Battle
9 Primeiro Dia de "Ajudante"
Notas iniciais
Depois de tanto virar de um lado para o outro, pensando na minha idiotice de mais cedo, finalmente o sono me venceu.
Acordei com uma dor de cabeça fora do normal, tudo por ter dormido tão tarde, era inevitável.
– Ai. – Falei me levantando, sentando-me na cama. – Que horas são?
Natasha me olhou, parecia séria, eu diria que quase preocupada.
– Você tá bem? – Ela perguntou, dando uma olhada no espelho que ficava ao lado de sua cama.
Passei a mão pelos meus cabelos, talvez aquilo ajudasse a disfarçar o ninho de ratos que se encontrava ali.
– Tô sim. – Murmurei, mas ela escutou. – É só um pouco de dor de cabeça.
Tomei coragem pra me levantar, caminhei pesadamente em direção ao banheiro. Encarei meu reflexo no espelho, estava mesmo horrível. Meu cabelo estava terrivelmente embaraçado, olheiras estavam presentes embaixo de meus olhos. Me despi rapidamente e entrei debaixo do chuveiro, deixando a água quente me preparar para o longo dia que eu teria que enfrentar.
Depois de alguns minutos debaixo do chuveiro, peguei meu roupão e me vesti, indo para o closet.
Escolhi uma roupa qualquer e me vesti em poucos minutos. Quanto finalmente estava pronta, Natasha não estava mais lá, deduzi que já havia ido para o refeitório, fiz o mesmo.
Chegando lá, encontrei as meninas sentadas na mesma mesa de sempre, depois de pegar meu café, fui até lá e me sentei.
– Bom dia, Cath! – Hanna cumprimentou eufórica.
– Bom dia, Hanna. – Dei um meio sorriso e comecei a comer.
As outras garotas apenas deram sorrisos e continuaram a refeição.
Eu estava observando todo o refeitório, era tão ridículo tudo aquilo, aqueles grupinhos, aquelas classificações de quem era popular e quem não... O pior é que eu havia formado um grupo também, não que fosse igual ao “padrão” que os alunos criaram, a gente só se aproximou, e estávamos ali.
– Hey, Walker! – Olhei para trás e me deparei com Christopher, revirei os olhos em resposta. Decidi ignorá-lo.
As meninas pareciam ter compreendido e fizeram o mesmo, Chris não se opôs, ele encostou no meu ombro e deixou que o que parecia ser um pequeno papel caísse dentro de minha blusa. Assustei-me com o gesto, mas disfarcei. Ele se afastou. Confesso, poderia ter sido pior, ele poderia ter dito “Hey, Walker! Já contou pra suas amigas que você as traiu?”. Mas ao invés disso, ele simplesmente me entregou um bilhete.
Dei um jeito e consegui pegá-lo sem que ninguém visse, já que estavam todas distraídas demais desde que Louise havia chegado ao refeitório.
O bilhete dizia “Me encontre no jardim antes do jantar.” e nada mais.
O dia passou normalmente, eu estava na última aula: Arte. Iria começar meu “trabalho”, mesmo sem saber no que consistia. A loira dispensou os alunos depois de uma longa aula e fui até ela.
– Hey, senhora Holdman. – Cumprimentei com um meio sorriso.
– Olá, Catherine. – Ela sorriu abertamente. – Me chame de Kate, por favor. Vamos?
Eu assenti, pegando meus pertences e a seguindo para fora da sala. Andamos pelo corredor, viramos à esquerda – eu nunca havia passado por ali, afinal não tinha nenhuma sala de aula na sua direção – o que me despertou uma curiosidade. Finalmente estávamos de frente a uma porta branca, o que achei estranho, mas não questionei.
– E bem vinda ao meu... – Ela parecia estar pensando em alguma palavra que se encaixasse na frase. – Ateliê de arte.
Ao final da frase, ela girou a maçaneta e abriu a porta, fazendo um sinal para que eu entrasse. Suspirei pesadamente e adentrei a sala. Espantei-me com o que vi, estava diante de um verdadeiro mundo de quadros, a sala com certeza era maior do que parecia. A decoração era básica, afinal os quadros já decoravam a enorme sala por si só. E havia muitos deles ali.
Andei pela sala, admirando os diversos tipos de quadros que estavam ali.
– Você gostou? – Ela perguntou, sorrindo. Parecia estar feliz com a minha admiração.
– Isso é tão... – Busquei alguma palavra pra descrever aquele lugar. – Inacreditável!
Ela riu, parecia realmente muito empolgada. Por menos que a conhecia, nunca tinha visto a senhora Holdman daquele jeito.
– Todos esses quadros foram pintados pela senhora? – Ela assentiu.
– Estamos parecendo pessoas de um filme clichê onde uma tem que pedir à outra pra chama-la de “você”. Mas é inevitável. – Ela falou séria. – Me chame de você, aqui não tem professora e aluna, e sim possíveis amigas. E outra, não sou tão velha.
Ri com o que ela havia dito, mas assenti com a cabeça, sentando-me em uma poltrona no fundo da sala.
– Okay. – Respondi sorrindo. – Nunca imaginei que houvesse um lugar assim nesse presídio.
– Presídio? – Ela perguntou rindo. – Digamos que o senhor Winkles me permitiu, essa é a melhor parte de ser uma pessoa bem informada.
Aquilo me confundiu, nunca pensei que o diretor era um homem de “segredos”. Mas decidi não interferir.
– Ahn, sei. – Respondi para mudar de assunto. – Mas então, o que exatamente eu faria nesse lugar?
Ela sentou-se na poltrona que ficava ao lado da minha.
– Muito bem. – Kate começou. – Não é óbvio? O que alguém faz num lugar como esses?
– Tantas coisas... – Falei com um sorriso debochado.
Ela revirou os olhos divertidamente e se levantou.
– Não seja boba. Você vai pintar! – Seu sorriso era enorme, ela realmente estava muito feliz e eu não conseguia entender.
Levantei-me também, ficando de frente para ela.
– Oi? – Perguntei confusa, eu pensei que havia sido clara. – Você esqueceu aquela parte em que eu falei que NÃO SOU UMA ARTISTA?
Ela pareceu não se importar, apenas sorriu. Caminhando para outro lado da sala, eu a segui.
– Ninguém nasce sabendo, não é? – Ela me olhou, quando havia parado diante de uma estante. – Resta saber se você realmente quer.
– Pensei que as pessoas teriam que nascer com um dom. – Respondi em deboche. – Mas Okay, sinto que não tem como fugir.
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