Notas iniciais
Obrigada por todos que acompanham as minhas histórias, devo-lhes dizer que este é apenas um dos primeiros capítulos que tenho a intenção de postar. Mesmo que falte pontualidade nas minhas postagens, peço-lhes que continuem investindo do enredo da história, afinal de contas, nunca perdem por esperar.

Ontem foi um dia cansativo e revelador. Depois que jantamos, o Tamaki veio me deixar em casa sem dizer uma única palavra desde a descoberta. Eu me sinto tão culpada que meu peito chega a doer um pouco. O que, por sinal, é muito estranho. Afinal de contas, não senti nada parecido quando os outros rapazes descobriram. Bem, deve ser pelo que aconteceu no chuveiro... ah, sim, o chuveiro. O que eu fui fazer ali? Parando para reparar, aquilo não foi nada sensato. Sabe, garotos normalmente mantêm distância uns dos outros. Parabéns, Haruhi! Agora você é a menina/menino mais tarada do universo. Ele me encarava tão freneticamente... Sinto como se desviar do olhar dele tivesse sido uma das coisas mais difíceis da minha vida.

É de manhã cedo, estou ainda de pijama, um típico short preto e uma camisa temática. Nunca vi meu cabelo tão bagunçado! Enquanto morno meu leite, pego-me pensando novamente naquele loiro maldito. O calor da caneca lembra o fervor da sua pele nas minhas mãos, separadas apenas por um sabonete. Porque estou tão nervosa? Droga, a pimenta já teve o fim do efeito. É melhor eu me concentrar, mais tarde eu vou à casa dos gêmeos e o Hikau... ah, Hikaru, seu louquinho. Eu vou reencontrar aqueles dois problemáticos. Um tarado indeciso, Kaoru, e o outro... bem, eu não sei se posso descrevê-lo muito bem agora.

Ponho a minha calça jeans mais folgada e uma camisa temática do Game of Thrones, um típico adolescente. Ao sair na rua sinto um ar diferente no ar, é muito estranho não ser uma menina, mesmo após tantos anos. As pessoas me olham de um modo diferente, mas é melhor eu me acostumar. A cada deles não é muito longe daqui, pra falar a verdade, é a apenas alguns quilômetros. Melhor eu pegar um ônibus.

O dia está bonito, o vento não é muito forte, mas tem bastantes nuvens no céu. Tenho um pouco de medo disso... não quero que chova, mas, por outro lado, o calor fica mais ameno. Houve um pequeno atraso, então estou chegando mais ou menos na hora marcada. Teria sido ótimo atrasar mais um pouco. Tem tanta coisa em que preciso pensar, uma delas é sobre como minha vida vem mudando nesses últimos dias.

A entrada é realmente chamativa. O portão é branco, de grades, e com o nome Hitachiin em caixa alta, dourada, bem em cima. O porteiro parece já saber da minha possível presença e abre o portão sem questionar nada. É realmente assustador o tamanho desse jardim. São imensas Cipestres e o gramado é verde claro, típico da estação . Há algumas flores também, elas são avermelhadas e pequenas, ocupam mais o tronco de algumas árvores mais altas. Parece ser um lugar calmo e aconchegante para estudar. Não reflete muito a personalidade daqueles dois, que parecem estar sempre de mau humor. Não demoro muito até encontrar aquelas silhuetas finas em uma grande mansão.

Vejo correr na minha direção, como um deus bárbaro, cabelos ruivos ao vento. – Olá, Haru-chan! Bem vindo ao nosso lar! – Essa abertura é definitivamente característica do Kaoru. – Eu estou bem, obrigado. – Sinto sua mão no meu ombro com o intuito de me ajudar a subir o morro até a sua casa. Ele está alegre e gentil hoje, apesar de seu rosto estar realmente próximo do meu novamente.

– Oi, Haruhi – Esse é o Hikaru. Ele não está mais corado, parece mais gentil, apesar de constrangido. Temos muito o que conversar hoje.

– Oi.

– Então, vamos entrar? – A mão do Kaoru está novamente sobre o meu corpo, mas está sobre o de Hikaru também. Ele nos empurra até a entrada principal e murmura alguma coisa para a empregada, que prontamente se direciona a um dos corredores. – Quer comer alguma coisa, Haruhi? Você é o nosso convidado de honra e pode nos pedir o que quiser. – Não é difícil encontrar malícia em suas palavras, mas ainda assim aceitei o convite para comer algo quente.

Aquela mesma empregada, muito bonita por sinal, nos trouxe um pouco de chá e alguns pedaços de bolo que estão divinos! A mesa em que estamos fica no salão principal, estranho um pouco o fato deste lugar ser tão vazio. – Então, o que vamos estudar primeiro? – Interrompo um gole de chá para tentar introduzir um assunto, o que pareceu chocar um pouco os dois... É, eu devo ser meio patética mesmo.

– Em que parte da matéria está a sua maior dúvida? – Ouço o suave questionamento de Kaoru.

– Anatomia. – O seu sorriso se abriu consideravelmente, já os olhos calmos e profundos de Hikaru me inundaram com preocupação.

– Perfeito! Essa é, definitivamente, a minha matéria favorita.

Surpreendentemente o Hikaru se saiu como um professor excelente. Todas as minhas dúvidas foram tiradas e o seu senso crítico é apuradíssimo. Algumas piadas também se formaram... Ele é outra pessoa nesses momentos. O Kaoru não me tocou e nem insinuou nada, o que foi bem estranho. Ele agiu naturalmente, como qualquer outro adolescente, e me ajudou bastante também. Vez em outra ele trazia algo para bebermos. Antes que me desse conta já era hora do almoço.

A mesa é a mesma em que estávamos, mas agora está cheia de comida! Parece mais um banquete imperial do que um almoço entre amigos, mas tudo bem, não deixa de ser uma delícia. Os seus olhos me procuram, buscando saber o que estou achando da comida, respondo sorrindo o quão deliciosa está. Tranqüilizados, eles voltam a se direcionar aos seus pratos e, finalmente, posso ter um tempinho para admirar os dois. O Hikaru está com uma bermuda bege e uma camisa preta simples, fones de ouvido ao redor do pescoço e um par de pulseiras no pulso esquerdo. Já o Kaoru está de jeans azul escuro, uma camisa de manga longa cinza com uma legenda em inglês e um cordão prata no pescoço. Céus, o quão diferentes e iguais vocês são? A luz do sol bate no vermelho intenso de suas cabeças e me hipnotiza. É muito raro encontrar ruivos por aqui, por isso sou tão fascinada por eles... É, imagino que seja por isso.

Para o meu constrangimento, o Hikaru reparou o meu olhar e o retribuiu um tanto surpreso. Após isso ouvi um riso abafado do Kaoru, o que me fez corar. Droga. Ele apoiou o rosto na mão esquerda e me olhou com o rosto inclinado, sim, ele está lindo agora e sabe que está, mas não é isso o que me afeta. – Não me diga que se apaixonou, ha-ru-chan! – Esse sarcasmo fez o meu coração apertar e eu me contrair um pouco na cadeira, não gosto nem um pouco desse tipo de brincadeira. – Ora, ora – Seu rosto se aproxima novamente e eu sinto seu riso penetrar a minha alma. Ele está brincando comigo e eu não gosto disso, principalmente por não saber se eu sou uma garota ou um garoto pra ele. – Não fique assim, Haru-chan, estou só brincando. – Ele se afastou novamente e deu de encontro com o olhar fulminante de Hikaru. Ele deve ter reparado no meu desconforto... E, bem, não imagino que ele goste desse tipo de situação. Antes que o clima melhorasse, ouço um telefone tocando e, em seguida, a empregada se aproximando de nós.

– Com licença, mestres. Senhor Kaoru, há um telefonema à sua espera. – O trincar dos dentes dele foi o suficiente para a moça se retrair e ficar cabisbaixa. – Só um minutinho, Haruhi, Hikaru. – E assim ele sumiu por mais um daqueles enormes corredores. Ficamos eu e ele sozinhos.

– Haruhi... – Ouço-o quebrando o silêncio – O que quer fazer hoje de tarde? Já estudamos praticamente tudo.

– Tem razão... – Eu sei que não é nada agradável uma pessoa que não sabe tomar decisões, mas eu realmente não sei o que falar.

– Okay, vamos voltar e estudar.

– Gente, acabaram de me ligar da empresa de modelos e eu vou precisar passar o dia quase todo lá, sinto muito, Haruhi, isso foi de última hora. – Os seus olhos demonstram irritação, ele não deve querer ir.

– Tudo bem, o Hikaru pode me ajudar a terminar. Vá resolver seus problemas e volte logo.

– Está me pedindo para voltar para você? – Sua boca encosta no lóbulo da minha orelha e sinto algo formigar no meu corpo – Deixa comigo. – Logo após isso ele se retirou e me deixou lá, como sempre, nervosa e arrepiada, sem ter noção alguma do que está acontecendo.

Ouvi-lo falar do corpo sem nenhum pudor é realmente constrangedor, só não me sinto tão mal porque o vejo corado e nervoso também. Céus, eu me meto em cada situação... Talvez esse seja um bom momento para conversar com ele, tentar quebrar esse clima estranho repleto de feromônios.

– Hikaru... Podemos conversar um pouco? – A minha pergunta foi facilmente interpretada e eu pude ver seu corpo se tornar ereto e concentrado.

– Claro, eu sou todo ouvidos. – Por um momento nossos olhares se encontraram e me faltou coragem para falar.

– Bem... Sobre ontem...

– Tudo bem. – Isso me surpreendeu – Você não me deve satisfações, não vou contar à ninguém.

– Não pensei que faria isso. – Isso o surpreendeu.

– Só tome mais cuidado. Mesmo que se passe por um garoto, você não é. E... Não deixe que os outros de vejam como eu vi. – Ele está completamente virado na minha direção e com feições sérias.

– Obrigada...

– E... Tem outra coisa. Haruhi, não leve o Kaoru tão a sério. Mesmo que você se apaixone por ele, não deixe que ele faça com o você o que você não quer que ele faça. Ele não... Ele... Bem... – O seu rosto parece muito nervoso e vermelho – Ele tem um gosto um tanto peculiar.

– Não é isso! Eu não... – O seu indicador cobre os meus lábios com o intuito de me manter em silêncio.

– Não é da minha conta. – Por mais que ele seja grosseiro e impulsivo, o seu respeito é assustador. Ele é o tipo de mistério mais atraente do mundo.

– Hikaru... Posso te fazer uma pergunta?

– Calma, não acho que esse seja o melhor lugar para esse tipo de conversa. – Ele me levantou com a ajuda de suas mãos e pude sentir o quão frias e macias elas são, mas após isso, não me tocou uma única vez. Eu fui o seguindo, observando os detalhes das suas costas me guiando para uma escada encostada em um beco. Assumo que o caminho foi longo, a casa é enorme. – Suba com cuidado – Ele subiu e retirou uma parte do teto, criando uma espécie de saída secreta. Isso me estimulou até os fios de cabelo! Me senti uma criança curiosa novamente. Ao subir, pude ver o Japão nas minhas mãos. O Telhado é imenso e extremamente algo, pelo estado do lugar não deve ter sido visitado pelo Kaoru. – Bem vinda... – O brilho do pôr do sol fez com que a sinceridade nos olhos dourados desse menino se exaltasse. Ele apontou para um canto, ao seu lado, e pediu que eu me senta-se, assim o fiz. O silêncio tomou conta de nós dois por um longo tempo, não por constrangimento, mas por admiração. O fenômeno que estamos apreciando é estupidamente hipnotizante, assim como o garoto ao meu lado. Os tons de vermelho alaranjado em choque com o azul do céu, a mata verte cheia de árvores altas e baixas, a escuridão da noite se aproximando e algumas estrelas surgindo... Tudo isso é de transbordar qualquer coração.

– Essa é a minha primeira vez... – Seus olhos ainda estão focados no horizonte, me permitindo admirá-lo um pouco – que trago alguém aqui. – Pude sentir o significado dessas palavras. – Por isso, sinta-se a vontade... Para me perguntar o que quiser. – Virou-se novamente para mim. O meu coração voltou a pulsar mais rápido e sinto como se não houvesse saliva o suficiente na minha boca.

– Porque estava chorando? – Uso o que resta da minha coragem.

– Você é bem direta, não acha? – O seu riso nervoso faz com que o clima fique mais ameno e agradável. – Hm, vejamos... Eu tenho uma pessoa muito importante pra mim. E essa pessoa não me faz bem. Ela me deprime, mas por mais que eu esteja para baixo, ela funciona como uma espécie de droga entende? É incrível no começo, depois eu a detesto, mas não consigo me libertar. Eu odeio esse tipo de pessoa, principalmente quando é impossível se distanciar dela. Eu estava cansado naquele dia, muito cansado e cansado de tudo. Essa pessoa... me deu um presente e depois o rasgou. Haruhi, essa pessoa é alcoólatra. – Da pra ouvir o quão trêmulo está o seu corpo. – Essa pessoa... precisa de mim.

– Não precisa continuar...

–Essa pessoa é o meu pai. – Ouvir esse doce nome, pai, fez o meu coração sacudir e o meu estômago embrulhar. Eu amo o meu pai mais que tudo nesse mundo, não consigo imaginá-lo alvo de algo tão imundo quanto o vício da bebida. E o sofrimento desse menino é tão evidente quanto o ouro dos seus olhos. – Podemos ficar um pouco mais assim? Quietos. – Por mais que ele dissesse quieto e houvesse silêncio novamente entre nós, não me sinto mal, estamos conversando com os nossos suspiros e silêncios.

O sol se escondeu atrás de uma linha eterna e deu lugar ao escuro. As estrelas estão brilhando como nunca e, apesar de ser lua nova, o céu parece extremamente claro. Eu não sinto medo, não sinto frio, não me sinto só. Qual é o efeito que esse menino tem sobre mim? Ele parece ser um amigo natural meu, mas mal nos conhecemos. Agora estamos deitados, apreciando a natureza e ouvindo o canto dos pássaros noturnos. Vez ou outra trocamos conversas simples e necessárias.

– Ta vendo aquela estrela ali? – aponto com o indicador.

– Okay, pode ser mais precisa? – Ironiza ele com o fato de terem milhares de estrelas sobre nós.

– Haha! Quero dizer aquela ao lado da nuvem gigante. Ela não parece dizer oi para nós? Haha, minha mãe sempre dizia que as melhores amigas de alguém são as estrelas.

– Mas você nunca estará falando com a mesma estrela, como ela pode ser sua amiga, se você nem sabe quem ela é?

– Você só sabe. – ao me ajeitar encontro os seus olhos me admirando, me estudando, ele tem um brilho tão bonito no olhar que me faz sentir em casa. Para encerrar ele me lança um sorriso branco como as estrelas.

– É, você deve ter razão. – Ele se volta novamente para o céu – Haruhi...

–Sim.

–Vamos fazer uma promessa, tudo bem?

– Que tipo de promessa?

– Viremos conversar com as estrelas aqui de novo. – Esse convite me fez rir um pouco, vejo que fez ele se divertir também. Ele parece tão leve agora.

– Okay. – Cruzamos os nossos dedos e falamos coisas irrelevantes por mais uma dúzia de minutos, sem nos importarmos com nada ao nosso redor. Isso até que o vejo levantar e tirar o seu casaco, pondo-o sobre os meus ombros.

– Está frio e o seu corpo é frágil. Venha, vou fazer algo quente para você tomar. – Ele novamente me ofereceu a mão, que continua gelada, e a soltou logo em seguida. Me vi seguindo-o, mas agora estamos sorrindo e descontraídos. O cuidado dele é digno de atenção.

Ele me trouxe até a cozinha e preparou um leite quente para nós, disse que vai me ajudar a dormir melhor depois de tanto estudo. Está uma delícia, tem apenas umas gotas de adoçante. Estamos sentados em cadeiras acolchoadas, sozinhos. O tempo parece ter voado, quando olho rapidamente para o relógio e reparo que já são quase oito da noite. É melhor ligar para o meu pai e avisar que já estou voltando.

– Pai? É a Haruhi.

– Oi, querida, que bom que ligou! Tenho que sair logo e só vou voltar amanha pela manha. Tem como você dormir ai na casa dos seus amigos? Quero dizer, eles são boas pessoas, não são? Se precisar o papai te busca. – Eu sei que hoje vai ser um dia de desfile e que ele está se preparando para isso há semanas... Droga.

– Tudo bem, eu falo com eles. – antes que eu desligasse o telefone, ouvi o Kaoru entrando na cozinha, aparentemente cansado, mas muito alegre. – Também te amo, pai.

– Oi, Haru-chan! Sentiu a minha falta? Oi, Hikaru! – Ele vem na minha direção sem hesitar um único instante.

– Oi! – Dou o meu melhor sorriso para ele, o que o faz corar. Ele obviamente reparou no casaco do Hikaru nos meus ombros, mas preferiu não comentar. Aliás, não me lembro bem quando ele pegou esse casaco, talvez tenha sido quando estávamos indo para a escada, havia um quarto ali perto... É, deve ter sido ali.

– Se divertiram muito sem mim? Espero que não. Me conte tudo, pequeno. – Ele brinca com o meu cabelo.

– Sim! Estudamos bastante e... – Sinto o olhar de Hikaru sobre os meus ombros – Conversamos um pouco enquanto lanchávamos.

– Deve ter sido bem bacana então. Meu irmãozinho até que é um bom anfitrião, não acha? – Assumo que essa foi um pouco engraçada, fez até o Hikaru abrir um sorriso.

– Como foi lá? – Pergunta Hikaru, fazendo mais uma caneca para Kaoru.

– Como sempre! – Senta-se ao meu lado na mesa e joga os braços na mesa em sinal de tédio. – Garotas entediantes, roupas entediantes, fotos entediantes. Bem, mas passou e eu estou aqui com o meu irmãozinho e o meu novo amigo! Se eu soubesse que você estaria em casa todos os dias depois dessas estúpidas sessões de moda, Haruhi, posso garantir que os meus dias seriam bem melhores. – o seu sorriso é bonito e grande, mas pareceu não agradar muito o Hikaru.

– Se não gosta, porque continua fazendo? – Pergunto delicadamente.

– Sabe... Eu até que gosto, lá no fundo, mas é chato depois de um tempo. Eu faço isso porque adoro uma rotina fixa. Estranho, não? Haha! – É engraçado como ele sempre faz piadas de si mesmo.

– Eu estou muito cansado, acho que vou dormir. – Ouço Hikaru declarar atrás de mim.

– Ah... Calma... – Minha exclamação surpreendeu-os – Eu preciso pedir algo antes. – Agora eu tenho toda a atenção dos dois. – Bem... Houve alguns problemas na minha casa e... Tem como eu... Dormir aqui? Juro que vai ser só hoje e nunca mais. – Céus, é impossível medir o tamanho do sorriso que brilhou no rosto do Kaoru, mas percebi o corpo do Hikaru meio rígido novamente.

– O seu pai está bem? – Ouço a voz preocupada do meu amigo misterioso.

– Sim, obrigada... Ele tem um compromisso muito importante hoje e, pra que eu não durma sozinha, ele pediu para eu passar a noite aqui.

– Por mim ta tudo bem. – Ele não estranhou e nem se alegrou com isso, finalmente uma reação normal, fico muito feliz.

– Perfeito! Vai ser ótimo... Você sabe, ter uma noite de meninos hoje. – Já o tom na voz do Kaoru trazia uma série de promessas ocultas, algo novo para mim.

– O Haruhi está muito cansado, não vamos ter uma noite de meninos.

– Que eu me lembre, Hikaru, foi você quem assumiu cansaço. – O clima está estranho novamente, como é horrível ser um estranho no meio de uma briga de irmãos.

– Sinto muito, mas onde eu vou dormir? – pergunto com o melhor dos meus sorrisos, tentando mudar de assunto.

– Eu vou preparar o quarto de visitas pra você, o Kaoru pode te acompanhar enquanto isso. – Ainda bem, vou dormir sozinha, ele realmente cuida bem de mim.

O Kaoru me segurou suavemente e me guiou até uma outra sala, tem pufes e tapetes coloridos, é bem aconchegante. – Então, Haruhi, como foram os estudos? Conseguiram terminar tudo?

– Sim! A matéria é um pouco complicada, mas com o tempo fica fácil pegar o jeito. – só agora fui perceber que a luz está meio baixa.

– Ótimo. Você sabe agora como funciona o seu corpo? Sabe como funciona o meu corpo? – Ele veio se sentou ao meu lado, quase que nossos quadris se encostam e, seu braço está ao redor do meu pescoço. Posso sentir o calor da sua respiração perto do meu ouvido, um calor pesado e malicioso. Os seus olhos dourados estão mais escuros e o seu sorriso mais aberto. Mesmo assim me sinto desconfortável, algo em mim começou a formigar, que droga.

– U-um pouco... Eu sei um pouco sobre isso.

– Você é mesmo um fofo, Haruhi. – Ele se levanta e se afasta como se nada tivesse acontecido. Logo em seguida vejo o Hikaru entrando na sala e me dando sinal para segui-lo. Esse parece ser outro corredor, essa casa é gigante. Bem, o quarto é grande também, mas é até bem simples. Uma cama, um banheiro, uma janela e um tapete. Tudo limpo e aparentemente confortável.

– Haruhi... Eu estou no quarto ao lado, o do Kaoru é o da frente. Se precisar de qualquer coisa é só me chamar, entendeu? – Não há segundas intenções na sua fala, esse é mais um motivo que eu tenho para querer estar perto dele cada vez mais. Sou abusada e crio coragem para dar-lhe um abraço forte como agradecimento por hoje. Isso o faz aquecer e corar.

– Haruhi? – Ele retribui o abraço.

– Obrigada por hoje. Boa noite!

– Boa noite, durma bem. – Ele me beijou na testa... Droga, maldito coração que aperta. Ao ouvir o som da porta se fechando, me sinto a vontade e perfeitamente segura. O lençol é azul marinho, a cor favorita do meu pai. Da janela da pra observar as estrelas... Aquelas mesmas estrelas que estavam sorrindo para mim a pouco tempo. Tiro minhas roupas e vou por o meu pijama. Ele é confortável e o tecido se combina direitinho com o tecido das cobertas, criando um abraço gostoso de quentinho! Só depois que estou toda coberta que me lembro de que não me despedi do Kaoru. Droga, fica pra amanha.

Mesmo com todo o meu aconchego, meu coração não me deixa descansar, há algo estranho, um sentimento importuno. Rolo e rolo na cama sem parar pensando na minha vida e sobre como eu estou me saindo no Ouran. Penso no Honey, no Tamaki, no Hikaru e no Kaoru. Quer pessoas extraordinárias eles são. Os meus pensamentos são interrompidos por uma batida na porta. Com medo de ser algo sério, peço para que entre.

– Ha-ru-chan? – Vejo-o entrando e fechando a porta atrás de si. – Acho que alguém esqueceu de se despedir. – Ele vem se aproximando e senta-se no lado da cama, olhando-me carinhosamente, mas com aquele brilho escurecendo seus olhos.

– Sinto muito por isso – respondo desviando do seu olhar. É impossível se manter calma em uma situação assim. Ainda mais com ele, que sempre desperta em mim sentimentos estranhos.

– Não precisa ficar nervoso. – Sua mão toca a minha face e faz com que eu olhe para ele. – Eu não vou machucar você haha. – Mais uma vez suas piadas, mas dessa vez não senti vontade de rir, por isso dei apenas um sorriso.

– B-boa noite, Kaoru.

– Você está tremendo, Haruhi. – ele se aproximou mais de mim e sinto-o deitando-me, agora ele está sobre mim, mas sem me prender, apenas observando as minhas reações.

– Kao... – antes que pudesse terminar fui interrompida por um beijo... Meu primeiro beijo foi com ele. Um beijo roubado, quente, viciante. Consigo sentir nossas respirações em comunhão, seus dentes mordiscam os meus lábios com avidez, sua língua acariciando o céu da minha boca... Antes que eu percebesse, já estava retribuindo o seu beijo, com medo, com insegurança, com prazer, com desejo, sem tocá-lo... Que inferno de emoções. Eu sinto que devo pará-lo, mas ele me tem de um jeito tão viciante. Não estou fazendo isso por amá-lo, mas puramente por curiosidade, por não conseguir parar.

– Eu tinha razão, Haruhi... – Sinto a sua boca se afastar da minha e os nossos olhos se encontrarem – Você tem gosto de chocolate ao leite, sabia? Eu não consigo parar de querer te provar mais e mais. – A partir desse momento eu tive a consciência do que realmente estava acontecendo ali. Eu tenho que Pará-lo, mas ele é meu amigo e eu não quero magoá-lo, como eu faço isso? – Sua boca desceu para o meu pescoço e a cada movimento é gerado em um novo arrepio, eu imploro para que ele pare, mas ele continua, mais e mais, subindo com a mão direita pela minha camisa, tocando com a ponta dos dedos o cós da minha calça. Isso tudo me deixa fervendo, nervosa e angustiada. Eu quero parar, mas porque o meu corpo insiste em querer mais?

– Não diga que não, Haruhi. – Ele continua subindo aos poucos a minha camisa e sussurrando para mim. – Você não precisa ter medo, eu não vou te fazer mal. Só quero te dar prazer, amor.

– Kaoru, não, por favor... Não! – Ele me beija na hora e isso faz com que uma lágrima escorra pelo meu olho. Eu me sinto horrível por gostar de ser tocada assim. Estou com medo, estou assustada.

– É a sua primeira vez sendo tocado? – ele abre as minhas pernas e encaixa-se, usando as duas mãos para explorar a minha barriga, enquanto a sua boca mordisca minha boca e o meu pescoço.

– Sim... Por favor... Pare. – Ao dizer isso uma última vez, sinto a minha camisa sendo levantada e os meus seios expostos. Céus, eu desato a chorar e nem reparo na face do Kaoru porque, na verdade, não me importa o que ele ache de mim ou o que ele pensa sobre eu ser uma garota, eu só quero ficar quieta, sozinha, vestida. A minha camisa, fina, está na cama agora, meu tronco está exposto, mas eu me coloco em posição fetal e choro apavorada apertando a mim mesma.

– Haruhi... Eu não... – Da pra perceber a perplexidade na sua fala.

– Por favor... Para. – Ele se aproxima novamente de mim e tira a sua camisa, mas antes que o meu pavor volte a tona, sinto-a sento colocada sobre os meus ombros e vejo-o de costas para mim.

– Eu estou apaixonado e não fazia a minha idéia de que você fosse uma... não tenho nada para dizer além de perdão. – Ele saiu e fechou a porta atrás de si e, eu passei a me sentir um pouco culpada.

Quanto peso para um só dia... E sinto como se a melhor coisa que eu pudesse fazer agora fosse chorar. Espero que amanha seja um dia melhor.

Notas finais
Espero imensamente que tenham apreciado mais um capítulo de minha obra! Comentários sempre contribuem para a melhora da história e para o estímulo do autor. Agradeço o carinho de todos e até a próxima!