Battle Cry - Interativa
14 Sonhos Quebrados
Notas iniciais
Laura estava de frente para um espelho, encarando um reflexo de si mesma que tinha feições diferentes. Sem entender nada, logo, sua cópia começava a avançar através do espelho, ficando de frente para ela lhe lançando um olhar desdenhoso.
– Você é mesmo a mais egoísta de todos. Pensa apenas em si mesma, enquanto os outros sofrem por você. – A outra Laura, que tinha olhos vermelhos, disse enquanto a rodeava. – Como pôde fazê-lo sofrer desse jeito?
– Do que está falando? – A garota perguntou confusa, sentindo sua garganta arde como se estivesse prestes a engasgar. – Eu não...
– Você sabe muito bem do que estou falando. Está sempre ai, tentando ser a garota perfeitinha quando pensa somente em si mesma, enquanto seu irmão sofre por você tê-lo esquecido.
– Não é minha culpa!
– Não se esforçou para se lembrar! – O reflexo disse alterado. – Quanto tempo você pensa que vai ficar nesse joguinho de “aventura”. Você não leva isso a sério, despreza seus ancestrais e seus súditos.
– Eu não pedi isso. – Laura retrucou enxugando lágrimas que caiam de seus olhos. – E daí que eu não quero essa responsabilidade? Ainda assim, não me recusei a ajudar.
– Seu irmão está sofrendo.
– Eu sei, eu não queria isso, não queria machuca-lo.
– O esqueceu de propósito!
– Não!
Naquele instante, o reflexo que antes era de Laura transformou-se na imagem de Fernando, ele a encarava com um olhar decepcionado e triste, surpreso e com certo desprezo, ele abaixou a cabeça, cerrando os punhos. – Por que... Você... Esqueceu-me?
Era sempre assim, não importa o quão ela se esforçasse, fosse ali ou não terra, todos sempre a achavam egoísta quando desejava algo para si mesma, talvez essa fosse a retribuição por se preocupar com os outros. É claro, que ela estava cansada disso, das represálias, de tudo, seu irmão nunca disse que estava decepcionado com ela por isso, mas será que ele lá no fundo apenas não escondia coisas que queria dizer? Ela estava cansada de tentar se compreendida, e aos poucos, a escuridão começava a toma-la, levando algo que lhe mantinha no controle, levando os motivos para que a razão exista.
Os olhos de Laura, de verdes começaram a tornassem vermelhos, e uma energia poderosa começava a emanar de seu corpo, atraindo tudo o que havia de negativo ali. Será que é isso que acontece, quando o equilíbrio perde o controle? O vale, alimentando-se daquela energia, começava a ficar cada vez mais poderoso.
Ao sentirem aquela energia, quando se aproximaram e finalmente a encontraram, os milites perceberam que a fonte de tudo aquilo era Laura, pois ela emanava uma energia violenta e melancólica. Como aquilo era possível?
– Eu sinto o meu corpo estranho. – Lily abaixou-se cobrindo os braços, e logo sentia uma corrente elétrica fora de controle passar por seu corpo.
– Vamos nos afastar um pouco. – Skye disse ficando atrás de uma pedra. Os outros a seguiram e Lily se recompôs. Logo, a milite do vento pegou sua pedra e mandou um sinal para Gretel que projetou-se a frente deles e criou uma espécie de escudo.
– Isso é terrível! – Gretel disse enquanto observava o interior da caverna com sua projeção, e Thiago que estava ao seu lado assustou-se. – Laura parece estar fora de controle, o vale está sobrecarregando ela.
– Eu vou até lá! – Thiago disse tomando a dianteira, mas a maga o segurou impedindo-o. – Não faça isso, majestade. Pode apenas atrapalhá-los. Tive uma ideia.
– O que fará? – Ele questionou, passando a mão pelos cabelos castanhos, um olhar preocupado.
Gretel concentrou-se, e mexeu os dedos criando uma magia simples. Logo, sua projeção dentro do vale criou uma ilusão que mostrava uma imagem de um céu estrelado, ao qual tinha um efeito calmante. Laura parou para observar, e logo caiu de joelhos repleta de lágrimas enquanto tentava se acalmar e as energias iam se purificando. A maga, sabiamente tinha lembrado que a princesa gostava de estrelas, então deduziu que elas teriam algum significado especial para ela, e felizmente estava certa.
[...]
No castelo negro, Daymon repousava em seu trono de mármore, enquanto ao seu lado, no braço do trono, estava sentada uma de suas cavaleiras secretas, Leona Carter. Era uma mulher demasiadamente bela, tinha pele branca, olhos negros e cabelos castanhos avermelhados. Ela, na maior parte do tempo procurava ficar perto do Lorde, acariciando sua face, e as vezes cedendo a seus desejos carnais, já que a cavaleira nutria uma paixão quase que doentia por seu líder, algo que a fazia ter uma espécie de desprezo pelas demais cavaleiras que se aproximavam, e naquele dia em especial, não era diferente.
Daymon estava tranquilamente sereno, tomando uma boa taça de vinho enquanto recebia uma massagem na nuca, o dia parecia estar perfeito.
– Meu Lorde, quando atacaremos os Sanct? – Vladmir interrompeu com ânsia e impaciência, eles já sabiam para onde os milites tinham ido, embora não tivessem tomado uma inciativa.
– E porque eu faria isso? – Daymon disse com um sorriso vitorioso. – Não percebem que eles, no fim das contas nos serão uteis? Apenas tenham calma, pois meus planos correm como o planejado.
– Deixe o lorde em paz, Vladmir. Não se cansa de perturbá-lo com questões fúteis? – Leona disse quase rosnando de raiva por terem atrapalhado sua privacidade, coisa rara. – Vá procurar o que fazer.
– Não recebo ordens de você, mulher! – O homem se conteve para não proferir um palavrão desagradável na frente de seu lorde. – Você deveria estar numa cozinha, lavando louças.
– Como se atreve! – Leona levantou-se irritada, pronta para retribuir os insultos a altura, mas logo ambos pararam de discutir, interrompidos por uma alta gargalhada do Lorde.
– Guardem sua empolgação para a batalha meus cavaleiros. – Daymon disse com a voz divertida, enquanto passava a mão pelo queixo, tocando a barba, ele olhou para Vladmir, e em seguida deu uma ordem. – Reúna um pequeno grupo, chame a elfa Azmoda, e vá para o sul. Quando interceptarem o grupo, peguem o que eu pedi, mas não matem nem capturem ninguém ainda.
– O que me pede é impossível meu lorde. – Vladmir disse meio emburrado, afinal adorava torturar vitimas até a morte. – Não posso matar apenas um?
– Não. Se mata-los uma nova geração virá, e eu preciso dessa viva, pelo menos por enquanto. Depois os deixarei em suas mãos, mas enquanto eu não cumprir meu objetivo, eles devem permanecer vivos. Serão muito uteis ao meu favor, com certeza serão.
– Entendo. – Vladmir ajoelhou-se em reverencia, se levantou e saiu do salão.
Leona voltou a acariciar o rosto do lorde, murmurando algumas palavras de forma manhosa, brincando com seu cabelo e tentando a todo custo tomar mais atenção que o copo de vinho. Na cidade negra o dia estava estranhamente claro.
Vladmir decidiu chamar dois cavaleiros de sua confiança, irmãos gêmeos com quem provavelmente trabalharia melhor que com Derek, já que os dois não se davam muito bem, na verdade ele sequer sabia por que o cavaleiro do ódio ainda estava ali. Tomando algumas bebidas numa taberna, ele viu uma elfa de cabelos dourados e curtos, cortados num Chanel, era pouco usual, mas Azmoda já não seguia das tradições de seu povo. Ela tinha um corpo esbelto e farto, olhos de azul tão claro como diamantes, quase parecendo brancos, e seus lábios eram vermelhos. Ela usava apenas um colete de couro abotoado que ia até acima dos seios, e cobrindo eles um espartilho roxo, acompanhada de uma saia longa que tinha uma divisão um pouco acima do joelho.
[...]
Os milites ainda estavam preocupados com a reação de Laura, embora a garota tenha se recuperado, permanecia calada. – Vamos por aqui. – Disse ela, indo em direção a uma cachoeira congelada. Eles não estavam muito longe, e logo chegaram a tal cachoeira, toda água estava tinha virado gelo, e no meio dele, tinha uma garota congelada.
A garota tinha roupas elegantes, com um uma estética digna de Atlântida, os cabelos eram castanhos e encaracolados, a pele alva. – Será que ela está viva? – Lily disse incrédula, afinal a garota estava congelada.
– Está sim, tem magia nesse meio. – A projeção de Gretel alertou, eles precisavam tomar cuidado, afinal de contas não dava para saber o que viria pela frente.
Klaus tomou a dianteira e estendeu as mãos, pronto para lança chamas em direção ao gelo, quando foi interrompido por Laura, que segurou seu braço. – Eu só quero tirar ela daí. – Ele disse com boas intenções.
– Temos que ser menos impulsivos Klaus, tirá-la dessa forma pode machuca-la ou mata-la, a natureza não funciona assim. – Laura disse sabiamente e o soltou, ela seguida ela voltou para Flame. – Use a sua energia e descongele a água aos poucos. Sem baixar a temperatura, vá mudando normalmente.
– Mas como eu vou fazer isso? – O rapaz tinha entendido a parte de descongelar e mudar a água de estado, mas não muito bem a da temperatura.
– Não se preocupe Laura, há uma magia que a mantém aquecida. Está apenas dormindo. – Gretel disse de forma apaziguante. Laura ficou mais relaxada, e Flame começou a fazer seu trabalho.
Ele colocou as duas mãos sobre a superfície gelada da cachoeira, fechou os olhos e começou a se concentrar, deixando a energia fluir como se fosse uma parte de si, e aos poucos, a água gelada tornava-se liquida. Alec e Klaus retiraram a garota do meio da água, e a cachoeira voltou a cair normalmente.
Lentamente, Sabrina, a maga que a pouco estava congelada abriu seus olhos que tinham um tom lilás. – Quem são vocês? – Perguntou confusa.
– Somos os Sanct milite. – Klaus disse com orgulho e lhe beijou a mão.
A maga puxou a mão, com certo desdém. Não era do tipo de pessoa que fosse amável com outras pessoas, apenas seu mestre, a vida tinha feito dela alguém muito amargurada. Sabrina era uma maga muito talentosa, sabia quase todos os tipos de magia, exceto a de teletransporte.
– Se vieram até eu lugar creio que minha importância seja demasiada importante. – Sabrina disse num arrogante, sentou-se no chão e os encarou com desprezo. – O que querem?
– Uma aldeia de elfos está com problemas, uma doença mágica. – Gretel explicou a situação, e logo receberá uma resposta áspera.
– Hun, uma maga? Obviamente deve ser bastante incompetente para não ter feito nada. – Respondeu.
– Olha, poções não são minha especialidade, e caso não se lembre, a educação existe.
– Ei garotas, sem discussões. Estamos com pressa. – Alec tentou apaziguar as coisas. – Temos que sair logo daqui.
– Eu os guiarei. – Gretel disse com superioridade, afinal, a pouco tinha sido chamada de inútil.
– Você que está cheia de lama, pegue a água da cachoeira, precisaremos dela. – Sabrina ordenou.
Skye tinha entendido que aquilo era pra ela, mas ela cruzou os braços e virou o rosto. Primeiramente por sua fobia não se aproximaria nem por decreto ali, e segundo, mesmo que tomasse coragem para fazê-lo, não gostou do tom da maga.
– Você não vai ficar me dando ordens. – A milite do vento retrucou sem se mover do lugar.
– Eu pego. – Laura aproximou-se das pedras, embora não gostasse do tom da recém resgatada maga, ela era controlada o suficiente para não se deixar abater por tais comentários. Logo, ela retirou seu cantil do cinto e o encheu de água, pediu para que todos também enchessem os próprios, pois aquilo parecia muito útil.
– Sigam-me. – A projeção de Gretel num instante transformou-se em uma bola de luz luminosa, que flutuava no ar. A maga estava disposta a guia-los até a saída do vale dos condenados.
Todos seguiram a pé, mas as coisas pareciam fáceis de mais. O vale era fácil de entrar, mas difícil de sair, e logo eles descobririam o porquê. O chão começou a tremer, gritos estridentes de almas agoniando tomou todo o local, sendo carregados pelo vendo, pouco a pouco, os esqueletos do vale levantaram-se um a um, criando um exército mortal.
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