Be happy
3 Anjo?
Notas iniciais
— Take these Broken Wings
And learn to fly again, learn to live so free
When we hear the voices sing
The book of love will open up and let us in
Take these Broken Wiiiiiiiiiiiings! — Nunca vi meu pai tão empolgado, levando em conta que ele sempre está empolgado.
— Pai, pelo amor de Deus...para de estragar a música! – Tentei falar alto para ele, que gritava a plenos pulmões de modo completamente desafinado.
— Estou animado! – Ele respondeu sorrindo.
— Eu sei! Mas não precisa me deixar surda.
— Tá bom! – Ele levantou os braços em rendição.
— Pai você está dirigindo! – Gritei com os olhos arregalados quando o carro fez um pequeno zigue-zague.
— Opa! – Ele pegou o volante novamente.
Mesmo depois de descer do carro eu ainda estava brava com meu pai. Não porque ele estava feliz, e sim ficando louco. Pouco entendia toda essa euforia inconseqüente em uma homem de 36 anos.
— Você está brava porque eu quase bati o carro? – Ele perguntou enquanto fechava a porta de casa.
— Não. – Respondi seca enquanto subia as escadas.
Quando cheguei no corredor me recordei. Senti novamente aqueles calafrios, já sentia o frio do quarto antes de chegar lá. Olhei para trás checando se meu pai estava subindo mas só ouvia ele arrastando móveis na sala. Andei até a porta do meu quarto, respirei fundo e toquei a maçaneta gelada.
O quarto estava do mesmo modo que antes, extremamente silencioso. Olhei o armário, aquele móvel que havia me intrigado desde que cheguei. Não sabia de onde via tanto medo em algo tão normal.
Andei a passos largos afim de acabar logo com tudo aquilo mas parei quando pus a mão na argola de ferro que servia como maçaneta do grande armário. Olhei demoradamente para aqueles buraquinhos na madeira, mas nada via. Puxei a porta rapidamente e cai para trás gritando quando vi alguém lá dentro gritando.
Limpei minha visão do medo e estreitei os olhos, era uma garota. Pisquei algumas vezes para ver se ela sumia, só que ela continuava lá. Parecia ter a mesma idade que eu, cabelos longos e louros que lhe cobriam as costas, olhos verdes e um sorriso extremamente bonito, isso eu tinha que admitir. Parecia uma moradora do armário de tão pálida, quase se igualando com seu vestido branco.
— Você me assustou! – Ela disse rindo.
Fiquei petrificada. Não por medo, isso já havia passada quando percebi o que tinha no armário. E sim a surpresa de ficar “louca” por uma garota que vi há alguns segundos. Eu a achava a mais linda de todas que já vi, sua voz me encantava de maneira incomum, eu tinha uma desesperadora vontade de beijá-la como nunca tive com outras garotas. Estava apaixonada com apenas alguns segundos!
— Você se sente bem? – Perguntou ela tentando por a mão em minha testa, afastei-me em um pulo como se ela tivesse algo contagioso.
— O que faz dentro do meu armário? – Questionei rudemente, ela encolheu os ombros ainda sorrindo.
— Moro aqui...
— Como você mora aqui? Dentro do armário? Minha avó sabe que você ficava ai? Cadê seus pais? — Pedi explicações de modo frenético.
— Sou um anjo! – Ela respondeu arregalando os olhos, pela primeira vez estava séria. Só que eu sabia que ela estava mentindo.
— Anjo? – Ri debochada. – Prove!
Ela saiu do armário e andou até a porta.
— Aonde vai? – Perguntei confusa.
— Provar que sou um anjo. – Respondeu abrindo a porta. Ela andou o corredor e desceu as escadas cantando uma música esquisita e parou em frente ao meu pai.
— O que foi Sarah? Que cara é essa? – Ele perguntou assustado com minha aparência de que viu assombração.
— Nada... – Subi as escadas correndo e me tranquei no quarto.
— está convencida agora? – Olhei para a garota que agora estava sentada em minha cama.
— Estou! Agora vá embora...fique invisível, não sei. – Esfreguei meus olhos atordoada.
— E se eu não quiser? – Ela sorriu maliciosa.
— Afinal por que quer aparecer para mim? – Perguntei irritada.
— A culpa não é totalmente minha... Você é sensitiva!
— EU SEI! – Gritei.
— Não grite, seu pai tá lá em baixo.
— Posso te fazer uma pergunta? – Me sentei na cadeira a frente da penteadeira.
— Claro. – Ela respondeu andando até mim, prendi a respiração.
— O que significa esse frio no quarto? – Perguntei a olhando, ela franziu as sobrancelhas.
— Ah...portal aberto. – Ela fechou os olhos e sussurrou algumas palavras que pareciam outro idioma. – Melhor? – Ela abriu os olhos.
— Sim. – Suspirei esfregando minhas mãos uma na outra.
—ótimo. – Ela sorriu encarando-me. Desviei daquele olhar me sentindo desconfortável. Queria que ela sumisse e parasse de me fazer ficar confusa, mas ela parecia não perceber esse efeito.
—Você não vai ficar invisível...proteger outra pessoa...só ir pra algum lugar que não seja aqui. – Sentei em minha nova cama sentindo a maciez.
— Não...realmente gostei de você, vou ficar.
CONTINUA...
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