Battle Cry - Interativa
10 Mestre do fogo.
Notas iniciais
A festa além do enorme banquete tinha sido agraciada pela melodia dos músicos, que faziam uma sinfonia bastante empolgante e animada com violinos, violoncelos, batidas e suas próprias vozes.
– Ei Lily, você quer dançar? – Klaus convidou de forma galante e a companheira de equipe aceitou achando que seria divertido.
– Você vai dançar comigo. – Fernando puxou a irmã antes que Thiago fizesse o convite. Não que ele não quisesse deixar que ela dançasse, apenas queria frustrar o melhor amigo.
Thiago e Fernando apesar da diferença de idade, tinham crescido como amigos basicamente. Thiago também viveu muitos anos no mundo humano, mas sempre que Fernando visitava a terra, eles conversavam bastante e o príncipe de Aquária sempre pedia ao parente distante para cuidar de sua irmã, afinal eles descendiam dos mesmos ancestrais e da mesma família. Vira e mexe Fernando implicava com o amigo chamando-o de cunhado e fazendo ameaças de brincadeira a respeito da irmã, mas depois do tapa na chegada, as brincadeiras tinham parado por um instante.
Liraz olhava todos meio que de mau-humor, a música por mais bela que fosse a incomodava por estar um pouco alta e ver aquele clima de felicidade parecia muito injusto, quando Seliee estava naquela torre solitária, passando sabe-se lá por que provações. Muitos já tinham se levantado da mesa para se divertir e curtir a noite, porém Skye queria apenas jantar em paz, Flame e Alec, conversavam sobre suas vidas e os grandes feitos que tinham durante o tempo em que viviam na terra. A festança se encerrou lá pelas três da manhã, quando todos foram dormir depois de bastante bagunça, e no dia seguinte o primeiro treinamento começaria.
[...]
Aproximadamente umas dez da manhã o grupo de milites já esperava num campo a chegada do mestre, tinha uma grama bem verde e algumas flores espalhadas pelos arredores. Eles estavam sentados curtindo os raios do sol, já que estava meio frio, mas nada de ninguém aparecer. Até que um olhar curioso caiu sobre o grupo e logo uma voz brincalhona disse em pensamento. – Eles devem servir.
Logo todos viram uma jovem Elfa de aparentemente 15 anos aproximar-se do grupo, ela tinha 1,65 de altura, corpo muito bem estruturado e definido. Seus cabelos eram de um preto azulado que chegavam até a cintura, eles tinham um aspecto liso até os ombros e abaixo deles grandes cachos. Na frente do rosto uma franja diagonal caia sobre ele, destacando a beleza de seus olhos cor de Topázio imperial, as bochechas eram coradas e os cílios bem volumosos. O nariz fino e arrebitado. – Vocês devem ser os novos Milites. – A elfa disse encarando-os séria, ela os analisava com o olhar.
– Prazer eu sou Klaus Hasting. – O guerreiro do fogo adiantou-se pegando a mão da elfa e dando um beijo de cortesia. – E você?
– Sou Sookie FireWisky's. – Ela respondeu dando um sorriso de forma graciosa. – Vocês devem estar esperando pelo papai, ele deve chegar logo.
– Nosso mestre será um elfo? – Flame perguntou com curiosidade, afinal aquilo era meio inacreditável.
Sookie não disse mais nada, apenas ficou a esperar. Laura e Skye estavam deitadas na grama, enquanto Alec conversava avidamente com Lily, já estavam ficando cansados da longa espera. Foi quando avistaram um homem distraído vindo na direção de onde eles estavam, ele observava bem a paisagem e o céu, até que tropeçou numa pedra e caiu.
Rapidamente ele se levantou e se recompôs. O homem estava sem camisa devido ao calor, usava apenas uma calça e mantinha os pés descalços, e se não fosse o corpo definido e musculoso na medida certa, ele seria facilmente confundido com uma mulher. Aquele era Calisto FireWinky’s o mestre do fogo, ele tinha longos e lisos cabelos de um vermelho vivo que chegavam até a cintura; pele branca; olhos num azul cinzento, nariz fino e arrebitado, lábios pequenos e finos, mas aquilo dava a ele uma beleza bem exótica para um homem. Ele tinha cerca de 1,69 de altura.
– Bom dia, desculpem pelo atraso. – Ele disse de forma extrovertida e despreocupada, mas logo sua expressão mudou quando viu a proximidade entre Klaus e sua filhinha adotiva Sookie, que quando encarou o pai, lançou um sorriso desafiador e provocativo.
Sookie tinha sido adotada por Calisto depois da invasão da tribo dos Elfos do sul, e desde então ele a criara como filha, mas de fato o passatempo preferido da jovem elfa era provocar o pai arrumando namorados por todos os cantos, apenas pelo prazer de irritá-lo.
Calisto tinha 32 anos, embora aparentasse ser dez anos mais jovem. – Está na hora de ir pra casa preparar o almoço Sookie fofinha. – ele disse para a elfa que torceu o nariz com aquele apelido idiota. Ele mantinha um sorriso bem amigável no rosto, embora a franja escondesse seus olhos e o clima tivesse esfriado bastante, era como se ele puxasse todo o calor do ambiente para si. Sookie não se dando por vencida, começou a caminhar com a cabeça erguida.
– Está bem Mater. – Ela respondeu com uma provocação, pois sabia que o pai odiava ser chamado assim, principalmente por todos sempre o confundirem com uma mulher. A elfa se virou rapidamente e mandou um beijo de longe para Klaus, que quando pode perceber já tinha Calisto o encarando de forma assassina.
– Eu tenho a impressão de que alguém vai se meter em encrenca. – Alec comentou para Flame que observava a situação pasmo.
– Eu sabia que as idiotices desse cara iriam causar problemas em algum momento, só espero que não sobre pra gente. – Flame comentou e se pôs de pé como o restante do grupo que formava uma fila diante do mestre.
– Como vai funcionar esse treinamento? – Lily perguntou curiosa.
– Eu tenho um treinamento especial para vocês e um para o escolhido do fogo. – Calisto disse abraçando Klaus com um dos braços e literalmente apertando o pescoço do jovem. – Vamos nos divertir muito juntos.
Ninguém sabia se ele queria mata-lo ou treiná-lo, mas aquele não era o caso. Por ser o primeiro mestre, Calisto tinha o trabalho de falar mais sobre os elementos e sobre a responsabilidade de ser um milite. Ele disse que não havia limites para o que eles podiam fazer, e que poderiam usar o poder da natureza ao seu favor desde que eles estivessem em sintonia com ela. Não era necessário conhecer apenas o próprio elemento, mas os demais para que eles pudessem trabalhar em equipe como se fossem um.
– Para entender o fogo vocês precisam entender o calor e se conectar com sua chama interior. – Calisto disse de forma paciente, porém pouco didática, já que ele demonstrava uma empolgação muito grande em sua voz.
– Você vai nos por para meditar? – Skye perguntou tentando meio que adivinhar.
– Não. Vocês vão correr em volta desse vale sem parar até a exaustão total para que seus corpos esquentem com o exercício, depois disso que irão relaxar e tentar entender o calor. – Ele só podia estar brincado, mas era exatamente o que Calisto tinha feito. – Vamos me sigam!
Ele disse balançando os braços e começou a correr sendo seguido pelo restante. O mestre mantinha um passo lento, porém eles tinham de fazer os mesmos movimentos exagerados pulando para cá e para lá de forma hiperativa, no começo parecia fácil, mas depois aquilo estava se tornando extremamente cansativo. Lily por ser uma atleta e estar acostumada tinha aguentado por mais tempo, mas logo estava caída no chão vencida como todos pelo cansaço e pelo calor. Aquela situação era desconfortável. Todos estavam deitados no gramado num local onde Calisto indicou, formando quase que uma roda, então ele se sentou no centro com as pernas dobradas e começou a falar suavemente.
– Entendem que o calor é parte de vocês, por isso, jamais devem temer o fogo. – Ele falava suavemente e ninguém sabia o que ele queria com aquilo. Compreender a natureza era difícil, e até mesmo Klaus estava exausto com toda aquela situação. Todos queriam na verdade pular no lago para se refrescar, com exceção de Skye, mas sem a permissão de Calisto eles não sairiam dali tão cedo.
Aquilo não era só uma meditação, mas também um teste de resistência e no caso de Klaus uma pequena vingança, mas muito do que eles iriam enfrentar seriam situações de extremo perigo e isso exigia que uma espécie de resistência fosse necessária. Eles acabaram adormecendo ali mesmo na grama, e quando acordaram a noite Calisto assava alguns peixes que tinha pescado em uma fogueira.
– Agora que lidaram com o aumento de calor, vocês vão tentar entender a ausência dele dormindo aqui fora.
– Ele só pode estar brincando. – Laura reclamou rastejando com o corpo dolorido e se sentando em frente à fogueira. Ela queria correr para a sua confortável cama no complexo, mas sabia que as ordens de um mestre tinham que ser respeitadas e obedecidas. Calisto parecia um bom homem e um mestre divertido, com certeza suas intenções eram boas, embora seus métodos meio exagerados. Eles corriam o risco de pegar um resfriado.
– Isso é ridículo, quando eu vou aprender a jogar bolas de fogo por ai? – Klaus disse entediado, estava deitado na grama enquanto observava o céu e as estrelas, meio distante.
– Calisto, como você se tornou um mestre do fogo? – Flame perguntou com curiosidade, provavelmente ele já tinha feito grandes coisas ao longo de sua jornada.
O homem ficou pensativo, levou a mão ao seu queixo e olhou para cima como se procurasse algo. – Foi meio diferente da forma como vocês se encontraram, nosso Líder o equilíbrio quem nos achou e nos reuniu um após os outros, mas infelizmente... Bem, vocês já sabem o resto da história. – Naquele momento ele voltou-se para Laura. – Será um trabalho árduo lidar com isso sem um mestre, majestade.
– Me chame apenas de Laura. – Ela odiava aquelas formalidades, ainda mais vindas de alguém que naquele momento era superior a ela.
Dormir no meio da grama não era bem a ideia de confortável, mas eles tinham que fazê-lo sem reclamar. O treinamento seria interrompido, pois uma missão estava se aproximando, entretanto Calisto disse que só contaria a eles depois do grande evento que Fernando preparava. Esse seria o terceiro, o príncipe estava demonstrando ser muito festeiro para alguém que tinha os tipos de preocupações que carregava.
[...]
No complexo onde ficavam os aposentos reais existia uma espécie de sala de reuniões, onde eram discutidos os assuntos principais. Fernando estava sentado em sua cadeira, com os pés sobre a mesa e uma expressão relaxada.
– Você mudou bastante desde que sua irmã voltou, está menos sério. – Thiago comentou, com uma expressão incrédula.
– Está com ciuminhos? – Fernando brincou e começou a rir.
– Deixe de ser um idiota, está bem? Temos um sério problema para resolver, Daymon atacou a tribo dos elfos do sul novamente e eles estão em apuros. É uma doença mágica, por isso os elfos não conseguem curá-la com eficácia. – Thiago disse passando a mão pelos cabelos castanhos.
– Como isso é possível? Eu nunca ouvi falar de elfos doentes. – Fernando espantou-se. – E ainda assim, ele não teria como.
– Não sabemos o que ele fez, apenas que fez. E pra curá-los precisamos de uma poção de imunidade, só da pra combater doenças mágicas com magia. – O príncipe de Atlântida concluiu. – O problema é que nossos magos não tem essa habilidade.
– Eu sinto muito por isso. – Gretel disse meio triste. – Mas acharemos uma solução.
– Bem, há uma maga que é capaz de fazer qualquer poção. – Olaf disse enquanto equilibrava uma vassoura na ponta do dedo, andando para lá e para cá. – Ela se chama Sabrina, é sobrinha de um amigo meu. Só tem um pequeno problema.
– Qual? – Fernando perguntou.
– Ela está presa no vale dos condenados, somente os milites vão conseguir resgatá-la, você sabe como é lá, não é mesmo jovem príncipe? Afinal, pra quem ficou preso por quase um ano.
– E-espera! – Gretel disse incrédula. – Você ficou preso no vale dos condenados majestade? Dizem que lá é um lugar horrível.
– Minha imunidade me manteve vivo, mas lá é tão traiçoeiro quanto à floresta das alucinações. Não podemos manda-los pra lá com tão pouco treinamento. – O príncipe de aquária disse com uma expressão séria. – Eu não quero que...
– Isso não é decisão sua. – Cortou Thiago. – Não estamos pra brincadeira, e por mais que eu não queira que ninguém se machuque, é o dever dos milites ajudar. Os mestres estão espalhados pelo mundo e já não tem tanto poder para entrar.
– Não se preocupe jovem príncipe. – Olaf sem querer deixou a vassoura cair na cabeça de Fernando. – Gretel irá ajuda-los.
– Se não tem jeito, que seja. – Fernando respondeu massageando a cabeça, aquilo com certeza criaria um galo.
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