Bater de Asas
8 8. A Cidade.
Notas iniciais
Logo que acordei, já me sentia arrependida de ter dormido em um galho, minhas costas doíam, olhei ao lado e Zack me encarava.
— Tão fofa dormindo, nem parece que agride as pessoas.
— É falta de educação ficar olhando as pessoas dormindo.
Como se eu já não tivesse ficado olhando ele. Logo ele tirou o braço e levanto, mexendo o braço já que passou a noite toda com ele imóvel, ele me olhou e propôs um convite.
— Olha, vou à cidade hoje, não quer ir junto? Melhor que ficar aqui.
Eu pensei sobre, só ia à cidade escondida para vender a apenas uma pessoa, mas acenei um sim com a cabeça, mas ainda tinha uma cara de preocupação que não conseguia esconder.
Ele estendeu a mão para eu levantar, olhei uma última vez aquela paisagem antes de ir para a cidade. Mas antes passamos na caverna para pegar o ajuntamento de peles que guardamos dos animais que Zack caçou, assim, voamos juntos em direção a cidade, por mais de uma hora.
Quando chegamos, fiquei imensamente surpresa com a diferença do lugar, eu ia em uma cidade próxima, não há capital.
A cidade foi construída entre duas montanhas, era extremamente limpa e colorida, e não tinha só humanos como na cidade próxima que eu fui, haviam bestiais de diversos tipos andando, como oque pareciam "pessoas animais", e entre eles até humanos também, inclusive voadores. Zack e eu vestimos um capuz, não queríamos chamar atenção.
— O lugar é lindo e cheio de diversidade, mas me dá medo de tanta gente, onde fica o coureiro?
— Calma, é só manter as asas embaixo do capuz com capa que fica tudo certo.
Começamos a entrar mais nas ruas elevadas, eu nem olhava para cima direito, mas oque dava para ver eram pessoas olhando estranho.
— O coureiro fica no centro da cidade.
— Que ótimo, nem para ser perto.
Zack então passou na minha frente e parou, segurou meu capuz e puxou.
— Pronto, assim você vê melhor.
Levantei a cabeça devagar, as pontes eram suspensas sobre o penhasco que era entre as montanhas, era bonito, mas continuei a andar para a frente antes que travasse de vez.
No centro da cidade, haviam muitas pessoas andando nas ruas e de lojas em lojas, e chegamos ao coureiro. Na loja haviam pessoas e criaturas de diferentes classes, desde guerreiros, a mulheres ricas apenas querendo uma pele boa para colocar no pescoço.
— Gustavo!
Zack chamou oque parecia ser o vendedor, fez um sinal apontando para mim, e o coureiro nos chamou para os fundos para sair do lugar cheio.
— Não trouxe nada de mais, javali, coelhos e um cervo.
— Hum... 200 é oque posso pagar.
Enquanto eles discutiam presos, levantei e olhei umas roupas nos cabides, eram bonitas, todos eram vestidos de festa, mas não liguei muito, sempre gostei de saia e blusa.
— Quem diria que o marrento do Zack acharia uma garota.
Neste momento voltei a olhar os vestidos como se tivesse amado todos, não queria participar da aquela conversa, mas fiquei a escutar.
— Nós nos conhecemos só a uns dias, trouxe ela a cidade já que ela nunca veio.
— Como assim nunca veio, porquê?
Logo que vi que estavam falando de mais sobre mim sem eu estar na conversa, fui até eles.
— hey qual seu nome?
— Yasmin.
— Você parece humana, porque nunca veio até aqui?
Olhei para o Zack, para ver se ele diria algo sobre esse cara ser confiável, ele um balanço com a mão dizendo para continuar.
— É que eu não sou muito humana.
Assim tirei o capuz e abri as asas, o homem quase caiu para trás.
— Zack, que merda é essa? Achei que estavam extintos.
Fiquei um pouco constrangida, mas pensei sobre oque ele disse de extinção, será que sou a última? Oque aconteceu com meus pais?
— É eu sei, loucura, mas e aí, porque está toda essa comoção na cidade?
Pelo jeito a cidade não é tão cheia assim diariamente.
— Vai ter uma festa, um baile ou coisa do tipo no castelo do rei.
— Patético, só vim vender as peles mesmo e...
Logo que escutei isso, já tinha lido sobre, mas era só em histórias.
— Oque é exatamente o baile?
— Zack, ela nunca foi, você deveria levar ela.
Neste momento perdi todo o medo da cidade e abri um sorriso enorme para Zack.
— O pomba, já pensou oque vão achar de você lá? Nem temos dinheiro para roupas.
Aí pensei na real, poxa não tínhamos dinheiro e ainda mais eu aparecer lá no meio de todos.
— E se eu der os ingressos e as roupas? Mas quero algo em troca.
— Oque?
— Só quero que você conheça um médico famoso da região, ele estuda espécies e raças, ele adoraria conhecer você.
— Não é possível, hey não podem...
— SIM, ACEITO.
Eu fiquei feliz com isso, era só conhecer alguém. O homem levantou chamando nós para as portas dos fundos e apontando para um hospital no final da rua, vesti meu capuz, Zack cruzou os braços e parecia não gostar da ideia.
Assim que chegamos lá, Zack falou que veio em nome do Gustavo e queria falar com o médico chefe, que logo apareceu e nos chamou a uma sala, ele era diferente, parecia um urso no corpo de humano, penso que é oque chamam de bestiais.
— É, isso é meio estranho, mas Gustavo mandou a gente para te conhecer.
— Médico: hum, um demônio e uma humana.
— Errado.
Assim pela segunda vez na aquele dia tirei o capuz, e novamente o médico ficou espantado e correu para pegar sua maleta.
— Nunca pensei que veria um alado de novo.
Ele fez uns movimentos com os braços para eu repetir com as asas, assim ele começou a desenhar em seu caderno, assim que terminou, começou a examinar a minha boca.
— Sem presas, boca humana.
Então ele foi para as asas e testou a articulação, e arrancou uma pena, oque me fez olhar feio para ele.
— Calma, foi só uma pena, agora por gentileza tire a blusa.
Zack que até então estava sentado levantou.
— O moço é meio estressado, mas sou só um médico.
Então Zack andou até o lado do médico.
— O resto é humana, a única diferença é as asas, o sangue e a cura.
— Ok moço irritado, preciso de uma amostra de sangue, sente lá na sua cadeira.
Zack ignorou completamente oque o médico disse, eu também não queria ele longe.
— Tirar sangue não parece nada legal.
Médico chegou com um frasco e uma seringa com agulha, e Zack segurou o braço dele.
— Vai furar ela na minha frente mesmo?
— Quer fazer? É só um pouco, quero saber se é o mesmo DNA dos humanos.
Assim ele amarrou um pouco a cima do cotovelo e antes de furar olhou para Zack que parecia estar quase grudado no médico.
— Ai.
Era uma dor, mas uma dor suportável, Zack tampou o nariz como de costume e vi o médico farejando o ar.
— Isso é intrigante, cheiro é... Diferente.
— É eu sei dá fome.
O médico e eu olhamos confusos para Zack.
— Bom é só isso, já sei que vocês querem ir ao baile, falem com minha esposa, ela está na recepção.
Assim fomos a recepção falar com a moça, que também era um meio urso.
— Oi, viemos pelo seu marido, é sobre roupas para o baile.
A moça parecia animada, pelo jeito a notícia de uma Alada e um demônio andando juntos estava se espalhando.
— Meu nome é Julie, estou muito animada para vestir vocês, venham.
Assim ela quase nos arrastou para a loja ao lado, que era enorme e tinham roupas quase até o teto.
Ela sentou nós dois a força na cadeira e mandou esperar, e logo que voltou, apenas puxou o Zack para um provador. Uns minutos se passaram e Zack voltou vestido com um terno preto, senti de novo aquela sensação estranha no peito.
— Não está incrível?
Fiquei uns segundos olhando, espantada já que só vi Zack com roupas comuns.
— Está... Incrível.
Zack ficou constrangido com a encarada e desviou o olhar para o lado.
— Vai lá tirar, e você mocinha tire esse capuz.
Eu olhei a loja cheia e apenas segui para o provador de capuz com a Julie, ela já sabia sobre mim.
— Tenho algo especial para você.
Assim ela tirou um vestido branco com uma calda, e caído nos ombros.
— Viu, é até aberto atrás para suas asas, você não pode esconde-las para sempre.
Vesti e me olhei no espelho, nunca pensei que me vestiria assim.
— Vai lá mostrar para seu namorado.
Antes que pudesse negar, ela me arrastou de novo, em direção ao Zack. Quando cheguei até ele, a cara de marrento sumiu, ficou um tempo olhando antes de responder.
— Está... Linda.
A resposta foi incrivelmente inesperada, mas a cara dele estava impagável.
— Já está tudo pago, inclusive o hotel daqui de cima da loja, é bom eu ver vocês lá no baile.
Ela então saiu para atender outros, ela era bem agitada, então entrei de novo e devolvi o vestido para ser usado apenas no dia seguinte. E fomos para a rua, não vesti meu capuz já que estava quase de noite, e todos acabariam sabendo uma hora.
Logo que saímos, vimos crianças brincando, fico meio triste por não lembrar da minha infância, vai ver nem tive uma.
Enquanto refletia e Zack apenas olhava meio indignado para as crianças, ele parecia não gostar muito delas, uma delas caiu perto de um beco e machucou o joelho, Zack riu e eu ri por dentro, mas vi que machucou, então fui até ele.
Escutei Zack resmungando atrás de mim sobre eu ser tapada de mais em ajudar todos.
— Oi, posso ajudar seu machucado?
A criança parecia ter uns 6 anos e apertava o joelho.
— Minha mãe falou para eu não falar com estranhos.
— O moleque está certo, vamos embora.
Olhei feio para o Zack, ajuntei minhas mãos em formato de concha e fiz uma "cura" apenas aparecendo um brilho de luz para o menino para ele ficar mais calmo.
— Posso te ajudar com isso.
O menino fez um sim, com a cabeça, então encostei no joelho dele e assim a luz melhorou ele.
— Obrigado moça.
Não sei... não encontrei muitas crianças na minha vida, mas todas me davam uma sensação ruim, como se fossem uma memória ruim. Nunca me dei bem com elas não sei porque, mas sempre tento fazer o meu melhor para ajudar quando posso.
Ele levantou e foi brincar com as crianças. Olho para Zack e ele está alerta.
— Hey oque foi?
— Shiu, escuta.
Logo que fiquei quieta, escutei barulhos na mata.
— Vamos embora.
Também sentia que alguém estava olhando e segurei o braço de Zack.
Assim eu e ele fomos até o hotel de volta.
Chegando lá, eu pretendia tentar esquecer o ocorrido e dormir bem, já que no dia seguinte eu teria o meu primeiro baile, mas aquilo foi estranho, tenho a sensação que veria a pessoa da mata de novo.
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