observava pelos pequenos buraquinhos.

– Por que você se assustou lá no quarto? – Meu pai olhou-me preocupado.

– Não é nada, só estava distraída.

– Sarah...eu te conheço. – Ele usou aquele tom de voz que eu odiava.

– Não, não conhece...foi só mais uma das minhas maluquices de criança como você sempre fala. – Disse irritada. Ed suspirou.

– Seria tão bom se você se abrisse comigo...

– É, seria. – Concordei.

Alguns minutos mais tarde estacionamos em uma lanchonete no centro da cidade. O movimento era bom, afinal, era um Domingo. Olhei em volta, havia famílias e grupos de amigos comendo enquanto riam, aproveitando a vida. Coisa que eu não costumava fazer ultimamente.

Nos sentamos em uma mesa mais para o fundo e meu pai pegou o cardápio gemendo em satisfação. Não abri o meu, apenas continuei analisando as pessoas em volta e vi que: O garoto loiro de boné preto vai tomar um fora da ruiva de cabelos cacheados, o garotinho moreno de grandes olhos iria começar a chorar porque os pais discutiam e nem o percebiam ali entre outras coisas.

Eu consigo me divertir muito analisando as pessoas.

Eu sou estranha.

– Lanche ou comida? – Ed interrompeu meus pensamentos.

– Lanche.

– Alguma preferência? – Ele se levantou.

– O mesmo que você.

– Ook. – Andou até o balcão.

Enquanto meu pai pedia os lanches tinha percebido uma coisa. Uma coisa no qual eu acreditava, mas achava tão ridículo quanto sites de namoro. Edward havia se encantado pela atendente, estava na cara pelo seu sorriso vacilante e suas mãos nervosas que não sabiam onde ficar. E a atendente estava na mesma situação, se atrapalhando ao escrever, rindo e evitando os olhos do meu pai.

– Nossa...eu espero que isso não aconteça comigo. – Sussurrei com uma careta de nojo.

Ed caminhou de volta para nossa mesa de modo engraçado e se sentou ainda sorrindo. O olhei com uma sobrancelha arqueada.

– O que? – Ele perguntou. Apesar de ser negro, pude ver que sua bochechas, tinham ficado meio rosadas.

– Você está apaixonado. – Não foi uma pergunta, foi uma afirmação, porque tinha certeza, nunca errava em minhas análises.

– O que? Claro que não, acabei de conhecê-la...só achei ela bonita. – Ele encolheu os ombros como um adolescente se explicando depois de ser pego fazendo o que não devia.

Eu tinha percebido que ela era bonita mesmo de longe. Podia perceber que os cabelos negros dela eram grandes mesmo em coque. Seu rosto era simétrico e seus lábios eram carnudos. Ela não era só bonita, ela era linda, na minha humilde opinião.

– Pegou o telefone dela? – Perguntei.

– Não. – Riu.

– Pai! Você não vai sair daqui sem o telefone dela! – Sussurrei apontando o dedo para ele.

– Eu não tenho jeito com mulheres...

– Mas é bonito! Então nem requer tanto esforço.

– Me sinto até melhor. – Disse surpreso.

– Ótimo. – Assenti sorrindo quando percebi que a mesma garçonete se aproximava com nosso lanche.

– Licença... – A mulher sorriu envergonhada.

– Meu pai gostou de você. – Comentei curta e direta.

– Sarah! – Ele advertiu.

– Ah...que bom, também gostei dele. – Ela soltou uma risadinha.

– Legal...Ele está com vergonha, pode dar seu telefone pra ele? – Perguntei. Meu pai não sabia aonde enfiar a cabeça então apenas ficou olhando um ponto fixo na mesa. Ela assentiu sorrindo e pegou seu bloquinho e caneta, Ed abriu a boca descrente.

– Aqui. – Ela olhou diretamente para Ed com um sorriso malicioso. – Espero que me ligue. – Entregou o papelzinho para ele.

– E-eu vou. – Gaguejou nervoso. Soltei uma risadinha.

CONTINUA...

Notas finais
'-' oq acharam?