Bargain

19 Fast and Furious


Notas iniciais
Oi lindx! Como estão?? Espero que gostem desse capítulo! Beijos, até o próximo e não deixem de comentar!

Tris

— Beatrice — Eu saia do banheiro, depois de mais uma das minhas crises de enjoo, quando escutei alguém chamando meu nome. Me virei instintivamente rumo ao som, apesar de saber a quem a voz pertencia. Fitei Natalie Prior, que me observava atentamente — Posso falar com você um instante?

— Já está falando — Eu respondo revirando os olhos. Ela respira fundo e faz um gesto para que eu a acompanhe. Considero a oportunidade de virar para o outro lado e ignorá-la. Nós estávamos no na festa do pai de Tobias e um escândalo familiar na festa de aniversário de Marcus Eaton não estava nos meus planos.

Eu a sigo para dentro da casa. Ela fecha a porta de ligação entre a sala e o jardim, que estava lotado com os convidados. Eu me mantenho de costas para a porta, pronta para sair rapidamente, caso as coisas ficassem feias, como de costume.

A festa estava agradável até agora, apesar de eu não conseguir ficar a menos de meio metro da mesa com comida. Ninguém ainda parecia ter notado nada de tão diferente no meu look composto por um vestido curto larguinho e sapatinhas. Tobias e eu havíamos combinado que mais tarde contaríamos para Evelyn que ela teria um neto. Eu estava tentando criar coragem para contar para Shauna até agora.

Tobias estava radiante hoje, pelo simples fato que ele finalmente tinha desenterrado legalmente toda a sujeira deixada por Marcus na Eaton’s Corporation. Ele pretendia desmascarar o pai aqui, junto com Zeke e Uriah que também estavam na festa. Eu não queria perder esse momento.

— Fico feliz que você esteja aqui — Natalie disse, me fazendo olhar para ela. Eu não disse nada. Andrew estava parado ao lado dela, me encarando. Caleb e a namorada estavam alguns passos atrás. Eu me mantive em silêncio — Eu sei que a nossa relação não é… fácil — Ela acrescentou — Mas acho que tem uma coisa que você deveria saber por nós. Espero que fique feliz — Eu arqueei as sobrancelhas, desafiando ela a me contar alguma coisa que me deixaria feliz.

— Eu vou ser candidato a governador do estado de Illinois — Andrew disse. Natalie sorriu.

— Isso devia me interessar por qual motivo? — Eu pergunto friamente — Você vai pedir o meu voto? — O sorriso de Natalie se desmancha. Eu não me sinto culpada, mas sinto meu sangue ferver.

— Nós pensamos… nós queríamos fazer isso como uma família — Ela diz — Nós queríamos seu apoio.

— Claro — Eu digo, sorrindo cruelmente — Vou subir num palanque com vocês, pra ajudar na campanha — Eu olho para eles — Vocês querem que eu enfatize como nós somos uma merda de uma família feliz?

— Beatrice, não… — Andrew começa a falar, mas eu o interrompo.

— Vocês querem que eu diga como você foi a porra de um pai maravilhoso? Como você vai ser um governador maravilhoso? Como nós somos uma família unida e próxima? Como vocês estiveram do meu lado durante a merda da minha vida toda? — Eu faço uma pausa, tentando respirar novamente e me controlar — Vocês são patéticos.

— Você não tem o direito de falar assim com a gente — Meu pai grita. Seus olhos ardem em chamas de fúria. Ele da um passo pra mais perto de mim — Você, garotinha, se controla e controla essa boca.

— Andrew, fala baixo — Natalie pede, um pouco assustada.

— Você não tem o direito de nem sequer falar comigo. Você é desprezível — Eu grito — EU NÃO SOU SUA FILHA.

Ele se aproxima mais, furioso. Ele mexe a mão de uma maneira que me dá a impressão que ele vai me bater. Eu tento recuar, mas minha cabeça começa a rodar. Perco a consciência logo em seguida.

Tobias

Eu vejo Natalie abordar Tris assim que ela sai do banheiro. Eu estou do outro lado do jardim, não consigo escutar o que ela diz, mas vejo as duas indo para dentro da sala. Tris fecha a porta de acesso, que é de vidro, e se mantém de costas pra ela.

Eu observo atentamente ao que está acontecendo lá dentro. Eu estava indo procurar Marcus, mas resolvo deixar isso pra depois. Eu sabia que esse encontro de família podia virar um incêndio e queria estar por perto caso Tris precisasse de alguém pra sair de lá.

Eu conheço Tris bem o suficiente para perceber quando ela está nervosa, mesmo que ela esteja de costas pra mim. Ela gesticula muito e se eu tivesse que chutar, eu diria que sua voz estava alterada.

Observo por mais alguns segundos, até que vejo Andrew dar alguns passos rumo a Tris e ela tentar recuar. A expressão corporal dele me lembra muito a de meu pai, quando se preparava para me bater. Eu disparo pelo jardim, correndo desesperadamente e empurrando algumas pessoas para fora de meu caminho.

É tarde demais. Vejo Tris desabar contra a parede, inconsciente. Eu reprimo um grito e abro a porta violentamente. Natalie estava gritando alguma coisa para Andrew, que parecia em choque. Eu os ignoro, ignorando também a minha raiva e chego até Tris, me abaixando ao seu lado.

Não paro para escutar o que eles falam e decido que mais tarde eu vou me entender com Andrew. Pego Tris no colo e disparo desesperado pela casa, rumo ao portão da frente. Um leve tumulto se instala pelos convidados que presenciam a cena. E berro pedindo para que eles saiam do meu caminho.

Chego até meu carro e coloco Tris no banco de Trás. Prendo o cinto nela, para evitar que qualquer coisa mais grave aconteça e disparo para o banco do motorista. Ligando o carro e acelerando rumo ao hospital.

Estaciono enfrente a porta de entrada principal do hospital e desço para pedir ajuda. Me aproximo da recepção.

— Boa noite — Uma das secretárias diz.

— Eu preciso de um médico — Eu respondo, ignorando os bons modos.

— Eu vou pegar uma das senhas e…

— A MINHA NAMORADA ESTÁ GRÁVIDA DE GÊMEOS, E ESTÁ INCONSCIENTE — Eu grito — QUERO UM MÉDICO AGORA.

Ela me olha um pouco assustada, mas se move, buscando enfermeiros para tirarem Tris do carro. Eles a levam para dentro do hospital e eu sou levado para uma das salas de espera, enquanto preencho os dados de Tris numa folha.

Eu respiro fundo para me acalmar e conseguir pensar direito. Eu só queria saber se ia ficar tudo bem com Tris e com os bebês. Respiro novamente, pra tentar entender tudo que eu estava sentindo. Raiva. Medo. Desespero. E eu percebo mais um sentimento. Amor. Eu finalmente percebo que eu amo aquela loira maluca, e assumo pra mim mesmo que eu quero passar o resto dos meus dias com ela.

Vozes se aproximam da porta e eu me levanto, torcendo para que seja alguém para me dar notícias. A moça da secretaria aparece, acompanhada pela minha mãe, Natalie, Andrew, Caleb e Susan. Ela pega a ficha que eu estava preenchendo e sai da sala, fechando a porta atrás de si. Eu me jogo na cadeira novamente, sem tentar disfarçar minha frustração.

— Tobias, meu filho — Minha mãe chama, se sentando ao meu lado — O que exatamente está acontecendo?

Eu então deixo toda a minha raiva tomar conta do meu ser. Me coloco de pé e dou alguns passos até onde Andrew Prior está de pé.

Eu levando minha mão e puxo a gola de sua camisa, o pressionando contra a parede. Minha mãe fala alguma coisa, assim como Natalie, mas eu não escuto.

Caleb tenta se aproximar mas eu o empurro para o outro lado com a minha mão que está livre.

— Eu vou dar esse aviso uma vez só — Eu vocifero, apertando sua garganta — Se você tentar fazer alguma coisa que possa machucar Tris novamente, se você até tentar falar com ela, eu mato você.

— Tobias, solta ele — Minha mãe diz.

— Eu mato você, Prior — Eu continuo, repetindo a ameaça e ignorando qualquer tentativa da minha mãe de me fazer soltá-lo — Me dê só mais um motivo, pra você ver.

Eu o solto, empurrando-o para o outro lado. Percebo que ele está tentando voltar a respirar normalmente.

— Tobias, pelo amor de Deus, o que foi isso? — Minha mãe pergunta, me puxando para um canto.

— Esse foi eu dando um aviso — Eu respondo secamente.

— Cara, você não pode ameaçar as pessoas assim — Caleb diz, tentando dar uma de valente pra cima de mim.

— Seu merdinha de uma porra — Eu me aproximo dele, praticamente gritando — Covarde inútil. Você não teve coragem de defender a própria irmã que foi expulsa de casa, baixa a sua bola antes que eu quebre a sua cara.

— Eu não… — Ele começa a falar, mas agora eu já estava muito irritado.

— Ficou com medo de perder a mesada que o papai te dava caso você procurasse a sua irmã — Eu digo, lembrando que Tris tinha me contado que ela e Caleb eram muito próximos antes dela sair de casa, mas que ele nunca a tinha procurado nem pra saber se ela estava viva — Covarde de uma porra. Seja homem uma vez na sua vida e cale a boca.

Eu me virei para Natalie, que estava em silêncio mas também tinha uma parcela de culpa. Uma muito grande.

— E você, não espere que Tris seja compreensiva e amável — Eu despejo — Você é tão ruim quanto ele — Eu digo apontando pra Andrew.

Nesse momento um médico abre a porta e passa por ela. Eu praticamente o seguro pelos ombros.

— Como ela está? — Eu pergunto, aturdido — Como está a minha namorada? Como estão os meus bebês? — Vejo os restantes dos ocupantes da sala desviarem os olhos do médico e olharem pra mim assim que eu pronuncio a palavra “bebês”.

— Tobias, o que exatamente… — Minha mãe começa, mas o médico faz um sinal para que ele possa falar.

— Tris e os bebês estão bem — Ele diz, sorrindo — O desmaio é normal em grávidas de gêmeos que passam por um grande nervosismo. Ela vai ficar aqui até amanhã, só por observação, mas está tudo bem.

— Eu posso vê-la? — eu pergunto, respirando mais aliviado.

— Pode — Ele responde — Vou te levar até lá.

Saio da sala antes do médico e fico pensando no que Tris vai achar quando descobrir que eu disse pra todo mundo que ela é minha namorada. Eu espero que ela não se importe. Eu espero que ela sinta por mim a mesma coisa que eu sinto por ela. Amor. Paixão. Adoração.

Ouço o doutor confirmando para o as pessoas dentro da sala que Tris está grávida de gêmeos e já com dois meses de gravidez. Ele deixa a sala de espera e eu o acompanho até o quarto que ela está.

Notas finais
SPOILER: próximo capítulo tem Tobias sendo (muito) fofo.