Notas iniciais
É aqui que a história começa de verdade e são apresentados os primeiros protagonistas da história: Rick, Claire, George e Sally. Let's go!

Era uma noite calma e silenciosa em New York, ao contrário dos dias anteriores. Ultimamente, a cidade vêm ganhando mais turistas e, consequentemente, mais habitantes — é daí que surgem a confusão e o caos, gerados pela superlotação da cidade. Outdoors, televisões, rádios, várias pessoas falando ao mesmo tempo... Por sorte, a família de Rick morava em uma área um pouco afastada da cidade, em um terreno rico em grama e uma casa que aparentava ser uma grande mansão. No quintal, havia um pequeno parque, com uma mesa para lanches, um escorrega e um balanço — Os Keplers ficavam por ali quando cansavam-se de assistir a televisão ou o barulho da cidade estava os incomodando. Rick e sua irmã, no tempo livre, gostavam de ir para lá, principalmente, para observar as estrelas e apontar os nomes dos astros e constelações. Na maioria das vezes, Christian e Annie ficavam em casa dormindo, lendo um livro ou assistindo algum filme. Nessa noite, não foi diferente: Para não incomodar os pais, os dois irmãos saíram pela porta dos fundos, localizada na cozinha, enquanto eles assistiam televisão. Quando chegaram lá fora, encontraram um céu completamente estrelado, dando destaque à Constelação de Órion e à conjunção de Lua com Mercúrio.

Rick: O que achou? — sentou-se em uma das cadeiras do balanço — Não é todo dia que se vê uma coisa desse tipo.

Claire: É realmente muito bonito, Rick. Você sabe... Eu sempre sonhei em conhecer os segredos do Universo, enquanto você sempre quis observar as estrelas. — sentou ao lado do irmão — Seguindo um certo ponto de vista, nós somos bem diferentes.

Rick: As estrelas me dão esperança e coragem para seguir em frente. Vê aquelas três ali? Assim como Christian nos ensinou, elas são chamadas de Cinturão de Órion. Elas nunca se separaram, e é assim que eu me sinto quando enfrento uma situação difícil: Sempre terei alguém ao meu lado, e essas pessoas são você e George. Somos o Cinturão da Hashville High School.

Claire: Mas e Sally? — o garoto virou o rosto. — Você ainda gosta dela, não é?

Rick: Aí você já está entrando em outro assunto totalmente diferente. Sally já não é uma questão de amizade, e sim de—

Claire: Se você pudesse viajar por todo o tempo e o espaço... Ver tudo o que foi, o que é e o que poderia ser... Quem você levaria?

Rick: Quem mais eu poderia levar? — olhou fixamente em seus olhos — Imagine, Claire: Ficaríamos conhecidos como os irmãos que desafiaram as leis da física e viajaram na velocidade da luz! Seria fantástico, não acha?

Claire: Você só pensa no lado positivo das coisas, não é? Imagine todo o Universo nas mãos de dois adolescentes de 14 anos! Simplesmente não daria certo.

Rick: E você só pensa no lado negativo. Imagine tudo o que poderíamos fazer no espaço! Andar de skate na lua ainda é minha meta.

Claire: Se é assim, então eu gostaria de ir para um planeta feito de doces.

Rick: Você só pode estar brincando...

Claire: Deixe de ser tão ranzinza! Ir para um lugar onde os oceanos são feitos de chocolate seria uma boa.

Rick: Certo... — voltou a observar a Lua minguante — Eu realmente não sei porque a maioria das pessoas não param para observar as estrelas. A Lua faz um favor para a humanidade, iluminando as noites da Terra e fazendo esse espetáculo no céu. Se é algo tão magnífico, por que ninguém se importa?

Claire: A raça humana está caminhando por um caminho sem volta. Não há mais como mudar essa situação, Rick. É um ponto fixo no tempo.

Rick: Acho que é melhor entrarmos... — olhou em seu relógio — Já está perto das 22h e precisamos concluir o trabalho de Inglês para amanhã.

Claire concordou, e os dois voltaram para casa. Quando chegaram, as luzes de todos os cômodos estavam desligadas — sinal de que Christian e Annie haviam ido dormir, afinal, eles precisam trabalhar no dia seguinte. Os irmãos dirigiram-se silenciosamente para o quarto, onde sentaram-se em duas cadeiras perto de uma escrivaninha, lugar onde estavam localizados os itens do trabalho. Eles precisavam apenas fazer a margem da cartolina e colocar em suas mochilas, então rapidamente finalizaram a tarefa e foram guardá-lo. Visto isso, ligaram a TV e deitaram-se em suas camas — a de Rick na esquerda, e a de Claire na direita.

Claire: Você vai mesmo assistir? — perguntou Claire, virando-se para o lado da cama de Rick — Eu e Sally marcamos de tomar café da manhã antes da aula começar. Precisaremos chegar na escola bem cedo. Se você quiser, pode ir também e levar o George.

Rick: Tudo bem, vou levá-lo também.... — pegou o controle que estava ao seu lado e desligou a TV — Boa noite, Claire.

A garota virou-se para o outro lado, enquanto Rick observava a escuridão. Aquele cenário fazia-o ficar agonizado — ele não tinha medo do escuro, porém apenas de imaginar o que poderia existir nele, ele já começava a pensar em mil possibilidades. Esse foi um dos fatores que gerou sua insônia, a qual ele possui desde os 8 anos de idade. “A escuridão é meu pior pesadelo, mas preciso me conscientizar de que tenho 14 anos e não preciso mais de todo esse pavor”, pensou. De repente, ele viu a janela começar a brilhar; Fez o reality check, pensando que era apenas um sonho, mas não obteve sucesso. A luz vinda do lado de fora começou a ficar cada vez mais forte, até que ele fechou os olhos e escutou apenas um grande estrondo vindo do quintal. Quando abriu-os novamente, o brilho ainda não havia parado, porém estava um pouco mais fraco. Checou se Claire ainda estava dormindo, e quando percebeu que sim, tirou uma bússola do bolso e saiu sem deixar vestígios. Foi até a cozinha e abriu a porta dos fundos, e não podia acreditar no que estava vendo: À sua frente, estava uma das partes de uma nave, que aparentava ter sido cortada ao meio. Chegou mais perto e descobriu que haviam apenas duas cadeiras, ou seja, a outra parte deveria possuir mais duas e, seguindo essa lógica, o veículo foi projetado para apenas quatro pessoas. “Como vou explicar isso para os outros?”, pensou, sentando-se em uma das cadeiras da nave.

Olhando mais perto, ele descobriu que na frente das cadeiras estava localizada uma pequena tela ao lado de uma alavanca, onde você poderia escolher a galáxia, o ano e o planeta (ou lugar) em que desejava ir. “Desse jeito, só falta inspiração para eu criar meu próprio Manipulador de Vórtex”, pensou, abrindo um dos compartimentos da nave e encontrando uma caixa de ferramentas. Usando-as, conseguiu abrir o local onde estava localizado a tela e retirá-la de lá; Quando o fez, percebeu que havia outra tela embaixo desta. “Essa aqui deve ser a reserva”, pensou novamente, e tirou-a também. Agora, não restavam mais telas, e ele deveria usar a inteligência para fazer o que queria. Porém, ele não poderia voltar para casa e deixar a nave no quintal; Sabendo que o veículo estava inútil, pois estava cortado pela metade, tirou uma das armas que haviam dentro da caixa de ferramentas e usou-a contra a nave. Feito isso, ela desintegrou-se sem deixar rastros. Com nenhuma prova de que algo caiu do lado de fora da casa, ele retornou para seu quarto, guiado apenas pelo brilho da tela, e acendeu a luz. Logo, Claire sentou-se em sua cama.

Rick: Então quer dizer que você não acorda com o estrondo de um objeto vindo do espaço, mas acorda quando eu acendo a luz?

Claire: Eu estou acordada há tempos, Ricky. — apontou para a janela aberta — O que era aquilo lá fora?

Rick: Uma das partes de uma nave. O que acha?

Claire: C-Como disse?

Rick: Repito: Uma das partes de uma nave! Não me viu mexendo nas cadeiras e retirando o objeto que a fazia ir para qualquer lugar do espaço? Nós vamos revolucionar a ciência, Claire. A partir de agora, começa a Nova Era.

Claire: E o que você planeja fazer com isso? Um Manipulador de Vórtex?

Rick: Exato. Espero que sua pergunta não tenha sido irônica. — sorriu.

O garoto tirou um bracelete de dentro de uma das gavetas da escrivaninha, e prendeu a tela na parte da frente dele. Após isto, os fios da tela conectaram-se automaticamente à parte de trás do bracelete e estava feito: Um Manipulador de Vórtex totalmente novo, algo que poderia revolucionar a história da humanidade.

Claire: Eu concordaria mais com a ideia de criar uma máquina do tempo...

Rick: Já fizeram isso, Claire. Só que não foi no nosso universo. — pegou outro bracelete — Eu só consegui encontrar duas dessas telas, então nós devemos manter esses braceletes longe de problemas, entende? Deixo aqui o alerta: Nem pense em emprestar para o George. Ele é desastrado e, se isso cair nas mãos dele, pode gerar uma grande confusão. — finalizou o outro bracelete, e entregou nas mãos de Claire.

Claire: Entendi. Podemos dormir agora?

Rick: Eu optaria por viajar por todas as dimensões, porém se você deseja dormir agora... — colocou um dos braceletes em sua mochila e o outro na mochila de Claire, apagou a luz e foi para sua cama.

Horas depois...

Acabava de amanhecer em New York. Às 5h30 da manhã, Claire já estava se banhando no banheiro de seu quarto, enquanto Rick já havia tomado banho e estava apenas arrumando-se para ir até a escola. A televisão estava ligada, porém não estava passando nada de interessante, até que os comerciais foram interrompidos para uma notícia urgente.

“Às 22h da noite de ontem, um objeto desconhecido atingiu a atmosfera da Terra na cidade de New York, nos Estados Unidos. Ainda não se sabe a razão, porém ele não conseguiu ser rastreado e neste momento estão realizando pesquisas no local. Será que existe a possibilidade de outra civilização estar tentando se comunicar conosco?”

Rick estava paralisado — afinal, o que seria dele e de sua irmã se descobrissem que os dois construíram Manipuladores de Vórtex? Seria uma confusão das grandes. Por este motivo, ele logo colocou sua mochila e deu alguns toques na porta do banheiro, sinalizando que era hora de Claire sair. Rapidamente, ela saiu de lá com o uniforme da escola e colocou sua mochila enquanto penteava o cabelo. Terminada essa tarefa, o garoto desligou a TV e os dois, como de costume, foram de bicicleta para a escola. Quando chegaram lá, às 5h40 — a aula começava às 6h30 —, encontraram toda a escola assistindo à reportagem.

Claire: O que faremos?

Rick: Apenas aja como se não fosse um assunto nosso. Afinal, quem poderia desconfiar que fomos nós que—

Rick foi interrompido por George Lune, seu melhor amigo, que chegou mexendo nos bolsos de seu jaleco, tentando deduzir o que estava dentro.

Rick: Você é louco?

George: Ainda não me deram o atestado! — tirou uma moeda de um dos bolsos — Posso pegar seu dinheiro emprestado?

Rick: Pra que, George? Vai comprar mais comida? Daqui a pouco vira um Adipose e não sabe por que...

George: Sem graça. — guardou a moeda no bolso de sua calça — Fiquei sabendo que vocês vão fazer um café da manhã com a Sally hoje. Ela disse que você me levaria, Rick, então é melhor ir preparando os alimentos.

Claire: Se nós te levarmos, é bem capaz de você transformar um simples café da manhã em um almoço...

George: Juro que não farei isso, ok?

Rick: Tudo bem. — apertou a mão de George — A Claire já trouxe um banquete, então você pode guardar esse dinheiro para o recreio, certo?

Os três caminharam até o final do pátio, onde haviam várias mesas e, em uma delas, lá estava Sally. Para a felicidade de Rick, apenas ela estava lá, então ele rapidamente sentou-se em uma das cadeiras e os outros dois o acompanharam. Claire retirou alguns alimentos que havia trago e colocou-os na mesa, iniciando o café da manhã.

Sally: Hey, Rick. — disse, tirando a manteiga de sua mochila — Você viu a reportagem?

Rick: Aquela da nave espacial e afins? — obviamente, o garoto fingiu não saber do que se tratava — Parecia ser bem... interessante.

Sally: Achei que você ainda se interessasse por esses assuntos...

George: Ele ainda se interessa, só não tem coragem de falar pra você. — rapidamente, levou um chute de Rick — Ow! Você vai ver...

Neste momento, achando que a mochila de Rick estava em sua frente, empurrou-a, assim derrubando-a para fora da mesa — ele conseguiu o que queria, porém a mochila de Claire caiu junto, assim deixando o Manipulador de Vórtex à mostra.

Rick: Eu sabia que isso não iria dar certo... — abaixou a cabeça — Ah, George, você me paga.

Sally: O que é isso? — abaixou-se e colocou o Manipulador em seu braço direito — Hm...

Rick: Hey, NÃO MEXA NISSO!

Sally: Desde quando você grita comigo?

Rick: Sally, por favor, escute o que estou dizendo... Não toque em nada e deixe eu tirar isso do seu braço imediatamente!

Sally: Não!

A garota apertou o bracelete de uma forma mais forte e saiu correndo, enquanto Claire a seguiu. Rick pegou sua mochila e ele e George foram atrás das garotas, porém quando chegaram no local, as duas haviam entrado no banheiro feminino; De repente, tudo o que conseguiram escutar foram alguns gritos e, após isto, apenas silêncio.

Rick: Sally? — deu alguns toques na porta — Claire? RESPONDAM! — bateu mais forte, porém não obteu nenhuma resposta.

George: Você não acha melhor entrar aí?

Rick: De jeito algum. — deu alguns passos para trás — Eu sei bem o que aconteceu. Teremos que tomar algumas medidas drásticas...

Os dois entraram no banheiro masculino, e Rick tirou de sua mochila o outro Manipulador.

Rick: Escute, George: Um Manipulador de Vórtex pode te levar pra qualquer lugar no Universo. Tudo o que foi, o que é e o que poderia ser. O Manipulador de Claire estava no modo aleatório, então eu ativarei o nosso no modo aleatório também. Podemos ir para qualquer lugar, em qualquer tempo, em qualquer universo. Por onde você quer começar?

Rick sorriu, e até que ele estava achando tudo aquilo divertido. Ele e George apertaram a tela do Manipulador em conjunto, e logo os dois foram teleportados para um lugar não muito estranho...