Be happy
1 Nova casa.
Notas iniciais
O mundo é como um quebra cabeças de peças tortas, parece que não se encaixam nunca mas se encaixam, basta observar e é isso que eu faço, observo e penso nas coisas que vejo com freqüência. Não pretendo mudar o mundo sozinha até porquê isso é meio impossível. Tantas pessoas destruindo e poucas construindo não leva um progresso muito rápido, até lá estaria morta.
Por esses pequenos motivos me sinto como um grão de poeira no meio da guerra. Passo dois terços da minha vida sozinha, a outra parte é para os momentos que alguém decide falar comigo por alguns minutos e até horas. Sou como o Batman, chamada de anti-social.
Tenho apenas meu pai no mundo que trabalha da manhã até o começo da noite. Não sei o que aconteceu com minha mãe e ele se recusa a me falar alegando que não agüentaria o impacto da noticia.
“Como não agüentaria o impacto da noticia? Tenho quinze anos de idade e uma preferência esquisita por filmes de terror e coisas sobrenaturais!”
Meu pai sendo um homem muito responsável teve sua grande chance, trabalhar em L.A e por incrível que pareça era no mesmo lugar onde minha avó morava, teve depressão e morreu deixando sua casa para nós.
Nunca sai de São Francisco e também nunca considerei aquele lugar como minha casa. Não é por não gostar do lugar e sim por não ter ligação com ninguém que more por lá. Amigos? Nenhum, pessoas conhecidas? Sim mas nenhuma que me conheça de verdade e vice versa.
- Você não para de pensar nenhum segundo não é? Decidi ir de carro para que possamos conversar mais, se anime, Nova casa nova vida! – Ed direcionou um sorriso amarelo a mim, o olhei com a sobrancelhas franzidas e voltei a olhar para a janela.
Não era minha culpa se eu era fria, era algo dentro de mim. Não era como as crianças de 15 anos normais. Já li cerca de 1000 livros e sei de coisas que nem os adultos sabem, vejo coisas que nem todo mundo vê, como espíritos.
Olhei –me no retrovisor do carro. Meus olhos eram confusos, não se sabia se eram verdes amendoados ou cor de mel esverdeados e pouco me importava contanto que eu enxergasse por eles estava tudo bem. Minha pele negra contrastava mais ainda meus olhos e meu cabelo enrolado repousava em minhas costas. Não sei dizer se sou bonita ou feia, e não tem haver com minha auto-estima, na verdade nem sei dizer se tenho uma pelo fato de não ligar para aparências.
Não há ninguém que possa chamar o outro de feio ou de bonito porque isso é questão de gosto, de como é visto. Um exemplo disso é a arte moderna, alguns não entendem então dizem que é estranho, outros entendem e dizem que é lindo ou simplesmente seguem a onda.
- Quando terminamos com a mudança vamos voltar aqui. – Meu pai comentou enquanto eu observava a praia, era linda. Tudo era lindo e perfeito antes do homem vim e botar as mãos ambiciosas em cima.
- Só se você prometer vim de shorts a invés daquela sunga amarela horrível. – Ergui as sobrancelhas séria.
- Hey! Aquela sunga não é horrível e as pessoas tem que ver como tenho pernas bonitas. – Ele olhou sério mas não por muito tempo, soltamos uma gargalhada.
- Acho melhor perguntar se elas querem ver antes. – Comentei.
- Me lembrarei disso...chegamos. – Ele bateu uma mão na outra com um sorriso animado.
Olhei aquela casa, enorme e velha como a de filmes de terror. Sorri, porque era perfeita para mim. Ed desceu do carro e abriu a porta para mim que ainda observava a casa com curiosidade.
- Senhorita. – Meu pai se curvou apontando nossa nova casa com a mão.
- Obrigada mordomo. – Soltei uma risadinha enquanto fazia sinal de negação com a cabeça.
Eu tinha sorte. Edward era um homem bom que não me abandonou quando minha mãe morreu. Mesmo eu sendo uma esquisita continuava tentando ser mais do que meu pai, meu melhor amigo. E eu me sentia bem com isso.
- Por nada princesa Sarah. – Ele travou o carro.
Os homens da mudanças já tinha botado quase tudo para dentro. O chefe deles, Antônio, era grande amigo de Ed, os dois confiavam um no outro cegamente.
- Toni! Botou as coisas no lugares certos né? Se não eu não te pago hein. – Meu pai disse brincando.
- Meu trabalho é sempre de boa qualidade Edinho! – Ele riu enquanto abraçava os ombros de Ed.
- Eu odeio esse apelido...me diminui...se é que você me entendi. – Ed franziu as sobrancelhas.
- Ah pare com isso homem! – Antônio gargalhou alto dando tapinhas nas costas dele.
- Pai, acabou. – A visão de Cícero apareceu em minha frente, poucos centímetros mais alto que eu, pele naturalmente bronzeada por ser latino e cabelos negros curtinhos, os músculos dele eram realmente impressionantes para 19 anos de idade. O sorriso aberto e malicioso fazia com que eu visse o brilho metálico de seu aparelho. – Olá Sarah... – Ele mudou o tom de voz.
Cícero Alvarez, desde os meus 13 anos dá em cima de mim, mas eu sempre ignoro.Só que ele parecia ser uma daqueles garotos idiotas que acham que todas garotas que dão gelo nele estão se fazendo de difícil, um típico idiota.
Nunca beijei ninguém ou algo do tipo e nunca tive pressa sobre isso. Sempre pensei para que tipo de pessoas minha atração estava direcionada. Depois de muito pensa admiti para mim mesma que gostava de garotas. Não foi algo difícil e eu nunca tentei me impedir de sentir coisas por garotas e meu pai nunca foi preconceituoso com nada. Mas eu tinha dificuldade de me abrir.
- Olá Cícero. – Disse fria.
- Tudo bem? – Pôs a mão em meu ombro.
- Melhor impossível. – Olhei séria para sua mão que me tocava, ele tirou rapidamente rindo sem graça.
- Que bom, eu também...vou pro caminhão. – Ele se voltou pra mim. – Um dia você vai ficar comigo moreninha. – Ele sussurrou em meu ouvido. Revirei os olhos.
- Tenha uma boa viagem. – empurrei –o com as mãos espalmadas em seu peito.
- Obrigado. – Ele gargalhou.
- Boa tarde Antônio...vou entrar pra ver a casa. – Abracei o corpo fofinho do meu padrinho. Ele era gordinho e tinha um bigode do tipo mexicano que eu achava engraçado.
- Vai lá Sarah. – Ele sorriu.
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