Battle Cry - Interativa
15 Catástrofe do Sul
Notas iniciais
Por pedido de Fernando o príncipe de Aquária, a Elfa Pyor saiu com sua amiga Fianis, e mais outro elfo, para procurar algumas ervas medicinais. Tais ervas tinham um efeito tranquilizante e entorpecente, que poderia, por hora, acalmar as crianças e fazerem-nas aguentar mais tempo. Os pesadelos que elas tinham com a doença mágica, era tanto, que algumas estavam morrendo de ataques cardíacos, e o pior era o fato das mais pequenas estarem resistindo menos.
Pyor caminhava pela floresta ali perto, era uma zona neutra, ela sabia onde encontrar as tais plantas, mas estava se sentindo bastante incomodada.
Ela parou por um instante, deu um suspiro. – Essa é uma das piores catástrofes que já aconteceram conosco. – Desabafou cansada.
– Não podíamos esperar menos, nossa tribo ajudou a combater Daymon na guerra civil de Aquária. Ele nos odeia. – Fianis disse gentilmente, ponto a mão no ombro da amiga. – Mas você precisa ser forte! Nosso antigo líder confiou em você.
– As marcas daquela catástrofe ainda então marcadas em mim, minha amiga. O dia em que a tribo do sul sucumbiu a maldade de Daymon, e isto não é o pior. Eu me sinto realmente muito mal de não poder ter feito nada pelas crianças que se foram. Claro que nós estamos acostumados ao ciclo natural da vida, mas isso não é natural! Eles eram jovens, o que será do futuro de nossa tribo?
– Daremos um jeito! – Fianis insistiu.
– Mas isso não apagara o que aconteceu. – Lamentou-se.
A líder dos elfos manteve um olhar perdido para sua tribo, ao longe, via as casinhas nas árvores. Ela e Fianis subiram algumas pedras, já que uma das plantas crescia acima delas, tinham uma altura maior que a copa das árvores, de lá era possível observar bem toda a extensão da floresta. E também, uma parte do que fora incendiado há dez anos atrás, as árvores secas e carbonizadas ainda estavam ali, lembrando-os todos os dias o que restará de sua vila. As cinzas no solo. Pyor sentiu que lágrimas poderiam sair de seus olhos, afinal se os fechasse, podia ver claramente tudo o que aconteceu há dezs anos atrás.
[...]
Na noite da grande catástrofe, os elfos viram bolas de fogo caírem dos céus como quem anuncia o fim.
Eles estavam felizes, comemoravam naquele momento mais uma colheita, até uma misteriosa bola de fogo incendiar uma das mesas. Depois daquilo um dos elfos que guardava o portão gritou anunciando que um pequeno exército se aproximava da tribo.
O exército, bem estruturado carregava uma bandeira vermelha, que tinha o desenho de um escudo, a letra D do nome de Daymon. A frente um homem de cabelos negros e meio grisalhos comandava-os com seu olhar sádico, Vladmir o cavaleiro do sadismo.
Os portões da tribo do sul estavam fechados, porém não por muito tempo, a vila estava em caos, às bolas de fogo lançadas por catapultas tinham incendiado toda a tribo e as chamas se alastravam rapidamente pelas árvores.
– Destruam esse lugar e tragam os prisioneiros traidores. – Vladmir gritou erguendo sua besta. – Por Lorde Daymon. – E assim disparou uma flecha como sinal.
Alguns soldados avançaram segurando um enorme tronco, batendo contra os portões de madeira, tentando abri-los e derrubá-los. Os elfos se posicionaram acima dos muros, lotando as copas das árvores e empunhando seus arcos.
Chuvas de flechas caíram sobre os soldados, alguns eram atingidos no pescoço, nos membros, outros usavam os escudos sabiamente para impedir a chuva, eles se reuniram numa formação. Um grupo de elfos saiu, pulando por entre as árvores e escondendo-se entre as folhas, eram habilidosos, porém poucos devido às perdas durante a guerra. Era de noite, o céu estava a seu favor, mas não o fogo.
Em casa, a elfa Pyor observava tudo pela janela. Tinha sido recomendado pelos sábios que as crianças fossem evacuadas, mas era um trabalho difícil na época. O líder naquela época, saiu para tentar apaziguar as coisas e usar seus poderes a favor da tribo. Um grupo de elfos usava seus poderes curativos para ajudar os amigos feridos, e um deles era Seliee Austelar.
Seliee com sua pouca idade já era bastante habilidosa e infelizmente muito inocente, estava com cerca de seis anos de idade e acreditava que podia ser útil, também sem seus pais para guia-la, não era uma surpresa estar no campo de batalha. Liraz sua irmã mais velha na época tinha 16 anos, era apenas um ano mais velha que Pyor. Naquela época, Liraz estava caçando comida fora da vila, quando percebeu uma fumaça emergir daquela direção, e assim voltou apressada para casa.
– Capturem todas as mulheres e matem os homens. – Vladmir ordenou mais uma vez. Os soldados a quem comandavam obedeceram.
Eles avançaram a galope em seus cavalos, derrubando as coisas, as chamas tomava o topo das casas de madeira, parecia que não tinha lugares seguros ali.
Surpreendentemente, por um instante, as chamas do fogo que se alastrava ganharam forma e assumiram o formato de uma fênix que avançou na direção de Vladmir, voando pela vila e atingindo os guerreiros de Daymon. O homem usou o escudo para deter o passáro.
– Ora o que temos aqui? Eu pensei que vocês estivessem inúteis. – O cavaleiro do sadismo disse com deboche, enquanto encarava o homem de cabelos vermelhos com uma capa branca e o símbolo do fogo. – Vocês deveriam estar mortos.
– Você é muito engraçado. – Calisto respondeu num tom desafiador e repleto de sarcasmo. – Sem nosso líder equilíbrio é claro que nossos poderes estão confusos, mas eu ainda posso fazer coisas como essas. – Logo uma onda de fogo se formou e cercou Vladmir, o cavalo dele levantou as patas dianteiras, assustado, e o lançou-o para trás.
O cavaleiro do sadismo pendeu para trás, mas se segurou firme a montaria para não cair. Ele desceu do cavalo e pulou por cima das chamas.– Então parece que você quer lutar comigo? Isso está ótimo! – Respondeu, sugando o próprio sangue do ferimento que ganhou em dos braços.
O ataque não tinha parado por conta do cavaleiro do fogo, os cavaleiros de Daymon continuavam avançando, os elfos estavam desesperados e faziam o que podiam para escapar daquilo. Eles eram militarmente treinados, mas desde a guerra civil, os mais guerreiros tinham morrido sobrando apenas elfos comuns e poucos lutadores.
Um grande monstro de terra levantando-se do chão tinha algumas árvores presas a ele; e também algumas pedras. Logo a criatura começou a atacar e varrer os guerreiros de Daymon, ela não se feria, no topo dela tinha um homem negro, era alto, tinha cabelos longos com dreads nele e usava uma capa branca como a de Calisto, só que com o símbolo da terra. Ele era Kenai Nimble, o milite da terra. O homem, num tom sério controlava a enorme fera com seus poderes da terra, tudo o que ele fazia, o gigante de terra imitava e repetia o movimento, e assim, o exército de Daymon era afastado aos poucos da vila.
O líder da vila interveio na luta de Calisto e Vladmir, ele usou uma magia elfica para cegar Vladmir temporariamente, e assim, o cavaleiro secreto de Daymon recuou ordenando que os soldados pegassem o que já tinham e fugissem, mas não antes de cumprir sua vingança pessoal. Mesmo cego Vladmir sabia onde o sábio estava, era de frente para ele, então rapidamente atirou uma flecha de sua besta e fugiu com o cavalo que era bem treinado. Calisto caiu de joelhos no chão exausto. O elfo líder que já tinha bastante idade caiu e pendeu para trás, a flecha tinha atingido o abdômen um pouco abaixo do coração, o homem estava cansado. Calisto o segurou, embora exausto e muito cansado, não se deixou abalar.
Enquanto o líder sucumbia, os soldados de Daymon fugiam com as elfas capturadas. Liraz, correu o máximo que pode, mas infelizmente tinha chegado quando a batalha estava acabando. A vila ainda estava em chamas, ela olhou para um dos soldados e viu que ele mantinha sua pequena irmã Seliee, de apenas seis anos, junto ao corpo segurando uma faca no pescoço da elfa.
– Solta ela!- Liraz disse alarmada, mirou seu arco na direção do cavaleiro, que num tom de escarnio riu. Mais dois soldados apareceram de lados opostos e apontaram não para a elfa de cabelos prateados, mas para Seliee.
O cavaleiro tinha cabelos negros, uma barba bem feita. Embora poucos soubessem, Daymon tinha a mania de fingir-se de cavaleiro apenas para fazer suas barbaridades, rir por trás das cortinas e se divertir com o caos. Sem o equilíbrio quem mais poderia nota-lo ali?
– Minha querida elfa de cabelos prateados, eu sinto lhe dizer que se essa flecha me atingir essa pequena e linda elfa morrerá instantaneamente. – Os homens de Daymon também portavam arcos. – Seja boazinha e solte esse arco.
– Você é um maldito! – Liraz obedeceu, soltando seu arco. Ela tremia de raiva, logo os homens de Daymon a acorrentaram.
Lágrimas de raiva desciam dos olhos da elfa. Por quê? Porque não tinha ninguém para ajuda-la naquele momento? Porque ninguém tinha protegido Seliee e a levado para a droga de um abrigo? Isso não fazia sentido. Era dessa forma humilhante, e inacreditável que a independente Austelar tinha sido levada; e capturada pelo ser que mais odiava na face da terra. Seliee tinha ficado tão assustada que demorara cerca de uma semana para voltar a falar, e desde então, o inferno na vida das irmãs elfas tinha começado.
[...]
No dia seguinte a catástrofe nada além de cinzas e troncos carbonizados tinha restado da tribo do sul. Tudo, absolutamente tudo estava destruído. Os elfos restantes tinham se reunido todos juntos, um escrivão com o livro do nascimento anotava todos os que tinham sobrevivido e que estavam presentes. Era uma enorme lista, onde tinha os nomes de todos os elfos da tribo.
Pyor estava bastante triste com tudo que ocorrerá, alguns elfos artesões construíam abrigos temporários, eles pretendiam reconstruir a vila em breve, de uma forma mais escondida, porém num local perto da anterior, aquela floresta ainda era seu lar e eles não ser dariam por vencidos.
Calisto o milite do fogo e Kenai o Milite da terra estavam bastante exaustos com todo o esforço, sem o mestre equilíbrio coisas que eles faziam sem derramar uma gota de suor tinham se tornado desgastantes, uma vez que a natureza era algo muito poderoso para lidar. Calisto tinha usado toda a sua força para extinguir as chamas.
– Sem o nosso mestre as coisas estão ficando cada vez mais complicadas. – Kenai disse com ódio e fúria.
– Não podemos perder as esperanças meu amigo. Ainda há muito que fazer. – Calisto respondeu com um sorriso torto, ele era bastante positivo e não se dava por vencido nunca. – Vamos ficar por aqui até que eles se estabeleçam, os subordinados de Daymon podem retornar.
– Acho difícil se não restou nada, mas eu estou de acordo. – Kenai levantou-se e foi na direção de alguns elfos ajudar a carregar alguns troncos que serviriam para construir casas nas árvores da nova tribo. Seu poder da terra poderia ser muito útil, embora exaustivo.
Calisto foi até uma tenda, lá o líder ferido dos elfos do sul estava repousando, e embora o esforço das elfas curandeiras fosse grande, nada parecia poder ser feito. Na tenda estavam dois sábios, e duas elfas que tinham sido convocadas. Uma delas era Pyor, elfa muito próxima do líder, e a outra era Azmoda a filha do próprio líder. Todos estavam com um ar de suspense, Calisto apenas ficou observando.
– O ciclo da minha vida está para terminar e é justo que um jovem líder possa guiar-vos em seu renascimento. – O líder disse serenamente, o corpo fraco, seus cabelos eram longos e num tom grisalho. – Porém eu estou em dúvida entre vocês duas. – Ele referiu-se as elfas mais jovens. – Pyor você é sabia, porém impulsiva; e Azmoda você é minha filha, é organizada e centrada, porém não sabe tomas boas decisões.
A elfa, que na época tinha longos cabelos loiros e usava trajes de sua tribo ajoelhou-se diante do leito do pai e pegou sua mão. – Eu sei meu pai, porém sou sua filha. É meu direito sucedê-lo, ninguém conhece a tribo melhor do que eu. Irei fazê-la prosperar e ser mais segura. Essas são minhas prioridades.
O líder assentiu e virou-se para Pyor. – E você jovem Pyor, qual é sua prioridade?
A elfa foi pega de surpresa, mas respondeu com o coração aberto. – Nesse momento, meu líder, é encontrar os sobreviventes. Reerguer a vila é importante, mas cada vida de nosso povo vale tanto quanto qualquer outra coisa.
– Está decidido. – O líder direcionou sua fala aos sábios. – Que assim seja, busquem pelas vidas que restam, Pyor é a nova líder. – Com o coração mais tranquilo, o líder dos elfos sentiu seus últimos suspiros em vida saírem, indo embora, sua energia retornava a sua mãe, a terra.
Azmoda ficou inconformada e saiu dali às pressas. Pyor, com apenas dezesseis anos ainda não tinha percebido a ficha cair, ela realmente estava um pouco perdida. Ela? Líder dos elfos?
– Por onde você acha que devemos procurar? – Calisto disse-lhe oferecendo ajuda, ele tinha um sorriso esperançoso e radiante. – Não podemos fazê-los esperar certo? Irei acompanha-los por segurança.
– Sim, sim. Há um refugio para idosos e crianças numa caverna próxima, mandamos alguns para lá. – Pyor respondeu. – Eu vou mostrar o caminho. – Ela disse de forma um pouco atrapalhada e seguiu na frente. Dois elfos mais fortes os acompanharam, enquanto isso os sábios foram espalhar a noticia por toda a vila, não tinha tempo a perder.
Eles seguiram uma trilha pelas árvores, esperançosos, mas quando chegaram ao abrigo, viram algo desanimador. Tinham vários elfos adultos e mortos no chão, e no interior da caverna, absolutamente nada, tudo tinha desabado.
– Isso não é possível, não pode estar certo. – Pyor ajoelhou-se no chão, lágrimas caiam de seus olhos e molharam a terra. – Um desmoronamento desses é impossível.
– Acalme-se. – Calisto pôs a mão no ombro da nova líder, embora também inconsolado, ele deu uma boa noticia. – Eu consigo sentir calor vindo da caverna, ainda há vida ali. Vamos dar um jeito de remover essas pedras, logo.
E assim o trabalho de remoção começou, algumas pedras eram muito grandes, tinha uma passagem muito estreita, mas logo os elfos conseguiram um bom resulto. Eles ouviram um choro abafado de uma criança, e quando Calisto pode observar, era uma pequena e linda elfa que aparentava ter mais ou menos cinco anos de idade. Ele a pegou no colo encantado com sua beleza, um extinto um pouco paterno tinha brotado, ele imaginava que se um dia tivesse uma filha, gostaria que fosse tão linda quanto ela. Ele entregou a criança para que Pyor a tirasse dali, aquela era uma visão horrível para ela. Provavelmente seria a única sobrevivente.
Os mortos foram levados, todos foram reunidos e enfileirados, cobertos por um extenso cobertor de flores no chão no centro da nova tribo, eles estavam estranhamente belos, daria trabalho arrumar um funeral para tantos, mas aquilo ainda era possível.
– E então, a que conclusão nós chegamos? – A líder perguntou ao escrivão que já tinha contabilizado todos os mortos.
– A lista já está completa, contamos os mortos e os vivos. Felizmente sobraram bastante de nós, mas perdemos muitos guerreiros. Há elfas que não estão não estão na lista de sobreviventes nem de mortos, então concluímos que tenham sido levadas, duas delas são as jovens irmãs Austelar.
– E sobre essa gracinha aqui? – Calisto perguntou enquanto brincava com a elfinha a quem tinha resgatado.
O escrivão deu um breve suspiro procurando o que dizer. – O nome dela é Sookie, infelizmente os dois pais e o irmão mais velho estão mortos. Ela está sem família.
– Ah, não. – Calisto disse num tom triste e preocupado. Afagou o cabelo da pequena elfa. – E agora Pyor?
– Vamos pensar numa solução. – A líder disse exausta. – Por enquanto temos que achar abrigo para todos, pois o tempo de chuvas está chegando. E também temos que pensar no que comer, os soldados saquearam nossa colheita. Que Nera nos ajude. – A elfa fechou os olhos, suplicando pela deusa da terra. Eles teriam muito trabalho.
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