– Me larguem! – Éris berrava enquanto era arrastada por um corredor escuro, nas partes mais profundas do enorme castelo. Ela fazia o possível para torrá-lo, como havia feito com a fúria, mas não era tão fácil, o feito a tinha deixado cansada, e ela não tinha forças para ataca-los.

Era nesses momentos que ela sentia ódio de seus poderes, que na maior parte das vezes só a salvavam pela metade. Os guardas a arrastaram até uma grande porta de ferro, onde dois outros guardas estavam sentados de vigia.

– O que vocês dois estão fazendo aí? – Perguntou o guarda que segurava o braço direito da garota. Ele ficou ali esperando a resposta que obviamente não viria e, quando enfim se deu conta disso, apertou o braço de Éris com mais força e destrancou a porta.

Éris foi jogada dentro do calabouço, como se fosse apenas um pedaço de carne passada. Ela caiu no chão frio e logo levou a sua mão ao seu braço direito, que agora tinha a marca roxa de cinco dedos nele.

Ela queria esganar o guarda, mas antes de sequer levantar a porta já havia se fechado, e ele já tinha ido embora.

A jovem decidiu então permanecer deitada, e começou a analisar cada detalhe daquele buraco, iluminado por uma janela há pelo menos quarto metros de altura. Era a única saída provável dali, já que nada de bom viria daquela porta.

Ela sabia que tinha de fugir, ou seria julgada e obviamente culpada de bruxaria, iria queimar em praça publica e todo o seu esforço teria sido em vão. Não, ela tinha de sair, ela não era qualquer uma, era Éris d’Solaria! Filha do conde de Lavarah, a província mais rica de todo o Reino de Ronnar! Ela não podia estar aprisionada, ainda mais pela segunda vez, era a maior desonra que ela poderia proporcionar para a família! Não! Ela tinha de sair!

Por horas ela ficou ali deitada, tentando pensar em um meio de fugir. Sua cabeça doía, mas ela não daria o luxo de desperdiçar um segundo sequer, a cada minuto que perdia pensando, era um minuto mais próximo de seu julgamento e, também, de sua execução.

E foi durante baques que ela dava com sua cabeça no chão, tentando fazer o cérebro funcionar mais rápido, que ela ouviu um sussurro vindo de cima. Ótimo, ela logo pensou, além de tudo ainda tem alguns engraçadinhos zombando lá em cima.

Ela decide ignorar, até ver uma corda feita de trapos cair em sua lateral. Ela olhou para corda esperançosa e então para cima, dando de cara com um minúsculo rosto branco.

– Vai subir ou não? – Perguntou o rosto. Éris então agarrou a corda e começou a escalá-la, ela não podia acreditar na sorte que tivera.