Bater de Asas

9 9. O Baile.


Notas iniciais
Um Baile, nunca tinha ido em um, espero que seja bom.

Foi uma noite normal, a Julie alugou o quarto para casal, mas acordei com Zack dormindo no sofá, pelo menos Não era o chão.

Levantei e havia comida em cima de uma mesa, comida que pareciam ser preparadas por um chefe, Zack dormia todo torto no sofá, tão bonitinho dormindo, infelizmente para ele, acordei com o capeta no corpo, então cheguei de mansinho do lado do sofá, vou em cima dele e segurando os braços dele acima da cabeça, Zack acorda.

— Bom dia né, depois eu sou o tarado.

Ignorei o detalhe de estar de saia.

— Você sabe que posso te jogar do outro lado do quarto quando eu quiser né?

— Você não faria, parece até estar gostando.

Assim dou um sorriso, e cutuco a testa dele com uma de minhas asas.

— Como se sente sendo o indefeso agora?

Ele revira os olhos.

— Sorte sua pomba, que acordei de bom humor, mas também sei ser ruim.

Assim ele estica o rosto quase encostando no meu, com um sorriso que aparecia suas presas, fiquei com tanta vergonha que amoleci os braços e tapei meu rosto, Zack me segura pelos pulsos e levanta no ar.

— Eu realmente tenho que te ensinar a se defender.

Assim ele me solta no chão.

— Se quiser posso te ensinar até a noite.

— Idiota.

Balanço a cabeça que sim, realmente eu preciso saber me defender, não posso só depender do meu arco. Zack parou na minha frente com os braços em formato de guarda.

— Ok...

Assim fico em guarda também, poxa é injusto, ele é bem mais alto e forte, mas vou tentar.

— Tá, então vou para cima de você e você tenta se defender.

Fiquei em choque por dentro, não queria castrar ele com meu pé, porque morreria logo em seguida. Assim ele veio com os braços esticados, e quando chegou perto, o acertei com a dobra da asa direita no nariz.

— PIRRALHA, NÃO É ASSIM.

Fiquei feliz, até notar que acredito que morreria.

— Você não disse que eu só podia usar os braços.

No fundo, ele aceitou, assim me treinou por algumas horas até que.

— Tá por último, se você ver alguém de costas, tenta chutar.

Assim ele ficou de costas, mas sabia que se chutasse ele seguraria, então pulei em cima dele e puxei seus chifres para trás.

— VOU MATAR VOCÊ.

Comecei a rir ao perceber que ele não podia fazer nada e ficou tentando me pegar com os braços. Assim observo a porta do quarto abrir, era a faxineira, que ficou parada na porta olhando a situação por uns segundos, e fechou a porta pedindo várias desculpas.

Ficamos olhando e eu entendi que ela entendeu errado, assim parei de me preocupar com Zack.

Ele em uma virada fica por cima.

— Hey... Acredito que deveríamos comer algo e ... Nos arrumar.

Ele ignorou tudo que eu disse e apenas continuou lá segurando meus braços acima da cabeça.

Ele se aproximou do meu ouvido.

— Quem agora está por cima?

Arrepiei-me, e ele fez que iria morder na frente do meu nariz e levantou.

— Tarado...

— Você que se jogou em mim hoje cedo, e vamos comer.

Assim levantei meio desnorteada, e sentamos na mesa para comer.

Zack comia apenas as coisas que continham carne, acho que ele quer evitar ter uma recaída, mas acho que só comer carne não deve ser bom, então estiquei um doce para ele.

— Experimenta.

Ele encarou por um tempo, meio desconfiado, mas pegou e comeu.

— É bom...

Assim ele começou a recolher um monte de doces para seu prato.

— HEY, também quero.

Assim também comecei a recolher, e ficamos rindo por um tempo, fiquei pensando quando que fiquei tão feliz e parar de pensar apenas na sobrevivência, acho que foi após conhecer Zack, dei um sorriso pensando nisso.

Como acordamos tarde devido ao cansaço da viagem, e ainda o ensinamento de luta, o sol já estava se pondo.

— Eu vou me arrumar, é bom você não se atrasar.

Então levantei e a Julie já havia deixado o vestido no quarto e um salto, acho que vou ter problemas com o salto já que só andei de sapatilha e descalça.

Assim fui ao banheiro e tomei o melhor banho de banheira, só tomei de rio, mas não era muito diferente. Assim sai e me vesti, deixei o cabelo solto, mas fiz tranças ao decorrer dele.

Quando sai do banheiro já vestida, Zack já havia se arrumado com seu terno e penteou o cabelo para trás, mas ainda com fios caindo pela testa. Ficamos nos olhando por um tempo, admirando um ao outro.

Dei dois passos com o salto na direção de Zack que quase caí, Zack mostrou o braço dele que segurei.

— Vamos, e tenta ser o mais normal possível.

— Olha quem fala.

Fomos até a saída do hotel, e quem estava na calçada era Julie e seu marido médico, todos vestidos com roupas de gala.

— Venham com a gente, vocês não podem voar até lá.

Então todos entramos em uma carruagem, oque era estranho e novo para Zack e eu.

Quando chegamos no castelo, era enorme, recheado de luzes e pessoas, de todos os tipos, mas a maioria era bestiais, metade raposa, coelho, urso e muito mais, haviam até pessoas chegando voando.

Quando descemos da carruagem, os olhares logo viraram todos para nós, não apenas pelo fato de uma Alada estar lá, mas por também estar acompanhada de um infernal.

Zack não parecia muito feliz então saiu primeiro e esticou o braço, assim quase abracei o braço dele com vergonha de todos olhando.

Quando entramos havia uma fila onde levava até o trono, para todos cumprimentarem o rei e a rainha.

— Zack, oque vamos falar para eles?

— Eu só vou dar oi no máximo.

Assim a fila andou até chegar nossa vez, o rei e a rainha pareciam ser metade dragões, eles levantaram ao nos ver, e falam com nós.

— Quem diria que veríamos uma Alada, achei que tinham sumido.

— Ainda mais acompanhada de um demônio, achei o casal fofo.

Não questionaria a rainha sobre sermos chamados de casal, mas já estou até me acostumando com essa palavra. Logo nos despedimos e fomos para o salão, onde se encontram casais de todos os tipos.

Zack foi direto para o canto se sentar, fui atrás já que não estava muito confortável em público, ainda mais com todos olhando.

O baile começou e ficamos um tempo apenas olhando, até que chega a nós um menino que parecia ter seus 20 anos, ele era meio raposa, tinha orelhas e calda brancos, o cabelo também era.

— Olá, você é muito bonita, não quer dançar?

Senti quase sair fogo dos olhos de Zack.

— Ela já tem par.

Assim Zack me puxou para o meio das pessoas dançando, ficamos nos olhando e eu olhei em volta, para copiar oque as pessoas estavam fazendo, assim coloquei os braços por cima dos ombros de Zack e ele segurando minha cintura e ficamos para um lado e para o outro.

— Que bom que é os homens que dirigem a dança.

— Não espere nada fantástico de mim.

Ficamos assim um tempo, seguindo as pessoas e a música, até que os que voavam foram para cima, e começaram a dançar no ar, seguimos eles, senti aquilo meio estranho, mas estava até em paz, encostei a cabeça no ombro de Zack e dançamos assim um tempo até cansarmos.

— Cansei... vamos ali?

Apontei para uma varanda onde se podia observar as montanhas, ele concordou com a cabeça, quando chegamos lá, havia uma visão linda da cidade e da lua. Ficamos olhando por um tempo.

— Hey sabia que você é bem irritante as vezes.

Ele virou para mim e apoiou um dos cotovelos na cerca de pedra.

— Que fofo da sua parte idio...

— Mas gosto de você, você me fez muito bem esses dias que ficamos juntos, e tenho raiva das pessoas que tentam te machucar.

Me virei de frente para ele surpresa com os quase elogios.

— É, você também é irritante, mas o tempo que passei com você, passei sorrindo, espero que isso não acabe nunca.

Zack também surpreso com a declaração se aproxima.

— Nem o salto te ajudou hem.

Assim ele puxa meu queixo me deixando na ponta do pé e o tempo parece parar com o beijo, passo os braços por cima de seus ombros e ele segura a minha cintura.

Logo que paramos ficamos nos olhando por um tempo, nos admirando e pensando nos sentimentos e olhamos para a lua, eu abracei ele, ele passava a mão no meu cabelo, era difícil ver Zack sendo meloso, então aproveitamos o momento e ficamos assim até o baile acabar.

Notas finais
O sentimento de gostar de alguém, mesmo que não tenhamos nada serio talvez esse tenha sido meu primeiro beijo, mas como não me lembro do passado, talvez não tenha sido.