Battle

2 Primeiro Dia no Internato


Notas iniciais
Hey! Segundo capítulo, amanhã vou postar outro (Serão todas as quintas, só estou postando esse hoje pra ficar no mesmo capítulo que está no blog, okay?) Boa leitura!

Estava tudo pronto, as malas já estavam feitas. Minha mãe me olhava com um sorriso no rosto, não conseguia nem disfarçar a felicidade por me ver longe.
– Tchau. – Falei fria, passando por ela, enquanto entregava parte das malas ao motorista.
– Tchau, minha querida! – Ela sorriu me dando um beijo na bochecha.
– Deve estar realmente feliz, certo? – Perguntei irônica, encarando-a nos olhos. – Vai se ver livre de mim durante praticamente uma semana! Vai estar livre para fazer seus “negócios”.
– Catherine! – Seu sorriso se desfez, e ela continuou fitando-me, dessa vez séria. – Já falamos sobre isso, minha filha. Vai ser melhor pra você, sabe que estou te mandando para um dos semi-internatos mais prestigiados de toda a Califórnia, você sairá preparada de lá. E vai voltar sempre nos finais de semana. – Ela disse, com um olhar aparentemente triste.
– Dane-se. – Disse indo em direção à saída, com duas maletas em mãos.
– Não me decepcione, Catherine Walker. – A mulher murmurou para mim, revirei os olhos e saí sem olhar para trás.
Eu realmente não entendia aquela mulher, e dali pra a frente faria menos esforço ainda pra isso.
Eram aproximadamente quarenta e cinco minutos da minha casa até o internato. Passei todo o percurso escutando músicas, entediada.
– Finalmente. – Comentei com um sorriso fraco.

...


Andei pelos corredores, observando todas aquelas pessoas. Era incrível como eu conseguia definir a personalidade de cada um daqueles idiotas. Vadias me encaravam de cima à baixo como se eu fosse um inseto totalmente “pisável”. Apenas revirei os olhos e continuei seguindo pelos corredores.
Abri o meu armário, que já continha os materiais que seriam necessários, tais como livros, cadernos e blá blá blá.
Tirei de lá o que precisaria para a primeira aula, história. Não era uma matéria tão ruim, esperava que o professor também não fosse.
Caminhei mais uma vez, tentando lembrar onde ficava a sala de história. Finalmente encontrei. O sinal ainda não havia tocado. Direcionei-me para o fundo da sala, onde me sentei no canto.
– Bom dia alunos! – Um homem de cabelos grisalhos e de estatura mediana entrou na sala de aula.
Um coro desorganizado respondeu com outro “Bom dia”. Apenas revirei os olhos em resposta, encostando-me à parede.
– Sou Andrew Sparks, novo professor de história. – Ele sorriu, na verdade ele sorria desde que entrou na sala. – Soube que além de mim, também tem uma novata.
Os olhares foram praticamente todos direcionados para mim. Os meus planos de ser invisível não iriam se concluir pelo menos nos primeiros dias. Eles deveriam esquecer essa idiotice de apresentar os novatos.
– Então... – Ele começou, enquanto lia algo em um papel, deveria ser o meu nome. – Catherine Walker. Não gostaria de se apresentar para seus colegas?
– O senhor acabou de fazer isso. – Respondi em voz alta. – Afinal, não precisam saber mais do que o meu nome.
Alguns olhavam como se eu fosse um bicho ou algo do tipo, o sorriso do professor se desfez por um momento. Continuei quieta, esperando que ele começasse a aula.
Abri o notebook sobre a mesa.
– Como quiser senhorita. – Ele respondeu seriamente.
E ali teve início o meu semestre letivo. Se você entra no meio do ano letivo, é ruim, a não ser que goste de ter as atenções concentradas em você.

...

Peguei a pequena bandeja, já com o meu almoço e me sentei em uma das mesas desocupadas. Parecia – ou era – patético e clichê o que eu fazia, mas eu não me importava de me afastar das pessoas, assim não teria que me preocupar com ninguém, e nem me machucar depois.
– Hey Walker! – Levantei meu rosto pra ver quem havia me chamado. – Pensei que não tivesse chegado.
Deparei-me com a ruivinha do dia anterior, deu um sorriso fraco enquanto a via sentar à minha frente.
– Se eu tivesse escolha, com certeza não estaria aqui. – Falei, mordendo em seguida um pedaço de uma maçã.
– Uau. – Ela comentou rindo. – De certa forma você está certa. Mas vem cá, será que não teremos nem uma aula juntas?
Apenas dei de ombros, continuando a comer.
– Eu adoraria ter tido pelo menos a primeira aula do dia com você. – Ela falou suspirando. – Pelo menos você não ficaria sozinha no meio de um bando de desconhecidos.
– Não me importo de ficar sozinha. – Respondi, tentando não ser rude, por mais que eu quisesse.
– Eu mal te conheço, mas... – Ela começou, enquanto pegava o garfo. – Você é estranha.
Apenas levantei meu olhar para ela, para encará-la, dei um sorriso irônico. “Você não sabe o quanto”, pensei.
– Ahn, no bom sentido. – Ela por fim riu. – Quero dizer, você tem um estilo inconfundível e é uma das poucas que não se esforçam logo no primeiro dia pra ter popularidade aqui.
– O que seria “ser popular” aqui? – Perguntei, ainda encarando-a.
– Basicamente participar do “exército” da Louise. E olha só, qualquer uma dessa escola faria de tudo pra ter a oportunidade que tivemos de ficar no mesmo quarto em que ela. – Ela sorriu.
O sinal tocou. O horário de almoço havia acabado, respirei fundo e me levantei, colocando a bandeja em seu devido lugar e seguindo para o corredor dos armários.
A tortura estava quase acabando, teria apenas mais duas aulas e fim, horário livre.
Verifiquei novamente meus horários, teria aula de Arte. Sorri instantaneamente. Arte costumava ser minha matéria favorita, e eu sinceramente esperava que continuasse sendo assim.
Os materiais que eu precisaria não eram armazenados no meu armário, isso ficava por conta do professor e da direção.
Caminhei pelo corredor vazio, sem pressa. Até ele não estar mais vazio. Tudo bem, ter alguém além de mim num corredor não me chamaria à atenção, a não ser que esse alguém estivesse me encarando.
– Que foi? – Perguntei quebrando o silêncio e o tirando da distração. – Perdeu alguma coisa aqui?
O garoto possuía olhos encantadores – eu sei, é meio clichê, mas era a mais pura verdade – e uma pele que contrastava perfeitamente com os mesmos. Ele deu um sorriso sarcástico, o que me irritou.
– Desculpe-me, docinho. – Ele continuou sorrindo, enquanto vinha em minha direção.
– Docinho o caralho. – Odiava xingar, mas, ops. – Agora dá licença.
– Nossa! O que tem de gostosa tem de esquisita, hein? – Ele sorriu mais uma vez, apenas revirei os olhos e continuei andando.
Eu queria socar aquele desgraçado, mas preferi não criar confusão no meu primeiro dia, então ignorei e corri para a sala de Arte. Tendo a certeza de já estar atrasada.
Quando abri a porta, dei de cara com uma mulher loira, de olhos caramelo me encarando sem expressão alguma.
– Senhorita? – Ela perguntou, fazendo sinal para que eu me sentasse, assim o fiz.
Me acomodei em uma das carteiras mais afastadas. Passando a prestar atenção ao que a tal mulher dizia.
– Então, deve ser a novata, certo? – Ela me fitou por uns instantes. – Catherine Walker... Gostaria de se apresentar?
Encarei a professora durante alguns segundos. Era tão difícil me ignorar?
– Não, obrigada. – Respondi séria.

Ela me encarou parecendo estar surpresa, dando uma risada logo em seguida.
Foi estranho, ela não falou mais nada sobre o meu comportamento, embora tenha ficado estranha. Fiquei aliviada, pelo menos uma que não pegava no meu pé.
O sinal tocou, juntei meus pertences e me direcionei a saída. A mulher, senhora Kate Holdman fez um gesto com uma das mãos, me chamando. Esperei os outros alunos saírem e fui até ela.
– Então, senhorita rebelde. – Ela começou. Aquilo foi um apelido? Pra uma professora de Arte, ela é meio sem criatividade.
– Só por me negar a fazer uma apresentação idiota? A senhora já tinha dito o meu nome, é o máximo que eles precisam saber. – Falei interrompendo-a.
– Quer escutar? – Kate perguntou, assenti entediada. – Por incrível que pareça, eu gostei disso. Preciso de pessoas assim no mundo, me entende?
– Oi? – Fiquei um pouco confusa.
– Teremos outra aula nos próximos dias, explicarei a minha proposta, agora preciso ir. – Ela pegou suas coisas e saiu, me deixando ali, confusa.

Notas finais
E então? Gente, eu quero agradecer a Anjinha Maluquinha por ser a primeira leitora de Battle aqui no Nyah, sério, obrigada