Aranir ainda não havia entendido o porquê de seu tio estar fazendo o que está fazendo, só sabia que ele nunca dá ponto sem nó.

Da última vez que alguém os tinha acompanhado em uma de suas muitas jornadas, Aramir depois de muito tempo de caminhada descobriu que o homem misterioso que estava ao seu lado, juntamente com seu tio, era um ex-presidiário, preso sob a acusação de traição.

Descobrira também, que aquele homem misterioso era o filho do governador do Vale da Cachoeira, sobrinho de Tammus. Um eterno revoltado.

Aramir também descobriu que, se não fosse aquele homem, hoje ele e seu tio não teriam o único objeto capaz de acabar com a imortalidade de Tammus, e nem estariam vivos, já que ele se sacrificou para que conseguissem fugir da cidade de Blar. Aramir tinha medo que aquela fuga resultasse na morte daquela bela garota, que se apertava para sair de uma pequena janela na lateral do Castelo de Conde Hermus.

– Não temos o dia todo. — Bradou seu tio, entre sorrisos.

Mais alguns instantes se passaram até que a garota conseguiu sair por completo de sua gaiola, ofegante, mas sorrindo.

– Obrigada. — Ela disse, entre pulinhos, logo se recompondo e retomando a pose séria da arena. Ela trajava uma calça petra, de um tecido delicado feito pelos elfos da montanha, primos de Aranir, e uma blusa da mesma cor, de couro. Tinha cabelos alaranjados que caiam até seus ombros, belos olhos castanhos, tão claros quanto o mel. Sua boca tinha um leve formato de coração, e seu porte magro, porém atlético, chama a atenção de qualquer um. Ela estava suja, descabelada e toda amaçada. Aranir a achou mais bela desse jeito.

– Como foi a sua estadia no Castelo de Conde Hermus, minha cara? Sua opinião é de grande importância para nós. — Tio Bargon continuava a sorrir, enquanto fazia uma de suas muitas perguntas estranhas, e fora de hora.

– Para ser sincera, eles tem um problema muito sério com ratos. Tirando isso, foi um tanto entediante. Por que me tiraram de lá?

– Porque estamos na mesma busca, minha querida. — O sorriso medonho e extremamente branco do rosto de Tio Bargon desapareceu, dando espaço para um certo olhar de rancor.

– E que busca seria esta? — A jovem perguntou, enquanto terminava de esticar os músculos dos braços, fazendo uma careta.

– A luz.

– E quem disse que eu estou em busca da luz?

– Todos estamos.

– Se você diz...

– Estamos indo para a a Província de Esmeralda, nos acompanharia?

– Por que eu acompanharia dois estranhos até a Província onde Tammus está?

– Porque é para lá que está indo! Ora, pra que percorrer todo esse caminho sozinha, se pode fazer isso com um velho elfo e seu sobrinho?

– Que seja. — Ela concordou, por fim e inicio uma caminhada até o lago, onde se jogou.

– A propósito, — berrou Bargon de onde estava — me chamo Bargon, e este aqui é meu valente sobrinho Aramir. Ele é meio lerdinho, às vezes, mas com o tempo você vai aprender a gostar dele assim mesmo.

Aramir encarava o tio com um certo ar incrédulo, "lerdinho" era exatamente o tipo de homem que aquele jovem não estava procurando!

– Sou Éris. — Ela respondeu, enquanto saia do lago. — E, se quiserem a minha companhia, vamos embora daqui agora. Já bobeamos muito aqui fora, já, já um guarda vem e nos prende. Cansei de ficar do lado de dentro de qualquer coisa pequena. — Terminando sua frase ela rumou para o interior da floresta. Bargon a seguiu, assim como Aramir.