Baunilha

4 Queridas estrelas


Notas iniciais
Este é o último capítulo da ficção, espero que tenha sido uma leitura prazerosa para todos vocês, amados leitores. É importante lembrar que os sentimentos podem ser eternizados, assim como na vida dos amantes das estrelas. Agradeço-lhes por terem acompanhado o meu trabalho e espero nos encontrarmos em outras épocas, romances, aventuras, histórias. Podemos não nos conhecer, mas nossas mentes estão conectadas nesse momento. Desejo-lhes uma boa leitura. Com amor, autora.

Passei 7 horas dormindo e ainda sinto meu corpo dolorido, cansado. As memórias de ontem ainda apertam o meu coração com força. Como vou encarar aqueles dois? Quantos sentimentos eu envolvi nesse pouco tempo que compartilhei com eles? Mãe do céu, se você está me vendo agora, por favor, me diga como devo agir. Porém, no fim das contas reclamar não muda nada. Levanto com as forças que me restam e me sinto revigorada ao olhar aquela imensa janela, agora sem mais estrelas, mas com um sol amarelo, vibrante, vivo. E me sinto grata por viver mais um dia. Sigo para o banheiro, higiene vem sempre em primeiro lugar!

A cerâmica gelada faz com que o meu corpo estremeça, corro para o chuveiro em busca de um consolo quentinho. Tiro a minha roupa dobrando-a rapidamente e entro no Box. É impossível entrar aqui e desfrutar desse calor sem lembrar do fervor em que eu me encontrava há poucos dias, dentro de um cubículo com o senpai... Como ele está? É só eu tocar a minha pele que lembro da intensidade do seu olhar. A sua vida é tão profunda e ele é tão... Alegre, divertido, feliz. Como é possível alguém ter tantas fazes? Além disso, não o ouvi por um bom tempo naquele dia... Espero que ele não demore muito para me perdoar, não sei se sou capaz de passar o resto do colegial sem receber o seu olhar brilhante. Eu me apeguei à aquele idiota. Me sinto tão egoísta por pensar nele de outras formas... Principalmente por causa do Hikaru, ele é tão bom pra mim. Pode ser um amigo totalmente em branco, mas estamos escrevendo a nossa história aos pouquinhos. Nunca imaginei conhecê-lo como conheci ontem! A sua grosseria, delicadeza, estupidez, carinho e mistério me prendem a ele. É como se fosse impossível vê-lo sofrer e não ajudá-lo. A situação como seu pai é realmente difícil, ainda não consigo imaginar o meu pai alcoólatra. Já o Kaoru... Bem, eu não sei direito o que pensar sobre ele. Ele me atiçou, me provocou, sua intenção era clara e obscena. Mas ao mesmo tempo que aquele brilho escuro estava lá impedindo que eu pudesse ver a sua alma, o seu carinho e mistério tomavam conta de suas ações. Ele vive tão confuso quanto a minha cabeça está agora. E... no fim das contas o seu pai e o de Hikaru é o mesmo, ou seja, ele sofre de alguma maneira por isso. Assumiu ontem estar apaixonado por mim, céus, alguém apaixonado por mim? Parece que ele realmente não imaginava que eu fosse uma garota, o que é bem frustrante! Eu pedi pra ele parar... nossa, estava tão assustada que cheguei a chorar, que situação horrível. Me pergunto se ele ficou bem... Não parecia bem ontem, nem um pouco. Isso deve tê-lo chocado muito. É melhor eu conversar com ele sobre isso mais tarde, nem que seja para me desculpar por não tê-lo contado antes. Ah, meninos, meninos, o que vocês fazem com a minha cabeça? Doidinhos.

Ótimo, devo ter gastado toda a água da casa, que vergonha! Já estou a caminho da cozinha quando esbarro no Hikaru. – Você está bem? Parece pensativa. Cuidado pra não se afogar na sua própria mente. – Novamente estou de frente com o grosseiro Hikaru. – Estou bem, obrigada... Pode me levar pra cozinha com você? – Mesmo com cara de emburrado me levou. Quando chegamos reparei que o Kaoru não está aqui, Hikaru também deu falta dele. Vejo-o se direcionar a uma empregada que rapidamente lhe responde e ele volta para a mesa.

– Sinto muito, Haruhi, mas o Kaoru passou mal noite passada e preferiu sair cedo pra tomar ar fresco. Vamos ser só nós dois hoje de novo. – Isso me deixou tão preocupada que quis enfiar meu rosto na terra, mas ao mesmo tempo fiquei aliviada por não ter que lidar com esse tipo de problema às oito da manhã. – O que você quer fazer hoje?

– Eu vou voltar pra casa daqui a pouco, estou um pouco cansada e tenho algumas coisas pra fazer lá. – Na verdade eu só quero fugir daqui, mas ele é inteligente e percebe o significado das minhas palavras, mesmo sem entender o porque disso... Ah, pobre Hikaru.

– Sem problemas, se quiser eu posso te levar. – O seu olhar é preocupado, mas calmo e cuidadoso – Obrigada, Hikaru, mas eu... Tudo bem, eu aceito. – Ele me lançou um sorriso magnífico, como se tivesse conquistado o mundo, que pessoa fofa. – Então, como passou a noite? – Me pergunta enquanto prepara dois pães com geléia para nós. Não posso dizer a verdade, seria grosseiro falar algo como: seu irmão quase me estuprou noite passada, mas sim, estou bem agora. Dessa forma estaria sendo injusta com o próprio Kaoru. – Passei bem! A cama é confortável. – ouvi um sonoro — Hm. – É, ele é mais inteligente do que aparenta. O café foi agradável, ele mudou de assunto rapidamente e comemos bastante. Minhas coisas já estão organizadas e prontas na porta da mansão, pelo visto um mordomo está indo pô-las no carro.

– Haruhi, vou indo na frente para arrumar as coisas no carro, enquanto isso beba uma água, sinta-se em casa. – ouço o Hikaru.

– Obrigada... – Antes que eu pudesse encarar a saída novamente, me deparo com o Kaoru, ele também não esperava que eu estivesse ali e isso tornou o momento ainda mais constrangedor. Por sorte o Hikaru está longe, do outro lado do gramado, estamos sozinhos. Olho nos seus olhos diretamente, apesar de ele desviar o olhar constantemente, não dizemos nada. Mas não é como ontem com o meu amigo misterioso, não conversamos com os suspiros, não estamos calmos e serenos, estamos com medo, tensos, preocupados, envergonhados. Vocês são mesmo muito diferentes. Quando ele finalmente torna a me olhar nos olhos, sou impulsionada a abraçá-lo.

– Haruhi... – Sinto a perplexidade tomando conta de sua voz mais uma vez.

– Precisamos conversar, mas não me olhe dessa forma novamente, por favor. – os nossos olhos se encontram mais uma vez e sinto como se o ar estivesse um pouco mais leve. Ele me guia para a mesma sala com poltronas confortáveis e coloridas que fomos ontem de noite. Estamos um de frente para o outro.

– Eu sinto muito por ontem, Haruhi, muito mesmo. – Ele está cabisbaixo e constrangido de verdade – Não fazia idéia de que você fosse uma... uma garota.

– Porque não parou? – Meus olhos estão fervendo, mas controlo meus nervos, ele está sendo punido interiormente.

– Porque eu pensei que quisesse... Sei que é estranho! Mas na minha primeira vez o cara foi bruto como eu e, bem, eu gostei muito. Eu queria, mas tinha vergonha, achei que fosse o mesmo com você.

– Kaoru, eu não sou como você! Aquilo me magoou muito, sabia? – Isso foi como uma facada pra ele, sei disso.

– Sim... Eu sei. – Vejo o seu rosto escurecer e me deparo com um mar de lágrimas nos seus olhos escorrendo pela sua pele tão macia. – EU SEI! Eu sei o quanto isso machuca! Eu sei o quanto dói ser tocado e não querer isso! DESCULPA! Mas que se @#$%, ninguém me ajudou... então... – os soluços passaram a não permitir que ele terminasse qualquer frase. O mínimo que pude fazer eu fiz, fiquei em silêncio e tentei acalmá-lo, céus, pelo que esse menino passou? Como me sinto culpada! Droga.

– Shii, eu vou te ouvir, Kaoru, tudo bem, passou! – digo calmamente.

– Passou? Haruhi... Eu te amo e estou falando sério quando digo isso. Mas eu te amo como eu amei dezenas de outros homens. Sabe porque? – Consigo sentir a dor na sua fala – Porque eu nunca conheci o amor que os seus pais conheceram. Eu fui estuprado, Haruhi. Estuprado por um porco alcoólatra. E sabe o que é pior? Isso nunca vai justificar o porque eu fiz aquilo com você ontem. – Meu coração parou. Não consigo me mover, não consigo respirar ou pensar. Ele foi estuprado pelo próprio pai. Do que diabos eu estava o culpando?

– Desculpa... – A sua bipolaridade desce em lágrimas enquanto ele se desculpa e grita chorando. Ele está completamente entregue a mim, não tem mais autocontrole algum, apenas mágoas, traumas. Sinto vontade de abraçá-lo, de acolhê-lo e confortá-lo, mas isso não é possível agora. Enquanto volto a tomar consciência dos meus pensamentos, ouço a porta ser aberta com força e um menino se atirar em cima do Kaoru como se sua vida dependesse disso. É o Hikaru, ele finalmente está aqui. O Kaoru está de joelhos no chão chorando como uma criança enquanto o Hikaru o abraça e o levanta, fazendo com que se sente. Sinto o seu olhar sendo lançado na minha direção, mas depois eles somem dentro dos corredores.

Depois de uma meia hora refletindo sobre o que eu tinha acabado de ouvir, vejo o meu bardo ruivo de frente para mim. Seus olhos estão tristes, muito, muito tristes. Ele parece acabado, senta-se ao meu lado e estamos novamente em silêncio. Até a sua respiração me alerta a ficar calada. Com os cotovelos encostados nos joelhos e a cabeça virada para mim, encontro um olhar desamparado e sincero. O que te fizeram, menino?

– O que aconteceu? – A pergunta é curta e grossa, ele parece morto.

– Ontem a noite o Kaoru foi ao meu quarto – seus punhos se apertam e ele fica com a postura ereta na cadeira me encarando com um misto de preocupação, raiva e tristeza, mas eu preciso muito continuar – e me beijou, ele descobriu que eu sou uma garota e ficamos em uma situação delicada. Então hoje ele tomou um momento para desabafar. – As palavras chegam a arranhar a minha garganta e isso enlouquece o Hikaru.

– Haruhi... Lembra daquela pessoa?

– Eu sei... – Os seus olhos se encheram de lágrima assim como os de seu irmão, mas ele não as deixou cair. Pegou minhas mãos com força e me encarou com aqueles globos dourados afogando em tristeza.

– Me prometa, Haruhi, me prometa que vamos ver as estrelas novamente. – Como é possível alguém recusar um pedido desse, seu idiota? Como eu estou confusa, como eu quero te confortar.

– Eu prometo.

– Vamos pra casa.

– E o Kaoru? Ele está bem? – O seu corpo se enrijece de novo, mas continua.

– Está sim, não se preocupe, vamos para casa... Você passou por muita coisa aqui.

Eu queria perguntar tanta coisa, conhecer tanto mais sobre eles, mas me contentei com o silêncio, o nosso silêncio. Desculpa por tê-los julgado tão mal... O caminho foi rápido até a minha casa, ele foi cavalheiro e procurou não demonstrar nenhuma emoção. Me lançou um sorriso bonito de despedida e depois voltou para a sua sombra sozinho. Já em casa encontro o meu pai, estava com saudade de um conforto familiar! Eu o abraço e ele beija a minha testa com ternura.

Após um mês...

As coisas realmente melhoraram, eu e os gêmeos passamos a conversar mais e a estarmos juntos o máximo possível. Mesmo assim não vou à casa deles com freqüência. O Honey continua sendo o meu pequeno conforto aqui dentro. Ele é muito fofo, mas para a sua idade deve passar por muita coisa também. Já o Tamaki, bem, ele ainda está um pouco distante, mas estamos voltando ao normal aos poucos.

– Haruhi! O que você acha de nós irmos ao aquário hoje? – ouço uma voz confiante e engraçada, é fácil identificar o Tamaki! Ele me chamando para sair? Que novidade...

– Claro...

– Perfeito, depois dos trabalhos no clube nós vamos juntos. – os meus queridos ruivos não apreciaram muito a idéia, mas decidiram não interferir.

Aqui é realmente bonito, não vinha aqui desde que minha mãe morreu. É tudo escuro e azulado, é intenso, tudo com ele é intenso. Vejo o meu príncipe entrando devagar, aquele dourado dos seus cabelos é incomparável. Ele está com duas casquinhas de sorvete e isso deixa tudo mais leve entre nós.

– Oi!

– Oi.

– Então, gostando do passeio? – Ele é realmente um anfitrião.

– Sim senpai!

– Sabe, eu queria me desculpar com você por aquele dia... Eu fui rude e impulsivo. Não sabia o que pensar, o que sentir. – Ele me olha – O que estava acontecendo... O que você esconde na sua mente? – Essa pergunta me intrigou um pouco, então decidi dar-lhe toda a minha atenção – Eu quero te conhecer, entrar no seu mundo, destruir os seus muros.

– Você já faz isso, senpai. Mas é algo que se conquista com o tempo...

– Eu sei... Tomara que tenhamos muito tempo, não é verdade?

– Espero que sim...

– Venha! Vamos nos divertir! – O seu sorriso toma conta de toda tensão e a sua mão puxa a minha afim de me guiar para alguns brinquedos.

Fomos na casa fantasma, na roda gigante, no tiro ao alvo, no escorrega, no tobogã, em quase tudo! Ele não tem medo de nada que gire, que coisa estranha! O céu parece um pouco nublado, espero que não chova... Bem, há um brinquedo em que eu quero muito ir! É a Super Montanha Russa 300 insano. Haha, pelo nome é coisa boa! O Tamaki aceitou rápido, pelo visto ele também estava com vontade, mas, cavalheiro como é, não ia me constranger pedindo para ir à um brinquedo em que eu poderia passar mal ou simplesmente não querer ir, ter medo. Estamos aqui um ao lado do outro, é até emocionante, não paramos de rir nem um instante. Ela vai subindo, subindo, subindo, descendo, subindo, descendo, muito rápido! Cada vez ela vai mais rápido e isso é assustadoramente excitante! Droga, estamos no topo, é lindo... Podemos ver todo o Japão, o que me faz lembrar, por uma fração de segundos, do meu bardo ruivo. O medo faz com que apertemos as nossas mãos inconscientemente com todas as nossas forças! E lá vamos nós! É tão rápido que os nossos cabelos ficam de pé! A vontade de rir com a de chorar se mistura e tudo se transforma numa grande gargalhada, tão alta quanto as nossas mãos que estão tentando tocar os céus, mas ainda assim sendo seguradas.

Ao final da volta, estamos descabelados, extasiados, rindo e leves, muito leves. A situação só se torna constrangedora quando nos damos conta das nossas mãos... Céus! Eu amo e odeio esses brinquedos! Tudo bem, nos recompomos e continuamos pelo parque, ele fez alguns truques de mágica, o que impressionou a mim e a várias crianças ao nosso redor. Ele fica bonito de máscara e cartola, aliás, ele é um homem muito bonito.

– Já está escurecendo, vamos comer alguma coisa antes de eu te deixar em casa, tudo bem?

– Sim! Tudo bem. – Nós estamos indo para um restaurante que eu gosto muito aqui perto. Eles vendem comida australiana, são sanduíches de dar água na boca de qualquer pessoa sã! Hoje foi tão agradável, tão confortante!

– Já escolheu o seu pedido? Pois eu já escolhi o meu! – O seu sorriso faz com que a garçonete, que está próxima a nós, core furiosamente. Ele é realmente desejado, deve ser impossível alcançar alguém assim...

– Uhum!

O pedido não demorou muito para chegar e, como sempre, estava uma delícia! Mantivemos a conversa normal e engraçada, conversamos sobre filmes, séries, animes, livros, queijos... Haha, tudo! Ele está muito descontraído.

– Hora de levar a mocinha para casa!

Hoje eu pude conhecer um novo lado do Tamaki, um lado gentil, criativo, fofo, engraçado. Gostei dessa face dele, é muito sincera. Estamos no seu carro quando ouço a chuva cair, é impossível não lembrar daquele dia. Fico tão feliz em ver o seu rosto feliz ao invés daquela expressão melancólica que ele carregava. O meu coração aperta e eu fico imóvel... Um trovão... Não... Não... Eu o encaro com medo, ele não sabe o que está acontecendo e pede para que parem o carro, mas eu, em protesto, peço para que continuem. Meus olhos se enchem de lágrimas, toda aquela alegria se torna tristeza. Eu me sinto tão envergonhada por mostrar a ele o meu lado inseguro e medroso. Esse sentimento se ameniza quando sinto suas mãos ao redor dos meus ouvidos e os seus olhos diante dos meus. Ele está sorrindo como um menino e acompanho os seus lábios que dizem “Eu vou te proteger”. Isso aquece o meu coração. Antes que eu pudesse perceber, nós estávamos assim, próximos como naquele dia. As nossas respirações se encontram tão facilmente e isso aquece os nossos rostos. Ele quase não pisca, apenas me olhando, como se pedisse permissão. Não sei bem como me portar, pois não tenho certeza sobre quais são os meus sentimentos por ele. Mais um ultimo suspiro de paz e nossos lábios se encontram. Ele é diferente do Kaoru... É mais cuidadoso, romântico, protetor... As suas mãos puxam a minha cabeça para perto dele com delicadeza e eu me torno inundada por essa maldita inércia que não me permite largá-lo. Os nossos gostos se misturam e os nossos movimentos formam uma dança contagiante. As mãos passando pelos rostos, ombros. Ficamos assim, nos beijando, nos conhecendo por alguns minutos até, novamente o meu peito apertar e eu afastá-lo um pouco para olhar nos seus olhos. Nesse instante eu senti um suspiro pesado e, enfim, ele se ajoelha e se declara apaixonado por mim. Dessa vez não foi como quando estive com o Kaoru, eu pude ver um universo no violeta dos seus olhos, uma devoção que eu nunca tinha percebido antes... Tudo é tão intenso com ele. Sinto como se estivesse o traindo, ele me puxa novamente, delicadamente, mas eu desvio o meu rosto para o lado, não quero fazer isso, não quero sentir o meu corpo trêmulo e formigando como está agora, sem saber o que eu realmente sinto por ele. Por esse idiota que mexe com os meus sentimentos.

– Eu sinto muito... Senpai... – Isso foi o bastante para que ele se afastasse e se contentasse com a nossa situação. Após um pouco de silêncio para acalmarmos os nervos e voltarmos para a realidade, ouço a sua voz me chamar.

– Haru-chan! – Ele está sorrindo e, como sempre, me surpreendendo – Você acredita em promessas?

– Sim... – Isso é tão intrigante.

– Eu vou te esperar. Mesmo que demore a minha vida, eu vou te esperar. – Os seus olhos não mentem, nem a expressão no seu rosto. A sua sinceridade faz o meu corpo aquecer e uma pontada aperta o meu coração, mas não de uma maneira ruim, eu me sinto abraçada por uma sensação boa. Acho que o nome disso é esperança.

Ontem foi mesmo um dia muito legal, apesar de surpreendente. Eu nunca imaginei o Tamaki apaixonado por mim. Parece algo tão inalcançável. Pensei muito sobre nós dois essa noite, mas não deu em muitos resultados, apesar de não conseguir esquecer a sensação do nosso beijo. Mas que droga! Enfim, hoje é dia letivo então é melhor eu me apressar.

– Haruhi, gostou de ontem? – Ouço o senpai me questionar sorridente.

– Sim!

Não sei o porque, mas esse curto diálogo deixou uma atmosfera pesada no clube... Algo entre todos, o que eu estranhei muito. Enfim, deve ser algo entre eles. O dia está muito bonito e eu aproveitei para usar a gravata nova que ganhei do meu pai de aniversário. Ela é muito bonita e fina, me deixa com o busto um pouco maior, mas acho que ninguém vai reparar, com ou sem gravata eu sou uma tábua. Logo depois de eu me preparar para os atrativos do clube, vejo o Honey-senpai vindo na minha direção, o que me deixa muito feliz! Ele é o único que não está de mau humor hoje.

– Haru-chan! Será que a gente pode conversar um pouquinho antes de começar o clube?- o seu sorriso é tão amável que fica impossível negar qualquer coisa para aquele pinguinho de ouro.

– Claro! – Nós saímos para a varanda do colégio, que é bem grande e agradável.

– Você sabe que eu gosto muito de você, não sabe? – A sua voz assumiu um tom um pouco mais maduro, o que me fez ficar alerta.

– Sim, eu também gosto muito de você. – lanço-lhe um sorriso.

– Que bom! Haru-chan... algumas vezes a gente fica em situações delicadas sem nem nos darmos conta. As atitudes que nós tomamos influenciam as pessoas ao nosso redor, sabe como? Nos sentimentos de cada um. Você entrou no clube há pouco tempo, assim como nas nossas vidas, mas veio como um furacão, fazendo com que afetasse todo mundo. Quero dizer, não malvada como um furacão! Mas marcante como um. E algumas pessoas são mais intensas que as outras. Haruhi... Cuidado, cuidado com as pessoas. Elas se magoam fácil. – Eu pude compreender cada palavra e cada tom que ele usou. Todos devem saber dos últimos acontecimentos, de uma forma ou de outra.

– Obrigada! – Nós nos abraçamos inocentemente e seguimos para dentro, tudo continuava tenso.

Depois do expediente eu fui conversar com os meus colegas de classe e fiquei muito feliz quando o Kaoru reparou na minha gravata nova! No mais as garotas deixaram tudo mais leve, estou dizendo, as mulheres tem um poder incrível para animar um lugar! Estou pensando em como agir, em como pensar, se é que isso faz algum sentido... Acho que finalmente tomei a minha decisão.

– Hikaru... Posso ir a sua casa hoje? – Isso chocou todos os hosts que ali estavam.

– Claro...

– O Tamaki-senpai pode ir junto? – Os seus olhos se arregalaram mais ainda, mas no fim ele concordou. Quem não gostou muito da idéia foi o meu senpai, mas ainda assim ele se calou e pareceu aceitar.

– Okay.

Estamos todos no carro dos Hitachiin, eu faço algumas piadas para quebrar o clima e acaba funcionando, não sei se porque sou boa nisso ou porque eles gostam um pouco de mim. Alguns assuntos vão surgindo, depois de muito esforço, e eles passam a conversar uns com os outros independentemente. Isso me alegra tanto que não consigo parar de sorrir.

– Bem vindos! – Dizem os dois ao mesmo tempo.

– Obrigada! – Nós comemos algumas besteiras e fomos para a sala das poltronas coloridas, lá tinham alguns jogos que decidimos por. Eu, obviamente, humilhei todos eles! Sou ótima nisso. Brincadeira, nunca tinha jogado antes, mas acho que me sai bem!

– Acho que está ficando tarde – Diz o senpai.

– Verdade... – concordo e, para a minha surpresa, ouço uma sugestão.

– Porque vocês não dormem aqui? – O kaoru parece está de acordo com o Hikaru nisso, o que faz com que eu e o Tamaki nos entreolhemos.

– Eu posso ver com o meu pai... – Isso clareia o rosto de cada um deles!

Meu pai como é louco para me casar deixou logo de certa. Todos nós ficamos no mesmo quarto a pedido do Hikaru. Eu sei que isso é porque ele não quer que eu passe pelo que passei da última vem em que dormi aqui, fiquei um pouco preocupada com a reação do Kaoru, mas, apesar de ficar um tanto cabisbaixo, estava feliz com a idéia!

– Legal, vai ser uma noite de meninos então! – Não pude deixar essa deixa escapar e isso fez com que todos caíssem na gargalhada. Foi assim a noite praticamente inteira. Nós todos juntamos as duas camas do quarto, fazendo uma cama gigante, e nos esparramamos sobre ela. Jogamos verdade ou conseqüência, imagem em ação, adedonha, jogávamos qualquer coisa que pudéssemos. Já por volta das três da manhã, não agüentávamos mais de sono e decidimos ir dormir de verdade. O Tamaki-senpai e o Kaoru se aconchegaram, assim como eu, e caíram rápido no sono. Enquanto o isso o Hikaru tinha decido para buscar água, mas a sua demora me intrigou um pouco, como a criança que eu sou, decidi procurá-lo. Passei pela cozinha, mas ele não estava, nem na sala das poltronas, nem na sala principal e muito menos no seu quarto. Pensei então naquele lugar no teto, mas assim que cheguei embaixo da porta, vi que ela estava trancada. Eu não conseguia me conter, o que será que tinha acontecido? Sai então com passos rápidos pela casa, sem me importar com por quais cômodos estava passando, apenas pensando em encontrá-lo. Virando um dos corredores da imensa mansão, encontrei o meu bardo hipnotizado, encarando uma janela imensa que ia do teto ao piso. O brilho intenso da lua deixava a sua pele pálida e destacava o fogo dos seus cabelos. Eu me aproximei devagar para não assustá-lo, ele percebeu a minha presença e me lançou um sorriso tímido. Está sentado no chão e me chama para acompanhá-lo, o que eu faço de imediato. O céu está estupidamente bonito. As estrelas brilham como nunca antes, não há nenhuma nuvem, mas talvez parte dessa beleza toda esteja nos meus olhos e não na natureza em si.

– Não está com frio? – Pergunto suavemente.

– Não mais. – Ele me olha carinhosamente e sorri, o que me faz corar um pouco – Eu nunca mais senti frio depois que conheci as estrelas. – isso me faz sorrir muito – Você é a minha estrela favorita, Haruhi. – eu o encaro procurando entender as suas palavras – Por isso não seja como as outras, não fique distante ao ponto de não poder me ouvir. – finalmente fui capaz de compreender.

– Eu não vou. – seguro a sua mão com carinho – Sabe porque eu amo tanto as estrelas? Elas estão ai há centenas de anos e vão continuar. Estão ai antes de nós e vão permanecer até após a nossa morte, mas ainda assim não as odiamos, não as invejamos, porque elas passar essa fração de eternidade sozinhas no escuro. Eu converso com elas para que elas não se sintam sozinhas, dessa forma, quando eu me sinto no escuro, no frio, lembro delas e penso que não estou sozinha. Sei que é infantil, mas não deixa de ser esse o meu mundo. – Termino dando o meu mais sincero sorriso que é retribuído pelo brilho dos seus olhos.

– Entendo... – Começamos a rir baixinho de nós mesmos, sem soltarmos as nossas mãos.

– Venha, é hora de irmos para a cama. – lhe ofereço a minha mão que ele acolhe e seguimos sorrindo como bobos para o quarto com todos os outros.

Espero nunca me distanciar dessas estrelas.

Notas finais
Por favor expressem os seus sentimentos, compartilhem as experiencias que vocês vivenciaram com essa ficção, deixem-me conhecê-los! Espero que nos tornemos grandes amigos conectados por palavras digitadas e mentes criativas. Comentários são mais que bem vindos e, se for de vontade de vocês, favoritar o autor e a obra ajuda muito para a montagem de outros trabalhos. Um beijo à todos e até a próxima aventura!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!