Notas iniciais
Boa noite amores! Espero que todos vocês tenham gostado da notícia! Hahahahaha Continuem comentando bastante, amo vocês e beijos no coração! ♥ Boa leitura e até o próximo.

Tris

Era mais dia no curso sobre designer. Eu estava jogada em uma das cadeiras espalhadas pela sala, fitando meu copo de café, que ainda soltava fumaça. Algumas das pessoas conversavam e seus sussurros chegavam em meus ouvidos.

— Eu finalmente lembrei da onde eu conheço a loira — Uma voz de mulher chegou aos meus ouvidos, me fazendo revirar os olhos — Ela é namorada do CEO da Eaton’s Corporation.

— Aquele moço novo, que parece mais um modelo do que presidente da empresa? — Silêncio se seguiu, e eu imaginei que a outra havia confirmado com a cabeça — Eu pegava ele, sem dúvida nenhuma. Bonito, rico e dizem ser muito inteligente.

— Ela estava na festa de aniversário da empresa com ele. Os dois são deslumbrantes juntos. Eles ficaram só alguns minutos, conversaram com umas poucas pessoas e depois saíram rapidamente — Elas realmente pensavam que eu não estava escutando a conversa?

— Dizem que foi uma baita festa — Alguém acrescentou.

— E foi mesmo — A rainha da fofoca confirmou — Eu estava lá. Meu marido é funcionário da corporação — Elas continuaram falando e eu me desliguei. Eu realmente não estava afim de ficar escutando fofoca.

Reprimi um bocejo e esfreguei os olhos em seguida, tentando espantar meu sono. Mais uma noite sem dormir quase nada, e olha que a criança nem tinha nascido ainda. Eu realmente estava considerando a ideia de finalmente tomar um anti enjoo.

Fazia quase um mês que eu havia descoberto que estava grávida. Embora ainda não tivesse espalhado a notícia pra ninguém, eu já estava mais acostumada com essa ideia. Tobias, por outro lado, estava radiante. Ele já estava fazendo planos pra quando o bebê nascesse e já pensando em ensinar a criança a nadar, lutar e instigar a fazer algum esporte. Ele não via a hora de contar pra Deus e o mundo, e eu sabia que não podia protelar muito mais, principalmente porque já estava começando a ficar difícil disfarçar a barriga. Eu sabia que amanhã todo mundo perceberia, mesmo se nós não contássemos. Era a festa de aniversário do pai de Tobias e eu teria que usar um vestido mais largo e sapatos baixos. As pessoas desconfiariam e eu tinha ciência disso.

Eu estava grávida de dois meses e uma semana e não estava cabendo em praticamente nenhuma das minhas roupas, incluindo as minhas calças, o que já tinha me deixado de mal humor logo pela manhã. Tobias havia começado a rir, o que tinha me deixado mais irritada ainda. O inverno estava quase para começar, e o único modelo de calça que eu entrava era o da calça legging.

Me levanto da cadeira e atiro o copo de café no lixo. Meu estômago estava começando a ficar embrulhado só com o cheiro da bebida. O médico havia dito que era normal sentir enjoos. Irritantemente normal, se alguém quiser saber a minha opinião. Eu tinha uma consulta marcada hoje, pra fazer a ultrassom. A minha ideia era perguntar por quanto tempo mais eu iria sentir esses enjoos matinais — e que as vezes duravam o dia todo.

Puxo as mangas do meu moletom para que elas cubram a minha mão. Tento disfarçar minha carranca, sabendo que nenhuma das pessoas aqui tem culpa de eu não conseguir tomar café ou caber nas minhas roupas. Ninguém tinha culpa de eu estar usando legging, moletom e tênis de corrida.

Atualizo todas as minhas redes sociais enquanto espero que o a porra do professor do curso chegue.

— Bom dia — A mulher que havia acabado de chegar e se sentar na cadeira ao lado da minha murmura. Eu não sabia o nome de ninguém lá, e não me importava com isso. Minha rotina se baseava em chegar, tentar prestar atenção e ir embora.

— Bom dia — Eu respondo, sem dar muita atenção. Eu não estava afim de conversar com ninguém. Na verdade, por mais que eu estivesse gostando do curso, eu só conseguia pensar na minha cama.

O professor chega na sala e começa a falar. Eu me esforço para disfarçar meus bocejos, que estão ficando cada vez mais frequentes. Alguns minutos depois eu percebo que não sei do que o cara está falando. Ouço a chuva batendo na janela, me fazendo querer minha cama mais ainda.

O tempo se arrasta. Fico mirando o relógio na parede por um bom tempo, até que alguém abre um pacote de salgadinhos, em algum lugar atrás de mim. Eu prendo a respiração, e segundos depois, a solto. A próxima coisa que eu me lembro é de praticamente saltar da cadeira e sair correndo da sala, procurando o banheiro. Merda.

Quando finalmente saio do banheiro, fico enrolando no corredor, esperando a hora de ir embora. Eu não ia arriscar entrar na sala e acabar passando mal novamente. Atualizo minhas redes sociais novamente, na esperança de que o professor não se estenda muito além do horário. Tobias viria me buscar para irmos fazer a ultrassonografia e eu precisava da minha bolsa.

As pessoas finalmente começam a deixar a sala. Eu entro rapidamente, prendendo a respiração, pego minhas coisas e saio. Vou para fora do prédio esperar Tobias.

— Querida, você está bem? — Alguma das mulheres que estavam paradas em um circulo, na calçada, pergunta. Era o mesmo grupo que conversava mais cedo.

— Sim, está tudo bem — Eu respondo, forçando um sorriso — Obrigada por perguntar.

Elas me encaram por um instante e eu começo a me sentir desconfortável. Eu achava incrível a capacidade das pessoas de fazerem os outros se sentirem mal e nem perceberem. Ou perceberem e não ligarem.

Segundos depois um Porsche preto para em frente ao prédio e Tobias desce rapidamente, com um guarda chuva na mão.

— Boa tarde, love — Ele diz, me dando um beijo no rosto em seguida. Eu o abraço rapidamente.

— Pra você também — Eu digo, suspirando e arrancando uma risada dele — Você não precisava ter descido por conta de um chuvisqueiro — Eu digo, arqueando as sobrancelhas.

— Não tem problema — Ele diz, me dando um sorriso deslumbrante, que me faz sorrir também. Ele abre o guarda chuva e nós vamos em direção ao carro — Pronta?

— Sempre — Eu respondo, dando um sorriso. Entro no carro e fecho a porta em seguida.

— Como estamos essa manhã? — Ele pergunta enquanto liga o carro e acelera.

— Não podendo sentir o cheiro de comida nenhuma — Eu respondo já sabendo que ele ia rir, apesar de eu saber que ele estava genuinamente com dó de mim.

Nós chegamos no consultório médico minutos depois, já que Tobias sempre dirigia como um louco. O que me confortava no jeito que ele dirigia, era que quando eu estivesse para dar a luz, nós não demoraríamos a chegar no hospital. Ele segura a minha mão e nós entramos na clínica.

A secretária nos informa que seremos atendidos dentro de minutos e nós nos sentamos em um dos sofás. Eu encosto a cabeça no ombro dele e ele faz carinho de leve.

— T. — Eu chamo, fazendo ele olhar pra mim — Eu queria pedir desculpas por te fazer esperar tanto tempo pra contar que nós vamos ter um filho — Eu digo sinceramente.

— Tá tudo bem, love — Ele diz — Eu sei que não tá sendo muito fácil pra você — Ele diz, sendo sincero e eu dou um sorriso.

— Se serve de consolo, amanhã provavelmente todo mundo vai ficar sabendo — Eu digo suspirando — Eu não entro em nenhum dos meus vestidos, por isso comprei um mais larguinho e não posso usar salto alto. Shauna vai perceber na hora que tem alguma coisa errada. Ela já anda bem desconfiada.

Ele ia começar a falar, mas nesse instante o médico entra na sala de espera e nos convida a entrar no consultório. Nós conversamos por um tempinho, para descontrair.

— Por quanto tempo mais eu vou ter que aturar esses enjoos? — Eu pergunto, demonstrando minha frustração — Quero pular logo pra parte que eu sinto vontade de comer.

— Esses enjoos já deviam ter passado, mas é normal que em alguns casos ele se estenda um pouco — Ele diz — Em algumas semanas você não deve sentir mais nada — Eu dou um sorriso meio forçado — Vamos fazer a ultrassom?

Eu concordo com a cabeça e me levanto, me dirigindo para a cama no canto da sala. Tobias se senta na cadeira ao lado da cama e observa. O doutor começa a mexer em alguns produtos. Reviro os olhos, mas ele logo começa a usar os aparelhos. Uma imagem borrada aparece no monitor. O médico observa atentamente e eu não consigo distinguir porra nenhuma. Vejo Tobias franzir a sobrancelha e eu sei que ele também não tá conseguindo ver nada de mais.

Segundos depois o médico dá um sorriso.

— Parabéns mamãe, parabéns papai, vocês vão ter dois lindos bebês — Eu o encaro.

— Acho que eu escutei errado. Você disso dois? — Eu pergunto, achando graça. Tobias aperta a minha mão.

— Parabéns, vocês terão gêmeos — Ele reafirma, me deixando momentaneamente desnorteada — Isso explica porque seus enjoos se estenderam.

— Não, você está errado — Eu digo, quase sem ar — Olha isso de novo. Você só pode está errado.

— Tris… — Tobias começa, mas eu o corto.

— Tobias eu vou ter um ataque de pânico — Eu digo, respirando pesadamente — NÓS. MAL. TEMOS. CONDIÇÃO. DE. CRIAR. UMA. CRIANÇA. — Eu digo pausadamente. Vejo o médico se afastando de onde nós estávamos.

— Nós não decidimos ter esse bebê e cuidar dele? — Ele pergunta, segurando a minha mão — É só pensar que é só mais uma criança.

— Só mais uma criança — Eu repito, me sentando na cama rapidamente e respirando fundo — MEU DEUS, VÃO SER DUAS CRIANÇAS.

— Tris — O médico fala, se aproximando novamente — Eu sei que essa não é uma notícia muito fácil de se receber, ainda mais quando é a primeira gravidez, mas… — Ele faz um pausa — Você tem que manter a calma e se manter saudável.

— Eu… — Eu começo a falar, mas não consigo terminar.

— E falando em se manter saudável, a senhorita está um pouco abaixo do peso ideal para alguém que está grávida de gêmeos.

— Eu não consigo comer quase nada sem passar mal — Eu digo novamente, suspirando. Me arrumo e me levanto, começando a andar de um lado para o outro.

Vejo Tobias e o doutor conversando, mas não presto muita atenção. O médico provavelmente estava instruindo Tobias com a melhor forma de levar uma gravidez de duas crianças e falando tudo que ele precisava saber sobre alimentação, parto e etc. Eu devia estar escutando, mas eu estava atônita demais com a nova notícia. E o médico provavelmente já tinha percebido que o estável da dupla era Tobias e que ele provavelmente tomava mais conta de mim do que eu mesma.

Nós deixamos o consultório minutos depois.

— Em uma escala de zero a dez, o quanto você está apavorada? — Ele pergunta, assim que entramos no carro.

— Onze — Eu respondo — Sei lá, acho que a ideia de família me assusta mais do que a gravidez de gêmeos em si — Eu falo, suspirando — Até esses dias atrás, a única pessoa com quem eu me preocupava era você e olha que você consegue tomar conta de si mesmo. Você tem noção que nós vamos ter que tomar conta de duas crianças que vão depender da gente pra tudo?

— Eu tava pensando nisso também — Ele diz — E eu tenho certeza que a gente vai dar conta.

— Assim eu espero — Eu digo, começando a gargalhar logo em seguida. Eu acabo perdendo o ar, de tanto rir. Tobias começa a rir também, e nós ficamos rindo por um bom tempo. Essa era, literalmente, a maior loucura da minha vida.

— Quer tentar comer alguma coisa? — Ele pergunta e eu concordo com a cabeça. Eu, novamente, começo a rir descontroladamente, só de imaginar a cara de Shauna quado eu contar que estou grávida de gêmeos.

Notas finais
Quem gostou da nova surpresa??