Battle

16 Nariz Quebrado


Notas iniciais
Oin amores, tudo bem? Decidi postar hoje, porque sim, tô postando essa hora porque de noite não vai dar.. haha E é isso, o capítulo ficou meio grande, espero que gostem do que a Walker vai aprontar.

Eu estava com uma única vontade naquele momento: Ir até o idiota do Lahey e bater nele até não perceber mais sinais de vida.

Primeiro ele invade meu quarto e depois tem a coragem de tirar satisfações sobre a minha vida?

Terminei de me arrumar e decidi ficar no quarto, porque se eu saísse àquela hora eu iria estrangular aquele imbecil.

Respirei fundo, eu peguei a maldita lâmina no criado-mudo do meu lado e corri para o banheiro.

Encarei meus pulsos, por alguns segundos, com algumas cicatrizes e me perguntei por um segundo porque fazia aquilo. Há uns dois anos me cortei pela primeira vez, me lembro como se fosse ontem da raiva e da angustia que sentia.

Corri escadas acima, não teria coragem de olhar para a cara daquele homem nojento que acabara de me agarrar.

Eu estava com nojo. Nojo daquele cara. Nojo de mim mesma. Tudo que eu consegui fazer foi bater a porta com força e deixar meu corpo escorregar por ela. Fiquei sentada, abraçando meus próprios joelhos e deixando as lágrimas caírem.

Não liguei para as minhas roupas destruídas, corri para o criado mudo e acabei encontrando uma lâmina, sabe-se lá porque estava lá, mas tudo que eu consegui pensar foi em sentir dor física para amenizar minha dor espiritual.

Aquele cara havia me agarrado às forças, meu primeiro beijo havia sido com um cliente nojento da minha mãe e ela não estava lá para me defender – e não o faria se estivesse. Ele havia rasgado minhas roupas e se eu não me soltasse de suas garras e corrido o máximo que pude, poderia ter acontecido algo muito pior.

Passei a lâmina por um de meus pulsos, deixando o sangue cair sobre a pia, deixando a dor me preencher e fazendo-me esquecer da raiva e da angústia que sentia.

Deixei as lágrimas rolarem pelo meu rosto, eu odiava estar naquele lugar, odiava a vida que eu tinha. Odiava toda aquela situação. Odiava ter uma mãe que fazia negócios sujos para manter a riqueza, odiava, odiava!

...

Vesti um casaco – além de tudo, o dia estava frio – e saí do quarto. Meus passos ecoavam pelo corredor vazio, deveriam estar no refeitório, eu estava sem a menor fome.

Caminhei diretamente para o ateliê. Tinha uma cópia da chave, depois de algumas semanas, Kate havia me dado, mostrando que confiava em mim.

Abri a porta e deixei encostada, aquilo já tinha atraído problemas, – como o idiota do Lahey ter me visto de calcinha e sutiã – mas deixei encostada do mesmo jeito.

Fui para o fundo da sala, peguei uma das telas e uma aquarela. Depositei a tela em um apoio e peguei algumas tintas, colocando-as na aquarela. Peguei alguns pinceis e comecei a pintar algo que nem eu mesma sabia o que era.

Talvez descontar minha raiva em um quadro fosse mais saudável do que deferir golpes no meu pulso, embora eu não tivesse controle, então faria do mesmo modo da próxima vez, porque por mais que eu não quisesse, teria uma próxima vez.

– Belo quadro. – Escutei uma voz, virei-me com o susto.

– Ah, oi Kate. – Respondi com um sorriso quase verdadeiro.

Suspirei, continuando com as linhas sem rumo.

– Não sabia que estaria aqui. – Ela falou, com uma xícara de café na mão.

– Eu meio que precisei. – Dei de ombros. – Tudo bem pra você?

Ela assentiu com um sorriso, continuei com o que fazia em silencio.

Depois de alguns minutos – talvez horas – eu finalizei o quadro. Continuavam sendo linhas sem rumo, mas expressavam sentimentos e isso era importante para Kate.

Sentei-me em uma poltrona à sua frente, ela me fitou.

– Quer conversar? – Aquela pergunta me surpreendeu, arqueei as sobrancelhas.

– Oi?

– Mesmo nesses quase dois meses, eu pude entender você. – Ela suspirou. – E sei que não está nada bem. Ajudaria se você se abrisse com alguém.

Okay, eu não esperava por aquilo. Fiquei alguns segundos calada, absorvendo suas palavras. Poderia responder com um “Estou ótima”. Ou poderia começar a desabafar – o que me ajudaria muito de uma forma estranha.

Fui burra e optei pela primeira opção, saindo da sala quase que correndo. Ela continuaria persistindo e eu acabaria desabando na frente dela.

Eu já havia sido fraca demais na frente das pessoas, precisava voltar ao que eu era e seguir com o plano das garotas.

– Oi, Catherine. – Me virei e encontrei a vadia loira com seu sorrisinho de sempre.

Não sei o que me impedia de avançar na vadia e quebrar seus dentes um por um. Eu estava com tanta raiva, tanta raiva, que aproveitei que uma das pessoas que eu mais tinha raiva estava bem ali na minha frente.

Corri em sua direção e lhe dei um único soco, a pegando de surpresa – na verdade mesmo que ela estivesse esperando, não conseguiria impedir – e a derrubando no chão.

Okay, não quebrei seus dentes, mas pelo estado em que seu nariz se encontrava, era bem provável que eu houvesse o quebrado. Isso me fez sair satisfeita, com um meio sorriso em direção ao meu dormitório.

– Boa noite. – Entrei com o sorriso ainda brincando em meus lábios.

– Olha, apareceu. – Grace riu, chamando-me pra sentar ao lado delas. – Onde estava?

– Quebrando o nariz da vadia loira. – Respondi dando de ombros, como se não fosse nada de importante.

Todas riram, até que Violet fez uma cara de preocupação.

– Mas... – Ela começou. – Isso vai atrair problemas. A Louise é namorada do Christopher então aposto que o diretor vai fazer algo.

Aquilo não me atingiu, não agi por impulso, fiz aquilo sabendo das consequências e com um “foda-se” bem grande em relação a elas. Dei de ombros mais uma vez, roubando alguns salgadinhos do pacote que Hanna segurava.

Conversamos durante quase meia hora, até que alguém deu duas batidas na porta, fui abrir, não era quem eu esperava.

Decidi avisar as meninas e falar com o garoto do lado de fora, fechando a porta atrás de mim.

– O que foi agora? – Perguntei irritada, me fingindo de desentendida, enquanto caminhava pelo corredor.

– Mas como você é sínica. – Ele semicerrou os olhos, me fitando. Até que segurou no meu braço me fazendo parar. – É isso? Você quebra o nariz da minha namorada e finge que nada aconteceu?

Eu tive que rir, depois de uma gargalhada longa, voltei-me para ele com um sorriso irônico.

– Olha querido. – Comecei apontando o dedo em sua cara. – Sua namoradinha não sabe provocar sem receber troco, e a culpa não é minha. Que se dane o nariz dela, eu queria ter quebrado seus dentes e arrancado aquilo que ela chama de cabelo, então não reclame.

Notas finais
E então? Mereço reviews? Espero que tenham gostado ♥ Quero aproveitar para desejar um feliz ano novo, que 2015 seja cheio de coisas boas para todos vocês e que consigam realizar todos os seus sonhos! Até mais!