Bargain
20 Welcome Home
Notas iniciais
Tobias
— Toc, toc — Eu brinco, assim que chego no quarto que Tris estava. Ela, que antes encarava o teto com uma expressão pensativa, me olha e da um sorriso — Posso entrar?
— Como se você precisasse pedir — Ela responde, rindo. Eu entro silenciosamente no quarto e o médico, que tinha em acompanhado até aqui, se vai — E aí, como você está? — Ela pergunta, puxando conversa.
— Bem melhor agora — Eu respondo, sorrindo aliviado — Você me deu um baita susto — Eu digo, passando a mão na bochecha dela carinhosamente.
— O doutor disse que foi só uma crise nervosa — Ela diz, dando de ombros. Ela me conta que se lembrava de ter ficado apavorada quando acordou do desmaio e se viu cercada por médicos e enfermeiros. Ela havia exigido saber se estava tudo bem com os bebês e eles, depois de um tempo em silêncio, a examinando como se fosse louca, haviam dito que estava tudo bem e que tinha sido, provavelmente, uma crise nervosa.
— Ele me disse — Eu conto — Depois que eu quase chacoalhei o homem, atrás de informações — Ela começa a rir, me fazendo perceber que eu amo o riso dela — E aliás, sua família tira qualquer um do sério — Eu resmungo — Mas não se preocupe, eles não vão mais te perturbar.
— O que exatamente você fez? — Ela pergunta, curiosa.
— Bem, eu vi quando você desmaiou e entrei em pânico. Eu te trouxe pra cá correndo e até aí não tinha feito nada demais a não ser ignorá-los, apesar da minha raiva — Eu respondo, segurando a mão dela — Aí eles chegaram aí, acompanhados da minha mãe, e meu sangue ferveu. Vamos dizer que eu quase enforquei o seu pai, quase estapeei o seu irmão e deixei a sua mãe em prantos com poucas palavras.
— Espero que você tenha dito tudo que eu também gostaria de dizer — Ela diz, fazendo uma careta e apertando a minha mão levemente.
— Eu… eu realmente fiquei furioso — Eu digo, dando um sorriso — E com medo. Eu nem sei o que…
— Tá tudo bem agora — Ela me diz e eu dou um beijo em sua testa. Ficamos alguns segundos em silêncio e ela me encara nos olhos. Os olhos dela eram lindos e traziam uma certa serenidade. Eu podia ficar olhando por um bom tempo — O que você está escondendo de mim, T.? — Ela pergunto, me fazendo rir. Tris era incrivelmente perceptiva, embora não parecesse.
— Duas coisas — Eu digo, me preparando — A primeira é que eu talvez tenha ficado um pouco muito nervoso e quando o médico apareceu, eu talvez, tenha perguntado sobre você e sobre os bebês perto de todo mundo. E todo mundo eu me refiro à minha mãe e à sua família. Mas só talvez.
Ela dá uma gargalhada e eu percebo que ela não havia ficado nada brava. Talvez ela tivesse percebido que não havia sido por querer ou talvez ela estivesse aliviada, porque ela agora ela não tinha que falar nada pra ninguém. Bem, pra Shauna, mas essa era uma dor de cabeça pra outra hora.
— Eu não ia mesmo conseguir esconder isso por muito mais tempo — Ela diz, apontando para a própria barriga — Talvez, eu não ligue que você tenha contado — Ela ri e aperta a minha mão — E a segunda coisa, o que é?
— Tris, eu… Eu percebi uma coisa na sala de espera, antes de todo mundo chegar — Eu faço uma pequena pausa e percebo o quanto estou nervoso. Minhas mãos estão suando e eu não sai como falar.
— O que você percebeu, love? — Ela pergunta, me dando um sorriso — Você pode me falar qualquer coisa, você sabe disso, né?
— Beatrice — Eu digo seu nome suavemente, e decido falar logo de uma vez, mesmo tento a consciência que talvez isso mude a nossa relação completamente, ou para melhor ou para pior. Eu rezava para que a primeira opção se exaltasse — Eu amo você. Amo de verdade, e quero ficar o resto dos meus dias com você.
Vejo os olhos dela se encherem de lágrimas. Ela fica em silêncio por alguns segundos, me parecendo não conseguir falar nada. Eu começo a implorar pra qualquer divindade que estivesse presenciando a cena e ouvindo meus pensamentos, para que não deixassem que eu tivesse estragado tudo entre a gente.
— Quando eu acordei do desmaio, eu só queria ver você — Ela diz baixinho — Você foi o meu primeiro pensamento e eu fiquei com medo, porque você não estava lá. — Ela faz uma pequena pausa — E eu percebi que não importa a onde eu estiver, se você estiver comigo vai ficar tudo bem. Como agora.
— Tris…
— Eu também amo você, Tobias — Ela diz, com as lágrimas escorrendo pelo rosto. Eu limpo seu rosto gentilmente e depois a beijo nos lábios. Ela me abraça e nós ficamos assim por alguns minutos.
Eu nunca tinha me sentido tão feliz assim em toda minha vida. Eu queria que esse momento durasse pra sempre. Ela me da espaço na cama e eu me sento ao seu lado. Ela encosta a cabeça no meu ombro e eu a abraço.
— Eu não quero ficar sozinha essa noite — Ela diz e eu a aperto contra mim.
— Nada vai me tirar daqui hoje — Eu digo.
Nós ficamos em um silêncio agradável e tranquilo por alguns minutos, até que ela adormece em meus braços. Eu fico acordado por mais alguns minutos, sentindo a respiração dela contra mim.
Tris
Eu estava jogada no sofá, no meu apartamento, no meio da tarde em plena segunda feira. Eu havia deixado o hospital sábado pela manhã e estava me sentindo totalmente bem desde então.
Eu fazia algumas lições do curso de designer e estava distraída editando alguns cômodos do apartamento online que a gente tinha que montar para treinar. Eu estava caprichando bastante, por amor e por falta do que fazer.
Eu pensava em Tobias e em como eu estava feliz com ele. Era como se eu estivesse vivendo em um conto de fadas. Eu me sentia leve só de pensar nele e só de saber que ele também me amava. Ele era em quem eu podia confiar e com quem eu podia contar pra qualquer coisa, seja pra conversar, namorar ou ter filhos — gêmeos ainda por cima.
Como se soubesse que eu estava pensando nele, Tobias passou pela porta parecendo um pouco ansioso, mas mais lindo que qualquer coisa.
— Amor, você está muito ocupada? — Ele pergunta, me fazendo colocar o notebook de lado e encará-lo. Ele me beija delicadamente nos lábios e depois na testa.
— Não — Eu respondo suavemente — Aconteceu alguma coisa? — Tobias ia entregar os papéis sobre Marcus para a polícia hoje e ele estava uma pilha pela manhã, embora ele estivesse confiante. Ele tinha me telefonado e avisado que a polícia ia fazer as próprias investigações, já que os funcionários da Eaton’s Corporation não tinham conseguido achar nada nas empresas fantasma, mas que o delegado estava confiante.
— Não, claro que não — Ele diz, me puxando pela mão e me colocando de pé — Mas eu tenho uma surpresa pra você.
— Adoro surpresas — Eu digo rindo, saindo com ele pela porta. Ele me leva até seu carro e da partida. Fico tentando imaginar o que ele estava aprontando, mas nada passa pela minha cabeça.
— Você vai amar essa — Ele faz uma pausa e me olha — Ou assim eu espero que seja — Ele dá um sorriso, me fazendo sorrir também.
— Onde nós estamos indo? — Eu pergunto, na esperança dele me dar alguma dica ou coisa assim.
— Nem vem — Ele diz, rindo — Surpresa é surpresa — Eu faço biquinho mas ele não me conta o que está aprontando.
— Aliás, contei pra Shauna sobre a gravidez — Eu digo e ele me olha — Ela surtou, me chamou de louca, disse que eu não sei nem esquentar água, muito menos cuidar de uma criança — Faço uma pausa — Ela surtou mais ainda quando eu disse que era de gêmeos, sério. Ela só não me agrediu porque eu tô gravida.
— Quando ela finalmente parou de reclamar e te chamar de louca? — Ele pergunta, rindo. Eu havia ignorado as ligações de Shauna durante o fim de semana. Ela provavelmente queria notícias minhas, já que ela estava na festa de Marcus e tinha me visto desmaiar. Eu havia mandado uma mensagem, dizendo que estava bem e que tinha sido só um susto. Não se conta que você está grávida para a melhor amiga por telefone.
— Quando ela disse que queria ser madrinha e que não queria perder mais nenhum momento da minha gravidez — Eu digo, rindo — Provavelmente quando ela percebeu que não adiantasse o sermão que ela desse, eu continuaria grávida do mesmo jeito.
— Eu contei pro Zeke também — Tobias disse — Ele ficou sem palavras por uns minutos e depois me deu os parabéns. Contei pra ele que nós estamos juntos de verdade e que eu assumi que te amo — Ele me olhou carinhosamente — Ele falou que eu demorei demais.
— Contei pra Shauna também — Eu digo, rindo — Ela disse que vai te dar um abraço depois, por derreter meu coração de pedra. Mas também disse que já sabia que nosso caso era amor muito antes da gente perceber.
— As vezes eu penso nisso — Ele diz — Acho que eu te amo faz um tempo já, mas a ficha caiu quando eu percebi que podia te perder a qualquer momento
— Será que se a gente tivesse percebido antes, mudaria alguma coisa em como não estamos hoje?
— Eu teria te chamado de “minha namorada” muito antes — Ele diz, sorrindo pra mim.
— Eu teria amado escutar isso saindo da sua boca muito antes, meu amor — Eu respondo.
— Aliás, namorada — Ele diz, me jogando um pano preto — Vende seus olhos. Nós estamos quase chegando e eu quero que seja surpresa até o último momento.
Eu resmungo um pouco e faço ele rir.
— Isso é mesmo necessário? — Eu digo, tentando o convencer — Eu posso só fechar os olhos.
— Você vai trapacear se eu te deixar só fechar os olhos — Ele diz — Eu te conheço muito bem, Beatrice.
— Eu te detesto — Eu digo rindo, mas colocando a venda.
Uns dois minutos depois ele para o carro e desce, me pedindo para esperar um instante. Um minuto depois ele volta ao carro, me ajuda a sair e nós damos alguns passos.
— Eu vou contar até três e tirar sua venda — Ele sussurra no meu ouvido — Um. Dois. Três.
Ele tira a venda e o que eu vejo na minha frente me faz ficar momentaneamente paralisada.
Eu estou em pé, de frente a uma mansão, num bairro que parece tranquilo e pacífico. Pregado na porta de entrada, uma faixa com os dizeres “Welcome Home”.
— Tobias… — Eu começo, mas paro de falar. Eu não tenho palavras.
— Nossa casa, meu anjo — Ele diz — Nós vamos ter duas crianças, não podemos simplesmente morar em apartamentos separados que não tem nem quarto para os nossos bebês.
Eu o agarro e o beijo assim que ele para de falar. Ele me beija de volta e depois me entrega a chave da porta.
— Você é incrível — Eu finalmente digo. Tobias estava certo. Meu apartamento tinha um quarto e era pequeno. O de Tobias era um pouco maior mas também tinha um quarto só. Aqui nós começaríamos nossa família.
— E você não viu a melhor parte ainda — Ele diz, enquanto eu destranco a porta e a abro, entrando num hall vazio — A casa está totalmente a sua espera para seu primeiro trabalho como designer de interiores. Se divirta.
Eu nem acreditava que Tobias havia feito tudo isso. Eu continuava em choque. Nós percorremos a casa toda. Era enorme, linda. Eu já estava começando a ter ideias incríveis para a decoração e pintura da casa. Na parte de trás uma piscina com um jardim incrível e uma área para churrasco. A garagem devia caber no mínimo uns quatro carros grandes.
— Quatro quartos com banheiro, sala de TV, de jantar, de visitas, cozinha de última geração, um jardim de inverno lindo e o jardim externo ótimo para as crianças — Tobias citou, rindo — Vamos ter que tomar cuidado com a piscina, até que eles aprendam a nadar, mas podemos por grades.
— Tobias é… Sensacional — Eu digo, o beijando novamente.
— Falta só uma coisa — Ele diz.
— E o que seria? — Eu pergunto, o abraçando forte.
— Cachorros. Muitos cachorros — Ele diz, rindo. Eu já começo a imaginar essa casa cheia de crianças e animais.
— Totalmente de acordo — Eu digo, rindo.
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