Battle
1 Conhecendo a Prisão
Notas iniciais
Suspirei. Não estava nervosa, na verdade não sentia nada. Segui pelos corredores daquele lugar, sentindo os olhares pesando sobre mim.
– Hey, novata. – Escutei alguém falando atrás de mim. Ignorei. — Estou falando com você, sabia?
Virei para trás, para ver quem havia me chamado. Dei de cara com uma garota de tamanho médio, cabelos vermelhos que contrastavam com sua pele e olhos castanhos. Ela me fitava, aparentemente esperando por alguma resposta.
– Ahn, oi. – Respondi, não ligava muito para isso, mas tentei diminuir meu nível de grosseria.
– Está procurando a sala do diretor? – A garota perguntou, apontando para os papéis que eu segurava.
– Sim, me disseram que seria no fim do corredor. – Falei suspirando.
– Já viu alguma sala de diretor no andar de baixo? – Ela perguntou sorrindo, como se fosse óbvio.
– Acho que não, não presto atenção nessas coisas. – Respondi ainda a encarando.
– Olha, vem comigo que eu te levo lá. É no terceiro andar. – A garota falou, vindo em minha direção e ficando ao meu lado.
– Tudo bem... – Respondi enquanto a via seguir em frente.
Comecei a seguir a garota pelo corredor até chegar à escadaria. Enquanto começávamos a subir as escadas, eu permaneci calada durante todo o percurso, e ela também. Finalmente chegamos de frente a uma porta marrom, estava fechada. Havia uma placa indicando que era ali a sala que eu procurava.
– Obrigada. – Disse à menina. Ela apenas assentiu e saiu com um aceno rápido.
Bati três vezes na porta, até escutar uma voz grossa gritar de dentro que eu poderia entrar. Assim o fiz, abri a porta e me deparei com um homem aparentemente sério, de pele levemente morena e olhos verdes. Ele estava sentado, fitando-me.
Finalmente fez um sinal para que eu me sentasse em uma cadeira à sua frente.
– Bom dia. – O cumprimentei séria, entregando os papéis.
– Bom dia, senhorita Walker. – O homem sorriu, pegando os papéis.
Ele analisou por alguns minutos, e em seguida assentiu positivamente os colocando em uma pasta.
– Está tudo certo, aqui estão seus horários e o número do seu dormitório. Hoje poderá conhecer a escola, principalmente o dormitório, vai habitar o mesmo com mais duas garotas. Acabei de chamar uma de suas colegas de quarto para ajuda-la a conhecer a escola e também as regras. – Peguei os papéis e enquanto o tal homem explicava, eu assentia, dando sinal de que estava entendendo.
– Olá, senhor Winkles, mandou me chamar? – A mesma garota havia entrado na sala.
– Sim, senhorita White, como colega de quarto da novata, eu gostaria de pedir que mostrasse as instalações da escola à ela.
– Ah, claro diretor. – A menina respondeu com um sorriso.
Me levantei e segui mais uma vez a garota.
– Então, qual o seu nome mesmo? – A ruiva perguntou, quebrando o silêncio entre nós.
– É Catherine Walker... E o seu? – Por mais que eu odeie me relacionar, seria necessário, pelo menos naquele momento.
– É Natasha White, vem. – Continuei seguindo a garota que agora tinha um nome.
...
Estávamos em mais um corredor, finalmente os dormitórios. Depois uma longa hora de “passeio” pela escola.
– E aqui está o seu quarto. Onde dormirá durante praticamente todo o ano. – Ela sorriu abrindo a porta do mesmo.
Adentrei o quarto, era estranhamente espaçoso. Possuía três camas, em espaços diferentes. Duas delas obviamente estavam ocupadas, havia criados-mudos do lado de cada uma.
– Você pode decorar como quiser, veja, esta é a minha. – Natasha falou, apontando para a cama que ficava do lado da porta. Sua parte do quarto estava enfeitada em tons de lilás. Era tudo muito bem organizado.
Apenas assenti, observando o outro espaço ocupado, ficava perto da única janela do quarto. Decorado ridiculamente em tons de rosa e branco.
– Louise Lancaster. – Natasha disse entediada, aparentemente tinha percebido o quanto eu observava aquele lugar.
– Bom gosto o dela, né? – Perguntei debochada.
Natasha riu, pelo visto não gostava de Louise. Eu não poderia dizer nada a respeito, ainda não a conhecia.
– Então, acho que já vou... Há mais alguma coisa para ver? – Perguntei, direcionando-me à garota.
– Bem, acho que não. Amanhã você põe o que escutou hoje em prática. – A mesma respondeu, sorrindo gentilmente.
Apenas assenti positivamente em resposta.
– Okay, obrigada Natasha. Provou-me que a humanidade ainda tem salvação. – Murmurei sorrindo, ela pareceu me olhar confusa, mas não questionou. – Até amanhã.
– Até, Catherine.
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