Barrados em Hogwarts - Primeira Temporada
1 Detenção
Os três amigos andavam pelos inúmeros corredores de Hogwarts apressadamente. Um deles, o que andava na frente, estava cabisbaixo, e aparentava estar com raiva. Os outros dois, alguns passos atrás dele, riam à beça e pareciam estar se divertindo como nunca. Em nenhum momento, o que estava mais na frente parecia se divertir ou rir do que os outros estavam dizendo. E realmente não deveria rir. Pois ele era o motivo das risadas.
— Shane! – disse um dos dois que andavam atrás – Tudo bem, desculpa. A gente só queria te zoar um pouquinho! Você também ficou implicando comigo quando eu terminei com minha última namorada!
— Mas o problema, Eric – começou Shane, parando de andar e virando-se para encarar o amigo – é que sua ex-namorada não te traiu!
E continuou a andar decidido.
— Tá bom, mas isso já tem um tempinho! O que você acha de esquecer tudo isso? E de pegar outras mulheres aqui na escola? – sugeriu Eric.
Shane pensou nisso. Era uma boa ideia. Tentar seguir em frente. Afinal, o real e único motivo de sua raiva naquele momento era ter conversado com Lauren, sua ex-namorada, e ter sido questionado se eles poderiam reatar o namoro.
“Mas é claro que não!”, pensou ele. Não iria fazer isso depois de toda a escola ter o chamado de chifrudo e corno. Não seria fácil voltar a namorá-la, mesmo se realmente quisesse, depois de toda a humilhação que passou.
— É. Talvez eu faça isso – disse ele – Mas não agora, galera. Eu só quero descansar a mente um pouco.
Shane parecia ter se acalmado rapidamente. Sua expressão mudou, e já parecia estar um pouco mais relaxado depois que Eric o fez lembrar de que Lauren não era a única garota no mundo que se apaixonaria. E nem a única que podia beijar, abraçar ou transar.
Eric e Dylan, o outro menino presente com eles, riam do pensamento de Shane de guardar-se para uma mulher que realmente gostasse. Queria que sua primeira vez fosse especial. E era aí que os meninos riam ainda mais. Parecia tão delicado e feminino um pensamento desses. Mas o que o confortava era saber que, tanto Eric, quanto Dylan, também eram virgens. Mas também sabia que os dois amigos já estavam doidos para perder a virgindade.
— Shane, onde você tá indo, cara? – perguntou Dylan – Nós estamos te seguindo!
— Eu estou indo pro Salão Comunal, ué – respondeu Shane.
— Estraga-prazeres – reclamou Dylan.
— Ah, cara, desculpa – lembrou-se Shane. Ele e Eric eram de Lufa-Lufa, mas Dylan era de Grifinória – Você não vai perder muita coisa. O Eric vai querer saber mais coisas que eu já contei pra vocês, e não tem mais nada. Ou seja, vou repetir a história toda pra ele.
— Tudo bem, então – disse Dylan, passando a mão em seus cabelos escuros.
O trio de amigos (Shane, Eric e Dylan) era muito cobiçado entre as garotas de Hogwarts. Shane era alto, com um porte atlético e de pele clara, com cabelos e olhos castanhos. Já Eric era diferente em alguns aspectos. Também alto, era magro e possuía cabelos loiros e olhos incrivelmente azuis. Seus cabelos não eram tão curtos, e andavam sempre bagunçados. Já Dylan, era o mais baixo dos três, mas possuía um porte atlético invejável. De pele morena, quase mulato, preferia raspar seus cabelos, deixando-os bem curtos, mas nunca careca.
Os três seguiram caminho, e Shane dessa vez distraía-se em seus pensamentos. Pensava em Lauren, em seus pais, em sua irmã. Percebeu o quanto sentia falta de sua irmãzinha. Sarah tinha oito anos. Era doida para estudar logo em Hogwarts, e Shane lamentava pela situação de que nunca estudaria em Hogwarts quando sua irmã também estudasse. Gostaria de ver sua expressão de felicidade ao ver o castelo, dominante, do outro lado do lago que velejaria sozinho...
Ao dobrar o corredor, seus pensamentos desvairaram-se quando esbarrou com uma tremenda força em uma menina que também dobrava o corredor. Ele permaneceu em pé, mas a menina e seus livros encontravam-se no chão.
— Meu Deus! Me desculpa – apressou-se Shane – Você está bem?
— Estou sim – respondeu a garota – Eu que não prestei atenção. Deixa pra lá.
Eric e Dylan ficaram parados, tentando segurar o riso.
— Harmony, você pode me ajudar? – pediu a menina caída.
— Claro, Vivien – disse Harmony, pondo-se de joelhos para pegar os livros da amiga.
Mas Shane não havia ainda parado de olhar para Vivien. A menina era linda: cabelos longos e de um ruivo vivo, um laranja que parecia fogo. Olhos verdes. Um rosto delicado. Já até havia esquecido quem era Lauren.
— Eu te ajudo a levantar – disse Shane – Me dá a mão.
Ela estendeu suas mãos, e levantou-se com um salto.
— Já vi que eu devo ter caído porque você é bem forte – comentou ela, sem pensar.
Eric e Dylan riram mais uma vez.
A menina olhou surpresa para os dois, e corou um pouco. A amiga, Harmony, tentava segurar o riso.
— São só esses livros mesmo? – perguntou Shane, tentando distraí-la dos amigos.
— A-ah sim, só esses! – respondeu ela, rapidamente – Só esses... – e olhou para ele, deixando parecer que sua fala estava incompleta.
Os dois se encararam por um tempo, criando uma atmosfera tensa. Eric e Dylan ficaram encarando o amigo, percebendo a reação dele, enquanto Harmony fazia o mesmo, mas encarava Vivien.
— Viv? Vamos para o Salão Comunal então? – perguntou ela, tentando tirar a amiga do transe.
Vivien sacudiu a cabeça, como se o movimento pudesse fazer sumir o pensamentos que obteve, em um período tão curto, de Shane.
— Ah, claro! Vamos! – disse ela, em voz alta – Mais uma vez, Shane. Me desculpa.
— Não, eu que peço desculpas – retribuiu Shane.
— Tchau. Obrigada. A gente se vê – disse ela, e percebeu que sua última fala fora totalmente desnecessária.
Shane a encarou, surpreso.
— Aaaah, claro! De nada, e a gente se vê! – disse ele, de um jeito animado que soou totalmente estúpido.
Ele olhou para Eric e Dylan, e pela expressão dos amigos, já podia adivinhar que mais uma vez seria o motivo das chacotas dos amigos. Assim, os três meninos seguiram seu caminho pelo corredor de onde Vivien e Harmony vinham há pouco tempo, antes de Shane e Vivien esbarrarem-se.
Quando já não podiam mais ser ouvidas, Harmony olhou para a amiga, e começou a falar:
— Vivien, até eu quase ri com seus comentários super legais!
Harmony começou a soltar altas gargalhadas, que ecoavam pelo longo corredor.
— Sério, você precisava ver sua cara quando aqueles outros dois riram de você! – continuou.
Vivien fazia cara feia para a amiga em uma tentativa de disfarçar tamanha vergonha por ter esbarrado, conversado e ter feito comentários tão idiotas na frente de Shane Simmons e seus outros dois amigos.
— Cara... Eu paguei pau pro Shane, e fui totalmente ridícula na frente dos meninos mais... mais...
— Bonitos, gostosos e garanhões do quarto ano? – sugeriu Harmony.
— Obrigada por me fazer sentir-se melhor – disse Vivien.
Então, logo que ficaram em silêncio, ouviram passos ecoando há poucos metros do outro corredor, aquele em que tinham acabado de passar. Pelo barulho, já estava próximo de virar à esquerda e dar de cara com as duas amigas.
— Ai, meu Deus – exclamou Vivien – Deve ser algum professor. Já estamos quase ultrapassando o limite do horário de alunos em seus dormitórios!
— Estamos ferradas! – concluiu Harmony.
Mas a figura que viram aparecer era ninguém menos que Betsy Klimper, provavelmente a menina mais fofoqueira da escola, assanhada e periguete nas horas vagas.
— Queridas! – disse ela, correndo na direção de Vivien e Harmony – São vocês! Eu jurava que vocês eram algum professor já nos corredores. Ui, hoje a noite está tão boa, né? Me contem, quais são as novas! Eu vi o Shane Delicioso, o Eric Gostoso e o Dylan Excitação passarem do meu lado agorinha há pouco! – e era assim que Betsy falava: rapidamente, em um único fôlego e com mil perguntas, respostas e novas fofocas. Já era especialista nisso.
— Calma aí... Que apelidos são esses, Betsy? – perguntou Harmony, rindo mais uma vez.
Betsy começou a rir também.
— Depende do meu humor. Tem vezes que eu invento, bem de sacanagem, e chamo de Shane Dotado, Eric Pintu...
— Betsy! Sua assanhada! – exclamou Vivien.
Harmony e Betsy ajoelharam-se de tanto rir. Vivien ficou surpresa com as duas, mas deixou escapar uma breve risada.
— Pois bem, me contem quais são as novas! – pediu ela, animada.
— As novas são eles! Vivien esbarrou com o Dotado – e Harmony deu uma pausa para rir – E fez um comentário bem tosco.
— Hum, querida, não fique assim! – começou Betsy – Se isso realmente aconteceu, você ficará na memória deles. Quero dizer, as duas!
Vivien e Harmony agora prestavam atenção.
— Não se preocupem! Se eles as encontrarem nos corredores, com certeza irão mexer com vocês!
Harmony não pôde mascarar sua felicidade.
— Nossa! Se o Eric vir falar comigo, eu gaguejo e me mijo toda, sei lá! – disse ela, entusiasmada.
— Aí não, fofa! – disse Betsy – Ou você se ajeita ou torça pra estiver usando fralda geriátrica quando ele for falar com você.
Dessa vez, Vivien riu.
— Tente parecer segura, e seja charmosa. Não seja fácil como eu! – falou Betsy.
Vivien ficava surpresa com Betsy. Porque ela era autêntica e esperta. Safada, sim. Periguete também, mas Betsy não tinha medo de ser quem era. Se achasse o menino bonito ou bom de papo, pegava mesmo e não estava nem aí. Talvez sua autoconfiança tão grande fizesse até com que as pessoas não falassem mal dela.
Pelo contrário: qualquer menina que ficasse com um monte de caras era a safadinha de Hogwarts, mas quando Betsy era a tal menina, todos davam crédito à ela. “Ora, é a Betsy, galera! Ela pode, ela pode...”.
— E eu posso assegurar de que eles falarão sim com vocês! – disse Betsy – Afinal, eu sou amiga deles, e eu posso jogar uma ideia. Vai sobrar até um pra mim.
— Cara, você é... – começou Harmony.
— Demais! Eu sei, eu sei... E se eu não estiver enganada, acho que eles estão falando de vocês ainda.
— Não é possível! – discordou Vivien.
— Vai por mim – assegurou Betsy – Já os conheço há um bom tempo.
*****
— Cara, como ela sabia o meu nome? – perguntou Shane.
— Provavelmente ela fala para as amigas dela como você é bem forte! – zombou Dylan.
Eric riu, e Shane deu um sorriso.
— Nossa, ela é muito linda. Rapaz, uma loucura – disse Shane.
Eric e Dylan se entreolharam. Certamente haviam pensado na mesma coisa.
— E esquecer a Lauren vai ser tão difícil, né? – perguntou Dylan.
— Calem a boca! – disse Shane, rindo – Eu apenas disse que achei a menina bonita...
— Gostosa! – falou Eric.
— ...gostosa – continuou Shane -, mas não falei que vou ficar com ela.
— Mas seria uma boa – disse Eric – Ela é bonita, te chamou a atenção... É um bom começo pra esquecer a Lauren.
Shane não podia discordar de Eric. Vivien fez com que Shane sentisse algo que nunca havia sentido por nenhuma garota antes, nem mesmo por Lauren. Foi algo inexplicável, que o fez agir como um completo idiota na frente da menina que havia acabado de se interessar.
— Mas o melhor foi quando o Shane disse igual um retardado: de nada, e a gente se vê!
Eric riu de Dylan imitando Shane, com uma voz engraçada e cara de doido.
Eles já estavam perto da entrada para o Salão Comunal de Lufa-Lufa. Eles pararam um pouco antes, para prosseguirem com o assunto.
— Aquela amiga dela me chamou a atenção... – comentou Dylan – Muito bonita...
— Como era mesmo o nome dela? – perguntou Eric.
— Harmony – respondeu Dylan.
Eric assentiu.
— Engraçado... Já tinha as visto antes, mas depois desse esbarrão do Shane com a ruiva, acho que vou começar a vê-las de um jeito diferente – prosseguiu Dylan.
— Amor à primeira vista? – perguntou Eric.
— Cale a boca! – disse Dylan.
E um silêncio prosseguiu entre eles. Shane ainda pensava em Vivien, mas estava confuso. Lauren também aparecia em seus pensamentos agora, e quando ele a via, começava a perder o clima que havia se estabelecido entre ele e Vivien. Então, ele começou a lutar contra sua própria mente, que tentava resgatar memórias de Lauren, enquanto ele tentava expulsá-las e deixar apenas Vivien em sua cabeça.
— Bem, hora de ir, galera – disse Dylan – Já passamos do horário de estarmos na cama! – e sem delongas, deu um tchau para os dois.
Saiu em seguida. Não queria ser pego de novo. Não outra vez. Limpar todos os caldeirões da sala de poções sem mágica foi extremamente chato e cansativo. Até que ele também não pensou nisso da primeira vez, mas depois que descobriu que deveria lavá-los três vezes cada um fez com que fosse o fim de sua miserável vida. Provavelmente, a noite mais longa que já passou.
Não havia andado cem metros, quando avistou Grant Fowles andando em sua direção. Grant Fowles também era de Lufa-Lufa, também estava no quarto ano e era um grande amigo de Shane e Eric no começo. E foi por causa de Shane e Eric que Dylan e Grant começaram a conversar, e então, também se tornaram grandes amigos.
Dylan não sabia dizer se Grant era baixinho para um menino de quatorze anos, ou se era baixinho demais em comparação aos demais. Não que Dylan fosse alto como Shane, Eric e Sebastian, mas Grant era ainda mais baixo que ele. Inconscientemente, apertou o passo.
— E aê, Dylan? – cumprimentou Grant.
— Beleza, cara? – perguntou Dylan.
— De boa, mas pra quê tanta pressa? – perguntou Grant, curioso.
— Pô, cara. Já está na hora de irmos pros dormitórios – respondeu Dylan.
Ele olhou para trás e ainda avistava Shane e Eric, que agora, andavam em direção a ele e Grant.
Dylan ultrapassou Grant, e ficou de costas para o fim do corredor, sem saber se alguém poderia estar vindo ou não.
— Sabe, não quero ficar de detenção por causa do chato do Snape de novo – disse Dylan.
Grant ficou paralisado na frente de Dylan, olhando para alguém que provavelmente não deveria estar ouvindo a conversa. Alguém que estava atrás de Dylan.
— Poderia repetir, sr. Cromwell – começou a falar uma voz fria e gélida – o que acabou de falar sobre mim?
Dylan virou-se, torcendo para ser apenas uma pegadinha, mas ali estava, em carne, osso e depressão, o professor Snape.
— Aliás, adoraria saber por que os outros três senhores também fazem fora da cama – concluiu Snape.
“Estamos ferrados”, pensou Dylan.
*****
As três meninas ainda não haviam parado de conversar. Há muito que o trio de amigos já havia sido o tópico, e agora, elas partiam para saber as últimas fofocas do Plantão Diário Betsy.
Betsy estava totalmente imersa em contar que alguma coisa estava rolando entre Harry Potter e Cho Chang, mas que nada ainda era oficial, fazendo questão de não perder nenhum detalhe.
— Bem, eu acho que ele e a Gina Weasley formariam um bonito casal – comentou Vivien.
— Como? – perguntou Betsy.
— Ora, a Gina gosta do Potter! – respondeu Vivien.
— Ainda? Quem te contou isso? – perguntou Betsy, intrigada.
— Luna Lovegood – respondeu Vivien.
— A maluca? Ok, querida... – disse Betsy, em tom irônico.
— Cara, eu tenho vontade de arrancar as gorduras da vaca da Umbridge – disse Harmony.
E pronto. Em Hogwarts, se você quisesse puxar assunto com alguém, fale mal da professora Umbridge. Com certeza vários novos apelidos surgiriam para ela. Morcega velha, gárgula, vaca borralheira, e o preferido de Vivien, a carrasca em rosa choque.
Ela nunca havia conhecido alguém que pudesse ser tão desprezível, que ela tivesse tanta vontade de matar, de jogar escada abaixo. Não havia nenhum aluno sequer que ela conhecesse que a defende-se ou falasse bem dela. E se existia algum desses por aí, essa pessoa tinha bom senso de não revelar sua admiração pela professora, ou com certeza seria excluído pelos amigos.
— Vocês acreditam que aquela gorda safada me fez escrever um texto gigante quatro vezes? – perguntou Harmony.
— O quê? – exclamou Vivien – Por que você não me contou isso?!
— Porque foi hoje, e eu estava com muita raiva de contar para alguém – explicou Harmony.
— Meu Deus, a cada dia essa mulher está pior – disse Betsy – Ela precisa de um homem pra nortear sua vida.
— No último dia de aula, vamos dar uma surra nela? – sugeriu Harmony.
— Só se formos mascaradas – disse Betsy.
Vivien olhou surpresa para as duas.
— Relaxa, Viv. Estamos só brincando – riu Betsy.
Vivien percebeu o quão tarde já estava. Elas precisavam ir embora rápido. Ou correriam o risco de pegar uma detenção severa.
— Galera, eu acho melhor irmos andando – sugeriu – Acho que já passamos da hora.
— Tem razão! – lamentou Betsy – Tenho que ir depressa antes que o Snape me pegue!
— Não tão depressa, senhorita Klimper – disse a mesma voz gélida que Dylan havia ouvido minutos atrás.
“Mas que droga!”, pensou Betsy.
Ela virou-se com um sorriso no rosto para o professor, e começou a falar:
— Como pode ver, professor, eu e essas adoráveis meninas estávamos conversando e perdemos a hora! – e deu a risada mais falsa que já se ouviu antes. Grant deu uma risada – E estava falando com elas que o senhor não iria gostar de nos ver fora da cama a essa hora da noite, então vamos lhe poupar o trabalho, e...
— E me acompanharem até a biblioteca para a detenção que os espera – concluiu Snape.
Eric e Dylan tapavam a boca pra não rir. Grant apontava para ela, dizendo sarcasticamente apenas movendo os lábios: se ferrou!
As três garotas juntaram-se aos quatro meninos, que andavam atrás do professor Snape. Apenas com movimentos labiais, Betsy disse a Grant: babaca!
Vivien ficou com raiva e surpresa. Com raiva porque se não tivessem encontrado a fifi da Betsy Klimper, ela estaria em sua cama, dormindo, talvez sonhando com Shane Simmons, e talvez até com Eric Price também... e Dylan Mulroney... E surpresa por ter que estar em uma detenção com os próprios. Os mesmos que, até há pouco tempo, havia passado um constrangimento que, ela tinha certeza, a tinha feito corar.
Começaram a seguir Snape, que andava silenciosamente e rapidamente pelos corredores. Betsy e os garotos não pareciam estar preocupados em estar logo atrás de Snape, mas Vivien e Harmony andavam na mesma velocidade que o professor, assustadas com o que estava por vir.
O caminho foi silencioso, até chegarem à biblioteca. Vazia, é claro. E parecia assustadora, pensou Harmony. Muito assustadora...
Snape entrou primeiro e parou em frente à mesa da bibliotecária. Os outros sete foram entrando, devagar, e parando em frente ao professor.
— A detenção de cada um de vocês – começou Snape, encarando um a um enquanto falava – é catalogar pelo menos cem livros da biblioteca, cada um.
Shane deu um suspiro de insatisfação bem audível, e de propósito, é claro.
— Lhe garanto que seu suspiro será muito maior, senhor Simmons, se não cumprir a detenção exatamente como digo – disse Snape – Vocês podem começar. Filch já está a caminho.
E saiu da biblioteca, deixando apenas sete jovens desmiolados sozinhos na biblioteca.
— Até o Filch chegar dá tempo de nós darmos uns amassos – disse Eric.
Harmony riu.
— E já vejo quem será a sortuda... – disse Eric maliciosamente, a encarando.
— Eu não... – Harmony começou a dizer, sem graça, mas interrompida por Vivien.
— Olha, não era nem para estarmos aqui, então, vamos cumprir a detenção logo e sairmos daqui o mais rápido que pudermos.
Os meninos se entreolharam.
— Não quer nem um pouco de diversão? – perguntou Shane.
— Nem um pouco – respondeu Vivien secamente.
— Então vai ser uma noite beeeem longa – retrucou Shane.
— O que quer dizer?
— Nada! – disse ele, rapidamente.
Os rapazes riam, enquanto Vivien corou mais uma vez, e brava, começou a realizar a tarefa da detenção. Harmony a encarava, com Betsy ao seu lado contando alguns outros detalhes do caso de Harry Potter e Cho Chang.
— Essa daí é brava! – sussurrou Dylan, apenas para os outros três meninos que riam.
— Vai dar conta, Shane? – perguntou Eric.
— Veremos, veremos... – disse ele, olhando fixamente para Vivien – Só posso dizer que essa noite será bem interessante.
Mas, até o instante em que já havia se passado uma hora e meia da detenção, nada de interessante havia acontecido. Filch havia chegado dez minutos depois de o professor Snape tê-los deixados sozinhos na biblioteca.
Vivien e Harmony eram as únicas que realmente realizavam a detenção, e rapidamente. Betsy, algumas vezes, catalogava alguns livros com tamanha pressa, e em seguida, voltava a conversar com os meninos, que por sua vez, haviam catalogado apenas no começo, mas agora, já conversavam sem ao mínimo se preocupar com a detenção.
“Acho que estaremos ferrados se o Snape chegar e descobrir que não catalogamos um número bom livros”, pensou Grant. Ele, Shane, Eric e Dylan estavam em pé, encostados nas prateleiras da seção de História da Magia, conversando sobre os jogos de quadribol.
— Relaxa, galera. Daqui a pouco começamos a catalogar os livros – disse Eric, como se tivesse lido os pensamentos de Grant.
— Mas será que vai dar tempo? – perguntou Grant.
— Não sei... – respondeu Eric – Mas é só passarmos mais um período aqui catalogando mais uns vinte livros, eu acho. O Snape não vai verificar um por um, e contar quantos livros catalogamos na noite. Até porque ele não nos deu um número exato!
— Dá pra ter uma ideia de quantos livros poderíamos ter catalogado na noite, Eric – retrucou Grant.
— Ora, se você está tão preocupado, comece a catalogar! – disse Eric – Eu vou ficar aqui mais um pouco.
Vivien observava os garotos conversando, e ficou com raiva. Enquanto ela se matava tentando catalogar rapidamente os livros, ele não davam a mínima com isso, e muito menos com o que poderia acontecer se Snape descobrisse que eles haviam feito absolutamente nada durante toda a noite.
Ela se virou para falar com Betsy, que agora, estava sentada ao seu lado:
— Eu só espero que eu não pague o preço se Snape descobrir que eles não fizeram nada a noite inteira – disse, encarando os meninos.
Os olhos de Shane encontraram com os dela, e ele logo percebeu que Vivien devia estar falando dele e de seus amigos.
— O que foi, ruiva? – perguntou ele – Tá falando de mim ou alguma coisa?
— Se você quer mesmo saber – começou Vivien, agora encarando Shane impacientemente – Estou sim.
— E posso saber o que você falou? – perguntou ele, aproximando-se dela.
Vivien levantou-se da mesa, talvez como uma forma de mostrar que iria encará-lo sim, e que não se sentia intimidada por ele ter se aproximado.
— Eu disse que espero que eu não possa receber outra detenção por causa de vocês, que não fazem absolutamente nada e não se preocupam com o que pode acontecer se o merdinha do Snape descobrir que não catalogamos livros o suficiente!
— Pode deixar, ruivinha – zombou Shane, sarcástico – Se o Snape reparar em algo, eu mesmo me entrego e limpo a sua barra.
Esse comentário deixou Vivien mais irritada.
— Pode deixar que você não vai levar a culpa por algo que eu fiz – completou Shane.
— Pois fique sabendo que não preciso de você para dizer ao professor que a culpa é sua – disse Vivien, aumentando o tom de voz – Porque eu mesma falarei com ele que você, Shane, não fez absolutamente nada.
— Tudo bem! Pode falar – disse Shane – Mas vê se para de ser robotizada.
Agora sim. Vivien ia explodir.
— Robotizada? – perguntou ela.
— Cara, parece que você quer fazer tudo certinho, tudo rapidamente! Você não se diverte, não? Nunca violou uma única lei da escola?
— E se eu não violei nenhuma lei da escola?
— Robotizada... – disse Shane, diminuindo a voz enquanto falava, com uma expressão totalmente sarcástica.
— Vai se ferrar, cara! – exclamou Vivien.
— Vai catalogar mais livros, vai! – mandou Shane, impaciente.
— Pega esses livros e enfia...
— Olha, vocês podem ficar aí discutindo, mas eu vou vazar! – disse Betsy – Deve fazer um século que o Filch está dormindo e nós nem reparamos.
Todos pararam para observar Filch, que dormia na cadeira da bibliotecária. De cabeça baixa e segurando um sanduíche de atum com algumas mordidas. Podia-se ver claramente que Filch estava babando.
— Que nojo – disse Harmony, quando pensou que provavelmente a mesa da bibliotecária teria uma poça de baba do Filch.
Vivien voltou a sentar-se na cadeira. Mas Betsy se levantou.
— Alguém mais vai comigo? – perguntou ela.
— Eu vou – disseram os meninos, todos ao mesmo tempo.
Ela reuniu-se a ele, rindo, e olhou para as duas meninas.
— Vocês não vêm? – perguntou Eric.
— Não, obrigada – disse Harmony. Vivien permaneceu quieta.
Eric aproximou-se de Harmony, e falou, segurando os cabelos escuros ondulados da menina:
— Vamos! Não vamos demorar muito... Ainda temos que catalogar os livros, lembra?
Harmony sentiu um arrepio.
— Eu não sei...
— Harmony, não! – repreendeu Vivien.
— Mas, Vivien... É só um pouquinho.... – disse Harmony, baixinho – Não vai acontecer nada...
— Pode ir! – disse Vivien – Eu não vou!
Harmony encarou a amiga, e aparentando tristeza, disse:
— Não vou deixa-la sozinha, Eric. Pode ir.
Shane riu.
— Deixa sua amiga pra lá! – começou – Só porque ela age como um robô, você não tem que ser também!
Uma enorme raiva tomou conta de Vivien. Era isso. Ela seria contra tudo o que pensa, mas abriria mão disso para provar àquele babaca que não era um robô, e como qualquer garota, se divertia.
— Levanta, Harmony – disse Vivien – Vamos nos divertir um pouco – e levantou-se de sua cadeira, encarando Shane de forma intimidadora.
Shane estava surpreso e parecia mascarar sua raiva.
— Toma, trouxa! – zombou Dylan.
— Assim que se fala, ruiva – disse Eric.
Quando todos já estavam de pé, fizeram silêncio.
— Galera, devagar e sem fazer barulho. Vamos sair daqui – alertou Betsy.
Todos começaram a segui-la, e rapidamente, já estavam fora da biblioteca. Aliviados, mas todos com medo, eles começaram a rir como se fossem verdadeiros retardados. Menos Vivien riu.
— Eu tenho uma ideia, galera – disse Grant – Me sigam.
Grant começou a andar, silenciosamente, com Shane, Eric, Dylan e Betsy em seu encalço.
Harmony encarou Vivien, que também a encarava, e sorriu, indo atrás do grupo. Vivien permaneceu parada por um momento, observando os seis andarem apressadamente e depressa.
Mesmo não tendo um bom pressentimento do que aquela noite iria render, ela apertou o passo para acompanhar o grupo.
Notas finais
Espero que vocês possam se identificar com a fic, e também espero o seu comentário. Se estiver boa ou ruim, me diga! Eu adoraria.
Abraços,
PEDRO ROGERIO
Fale com o autor