Battement
2 Capítulo 2 - Azuis como o céu
Notas iniciais
Os primeiros raios de sol do dia invadiram o meu quarto. Sentia meu corpo pesado e meus olhos ardendo. Olhei para o relógio com certa dificuldade e vi que eram 05:30 da manhã. Lembrei-me da noite passada. Havia ganhado a oportunidade de estudar na Academia Pierrivier. Sorri ao lembrar do envelope endereçado a mim. Espreguicei-me intensamente. Olhei para o chão e vi Ágatha deitada ao lado do pé da cama. Me sentei e tomei ela nos braços. Seus olhos tão azuis quanto o céu me fizeram sorrir. Fiquei alguns minutos fitando seus olhos e acariciando seus pelos, até que em um salto, ela deslizou de meus braços e saiu porta a fora. Levantei e me olhei no espelho. Péssima escolha. Meus cabelos estavam embaraçados e cheios de nó. Não me importei muito com isso e fui em direção ao corredor que dá acesso aos outros cômodos. Abri todas as janelas que tinham na casa, fazendo assim uma incrível claridade alaranjada encher a casa de alegria. Era domingo e eu tinha costume de visitar a minha avó. Saltitei em direção ao som e o liguei, colocando minha playlist dos Beatles. Começou a tocar Here Comes The Sun, o que só melhorou a atmosfera radiante do meu apartamento. Fui para o banheiro e deixei a música tocando. Liguei o chuveiro e entrei, molhando meus cabelos. Tirei os nós que estavam neles e logo depois os lavei. Sai do banheiro e fui para o meu quarto. Optei por vestir uma roupa leve e alegre, afinal, é domingo e está um sol perfeito lá fora. Prendi meus cabelos em um rabo de cavalo alto e coloquei uma sapatilha. Fui em direção ao som e vi que começara a tocar ‘’Yellow Submarine’’. Eu cantava com uma animação quase que infantil. Continuei a escutar meus cds e quando dei por mim já eram 10:30. Procurei por Ágatha, mas não a achei. Dei de ombros e saí do apartamento, ainda cantarolando: ‘’we all live in yellow submarine, yellow submarine, yellow submarine’’. Logo eu estava na rua, pegando um táxi.
Cheguei a casa da minha avó e dei de cara com metade da família reunida em uma mesa. Sorri e caminhei até eles. Abracei e beijei todos. Começamos a comer a deliciosa massa que minha vó havia feito e bebericando um delicioso vinho. Jogamos conversa à fora durante toda a tarde. Havia dado 18:00 e resolvi que era hora que voltar para casa. Estava curiosa para ver o que a peça ‘’ Battement’’ iria me proporcionar. ‘’Battement. Em português, palpitação. O querem dizer com isso?’’, pensei. Despedi-me de todos os meus familiares e prometi voltar no próximo domingo. Era um pouco difícil conseguir um táxi nas proximidades da casa de minha avó. Finalmente, às 19:50, eu consegui fazer com que um parasse. Suspirei aliviada quando já estava sentada no banco do carro. Depois de alguns minutos, estava no meu apartamento. Chamei por Ágatha e, pela segunda vez, no dia não a encontrei. Achei estranho mas nada comentei ou fiz, afinal, a peça começava às 21:00 e eu morava um pouco longe do centro. Procurei pelo livro para ver onde seria a peça.
Logo eu estava na porta do teatro e me encontrava nervosa. Entreguei o convite para um homem alto que estava na portaria e adentrei a sala. Estava escuro e eu segurava em ferros no meio das escadas para me guiar. Sentei na fileira do meio e esperei começar. Logo um homem de terno e com um sorriso simpático no rosto foi para o palco. Ele começou a anunciar os personagens e o enredo da peça. Logo, as luzes do palco se apagaram e um holofote foi acesso, revelando uma bela garota sentada no meio do tablado. O escuro a engoliria se não houvesse aquela luz. Aquela luz que iluminava seus belos olhos azuis. Tão azuis quanto o céu.
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