Battle Cry - Interativa
6 Lenda dos Guardiões
Notas iniciais
Enquanto a cantoria continuava junto às danças dos extrovertidos Elfos, ao término do jantar Fernando fez menção para que os outros humanos seguissem ele até um local mais tranquilo junto com Sheffield e Dreneil. Eles caminhavam até um lugar bem amplo entre as árvores, parecia uma espécie de salão, que embora espaçoso não era tão grande. Lá havia apenas um tapete no chão.
– Sentem-se. – Sheffield disse pacificamente enquanto se sentava de frente para os convidados. Dreneil sentou-se ao seu lado e Fernando sentou-se no canto, no meio de forma que ficava de frente para a Elfa e os convidados.
– Vocês devem estar se perguntando o que fazem aqui neste mundo. – Dreneil começou. Todos assentiram e ouviram em silêncio. – Vocês estão aqui para salvá-lo de uma grande catástrofe.
– Isso só pode ser brincadeira não é? – Klaus disse incrédulo e cruzou os baços franzindo a sobrancelha.
– Você está engando meu caro Aiavan. – O elfo respondeu.
– Aia o que? – Klaus disse confuso.
– Esse é seu nome Élfico, significa espirito do fogo. – Fernando disse de forma a explicar. – No total são: Aiavan – espirito o fogo; Aiasum – espirito da água; Aialyn – espirito do raio; AiaKeth – Espirito do vento; AiaKoeh – Espirito da terra e por fim Aiamal – Espirito da Harmonia.
Apesar de prestarem bastante atenção nenhum deles entendeu muito bem o que aquilo significava, e era realmente uma surpresa que Fernando entendesse a língua Élfica, já que nem elfo ele era. Apesar da confusão todos ficaram curiosos a respeito disso.
– E o que isso significa? Que tipo de espíritos o restante de nós é? – Flame perguntou com curiosidade.
– Há centenas de anos quando o reino de Atlântida e Aquária se separaram uma guerra intensa começou e isso afetou muitos reinos por toda a região. Temendo que as pessoas continuassem a sofrer, nosso antigo ancião previu uma profecia e de que guerreiros elementais iriam parar a guerra. Daí nasceram os cavaleiros sagrados, os quais são detentores dos espíritos da natureza. – Explicou Sheffield.
Com a pausa da Elfa-líder, Dreneil tomou a liberdade para continuar. – A lenda diz: “ Para manter a paz os espíritos da natureza lutam pela liberdade, justiça e benevolência, mas estes não podem conviver em paz enquanto não houver o equilíbrio. Se alguma das forças cair, o resto cairá e uma geração irá se renovar através de seus ancestrais.”
– E o que isso quer dizer? — Lily questionou a situação, aquilo não passava de palavras e charadas antigas as quais eles, que não viviam naquele mundo, não tinham no momento a menor capacidade de compreender.
– Eu contarei porque estão aqui. – Fernando tomou a palavra e Sheffield moveu suas mãos usando sua magia élfica dos sonhos para elaborar um cenário na sala. As luzes diminuíram, uma neblina começou a passar e então imagens do passado começaram a surgir pela sala como se fosse um filme. – Quando a guerra finalmente acabou e a rincha entre famílias o povo de Atlântida resolveu se reconciliar com os irmãos de Aquária e ambos os reis fizeram um tratado de casarem seus filhos num novo acordo. Porém, Lord Daymon Hendrik não estava feliz com isso e decidiu se vingar de nodos nós.
As imagens foram tomando foco, então naquele instante todos se viam num luxuoso jantar, onde os patriarcas tanto da família Hendrik quanto da família Voltair jantavam após o bem sucedido acordo.
Um homem adentrou o local com uma espada em mãos, e seguido por alguns de seus leais cavalheiros começou uma chacina.
– O que significa isso? – O Rei de aquária disse ultrajado pela ousadia de seu meio irmão, mas logo fora atacado sem piedade.
O homem fora morto na frente de seus pequenos filhos, e no meio daquele cenário terrível ele fez um ultimo pedido. – Fuja, fuja meu filho e salve sua irmã, ela é o futuro de nosso reino.
Enquanto o rei lutava o garoto de apenas nove anos obedeceu à ordem, usando uma passagem secreta para sair do castelo e seguindo no meio da floresta das alucinações até uma gruta onde encontraria o mago de aquária e lhe pediria abrigo. Ele carregava em seu colo uma criança de apenas três anos que mal conseguia compreender o que acontecia.
– Parem de mostrar essas imagens. – Por um instante Laura disse alarmada, fechando os olhos e derramando diversas lágrimas como se seu coração fosse esmagado em milhares de pedaços.
– Me desculpe. – Fernando disse com pesar em sua voz e decidiu resumir o restante da história. – Para conseguir seus poderes alguns anos antes de Laura nascer Daymon matou o cavaleiro do equilíbrio para que assim pudesse dominar a magia negra do caos. Isso desarmou os sanct da geração anterior e até então tivemos que esperar que os novos ressurgissem para enfrenta-lo. Vocês são a chave de tudo, são os únicos que podem detê-lo a tempo antes que mais pessoas sofram.
Os jovens ficaram confusos sobre aquela responsabilidade, mais nada precisava ser dito então Fernando pediu para ficar sozinho com Laura. Até então ninguém tinha notado que ela era a criança que fora salva naquela noite, afinal como poderiam associar um sobrenome que ouviram poucas vezes?
– Você está bem? – Fernando perguntando a irmã um pouco temeroso em se aproximar, mas sentiu-a se jogar em seus braços, num abraço apertado e cheio de tristeza.
– Eu estou sofrendo, mas por quê? Porque não me lembro de você? – Ela disse confusa, temendo que algo a estivesse enganando.
– Eu sou imune à magia, mas você não. Com certeza os poderes da floresta bagunçaram suas lembranças e afetaram sua mente. – O jovem príncipe disse enquanto lhe afagava os cabelos. – Mas não importa, estamos juntos de novo. — Então, com sua voz rouca e melodiosa Fernando começou a cantar um música familiar.
Eu não quero acordar desse doce sonho.
Onde minha pequena garota está.
Nós somos como um conflito de harmonias,
Que aos poucos se completa.
Eu sou a parte que falta em você.
Somos exatamente iguais.
Penso o que você quer dizer.
Somos gêmeos, com nossas almas tão diferentes.
– Eu quero saber onde minha pequena garota esta. – Ele sussurrou ao final, uma parte que não era da música, mas que ele acrescentou nesses anos de sofrimento. – Por favor, não me acorde desse sonho... onde minha garota está.
Tudo começará a fazer sentido naquele momento e logo Laura já se sentia segura, e em casa. Durante muito tempo ela tinha se perguntando se teria alguém esperando por ela em algum lugar, já que sua família de longe era compreensiva. Ela imaginava que gostava muito de alguém, que ainda não conhecia, mas que tinha a certeza se esperava por ela.
Fernando tinha um espirito nobre, quando ele soube que a irmã seria a herdeira legitima do trono em função de suas habilidades ele tomou a decisão de se tornar um cavaleiro e protege-la pelo resto de sua vida, passando por cima de tudo e todos, e com esse objetivo ele tornou-se forte, lutando todos os anos que se passaram, sozinho apenas com a esperança de vê-la sorrir novamente. Ela era sua única família.
[...]
– Da pra acreditar nessa loucura? – Klaus ainda insistia em falar esse tipo de coisa.
– Você deveria ser o mais convencido, afinal não se queimou com o fogo. – Skye o lembrou do feito. – Isso tudo é real de mais para ser um sonho.
– Honestamente eu quero apenas saber como volto pra casa. – Lily disse de forma meio cansada. – Esse lugar é legal, mas não acham que isso tudo pode ser perigoso?
– Mas essas pessoas contam com a gente. – Alec disse de forma normal e Flame concordou.
– Você ouviu o que aquele cara disse, certo? Aquele tal de Lorde não sei das quantas matou um dos guerreiros. – Lily disse pensativa.
– Mas eu confesso que gostaria de saber como é controlar um elemento, isso deve ser divertido. – Flame disse de forma pensativa, quando notou a chama de uma vela ao seu lado multiplicar de tamanho fazendo-o levar um susto.
– Realmente isso parece legal. – Klaus caiu no chão e começou a rir, pois ele tinha feito aquilo. – Não é que essa coisa do fogo é verdade? – Ele estava rindo tanto da situação a ponto de saírem lágrimas de seus olhos.
– Você é um grande idiota. – Flame o insultou com raiva, pegou uma jarra de água e jogou no rapaz que logo mudou a expressão.
– Você está ficando maluco? – Klaus se levantou encharcado. – Foi só uma brincadeira!
– Eu quase me queimei! – Flame retrucou.
Logo os dois começaram a discutir intensamente, enquanto um grupo de elfos os observava de maneira surpresa. – Por favor, parem de discutir vocês me matam de vergonha. – Skye disse virando o rosto para o lado e fingindo que não os conhecia.
– Vocês estão chamando muita atenção. – Lily disse ficando ao lado de Skye, mas tinha que admitir que aquilo era engraçado.
Cansado de toda aquela confusão, tentando acalmar as coisas Alec interveio entre os dois pedindo para que eles parassem com aquilo, pois já estava passando dos limites. Ambos deram as costas um para o outro, cruzando os braços de maneira frustrada apenas esperando por uma revanche.
São apenas dois espíritos conflitantes. – Sheffield disse serenamente para Dreneil que ria divertido, afinal aquilo era muito comum. – Mas um não pode existir sem o outro. – ela concluiu enquanto observava os convidados.
Fernando se aproximou do grupo depois de sua conversa com a irmã, Laura já estava mais calma. – Espero que vocês saibam andar a cavalo. – O rapaz disse de forma séria. – Nossa viagem será longa.
[...]
Enquanto tudo se resolvia na cidade dos Elfos, em Atlântida Thiago preparava-se também para partir. Apesar da relutância dos anciões, ele era uma peça importante na guerra e acreditava que sua presença era indispensável.
– Está pronto para ser teletransportado majestade? – Olaf perguntou com um sorriso brincalhão, o que ao invés de acalmar deixava o príncipe mais nervoso.
– Eu realmente espero que você saiba bem o que está fazendo mago trapalhão. Eu realmente espero que dessa vez a gente vá parar no lugar certo.
– Hora, por acaso não confia em mim? – O mago fingiu magoa, enquanto virava o rosto para o lado com uma expressão de desgosto.
– Apenas certifique-se que eu chegue lá inteiro, está bem? – Thiago disse com um sorriso sutil, e muito preocupado com o que aconteceria.
Ambos iriam para as muralhas rebeldes, lugar até então onde os refugiados habitavam e se escondiam.
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