Battle
3 Doce Solidão
Notas iniciais
Assim que cheguei ao dormitório, completamente exausta, dei de cara com uma figura loira no meio do quarto. Aquela deveria ser Louise.
– Olá! – Ela disse me analisando.
– Oi. – Respondi sem interesse, seguindo para minha nova cama.
– Catherine, não é?
– Aham. – Continuei sem o mínimo interesse naquela conversa, mas a garota parecia não se importar.
– Quer ajuda? – Ela falou ainda me observando.
– Com o que? – Fiquei meio confusa, ainda nem havia começado a arrumar nada.
– Ahn, sabe... – Ela começou um pouco hesitante. – Com seu estilo. — Completou com um ar superior e um sorriso como se quisesse me incentivar.
– Sério? – Perguntei dando um sorriso irônico. – Acho que a única que precisa de ajuda aqui é você. Patricinha sem graça.
A loira apenas fechou a cara e saiu do quarto, batendo a porta com força. Confesso que ri de sua reação.
Comecei a arrumar tudo o que tinha levado, organizei minhas roupas no armário, seguidas de acessórios e outros. Acabei decorando basicamente a minha parte do quarto em preto.
Demorei cerca de uma hora pra acabar e finalmente pude tomar o tão desejado banho. Passei algum tempo deixando que a água quente percorresse meu corpo, relaxando meus músculos.
Optei por uma roupa qualquer, não passei nenhum tipo de maquiagem dessa vez. Fiquei sabendo de uma festa que iriam dar no dormitório de um dos alunos, por isso as meninas ainda não haviam aparecido.
Abri um tipo de “esconderijo secreto” que havia feito pra guardar o meu diário e o tirei de dentro. Peguei a caneta que havia deixado dentro do mesmo, e comecei a descrever o meu dia.
“Querido diário, as coisas foram do jeito que imaginei. Aulas aturáveis – ou nem tanto – os idiotas dessa prisão me encarando, talvez pelas minhas roupas, ou minha maquiagem. Professores patéticos, aliás, uma professora me chamou a atenção, Kate Holdman, professora de Arte, eu recusei a me apresentar na frente da classe e ao invés de ser chamada atenção, ela disse ao final da aula que iria me propor algo, confesso que fiquei muito confusa com o que ela disse, mas segundo ela, logo tudo ficará claro.
Houve também um garoto idiota no corredor, deve ser um daqueles “populares” que acham que podem tudo só por ter a maior parte do colégio aos seus pés, Okay, eu admito, ele era muito bonito, dava até pra entender porque as vadias se matariam por ele, mas aquele seu jeito estraga toda a sua aparência, me segurei pra não bater naquele cara ali, no meio do corredor.
Os alunos devem estar em uma provável festa no dormitório de um desses caras, eu estou sozinha no momento, não que eu não goste, na verdade é tudo o que eu preciso. Não preciso de ninguém no meu pé, fingindo afeto, é pra isso que já tenho a minha mãe. Se bem que conheci uma garota, uma de minhas colegas de quarto, seu nome é Natasha, ela tem cabelos vermelhos, parece ser legal, não se parece em nada com os idiotas desse lugar, inclusive, ela deve estar nesse momento se pegando com alguém e bebendo horrores naquela festa. Também tem outra garota aqui no dormitório, seu nome é Louise, me parece ser uma patricinha desprezível, e é isso que pretendo fazer com todos desse colégio, desprezá-los, ignorar todos, pois assim como não preciso de nenhum deles, nenhum deles precisa de mim.”
Fechei o grosso caderno com capa de veludo e o guardei no mesmo lugar de onde havia tirado.
Já estava pronta pra me deitar, estava exausta, quando algum infeliz bateu na porta. Caminhei irritada em direção à porta.
– Mas quem é o idiota? – Perguntei ao abrir a mesma, dando de cara com o garoto que havia tido o desprazer de encontrar mais cedo.
– Calma. – Ele falou em tom de deboche, levantando as mãos, em falso sinal de rendição. – Vim apenas te chamar pra a festinha que tá rolando lá no dormitório do Brandon.
– Calma? Primeiro, eu tô exausta, segundo, eu jamais iria a alguma festa com esses idiotas, passar bem. – Falei pronta pra bater a porta.
– Ah, não? – Ele me olhou com um sorriso sarcástico, segurando a porta, me impedindo de fechá-la. – Escuta, você tem noção do que tá recusando? Esse é o seu passaporte para o nosso mundo.
– Como já foi dito, estou perdendo uma FESTA DE IDIOTAS. – Falei dando destaque às últimas palavras. – E fala sério, “Nosso mundo”? Realmente, viu? Vocês não se enxergam? É apenas um bando de hipócritas que se acham os donos dessa prisão aqui.
Dessa vez foi minha vez de rir, o encarando com uma expressão de ironia. E finalmente fechei a porta, ele parecia estar ocupado demais em se impressionar, e não tentou segurar a porta de novo.
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