Battle Cry - Interativa
11 Signo Imperial.
Notas iniciais
Festas e treinamentos, comemorações e situações perigosas, de uma forma ou de outra a vida dos guerreiros acabou tornando-se tão agitada quanto jamais esperariam. Mas será que esse clima de comemorações duraria por quanto tempo? Ninguém sabia, mas ainda assim manter a esperança e não parar suas vidas por uma guerra insensata causada por um ser desprezível era a melhor das opções, afinal ninguém sabia como seria o “amanhã”, e então, porque parar de viver e esperar um resultado?
Todos estavam fazendo preparativos especiais e dessa vez a comemoração não seria a luz do luar, mas dentro de um enorme salão no complexo. Os milites descansavam e aproveitavam a confortável cama depois do treinamento intensivo de Calisto, nem todos estavam tão doloridos, mas Laura não era bem acostumada com esportes, na verdade sua rotina era mais caseira.
Fernando prontificou-se a ajuda-la, ele a presenteou com um belo vestido e disse que a comemoração seria em sua homenagem.
– Eu não quero nenhum tipo de festa. – Laura disse sonolenta e cobriu a cabeça com seu cobertor, Fernando estava sentado na beira da cama, próximo de seus pés. – Eu pretendo na verdade dormir até a próxima semana. Estou dolorida.
– Não vou deixar que você perca isso nem que eu tenha de arrasta-la, pirralha. – Ele tinha se acostumando a chama-la assim quando estavam a sós, unicamente porque tinha percebido que a irmã odiava que caçoassem de sua altura. Fernando pegou um dos pés delicados de sua irmã, e começou a fazer uma massagem, ele era atencioso, mas na verdade apenas não queria deixa-la dormir a qualquer custo. – Hoje você faz vinte anos e a festa do signo imperial é importante.
– Um aniversário?
– Mais ou menos. – Fernando disse entediado. – Eu confesso que não ligo muito para essas tradições idiotas, mas pelo fato de termos passado tanto tempo longe aprendi a valorizar momentos como esse. Mas em outras circunstâncias, eu seria o primeiro a estragar o evento. – Ele tinha um sorriso divertido.
Um dos motivos de Aquária ter se separado de Atlântida era também o conflito de ideias, afinal Atlântida prezava muito a cultura e seus ritos, ela cumpria a risca suas tradições. Por exemplo, havia os signos que eram determinados pela data do nascimento e associados a flores, cada uma com um significado, e isso era algo que era levado muito a sério. Por exemplo, eram determinados os altos cargos como reis, rainhas e etc..., as pessoas que nasciam sob o signo do Lírio. Claro que isso de certo modo era controlado, as rainhas calculavam suas gestações para que a data não fosse errada, mas levar algo tão a sério para os Aquarianos era burrice, unicamente porque o caráter deveria prevalecer acima de uma simples superstição.
Ainda que não levassem tão a sério como Atlântida, eles tinham criado suas próprias tradições unicamente como forma de homenagear sua cultura de origem. Quando uma garota chegava à maioridade, 20 anos, e tornava-se mulher, era uma grande tradição criar uma grande festa de acordo com o seu signo. Era algo equivalente a festa de 15 anos na terra, mas com suas diferenças.
Laura era do signo da Campainha Imperial, uma espécie de flor que se adapta a todo tipo de solo, podendo dominar e se espalhar por todo o espaço que encontrar, envolvendo cercas, paredes, árvores e até mesmo o chão formando um tapete colorido. Os Atlantes acreditavam que as pessoas desse signo não encontrão limites para suas capacidades, e superar os desafios é o que da valor a tudo que enfrentam. Além de admirar a luz e o calor, podendo se adaptar facilmente a qualquer tipo de companhia, pois assim como a planta, pode absorver facilmente qualquer tipo de conhecimento.
– Vocês farão uma missão logo, eu gostaria de aproveitar melhor o tempo. – Fernando comentou com o olhar triste e se levantou. Ele sabia ser dramático quando queria, mas na verdade, no fundo era assim que se sentia.
– Está bem. – Laura concordou. – Quantas vezes na vida pode-se ter uma festa do signo regente?
– No seu caso é imperial, irmãzinha. – Ele sorriu e saiu do quarto para que as outras garotas pudessem entrar.
Skye e Lily não faziam bem o estilo de ficar ouvindo a conversa alheia, e Lily parecia bastante empolgada com a festa, Skye não dava à mínima, mas não seria estraga prazeres.
– Nós já tomamos café e o seu irmão nos contou o que se passa. – Lily disse com empolgação. – Eu confesso que as tradições desse lugar são incríveis, é como fazer turismo.
– E falar como voltamos pra casa, ninguém fala. – Skye disse deitando-se na própria cama para relaxar. – Eu me pergunto quanto tempo passaremos aqui, devem ter famílias preocupadas.
– Eu penso nisso o tempo todo, mas creio que me lamentar não vai mudar o que está acontecendo, então porque não se divertir? – Lily estava com os olhos brilhando, depois de ter pegado mais afinidade por seus novos amigos, ela tinha se tornado uma pessoa bem extrovertida e engraçada. – E por falar nisso, seu irmão é um pedaço do mau caminho. – A gíria antiga fez Laura rir descontroladamente. – Quantos anos ele tem?
– Acho que é vinte cinco. – A garota respondeu entre risos. – Embora pareça menos. Parando para pensar, eu não sei nada sobre ele, sobre o que gosta ou odeia, enquanto que ele parece saber tudo sobre mim. – Por um momento Laura sentiu-se meio culpada. O Amor incondicional de Fernando parecia não ter limites, e mesmo que ele se esforçasse para talvez dar até o mundo para ela, Laura pouco sabia sobre o irmão. Na verdade, ela sabia de algumas coisas, mas não compreendia porque tinha se esquecido.
– Você tem uma memória de elefante. – Skye ironizou, mas não era com má intenção, ela simplesmente falava coisas do tipo de vez em quando, mas o bom amor das garotas fazia com que tudo fosse levado na brincadeira, elas já tinham se acostumado com a personalidade da milite do vento.
[...]
No meio do salão tinha uma enorme escadaria, de onde Laura desceria dali a alguns minutos. Ao redor, todo o ambiente estava enfeitado com campainhas imperiais de diversas cores, em arranjos de flores, e algumas até espalhadas no chão como um delicado tapete em algum ponto. Era a tradição que a festa fosse enfeitada com a flor do signo regente, e que todos os convidados usassem broches com a flor esculpida, uma vez que somente o anfitrião e a aniversariante poderiam usar uma flor fresca e trajes de cor branca simbolizando pureza.
Laura estava com os longos cabelos negros presos num belo coque, com a franja e algumas mechas caídas dos lados, enquanto que no cabelo uma campainha enfeitava, ela usava um enorme vestido branco. Já Fernando, o anfitrião usava um traje quase parecido com um terno, mas este tinha um designer de realeza e na lapela ele também tinha uma campainha. Tirando isso, os convidados poderiam usar o que quisessem, embora todos quisessem estar elegantes, e para os milites era meio que uma exigência o uso da capa. Isso porque perante a sociedade um milite tinha um status elevado, por isso usar as capas conotava respeito pelas tradições, pelo menos em festas de alto nível, já que costumes tolos eram dispensados em situações normais, e até mesmo Calisto tinha sua capa antiga, só que diferente da dos novos guerreiros que era pura, na bainha tinha um bordado de chamas que indicava seu status de mestre do fogo.
A festa seguiu com uma breve apresentação, depois teve o momento de diversão e no final ela era encerrada com uma dança do anfitrião com a aniversariante. Laura, apesar de não ter gostado a principio, estava se divertindo e imaginava o que poderia fazer pelo irmão para recompensá-lo, ela tinha certeza que ele não pediria nada, então essa era uma tarefa difícil. Naquela noite, no entanto, todos queriam apenas relaxar, e assim foi até o termino da festa.
[...]
Com o passar dos grandes eventos, o dia tão esperado da missão tinha chegado. Thiago explicou que eles teriam uma difícil missão, uma vez que a enfrentariam sozinhos e ninguém poderia ajudar. O vale dos condenados era um lugar traiçoeiro, que costumava jogar as pessoas contra elas mesmas, era um lugar de tortura e poucos eram os que saiam vivos de lá, pois tamanha a era loucura causada, que muitos tiravam a própria vida.
Os cavalos elementais tinham sido tragos novamente para a viagem, e os milites vestiam roupas próprias para batalhas, calças diferenciadas para os homens e mulheres, é claro; botas, cintos especiais, coletes, camisas, cada um vestia-se da maneira que desejava e achava confortável, e pelo menos no momento, não precisavam de capa alguma, embora tivessem que usá-las como uma espécie de uniforme.
Os cavalos partiram e Thiago levou Gretel enquanto que ele mesmo guiava os guerreiros até a entrada do Vale dos condenados, a jovem aprendiz de mago estava naquele dia, no auge de seus poderes, então usaria uma magia de projeção para ajuda-los e guia-los em sua jornada, para que eles não se perdessem no meio do vale, embora ela não pudesse entrar no vale.
O lugar não era muito longe dali, e logo os guerreiros estavam de frente para uma caverna. – No outro lado dessa caverna fica o vale. Lembrem-se de tomar cuidado, e mantenham o controle, esse lugar é traiçoeiro e se alimenta do medo, angustia e ódio das pessoas. Se ele prende-los, dificilmente sairão. – Thiago explicou com uma expressão fria e séria.
– Eu irei guia-los até a entrada e a saída, por isso tomem cuidado e façam o possível para não se separar. – Gretel avisou dando a cada um uma espécie de Cristal. – Quando quiserem voltar, e já tiverem cumprido a missão, vocês simplesmente peguem os cristais e eu irei aparecer. Cuidado para não perdê-los, senão eu não irei encontra-los.
Eles não sabiam o que iriam enfrentar, a ansiedade e confusão ficavam cada vez mais evidentes, porém eles tinham de ter coragem, afinal a natureza não os escolheu atoa. A missão estava apenas começando, e os elfos da tribo do sul contavam com eles. Não era uma questão de querer ou não querer, mas de com um grande poder herdar suas responsabilidades.
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