Battle
8 Plano Idiota
Notas iniciais
Comecei a cantarolar uma canção qualquer, eu havia esquecido meu celular e não havia ninguém no corredor, então não adiantaria gritar. Estava sentada em um canto qualquer da sala de aula, Christopher estava na minha frente.
– Que bela voz. – Ele comentou sorrindo, provavelmente uma provocação.
Continuei calada, não iria dar o gostinho de responder às provocações dele.
– Ótimo, não vai falar nada? – O garoto questionou, ainda com aquele sorriso.
– Quer realmente que eu fale? – Perguntei, finalmente deixando o silêncio de lado. – O que quer que eu fale? O quanto esse planinho é tão idiota e nada criativo? Ou o quanto você é idiota? Ou o quanto eu te odeio? Ou que eu fiz tudo que fiz por você ser sido ridículo desde que me conheceu?
Desabafei tudo o que eu queria falar pra ele — ou quase.
– Uau! – Ele exclamou, fingindo surpresa. Mas ele havia entendido e, no fundo aquilo havia o atingido. Dava pra ver, pela sua expressão. – Sabe Walker... Você foi quem não soube aceitar um elogio. Fez tempestade num copo d’água e agora está aí, me atacando por qualquer coisa.
– “Qualquer coisa”? Jura? – Perguntei indignada. – Acho que usar todas as garotas desse colégio e depois jogar fora como se elas fossem objetos, e não tivessem sentimentos não é qualquer coisa, Lahey.
Ele me encarou, me olhou nos olhos. Sua expressão era completamente séria, ele parecia pensativo.
– A culpa não é minha se sou irresistível. – Ele respondeu por fim. Deu uma piscadela, e começou a rir.
Continuei olhando pra ele, sem expressão alguma. Na verdade eu estava pensando no quanto fui burra em ter respondido.
– Tá bem... – Ele murmurou. – Me desculpa tá? Eu sei que às vezes sou um idiota e acabo passando dos limites.
Eu estava realmente escutando aquilo? Christopher Lahey me pedindo desculpas?
– Não posso acreditar! – Exclamei de forma fingida. – Você está se desculpando comigo?
Ele suspirou, teria achado graça ou usado sua ironia para rebater o que eu disse. Mas não o fez apenas se aproximou de mim, ficando ao meu lado.
– A-Ahn... Oi? – Eu estava confusa, aquilo estava realmente muito estranho. Ele mudou de uma hora pra outra?
– Olha, você sabe muito bem que eu tentei me aproximar de você no início... – Ele murmurou. – Só comecei de forma errada.
– Não. – Respondi obviamente, eu estava indignada, fala sério! – Você quis apenas me fazer uma de suas vítimas. Só isso, querido.
Ele não falou mais nada, parecia verdadeiramente magoado, fingi não perceber – ou melhor, não ligar – e segui-lo até a porta da sala.
– Eu tentei Walker. – Ele voltou a me encarar, seu olhar parecia triste. – Mas você é impossível! Eu me arrependi, tá? Eu só queria recomeçar, ser seu amigo, ou pelo menos tentar. Queria tentar mostrar que posso ser digno de sua confiança.
Eu não contive o riso, na verdade eu meio que forcei para parecer um deboche, em seguida voltei a encará-lo.
– Uau, Lahey! – Continuei dessa vez com um sorriso que demonstrasse minha ironia. – Tirou isso de onde? Algum livro?
Ele riu, não sei por quê.
– Imaginei que não ia funcionar... – Sussurrou se aproximando de mim, ainda me olhando nos olhos. – Talvez isso funcione.
De início eu fiquei confusa, mas ele me puxou para perto, colando nossos corpos. Pude sentir sua respiração, eu queria me afastar, mas era como se algo estivesse me empurrando para ele, eu simplesmente não conseguia.
– Lahey... – Eu queria ter soado irritada, mas acabou saindo como um sussurro. Estremeci por completo.
Ele me surpreendeu ainda mais quando me beijou, eu sei que deveria ter impedido, mas não foi isso o que eu fiz. Muito pelo contrário, eu correspondi ao beijo, mal sabia eu que me sentiria ridiculamente idiota por isso. Nos separamos por falta de ar, foi como se tivesse acordado de um sonho.
– Ah meu Deus! – Falei mais alto que o necessário, mostrando a raiva em minha voz. Naquele momento eu percebi o que eu havia feito. – Por que fez isso, seu idiota?
Ele sorriu, mas não de uma forma grosseira, como se quisesse mostrar que havia conseguido. Sorriu de uma forma, a qual eu nunca tinha o visto sorrir. Mas aquilo não me fez mudar minha vontade de voar em cima dele, dando um tapa em sua cara.
– Por que fez isso, sua idiota? – Ele perguntou repetindo minha frase, pondo uma das mãos no local onde eu havia batido.
– Isso! – Falei sorrindo e aplaudindo, me afastando de Christopher. – Mostrou a cara!
Ele pareceu um tanto confuso, ainda mantinha a mão na bochecha.
– Voltou a ser o velho Christopher de sempre. – Completei.
Ele bufou, e se aproximou mais uma vez, ficando de frente pra mim.
– Você não entendeu a piada? – Ele perguntou como se fosse óbvio. Permaneci calada, mostrando que ele não havia me convencido. – Pensei que fosse mais esperta, Walker. Mas isso não é importante, e sim a prova que eu te dei, de que talvez eu possa ser menos idiota do que você julga que eu seja.
Eu me odiei mais ainda naquele momento, e ele me deixou ali, refletindo sobre aquelas malditas palavras e o que tinha acabado de acontecer.
Não fiquei ali parada, já tinha sido idiota demais durante aquele dia. Caminhei pelos corredores, ao chegar ao dormitório dei de cara com Natasha. Eu não queria encontrar ninguém naquele momento, principalmente uma das garotas, eu sentia como se tivesse as traído.
– Hey! – Ela me abraçou rapidamente, por isso eu odiava lidar com pessoas, sempre acabava acontecendo algo. – Como se sente depois do meio espetáculo ontem, rainha?
Eu era boa em disfarçar meus sentimentos, precisei muito disso quando menor. Então pude lidar com a situação, embora estivesse querendo me matar por dentro.
– Hey! – Respondi calorosamente. – Estou ótima! Poderia ter sido melhor... Mas é um ótimo começo.
Ela sorriu, aparentemente tinha dado certo.
– Depois falamos com as meninas, né? – Ela perguntou, estava empolgada.
– É... Depois a gente vê. – Disse sorrindo.
– Então, vai pro refeitório? – Ela perguntou, eu não estava com a mínima vontade de jantar, principalmente sabendo quem eu encontraria lá.
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