Bater de Asas

16 16. Neve Fria.


Notas iniciais
Oque? O dia da coroação esta muito adiantada... tem algo de errado.

Mais um dia acordo no mesmo quarto bonito com a porta de vidro, e a neve densa caia lá fora.

Levantei e vesti a mesma roupa de sempre, saia branca, mas dessa vez mais longa devido ao frio, camisa de manga comprida branca e meia até em cima. Escuto batidas na porta.

— Quem é?

— É o Kuran, queria falar com você.

— Pode entrar.

Ele abriu a porta e parecia outra pessoa, estava mais corado e andando sozinho.

— Só vim te alertar, não confie de mais nas pessoas daqui, principalmente no meu pai e em Ezequiel, eles só pensam no trono, eu não ligo já que minha mãe não era exatamente da realeza que nem a de Zack, não preciso me preocupar com trono.

Isso é verdade, se Zack sumiu, Kuran deveria ter subido ao trono, mas parece que os dois pais tem que ser da realeza.

— Eles farão qualquer coisa para ter o trono para eles, então tome cuidado e vá embora com o Zack o mais cedo possível.

— Mas e a coroação?

— Do jeito que é o Rei, é mais fácil mostrar aos súditos que o primogênito morreu e agora outro subirá ao trono, do que ter um filho que vive sumindo, e que a qualquer momento pode aparecer outro e roubar o trono.

Zack a última coisa que ele quer é subir ao trono, mas faz sentido do porque o rei queria o Zack de volta, não era para ter o filho rei, era para ter certeza que o filho está morto e colocar outro mais fácil de manipular no lugar, acredito que ele sabe que não conseguiria manipular Zack por muito tempo.

— Zack corre perigo... Muito obrigada Kuran!

Assim sai do quarto correndo em qualquer direção que me levasse ao Zack. Mas encontro Carmélia.

— Senhorita você não deveria estar andando sozinha por aí.

— Desculpa, mas preciso achar o Zack agora.

— Olha vou te ajudar com oque posso, percebi no café da manhã de ontem que você é uma boa pessoa.

— Por isso falo que não deveria andar sozinha, me siga e vamos comer, lá encontrará o Zack.

Balanço a cabeça positivamente, aflita por pensar em como vamos fugir daqui, e se Zack vai concordar em correr esse risco, ou se ao menos vai acreditar em mim.

Andamos mais uma vez pelos enormes corredores e chegamos a mesma sala com enorme mesa no centro, com as mesmas duas pessoas em cada ponta, olhando para os seus pratos.

Sento em frente ao meu prato o olhando fixamente, tentando não pensar que o quase assassino de Zack está sentado na mesma mesa.

— Chegou atrasada novamente...

— O senhor Rei, vou ser prisioneira até quando?

Não me segurei, me atrasei porque estava sendo avisada de um futuro assassinato, além disso, vou ver quando posso sair, para ter uma brecha de poder fugir com Zack.

— Não me importo com sua falta de educação, você pode ir embora depois da coroação, siga seu rumo.

Essa maldita coroação, ele acha mesmo que vou largar o Zack aqui.

— Por mim tudo bem.

Vejo Zack olhar para frente, mas não posso demonstrar que somos muito íntimos, ele precisa acreditar que vou embora sozinha, apesar de que já demonstrei muito que sou apegada a ele...O café da manhã com o querido Rei acabou, Zack novamente levantou atarefado e seguiu os ajudantes dele para seus afazeres.

Levanto e vou na direção oposta com o coração apertado pensando em quando o Rei pode agir, a coroação é amanhã, precisamos agir hoje.

Vou em direção ao meu quarto. Entro e vou direto para a porta de vidro olhar a neve.

— E se tudo der errado?...

Em meio aos pensamentos escuto um homem gritar e o disparar de uma flecha. Abro a porta e saio na neve a procura da pessoa, Zack estava certo sobre eu caçar problemas.

— Vem depois dos muros...

O grito é logo depois do muro que separa o castelo da floresta, não vejo guardas e apenas voo por cima dele.

Ando entre as árvores e vejo um homem deitado ao pé de uma árvore, me aproximo.

—Malditos lobos... vou caçar todos vocês.

Um homem com um arco caído, com ferimentos de mordidas nas pernas e barriga, era grotesco de ver, ele resmunga.

Aproximo-me dele e vejo um lobo ferido mais a frente com um ferimento de flecha na perna.

— O senhor sabe que é proibido caçar em cidades?

Olho furiosa ao caçador ilegal, mas abaixo para tentar ajudar. Coloco a mão na barriga dele e começo a curar, um dos lobos se aproxima.

— Vai embora enquanto é tempo amigo.

O ferimento do lobo não parecia grave, ele me olha e vai embora com sua matilha que espreitava na mata.

— Não tem jeito garota... Você tá toda suja de sangue.

Olho para baixo e me vejo toda suja, o ferimento apenas sangrava mais e mais, não tinha jeito. Logo o homem fecha os olhos.

— Mas que merd...

— Mas que garota bondosa.

Escuto uma voz atrás de mim enquanto limpo o sangue da minha roupa, era de quem eu menos queria encontrar, Ezequiel.

— Quem diria que encontraria você ao lado de um corpo.

Ainda abaixada seguro uma das flechas do caçador para caso precise e me levanto.

— Foram lobos, o caçador é ilegal, e eu apenas tentei ajudar.

— Não vejo dessa forma, vejo como uma garota que é um peso para o rei que matou alguém na floresta.

Maldito Ezequiel, ele sabe que eu sei sobre o Rei, e o rei sabe que sou muito próxima do Zack.

— Você facilitou de mais para mim garota, o rei pode se livrar de você e falar ao Zack que você fugiu, aí só depois se livrar dele.

Aperto a flecha em minha mão, não posso atacar ele, só pioraria as coisas ao Zack. Mas oque faço...

Enquanto me preparo para me defender, escuto o bater de asas de alguém que conheço, Zack.

— Olha quem chegou.

Zack desce na neve e segura o Ezequiel pelo pescoço.

— Maldito, oque você pensa que está fazendo.

Meu coração fica mais calmo aí ver Zack bem, mas isso não parece que vai acabar bem.

— Preciso me livrar de você antes de subir ao trono, já que seu meio-irmão não tem sangue real.

— E como vai fazer isso se sou eu segurando o seu pescoço.

— É... Fácil... GUARDAS.

Não demorou muito para aparecer demônios armados e segurarem Zack, era tudo armado, oque me fez agir e ir ajudar a soltar ele.

— NÃO, NÃO CHEGA PERTO.

Zack grita para mim, sei que não deveria me intrometer já que ficaria tudo sobre mim, mas oque mais eu faria.

— Guardas essa garota matou aquele homem brutalmente, e Zack a defendeu e tentou me matar para eu não contar ao rei.

Um ódio fez meu sangue ferver, aquele mentiroso, tudo foi plano dele, por culpa desse trono idiota Zack está jogado no chão com guardas por cima dele, e eu não posso fazer nada sem minha adaga.

— MALDITO MENTIROSO.

Penso em ir para cima dele, mas os guardas ao ver oque ele disse, vem em minha direção.

— FUJA DAQUI.

Escuto os gritos de clamor de Zack embaixo nos guardas, e os obedeço sem pensar duas vezes. Viro-me para a direção da floresta e corro o mais rápido que posso.

Escuto guardas correrem atrás de mim. O disparar de flechas e uma delas acerta de raspão meu braço, apenas o aperto e ignoro a dor.

— NÃO OLHE PARA TRÁS, FUJA DAQUI.

Sinto um aperto em meu peito ao pensar em deixar Zack para trás, mas preciso continuar a correr, a copa das árvores estão muito densas, não dá para voar.

Corro o mais rápido que posso na neve fria, escutando ao fundo Zack gritando, e aquele cheiro de queimado, sabia que ele estava tentando se soltar, mas não tenho muitas esperanças disso, são muitos guardas... Preciso fugir e voltar com ajuda.

Vejo uma clareira ao fundo, corro até ela e vejo que é um penhasco, o vento gélido passa, preciso voar mesmo nessa nevasca, preciso voar!

Pulo e bato minhas asas o mais rápido que posso no frio, mas sinto algo atingir minha asa direita.

— Maldita flecha...

Sinto meu corpo cair.

Fecho meus olhos caindo com o pensamento de que tudo vai acabar, em meio a neve.

Notas finais
Porque não estou batendo minhas asas? Estou desistindo?