Bater de Asas
17 17. Demônio Branco.
Notas iniciais
Sinto-me cair, e cair, o vento de temperatura negativa batendo sobre meu corpo, sinto-me congelando enquanto caio... Mas, porque não estou tentando voar? Por um segundo pensei em desistir... Por 19 anos lutei sozinha e vivi sozinha, não tinha medo da morte, pois não tinha ninguém, mas agora é diferente... Tenho pessoas por quem lutar.
Assim consigo ajuntar o pouco que sobrou de energia para abrir minhas asas quase congeladas para plantar "em segurança" até o chão, diria ser mais cair devagar.
Ao chegar a neve fofa, caída, sinto flocos de neve descendo devagar do céu até mim.
— Tão bonito...
Lembro do Zack lutando para me manter segura... Não poderia ser tudo em vão, tento levantar e vejo a neve antes branco, tingida de vermelho junto com minha asa, começo a me rastejar para algum lugar onde ainda não sei.
— Não... Não posso morrer aqui...
Arrastei-me por 20 metros, depois de um tempo parei de sentir as pontas dos dedos, mas ainda sim continuei.
— Zack... Fique vivo...
Pensei em todas as pessoas que conheci, em poucas semanas conheci mais pessoas que em toda minha vida, Tomoe, o casal de ursos médico e estilista, o rei e rainha dragão... E Zack...
— Eu... Não quero morrer... Não agora...
Medo da morte que nunca tinha sentido antes chegou em mim, olhei o rastro na neve que deixei, mas a neve não estava mais branca, minha visão escurecia.
— Não... Por favor... Zack...
Pensando como ele seguiria sua vida sem mim, talvez até ter uma família, dei um pequeno riso ao pensar em Zack correndo com crianças ou trocando fraudas, mas parece que esse é o meu fim...... Sinto por um segundo tudo se escurecer, mas minha visão passou de preto, para vermelho.
Senti meu coração bater forte e uma dor angustiante no peito tomou conta, coloco a mão abaixo do pescoço procurando um pouco de ar.
— Oque está... acontecendo cheiro de queimado...
Era esse o cheiro que vinha de mim, um cheiro que eu apenas sentia vindo do Zack agora vinha de mim, senti meus caninos perfurando a parte inferior da minha boca.
— Oque... Oque o Zack fez...
Em meio a angústia e dor me ajoelhei, pensar que tudo isso seria culpa dele?-Y: ele não deve saber...
Será que foram as mordidas? Demônios conseguem fazer isso? Ele realmente não sabe que isso poderia acontecer?
— Meus braços...
Eles queimam em meio a dúvidas sinto minhas mãos queimarem, e ajoelhada olho para elas...
Elas estavam escuras... Mas não queimadas apenas parecia que o sangue correndo em mim era escuro.
— Zack... Oque eu fiz...
Eu permiti isso, eu deixei ele me morder... Mas como eu saberia que me tornaria isso? Será que era por isso que ele relutava tanto?...
— Yas... min?
Escuto a voz de Tomoe, olhei para os lados pensando em ser uma alucinação de pré morte, mas não, ele estava lá, em sua raposa branca que quase sumia na neve.
— Oque... Oque aconteceu com você?
Não sabia oque dizer, também quase não conseguia por conta dos dentes, ele parecia assustado, imagino que me encontrar com dentes e unhas pontudas, em meio a neve com os braços pretos não devem ser normal de se ver.
— Eu... O Zack...
Sangue saia da minha boca devido ao machucado dos dentes. Oque eu falaria para ele? Que estava tentando salvar o Zack de um rei demônio? E agora estou virando um?
— Ele... Ele te mordeu não foi?
Levantei paralisada, Tomoe sabia de algo, mas algo me passou pela minha cabeça, eu estava sem dor, minha asa e meu braço não doíam, apenas saia um líquido preto dos machucados, mas dor mesmo eu não sentia mais, será a regeneração de Zack?
— Pela sua cara sim, você está com problemas vamos, tem uma vila aqui perto.
Andei sem problemas até a grande raposa, que me encarava sem piscar, acredito que nem ela me reconhecia, subi nela e a segurei, ainda olhando meus braços em contraste com o pelo branco dela... Esta tudo diferente...
Tomoe subiu junto e esticou os braços para me segurar, mas parou com eles no ar me olhando.
— Você... Não precisa me tocar se não quiser.
Suponho que eu estava pior que imaginava, ou ele também nunca viu nada assim.
A criatura peluda correu por alguns quilômetros até chegar em uma vila de casas de madeira, em meio a neve onde descemos em frente ao grande portão. Os civis vieram nos receber.
— Um... Demônio... Oque? Aquilo era para mim não?
— Demônio branco...
Algumas pessoas sussurram entre elas, vi uma mulher puxando sua criança para trás dela...
Agora eu sei como Zack se sente... E é horrível.
— Vamos saiam da frente ela precisa ver o líder.
Enquanto andávamos em meio a cidade, virei a atração do momento, vi pessoas fechando portas e janelas e falando baixo coisas sobre demônios de asas brancas. Passei a mão por cima da cabeça para ver se não cresceu chifres.
— Pelo menos isso não...
Estava livre dos chifres mais não dos olhares e palavras, andei de cabeça baixa, mas notei as garotas raposas que fugiram do cara urso do vilarejo do Tomoe, estavam bem aqui, fiquei feliz delas estarem bem.
— Coitada... Deve ter sido aquele demônio.
Percebi que com essa transformação ou seja, lá oque era, minha audição estava melhor, mas não estava feliz com isso, as moças que foram salvas pelo Zack, falam mal dele pelas costas, mas também pela minha aparência que também pensaria o mesmo acho...
— Tomoe que bom que voltou, pera... Oque é ela?
Tomoe entrou na cabana comigo logo atrás tentando não chamar mais atenção.
— Ela é uma amiga minha... Que está com problemas... Foi mordida por Demônio.
As pessoas falam sobre mim como se eu não pudesse falar, e Zack tem nome e não é demônio...
Porque isso está acontecendo.
— Como... Como ela não morreu?
Meus olhos que estavam fixos no chão encaram agora o chefe da pequena cidade... Era para eu estar morta agora?
— Também não sei, vai ver é a relação dela com o Zack.
— Ela... Não vai durar... Precisa dele.
E será porque ninguém fala comigo? Eu vou morrer? Oque está acontecendo?
— Tomoe... Oque está acontecendo comigo?
Segurei o braço dele e ele gritou...
— HEY... Não encosta por favor
Soltei ele com o grito, o braço dele estava vermelho... Oque me tornei? Estou virando um demônio? Ou uma mestiça? Não penso que isso seja possível. Mas me afastei deles, não quero machucar ninguém.
— Olha... Você basicamente está envenenada ou... Coisa do tipo... Nunca vimos isso antes, não com sua raça.
Pelo que Tomoe explicou, o sangue de demônio é venenoso para os demais, eles usam isso para caçar outras raças... Mas Zack não queria me caçar... Ou queria?
— MERDA...
Foi quando nos conhecemos... Ele estava machucado, entrei em contato com o sangue dele, pera... Isso foi de propósito? Lógico, ele que matava outras raças se machucaria com um lobo? Droga ele tinha intenção de me matar.
— Isso faz bastante tempo né? Porque já está bem avançado.
— É... Tem algo que possa ser feito?
Não sei oque pensar em relação ao Zack, até quando ele pretendia me enganar? Ele estava apenas esperando eu morrer todo esse tempo? Ou em algum momento ele mudou de ideia?
Mas, porque não me avisou? Droga...
— Só o Zack pode mudar isso, sabe seu sangue é o oposto do dele, seu sangue está combatendo o dele, por isso ainda não morreu, mas... Parece que você virou algo?
Ninguém sabia oque estava acontecendo comigo, só Zack saberia resolver, isso se ele ainda estiver vivo.
— Tomoe, precisamos ajudar o Zack, o rei quer matar ele... Ou já matou.
Nesse ponto, já não sei oque aconteceu no alto de àquela montanha, me sinto traída, mas mesmo assim preciso dele... Isso se oque tenho tiver solução...
— Ok, vamos usar oque temos aqui e alguns guerreiros para tirar ele de lá... Mas yas... Não sei se você vai melhorar.
Tomoe segura meu braço e vejo as orelhas dele baixas, e todos a minha volta me olham com medo e pena ao mesmo tempo.
— Ok quem puder ajudar será bem-vindo.
Algumas pessoas levantaram a mão, em sinal de querer ajudar, mesmo eu sendo agora...Um demônio branco.
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